Blog do Menon

Arquivo : julio cesar

Júlio César e o amor maior
Comentários Comente

Menon

Há uma teoria, não sei se verdadeira, que defende a tese de que os elefantes, no final da vida, buscam o local onde nasceram para morrerem. É bonito. Eu mesmo, se não fosse imortal, voltaria para Aguaí.

Júlio César está fazendo esse movimento. No final de carreira, voltou ao Flamengo para a última temporada.

Foi um pedido dele ao clube. Recebe R$ 10 mil mensais, valor simbólico para alguém de seu nível e está lá, sendo feliz. Fez um discurso emocionado e emocionante para seus colegas antes de entrarem em campo para vencer o Boavista por 3 x 0.

Um discurso de torcedor, com a voz embargada. Um daqueles atos que justificam a frase “não é só futebol”.

Quando contarem a história de Júlio Cesar e puserem lá a última linha de seu currículo, ao lado de “2018 – encerrou a carreira no Flamengo”, será preciso acrescentar:

FOI POR AMOR.


Julio Cesar não é problema. Fred e Oscar, sim
Comentários Comente

Menon

Depois de nove meses na reserva do QPR (uma espécie de Mogi Mirim da Inglaterra) Julio Cesar foi escalado novamente – só porque o goleiro titular estava com o dedo machucado – e tomou quatro gols. E daí? E daí nada, pelo menos no que me diz respeito. Ele tem personalidade, é um bom goleiro e, com um bom tempo de treinamento, estará pronto para a Copa. Tem a confiança de Felipão e isso é ótimo.

Eu discordo dos que dizem que seleção é momento. Treinador de seleção é privilegiado. Pode escolher os melhores, não precisa lutar contra as deficiências do elenco montado pelo antecessor. Não gostou, troca. Aliás, eu tinha um chefe, Paulo Cesar Correia, meu grande amigo, que vivia dizendo assim: repórter é igual a mulher, se não gosto eu troco. Mentira dele, vive com a Marlene há mais de 35 anos.

Vou dar um exemplo: Se um treinador achar que o Adriano é o melhor potencial de centroavante do Brasil e quiser apostar nele, tem todo o meu apoio. Mesmo que eu não concorde. Faltando um ano para a Copa, convoca o cara, faz treinar, faz recuperar o melhor da forma física e coloca na Copa. São apenas sete jogos, é um campeonato de tiro curto, não precisa constância. Basta estar bem naquele período. Pode não dar certo, mas o que pretendo dizer é que treinador não deve estar à mercê do bom momento de algum jogador.

Por isso, Julio César não me preocupa.

Fred, sim. Esteve contundido por muito tempo em 2013. Fez uma boa Copa das Confederações mas só no final. Não o vejo à altura de centroavantes como Cavani, Suarez, Falcao Garcia, Higuain, Balotelli, Lewandowski, Ibra (que não vem), Drogba, Eto’o e outros.

E o pior é que não vejo outro centroavante brasileiro para substitui-lo. Jõ, Luís Fabiano (muitas contusões), Leandro Damião… Não foi à toa que Felipão correu atrás de Diego Costa.

Oscar também me assusta. Ele merece ser titular, sem dúvida, mas não o considero do nível de outros jogadores que estarão na Copa. Kaká, apesar dos últimos anos ruins, poderia acrescentar mais à seleção.

Mas, de uma forma ou de outra, somos um dos quatro favoritos.


Ronaldo Giovanelli critica Júlio César, “uma piada”, e preparadores de goleiro
Comentários Comente

Menon

Ronaldo Soares Giovanelli, comentarista da TV Bandeirantes, está muito preocupado com a qualidade atual dos representantes da posição que defendeu em 601 partidas como goleiro do Corinthians e apenas uma pela seleção brasileira. A causa é a preparação atual e a consequência, diz, com seu estilo direto e franco, é Júlio César como titular.

“Ele é uma piada. Muito fraco e se é o titular é porque está tudo errado. Os preparadores de hoje não são como os de antes, não são como Valdir de Moraes ou Agnaldo Moreira. Eles ensinam o goleiro a salvar a própria pele e não a salvar o time”.

 O que mais decepciona Ronaldo atualmente é a maneira como os goleiros se comportam quando há cruzamentos na área. “Eles só pensam em socar a bola. É a única solução que conhecem. Goleiro só pode da murro quando ele está dividindo com o atacante ou com o zagueiro. Tem de mandar na área e gritar. Tem que decidir. Não pode fazer como o Júlio César na última Copa, que foi trombar com o zagueiro, não pegou nada e a Holanda fez o gol. Agora, quando o goleiro está sozinho na jogada, socar a bola é ridículo”.

Para ele, há muito soco substituindo defesas. ‘Pode parecer perseguição, mas vou usar outro exemplo do Júlio César. Teve um jogo na Itália em que ele socou uma bola para escanteio aos 45 minutos do segundo tempo. Na cobrança, saiu o gol. E era uma bola que tinha de defender, com segurança, não era para dar soco.”

A defesa completa é mais segura e completa, segundo Ronaldo. “Dependendo da orientação tática do treinador, o goleiro pode iniciar muitos contra-ataques. Eu fiz isso, o Zetti fez isso, o Veloso fazia isso. A gente era goleiro que ganhava jogo, hoje em dia não tem isso. Outro dia o Vitor pegou um pênalti com o pé. Foi assim comigo na minha estreia, peguei uma cobrança do Dario Pereyra, do São Paulo. É sorte, não pode ser considerada como uma vitória do goleiro, apesar de ter mérito, sim”.

Para Ronaldo, há um tipo de treinamento muito simples, que tem sido abandonado. “Vai ver um treino e vê se ainda fazem paredão. O Agnaldo, que era meu preparador, exigia que eu fizesse paredão todo dia. Chutava a bola e pegava quando ela voltava. Tinha de agarrar. O paredão aumenta seus reflexos e faz com que a gente agarre a bola. Dá muita força na mão. Quando eu errava no treino, quando cedia escanteio, quando dava murro, ele dobrava a carga. Em vez de cem, era duzentos”.

Logicamente, Júlio César, cuja escolha Ronaldo considera quase uma confissão de culpa, não é seu goleiro preferido para a seleção. Ele gosta de Jefferson, do Botafogo, e Rafael, do Santos. “São muito bons. O Jefferson foi muito bem contra a Argentina. E o Rafael mostra muita alegria nas pernas. Está de bem com a vida e é ótimo”.

Ronaldo, que teve presença quase nula na seleção brasileira, acha que perdeu a grande chance em 1990. “Tinha 23 anos, era campeão brasileiro e estava jogando muito bem. Mas levaram o Taffarel, que era ótimo e mais o goleiro do Vasco, o Acácio, e o do Flamengo, o Zé Carlos. O treinador era o Lazzaroni. Todos cariocas e eu fiquei de fora”.


< Anterior | Voltar à página inicial | Próximo>