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Firmino está na Copa. Muito justo. Mas é bom?
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Menon

Em entrevista aos companheiros do UOL, Tite disse que há 15 jogadores confirmados na Copa. E Roberto Firmino é um deles. Muito bom, muito justo. Principalmente, quando se lembra que Willian José é um dos concorrentes. A confirmação de Tite foi saudade imensamente, como se houvesse muitas dúvidas. Chego a crer na existência de “firministas” no Brasil.

Me lembrou os tempos de adolescência, quando se esperava urgentemente por uma convocação da seleção brasileira. Haveria mais paulistas ou mais cariocas? Em 66, foram dez de cada estado, mais um gaúcho (Alcindo) e um mineiro (Tostão). O que eu estranhei agora é que vi pouca gente criticando Firmino. Que eu me lembre, nem era questão de crítica. Era apenas, como Casagrande e Milton Leite fizeram, dizer que preferiam o Jô.

E qual é o problema. Casagrande entende de futebol. Milton Leite entende de futebol. E Jô foi o melhor jogador do Brasileirão. Não há nada de profano, nada de estúpido na opção deles. Ninguém está defendendo o Sidnerges Amazonense ou o Wanderson Paraibano.

Há um radicalismo muito grande na defesa de Firmino, mesmo porque, a convocação era certeza e porque a opção apontada por pessoas qualificadas não era um absurdo. E, cá entre nós, o povão quer mesmo é saber de seu time. Selezzzzzzzao é só na Copa.

A questão é outra. Ou deveria ser outra. Firmino merece estar na seleção, mas isso mostra que o futebol brasileiro está bem? Ele  tem 12 gols em 26 jogos pelo campeonato inglês. Um gol a cada dois jogos. Boa média, mas Sergio Aguero tem 21. E, se Firmino tem a concorrência apenas de Gabriel Jesus, que eu considero muito melhor, Aguero luta contra Higuain, Icardi e Dybala. Não falemos do bizarro Benedeto, invenção de Sampaoli.

Firmino está atrás também do egípcio Salah, companheiro de time, do ingles Harry Kane, com 22 e 23 gols respectivamente. Me parece pouco para um jogador da seleção brasileira, confirmado, com justiça para a Copa do Mundo.

 


São Paulo está fraco e erra ao colocar pressão na base
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O ano tem sido de perdas para o São Paulo.

Perdeu Hernans para os chineses.

Perdeu Pratto para o River Plate.

Perdeu Scarpa paa o Palmeiras.

Hernanes e Scarpa eram totalmente inevitáveis diante do poderio econômico da China e do Palmeiras. Eles não disputam com clubes brasileiros, eles passam por cima.

Pratto poderia ter ficado, mas o River Plate, hoje em dia, é mais que o São Paulo. Tem mais dinheiro e disputa a Libertadores. Ah, e havia também a imensa saudade da filha, que aumentou muito no último ano… Se  proposta fosse do Olimpo de Bahia Blanca, a saudade seria controlada facilmente.

Mas, se Pratto saiu, Diego Souza veio e a situação está resolvida? Não é bem assim. O ideal seria ter os dois. Ter um elenco mais forte do que aquele que terminou o ano deixando a angústia para trás e a esperança pela frente. A esperança que a presença do São Paulo no mercado diminuiu.

Esperança de quê? De ganhar um Brasileiro? Melhor diminuir expectativas e pensar na Sul-americana ou na milionária Copa do Brasil, que, por ser mata-mata, permite surpresas.

Há ainda o problema Cueva. O quanto ele estará comprometido com o clube, em ano de Copa? E é possível que receba uma boa oferta após o Mundial e deixe o clube, despedindo-se com um vídeo ou uma cartinha melosa, como é moda agora.

E então, diante de uma situação nebulosa como esta, o clube aposta, pelo menos midiaticamente, na base. O site traz matérias sobre o número de jovens de Cotia prontos para jogar. Há até uma hashtag, #abasevemforte, com filmetes diários, muito bem feitos.

A base é futuro, a base é esperança e todos sabemos que futuro e esperança combinam também com incertezas.

Shaylon vai desencantar e tornar aqueles rasgos de ousadia mais constantes?

Brenner vai confirmar as expectativas e se transformar em um atacante de alto nível. Ficará perto de um Gabriel Jesus? Ou, pelo menos, ficará longe de ser um Ademílson?

Lucas Fernandes superará as contusões e uma certa timidez (dentro de campo) que tem atrapalhado seu despertar? Voltará a driblar, ali pela esquerda, a chutar de fora da área, a cobrar faltas?

Marquinhos Cipriano, Gabriel Sara, Bissoli? Caíque?

Pedro Augusto e Paulo Henrique chegam, a meu ver, com expectativas menores.

Eu gosto de Liziero, que está na Copinha. Me parece um Junior Tavares menos brilhante e mais aplicado à marcação.

O São Paulo não deveria colocar pressão nestes jogadores. Nada contra escalá-los em profusão contra o São Bento ou em outros jogos. Tem de ir para o fogo mesmo. Mas não deveria dar tanta mídia a eles, enquanto ainda nem jogaram.

Mas o raciocínio me parece o contrário. A gente fecha treino, fecha filmagem e enche o site com informações e filmetes da molecada. É o momento bom para dar espaço ao trabalho de Cotia.

Não é uma boa, eu acho.

E, assim que Raí resolver a contratação de Lugano, é bom voltar ao mercado. Fazer com que haja notícias, enquanto os jovens não confirmam todas as expectativas que o clube está jogando sobre eles.


Neymar, Coutinho e Jesus. Um trio de ouro que ninguém mais tem
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Trio de Ouro

Dalva de Oliveira, Herivelto Martins e Nilo Chagas criaram o Trio de Ouro, que fez grande sucesso nos anos 50 do século passado.

Gabriel Jesus marcou na dura vitória do City 100% sobre o ótimo Napoli. Coutinho fez um dos sete gols do Liverpool sobre o fragílimo Maribor. Firmino fez dois, mas vamos falar dos outros dois. Jesus e Coutinho formam uma dupla de coadjuvantes para Neymar que ninguém mais tem. Um trio de ouro.

Cristiano Ronaldo é mais que Neymar, mas não tem ninguém a seu lado. Ninguém de nível. Bernardo Silva é o melhor.

Messi é o maior de todos. Tem Dybala e Di Maria, mas eles ainda não renderam. A Argentina, enquanto time, não existe. É um bando de bons jogadores esperando Messi resolver. Tudo pode mudar, pois Sampaoli é bom treinador, mas ainda não.

Alemanha, Bélgica e França são concorrentes fortes do Brasil na Copa do Mundo da Rússia. São times bons, com alguns trios (Pogba, Mbappé e Griezman; Hazard, De Bruyne e Lukaku; Kroos, Muller e Draxler) mas não tem um destaque. Podem até vencer a Copa, principalmente Alemanha e França.

Mas ninguém tem um trio tão homogêneo como o Brasil. Neymar tem companheiros que fariam inveja a CR7 e Messi, os melhores do mundo. Com esses três, Tite tem uma base muito boa. Um trio de ouro, com coadjuvantes ótimos como Paulinho, Marcelo e Daniel Alves. Dá para fazer um grande time.


Jesus e Malcon, dois brasileiros (apenas) entre os 50 melhores
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A revista Lequipe, da França, elegeu os 50 melhores jogadores do mundo, nascidos a partir de 1/1/1996. Abaixo de 21 anos. E lá estão apenas dois brasileiros: Gabriel Jesus, do Manchester City, revelado pelo Palmeiras, é o sexto e Malcon, do Bordeaux, revelado pelo Corinthians, é o 21º. O espanhol Asensio, do Real Madrid, é o primeiro da lista.


O Brasil está muito atrás de três rivais diretos na luta pelo título mundial no ano que vem. Alemanha tem oito jogadores citados, a França, sete e a Espanha, seis. Entre os dez primeiros, a vantagem é da França, com três citações.

Os dez primeiros são: 1) Asensio (Espanha), 2)Dele Alli (Inglaterra), 3) Mbappe (França), 4) Dembele (França), 5) Donnarumma (Itália), 6) Gabriel Jesus (Brasil), 7) Sané (Alemanha), 8) Coman (França), 9) Rashford (Inglaterra) e 10) Werner (Alemanha)

A seguir, a classificação de rivais brasileiros:

13) Brandt (Alemanha), 14) Tah (Alemanha), 15) Ceballos (Espanha), 17) Henrichs (Alemanha), 19) Davinson Sanchex (Colômbia), 22) Pavon (Argentina), 23) Havertz (Alemanha), 27 Moussa Dembele (França), 28) Theo Hernandez (França), 31) Vallejo (Espanha), 33) Driussi (Argentina), 35) Pellegrini (Itália), 38) Dahoud (Alemanha), 39) Locatelli (Itália), 40) Soler (Espanha), 42) Lucas Hernandez (França), 44) Myke Oyarzabal (Espanha), 46) Mammana (Argentina), 48) Amiri (Alemanha).

Interessante notar que Cristian Pavon, do Boca, é o único jogador que não atua na Europa. O que mostra algumas coisas: 1) nossos jovens são contratados muito cedo, o que mostra a força do poder econômico 2) essas listas são feitas notoriamente com olhar europeu. O Real Madrid, por exemplo, pagou 45 milhões de euros por Vinícius Jr, que não está na lista. Quem está certo, o Real ou Lequipe? 3) Nossos clubes demoram a dar chance às suas estrelas jovens e pouco aproveitam de sua qualidade.

O que Lequipe fala de:

GABRIEL JESUS – Pep Guardiola esperou por tanto tempo! Gabriel Jesus foi recrutado no verão de 2016 pelo City, depois de ser eleito o melhor jogador do Brasil com a camisa do Palmeiras, mas chegou a Manchester em janeiro de 2017. O técnico não ficou desapontado. Apesar da ausência de três meses devido a uma fratura no pé, Jesus marcou sete gols e deu cinco assistência em 11 jogos. Campeão olímpico em 2016, é um atacante instintivo, completo e detém a marca de Pelé com a seleção, com cinco gols e quatro assistência em nove jogos.

 

MALCON – Chegando do Corinthians em janeiro de 2016, o extremo brasileiro tornou-se o líder do ataque Girondine, depois de um período de adaptação. Um incrível driblador, um jogador de profundidade, Malcon brilhou nos últimos meses. Suas estatísticas não são incríveis – 11 gols e 9 assistências em seus primeiros 55 jogos da Ligue 1 – mas as emoções são infinitas. Com mais maturidade, ele poderá reivindicar a Seleçao


City x Feyenoord: Gabriel Jesus ajuda no massacre
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Massacre. Chocolate. Goleada. Baile. Há vários modos de definir a vitória por 4 x 0 do City sobre o Feyenoord, na Holanda. Todas elas, unidas ou não, mostram a grande superioridade do time dirigido por Guardiola. Nem parecem duas equipes disputando o mesmo campeonato. O City ganhou quando quis. E como quis.

E começou querendo com uma pressão muito bem feita no campo de ataque. Facilitada pelo erro incrível de Tony Vilhena, resultando no primeiro gol antes dos dois minutos. E a a pressão continuou. O City tinha Stones e Otamendi na primeira linha, protegidos por Fernandinho. Três jogadores apenas. Os laterais avançavam muito. Walker era um caminhante solitário na direita. E cruzou para o segundo gol, um belo arremate de Aguero, aos dez minutos.

E continuou o massacre. Gabriel Jesus fez o terceiro, após seguidas rebatidas da frágil e desatenta defesa holandesa. Estava três a zero e poderia ser muito mais. Mas, no segundo tempo, o City mudou. Passou a jogar como o Barça de Guardiola, com muitos passes trocados, esperando o quarto gol. Veio de cabeça, uma nova pedrada de Stones.

Foi muito fácil. A Liga dos Campeões não será um passeio para Real Madri, Barcelona ou Bayern. O City e o PSG estão aí. 


O Palmeiras é de Cuca. E está na briga
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Qual o maior ídolo do Palmeiras?

Fernando Prass.

Qual a contratação mais impactante do Palmeiras?

Felipe Melo.

Qual a contratação mais cara do Palmeiras?

Borja.

E o que aconteceu com eles?

Fernando Prass foi “preservado” e Jaílson é titular.

Felipe Melo, por incompatibilidade técnica e de relacionamento com Cuca, está afastado.

Borja é a opção da opção, está atrás de Deyverson e de Willian.

Cuca fez aquilo para que é pago fazer. Tomou decisões e, em nenhuma delas, vejo falta de caráter ou perseguição. Ele foi campeão com Jaílson, lembremos. Prass voltou com Eduardo Baptista e não estava bem. Voltou o Jaílson.

Cuca foi campeão com Moisés e Tchê Tchê e Felipe Melo não tem nada a ver com os dois. Felipe Melo é o volante da espera e Cuca gosta de volante que cace o adversário. É uma diferença muito grande e que mexe com todo o time.

Cuca foi campeão com Gabriel Jesus e Borja não tem nada a ver com Gabriel Jesus. Como Barrios não tinha.

O que eu discuto é se Cuca não deveria abria a cabeça, pensar fora da caixinha e se adaptar ao que tem? Cuca deveria mudar suas ideias para dar mais chances a Melo e Borja?

Bem, ele não mudou. Manteve-se fiel ao seu pensamento futebolístico e foi respaldado pela diretoria. Aumenta a pressão sobre ele. É o Palmeiras de Cuca que entra em campo. A responsabilidade é dele.

E a resposta tem sido boa. O Palmeiras é o líder das dez últimas rodadas do Brasileiro. Está subindo na tabela e há a possibilidade de uma bela reação. Bela não que dizer, necessariamente, suficiente.

Mas, há a Libertadores. No meu modo de ver, a prioridade virou a única opção. E há boas possibilidades. O Palmeiras de Cuca, só de Cuca, está na luta.


Carolinda e o Mestre Cuca que precisa mudar a receita
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Menon

Esse post é sobre o Cuca, treinador do Palmeiras, mas vou usar dois parágrafos antes de entrar no assunto específico.

Quando estudei Engenharia, em Lins, fazia parte do diretório acadêmico e também da atlética, apesar de não praticar esporte algum, por absoluta falta de aptidão. Mas acompanhava as equipes quando havia Intereng, em  Lins, ou Engmed em Barretos. Era cartola.

Em 1979, fomos para a Engmed. Junho e fazia muito frio. Logo que chegamos, recebi um recado que havia uma ligação da mamãe. Não havia celular e nem internet. Nem me lembro como minha mãe conseguiu ligar. O importante é que fui ver o recado e lá estava: a Carolina nasceu. É saudável e linda.

E continua assim até hoje. Fomos almoçar juntos, eu, a Márcia, ela e o Lucas (são pais da Nina e do Max) na Casa do Porco. E as delícias eram exatamente iguais às outras vezes em que havia ido, sozinho e com o Guto Monaco do ótimo CHUTEIRA FC . Realmente, não há o que mudar. A repetição da excelência só leva a mais excelência.

Não é o que tem acontecido com o Palmeiras de Cuca. O elenco é bom e permite ousadias do treinador. Mas Cuca não tem sido ousado. Tem sido apenas extremamente fiel à receita do ano passado. Como uma criança que tenta enfiar um triângulo dentro de um retângulo.

Meu amigo Binho Xadrez, baixista em uma banda de reggae no Maranhão, onde também trabalha como sommelier de torresmo, pede urgentemente que Cuca experimente jogar com dois meias: Rafael Veiga ao lado de Guerra, tentando um jogo de toque pelo meio. Acho ótima ideia, como todas do meu amigo enxadrista. Jogar com dois meias não significa abandonar o jogo pelas pontas. Uma inversão, um lançamento e voi lá, temos variação.

Do jeito que está, mantendo-se o ótimo Dudu, o que temos de variação é:

Guedes ou Keno?

Guedes ou Michel?

Keno ou Michel?

Concordam que são opções mornas, que não causam frisson, não abalam amizades, não são nada parecidos com discussões calientes como:

Coxinha x Petralha?

Biscoito x Bolacha?

Marquezine ou Ruy Barbosa?

Com a opção estática por três meias, Cuca facilita o jogo para Willian, mais móvel, e prejudica para Borja, um centroavante típico, mais parado na área. No ano passado, os três meias eram um sucesso, mas o atacante, era ele, o incomparável Gabriel Jesus.

Sem esse maravilhoso “ingrediente” fica difícil manter a excelência do prato. Mestre Cuca, que é ótimo treinador, precisa mudar a receita e o cardápio.


Jesus, a unanimidade inteligente. E Gabigol também joga muito
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Menon

starisbornMeu amigo Pelado Lopes só se refere a ele como garoto chorão. É a alma corintiana suplantando a razão. A verdade é que Gabriel Jesus, que realmente tem cara de choro, que realmente exagera nas caídas e nas reclamações, é um grande jogador. É a estrela jovem mais fulgurante no maravilhoso futebol brasileiro.

Brilhou no Palmeiras, brilhou na seleção e começa a marcar seu nome na competitiva liga inglesa. Kum Aguero já é banco e ali deve continuar.

É a grande unanimidade que está nascendo.

Uma unanimidade que desafia o grande Nelson Rodrigues. Gabriel está se tornando uma unanimidade inteligente. Todos torcem por

Lezio Junior

Lezio Junior

ele. Mesmo os que sofreram com sua passagem pelo Palmeiras. É o típico garoto de bem, com boa formação familiar, avesso à máscara. Não é um santo em campo e nem deve ser. Briga pela bola, não afina contra rivais. E tem crescido muito. Acho difícil que tenha uma postura tão inocente como na Libertadores do ano passado, quando reagiu a uma entrada dura de um jogador do Nacional de Montevidéu, reagiu e foi expulso.

Gabriel Jesus está crescendo e todos vibram com o desenvolvimento de jogador promissor em realidade, de bom jogador em craque – um processo ainda não terminado. A transformação é mostrada pela televisão, a cada final de semana. Assim, se constrói uma unanimidade.

A outra unanimidade, sim, é burra. Gabriel Barbosa, o Gabigol, está indo mal na Itália e está sendo tratado como um jogador comum. Como alguém que não sabe jogar bola. O que não é o caso. Ele e Jesus mostravam nível semelhante no Brasil e até acho muito difícil que ele se iguale a Jesus, mas pode render muito mais. Joga muito mais do que está jogando. Do que estão permitindo que jogue. E joga muito menos do que afirma e jura seu empresário, o mesmo que comparou Lulinha com Romário e que chamou Thiago Luiz de Novo Messi.

Ao futebol brasileiro, só fará bem se Gabigol voltar a jogar como jogou no Brasil. E será muito melhor ainda se ele conseguir se desenvolver e alcançar outro nível. Como é totalmente possível.

Gabigol pode voltar à seleção, o que faria muito bem ao Brasil. Comparar um com o outro, querer ofuscar a luta de um pelo sucesso de outro, não é bom. Por que um ou outro? Por que um deve anular o outro?

O Brasil merece os dois. E mais Neymar. E Coutinho…

 


Três heróis improváveis do campeão Palmeiras
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tresporquinhosNo ano passado, Alexandre Mattos foi às compras com vontade. Muitos e muitos jogadores, alguns até como forma de “pedágio” a empresário, algo comum e necessário a todos os clubes. Em 2016, também não faltou dinheiro e disposição, mas as compras foram mais específicas, mais pontuais. E três delas se revelaram um sucesso incrível. Três heróis improváveis do merecidíssimo título palmeirense.

Jaílson, que eu chamo de Pantera Negra, foi a maior delas. G0leiro veterano, sem currículo expressivo, veio ao Palmeiras para ser o terceiro goleiro. Era reserva no Ceará. E, uma digressão, vemos aqui como é importante um clube grande ter um grande elenco. O Palmeiras tem três jogadores para cada posição. Só para lembrar de Arouca, contratado com grande nome e de Mateus Salles, destaque no ano passado, que nem são lembrados hoje. Mas, voltando a Jaílton, veio e assumiu a bronca quando Prass se contundiu e quando Vagner falhou.

Prass vai voltar e assumir o posto de titular. Jailson, porém, já inscreveu seu nome na história palmeirense, como alguém que apostou em seus sonhos e os concretizou. Ele pode, agora, escolher entre ser uma sombra para Prass ou buscar o sucesso como titular em outro time. Tem o poder de escolha, o que para ele, era apenas um desejo maluco.

Tchê Tchê é o menos improvável dos três heróis improváveis. Afinal, é enorme a lista de jogadores que se destacam em um time menor e são contratados para um grande clube. De cabeça, eu me lembro de Leão, Eurico, Luis Pereira, Baldocchi, Dudu, Nei…. O que impressiona nele é a rapidez com que assumiu a camisa de titular. Mais ainda. A rapidez com que se transformou em destaque do time, mostrando um futebol moderno, de contenção, bom passe e chegada ao ataque. O futebol moderno aponta para a extinção (exagero?) do jogador de meio campo com função específica. O volante cão de guarda. O armador talentoso e preguiçoso. Espera-se do meio-campista que seja “todocampista”, com, no mínimo, dinâmica e bom passe. E a revelação do Audax transformou-se rapidamente em confirmação do Palmeiras.

Moisés foi outra grande surpresa. Com passagem em muitos clubes, sempre mostrou força e vontade, mas nunca foi protagonista. No Palmeiras, com um canhão nos braços, com uma projeção vertical impressionante e com a mesma vontade de sempre, foi o grande destaque do time. Para mim, foi o grande destaque do Brasileiro. E sem que se possa dizer com desdém, se o Moisés foi o melhor, que bela porcaria foi o campeonato. Ele foi o melhor, o que dignifica, de certa forma, o Brasileiro. Um jogador que sua é muito importante nos dias em que vivemos.

Outras contratações muito boas fizeram o Palmeiras campeão. Roger Guedes é o mesmo caso de Tchê Tchê. Jean é um jogador muito regular há anos. Nunca tira menos que seis. Alecsandro é um matador, algo que, para mim, inexplicavelmente é pouco valorizado. E há outro herói improvável e que deve encher o palmeirense de orgulho. Gabriel Jesus e a prova que a base do Palmeiras existe. Está aí para ganhar títulos e encher os cofres do clube.

Parabéns ao Palmeiras. Por seu título inquestionável e por seus heróis improváveis, frutos de uma ótima política de contratação.

PS  – Peço desculpas aos leitores por haver chamado Jailson de Jaílton. Minha memoria afetiva me traiu. Estava pensando em Jailton, meu velho e finado amigo, mestre sala da Vila Braga, escola de samba comandada pelo senhor Ferreira, lá em Aguaí. O erro não tem desculpas, mas mostra ainda mais o valor de Jailson. Sua ascensão, tão justa e tão meteórica, surpreende até jornalistas que deveriam estar atentos a tudo. Desculpas a todos. Ah, e eu sei que ascensão meteórica é um clichê absurdo, principalmente porque ninguém viu ou verá um meteoro subir.

 

 


Gabriel Jesus precisa ser humilde e ouvir Leandro Donizete
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jesushumildadeNão sou religioso, mas trago aqui uma passagem bíblica. Em seu último dia na Terra, Jesus limpou e lavou os pés de seus discípulos. Foi um exemplo de humildade que ele pediu para servir de exemplo futuro. ““Estabeleci o modelo para vós, a fim de que, assim como eu vos fiz, vós também façais.” — JOÃO 13:15.

É possível aprender sempre, mesmo quando as palavras vêm de alguém que consideramos inferior. E, sem nenhuma ofensa, Leandro Donizete é inferior a Gabriel Jesus. São de estirpe diferente. Gabriel entra em campo para jogar, para produzir. Leandro Donizete adentra ao gramado (boa, essa) para impedir jogadas dos mais talentosos.

E há lugar para os dois tipos. Muitos jogadores do tipo Leandro Donizete estão inscrustados na ternura e na sinceridade do nosso cantinho da saudade (obrigado, Fiori). O Palmeiras acaba de inaugurar uma estátua merecidíssima a Dudu. E o que foi Dudu, amigos? Foi o lado menos nobre da parceria com Ademir da Guia. O lado reativo. Ademir produzia e Dudu impedia os rivais de produzirem. Dudu carregava o piano. Dudu nunca foi chamado de Divino. Mas alguém vai questionar a estátua.

Dudu pode ter jogado muito mais que Leandro Donizete, mas pertencem à mesma estirpe de jogadores. E há muitos outros que estão na lembrança dos torcedores. O são-paulino gosta tanto de Chicão como gosta de Pedro Rocha e Muricy. Zito carregou o piano para Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Tião foi o parceiro “sujo” de Rivelino.

O maior de todos foi Clodoaldo. Este não pode ser chamado de carregador de piano. Ele tocava também. E sua banda tinha Jairzinho, Gerson, Tostão, Pelé e Rivelino. Clodoaldo, o bambino d´oro (inventei agora só para não falar Golden boy, afinal tenho de manter a minha fama de mau), o volante que aplicou uma série de dribles na final contra a Itália, que fez o gol salvador contra o Uruguai…

Não existe um time com onze Pelés, muito menos com onze Gabriéis. Todos são importantes. Por isso, a briga entre Gabriel Jesus e Leandro Donizete, um jogador muito abaixo do garoto palmeirense, não pode ser impeditivo para que a nova joia do futebol brasileiro feche os ouvidos para o conselho, que pode até ter vindo com ironia ou inveja. “Quero ver reclamar na Inglaterra. Ficar reclamando para a imprensa”.

E é verdade. Na Inglaterra, há uma predisposição muito menor (comparado com o Brasil) a se proteger o craque. A achar que o garoto está certo e o outro é um malvado. Porque a Inglaterra joga futebol diferente do Brasil. O estilo é diferente. Os heróis são diferentes. Bobby Charlton foi um craque e, a meu gosto, há poucos outros na história do futebol de Sua Majestade. Lá, há mais Leandro Donizete do que Gabriel Jesus. E Leandro Donizete não passa de uma baby sitter perto de Nobby “The Butcher” Stiles.

E o fato é que, se Leandro Donizete é violento, Gabriel Jesus é chato. Muito chato. Reclama de tudo, a toda hora. Todo close da televisão mostra o rosto de um garoto à beira do choro. E cai muito. No mesmo estilo de Neymar. Cai, cai e cai. Então, quando é realmente derrubado, fica a dúvida no ar. E é um guerreiro. Encarador. Chora, reclama, cai e não foge do pau.

A carreira de Gabriel será grandiosa. Na Inglaterra, na Alemanha, na Itália ou Espanha. E a grandiosidade será alcançada mais cedo se ouvir o conselho (por vias tortas) de Leandro Donizete: jogar mais, encarar mais e chorar menos. E eu, que jogo ainda pior que o Leandro Donizete, acrescento: parar de cair.