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Dorival: “Falta um ponto e em 2018, vamos lutar por títulos”
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Menon

O blog entrevistou Dorival Jr. Foi muito agradável, é uma pessoa de bem e que falou sobre tudo o que foi perguntado. Só não deu o nome dos novos contratados, mas se fosse ele, eu também não daria.

Como vai ser o São Paulo de 2018?

Ah,  não vamos falar do ano que vem, não. Estamos trabalhando duro ainda em 2017 para salvar o São Paulo.

Mas, já salvou, né?

Nada disso, ainda precisamos de um ponto.

Ah, que exagero. O São Paulo tem 45. Ponte e Vitória têm 39 e se enfrentam…

Então, quem ganhar esse jogo ainda vai estar na briga

Tudo bem, mas o que se pode esperar do São Paulo no ano que vem?

Vamos brigar por títulos. Pode ter certeza disso.

Você vai ter o privilégio de montar o elenco, já a partir da base que se formou esse ano. Vai pedir muitas contratações? Dez?

Imagina, de jeito nenhum. Queremos contratações pontuais para que o time melhore. Queremos contratações do tipo Hernanes, de alto nível, para resolver. E vamos aproveitar a base. É um privilégio montar o elenco, mas vamos ter só 14 dias de treinamento antes de o campeonato começar. Não vai ser fácil.

Tem algum jogador da base que te deixa entusiasmado?

Tem o Anthony, do sub-17. É muito bom. E tem o companheiro dele, o Helinho. É sacanagem o que estes meninos jogam.

Tem outros da base?

Sim, mas não vou falar agora. Vou começar a temporada com alguns e depois da Copa São Paulo vou puxar mais dois.

E o Brenner?

Esse é questão de tempo, joga muito. É bom centralizado e também pelos lados.

Quando eu vejo o Brenner, eu penso no Ademílson, que fazia muitos gols na base, mas, que, quando chegou no profissional, sofreu muito porque a força física já não adiantava muito.

É verdade. O jogador da base precisa ser apoiado quando chega no time de cima. Pode estar pronto como o Zeca e o Lucas Veríssimo, que lancei no Santos. Por isso, é importante o sub-23. O Veríssimo eu tirei de lá. Veja o caso do Lucas Fernandes. Ele entrou, saiu, entrou e saiu. Quando entrar de novo, acho que vai render de forma contínua.

Já que você não quer falar de nomes de reforços, vamos falar dos emprestados. O que acha do Breno?

Gostaria de contar com ele. O São Paulo tem preferência para a volta.

Hudson?

Aí, é o contrário. A preferência é do Cruzeiro, então nem vou analisar.

O Artur, que está na MSL?

Não conheço bem, preciso analisar.

Iago Maidana?

Gosto dele, é bom jogador.

E o Kaká, se viesse para o São Paulo seria como o Lugano, que todos dizem ser um bom exemplo fora do campo, mas que não joga?

O Kaká tem muita condição de jogar ainda. Muito bom. Quanto ao Lugano, eu quero dar um testemunho. É um jogador de muito caráter. Ele é um exemplo. Não é escalado, mas treina com uma intensidade imensa. Outro, no lugar dele, poderia relaxar. Ele, não. Faz de tudo pelo grupo. Ele estava machucado e mesmo assim, viajava com a gente. Ninguém pode se queixar dele. É exemplar.

Crédito: RONALDO SCHEMIDT / AFP

E o Jean, goleiro do Bahia?

A diretoria trouxe o nome dele até mim e eu aprovei. Tem muitas qualidades.

E o Lucas Perri?

Tem grande futuro, é dois anos mais jovem que o Jean e vai subir um degrau no ano que vem.

Você falou em contratações pontuais que chegam para resolver. Eu vejo alguns problemas no time e gostaria de perguntar sobre eles. Contra o Vasco, o São Paulo fez um gol e recuou. Tudo normal, mas não tinha contra-ataque algum.

Nosso time não tem contra-ataque. Nosso time, até pelas características dos jogadores, aposta em muitos passes no meio, estamos trocando uns 700 por jogo. A saída de bola é qualificada, desde a zaga, com o Rodrigo Caio. Então, não tem contra-ataque, não tem a bola esticada, ela é conduzida. Poderia ter com o Wellington Nen, mas ele se contundiu. Para o ano que vem, teremos essa opção.

Será alternativo, como você diz. Mas como contratar um jogador bom para ser alternativo?

O jogador pode puxar o contra-ataque e também fazer outras funções. No Santos, era assim, como Geuvânio e o Marquinhos Gabriel. Aqui, até poderia ter com o Marcos Guilherme, mas ele tem muita condição defensiva, não dá para fazer os dois. Você perguntou de nomes, eu quero dizer que o Morato vai ficar. Ele renovou o contrato e terá pelo menos seis meses para mostrar futebol. Foi o tempo que ele ficou parado.

O fato de o time chegar no ataque através de muitos passes atrapalha o Lucas Pratto?

Não. A função dele é jogar de bico a bico da área adversária. Está sempre perto do gol. Quero explicar também que, além de trocarmos muitos passes, não temos muitas jogadas de fundo, com os laterais. O Militão e o Edimar não são para avançar, principalmente o Militão, que é um grande marcador. O Júnior Tavares apoia bem, tem grande potencial, mas o Edimar me dá mais segurança atrás.

Na ausência do Cueva, você usou o Shaylon, Lucas Fernandes, Maicosuel e Júnior Tavares. Isso mostra a importância dele, não?

O Cueva é muito bom. Eu o aproximei do Hernanes e o time rendeu bastante. Tem gente que chama o Hernanes de volante, ele é meia. O Cueva fez umas partidas na ponta, aberto, mas foi por conta dele, eu não pedi. Eu deveria ter fixado um jogador só na sua ausência, mas achei que um jogo era diferente do outro e resolvi variar.

Por que você demorou para fixar o Jucilei?

Porque ele não estava conseguindo jogar como nos tempos do Corinthians, quando roubava a bola e se aproximava da área adversária. Eu chamei para conversar e disse que, se não tivesse intensidade, não jogaria. Foi o mesmo que falei para o Vecchio, no Santos.

Quando você assumiu o São Paulo, você fez uma previsão melhor ou pior do que aconteceu com o time?

Não fiz previsão. Como você vai fazer previsão em um campeonato em que o último colocado ganhou duas seguidas e voltou a sonhar? Aqui não é o campeonato espanhol, é difícil prever alguma coisa. O que eu previ para o Vinícius Pinotti é que o time começaria a melhorar no segundo turno porque haveria mais tempo para trabalhar. Antes, haveria oscilações. A gente surpreendeu o Botafogo fora de casa e foi surpreendido pelo Coritiba no Morumbi.

Como foi o trabalho para reerguer o time?

Foi muito duro. A situação na tabela era ruim, não tinha tempo para treinar e a pressão era grande. Mudamos algumas coisas. Utilizamos bastante a psicóloga, Drª Anahy, aumentamos um dia de concentração, trouxemos os familiares para cá, mudamos a alimentação. Fizemos de tudo. Todo mundo ajudou. O Lugano foi muito importante.

O que mudou na alimentação?

(Juca Pacheco, assessor de imprensa, é quem explica). Nós passamos a jantar no estádio, após os jogos. No Pacaembu, no último jogo, tinha um buffet enorme para os jogadores. No Dia dos Pais, os jogadores receberam pais e filhos. Foi bacana. Ajudou.

Dorival, o que você acha da religiosidade dos jogadores, recebendo pastores na concentração?

Falaram que eu abri o Santos para os pastores. Não foi nada disso. Deixei entrar um amigo deles para tocar um violão. O treinador tem muito trabalho, rapaz, não dá tempo para ficar vendo se o jogador usa brinco, se reza ou não reza. Um dos problemas do futebol é que tem muita fofoca. Se a gente ganhar um jogo e for tomar pinga no bar, a torcida vê e diz que é água. Se a gente perder e for beber água, vão dizer que é pinga.


Barca tricolor tem time completo e mais o banco
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Menon

Uma enorme barca, mais para transatlântico, partirá do Morumbi no início do ano. Muitos jogadores deixarão o clube.  O pensamento da diretoria é contratar alguns nomes de peso e completar o elenco com a ascensão de jogadores da base. Mas, tudo depende de qual divisão o São Paulo disputará em 2018.  Se estiver na A, o investimento é maior. A relação dos que saem ou devem sair é a seguinte.

Denis – O contrato termina no final do ano e ele não fica. Teve todas as chances para ser titular e não se firmou.

Renan Ribeiro – Se Denis não se firmou como sucessor de Ceni, Renan não se firmou como sucessor de Denis.

O São Paulo procura um goleiro que traga confiança ao time. O nome mais cotado é o de Weverton, do Furacão. Valter, do Corinthians, também é uma possibilidade. Sidão, Lucas Perri e mais um goleiro da base serão os outros nomes para 2018. Sidão, que tem melhorado nos últimos jogos, ainda não é unanimidade.

Buffarini – Ele tem mercado na América do Sul e já foi citado como reforço de Boca e San Lorenzo.

Bruno – Tem contrato longo, mas pode ser envolvido em negociações. Nunca se firmou.

Lugano – Contrato termina no final do ano. Ele vai continuar a carreira em outro clube, em outro país. Quer jogar por mais dois anos.

Rodrigo Caio – O São Paulo acende velas diariamente para receber uma oferta em torno de 15 milhões de euros.

Aderllan – Veio da Europa e não é levado em consideração. Um mistério. Um novo Douglas?

Breno, que está fazendo um bom (apenas bom) trabalho no Vasco, pode voltar. Militão pode assumir a zaga.

Edimar – Contrato termina no final do ano.

Junior Tavares – Pode sair para o futebol holandês. No clube, é considerado um jogador para explodir em 2018.

Jucilei – Os chineses pedem 8 milhões de dólares e o São Paulo tenta negociar um preço menor.

Cícero – Já saiu. Não participa mais do elenco e fica apenas até o final do ano.

Thomaz – O São Paulo busca um clube para ele.

Wellington Nem – Sofreu várias contusões e não ficará.

Denílson – Contrato até o final do ano, apenas.

Marcinho – Começou bem, caiu e não fica.

As categorias de base do São Paulo têm cinco jogadores de bom nível para a função de atacante pelo lado do campo: Paulinho Boia, Paulinho, Marquinhos Cipriano, Murilo e Caíque. Tem idade entre 18 e 20 anos. Alguns, ou pelo menos um, será levado em conta para substituir Nem, Denílson e Marcinho.

Gilberto – O artilheiro do time disse que deseja sair, para ser titular. No São Paulo, Pratto é indiscutível.

Brenner, de 17 anos, é uma opção. Mas algum reforço deve vir.

Cueva – Se o São Paulo receber uma boa oferta, não pedirá uma ótima oferta.

O trabalho vai ser duro e há um consenso de que a equipe, como em 2017, não pode ser montado durante o Brasileiro.


Muricy? São Paulo precisa de goleiro e lateral
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A situação está ruim? Chama o Marco Aurélio Cunha.

A situação está ruim? Atende a torcida e contrata o Lugano.

A situação continua ruim? Renova o contrato do Lugano.

A situação piorou? Coloca o Lugano para conversar com os torcedores.

A situação está ruim? Coloca o Rogério Ceni de treinador.

A situação está ruim? Demite o Rogério Ceni e espalha que ele deixou uma herança maldita em sua passagem.

A situação está ruim? Coloca o Raí no Conselho de Administração.

A situação está ruim com o Dorival? Chama o Muricy para dar uma palestra.

Assim caminha a administração do presidente Leco. Fazemos o que o cliente deseja. Agradamos a torcida. E assim podemos dizer, sem corar, que não temos responsabilidade alguma sobre o que está acontecendo.

Me inclua fora dessa. O problema são os outros

O que Muricy poderá fazer para ajudar o São Paulo? Desfilar sua “sãopaulinidade”, termo criado pelos dirigentes e que eu não faço ideia do que seja. Espero que não aquela visão eugenista do antigo presidente, que admirava Kaká por ter todos os dentes na boca?

Muricy vai dizer que o São Paulo é um boeing. Que é preciso respeitar o clube. Que é preciso dar mais que 100%. Que aqui é trabalho. Porra? O que mais ele pode fazer?

O que deveria ter sido feito há tempos e que não pode mais ser feito?

Como saber o óbvio, por exemplo.

Que um time que tem Sidão, Renan Ribeiro e Denis não tem um goleiro confiável? É tão claro, tão evidente. Marco Aurélio Cunha, Rogério Ceni, Leco, Jacobson, Medici e Pinotti não perceberam isso? Quem errou? Quem não corrigiu? Um time pode até ser campeão com um goleiro assim, médio no máximo, mas esse time, não. Um goleiro fraco pode ser o único problema do time, mas não pode ser um problema a mais. Porque, então, tudo aumenta de proporção.

Que o time tem laterais fracos. Buffarini, Bruno, Junior Tavares e Edimar têm problemas. Problemas identificados há tempos, exceto os de Tavares, que apareceram com nitidez com o correr do campeonato. E dava tempo de corrigir. Dava tempo. E nada foi feito.

Que o São Paulo sucumbe à cabeçadas de Léo Gamalho? Onde está o erro? No cruzamento? Na zaga?

Que o reserva imediato de Petros é Militão, que precisa jogar na lateral porque não tem lateral? Que a outra opção é Araruna, que também precisou jogar na lateral?

Que Denílson, Thomaz e Marcinho são opções frágeis.

Faltam 15 rodadas.

Sobram problemas graves.

Muricy não vai resolver nada.

Ele é apenas um factoide desesperado.

O próximo, se nada mudar, será a demissão de Dorival Jr.

Ela será realidade se a situação não der mostras de melhora nas próximas cinco rodadas. Virá, então, um novo treinador para dar uma chacoalhada no time. Um choque de emoção. O choque de gestão não virá.


São Paulo está brincando de roleta russa
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Menon

Galveston, de Nic Pizzolatto (roteirista da série True Detective), é um livro para virar filme, com seus diálogos curtos e sua história intensa. Já virou, aliás. Estreia no ano que vem. Roy Cady, um assassino de aluguel, é traído por seu chefe e consegue escapar de uma tocaia. Foge e leva consigo uma prostituta de 18 anos, Rocky Acenaux, em uma louca viagem até Galveston, no Texas. No caminho, mortes, assassinatos, bares e bebida. É uma viagem rumo à morte, pois na primeira página do livro, Cady é diagnosticado com câncer no pulmão. Flocos de neve no pulmão. E sua reação é fumar um cigarro. E beber um uísque.

Diagnosticados com câncer que fumam charutos.

Diabéticos que mergulham em um balde de milk shake.

Alcoólatras que saem da reunião do AA e tomam uma cervejinha para relaxar.

Viciados em droga que dão um tapinha de leve porque maconha, está provado, não faz mal.

Malucos por velocidade, tirando rachas nas ruas das metrópoles.

E tem o São Paulo, que está caindo para a segunda divisão. Sabe qual é o motivo principal e não consegue fazer nada para mudar de vida. Como Roy Cady foge para Galveston, o São Paulo corre para Lucas do Rio Verde e Varginha. E o piloto de sua insana viagem rumo ao vexame tem nome: Julio Alberto Buffarini.

Dorival Jr. sabe que o problema está ali. Ele se aproveitou disso quando era treinador do Santos e viu Victor Ferraz dar um drible humilhante em Buffarini. Ele já era técnico do São Paulo e viu Jean Motta dar um drible humilhante em Buffarini. Os dois lances se transformaram em gols.

Dorival Jr. viu Rildo, do Coritiba, dominar Bruno e sofrer um pênalti “insofrível”. Dorival Jr. viu Araruna falhar nos dois gols do Bahia. E viu agora, o Palmeiras marcar quatro gols pela direita de sua defesa. Um deles, nascido de um erro ridículo de Edimar, lá na outra lateral. Buffarini estava em campo. Como estava no Paulista, no gol de cobertura de Dudu, quando perdeu uma bola dominada.

O time do São Paulo é ruim. Tem muitos defeitos, mas melhoraria muito se houvesse uma solução para o problema. E qual é a solução?

A primeira e mais fácil opção é trocar o jogador, como Dorival fez ao colocar Edimar em lugar de Tavares. Melhorou, apesar do erro contra o Palmeiras. Também trocou Renan  Ribeiro por Sidão. No caso da lateral, trocar parece uma solução que não se sustenta, pois Bruno é fraco e Araruna não entusiasma ninguém.

A segunda opção é improvisar. O melhor nome, apesar de tudo, era Wesley, que foi para o Sport. Poderia ser Petros. Ou então, jogar com um zagueiro na lateral, algo comum em outros países. Um marcador, apenas. Não precisa apoiar. Um homem que tampe o buraco. Rodrigo Caio jogou uma vez assim e tomou um baile do Neymar. Mas Neymar é Neymar e Rodrigo Caio é Rodrigo Caio. Podia ser Arboleda…

A terceira opção é melhorar a cobertura e a proteção a quem joga. Questão de treinamento, mas isso Dorival deve fazer todo dia. E não está dando certo. Poderia colocar um meia para ajudar o lateral. Gómez pode ser o cara, mas, com sua entrada, o time perderia na armação.

A quarta opção é buscar na base, mas, quem? Foguete disputou o estadual de Goiás pelo Vila Nova, que não ficou com ele para o Brasileiro da Série B.

A outra opção é Dorival ir trabalhar no dia da folga. Juntar-se com Lucas Silvestre, com o pessoal do departamento de análise e estatística, com Vinícius Pinotti, com alguém da Nasa e fazer uma busca detalhada por um novo lateral. Listar todos que não fizeram ainda sete jogos, buscar na segunda divisão, na terceira divisão, na Série XYZW e achar alguém. Não precisa ser craque, não precisa ter futuro brilhante, nada. Basta saber marcar, diminuir espaços, dividir, dar um carrinho, não levar drible humilhante e não fazer pênalti imbecil.

Enquanto não fizer alguma coisa, Dorival e o São Paulo estarão se comportando como malucos de pedra que curtem a adrenalina de uma roleta russa. No caso do Tricolor, há no mínimo três balas na agulha.


Clube grande cai, sim. Está caindo
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Menon

Time grande não cai.

Os são-paulinos (tomo a parte pelo todo, uma grande parte, diga-se) gritaram exaustivamente a frase, em 2013 e 2015. Havia uma outra frase, de mesmo sentido. Time grande cai, mas time gigante não cai.

São frases divertidas, uma gozação bem feita contra os rivais Palmeiras e Corinthians. Mas são também frases a mostrar o último suspiro da tal soberania, varrida dos campos há uma década, com aquele coito interrompido que foi a vitória contra o Tigre, na sul-americana de 2012.

Gritar que não cai é o que restou a quem gritava é campeão com a mesma assiduidade que um ano substitui outro. Ou, lembrando um pouco mais longe, como um semestre substitui outro.

Não ganhamos, mas não caímos. Somos grandes e os outros são pequenos. Somos gigantes e os outros, vá lá…são apenas grandes. Somos soberanos e tudo é uma questão de tempo, pois daqui não cairemos.

Está caindo o São Paulo. Os avisos foram gritados, os sinais foram escancarados, mas a gerontocracia de ideias que dirige o clube há décadas, não viu e não ouviu. Preferiu a briga intestina (nos dois sentidos) à busca de uma solução, que poderia passar pela unidade. Talvez não ajudasse, porque as ideias do outro lado…ah, quais são, mesmo?

Quem gritava que time grande não cai, sabia que estava dizendo uma sandice. Palmeiras, Corinthians, Inter e tantos outros grandes representantes do futebol brasileiro caíram.

E, se clube grande não cai, time médio cai. Deitado em devaneios soberanísticos, a diretoria do São Paulo esqueceu que não há justiça no futebol. Um elenco melhor do que alguns outros, pode cair, sim. Não é o investimento que decide, não é uma análise crítica dos jogadores contratados. É o campo que resolve.

O São Paulo tem aproveitamento de 77,8% quando falamos de seu enfrentamento com Vitória, Avaí e Atlético-GO, seus companheiros de infortúnio. Não é suficiente. Precisa vencer os outros também. E, sempre é bom lembrar, o tal aproveitamento gigantesco foi construído no Morumbi.

A diretoria do São Paulo não pode se apegar a um clichê moribundo: “o São Paulo não merece estar nesse lugar”; Por que não? Pelo passado glorioso? Já vimos que não conta, que outros gigantes de foram.

Pelo futebol apresentado? Também não, apesar de não ter sofrido nenhuma goleada, nenhum vexame. Tivesse ocorrido, talvez o tal aviso tivesse sido ouvido.

Pelo elenco que o time tem?

Vamos conversar sobre isso. O elenco tem problemas graves. Não vou comparar com outros, não vou fazer uma análise posição por posição, mas o elenco do São Paulo tem carências enormes. E elas permitem que outros clubes, talvez mais fracos o ultrapassem.

Bruno e Buffarini, por exemplo. Um, é pior na defesa. Outro, é pior no ataque. Os dois são ruins no conjunto. As entidades Brunarini ou Buffaruno são assustadoras. O que defende melhor, levou dois dribles humilhantes na Vila. O que ataca melhor, não acerta cruzamentos.

Júnior Tavares. Esqueça a louvação a Cotia. Nem de lá, ele veio. Junior veio do Grêmio com a fama de indisciplinado, bom no ataque e ruim na defesa. A primeira, com dedicação aos treinamentos, ele afugentou. Nada de indisciplina. A segunda, confirmou-se em parte. Ele é um desafogo na esquerda. E é um tormento na defesa. Em um time equilibrado, ele teria sua função e poderia render muito. Em um time cheio de problemas, só os erros aparecem e de forma exponencial. Foi um erro deixar tudo nas costas de um garoto. Participou de praticamente todas as partidas do ano. E seu reserva, Edimar, só o departamento de análise e desempenho garante. É um jogador a ser burilado e não uma solução.

Rodrigo Caio é um bom zagueiro, apesar do pouco físico. Não é bom como outros que fizeram sucesso há dez anos. Miranda, Lugano, Fabão, André Dias, Rodrigo e Breno foram melhores. Fabão, sim. Pense um pouco e veja quem errou mais. Novamente, é a questão do momento. Se Rodrigo Caio estivesse lá, naquele tempo….Não está.

Pela fama que tem, Rodrigo Caio deveria ser a individualidade capaz de carregar o time nas costas. Como Roberto Dias fez há 50 anos. O mesmo vale para Pratto. Um grande jogador em um time fraco e desequilibrado, não deveria ser a salvação? Não tem sido. Cueva é o mesmo caso, apesar de haver melhorado um pouco.

Não é o caso de Jucilei, que tem rendido muito bem, mas que, pela posição em que joga não está ali para resolver. Como parece ser, não nos precipitemos, o caso de Arboleda.

Jogadores que deveriam decidir e não decidem. Jogadores fracos. Jogadores com uma responsabilidade técnica acima de suas forças. E o que mais?

Uma incógnita como Gómez, que foi bem na Colômbia, mas que fez dois jogos sem nenhum protagonismo.

Jogadores médios, que poderiam render em times bem organizados, como é o caso de Marcinho. E de Petros, que fala muito bem, que tem personalidade, mas que joga menos que Thiago Gomes. E Wellington Nem, que perdeu a velocidade em algum lugar do passado.

Jogadores jovens, como Lucas Fernandes, Brenner e Shaylon, a quem não pode ser dada a missão de salvamento. A eles, deveria ter sido dadas oportunidades de jogar. Mas, preferiram, por exemplo, Denílson.

E é um time assustado. Quando faz um gol, não resiste ao assédio, como qualquer adolescente esperando o primeiro beijo. Quando sofre um gol, se desmancha, como picolé ao sol.

É um time caindo. Está cumprindo os avisos que estão sendo dados há muito tempo. E que os ouvidos soberanos apenas ouviram. Mandaram a mensagem para o cérebro soberano. E que o cérebro soberano respondeu através da boca soberana. “Time grande não cai”. Cai, sim.


São Paulo fechou a casinha. E perdeu a chave
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Menon

O desempenho defensivo do São Paulo no Brasileiro é digno de elogios. O time que, no início do ano, sofria dois gols por jogo, levou apenas cinco em sete partidas. Passou quatro dos sete embates em branco, sem ser vazado. E os números seriam ainda melhores, não fosse a partida contra o Corinthians, totalmente fora da curva. Um 3 a 2 que não combina com a efetividade defensiva do time de Ceni.

E, infelizmente, para os tricolores, não combina também com o poderio (?) ofensivo.

Sim, ao mudar seu estilo (suas idéias, também?), Ceni não conseguiu manter a força do ataque. Ou, pelo menos, parte dela. O antigo (há poucos meses) ataque do São Paulo se resume agora a oito gols marcados em sete jogos. É uma mudança muito radical. O time, que chegou a ter um placar médio de 3 x 2 por jogo, hoje tem 1,14 a 0,7.

A mesma palavra explica a intenção de Ceni e a dificuldade para que se encontre um time equilibrado. Transição. A mudança de um time ofensivo e desequilibrado para outro, pragmático e eficiente, deu errado por causa da…transição. Falo da transição da defesa para o ataque.

Ela piorou muito quando Cueva se machucou, em um jogo do Peru. Talvez a recuperação tenha sido precipitada, não sei, mas a verdade é que o peruano perdeu ousadia, velocidade e eficiência.

E quem poderia substituir Cueva? Maicosuel, que jogou apenas 45 minutos? Shaylon, que Ceni ainda considera verde? Lucas Fernandes, que está voltando a ter chances agora? Thomaz?

E quais as outras opções? Pelos lados do campo? Luiz Araújo saiu. Wellington Nem se contundiu e está voltando agora. Morato só joga no ano que vem. Leo Natel jogou dez minutos. E Marcinho? Como os laterais estavam machucados ou atuando mal, Marcinho foi deslocado para a ala. Tem a liberdade para atacar, mas, contra o Corinthians, por exemplo, foi obrigado a ficar recuado no início do jogo porque Arana e Romero tomaram a iniciativa. E ele precisou apenas marcar. E ainda não tem todos os macetes da posição. Falhou no gol do próprio Romero e no gol de Lucca, da Ponte. Com ajuda prestimosa de Lucão. Sobra então Júnior Tavares, que está indo bem, mas não está indo muito bem;

Há uma terceira opção: os volantes. Dominar a bola em seu campo e levá-la ao campo rival. Juntar-se aos meias, buscar os atacantes, chutar de fora. Pode ser Thiago Mendes. Pode ser Cícero. Os dois chutam bem, mas o rendimento não tem sido tão bom a ponto de suprir as necessidades. Mendes rendeu mais que Cícero.

O que pode mudar?

Militão, que ainda dá os primeiros passos como profissional? Promissores passos, mas os primeiros.

 

Wesley, Buffarini, Bruno ou Araruna se firmarem na lateral e liberarem Marcinho para o ataque? Além disso, seria recomendável que melhorassem o nível de cruzamentos.

Pratto mais recuado e Gilberto na área?

Não são ideias novas. Ceni já tentou várias delas. Uma coisa ou outra pode dar certo, mas nada é algo que possa surpreender, que cause frisson, que traga expectativas. A melhor opção, sem dúvida, seria uma melhora de Cueva.

O primeiro grande desafio de Ceni foi trancar a defesa. Ele conseguiu, com méritos. Montou um cadeado. Agora, precisa achar a chave que possibilite um time mais aberto e que faça gols necessários para que o time consiga, por exemplo, 60 pontos no campeonato. Mais do que isso, é muito difícil.


Cotia rende muito dinheiro, poucos gols e nenhum título
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Menon

BoschiliaAtenção!!! Este post é um elogio à Cotia e um lamento em relação à estrutura do futebol brasileiro. Certo? Então, não cabem comentários do tipo “ah, por que você não fala do Corinthians e do Palmeiras, só sabe criticar o São Paulo”. Ou, bobagens do tipo: “Cotia só tem moleque criado com leite de pera, bom mesmo é o terrão”. Mesmo porque não existe mais terrão e a estrutura do Corinthians é boa.

Então, por que Cotia?

Porque o São Paulo teve competência e sorte para criar a geração 96/97, muito acima da média. Apenas como ilustração, fiz uma seleção baseada no esquema 4-1-2-3, para caber mais atacantes e também optei por jogadores que renderam dinheiro ao clube.

Fica assim: Lucas Perri, Auro, Lucão, Lyanco e Inácio; Gustavo Hebling, Lucas Fernandes e Boschilia; David Neres, Ewandro e Luiz Araújo. Ainda há Foguete, Junior Tavares, Shaylon, Gabriel, Banguelê, Artur, Queiróz, Joanderson, João Paulo e Araruna.

De toda essa turma, oito jogadores renderam muito dinheiro ao São Paulo.

David Neres – 12 milhões de euros. E o São Paulo continua com 20% dos direitos do jogador

Boschilia – 9 milhões de euros. São Paulo ficou com 6,3 milhões de euros.

Luiz Araújo – 10,5 milhões de euros. São Paulo ficou com 8,4 milhões de euros

Lyanco – 6 milhões de euros. E o clube pode receber mais 2 milhões de euros, dependendo do rendimento do jogador no Torino.

EwandroEwandro – 3 milhões de euros. São Paulo fica com 2,25 milhões de euros.

Inácio – 3 milhões de euros como parte do pagamento de Maicon

Artur foi emprestado para o Colubus Crews, dos EUA e Gabriel Rodrigues foi para o Ventforet Kofu, do Japão.

Araruna está no clube e vai ganhar espaço com Rogério Ceni. Está voltando de contusão.

Gustavo HeblingShaylon é ainda uma aposta, pode explodir no ano que vem.

Os outros citados foram para times menores e alcançaram pouco sucesso, exceção a Auro, que estava bem no América MG e se contundiu.

O São Paulo, então, arrecadou 37,95 milhões de euros. Quantia que pode aumentar ainda a partir de um bom rendimento de Lyanco (mais 2 milhões) e de uma futura venda de Neres. Se vender por 30 milhões, o São Paulo ganhará mais seis milhões.

Muito dinheiro, não é?

E gols? Foram 21, assim divididos: Luiz Araújo, 51 jogos e nove gols; Boschilia (44/5), Ewandro (22/4) David Neres (8/3)  e Lyanco (25/1).

Títulos? Nenhum, a não ser os muitos na categoria de base.

E qual foi o grande erro do São Paulo? Por que jogador rende dinheiro e não faz história no clube? A meu ver, o grande e único erro foi não renovar o contrato de Gustavo Hebling, volante de alto nível. Saiu de graça. Foi para o PSG, com contrato de cinco anos e está emprestado ao PEC Zwolle, da Holanda.

Se o São Paulo não errou, de quem é a culpa?

Da fragilidade do futebol brasileiro, que é um reflexo da fragilidade do Brasil. Nós exportamos jogador. E com o dinheiro recebido, pagamos contas. E contratamos veteranos.

É assim. E ponto. Fica muito pior quando as finanças do clube são assaltadas por um presidente. Fica muito pior quando a diretoria não consegue um patrocínio. E vive, primordialmente, com o dinheiro da televisão. Fica muito pior quando o buraco da dívida diminui pouco, apesar de tanto dinheiro. Com o câmbio de hoje, seriam 140 milhões de reais.

Sai muito jogador. Entra muito dinheiro. O buraco não diminui. E o que se pode esperar? Que a saída de Militão, que é 98, seja boa. Só pra lembrar que Augusto Galvan, também 98, rendeu 1 milhão de euros. E mais dois, se for bem no Real Madrid.

No fim, o que fica é jogador como Araruna. Joga bem, pode evoluir, mas não vai para a Europa. É um bom jogador que não custou nada. Como foi Jean.

O resto, a dívida come.

E a torcida fica esperando que seus futuros ídolos joguem bem em outros clubes. Ou, que joguem mal e possam voltar um dia. O mais lógico é que, daqui a dez anos, uma nova revelação seja vendida e o dinheiro gasto para o retorno de David Neres, já com com 30 anos.


São Paulo gasta ou é sofrência até dezembro
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Menon

Pablo e a sofrência vão embalar o Brasileiro do São Paulo

Horas antes do clássico do desespero entre Cruzeiro e São Paulo, o executivo Roberto Menin, do Banco Intermedium e da construtora disse que a torcida tricolor poderia ter uma grande notícia nos próximos dias. Patrocínio. Dinheiro. É o que pode fazer o São Paulo sair da lamaceira em que está.

Não que o elenco seja tão ruim como a torcida pinta. Inclusive, os resultados são muito abaixo do que o grupo de jogadores pode apresentar. Tanto em resultado como em organização. No jogo contra a Raposa, o São Paulo não foi pior. Teve até boas chances no primeiro tempo, mas quando sofreu um gol ridículo, com participação elétrica do gandula e sonolenta de Maicon, mas quando precisou reagir, não tem como: o elenco falha.

As contratações foram baratas e o pessoal da base não está confirmando o que se falava e esperava dele. Então, o que se vê é o seguinte:

Cueva é o único armador do time. Jogou aberto na esquerda, para puxar o contra-ataque. Mas o peruano não está bem fisicamente. Teve uma distensão muscular e voltou após 17 dias, o que é apressado. E quando ele não joga, o substituto é Thomas, um jogador sem currículo algum. Eu não acredito em contos de fadas: jogador de 30 anos que está jogando na Bolívia não é solução para nada. Resumindo: o time não tem como jogar com dois armadores porque Thomas, Shaylon e Lucas Fernandes não estão à altura. E o único bom está machucado.

No início do ano, Ceni contava com quatro atacantes rápidos pelo lado do campo: Neres, Nem, Luiz Araújo e Neílton. Neres foi para a Holanda, Nem para o Reffis, Neílton foi despedido e Luiz Araújo caiu muito. Fora contratados Morato, que fez um bom jogo e se contundiu, e Marcinho, que não vai resolver nada.

Junior Tavares caiu muito, inclusive no ataque, seu forte. João Schmidt está de saída. Bruno é bom no ataque e Buffarini é bom na defesa. Maicon não é o deus da zaga coisa nenhuma.

O São Paulo precisa de reforços. Ou vai ouvir Pablo o ano inteiro


Rogério corre contra o tempo e Corinthians busca corintianos
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Menon

A partir de 2 de abril, o São Paulo passará por muitas decisões, envolvendo Paulista, Sul-Americana e Copa do Brasil. Um resumo:

2/4 – Paulista, quartas de final, contra Linense ou Red Bull, provavelmente fora de casa

6/4 – Sul-Americana, primeira fase, contra Defensa y Justicia, fora de casa

9/4 – Paulista, quartas de final, contra Linense ou Red Bull, provavelmente em casa

13/4 – Copa do Brasil, quarta fase, contra o Cruzeiro, em casa

16/4 – Paulista, semifinal, caso tenha se classificado contra Linense ou Red Bull, contra adversário indefinido

20/4 – Copa do Brasil, quarta fase, contra o Cruzeiro, em Minas

23/4 – Paulista, semifinal, caso tenha se classificado

Ainda há a possibilidade de estar na final do Paulista, mas é algo muito longínquo para se projetar.

E como o São Paulo está para enfrentar a maratona decisiva, em três frentes?

1- O time não tem goleiro definido.
2- O time não tem uma zaga reserva definida.
3- O time não tem um lateral reserva para o lado esquerdo
4- O time não tem um reserva para Cueva

As soluções precisam ser tomadas rapidamente. E algo está sendo feito, necessário saber se haverá tempo.

1- Renan Ribeiro terá uma nova chance como titular. Se for bem em Ribeirão, estará dando um passo grande para se manter como dono da posição. Ele jogou apenas uma vez, mas nenhum dos outros dois – Sidão e Denis – fez algo melhor nas oportunidades que tiveram.

2- Lyanco será inscrito para a segunda fase do Paulista e assumirá a posição de “primeiro reserva”, atrás de Maicon e Rodrigo Caio. Ao contrário de Lugano, principalmente, e de Breno, pode ser escalado seguidamente.

3- Edimar, do Cruzeiro está sendo contratado. Não acho uma boa ideia. Foi trazido por Paulo Bento e perdeu todo espaço com Mano Menezes. Tem dificuldades na marcação e, se for para ter um jogador apenas para atuar quando Junior Tavares for brindado com um descanso, melhor apostar em Caíque.

4- O São Paulo tenta contratar Everton Ribeiro. Se render como nos tempos de Cruzeiro, pode ser titular ao lado do peruano. Se não vier, Ceni precisa apostar em Lucas Fernandes ou Shaylon

O São Paulo luta para consertar erros de montagem de elenco. Mateus Reis e Reinaldo seriam mais úteis que Lucão, que não foi utilizado uma vez sequer no campeonato. A contratação de Sidão não resolveu o problema do gol.

O que Rogério poderia fazer é mandar um time com muitos reservas para enfrentar o Defensa y Justicia, principalmente se o resultado do dia 2 não for bom. Será preciso jogar com o time titular dia 9, o que favoreceria a ideia de um time mais fraco na Argentina. Denis, Buffarini, Lucão, Douglas, Wellington, Neilton, Chavez, Araruna..

E, depois de tudo o que for feito, ainda é necessário que o time pare de tomar gols como se fosse um time secundário e não um gigante. Enfim, o São Paulo está como o aluno que deixou para estudar às vésperas do exame.

CORINTHIANS BUSCA CORINTIANOS para uma pequena reforma em seu elenco. Tenta mandar Guilherme para o Coritiba, como pagamento de Kazim. E pode pintar uma troca de Marlone por Clayton. Os que podem sair, são jogadores de bom nível técnico, mas, como poderíamos dizer, sem um alto nível de testosterona. Falta tesão. Não é o tipo de jogador que cai bem para a  torcida. Giovanni Augusto e Marquinhos Gabriel, também. O Corinthians também tem uma série intensa de decisões, mas ao contrário do São Paulo, tem um esquema tático implantado. Dá sono, faz poucos gols, mas dá resultados. Não se sabe até quando. Mas, está classificado no Paulista e pode usar os três próximos jogos para ajustes.

ROQUE JÚNIOR É UM dos jogadores mais inteligentes com quem convivi. Inteligente não significa diferenciado. Diferenciado é aquele tipo que usa bem a concordância verbal e nominal, repete uma série de platitudes e….não diz nada de diferente. Geralmente vira comentarista de televisão. Inteligente é quem tem ideias claras, que fogem dos clichês e, pelo menos a meu gosto, caminham contra a corrente. Roque é assim, sempre foi. Ele se preparou para ser treinador, fez muitos cursos e ainda não dirigiu um grande clube. Assumiu o Ituano há duas rodadas e mostrou serviço, com um empate contra o São Paulo e uma goleada sobre o Linense. Está no bom caminho.


Torcedor do São Paulo não deve se iludir. Não há novos menudos
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Menon

Em 11 de abril de 1985, o São Paulo empatou por 2 a 2 com o Grêmio no Pacaembu. Apesar do resultado, o time saiu aplaudido de campo. Os torcedores se levantaram e aplaudiram…a esperança. Sim, aquele era o time dos Menudos, com jovens recém chegados ao time profissional. O time de Silas, Muller, Sidnei e Vizolli, que saiu perdendo por 2 a 0 já com 15 minutos de jogo e empatou aos 35 minutos do segundo tempo. O Grêmio tinha Renato Gaúcho, Caio Jr, Bonamigo e Alejandro Sabella, que se tornaram treinadores. Tinha ainda Tarciso, Valdo, Casemiro e Baideck, que foram brecados pelos garotos tricolores.

Garotos? Nem tanto. Os quatro – Bernardo chegaria no ano seguinte – tinham uma sólida base a lhes dar respaldo. O São Paulo dos Menudos era também o São Paulo de Oscar, Dario Pereira, Pita e Careca.

Por isso, acho arriscado vender-se a tese de que a atual geração da base tricolor – a turma de 96 – possa a ser o que os Menudos foram. Possam ter o mesmo sucesso.

Alem da base vencedora, de jogadores experientes, não se pode comparar o talento dos jovens de hoje com Muller. Apenas para comparar, Muller foi mais jogador que Kaká. Silas também era ótimo. Não é à toa que, no ano seguinte, estavam na Copa do Mundo.

Comparações são difíceis, há uma tendência a achar tudo o que passou melhor, mas ninguém há de duvidar que Muller teve um parceiro que David Neres não terá nem se for convocado por Tite para a seleção. Careca é excepcional, foi um dos maiores centroavantes da historia do futebol brasileiro. Técnico e letal.

Está o São Paulo errado, então, em contratar Junior Tavares, Shaylon e Gabriel Rodrigues? Em fazer novo vínculo com Foguete? Em dar respeito e moral a Tormena, Lucas Kal, Araruna, Pedro e Artur?

Não, absolutamente não. Está muito correto. Tem de usar todos, tem de testar muito. Basta ver o Santos. Basta ver o próprio São Paulo, de Jean e Hernanes. Se Neres não será um novo Muller, Araruna tem toda pinta de ser um novo Jean.

O erro é criar-se a falácia de que um time de garotos fará sucesso. Será como os Menudos. Não serão porque não há ninguém como Muller. Talvez Lucas Fernandes e Shaylon cheguem a ser um Silas. E estão chegando, sejamos claros, a um time muito ruim.

Os garotos são ótimos, mas acreditar que são a salvação serve apenas para atrapalhar a carreira deles. E a aliviar a diretoria de seus afazeres. Afinal, Leco não falou em reforços do nível Pratto e Fred?


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