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Jô, sob a ótica e a ética de Nelson Rodrigues. E de Nelson Nunes
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Amigos, conhecem aquela história do gol tão bonito que merece a compra de um novo ingresso? Pois é. Depois de lerem o texto abaixo, tenho certeza que irão se sentir assim. É um presente meu para vocês. O texto é do meu amigo NELSON NUNES, um dos grandes que conheci na minha carreira.

 

Já que, sob a inspiração de um gol de mão, o caráter (ou a falta dele) do brasileiro virou a pauta principal da mesa-redonda nacional

Nelson Rodrigues em linda caricatura de Latuff

desta segunda-feira, nada melhor do que saber o que pensava o mestre Nélson Rodrigues sobre essa intrincada conjunção de interesses que colocam, lado a lado, futebol e ética. Foi através do futebol que nosso mais respeitado dramaturgo criou metáforas para explicar o Brasil e entender os brasileiros. Numa delas, mais de quatro décadas antes do melodrama “La mano de Jô”, nosso Dostoievski caboclo advertiu, com a propriedade de quem conhece o submundo da condição humana, que “não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos; muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida.”

Forjado num universo de personagens que gravitam entre a sarjeta e o estrelato, feito cronista dos nossos tempos metido no cotidiano de um jornal meio mundano fundado pelo próprio pai, cuja redação foi palco de um crime passional familiar, o Shakespeare dos trópicos viveu alguns dos melhores momentos de sua carreira como repórter esportivo. Com seu jeito particular de decifrar o mundo, e sua técnica incomparável de ir além do que se vê no óbvio, Nélson Rodrigues conseguia transformar jogos comuns em narrativas épicas, dignas de um capítulo assinado por Camões. Boa parte desse legado pode ser conferido no livro “A Pátria de Chuteiras”, coletânea de crônicas publicadas em jornais cariocas entre 1950 e 1970.

Fico imaginando, se vivo estivesse, o que teria escrito hoje… Talvez abrisse sua crônica do jogo com uma de suas frases mais contundentes: “a virtude é bonita, mas exala um tédio homicida. Não acredito em honestidade sem acidez, sem dieta e sem úlcera.” De fato, foi essa receita que fez de Rodrigo Caio, por exemplo, um bom-moço condenado pela sua sinceridade. E há de ser também por ela que Jô passará o resto de sua vida lembrado por um golpe de malandragem, uma falcatrua que não tem perdão. De artilheiro do Brasileirão, símbolo da eficiência de um Corinthians exemplar no primeiro turno, Jô passou a ser o Macunaíma de plantão, o herói sem caráter que reduz o povo brasileiro a uma metáfora preconceituosa de gente sem berço e sem moral, indecente e repugnante.

O julgamento de Rodrigo Caio e Jô passa pela relativização de nossas convicções _ e da graduação de nosso passionalismo. Pelo que se ouve nos botecos da cidade e pelo que se lê nas redes sociais, Jô perdeu a chance de mostrar grandeza de espírito e coerência com o discurso de um mês atrás. É fácil cobrar isso dele sentado no sofá, tomando uma cerveja, vendo o replay do lance por vários ângulos. Mas há de se reconhecer que não desce redondo o fato de ele se omitir da verdade, de fingir honestidade, de mascarar o que está escancarado aos olhos do mundo. Fica no ar a sensação, indigesta, incômoda, de que é a lei de Gérson que nos move. Até quando o caráter do brasileiro vai estar sob suspeita? Até quando vamos continuar fazendo futebol sem bons sentimentos? Até quando o espírito de Nélson Rodrigues apontará o dedo na nossa cara para nos lembrar que o tal complexo de vira-lata vai além de uma figura de linguagem? Até quando, enfim, vamos fazer das virtudes atributos tomados pelo tédio suicida?


Jô não é criminoso. E o tosco choro corintiano é ridículo
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Nas redes sociais, nos bares e almoços familiares, os corintianos fazem explodir o que meu amigo Luis André Umtiti chama de complexo de povo escolhido. O povo eleito por Deus, sofrido. Perseguido por tudo e por todos. Os que sofrem sempre, os que são apedrejados e, que na ausência de um Moisés ou um Josias, sofrem na mão dos filisteus que usavam preto e que agora fazem propaganda nas costas. Os garotos do Coronel Marinho, o grande culpado dessa bagunça toda.

Eles, os corintianos, não conseguem aceitar um fato simples: o gol de Jô foi com o braço. Foi um gol que deveria ser anulado. Foi um gol que mudou o resultado do jogo.

Tão simples. A culpa não é do Jô, é do árbitro ruim e é do auxiliar que estava pensando na morte da bezerra.

Não, isso não pode. Afinal, o povo de Deus nunca é ajudado. Até aceitam o erro, mas buscam a relativização.

Só pode falar desse erro, quem falou do gol anulado contra o Flamengo, com mais de três metros.

Todo mundo falou, camarada. Todo mundo. Que besteira é essa, de dizer que não foi falado? E todo mundo falou do pênalti no Jô e todo mundo falou no gol anulado em Curitiba.

Se não foi falado, como sabem que foi um impedimento de três metros, 28 centímetros e 12 milímetros?

Sabem porque a televisão mostrou. Então, foi falado. E o erro foi criticado. Como outros que prejudicaram o Corinthians. Como outros que ajudaram o Corinthians.

Então, vamos fazer o raciocínio inverso ao dos sofridos componentes do povo eleito.

Se você não criticou o erro a favor do Flamengo, não pode criticar agora o erro a favor do Corinthians (é o que dizem).

Se você criticou o erro do Flamengo, se mediu o impedimento com treno ou teodolito, então deveria criticar agora o erro do Elmo, é o que eu digo.

Ou vamos relativizar sempre? No próximo erro contra o Corinthians, devemos lembrar de Fábio Costa?

Quando chorarem por Amarilla, vamos lembrar de Castrilli?

Enquanto todos continuarem relativizando, o Coronel Marinho continuará fazendo um papel horrível no comando da arbitragem.

Agora, vamos falar de Jô.

Não há nenhuma comparação entre o lance do gol e o lance em que Rodrigo Caio o livrou do segundo cartão amarelo. São coisas diferentes. Eu não sei se Rodrigo Caio diria que fez um gol com a mão. Tudo leva a crer que sim, mas não tenho certeza. O lance não aconteceu. São comparações que não cabem.

A comparação que cabe é que Rodrigo Caio falou a verdade e foi um gigante. Jô falou mentira e foi um anão. Falou mentiras seguidas. Disse que foi com o peito. Depois, disse que não sabia. Depois que até o Donald Trump telefonou para o Nicolás Maduro e os dois concordaram que havia sido com a mão, ele ainda dizia que não sabia. Não tem tato, o garoto Jo.

Seu grande erro foi mentir ao dizer que estava tocado pela atitude de Rodrigo Caio e que ele seria uma inspiração em sua vida.

Agora, não se pode buscar referências na política nacional para culpar Jô. Ele não tem milhões escondidos em casa, na cueca ou na mala. Ah, se tivesse a oportunidade, faria o mesmo? Ninguém sabe.

Quando se iguala tudo no mesmo balaio, não vamos e chega a lugar nenhum na luta por um país melhor. Jô, como disse o Antero Greco, foi um cara de pau. Não é um criminoso. Podemos compara-lo com o cara que à mulher que está trabalhando e foi no estádio. Ou com a mulher que diz que vai na casa da mãe e foi no basquete. (Eu ia dizer shopping, mas seria machismo?)

O gol de mão foi um golpe. Não se pode compará-lo com outros que vivemos e que foram aplaudidos por muita gente que hoje crucifica o Jô.

 

 


Derrota preocupante do Corinthians
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Despencou? Não. Mas o segundo turno do Corinthians está sendo preocupante. Perdeu para o Atlético-GO em casa, como já havia perdido para o Vitória. Dois times na zona de rebaixamento. E ganhou da Chapecoense fora, em um lance fortuito no último minuto. Vitória de campeão, como eu disse. Joga mal e ganha. Mas não tem sido assim no returno. Um gol em três jogos. Três gols sofridos. E com o requinte de crueldade de ser derrotado com uma grande atuação de um goleiro chamado Marcos. No dia do aniversário do Palmeiras.

A falta de elenco cobra a conta. Jô estava fora e isso é um problema muito grande quando Kazim está dentro de campo. O turco é muito ruim. Moisés também não está à altura de Guilherme Arana. Jadson está jogando abaixo do normal. Balbuena não atuou.

Há problemas que foram matizados até agora por uma postura tática impressionantemente correta. Uma defesa muito bem postada e que superou muitos problemas ofensivos. Foi comum vencer por 1 x 0 no início do campeonato. Depois, o time melhorou muito. Individualidades apareceram, como Rodriguinho, Maicon e Balbuena. Agora, é hora de ver o que está errado e corrigir a rota.

Se o Grêmio vencer, a diferença chegará a sete pontos. É boa e totalmente administrada. Mas é hora de o Corinthians jogar de maneira pelo menos parecida – efetivamente falando – com o que mostrou no primeiro turno.

Tags : kazim


7 melhores contratações de 2017
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Sabe aquele jogador que chega, veste a camisa, não fica falando em problemas de adaptação, entra em campo e  resolve problemas? Muda o time de patamar? Ou os dois juntos? Fiz uma lista das sete contratações que mais me agradaram em 2017. Nem todas envolvem muito dinheiro.

GATITO FERNANDEZ – O Botafogo tinha Jefferson no auge. Grande ídolo e com passagens pela seleção. Ele se contundiu e o clube trouxe Sidão, que fez um bom 2016. Foi para o São Paulo, onde pouco se destacou. Ainda sem Jefferson, o Botafogo trouxe Gatito Fernandez, que está se tornando uma lenda, defendendo sete de onze cobranças de pênalti. Jefferson está recuperado e na reserva.

GABRIEL – O Palmeiras abriu mão de Gabriel no início do ano, mesmo com Moisés e Arouca contundidos. E mesmo já tendo resolvido abrir mão de Mateus Sables. E mesmo sendo Felipe Melo apenas uma possibilidade, ou nem isso. Livre, ele foi para o Corinthians, onde, livre de contusões, se firmou como um jogador fundamental para a proteção da defesa que ninguém passa.

GUERRA – Ele é um exemplo das mudanças do futebol mundial. Um venezuelano que faz sucesso no futebol brasileiro. Antes dele, só misses venezuelanas faziam sucesso no Brasil. É o principal jogador do Palmeiras e sobre ele não respingou nada do ano verde, muito abaixo das expectativas.

HERNANES – Em quatro jogos – mesmo com duas derrotas – mostrou ser o comandante do São Paulo rumo ao fim da vergonha do rebaixamento. Ainda não ocorreu, é claro, mas  com Hernanes, o time deu mostras e lampejos de ainda ser o clube mais vitorioso do futebol brasileiro. Foram duas vitórias épicas, com viradas tão inesperadas como inesquecíveis e, sejamos honestos, injustas. Tudo com sua técnica, chutando de esquerda ou de direita. Com uma linda cobrança de falta e dois pênaltis.

LUCCA – Encostado no Corinthians, foi para a Ponte e está na briga pela artilharia do Brasileiro, sempre aberto pelos lados do campo e com alto poder de definição. É a principal arma da Ponte, que luta pela permanência na Série A e deve conseguir mais do que isso. Está jogando tão bem que o Corinthians já recebeu ofertas do Exterior.

BRUNO HENRIQUE – Pagar 4 milhões de euros pelo jogador que saiu do Goiás e que não tem feito nada de memorável no Wolfsburg, time médio da Alemanha? Olha, ficou barato. Bruno Henrique é o grande destaque ofensivo do Santos em 2017, efetivo na Libertadores e no Brasileiro. E ainda ajuda na recomposição da equipe, fazendo um trabalho coordenado com Copete.

– Cadê o Jô, que fez muito sucesso no Galo (39 gols em 127 jogos), foi campeão da Libertadores e esteve na Copa do Mundo? Está por aí, nos Emirados Árabes e na China. Esquecido. Voltou ao Corinthians, que o revelou em 2003, voltou a dar importância ao futebol e é o grande nome do time que será campeão brasileiro em 2017. Canhota matadora, definindo sempre com precisão, capitão do time, Jô erro quase nada em 2017. Deu a volta por cima. Voltou a ser jogador de futebol. Dos bons.


Jô é o cara do Brasileiro. O Radar comprova
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Jô é a melhor história de segunda chance do Brasileiro. Tratei do assunto AQUI, ao final do Paulista. Um cara que estava com a carreira encerrada, graças a muitas bobagens, que se recuperou e que pode até SONHAR novamente com uma Copa do Mundo. Um cara que soube ver os seus defeitos, ver que o abismo estava perto, que a carreira estava terminando e que recolheu força interna para mudar tudo. E voltar a ser um artilheiro fatal.

O pessoal do @brasilradar mostra em um trabalho gráfico muito bonito. Os dados se referem a 90 minutos de jogo. Até 15 de julho, tinha jogado 1231 minutos, o que significa 13,68 partidas completas. Mostra constância, pois o total é de 14 partidas completas.

A cada 90 minutos, ele faz 0,66 gols. Ou seja, dois gols a cada três jogos. Chuta 2,27 vezes ao gol e 56,6% têm endereço certo, mesmo que o goleiro defenda. A cada três chutes, faz um gol. Acerta 73,71% dos passes e dá uma assistência a cada 409 minutos.

Os outros indicadores são key passes (passes para finalização)T §hrougball (passe entre a última linha de defesa para um companheiro correndo em direção ao gol), Int tacles (interceptação mais desarmes), successful dribbles (dribles corretos), dispossessed (ser desarmado pelo rival). É fácil ver como ele está sendo eficiente em sua nova chance.

 


Seis corintianos que podem sonhar com a seleção de Tite
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O Corinthians é o grande exemplo da tese de que um time forte coletivamente faz com que as individualidades comecem a aparecer. O elenco, que tinha sérias restrições técnicas no início do ano, ganhou força e seis jogadores podem sonhar com a seleção brasileira. Com diferentes possibilidades de o sonho se concretizar. Um deles está muito próximo, dois têm boas possibilidades e outros três….bem, sonhar não custa nada e como estão jogando bem…

FAGNER É homem de confiança de Tite, que foi responsável pelo seu crescimento técnico quanndo trabalharam juntos no Corinthians e o lateral melhorou muito o seu cruzamento. Fagner é um marcador muito bom e o reserva imediato de Daniel Alves na seleção. Seu concorrente é Rafinha, do Bayern.

CÁSSIO É aquele goleiro que, sob comando de Tite, ajudou e muito o Corinthians ser campeão mundial. Tite nunca o convocou, mesmo porque a ascensão do treinador coincidiu com uma queda técnica do goleiro, que foi para a reserva de Valter. Está jogando muito bem e não há ninguém absoluto na posição. Alisson, Ederson, Diego Alves, Weverton…ninguém pode dizer que está garantido. E Tite chegou a chamar Muralha e Grohe. Cássio está no páreo.

RODRIGUINHO É mais versátil que Diego e Lucas Lima, jogadores mais técnicos e seus rivais na luta por uma vaga para a posição que tem Renato Augusto como titular indiscutível. Pode jogar mais atrás e até como um falso nove. Tem razoáveis chances, mas é o menos cotado dos três.

JÔ É o centroavante mais eficiente do futebol brasileiro. Sempre comparece, sempre decide jogos e tem sido muito correto disciplinarmente em sua retomada do futebol. Tem características muito diferentes de Gabriel Jesus, o titular e poderia ser uma opção para mudanças de esquema. Diego Souza e Firmino estão à sua frente.

ARANA É a grande revelação de uma posição em que o Brasil é pródigo. Bom na marcação, com um cruzamento de alto nível e boa finalização, é o melhor jogador do Corinthians. Marcelo é o grande nome da posição e está garantido. Filipe Luiz também está quase lá, com tantos anos de futebol eficiente na Europa. Arana, no momento, é apenas uma possibilidade que vai se concretizar, com certeza, após o Mundial.

JÁDSON É um devaneio, não é um sonho. Tem jogado bem, mas abaixo do que já  jogou. Mas como formou uma dupla de alto rendimento com Renato Augusto pode….(será que pode?) sonhar um pouquinho, mas sem se apegar muito para que não seja uma decepção.


Corinthians e a certeza da vitória
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Quem determina os jogos que acompanho na televisão é a escala do UOL. Quando não é jogo do Corinthians, criei um reflexo pavloviano. Basta aparecer a tal bolinha na tela, anunciando gol na rodada, que, em seguida, aguardo o locutor dizer que é do Corinthians. E, rapidamente, vem a segunda sinapse no meu cérebro. É gol do Jô. Outras vezes, antes da tal bolinha aparecer, um grito vem lá da Duque de Caxias, invadindo a minha sala: “Vai, Corinthians”.

A constância corintiana criou essa certeza de que, a qualquer momento, o time resolverá a situação difícil. E virá o gol, majoritariamente da vitória, mas também do empate. O gol sempre vem. Raramente chega como resultado de um sufoco terrível, de uma pressão desorganizada, de um bombardeio digno da Luftwaffe sobre a Londres dos anos 40. O gol vem porque tem de vir, resultado de um jogo cadenciado e consistente.

O gol vem da ultrapassagem de Arana, vem de um cruzamento de Fagner (não na linha de fundo, mas parecido com os de Arce, em diagonal), vem da aproximação de Rodriguinho, da chegada de Maicon, da cabeçada de Balbuena. É um time com mais repertório do que de conclusões felizes. Mas que o gol sai, não tenha dúvida.

O Corinthians é uma versão do velho clichê: “o gol sai naturalmente”. Só não sai naturalmente contra o Corinthians. É um parto romper a fortaleza de Carille.

O solidário Corinthians é um trabalho que só merece elogios. É uma ode à união e ao esporte coletivo.

 


Timão vence com justiça e ajuda da zaga tricolor
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O Corinthians teve o controle de grande parte do clássico, se aproveitou disso e venceu a bela partida. E foi ajudado pela fragilidade da zaga tricolor. É um setor fundamental para equipes equilibradas. E equilíbrio sobra no Corinthians e falta no São Paulo.

Desde o início, o Corinthians dominou. Aproveitou-se de uma escalação muito defensiva e foi para cima. Obrigou Marcinho a jogar realmente como lateral, sofrendo com Romero e Arana. E quando o primeiro gol saiu, fazia jus à velha expressão: “estava maduro”. Um lindo passe de Marquinhos Gabriel para a entrada em diagonal de Romero, um jogador subavaliado.

O São Paulo se mexeu. Cícero e Militão avançaram, o time passou a trocar passes e empatou, com a cabeçada de Gilberto. A partir daí, o jogo mudou. O Corinthians é que passou a apostar no contra-ataque, contra um São Paulo que controlava a partida.

Então, Maicon, avançado, errou um passe bisonho. Ridículo. Houve o contra-ataque, pela direita, houve cobertura ruim de Douglas e houve erro de Lucão. Renan Ribeiro não errou e muito menos Gabriel.

No segundo tempo, o São Paulo fez uma linha de quatro, com Bruno em lugar de Lucão. Marcinho passou a jogar adiantado. Passou a incomodar e não ser incomodado por Arana.

O Corinthians recuou, mas tinha o jogo nas mãos. E fez o terceiro, após uma linda troca de passes que terminou com pênalti de Douglas em Jô. Jadson deu susto, mas marcou.

Ceni colocou Thomaz e Wellington Nem. Carille colocou Clayton e Clayson. E o jogo ficou suicida para o São Paulo, com um 4-2-4 que permitia escapadas de Jô pela esquerda. Poderia fazer um gol, poderia sofrer dois.

E fez, com Nem. E partiu para o abafa, com a defesa aberta. Poderia empatar. Poderia levar o quarto. Nada aconteceu. O Corinthians venceu, como a lógica apontava. É um time mais bem montado, mais bem treinado e jogando em casa. O São Paulo fez uma partida digna. Mas não tem dignidade que resista a zagueirada ruim.


Vitória operária em Itaquera. E o túmulo do futebol é São Paulo
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Está todo mundo avisado. Quem não prestar atenção, não pode reclamar depois. O Corinthians é candidato ao título. E tem se firmado a cada rodada no início do Brasileiro. Com a mesma receita com que venceu o Paulista: defesa forte, time solidário, poucos riscos e um golzinho. Em quatro jogos, foram cinco marcados. E um, apenas um, sofrido. O desafio está posto na mesa. O Corinthians é assim. Quem quiser, que decifre.

Foram dois gols marcados contra um Santos apático e sem nenhuma força. E ainda houve um impedimento bem marcado, afinal Romero não havia cortado a unha do dedão e estava à frente da zaga. Foram dois gols operários. O primeiro, de Romero, após o pivô muito bem feito por Jô. Romero é um jogador exemplar quando se fala de profissionalismo. Dedicado e sempre pronto a colaborar defensivamente. E é o artilheiro do Itaquerão. É humilhado pelos rivais, foi humilhado pela RGGT, mas está aí. Um profissional digno.

O segundo gol foi de Jô, que emulou Mandzukic e fez um gol parecido. Jô é um jogador singular. Canhoto, forte, 1,90m, difícil de marcar. E com bom poder de definição. Está aproveitando muito bem a segunda chance que teve.

O jogo foi marcado, uma vez mais, pelo uso de sinalizadores. Com o jogo ganho, os organizados descumpriram as ordens do Ministério Público e os pedidos da diretoria. É um ato de rebeldia contra um estado de coisas deprimente. Proibição em cima de proibição. Futebol em São Paulo é um orgasmo reprimido.

Se sinalizador é proibido, como eles entram? A PM, que tem revistado até jornalistas, é muito incompetente.

Depois que percebe que foi driblada, responde com violência. Vai lá e usa toda a truculência conhecida. Para que isso? Sinalizador não machuca ninguém. Na verdade, a PM está fazendo o que lhe mandam fazer: manter a ordem. Mesmo que seja a paz dos cemitérios. Porrada em quem desobedece. Porrada. Só pensam nisso. E o circo fica completo quando o narrador diz que a pessoa que enfrenta a PM é um mau cidadão.

Mau cidadão. Pessoas de bem….Palavreado que fica bem quando se quer manter o túmulo do futebol. Palavras com mofo de Ditadura.

Tags : romero


Rodrigo Caio, o Papa, o Dalai Lama e a ficção chamada fairplay
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E volta o tema Rodrigo Caio, devido ao ridículo show de simulações ocorrido nos campos do Brasil, uma semana após o zagueiro haver dito ao apitador que ele, e não Jô havia feito o contato com o goleiro Renan. Jô escapou do amarelo injusto, ficou liberado para jogar o próximo clássico e fez o gol que sacramentou o São Paulo fora da final. Impedido, talvez. E daí? Rodrigo Caio foi honesto.E a honestidade não pode ser questionada. Está certo e ponto final.

Agora, imaginemos um outro lance. O time está vencendo o jogo e tem um cruzamento em sua área. Sobem dois zagueiros e dois atacantes. A bola resvala na cabeça de um zagueiro e vai para fora. O juiz pensa que a bola bateu no atacante e dá tiro de meta. O zagueiro se acusa e diz que foi escanteio.

Ou, então, se o beque não se acusou, mas um companheiro foi até o juiz e disse: “eu vi, professor, foi meu colega que colocou a bola para fora”?

Os dois estão certos.. Elogios para eles.Todos. Mas eu consideraria muito normal que o treinador pensasse na possibilidade de não escalar mais aqueles jogadores.  Afinal, eles estão ali para praticar futebol ou para mudar o futebol? E olha, que eu coloquei um lance normal, sem lances de dramaticidade. E se o time sufocado estava garantindo o título? Ou a permanência na divisão? E se aquele escanteio que o juiz não viu, levar o time para a segunda divisão?

Ora, amigos, o lance que eu imaginei não aconteceria nem em um jogo entre Amigos do Papa Francisco x Amigos do Dalai Lama. Principalmente porque  o papa é argentino. (Atenção, esta é uma brincadeira, com meu amigo Pablo Carignano). Não é do jogo. E não deve ser reformado. Como ficaria uma partida de futebol com esse tipo de comportamento espalhado em campo? Foi falta minha, imagina, foi minha. Eu fiz pênalti, seu juiz. Não fez não, bobinho, acertou a bola…

Não prego a malandragem, não prego o golpe. Não sou do tipo que diz “o que acontece no campo, fica no campo” para justificar atos racistas, sou completamente contra as simulações ridículas, mas não dá para exagerar e exigir de jogadores um comportamento que ninguém tem em esporte algum, em país algum.

Diante das simulações e do cai-cai, sou contra o fairplay que obriga um jogador a desistir da jogada e jogar a bola para fora quando um rival está caído. Quem precisa decidir é o árbitro. Ele que mande parar o lance, ele que assuma a responsabilidade. Ele que precisa definir se aquele corpo estendido no chão precisa de cuidados ou de um cartão amarelo por fingimento.

Sou contra punições pós jogo, baseada em câmeras de televisão. Suárez mordeu Chelini? Se o juiz não viu, acabou. Um jogo tem 90 minutos e deve acabar quando termina. Ficar entrando com recursos por dá lá aquela palha é apenas uma tentativa de judicialização do esporte. A não ser que as câmeras de televisão pudessem mudar também o resultado do jogo. Terminou o jogo, vamos ver de novo. Aquele cara deu uma cotovelada que o juiz não viu? Suspensão nele. Mas e aquele gol em que a bola não entrou? Mudamos o placar. Aí, sim haveria coerência. Mas seria errado.

Futebol é um jogo. A violência deve ser combatida. A simulação deve ser punida. A honestidade precisa ser louvada. Mas não podemos exigir que os jogadores se transformem em acusadores de si próprios. Se for para dizer que fez o pênalti que o juiz não viu, melhor é não fazer, então. Simplificaria tudo. E, em vez, de entrar com ações no TJD para exigir punições pós jogo, teríamos clubes entrando com pedidos de canonização para seus jogadores no Vaticano. São Fagner, por exemplo.