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Alex, o quarentão, ganha filme
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Foi o gol mais bonito que já vi. O de Alex no São Paulo, após dois chapéus. No dia seguinte, no Jornal da Tarde, minha missão era conversar com narradores de rádio e de televisão para falar sobre a obra-prima. E me chamou a atenção a alegria deles, de Oscar Ulisses a José Silvério. Nada de clubismo, apenas a alegria de terem sido blindados com a oportunidade de presenciarem a história. Como eu me senti ao ver o gol de Romário na eliminatória de 93, contra o Uruguai. Como eu vi Messi na Copa de 2006.

Alex, que completa 40 anos hoje,  sempre foi um jogador espetacular. E sempre carregou a fama de não ser constante e de não brilhar com a seleção. Mesmo tendo sido fundamental em um Pré Olímpico. A sua carreira tem números estupendos o que desmente qualquer possibilidade de fracasso em uma Copa. Mesmo se não jogasse, sua personalidade e inteligência fariam muita diferença. Foram 19 anos de carreira, com 18 títulos, 1035 jogos, 422 gols e 356 assistências. É um número de gols que faria brilhar o currículo de qualquer centroavante. Luís Fabiano tem números parecidos.

Um filme a ser lançado no dia 19, em Curitiba, mostrará como foi a despedida de Alex dos campos. O nome do documentário é  Alex Câmera 10 – Turquia ao Brasil – despedida do Futebol. O documentário mostrará cenas inéditas dos bastidores da despedida, além das cidades onde brilhou. E mostrará a Turquia, onde ele brilhou pelo Fenerbahce. A torcida fez uma estátua em sua homenagem.

Escolhi a foto inicial com a camisa do Coritiba, pelo amor que ele demonstrou ao clube. Tinha oferta do Palmeiras, mas preferiu terminar a carreira onde começou, lutando e conseguindo evitar o rebaixamento do time do coração. A outra foto é a homenagem da torcida do Palmeiras ao seu gol.

Alex também fica marcado, para mim, por sua atuação no Bom Senso, lutando pela melhoria do futebol brasileiro.

 

 


E que golaaaaço… Silvério no Bola da Vez
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Muito boa a entrevista com José Silvério, no Bola da Vez, com João Carlos Albuquerque, Luiz Carlos Quartarollo e Eduardo Affonso. Uma conversa gostosa e que deve ter mexido com a memória afetiva de muita gente.

Comigo, mexeu. A contratação do Silvério pela Bandeirantes em 2002 foi uma alegria imensa para mim. Eu poderia ouvir meu locutor sem trair a minha rádio. Sempre ouvi a Bandeirantes, desde o meu primeiro rádio, desde Luiz Aguiar e Os Brotos Comandam, desde Tonico e Tinoco na Beira da Tuia, desde Leporace e o Trabuco, desde as novelas, desde o repórter policial que exultava porque o fulano de tal agora iria tomar café de canequinha e desde, é lógico, o imortal Fiori Gigliotti.

Gostei tanto que resolvi republicar a minha entrevista com Silvério em agosto de 2015.

“Não gosto de palhaçada, sou um repórter que narra”

José Silvério chegou aos estúdios da Rádio Bandeirantes às 11h35, cinco minutos após o combinado. Falava ao celular, imediatamente desligado quando me viu. E começou a pedir insistentes desculpas como se cinco minutos fossem o fim dos tempos. Com o decorrer da conversa, foi fácil entender o motivo de tanta preocupação com horário. Para alguém que chega à cabine quatro horas antes do início do jogo, tempo é muito importante. A preparação é fundamental.

Ele procura uma sala para conversarmos. E pede desculpas novamente pelos cinco minutos e por demorar – menos que cinco minutos – para deixar a sala em ordem. “Sou um pouco louco. Louco locutor, até fica parecido. Mas não sou só eu, não. Tem muita gente assim”.

O Pai do Gol, como o chama Milton Neves, revela-se em poucos minutos o Escravo do Gol. Mais do que tantos troféus na carreira, orgulha-se de, em 53 anos de profissão, haver perdido apenas um gol. Foi traído pela antecipação do zagueiro Oscar em uma bola que ia diretamente para a cabeça de Mário Sérgio. Até hoje, o atual comentarista da Fox, pede o gol que lhe foi roubado.

Veja essa e outras histórias do narrador:

Mau humor nos comentários
“Você acha que estou mal humorado? Não é bem assim. É que há algum tempo resolvi mudar um pouco e fazer uma narração mais pausada, mais conversada, mas já desisti. E, se você vai falar do jogo, vai conversar e opinar, tem de falar a verdade. O que acontece também é que o futebol está ruim. Veja o caso do Ganso. Há quanto tempo se fala que ele é craque e que está e má fase? Há três anos. Ficamos esperando ele jogar como no Santos. Não é hora de falar que ele teve uma boa fase e voltou ao normal? A televisão manda no jogo. Eles mostram apenas a parte do estádio que tem gente para dar impresão que está lotado. Eu não faço isso.”

Estilo
“Eu não sou animador de jogo. Não sou palhaço de circo. Sou um repórter que narra o jogo. O mais fielmente possível. “

Preparação
“Como pouco em dia de jogo. Uma omelete, meio sanduiche. Coisa assim. Só me alimento depois. Para evitar estomago cheio, atrapalha o trabalho. A base da locução é a respiração. Faço de tudo para não ter gripe. Durante a semana, tomo duas garrafas de vinho com a minha mulher. De segunda a sexta, nunca no sábado nem no domingo. Nunca em dia de jogo.”

Como não errar o nome dos jogadores.
“Chego antes e me prepara bastante. Fico no estádio imaginando os jogadores. Tenho a lista de quem foi escalado. Tento imaginar os movimentos, o estilo de cada um. Presto também atenção nas chuteiras. São coloridas, ajudam a identificar o atleta. Mas não tenho uma lista de jogadores e chuteiras. Antigamente, era comum haver um negro e um branco na dupla de área. Isso ajudava bastante.”

Erro
“Tenho 53 anos de carreira e só errei o gol uma vez. Foi um gol de cabeça do Mario Sergio e eu narrei como se fosse do Oscar. Veio o cruzamento e o Oscar se antecipou ao Mário Sérgio. Tirou o gol dele e eu não vi. O repórter Candido Garcia também errou. Só percebemos no dia seguinte. Às vezes estico o gol para perceber quem fez. É normal errar, o importante é justificar o erro, assumir e seguir em frente. Não pode ser arrogante. Outro dia, no jogo do São Paulo, errei mas consegui corrigir. Era o Bruno pela direita. Eu disse que era o Pato. Ai, ele cruzou para o Pato, que fez o gol. Consertei na hora.O que induz ao erro é a movimentação rápida dos jogadores. Alguém passa rapidamente perto de outro que está com a bola e fica difícil perceber.”

Gol mais bonito
“Foi o do Alex, pelo Palmeiras, contra o São Paulo. Ele disse que eu embelezei o gol dele. Foi uma loucura o que eu fiz. Gritei antes de o gol sair, antes do chute. Não sei o que foi, intuição. Disseram que foi mediúnico, mas não acredito nisso não.”

Gol mais emocionante
“Foi o do Evair, contra o Corinthians. Eu havia me preparado para dizer “eu vou soltar a minha voz”. Era para um jogo anterior, seis meses antes e não deu certo. Aí, deu com o Evair. Foi marcante.”

Time que torce
“Por causa desses gols, dizem que sou palmeirense. Mas me chamam de corintiano também. Narrei lindos gols de Raí, até na final da Libertadores, e me chamaram de são-paulino. Na verdade, tenho simpatia pelo Cruzeiro, mas não é assim uma grande paixão. A verdade é que eu gosto muito mais de narrar futebol do que de futebol. Minha paixão é o rádio mesmo.”

TV
“Tive duas experiências ótimas. Fui muito elogiado na Copa de 70 (reprisada) na ESPN e na Olimpíada de 96 na Manchete. Mas eu ganho muito bem no rádio e resolvi não trocar. Para ganhar um pouco mais? Para começar de novo? Não estou querendo começar nada não.”

Contrato
“Vai até o final de 2016. A radio queria renovar por quatro e eu aceitei dois. Depois a gente vê. Nâo faço planos não. Estou chegando aos 70, sofri com a perda da minha mulher, conheci outro amor e não quero planejar nada não.”

Tubo
“Nunca aceitei narrar por tubo, mas agora mudei de ideia. Tudo começou em um Brasileiro em que a rodada final tinnha quatro jogos decisivos. O campeão sairia daí. Então, propus narrar os quatro jogos ao mesmo tempo. Foi aqui nesse estúdio em que estamos agora. Colocamos quatro televisões grandes e narrei tudo ao mesmo tempo. A direção da rádio gostou muito. Então, a partir daí, mudei de ideia. Se for preciso, faço tubo.”


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