Blog do Menon

Arquivo : junior tavares

Clube grande cai, sim. Está caindo
Comentários Comente

menon

Time grande não cai.

Os são-paulinos (tomo a parte pelo todo, uma grande parte, diga-se) gritaram exaustivamente a frase, em 2013 e 2015. Havia uma outra frase, de mesmo sentido. Time grande cai, mas time gigante não cai.

São frases divertidas, uma gozação bem feita contra os rivais Palmeiras e Corinthians. Mas são também frases a mostrar o último suspiro da tal soberania, varrida dos campos há uma década, com aquele coito interrompido que foi a vitória contra o Tigre, na sul-americana de 2012.

Gritar que não cai é o que restou a quem gritava é campeão com a mesma assiduidade que um ano substitui outro. Ou, lembrando um pouco mais longe, como um semestre substitui outro.

Não ganhamos, mas não caímos. Somos grandes e os outros são pequenos. Somos gigantes e os outros, vá lá…são apenas grandes. Somos soberanos e tudo é uma questão de tempo, pois daqui não cairemos.

Está caindo o São Paulo. Os avisos foram gritados, os sinais foram escancarados, mas a gerontocracia de ideias que dirige o clube há décadas, não viu e não ouviu. Preferiu a briga intestina (nos dois sentidos) à busca de uma solução, que poderia passar pela unidade. Talvez não ajudasse, porque as ideias do outro lado…ah, quais são, mesmo?

Quem gritava que time grande não cai, sabia que estava dizendo uma sandice. Palmeiras, Corinthians, Inter e tantos outros grandes representantes do futebol brasileiro caíram.

E, se clube grande não cai, time médio cai. Deitado em devaneios soberanísticos, a diretoria do São Paulo esqueceu que não há justiça no futebol. Um elenco melhor do que alguns outros, pode cair, sim. Não é o investimento que decide, não é uma análise crítica dos jogadores contratados. É o campo que resolve.

O São Paulo tem aproveitamento de 77,8% quando falamos de seu enfrentamento com Vitória, Avaí e Atlético-GO, seus companheiros de infortúnio. Não é suficiente. Precisa vencer os outros também. E, sempre é bom lembrar, o tal aproveitamento gigantesco foi construído no Morumbi.

A diretoria do São Paulo não pode se apegar a um clichê moribundo: “o São Paulo não merece estar nesse lugar”; Por que não? Pelo passado glorioso? Já vimos que não conta, que outros gigantes de foram.

Pelo futebol apresentado? Também não, apesar de não ter sofrido nenhuma goleada, nenhum vexame. Tivesse ocorrido, talvez o tal aviso tivesse sido ouvido.

Pelo elenco que o time tem?

Vamos conversar sobre isso. O elenco tem problemas graves. Não vou comparar com outros, não vou fazer uma análise posição por posição, mas o elenco do São Paulo tem carências enormes. E elas permitem que outros clubes, talvez mais fracos o ultrapassem.

Bruno e Buffarini, por exemplo. Um, é pior na defesa. Outro, é pior no ataque. Os dois são ruins no conjunto. As entidades Brunarini ou Buffaruno são assustadoras. O que defende melhor, levou dois dribles humilhantes na Vila. O que ataca melhor, não acerta cruzamentos.

Júnior Tavares. Esqueça a louvação a Cotia. Nem de lá, ele veio. Junior veio do Grêmio com a fama de indisciplinado, bom no ataque e ruim na defesa. A primeira, com dedicação aos treinamentos, ele afugentou. Nada de indisciplina. A segunda, confirmou-se em parte. Ele é um desafogo na esquerda. E é um tormento na defesa. Em um time equilibrado, ele teria sua função e poderia render muito. Em um time cheio de problemas, só os erros aparecem e de forma exponencial. Foi um erro deixar tudo nas costas de um garoto. Participou de praticamente todas as partidas do ano. E seu reserva, Edimar, só o departamento de análise e desempenho garante. É um jogador a ser burilado e não uma solução.

Rodrigo Caio é um bom zagueiro, apesar do pouco físico. Não é bom como outros que fizeram sucesso há dez anos. Miranda, Lugano, Fabão, André Dias, Rodrigo e Breno foram melhores. Fabão, sim. Pense um pouco e veja quem errou mais. Novamente, é a questão do momento. Se Rodrigo Caio estivesse lá, naquele tempo….Não está.

Pela fama que tem, Rodrigo Caio deveria ser a individualidade capaz de carregar o time nas costas. Como Roberto Dias fez há 50 anos. O mesmo vale para Pratto. Um grande jogador em um time fraco e desequilibrado, não deveria ser a salvação? Não tem sido. Cueva é o mesmo caso, apesar de haver melhorado um pouco.

Não é o caso de Jucilei, que tem rendido muito bem, mas que, pela posição em que joga não está ali para resolver. Como parece ser, não nos precipitemos, o caso de Arboleda.

Jogadores que deveriam decidir e não decidem. Jogadores fracos. Jogadores com uma responsabilidade técnica acima de suas forças. E o que mais?

Uma incógnita como Gómez, que foi bem na Colômbia, mas que fez dois jogos sem nenhum protagonismo.

Jogadores médios, que poderiam render em times bem organizados, como é o caso de Marcinho. E de Petros, que fala muito bem, que tem personalidade, mas que joga menos que Thiago Gomes. E Wellington Nem, que perdeu a velocidade em algum lugar do passado.

Jogadores jovens, como Lucas Fernandes, Brenner e Shaylon, a quem não pode ser dada a missão de salvamento. A eles, deveria ter sido dadas oportunidades de jogar. Mas, preferiram, por exemplo, Denílson.

E é um time assustado. Quando faz um gol, não resiste ao assédio, como qualquer adolescente esperando o primeiro beijo. Quando sofre um gol, se desmancha, como picolé ao sol.

É um time caindo. Está cumprindo os avisos que estão sendo dados há muito tempo. E que os ouvidos soberanos apenas ouviram. Mandaram a mensagem para o cérebro soberano. E que o cérebro soberano respondeu através da boca soberana. “Time grande não cai”. Cai, sim.


São Paulo fechou a casinha. E perdeu a chave
Comentários Comente

menon

O desempenho defensivo do São Paulo no Brasileiro é digno de elogios. O time que, no início do ano, sofria dois gols por jogo, levou apenas cinco em sete partidas. Passou quatro dos sete embates em branco, sem ser vazado. E os números seriam ainda melhores, não fosse a partida contra o Corinthians, totalmente fora da curva. Um 3 a 2 que não combina com a efetividade defensiva do time de Ceni.

E, infelizmente, para os tricolores, não combina também com o poderio (?) ofensivo.

Sim, ao mudar seu estilo (suas idéias, também?), Ceni não conseguiu manter a força do ataque. Ou, pelo menos, parte dela. O antigo (há poucos meses) ataque do São Paulo se resume agora a oito gols marcados em sete jogos. É uma mudança muito radical. O time, que chegou a ter um placar médio de 3 x 2 por jogo, hoje tem 1,14 a 0,7.

A mesma palavra explica a intenção de Ceni e a dificuldade para que se encontre um time equilibrado. Transição. A mudança de um time ofensivo e desequilibrado para outro, pragmático e eficiente, deu errado por causa da…transição. Falo da transição da defesa para o ataque.

Ela piorou muito quando Cueva se machucou, em um jogo do Peru. Talvez a recuperação tenha sido precipitada, não sei, mas a verdade é que o peruano perdeu ousadia, velocidade e eficiência.

E quem poderia substituir Cueva? Maicosuel, que jogou apenas 45 minutos? Shaylon, que Ceni ainda considera verde? Lucas Fernandes, que está voltando a ter chances agora? Thomaz?

E quais as outras opções? Pelos lados do campo? Luiz Araújo saiu. Wellington Nem se contundiu e está voltando agora. Morato só joga no ano que vem. Leo Natel jogou dez minutos. E Marcinho? Como os laterais estavam machucados ou atuando mal, Marcinho foi deslocado para a ala. Tem a liberdade para atacar, mas, contra o Corinthians, por exemplo, foi obrigado a ficar recuado no início do jogo porque Arana e Romero tomaram a iniciativa. E ele precisou apenas marcar. E ainda não tem todos os macetes da posição. Falhou no gol do próprio Romero e no gol de Lucca, da Ponte. Com ajuda prestimosa de Lucão. Sobra então Júnior Tavares, que está indo bem, mas não está indo muito bem;

Há uma terceira opção: os volantes. Dominar a bola em seu campo e levá-la ao campo rival. Juntar-se aos meias, buscar os atacantes, chutar de fora. Pode ser Thiago Mendes. Pode ser Cícero. Os dois chutam bem, mas o rendimento não tem sido tão bom a ponto de suprir as necessidades. Mendes rendeu mais que Cícero.

O que pode mudar?

Militão, que ainda dá os primeiros passos como profissional? Promissores passos, mas os primeiros.

 

Wesley, Buffarini, Bruno ou Araruna se firmarem na lateral e liberarem Marcinho para o ataque? Além disso, seria recomendável que melhorassem o nível de cruzamentos.

Pratto mais recuado e Gilberto na área?

Não são ideias novas. Ceni já tentou várias delas. Uma coisa ou outra pode dar certo, mas nada é algo que possa surpreender, que cause frisson, que traga expectativas. A melhor opção, sem dúvida, seria uma melhora de Cueva.

O primeiro grande desafio de Ceni foi trancar a defesa. Ele conseguiu, com méritos. Montou um cadeado. Agora, precisa achar a chave que possibilite um time mais aberto e que faça gols necessários para que o time consiga, por exemplo, 60 pontos no campeonato. Mais do que isso, é muito difícil.


Cotia rende muito dinheiro, poucos gols e nenhum título
Comentários Comente

menon

BoschiliaAtenção!!! Este post é um elogio à Cotia e um lamento em relação à estrutura do futebol brasileiro. Certo? Então, não cabem comentários do tipo “ah, por que você não fala do Corinthians e do Palmeiras, só sabe criticar o São Paulo”. Ou, bobagens do tipo: “Cotia só tem moleque criado com leite de pera, bom mesmo é o terrão”. Mesmo porque não existe mais terrão e a estrutura do Corinthians é boa.

Então, por que Cotia?

Porque o São Paulo teve competência e sorte para criar a geração 96/97, muito acima da média. Apenas como ilustração, fiz uma seleção baseada no esquema 4-1-2-3, para caber mais atacantes e também optei por jogadores que renderam dinheiro ao clube.

Fica assim: Lucas Perri, Auro, Lucão, Lyanco e Inácio; Gustavo Hebling, Lucas Fernandes e Boschilia; David Neres, Ewandro e Luiz Araújo. Ainda há Foguete, Junior Tavares, Shaylon, Gabriel, Banguelê, Artur, Queiróz, Joanderson, João Paulo e Araruna.

De toda essa turma, oito jogadores renderam muito dinheiro ao São Paulo.

David Neres – 12 milhões de euros. E o São Paulo continua com 20% dos direitos do jogador

Boschilia – 9 milhões de euros. São Paulo ficou com 6,3 milhões de euros.

Luiz Araújo – 10,5 milhões de euros. São Paulo ficou com 8,4 milhões de euros

Lyanco – 6 milhões de euros. E o clube pode receber mais 2 milhões de euros, dependendo do rendimento do jogador no Torino.

EwandroEwandro – 3 milhões de euros. São Paulo fica com 2,25 milhões de euros.

Inácio – 3 milhões de euros como parte do pagamento de Maicon

Artur foi emprestado para o Colubus Crews, dos EUA e Gabriel Rodrigues foi para o Ventforet Kofu, do Japão.

Araruna está no clube e vai ganhar espaço com Rogério Ceni. Está voltando de contusão.

Gustavo HeblingShaylon é ainda uma aposta, pode explodir no ano que vem.

Os outros citados foram para times menores e alcançaram pouco sucesso, exceção a Auro, que estava bem no América MG e se contundiu.

O São Paulo, então, arrecadou 37,95 milhões de euros. Quantia que pode aumentar ainda a partir de um bom rendimento de Lyanco (mais 2 milhões) e de uma futura venda de Neres. Se vender por 30 milhões, o São Paulo ganhará mais seis milhões.

Muito dinheiro, não é?

E gols? Foram 21, assim divididos: Luiz Araújo, 51 jogos e nove gols; Boschilia (44/5), Ewandro (22/4) David Neres (8/3)  e Lyanco (25/1).

Títulos? Nenhum, a não ser os muitos na categoria de base.

E qual foi o grande erro do São Paulo? Por que jogador rende dinheiro e não faz história no clube? A meu ver, o grande e único erro foi não renovar o contrato de Gustavo Hebling, volante de alto nível. Saiu de graça. Foi para o PSG, com contrato de cinco anos e está emprestado ao PEC Zwolle, da Holanda.

Se o São Paulo não errou, de quem é a culpa?

Da fragilidade do futebol brasileiro, que é um reflexo da fragilidade do Brasil. Nós exportamos jogador. E com o dinheiro recebido, pagamos contas. E contratamos veteranos.

É assim. E ponto. Fica muito pior quando as finanças do clube são assaltadas por um presidente. Fica muito pior quando a diretoria não consegue um patrocínio. E vive, primordialmente, com o dinheiro da televisão. Fica muito pior quando o buraco da dívida diminui pouco, apesar de tanto dinheiro. Com o câmbio de hoje, seriam 140 milhões de reais.

Sai muito jogador. Entra muito dinheiro. O buraco não diminui. E o que se pode esperar? Que a saída de Militão, que é 98, seja boa. Só pra lembrar que Augusto Galvan, também 98, rendeu 1 milhão de euros. E mais dois, se for bem no Real Madrid.

No fim, o que fica é jogador como Araruna. Joga bem, pode evoluir, mas não vai para a Europa. É um bom jogador que não custou nada. Como foi Jean.

O resto, a dívida come.

E a torcida fica esperando que seus futuros ídolos joguem bem em outros clubes. Ou, que joguem mal e possam voltar um dia. O mais lógico é que, daqui a dez anos, uma nova revelação seja vendida e o dinheiro gasto para o retorno de David Neres, já com com 30 anos.


São Paulo gasta ou é sofrência até dezembro
Comentários Comente

menon

Pablo e a sofrência vão embalar o Brasileiro do São Paulo

Horas antes do clássico do desespero entre Cruzeiro e São Paulo, o executivo Roberto Menin, do Banco Intermedium e da construtora disse que a torcida tricolor poderia ter uma grande notícia nos próximos dias. Patrocínio. Dinheiro. É o que pode fazer o São Paulo sair da lamaceira em que está.

Não que o elenco seja tão ruim como a torcida pinta. Inclusive, os resultados são muito abaixo do que o grupo de jogadores pode apresentar. Tanto em resultado como em organização. No jogo contra a Raposa, o São Paulo não foi pior. Teve até boas chances no primeiro tempo, mas quando sofreu um gol ridículo, com participação elétrica do gandula e sonolenta de Maicon, mas quando precisou reagir, não tem como: o elenco falha.

As contratações foram baratas e o pessoal da base não está confirmando o que se falava e esperava dele. Então, o que se vê é o seguinte:

Cueva é o único armador do time. Jogou aberto na esquerda, para puxar o contra-ataque. Mas o peruano não está bem fisicamente. Teve uma distensão muscular e voltou após 17 dias, o que é apressado. E quando ele não joga, o substituto é Thomas, um jogador sem currículo algum. Eu não acredito em contos de fadas: jogador de 30 anos que está jogando na Bolívia não é solução para nada. Resumindo: o time não tem como jogar com dois armadores porque Thomas, Shaylon e Lucas Fernandes não estão à altura. E o único bom está machucado.

No início do ano, Ceni contava com quatro atacantes rápidos pelo lado do campo: Neres, Nem, Luiz Araújo e Neílton. Neres foi para a Holanda, Nem para o Reffis, Neílton foi despedido e Luiz Araújo caiu muito. Fora contratados Morato, que fez um bom jogo e se contundiu, e Marcinho, que não vai resolver nada.

Junior Tavares caiu muito, inclusive no ataque, seu forte. João Schmidt está de saída. Bruno é bom no ataque e Buffarini é bom na defesa. Maicon não é o deus da zaga coisa nenhuma.

O São Paulo precisa de reforços. Ou vai ouvir Pablo o ano inteiro


Rogério corre contra o tempo e Corinthians busca corintianos
Comentários Comente

menon

A partir de 2 de abril, o São Paulo passará por muitas decisões, envolvendo Paulista, Sul-Americana e Copa do Brasil. Um resumo:

2/4 – Paulista, quartas de final, contra Linense ou Red Bull, provavelmente fora de casa

6/4 – Sul-Americana, primeira fase, contra Defensa y Justicia, fora de casa

9/4 – Paulista, quartas de final, contra Linense ou Red Bull, provavelmente em casa

13/4 – Copa do Brasil, quarta fase, contra o Cruzeiro, em casa

16/4 – Paulista, semifinal, caso tenha se classificado contra Linense ou Red Bull, contra adversário indefinido

20/4 – Copa do Brasil, quarta fase, contra o Cruzeiro, em Minas

23/4 – Paulista, semifinal, caso tenha se classificado

Ainda há a possibilidade de estar na final do Paulista, mas é algo muito longínquo para se projetar.

E como o São Paulo está para enfrentar a maratona decisiva, em três frentes?

1- O time não tem goleiro definido.
2- O time não tem uma zaga reserva definida.
3- O time não tem um lateral reserva para o lado esquerdo
4- O time não tem um reserva para Cueva

As soluções precisam ser tomadas rapidamente. E algo está sendo feito, necessário saber se haverá tempo.

1- Renan Ribeiro terá uma nova chance como titular. Se for bem em Ribeirão, estará dando um passo grande para se manter como dono da posição. Ele jogou apenas uma vez, mas nenhum dos outros dois – Sidão e Denis – fez algo melhor nas oportunidades que tiveram.

2- Lyanco será inscrito para a segunda fase do Paulista e assumirá a posição de “primeiro reserva”, atrás de Maicon e Rodrigo Caio. Ao contrário de Lugano, principalmente, e de Breno, pode ser escalado seguidamente.

3- Edimar, do Cruzeiro está sendo contratado. Não acho uma boa ideia. Foi trazido por Paulo Bento e perdeu todo espaço com Mano Menezes. Tem dificuldades na marcação e, se for para ter um jogador apenas para atuar quando Junior Tavares for brindado com um descanso, melhor apostar em Caíque.

4- O São Paulo tenta contratar Everton Ribeiro. Se render como nos tempos de Cruzeiro, pode ser titular ao lado do peruano. Se não vier, Ceni precisa apostar em Lucas Fernandes ou Shaylon

O São Paulo luta para consertar erros de montagem de elenco. Mateus Reis e Reinaldo seriam mais úteis que Lucão, que não foi utilizado uma vez sequer no campeonato. A contratação de Sidão não resolveu o problema do gol.

O que Rogério poderia fazer é mandar um time com muitos reservas para enfrentar o Defensa y Justicia, principalmente se o resultado do dia 2 não for bom. Será preciso jogar com o time titular dia 9, o que favoreceria a ideia de um time mais fraco na Argentina. Denis, Buffarini, Lucão, Douglas, Wellington, Neilton, Chavez, Araruna..

E, depois de tudo o que for feito, ainda é necessário que o time pare de tomar gols como se fosse um time secundário e não um gigante. Enfim, o São Paulo está como o aluno que deixou para estudar às vésperas do exame.

CORINTHIANS BUSCA CORINTIANOS para uma pequena reforma em seu elenco. Tenta mandar Guilherme para o Coritiba, como pagamento de Kazim. E pode pintar uma troca de Marlone por Clayton. Os que podem sair, são jogadores de bom nível técnico, mas, como poderíamos dizer, sem um alto nível de testosterona. Falta tesão. Não é o tipo de jogador que cai bem para a  torcida. Giovanni Augusto e Marquinhos Gabriel, também. O Corinthians também tem uma série intensa de decisões, mas ao contrário do São Paulo, tem um esquema tático implantado. Dá sono, faz poucos gols, mas dá resultados. Não se sabe até quando. Mas, está classificado no Paulista e pode usar os três próximos jogos para ajustes.

ROQUE JÚNIOR É UM dos jogadores mais inteligentes com quem convivi. Inteligente não significa diferenciado. Diferenciado é aquele tipo que usa bem a concordância verbal e nominal, repete uma série de platitudes e….não diz nada de diferente. Geralmente vira comentarista de televisão. Inteligente é quem tem ideias claras, que fogem dos clichês e, pelo menos a meu gosto, caminham contra a corrente. Roque é assim, sempre foi. Ele se preparou para ser treinador, fez muitos cursos e ainda não dirigiu um grande clube. Assumiu o Ituano há duas rodadas e mostrou serviço, com um empate contra o São Paulo e uma goleada sobre o Linense. Está no bom caminho.


Torcedor do São Paulo não deve se iludir. Não há novos menudos
Comentários Comente

menon

Em 11 de abril de 1985, o São Paulo empatou por 2 a 2 com o Grêmio no Pacaembu. Apesar do resultado, o time saiu aplaudido de campo. Os torcedores se levantaram e aplaudiram…a esperança. Sim, aquele era o time dos Menudos, com jovens recém chegados ao time profissional. O time de Silas, Muller, Sidnei e Vizolli, que saiu perdendo por 2 a 0 já com 15 minutos de jogo e empatou aos 35 minutos do segundo tempo. O Grêmio tinha Renato Gaúcho, Caio Jr, Bonamigo e Alejandro Sabella, que se tornaram treinadores. Tinha ainda Tarciso, Valdo, Casemiro e Baideck, que foram brecados pelos garotos tricolores.

Garotos? Nem tanto. Os quatro – Bernardo chegaria no ano seguinte – tinham uma sólida base a lhes dar respaldo. O São Paulo dos Menudos era também o São Paulo de Oscar, Dario Pereira, Pita e Careca.

Por isso, acho arriscado vender-se a tese de que a atual geração da base tricolor – a turma de 96 – possa a ser o que os Menudos foram. Possam ter o mesmo sucesso.

Alem da base vencedora, de jogadores experientes, não se pode comparar o talento dos jovens de hoje com Muller. Apenas para comparar, Muller foi mais jogador que Kaká. Silas também era ótimo. Não é à toa que, no ano seguinte, estavam na Copa do Mundo.

Comparações são difíceis, há uma tendência a achar tudo o que passou melhor, mas ninguém há de duvidar que Muller teve um parceiro que David Neres não terá nem se for convocado por Tite para a seleção. Careca é excepcional, foi um dos maiores centroavantes da historia do futebol brasileiro. Técnico e letal.

Está o São Paulo errado, então, em contratar Junior Tavares, Shaylon e Gabriel Rodrigues? Em fazer novo vínculo com Foguete? Em dar respeito e moral a Tormena, Lucas Kal, Araruna, Pedro e Artur?

Não, absolutamente não. Está muito correto. Tem de usar todos, tem de testar muito. Basta ver o Santos. Basta ver o próprio São Paulo, de Jean e Hernanes. Se Neres não será um novo Muller, Araruna tem toda pinta de ser um novo Jean.

O erro é criar-se a falácia de que um time de garotos fará sucesso. Será como os Menudos. Não serão porque não há ninguém como Muller. Talvez Lucas Fernandes e Shaylon cheguem a ser um Silas. E estão chegando, sejamos claros, a um time muito ruim.

Os garotos são ótimos, mas acreditar que são a salvação serve apenas para atrapalhar a carreira deles. E a aliviar a diretoria de seus afazeres. Afinal, Leco não falou em reforços do nível Pratto e Fred?


< Anterior | Voltar à página inicial | Próximo>