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Rueda comanda sua maior Nação
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Menon

Reinaldo Rueda está assumindo o Flamengo. Aos 60 anos, atinge o ápice da carreira e, ao mesmo tempo, o maior desafio esportivo de sua vida. Os números comprovam. Ele classificou Honduras para a Copa do Mundo de 2010, quebrando um jejum de 28 anos. Ele classificou o Equador para a Copa de 2014. Honduras tem 9 milhões de habitantes. Equador tem 17 milhões. A última pesquisa Ibope mostrou 32 milhões de rubro-negros pelo Brasil.

E a pressão  não é apena numérica. O que Honduras poderia esperar na Copa, após classificar-se diretamente, sem repescagem, atrás de Estados Unidos e México? Nada, se lembrarmos ainda que caiu no grupo que tinha Espanha, futura campeã, Chile, de Bielsa, e Suíça. O empate com a Suíça por 0 x 0 foi comemorado e não houve lamentos pelas derrotas contra Chile (1 x 0) e Espanha (2 x 0).

E o Equador? A torcida poderia reclamar de a seleção conseguir 4 pontos em três jogos, contra Honduras (3 x 0), França (0 x 0) e Suíça (1 x 2)? Talvez um empate ou vitória contra a Suíça, mas o empate contra a França superou expectativas e foi aplaudido.

No Flamengo, não. Rueda foi contratado por um ano e meio e, em condições normais de temperatura e pressão, teria os seis primeiros meses para se adaptar, fazer um balanço técnico e tático, afastar jogadores, pedir reforços e, a partir de um bom trabalho agora, sem cobrança, decolar em 2018.

Não vai ser assim. É Flamengo. E ele tem duas competições do tipo mata-mata pela frente. Na Copa do Brasil, enfrenta o Botafogo sem estrelas, mas bem armado e com ares de favorito. E na Sul-americana, tem Chapecoense e, em seguida, o vencedor de Fluminense x LDU, para então chegar na semifinal.

Uma eliminação contra o Botafogo pode até ser entendida, mas um mau passo na Sul-americana fará com que Rueda sinta o que ainda não sentiu em sua carreira.

Contra o Botafogo, haverá ainda um fator adicional. Jair Ventura, treinador rival, em insuspeita confissão xenófoba, disse que não concorda com sua contratação, por fechar o mercado aos brasileiros. Ridículo. O Botafogo tem vários jogadores estrangeiros, o pai de Jair se aventurou a Colômbia já no final de carreira, o húngaro Bella Guttman influenciou o futebol brasileiro e o Botafogo foi campeão carioca em 1930 e 1932 sob a batuta de Nicolas Radanyl, também  húngaro. Uma bobagem que esquenta ainda mais o jogo.


Zé Ricardo, o quinto magnífico demitido. Renovação falhou
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No início do ano, havia muito expectativa com o trabalho de sete jovens treinadores em sete grandes equipes brasileiras. Poderia ser o início da renovação do nosso futebol, preso a velhos professores com suas pranchetas, projetos e falta de atualização com o futebol moderno.

Além de expectativa, havia boa vontade com eles. Pouca coisa se confirmou. Zé Ricardo, do Flamengo, após uma derrota em casa para o Vitória, por 2 a 0, foi o quinto a perder o emprego.

Relembremos os cinco demitidos.

ZÉ RICARDO – Havia assumido o Flamengo após um mau trabalho de Murici e levado o time a um bom desempenho. Agora, com elenco reforçado, seria a hora de se firmar como um grande novo nome.

ROGER – Trabalhou bem no Grêmio e sua saída causou grande comoção, principalmente pela chegada de Renato Gaúcho, que se orgulhava de preferir futvôlei ao estudo de táticas. No Atlético-MG, Roger deslancharia. Ganhou o Mineiro e foi mal no Brasileiro.

ANTONIO CARLOS ZAGO – Tinha um bom tempo de estrada, inclusive com passagem no Palmeiras, mas agora era uma esperança repaginada, após cursos na Uefa e boa passagem no Juventude. Seria o homem para recuperar o Inter, agora na Segundona. Perdeu o Gaúcho para o Novo Hamburgo e começou mal a Série B.

EDUARDO BAPTISTA – Depois de boas passagens pelo Sport e pela Ponte, apareceu como o nome ideal para substituir Cuca no Palmeiras, que sonha com o Mundial. Pouca gente se lembrou de seu fracasso no Fluminense. Caiu após uma derrota para o Jorge Wilstermann, muito pouco para quem sonha em vencer o Real Madrid.

ROGÉRIO CENI – Sem nenhuma experiência anterior, chegou ao São Paulo respaldado por seu passado único no clube, por alguns cursos feitos na Europa e por trazer consigo auxiliares estrangeiros. Foi mal no Paulista e somou 11 pontos em 11 jogos no Brasileiro.

Dos sete magníficos, restaram FÁBIO CARILLE, que venceu o Paulista e conduz o Corinthians a um campeonato brasileiro histórico. E JAIR VENTURA, que tem levado o Botafogo a romper limites técnicos.

Os cinco magníficos floparam e alguns veteranos retomaram o sucesso, como Renato Gaúcho, Levir Culpi e ele, o ressurgido Vanderlei Luxemburgo, de ótimo trabalho no Sport.

Lamento o insucesso da renovação, mas não fico triste com a ascensão dos veteranos. Ótimo saber que não há apenas uma maneira de ver futebol e que é possível fazer um trabalho consistente e criativo sem falar em amplitude, basculação, recomposição, transição e terço final.


Jair Ventura, estrela solitária de uma constelação operária
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Rogério, Gérson, Roberto Miranda, Jairzinho e Paulo César. Um ataque espetacular. Chegou perto de outro, formado por Garrincha, Didi, Vavá, Quarentinha e Zagallo.

Época de grandes craques, que se mantinham no Brasil por muito tempo.

Época de Jairzinho, o Furacão da Copa, um dos destaques de uma constelação brilhante.

Agora, a constelação é operária. E a estrela solitária é Jair Ventura Filho, o filho de Jairzinho.

No banco, ele construiu um Botafogo vibrante, com marcação fortíssima, com ataque de velocidade. Com contra-ataque muito bem armado. Um timaço.

Precisava vencer o Galo, time de elenco caríssimo, por 2 a 0. Fez três.

O primeiro, logo aos cinco minutos, após uma blitz. O 1 a 0 permitiu ao Botafogo jogar como gosta. Firme atrás e pronto para contra-atacar. E ficou melhor ainda quando Roger marcou após um cruzamento perfeito de João Paulo.

Impressionante como Roger está jogando bem. E como é possível ver as digitais de Jair Ventura em sua evolução. Deixou de ser um nove nove, um encostado em campo para se transformar em mais um jogador voluntarioso e pronto para ajudar os companheiros. Foi o que fez no segundo tempo. Defendeu e ainda puxou contra-ataques.

Mas ele já estava fora quando o contra-ataque matador apareceu. O Galo milionário não se cansava de cruzamentos e cruzamentos. No final, em um deles, Gílson, o substituto de Roger, escapou pela esquerda, tocou para Bruno Sílva e completou a vitória

Botafogo passou o carro. Um grande time sem nenhum grande jogador. E um ótimo treinador, Jair, o filho do Furacão.

 


Abel, o veterano passional, contra Zé Ricardo, o jovem pragmático
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Juntos, Flamengo e Fluminense, fizeram 14 jogos no Brasileiro até agora. Conseguiram apenas cinco vitórias e sofreram quatro derrotas. Empataram cinco vezes. O Flu ganhou mais (3 a 2) e perdeu mais (3 a 1). O Flamengo empatou mais (4 a 1). O maior número de vitórias deixa o Fluminense na 10ª posição, uma na frente do rival. Os dois tem apenas dez pontos ganhos em 21 possíveis. O Fluminense perdeu os dois últimos jogos, período em que o Flamengo conseguiu uma vitória e empatou uma partida.

Enfim, os números que antecedem o clássico não são bons. O que não tem a menor importância quando se trata de um Fla Flu no Maracanã. Com torcida dividida. É o futebol em sua essência, enfrentando os coveiros da PM e do MP e mais o Coronel Marinho, que fazem de tudo para transformar o futebol em algo insosso, em um jogo de curling, em uma ópera dinamarquesa com o tenor gripado.

Há muita coisa boa a se ver em um Fa Flu. E neste Fla Flu também. Uma delas é o duelo entre Abel Braga e Zé Ricardo. No início do ano houve uma troca de guarda no futebol brasileiro. Apareceram treinadores jovens, com todo o respaldo de torcedores e jornalistas. Havia uma expectativa muito grande com os “sete magníficos”: Zé Ricardo, Jair Ventura, Roger Machado, Fábio Carille, Rogério Ceni, Eduardo Baptista e Antonio Carlos Zago. Os dois últimos perderam o emprego no Internacional e no Palmeiras, respectivamente. E entre os veteranos, Abel Braga era o mais aceito. Sua presença não tinha 1% da rejeição que teria a contratação de Luxemburgo ou Oswaldo, por exemplo.

Interessante no duelo é que o lado emocional está muito mais presente no veterano do que no novato. Abel é uma pessoa muito emotiva. Após a derrota contra o Grêmio, em casa, ele foi de uma sinceridade juvenil. Nunca vi aquilo. Estamos com apenas sete rodadas e Abelão falou coisas como: “eu sou tricolor…não desisto nunca. em 2011, cheguei e perdi seis jogos seguidos, aí vencemos um e reagimos. ficamos em terceiro e montamos uma base para o ano seguinte, quando ganhamos o carioca e o brasileiro. quando vim, já sabia da questão financeira do clube”…

Me pareceu que ele, em um rasgo de sinceridade, abriu mão de lutar pelo título em 2017. Algo que ele pode fazer por ser o Abel no Fluminense. Por ter um respeito adquirido em muitos anos. E por dirigir um clube com pouco dinheiro para investir e que tem de brigar para manter Richarlison, sua renovação, que não demonstra, ao contrário de Abel, amor e fidelidade ao Fluminense.

Do outro lado, Zé Ricardo. Jovem e dirigindo um clube com alto poder de investimento. Ele está começando a usar Conca e ainda terá, em pouco tempo, Everton Ribeiro e Rhodolfo. E, muito provavelmente, Geuvânio. E, se tantos reforços estão chegando, é prova que o elenco tem falhas. Falhas com nome, como Rafael Vaz, por exemplo. E, mesmo assim, mesmo com falhas, mesmo como bom campeonato feito no ano passado, Zé Ricardo correu riscos. Poderia ter caído. Um dos motivos é o excessivo apego a alguns jogadores. Desvencilhou-se do abraço de afogados com Muralha, mas manteve Márcio Araújo. Durante todo o período de incertezas, Zé Ricardo manteve-se aparentemente calmo e fiel a seus princípios.

Um veterano passional dirigindo um clube com pouco dinheiro e um elenco cheio de revelações. Um jovem pragmático comandando um clube com muito dinheiro e cheio de craques e com a maior revelação brasileira desde Neymar. É um duelo bacana de um clássico que nunca decepciona.


Eduardo Baptista, os Sete Magníficos e o Chinelinhozinho
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Eduardo Baptista foi o primeiro dos Sete Magníficos a cair. Falo de sete treinadores jovens e estudiosos – cada um com seu estilo – que assumiram grandes clubes brasileiros em 2017 e que trouxeram um ar de renovação a um meio viciado, sempre com as mesmas opções. Algumas delas, defasadas e encarando a profissão de modo blasé, como se já soubesse tudo e não percebesse que o passado, mesmo glorioso, pode ser uma roupa velha que não nos serve mais.

A necessidade de renovação era tão grande que veio acompanhada de uma dose de condescendência com a maioria e com implicância com Fabio Carille, justamente por não pregar o “modernismo”, por adotar a segura cartilha titeana e tratar logo de arrumar a defesa corintiana. Carille será campeão. Tem todos os méritos.

A demissão de Eduardo Baptista é justa? A meu ver, a análise não pode passar por um dogma que tomou conta do meio futebolístico: é errado mandar treinador embora. Eu não acho errado, independentemente do currículo e do que o cara já fez pelo clube. Lembram como o Cruzeiro foi criticado por demitir Marcelo Oliveira, bicampeão pelo clube? Hoje, a grande maioria que achou aquilo um erro, não gostaria de ver Marcelo em seu time.

Eu não levaria em conta o passado. E o futuro teria mais peso do que o presente. O time está ruim? Mas há perspectiva de melhora? O treinador ainda tem carta na manga? Há algum bom jogador voltando de contusão? Há possibilidade concreta de reação?

Então, baseado nesses fatores, eu concordo com a demissão do Baptista. Acredito que, com ele no comando, o Palmeiras poderia a qualquer momento, repetir aquela partida vergonhosa contra a Ponte. Principalmente pelo segundo tempo. Sim, porque é possível dizer que o primeiro tempo foi uma surpresa diante de uma Ponte avassaladora, mas e o segundo? Nada foi feito. O Palmeiras trocou passes como se estivesse perdendo por 1 a 0 e fosse se classificar facilmente no segundo tempo.

E houve outros jogos ruins, como a derrota para o Corinthians. As vitórias na bacia das almas na Libertadores. Houve, é lógico, aquela maravilhoso segundo tempo contra o Peñarol, mas o time havia sido muito mal escalado.

A pressão era grande e Baptista não soube conviver com ela. O desabafo (leia aqui) foi a prova disso. O treinador se ofendeu por ser chamado de maleável, mas, candidamente, semanas antes havia dito que, no Fluminense, havia sido obrigado a escalar Ronaldinho Gaúcho.

Foi o segundo fracasso de Eduardo Baptista em time grande. Não é tão magnífico assim.

E os outros cinco, como estão?

Rogério Ceni – Eliminado no Paulista e na Copa do Brasil, deu mostras de estar conseguindo um equilíbrio maior no time, abrindo mão do esquema com dois pontas espetados.

Jair Ventura – De todos, é o que tem o elenco mais frágil e o que tem conseguido resultados surpreendentes.

Zé Ricardo – Está perto de ganhar o primeiro título, mas precisa fazer o Flamengo vencer fora de casa na Libertadores.

Roger – Assim como Baptista, está em seu segundo grande time. Tem vantagem na decisão do Mineiro e caminha sem sustos na Libertadores.

Antonio Carlos Zago – Pode ser campeão gaúcho e dar o acesso ao Inter, mas está marcado por aquela palhaçada no jogo contra o Caxias. Ao fingir agressão e se deitar no chão, manchou sua biografia.

TEM POSTE MIJANDO EM CACHORRO – TENHO SAUDADES DO JORNALISMO Antigo, que nem vivi. Gostava dos apelidos que jogadores recebiam. Pelé, o Rei. Rivellino, a Patada Atômica. Gérson, Canhotinha de Ouro. Didi, o Príncipe Etíope. Leônidas, o Diamante Negro. E, principalmente, o melhor de todos: Ademir da Guia, o Divino. Roger ganhou o apelido de Chinelinho. Uma homenagem a comprometimento com que se dedicou à carreira. Também é conhecido por alcunhas como Roger Secco e Roger Galisteu. Aquele pênalti que errou contra o Figueirense, em 2005, não lhe valeu apelidos. Valeu ódio e ofensas.

Hoje, ele é jornalista. Direito dele, eu não sou a favor da obrigatoriedade de diploma para a minha profissão. E nem para muitas outras, como advocacia e construção civil, por exemplo. E ele criticou Juca Kfouri. Também é direito dele. Todo mundo pode criticar todo mundo. A profissão se engrandece com discussões sobre seu presente e seu futuro. Mas, ao dizer que Juca Kfouri “não é jornalista”, ele se submete à comparação. Quem é jornalista, Juca ou Roger? Um modo de se decidir, sem olhar para o que cada um já fez na profissão, é só pensar quem se daria melhor apresentando o Vídeo Show. Com certeza, Roger, Flavio Canto e Tande seriam muito melhores que Juca. Eu considero a distância jornalística entre Juca e Roger infinitamente maior que a distância futebolística entre Roger e Juca.

MARTINHO DA VILA É UM COMPOSITOR genial. Seu ritmo lento esconde pérolas. É um chinelinho do bem.

Disritmia é o meu samba favorito.

O traço é de Batistão, tão gênio quanto

Eu quero me esconder debaixo
Dessa sua saia prá fugir do mundo
Pretendo também me embrenhar
No emaranhado desses seus cabelos

Preciso transfundir seu sangue
Pro meu coração, que é tão vagabundo
Me deixa te trazer num dengo
Pra num cafuné fazer os meus apelos
Me deixa te trazer num dengo
Pra num cafuné fazer os meus apelos

Eu quero ser exorcizado
Pela água benta desse olhar infindo
Que bom é ser fotografado
Mas pelas retinas desses olhos lindos

Me deixe hipnotizado pra acabar de vez
Com essa disritmia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia

Eu quero ser exorcizado
Pela água benta desse olhar infindo
Que bom é ser fotografado
Mas pelas retinas desses olhos lindos

Me deixe hipnotizado pra acabar de vez
Com essa disritmia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia

Aqueles versos em negrito, eu considero coisa de gênio. Que bom é ser fotografado/ Mas pela retina desses olhos lindos estão à altura de Fotografei você na minha Rolleiflex/ Revelou-se a sua enorme ingratidão, do Mestre Jobim.


Jair e Roger, os primeiros “estudiosos” na toca dos leões
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JAIR VENTURAO início de 2017 é marcado pela imensa expectativa em relação a alguns treinadores considerados “estudiosos”, em contraposição àquela bobagem dita por Renato Gaúcho (quem sabe, fica na praia, quem não sabe, estuda). Sobre eles, recai a esperança de uma renovação no futebol brasileiro.

Há uma grande boa vontade sobre eles, que, em alguns casos, estão iniciando a carreira.

São eles:

Jair Ventura – treinou o Botafogo durante um turno do Brasileiro.

Zé Ricardo – treinou o Flamengo por um turno e meio.

Rogério Ceni – dirigiu o São Paulo duas vezes.

Eduardo Batista – foi bem no Sport e na Ponte Preta. Foi mal no Fluminense.

Fábio Carille – Tem menos de 15 partidas pelo Corinthians

Antonio Carlos Zago – Foi mal no Palmeiras, estudou na Europa e foi bem no Juventude. Reinicia a carreira.

Roger Machado – Fez um bom brasileiro em 2015, mas o Grêmio, sob seu comando, desandou em 2016.

A boa vontade resistirá até quando? Por pouco tempo, garanto. Alguns maus resultados e a cobrança virá, exceção à Rogério Ceni, por sua relação mitológica com a torcida.

Os clubes, todos eles grandes, apostaram em treinadores jovens, mas a realidade é que poucos serão campeões. E time grande vive de títulos. Tomara que os perdedores façam também um bom trabalho e que a renovação se solidifique.

O Botafogo, de Jair Ventura, recebe o Colo Colo, time mais popular do Chile e que há dez anos não consegue superar a fase de grupo da Libertadores.

O Galo encara seu maior rival, o Cruzeiro de Mano Menezes, outro estudioso, mas com currículo enorme.

São os dois primeiros do batalhão da juventude, começando a enfrentar o moedor de carnes que é o futebol brasileiro.

 


Oswaldo, o penúltimo dinossauro, caiu. O que virá em 2017?
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dinosVanderlei Luxemburgo, Luis Felipe Scolari e Muricy Ramalho estão fora do mercado. Não começarão 2017 comandando um dos 12 clubes de maior tradição no Brasil. Juntos, eles venceram uma Copa do Mundo de seleções, 3 Libertadores, 12 Brasileiros e 5 Copas do Brasil. O primeiro desses títulos foi o Brasileiro de 1993, de Luxemburgo, com o Palmeiras. O último, foi a Copa do Brasil de 2012, de Scolari, também no Palmeiras. Abel Braga, de volta ao Flu, venceu um Mundial, uma Libertadores e um Brasileiro.

O “quinto dinossauro” foi demitido pelo Corinthians. Oswaldo de Oliveira sai após nove jogos e um aproveitamento de 37%, com duas vitórias, quatro empates e três derrotas. Algo não condizente com seu passado no futebol, com um título mundial e um brasileiro. Não está aqui o “título moral” de Oswaldo na Copa João Havelange, quando foi demitido por Eurico Miranda nas vésperas da decisão.

Depois destes cinco “dinossauros”, houve uma geração intermediária ainda na ativa.  Tite, com seu título mundial interclubes, uma Libertadores, dois Brasileiros e uma Copa do Brasil está na Seleção Brasileira. Mano Menezes, que também dirigiu a Seleção, tem uma Copa do Brasil e está no Cruzeiro. Renato Gaúcho, com duas Copas do Brasil, está no Grêmio.

Entre o sucesso de Tite, o ocaso dos três gigantes, a demissão de Oswaldo, a volta de Abel e a curiosidade sobre como Renato Gaúcho trabalhará a longo prazo, os 12 grandes estão cheios de novidades. A renovação é gritante e pode ser exemplificada com alguns dados curiosos.

Eduardo Batista é filho de Nelsinho Batista, o primeiro rival de Luxemburgo, lá em 1990, na disputa entre Braga e Novorizontino.

Dorival Jr foi auxiliar de Muricy.

Antônio Carlos Zago foi dirigido por Scolari e Luxemburgo.

Rogério Ceni foi capitão de Muricy e assume um clube pela primeira vez.

Zé Ricardo e Jair Ventura têm menos de 40 anos.

Roger Machado foi dirigido por Scolari.

O perfil dos novos treinadores aponta para pessoas menos empíricas e mais antenadas com o futebol que se pratica hoje. Zé Ricardo e Jair Ventura nem podem ser “boleiros”, afinal não são ex-jogadores. Dorival Jr e Mano Menezes fizeram uma “reciclagem” na Europa. Dorival visitou grandes clubes e Mano fez cursos em Portugal.

Antônio Carlos Zago fez todos os cursos da Uefa e foi auxiliar na Roma. Rogério Ceni fez cursos menores e trouxe o inglês Michael Beale, com grande experiência em clubes ingleses. Eduardo Batista e Roger Machado, que foram muito bem no início da carreira, terão a chance de recomeçar em um time grande, após o mau momento no Fluminense e na fase final do Grêmio. Cristóvão tem uma nova chance, após não conseguir montar defesas seguras por onde passou.

O ano de 2017 começará com muita expectativa sobre o trabalho dos novos treinadores. E com a esperança que algo de novo se materialize no Brasil. Porque, por enquanto, toda a modernidade que se instala aqui é uma imitação do que já se implantou na Europa. Nem se pensa no “pulo do gato”, na possibilidade de que uma grande novidade apareça por aqui. Se conseguirem chegar mais perto do que se faz por lá, com um “delay” menor já será um grande feito.

E sonhar com um grande clube jogando de forma diferente dos outros. Chega de 4-2-3-1, a novidade da Copa de 2006.


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