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Arquivo : kaká

Religiosidade extrema atrapalha o futebol brasileiro
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Gol. Não há soco no ar. Não há um grito de desabafo. Alguns correm para a câmera, um ou outro tira a camisa, mas quase todos se unem, ajoelham, formam uma rodinha e erguem o dedo para o céu. Longe dali, o goleiro se ajoelha e reza. No dia seguinte, no Instagram, há louvação a Deus. Não, não se trata de um campeonato entre seminários. É apenas um jogo, qualquer jogo, de qualquer time das categorias de base.

Não é só ali. Mas começa ali. O exemplo está no time titular. Fábio, ótimo goleiro do Cruzeiro, jura que não estuda o modo como os adversários cobram pênalti. Nada disso. Deus é quem decide para que lado ele deve pular. Vanderlei, do Santos, começa toda entrevista com um “Glória a Deus”. E artilheiros se recusam a citar toda sua expertise em fazer gols, como algo que foi trabalhado durante a vida ou pelo menos durante a semana. Não, foi a Deus que resolveu louvar naquele jogo.

Há três casos de treinadores, que eu me lembre. Doriva, campeão paulista pelo Ituano, foi entrevistado à beira do campo pelo repórter Abel Neto. E, em vez de falar da tática ou da técnica dos jogadores, recitou um salmo.

Há alguns anos, o Galo ganhou um jogo do Independiente, da Argentina. O Rojo tem um diabinho na camisa. E o treinador Procópio Cardoso disse que, como cristão, não perderia um jogo para o time que venera o Diabo. Jorginho, quando dirigiu o América, fez de tudo para tirar o diabinho do uniforme. E Taffarel chegou a dizer que o Brasil ganhou a Copa de 94, porque Deus estava ao seu lado quando o budista Roberto Baggio errou a última cobrança.

Não tenho nenhuma religião. Respeito todas. E o direito de a pessoa cultuar quem quiser: Deus, Javé, Jeová, Buda, Xangô… Mas, sinceramente, acredito que a religiosidade extrema atrapalha o futebol brasileiro. Atrapalha no topo e na base. A seleção no tempo de Lúcio e de Kaká sempre me deu a impressão de estar a serviço mais de uma crença do que do futebol brasileiro. Levir Culpi chegou a proibir a entrada de pastores na concentração do Galo. Difícil é entender o que eles estavam fazendo por lá.

E a base? É notório que jogador brasileiro tem uma capacidade técnica impressionante. Mas tem dificuldade de leitura de jogo, comparado com os argentinos, por exemplo. É algo que poderia ser aperfeiçoado desde os primeiros anos de contato com a bola. Não vejo isso acontecer. Garotos de sub-13 ou sub-11 devem ser adeptos da reza a plenos pulmões antes da entrada em campo. Na mais tenra idade.

A base deveria ser usada para a formação de cidadãos. Viram como D’Alessandro e o treinador Tata Martino se posicionaram a respeito da vergonhosa situação na Argentina, obrigada a ver a final da Libertadores na Espanha? Conscientes, bem articulados, lamentando o que se passou por lá.

Já viram um jogador brasileiro se posicionar sobre racismo no futebol? O que me lembro é de Daniel Alves comendo uma banana que lhe foi atirada. Mas já vi jogador negro tentando sair de campo por causa de racismo e jogador brasileiro, também negro, tentando dissuadi-lo.

Seria muito bom que a base ensinasse sobre o mundo que está lá fora aos jogadores. Que fossem preparados para a vida. Futebol, eles já sabem, tecnicamente falando. E rezar, pai e mãe ensinam.


Linda festa tricolor e grande injustiça com Richarlyson
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O São Paulo Futebol Clube teve uma atitude maravilhosa ao criar o Caminho da Fama, passarela com nome e foto de jogadores que fizeram parte da grande história do clube. Serve como resgaste do churrasco anual que o presidente Marcelo Portugal Gouvêa instalou há anos, com a presença de centenas de jogadores. Uma festa importante, que reúne os ídolos do clube e mostram a força do clube.

Foram escolhidos 99 nomes, com associados e conselheiros. Sem um olhar aprofundado, é possível dizer que há duas seleções melhores que a que nos representou na Copa da Rússia. Entre campeões mundiais, pela seleção brasileira, há Belletti, Bellini, Cafu, De Sordi, Denílson, Dino Sani, Edmilson, Gilmar Rinaldi, Gerson, Juninho, Junior, Jurandir, Kaká, Leonardo, Mauro Ramos de Oliveira, Ricardo Rocha, Oscar, Raí, Rogério Ceni, Ronaldão e Zetti.

Há gênios do futebol, como Falcão, Friedenreich, Zizinho, Sastre, Bauer, Pedro Rocha, Careca e Canhoteiro. E há deuses da raça, como Chicão, Pintado, Terto e Paraná, Lugano e Forlán. Grandes artilheiros como Serginho, França, Luís Fabiano e Gino

A lista é muito boa também por contemplar toda a história do clube, desde os anos 30 até o século 21, representado por Kaká.

E toda lista tem controvérsia. É normal.

Essa do São Paulo, também tem controvérsia. Getúlio, Gilbero Sorriso e Dodô não estão.

Tudo bem.

Mas a ausência de Richarlyson é totalmente injustificável. Ele foi tricampeão brasileiro seguido, no time de Muricy. Foram 244 jogos e 12 gols marcados. Jogou como volante, com uma dedicação incrível. E, quando o clube contratou Fábio Santos e Muricy o deslocou para a lateral-esquerda, ele foi convocado para a seleção. Se o critério é deus da raça, ele merece. Se o critério é o número de títulos, ele merece.

Apenas como comparação, a lista tem Vizolli, um volante supercomum, que surgiu junto com os Menudos Muller, Sidney e Pita. Tem 84 jogos pelo clube em sete anos. Uma média de 12 jogos por ano.

E Dinho? Doriva? Edcarlos? Bernardo? Adilson? Ronaldo Luis?

E Falcão, o grande craque brasileiro? Fez 15 jogos e um gol pelo clube.

O clube que acertou, por exemplo, em homenagear Danilo, mesmo ele, depois, tendo feito carreira no Corinthians, com o mesmo sucesso errou ao não colocar Richarlyson no lugar que merece.

Ao esquecer Richarlyson, os eleitores se comportaram como os torcedores organizados da Independente que sempre se recusaram a gritar o nome do jogado, mesmo sabendo de sua importância no time e na história do clube.

Ausência imperdoável em uma festa maravilhosa.


Mílton Cruz, invicto, vê Leco como culpado pela crise do São Paulo
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No domingo, dia 25, o líder Figueirense visitará o Criciúma, vice-lanterna do campeonato catarinense. Se não perder, o clube chegará a uma invencibilidade de 15 jogos, superando uma série de 2011. O time não perde desde 11 de novembro do ano passado, quando enfrentou o América-MG em casa e lutava para não cair para a série C. Além de liderar o Estadual, o Figueira promete muito trabalho ao Atlético-MG, a partir de quarta -feira, dia 28, pela terceira fase da Copa do Brasil. O nome do treinador é Mílton Cruz, mas pode chamar de Arsene Wènger, o francês que dirige o Arsenal desde 1996.

“É assim que eles estão me chamando. Já me ofereceram um contrato de três anos para continuar o trabalho. Vou assinar esses dias, é muito legal estar em um clube bem organizado e com um projeto a longo prazo”, conta Milton.

Ele assumiu com o Figueirense em penúltimo lugar na série B e levou o time à 12ª posição. Em seguida, recebeu a missão de diminuir a folha de pagamento e a média de idade. Missão dada, missão cumprida. O clube gastava R$ 1,5 milhão por mês e agora o orçamento é de R$ 700 mil.  A média de idade diminuiu de 31 para 24 anos. Ele indicou jogadores como André Luís, do Ipiranga de Erechim, artilheiro do campeonato. E trouxe também Denis, um velho conhecido dos tempos de São Paulo.

“Aceitou meu convite e está muito bem. Disse para ele que o Figueirense revelou goleiros bons como Thiago Volpi, Gatito e Muralha e que poderia ser um novo impulso na carreira dele. Abraçou nosso projeto, assinou por dois anos e está muito contente”, diz Milton.

Contente? Milton está muito mais do que contente. Repete várias vezes que está feliz, muito feliz. “A cidade é bonita, é perto de São Paulo, o time é muito organizado, o campo, os vestiários e o CT são de primeiro nível. E os investidores do clube sonham com o pé no chão. A ideia é subir esse ano para a A, se manter lá e alcançar o mesmo sucesso da Chapecoense. Uma coisa bem contínua, sem ficar caindo e subindo”.

Do São Paulo, onde ficou por 23 anos, Mílton Cruz tem boas lembranças e também mágoas. “Do time, não quero falar, não vou me intrometer no trabalho dos outros, até porque preciso cuidar do meu que toma muito tempo, mas, realmente foi triste sair”.

Mílton Cruz não acredita ter sido a vítima da guerra entre Leco e Abílio Diniz, seu amigo. Para ele, tudo vinha de antes. “É muito estranho homem ter ciúme de homem, mas é verdade. O Leco tinha ciúmes do Muricy e de mim também. Uma coisa inexplicável. Eles foram me colocando de lado, sem funções, até que me demitiram. Saí na boa, fiz um bom trabalho no Náutico e agora estou muito bem no Figueirense”.

Ciúme leva a comparações, que Milton acredita dominar, sem nenhuma dúvida. “Eu fiz história no São Paulo. Estive em todos os grandes títulos, de Mundial a Libertadores, nos Brasileiros. Revelei jogadores, como Kaká, Hernanes e Júlio Batista  e indiquei muita gente boa para o clube, como Miranda e Amoroso. Grandes presidentes como Juvenal Juvêncio e Marcelo Portugual Gouvêa, presidentes vencedores sempre me deram valor. Do Leco, só recebi ciúmes. E, se quiser comparar, me deixa de lado e compara o Leco com os outros presidentes, compara o São Paulo de agora com o de antes”

 


Kaká é top 20. Do São Paulo.
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Kaká é uma das maiores joias criadas no São Paulo. Formado na base, estreou ganhando um título que o clube não tinha (Torneio Rio-São Paulo), saiu logo por não suportar o comportamento imbecil da torcia que o culpava, juntamente com Luís Fabiano, pela falta de títulos Foi para o Milan, ganhou a Liga dos Campeões, foi eleito o melhor do mundo e jogou pela seleção, com dignidade.

E qual é seu lugar na história do clube?

Eu fiz duas listas. A primeira, baseada no que os jogadores fizeram no futebol.

A segunda, no que fizeram no São Paulo.

A primeira:

Friedenreich, o primeiro “maior jogador do Brasil”, nos anos 30

Leônidas, o maior jogador do Brasil nos anos 40, artilheiro da Copa de 38

Sastre, o grande craque argentino dos anos 40

Bauer, o Monstro do Maracanã, também revelado pelo São Paulo e integrante da seleção de 50

Zizinho, o maior jogador brasileiro dos anos 50, o ídolo de Pelé.

Didi, eleito o melhor jogador da Copa de 58.

Mauro Ramos de Oliveira, um dos mais técnicos zagueiros da história do futebol brasileiro, campeão do mundo em 1958.

Canhoteiro, chamado de “Garrincha canhoto” nos anos 50.

Dino Sani, volante com 110 gols marcados pelo clube. Jogou no Boca, na Itália e na seleção de 1958

Roberto Dias, zagueiro e volante, carregou o São Paulo nas costas no período de construção do Morumbi.

Pedro Rocha, o único uruguaio a disputar quatro Copas do Mundo.

Gérson, integrante da seleção brasileira de 1970.

Careca, integrante das seleções de 1986 e 1990.

Falcão, integrante da Copa de 82, o Rei Roma.

Toninho Cerezo, outro do quarteto mágico de 1982, com Falcão, Sócrates e Zico.

Raí, campeão mundial pelo São Paulo e pela seleção brasileira.

Muller, campeão mundial pelo São Paulo e pela seleção brasileira.

Rivaldo, ídolo no Palmeiras e no Barça, eleito o melhor do mundo em 1999.

Rogério Ceni, o maior goleiro artilheiro da história.

Kaká.

Esta é minha lista de 20, não está por ordem de preferência. Tentei manter uma linha do tempo. Não me fixei em muitos jogadores das décadas de 40 e 50, como Teixeirinha, Yeso Amalfi, Maurinho (jogou a copa de 54), Barrios, Renganeschi, Remo, Friaça. São lendas, grandes jogadores, mas não vi. Desse período, preferi ficar com os inquestionáveis.

E a lista dos jogadores, baseado no que fizeram pelo São Paulo?

Eu mantenho Friedenreich, Leônidas, Sastre, Bauer, Zizinho, Mauro Ramos, Roberto Dias, Dino, Canhoteiro, Pedro Rocha, Gérson, Careca, Cerezo, Raí, Muller e Rogério Ceni.

Tirei Didi, Falcão e Rivaldo.

E coloco Dario Pereyra, Lugano e estou em dúvida entre Leonardo, Toninho Guerreiro, Oscar e Serginho Chulapa.

Em uma ou outra, Kaká tem lugar, com as ressalvas que fiz sobre os anos 40. Pode estar entre os 20, 30 ou até 10, conforme o gosto de cada um e do que viu de futebol.

Um posto excelente, quando se lembra que estamos falando do São Paulo.

Um grande jogador, que deixará saudades.

 

 

 

 

 

 


Kaká foi ótimo nas quatro linhas e omisso fora delas
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Kaká foi um grande jogador. Triste usar o passado para um jogador que entrevistei quando se preparava para a Copa São Paulo de 2000. Aí, era todo futuro. Já era uma das grandes revelações do clube e estava na reserva, por conta de um prosaico acidente em um tobogã aquático nas férias anteriores. Por pouco não ficou paraplégico. Por isto, e só por isto, era reserva de Harison. Por isto, foi chamado para o banco do time principal. E por seu imenso talento, chegou resolvendo, com dois gols contra o Botafogo.

Fez uma carreira muito boa no São Paulo, com 48 gols em 131 jogos. Mesmo assim, não escapou da sanha imbecil de torcedores, que o chamavam, juntamente com Luís Fabiano, de pipoca. Uma bobagem sem fim. Se o time não ganhava, culpa deles não era. E nunca foram de afinar. Mesmo porque eram muito forte. Em 2002, o São Paulo, que havia dominado o Brasileiro, foi eliminado na primeira fase do mata-mata pelo Santos. No primeiro jogo, na Vila, foi 3 x 1 para o Santos, que sai na frente, com Alberto. No final do primeiro tempo, Kaká escapou pela esquerda e foi perseguido pelo tosco Paulo Almeida, jogado metido a valentão. Correram lado a lado por alguns metros, mas o jogo de corpo de Kaká, ombro no ombro, deixou Paulo Almeida para trás.

Foi uma jogada típica de “trequartista”, como falam na Itália. O jogador que atua no último quarto do campo. Recua, ganha ou recebe a bola e avança com ela. Um ponta de lança, como se dizia antigamente. Foi assim que Kaká se tornou o melhor do mundo. Com força, velocidade, domínio de bola e grande precisão na hora de definir. Terminou a carreira com 755 jogos e 240 gols. Um em cada três jogos. Muito bom. Na seleção, a média se manteve. Foram 31 gols em 95 jogos.

Com justiça, foi eleito o melhor do mundo em 2007. O último vencedor antes de os supercraques Messi e Cristiano Ronaldo tomarem conta do futebol mundial. Kaká pertence à categoria dos que estiveram bem, foram o melhor naquele ano, mas nunca houve a “era Kaká”, como houve Di Stefano, Pelé e Maradona. E agora, Crisitano e Messi. Ele “esteve” o melhor do mundo em uma temporada, não “foi” o melhor do mundo.

Kaká, dentro de campo, foi indiscutível.

Fora dele, é um dos que chamo de “falso brilhante”. O chamado jogador diferenciado, por se expressar bem, por falar com facilidade e por tratar bem a jornalistas. Mas o que ele tem de diferenciado, mesmo? Nunca se posicionou sobre nada. Já maduro, depois de tantos anos na Europa, voltou ao São Paulo em 2014. Vivia-se a época do Bom Senso, que buscava, acertando ou errando, soluções para o futebol brasileiro. E ele não se posicionou, não disse nada, não colaborou.

Na seleção, juntamento com Lúcio, foi o artífice de uma época de religiosidade extrema. Os jogadores passavam a impressão de que estavam em campo não para honrar o futebol brasileiro e sim para honrar o seu Deus. É uma opção ruim, não dá resultados.

Eu me lembro de apenas duas atitudes afirmativas de Kaká: quando decidiu deixar o São Paulo, após sofrer com agressões de imbecis e quando deixou a igreja do bispo Hernandes, quando o charlatão foi preso, nos EUA, por entrar no país com uma quantia de dolares proibida. Estava escondida dentro de uma Bíblia.

Agora, Kaká diz que vai estudar para ser dirigente. É um grande avanço, pois eu tinha certeza de que ele seria pastor. Tomara que dê certo, tomara que ele traga algo tão bom para o futebol quanto trouxe quando era jogador. Difícil acreditar, porque nunca se interessou pelo esporte fora das quatro linhas.


Dorival: “Falta um ponto e em 2018, vamos lutar por títulos”
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O blog entrevistou Dorival Jr. Foi muito agradável, é uma pessoa de bem e que falou sobre tudo o que foi perguntado. Só não deu o nome dos novos contratados, mas se fosse ele, eu também não daria.

Como vai ser o São Paulo de 2018?

Ah,  não vamos falar do ano que vem, não. Estamos trabalhando duro ainda em 2017 para salvar o São Paulo.

Mas, já salvou, né?

Nada disso, ainda precisamos de um ponto.

Ah, que exagero. O São Paulo tem 45. Ponte e Vitória têm 39 e se enfrentam…

Então, quem ganhar esse jogo ainda vai estar na briga

Tudo bem, mas o que se pode esperar do São Paulo no ano que vem?

Vamos brigar por títulos. Pode ter certeza disso.

Você vai ter o privilégio de montar o elenco, já a partir da base que se formou esse ano. Vai pedir muitas contratações? Dez?

Imagina, de jeito nenhum. Queremos contratações pontuais para que o time melhore. Queremos contratações do tipo Hernanes, de alto nível, para resolver. E vamos aproveitar a base. É um privilégio montar o elenco, mas vamos ter só 14 dias de treinamento antes de o campeonato começar. Não vai ser fácil.

Tem algum jogador da base que te deixa entusiasmado?

Tem o Anthony, do sub-17. É muito bom. E tem o companheiro dele, o Helinho. É sacanagem o que estes meninos jogam.

Tem outros da base?

Sim, mas não vou falar agora. Vou começar a temporada com alguns e depois da Copa São Paulo vou puxar mais dois.

E o Brenner?

Esse é questão de tempo, joga muito. É bom centralizado e também pelos lados.

Quando eu vejo o Brenner, eu penso no Ademílson, que fazia muitos gols na base, mas, que, quando chegou no profissional, sofreu muito porque a força física já não adiantava muito.

É verdade. O jogador da base precisa ser apoiado quando chega no time de cima. Pode estar pronto como o Zeca e o Lucas Veríssimo, que lancei no Santos. Por isso, é importante o sub-23. O Veríssimo eu tirei de lá. Veja o caso do Lucas Fernandes. Ele entrou, saiu, entrou e saiu. Quando entrar de novo, acho que vai render de forma contínua.

Já que você não quer falar de nomes de reforços, vamos falar dos emprestados. O que acha do Breno?

Gostaria de contar com ele. O São Paulo tem preferência para a volta.

Hudson?

Aí, é o contrário. A preferência é do Cruzeiro, então nem vou analisar.

O Artur, que está na MSL?

Não conheço bem, preciso analisar.

Iago Maidana?

Gosto dele, é bom jogador.

E o Kaká, se viesse para o São Paulo seria como o Lugano, que todos dizem ser um bom exemplo fora do campo, mas que não joga?

O Kaká tem muita condição de jogar ainda. Muito bom. Quanto ao Lugano, eu quero dar um testemunho. É um jogador de muito caráter. Ele é um exemplo. Não é escalado, mas treina com uma intensidade imensa. Outro, no lugar dele, poderia relaxar. Ele, não. Faz de tudo pelo grupo. Ele estava machucado e mesmo assim, viajava com a gente. Ninguém pode se queixar dele. É exemplar.

Crédito: RONALDO SCHEMIDT / AFP

E o Jean, goleiro do Bahia?

A diretoria trouxe o nome dele até mim e eu aprovei. Tem muitas qualidades.

E o Lucas Perri?

Tem grande futuro, é dois anos mais jovem que o Jean e vai subir um degrau no ano que vem.

Você falou em contratações pontuais que chegam para resolver. Eu vejo alguns problemas no time e gostaria de perguntar sobre eles. Contra o Vasco, o São Paulo fez um gol e recuou. Tudo normal, mas não tinha contra-ataque algum.

Nosso time não tem contra-ataque. Nosso time, até pelas características dos jogadores, aposta em muitos passes no meio, estamos trocando uns 700 por jogo. A saída de bola é qualificada, desde a zaga, com o Rodrigo Caio. Então, não tem contra-ataque, não tem a bola esticada, ela é conduzida. Poderia ter com o Wellington Nen, mas ele se contundiu. Para o ano que vem, teremos essa opção.

Será alternativo, como você diz. Mas como contratar um jogador bom para ser alternativo?

O jogador pode puxar o contra-ataque e também fazer outras funções. No Santos, era assim, como Geuvânio e o Marquinhos Gabriel. Aqui, até poderia ter com o Marcos Guilherme, mas ele tem muita condição defensiva, não dá para fazer os dois. Você perguntou de nomes, eu quero dizer que o Morato vai ficar. Ele renovou o contrato e terá pelo menos seis meses para mostrar futebol. Foi o tempo que ele ficou parado.

O fato de o time chegar no ataque através de muitos passes atrapalha o Lucas Pratto?

Não. A função dele é jogar de bico a bico da área adversária. Está sempre perto do gol. Quero explicar também que, além de trocarmos muitos passes, não temos muitas jogadas de fundo, com os laterais. O Militão e o Edimar não são para avançar, principalmente o Militão, que é um grande marcador. O Júnior Tavares apoia bem, tem grande potencial, mas o Edimar me dá mais segurança atrás.

Na ausência do Cueva, você usou o Shaylon, Lucas Fernandes, Maicosuel e Júnior Tavares. Isso mostra a importância dele, não?

O Cueva é muito bom. Eu o aproximei do Hernanes e o time rendeu bastante. Tem gente que chama o Hernanes de volante, ele é meia. O Cueva fez umas partidas na ponta, aberto, mas foi por conta dele, eu não pedi. Eu deveria ter fixado um jogador só na sua ausência, mas achei que um jogo era diferente do outro e resolvi variar.

Por que você demorou para fixar o Jucilei?

Porque ele não estava conseguindo jogar como nos tempos do Corinthians, quando roubava a bola e se aproximava da área adversária. Eu chamei para conversar e disse que, se não tivesse intensidade, não jogaria. Foi o mesmo que falei para o Vecchio, no Santos.

Quando você assumiu o São Paulo, você fez uma previsão melhor ou pior do que aconteceu com o time?

Não fiz previsão. Como você vai fazer previsão em um campeonato em que o último colocado ganhou duas seguidas e voltou a sonhar? Aqui não é o campeonato espanhol, é difícil prever alguma coisa. O que eu previ para o Vinícius Pinotti é que o time começaria a melhorar no segundo turno porque haveria mais tempo para trabalhar. Antes, haveria oscilações. A gente surpreendeu o Botafogo fora de casa e foi surpreendido pelo Coritiba no Morumbi.

Como foi o trabalho para reerguer o time?

Foi muito duro. A situação na tabela era ruim, não tinha tempo para treinar e a pressão era grande. Mudamos algumas coisas. Utilizamos bastante a psicóloga, Drª Anahy, aumentamos um dia de concentração, trouxemos os familiares para cá, mudamos a alimentação. Fizemos de tudo. Todo mundo ajudou. O Lugano foi muito importante.

O que mudou na alimentação?

(Juca Pacheco, assessor de imprensa, é quem explica). Nós passamos a jantar no estádio, após os jogos. No Pacaembu, no último jogo, tinha um buffet enorme para os jogadores. No Dia dos Pais, os jogadores receberam pais e filhos. Foi bacana. Ajudou.

Dorival, o que você acha da religiosidade dos jogadores, recebendo pastores na concentração?

Falaram que eu abri o Santos para os pastores. Não foi nada disso. Deixei entrar um amigo deles para tocar um violão. O treinador tem muito trabalho, rapaz, não dá tempo para ficar vendo se o jogador usa brinco, se reza ou não reza. Um dos problemas do futebol é que tem muita fofoca. Se a gente ganhar um jogo e for tomar pinga no bar, a torcida vê e diz que é água. Se a gente perder e for beber água, vão dizer que é pinga.


Diego, a estranha aposta de Tite
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É difícil contestar escolhas de Tite. Lembremo-nos (uma ênclise para homenagear o homem dos 3%) de Paulinho. Paulinho, que foi mal na Copa, que foi mal no Tottenham e que estava lá na China. Pois o Tite o convocou e Paulinho não só se tornou intocável na seleção, por mérito e não por afeto, como foi para o Barcelona, para desespero de Raktic.

Tite como eu (grande coisa) não é adepto do clichê “seleção é momento”. O treinador tem todo o direito de discordar de seus colegas de clube. Se ele acha que Fulano, que está na reserva de Beltrano, é bom, tem o direito de convocar. Seleção é outra coisa, tem tempo para treinar e o treinador pode impor seus conceitos e métodos de trabalho.

Por esse princípio, não se deve contestar a convocação de Diego. Tite o considera talentoso, maduro e como um jogador em que a camisa da seleção não pesa nada. E o convocou. Para provar que está certo, é necessário que Diego jogue muito mais do que está jogando há um bom tempo.

E, cá entre nós, Diego nunca foi um protagonista do futebol brasileiro. Surgiu em 2002, teve chances, mas nunca se ombreou a Kaká, por exemplo. Bem, Kaká foi o melhor do mundo, então falemos de Michel Bastos ou de William. Diego nunca teve, na seleção, um desempenho como o deles. E sua ausência nunca foi considerada uma injustiça.

Na volta ao Brasil, foi tratado pela torcida do Flamengo como o superastro que nunca foi. E nunca jogou à altura das enormes expectativas dos rubro-negros. Enorme e injustificada. Agora, passado um tempo, fica a pergunta: onde está o poder de finalização, onde está o passe vertical, onde está a quebra de linhas, e até, onde está a eficiência na cobrança de pênaltis.

Tomara que tudo isso apareça na seleção, sob as batutas de Tite.

Surpreende-me-mei. Uma mesóclise para homenagear o homem dos 3%.


Cueva, Chávez, Buffarini…São Paulo agora é cascudo
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Nos dois últimos anos, o São Paulo foi segundo e quarto colocado no Brasileiro. O time tinha astros como Rogério Ceni, buffariniAlexandre Pato, Luís Fabiano, Ganso, Alan Kardec e Kaká, por pouco tempo, apenas na primeira campanha. Jogadores de alto nível e de muito nome. Nomes que dão esperança à torcida ou que criam polêmica, como Pato.

Foram contratações que dominaram o debate futebolístico: o São Paulo deu o chapéu no Palmeiras, quem se deu melhor, Corinthians o São Paulo, Ganso ainda vai ser um craque, vale a penas trazer Kaká…. Antes, houve Lúcio… Nomes de peso, nomes midiáticos.

Agora, é diferente. Os jogadores que chegam não causam comoção. É mais comum ouvir será que é bom do que esse eu conheço, é ótimo. “Quando eu cheguei, ninguém me conhecia e deu tudo certo”, disse Maicon, que, de incógnita virou paixão. Douglas chega como interrogação. No youtube há um vídeo ironizando Chávez, comparando-o com Messi e Maradona. O vídeo mostra algumas jogadas confusas e muitas divididas, sempre pela esquerda. Mas é possível perceber também muita entrega.

Parece ser um jogador de personalidade, como Maicon e como Cueva, o pequenino peruano que tem toda pinta de não sentir jogo importante. Mostrou um poder de adaptação muito grande.

E personalidade não falta a Buffarini. O lateral do San Lorenzo é rápido, forte e tem uma entrega muito grande. Tem muito mais presença anímica do que efetividade nos cruzamentos.

Aos citados, há que se acrescentar Lugano, Hudson e Mena, também jogadores que fazem do suor uma poupança financeira. Dependem do esforço e não tem medo de assumir isso.

É um novo estilo: mais cascudo e mais barato. Não significa que dará certo. Mas é evidente que o São Paulo deixou de ser um time, digamos, banana. Um time que perdia jogos como quem perde o ônibus: calmo porque outro vem aí…


Cruyff, o craque total, sai de cena
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cruyffQuando li sobre a morte de Johan Cruyff, vencido por um câncer mais pegajoso que a marcação de Hans Hubert Berti Vogts na final da Copa de 1974, me lembrei de um texto do alemão Bertolt Brecht, apropriado aos dias de hoje;

“Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis.”

O futebol, como a vida é assim:

Tem os que são o melhor do mundo, por um ano. Kaká

Tem os que não ganham o prêmio de melhor do mundo, o que deixa o prêmio menor: Chaplin não ganhou o Oscar. Garrincha, outro genial vagabundo, também não.

Tem os que são os melhores do mudo por uma época e não por um ano. Di Stefano, Maradona, Messi.

Tem os que são os melhores do mundo por um século: Pelé

E tem aqueles que transformam o futebol. Subvertem suas regras, seus cânones, destroem seus limites, ampliam suas possibilidades, espalham genialidade e também suor por todo o campo, deixam, enfim, um legado imenso.

Cruyff foi assim. O craque total.

Tão além do tempo que é uma falácia dizer que houve um futebol pré Cruyff e pós Cruyff. Um antes e depois. Não. Ninguém conseguiu manter a evolução. Basta ver o título da Argentina na copa de 78. E basta lamentar outra derrota da genialidade, em 82.

Cruyff não foi o melhor de todos os tempos. Mas eu acho que é possível haver um novo Pelé, um novo Di Stefano – olha o Maradona aí – um novo Maradona – olha o Messi aí – um novo Eusébio – olha o Cristiano Ronaldo aí – mas não haverá um novo Cruyff.


Jadson merece o lugar que Dunga reservou a Kaká
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A ausência de Philippe Coutinho deu nova chance a Kaká na seleção. Melhor faria Dunga se optasse por Jadson. O corintiano pode ajudar mais que o jogador do Orlando. Não se trata de currículo, não se trata de passado. A convocação é para dois jogos, é para resolver um problema atual, não se trata de planejar o futuro.

É necessário render agora. E Jadson, com 12 gols no Brasileiro, pode dar mais respostas que Kaká, mesmo que ele esteja bem na MLS. E, na minha opinião, para superar 12 gols no Brasileiro, um jogador da MLS precisa ter feito pelo menos 24.

Além do currículo, além de glórias passadas, o que Kaká pode ter a mais que Jadson é liderança. Realmente, ele sempre foi um jogador afirmativo em campo, desde o início na seleção, atuou perto de seu limite. Jadson é mais introspectivo, com tendência a se recolher dentro da timidez. Foi assim no São Paulo, quando enfrentou a concorrência de Ganso. Foi assim na Copa das Confederações em 2013, quando pouco produziu.

Se for essa a justificativa, significa que estamos mal. A seleção começa a preparação para uma eliminatória duríssima tendo que buscar apoio e liderança em quem já não tem futebol para as grandes ligas, em alguém que não fez diferença técnica – dizem que foi bem como liderança e que ajudou outros a se desenvolverem – no Brasileiro e que agora está em um futebol incipiente.

Não consigo ver Jadson e Kaká como soluções para 2018. Não consigo ve-los como uma vacina capaz de curar nossos males. São, no máximo, uma solução temporária, um band-aid, uma antibiótico. Então, que se aposte na versão mais nova.

Jadson, que pode formar o meio campo com Elias e Renato Augusto, seus companheiros de clube