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Hernanes é um grande acerto de Leco e Pinotti. Mesmo que não dê certo
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Hernanes, desenhado aqui pelo genial Mario Alberto, está de volta ao São Paulo. É uma contratação importantíssima, principalmente pelo momento ruim que time passa. É um jogador de alta capacidade técnica, com bom desarme, ambidestro e boa chegada no ataque. Tem identidade com o clube e tem muita personalidade. Em seu currículo, constam 35 gols em 218 jogos pelo clube.

Impossível contestar uma contratação assim. Mesmo os opositores de Leco. Bem, em seu vídeo de apresentação, Hernanes não precisa dizer que veio graças aos esforços de Leco e Pinotti. Desnecessário, não é?

Hernanes foi um grande acerto do São Paulo.

E se não der certo?

Hernanes tem 32 anos e já há algum tempo não está jogando bem. Seus números na Itália eram declinantes. Na Lazio, onde foi ídolo, fez 41 gols em 156 jogos. Depois, na Inter foram sete gols em 52 jogos e na Juve, dois gols em 35 jogos.

Foi para a China. Não se adaptou onde também não jogou bem. Fez um gol em apenas seis jogos no Heibei.

Qual Hernanes volta? O mesmo que foi? Lógico que não, nunca é assim. Mas é alguém que pode ajudar muito o São Paulo. Pode formar uma linha de três com Jucilei e Petros, o que faria Dorival sair da zona de conforto e deixar de jogar com dois atacantes pelo lado. Eu jogaria com Jucilei, Petros, Hernanes, Cueva (até quando?), Marcinho e Pratto.

O time ganha esperança. Ganha respeito. Só isso justifica a vinda de Hernanes. Se jogar bem, será um grande acerto. Se fracassar, não terá sido um erro.


São Paulo é uma comédia de erros. Walter é o capítulo mais recente
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A comédia de erros que tem sido a gestão Leco/Pinotti à frente do futebol do São Paulo teve outro exemplo com a tentativa de contratação do goleiro Walter, reserva de Cássio no Corinthians.

Capítulo 1

Dorival Jr. detecta o maior problema do São Paulo e pede a contratação de um novo goleiro.

Capítulo 2

O São Paulo faz uma oferta por Walter

Capítulo 3

Corinthians recusa a oferta do São Paulo

Capítulo 4

Walter, como consolo por não sair, recebe um aumento

Capítulo 5

O São Paulo continua com Renan Ribeiro

Capítulo 6

Renan Ribeiro se sente desprestigiado e com certeza de que seus tempos de reserva voltarão. Agora ou em 2018. A não ser que o time caia.

Moral da história – Corinthians e Walter se deram bem. São Paulo se deu mal. E, em vez de ganhar um novo goleiro, continua com o anterior, agora sob o peso da desconfiança.

Tudo é amadorismo no São Paulo. O novo estatuto, vendido como algo renovador na gestão do clube, mostra-se um conto de quimera. Haveria diretores remunerados, buscados no mercado, longe dos vícios gerenciais existentes em diretores amadores.

Para o futebol, foi contratado Vinícius Pinotti, alguém vindo da área empresarial e sem nenhum vínculo com o futebol, além de haver ajudado na contratação de Ricardo Centurión. Daí, foi para o marketing e agora para o futebol. Qual a vivência dele com jogadores? Qual a presença dele no mercado futebolístico? Qual o histórico dentro do futebol?

O São Paulo está trocando pneu de um carro em alta velocidade. O piloto era inexperiente. E o chefe da equipe, ainda mais.

Uma comédia de erros que pode terminar em tragédia.


Leco merece crítica honesta e não picuinhas e ódio grátis
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A foto que dá razão ao post foi publicada no Blog do São Paulo. Ótima foto, não publico o nome do autor porque não está identificado.

A foto mostra Leco, presidente do São Paulo, almoçando com Ataíde Gil Guerreiro, ex-vice-presidente de futebol e conselheiro afastado. Mostra também dois velhos amigos conversando. Pode ser por alguma conquista profissional dos filhos, pode ser pela situação política do Brasil, mas, provavelmente é pela situação horrível do São Paulo.

A publicação da foto foi suficiente para que as redes sociais fossem inundadas por críticas e por ódio. Basicamente, os argumentos são os seguintes: o presidente é remunerado, está em hora de almoço e está conversando com um dirigente afastado do clube. Por isso, o clube está tão mal, é uma prova a mais de má gestão e ofensas que não publicarei aqui, por considerá-las exemplos de falta de caráter.

As críticas à gestão de Leco são corretas. Muitas delas. Eu considero um absurdo, depois de todo o susto passado no ano passado, o time estar sendo remontado com o campeonato em andamento. Foi um risco assumido. A a conta está aí, pronta a ser paga. Teremos mesmo a troca de Rodrigo Caio por Aderlan? Jonathan Gómez joga mais do que mostrou nos dois primeiros jogos? E muito mais coisa. Todo mundo tem uma crítica a Leco e quase todas, quando se fala de futebol, estão corretas. Mesmo quando ele acha que não tem culpa de nada.

Mas Leco tem o direito de almoçar com quem quiser e a hora que quiser. Ataíde não é um criminoso. Leco, também não. Ataíde foi expulso do conselho de maneira totalmente injusta. Ele gravou Aidar confessando tramoias e Opice Blum, em busca de viabilidade eleitoral expulsou os dois.

Quando se critica sem razão e sem medidas, quando se critica destilando ódio nas redes sociais, as críticas verdadeiras perdem força. Há o perigo de serem consideradas tão fúteis quanto o que se escreveu da foto.

 


Pinotti, você não está preocupado? A torcida está desesperada
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Durante a semana, o São Paulo apresentou Arboleda e Gómez, novos contratados. Estava lá e prestei bastante atenção quando um colega perguntou a Vinícius Pinotti, diretror de futebol, se ele estava preocupado com a situação do São Paulo no campeonato.

A resposta veio de maneira direta, sem titubeio. Voz firme, sem nenhuma mudança. Rosto confiante, ems consonância com a voz. “Nenhuma preocupação. Nenhuma”. A empresa de Pinotti, no ramo de beleza feminina, é muito sólida. Mesmo assim, eu o imaginei respondendo a alguma pergunta desse tipo dos diretores. Levaria confiança, sem dúvida.

Futebol é diferente de empresa. Futebol envolve paixão. E os “acionistas” entendem de futebol tanto quanto os Pais da Pátria, tanto quanto os Cardeais, tanto quanto os dirigentes, remunerados ou não. E a torcida está desesperada. Depois da derrota contra o Flamengo, o time já está na zona de rebaixamento.

Pode-se fazer uma segunda análise, sobre a proximidade com os outros em situação ruim, mas ficar contando número de gols sofridos e marcados, é uma ofensa ao São Paulo, por sua história. É coisa para Pinotti fazer. Como ouvir Avaí e Ponte e torcer os dedos pela Ponte.

Pinotti precisa se reunir com Leco e Ceni urgentemente, caso ache que Ceni mereça continuar. Aliás, colocar multa de R$ 5 milhões para um treinador inexperiente, é coisa que ninguém faria em sua empresa. Leco fez. Bem, na necessária conversa com Leco e Ceni, é preciso montar uma estratégia de guerra.

O treinador perdeu seu auxiliar. Precisa de ajuda.

Um clube grande não pode ficar montando elenco durante o campeonato. E um terço dele já está indo embora. E Pinotti, você precisa se preocupar e muito. Quando um time precisa mudar e o treinador precisa se limitar a Denílson, Wellington Nen (entrará em forma) e um garoto como Shaylon para mudar o jogo, é porque a situação é muito difícil.

Chama o Leco para conversar. E fique muito preocupado, Pinotti. Futebol não é sabonete, não.


São Paulo Vitrine Clube caminha para a Segundona
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O São Paulo Futebol Clube é o mais vencedor do futebol brasileiro.

O São Paulo Vitrine Clube é o mais vendedor do futebol brasileiro.

Caminha para um grande fracasso.

Se o conceito vitrine for mantido, cairá para a segunda divisão, não necessariamente em 2017.

Mas que a queda virá, virá. Em pouco tempo.

O clube que ficou 13 anos na fila e que tinha a desculpa da construção do Morumbi, caminha para uma seca ainda maior. De títulos, sem dúvida. Talvez com um título indesejado da série B

O Argentino Jrs é um time vitrine. Revelou Maradona e Redondo. E?

Qual o sentido em se vangloriar, como Pinotti fez, de ser uma vitrine maior e melhor que o Corinthians? Revela mais, vende mais, vende melhor e….e daí? Fica mais rico e o dinheiro vai para cobrir um buraco que nunca diminui?

Sabe quem é bom vendedor? O Atlético Nacional, que foi campeão da Libertadores, vendeu Copete, Berrio, Borja, Guerra e mais um monte e continua sendo campeão.

O São Paulo não ganha nada faz tempo, vende um monte de gente e continua devedor. Quem explica?

Pinotti e Leco repetem a frase: “se o jogador não quer ficar no São Paulo, tem de sair”. Tem lógica, mas é necessário pensar mais longe analisar dois pontos.

  1. Por que todo mundo quer sair do São Paulo?
  2. Quem quer sair, sai? Do jeito que quer? A hora que deseja?

Quanto à pergunta 1, mostra-se uma falta total de comprometimento com o clube, com o seu projeto, com a sua história. Algo está muito errado. No clube ou na cabeça de jogadores que preferem jogar no Vitória (Neílton e Kieza) ou no Sport (Rogério).

Se um jogador em vez de ouvir o responsável pelo departamento de futebol se vangloriar de que o time é uma vitrine, ouvisse outro discurso falando de resgate de glórias antigas, falando de futuro, falando de ser, em pouco tempo, o melhor do Brasil, falando em voltar a reinar na América, se comprometesse com um projeto, com uma história e tivesse vontade de lutar por títulos e ficasse.

Mas, se não quer, sai? Não é assim. Em um clube grande não é assim.

Um clube grande, que não sonha em ser vitrine e sim em ser campeão, pode perder jogador. Mas, na hora que quiser, nas condições que quiser e pelo preço que quiser.

Vejamos o caso Thiago Mendes. Ceni queria a sua permanência, pensando em um trio com Jucilei e Petros. No mês passado, houve uma proposta do Lille e a diretoria recusou. Ceni, com certeza, pensou que a recusa tivesse a ver com o seu pedido. Nada disso.

A permanência não tinha a ver com o pedido de Ceni.

A saída teve a ver com o pedido de Thiago Mendes.

Esta é a diferença. Além de o fato de o Lille haver aumentado a oferta em 1 milhão de euros.

Um clube grande não pode ficar à mercê dos pedidos e dos sonhos dos jogadores. Este é um time-vitrine. Um grande time, um time campeão, decide as coisas de acordo com o seu projeto.

O São Paulo precisa de um comandante de pulso firme que chegue em Thiago Mendes e diga: “você quer sair, mas eu quero que você fique para a gente ser campeão”. Ou, então, em um rasgo de sinceridade: “você quer sair, mas eu quero que você fique para que a gente  não sofra com a possibilidade de rebaixamento”.

Não adianta ter pulso firme apenas para multar jogador em 20% por haver criticado a torcida. Isso é fácil.

Um clube grande precisa de pulso firme, precisa de projetos grandiosos.

Não pode estrear jogador na rodada 11. Talvez três. Se não for três, sobrará Petros para a rodada 12.

Não pode contratar Maicosuel em um dia e colocar o jogador em campo no dia seguinte. E, depois ficar quatro jogos no departamento médico. O que aconteceu? Contusão grave? Veio bichado?

Um clube grande não pode chegar em julho e ter apenas um campeonato para disputar, por conta de eliminações seguidas. E estar, após dez rodadas, lutando para sair da confusão.

Um clube grande não pode ter como meta, em julho, apenas e tão somente, fugir da humilhação em dezembro.

O São Paulo precisa de um presidente que sonhe alto e que não se orgulhe de dirigir uma vitrine. Precisa de um presidente que faça a dívida acabar, já que tanto dinheiro entra.

Acorda, Leco.

O São Paulo não pode viver refém de cardeais que estão em uma ciranda maluca que leva o clube para o buraco. Juvenal, Aidar, Leco, Pimenta… O São Paulo precisa de oposição e não de dissidências.

Acorda, São Paulo.

 


Proposta a Lugano é uma piada cruel de Leco e Ceni
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A respeito de Lugano, Ceni disse que:

Seria uma covardia colocá-lo para enfrentar Robinho, mano a mano

Seria uma covardia coloa-lo para enfrentar Neílton (sim, Neílton), mano a mano

Ele pode jogar apenas como o zagueiro central de uma linha de três, como o Maicon joga, mas estou contente com o futebol apresentado pelo Maicon

Se o Lugano não está jogando, outros 17 também não estão

A série de afirmações leva, seguindo um raciocínio lógico, à não renovação de contrato que termina em dias. Por que ficar com um jogador que atua pouco, em apenas uma situação de jogo e que é igual a outros 17 do elenco?

Ceni, entretanto, recorreu à muleta sobre a importância de Lugano para o elenco, como liderança e exemplo e disse que gostaria de contar com ele  por mais um semestre. Recomendou que o clube fizesse uma festa no final do ano em sua saída do São Paulo. Sabe aquele cara que trabalha 30 anos em uma empresa e, quando é demitido, ganha um relógio? E um pique pique?

A opção oferecida por Ceni é ofensiva. Ele não perguntou se Lugano quer continuar a carreira em outro clube, em outro país e logo foi tratando de aposentar o ídolo, depois de lhe dar um contrato de seis meses para ser exemplo de vida a garotos. Uma sobrevida.

A ideia de Ceni logo foi aceita por Leco. E, a dez dias do final de contrato, veio a oferta. Salários mantidos, mas sem direito de imagem. E no final do ano, a festa de despedida. Uma festa em que o São Paulo faturaria um bom dinheiro. Ficaria com 60% do lucro.

Ora, se Lugano ganha R$ 230 mil por mês, até o final do ano, o clube gastaria R$ 1,4 milhão com ele. Para conseguir esse valor, bastaria a festa de despedida produzir R$ 2,5 milhões de lucro. Não é difícil.

Resumindo: Ceni acha que Lugano não faz falta, mas aceita ficar com ele e promete uma festa no final do ano. O São Paulo aceita, mas a festa vai produzir o dinheiro que gastaria com Lugano.

Ou, seja: fica aí mais seis meses e continua ajudando a gente com sua personalidade, liderança e espírito de grupo, já que futebol não dá mais. E não vamos gastar nada mesmo. Quem sabe ainda lucramos um pouco?

É uma piada. Um acinte. Uma vergonha.

Fruto do quê?

Da falta de liderança. Da falta de coragem. Da falta do olho no olho.

São Paulo e Ceni têm todo o direito de achar que Lugano não dá mais. Não foi um bom investimento. Não será um bom investimento. Todo o direito. Muita gente concorda com isso. Muitos dos que discordam, não se baseiam no rendimento apresentado pelo uruguaio, mas sim em seu passado. Se Lugano tivesse marcado oito gols contra e cometido 24 pênaltis, ainda assim exigiriam a sua presença no clube.

O que não pode é não ter coragem de dizer isso ao jogador. Chamar de lado e dizer que os caminhos precisam se separar, que ele não está nos planos. Qualquer chefe de RH de empresa chinfrim faz isso com funcionários. O São Paulo e Ceni preferem subterfúgios indignos do clube e das histórias de Lugano e de Ceni no São Paulo.

Um treinador jovem que não tem coragem de dizer isso ao seu comandado está começando mal.

Um presidente veterano que não tem coragem de dizer isso ao seu comandado, está terminando muito mal.

PS – Se Lugano não pode enfrentar Neílton, como pôde enfrentar Denílson, do Avaí? Lembremos que Denílson veio para o São Paulo em lugar de Neílton, mandado para o Vitória. A verdade é que Lugano foi utilizado aquele dia porque era preciso vencer, era preciso mostrar coragem e personalidade. Tomara que tenha sido o último jogo do capitão. Seria um fim de carreira muito mais digno do que uma festa para dar dinheiro ao clube.

 


Ceni e novo estatuto aproximaram Casares de Leco
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No final do ano passado, Julio Casares era a grande noiva do processo eleitoral do São Paulo. Conselheiro mais bem votado nas duas últimas eleições, aparecia como objeto de desejo da oposição, que buscava um candidato que ampliasse sua base eleitoral, uma defecção das hostes situacionistas para apoiar com gosto e fé. Casares era o nome escolhido para enfrentar Leco e também Roberto Natel, o vice do presidente, que havia deixado o cargo para também se candidatar. Com três candidatos – Leco, Natel e Casares – a oposição se via com muitas chances de vencer.

Casares também era o sonho de Leco. O presidente lutava para que não houvesse defecções, principalmente a de Casares, que, além do prestígio clube, faz parte do Participação, mesmo grupo político do presidente. Mais do que isso, é o coordenador do grupo. Seria desconfortável explicar uma candidatura que não é aceita nem pelo seu vice e nem pelo coordenador de seu próprio grupo político.

No início de dezembro, quando Rogério Ceni foi apresentado, Julio Casares estava lá, no CT da Barra Funda. Andando de um lado para o outro, radiante, cumprimentando todos com entusiasmo. Ele estava afastado de Leco e sua ida ao CT tinha todo o jeito de lançamento informal de candidatura. Atitude de candidato, que ele jurava não ser. Jurava e ninguém acreditava. Ele repetia que não tinha condições de deixar seu emprego na TV Record e que não era o momento de se candidatar.

Na verdade, a contratação de Ceni o havia aproximado de Leco. Ele viu a vinda do grande ídolo para o clube como uma jogada de mestre, como algo grande. Marco Aurélio Cunha foi o primeiro a colocar o nome de Ceni na mesa, quando se falava muito em Roger. Por que Roger, se há alguém totalmente identificado com o clube, alguém que já decidiu ser treinador? E se Rogério quer ser treinador, terá de ser no São Paulo. Marco Aurélio sugeriu antecipar o inevitável. Casares gostou e não se importou de a ideia ter sido formulada por alguém com quem teve os debates mais acalorados da última eleição, quando Juvenal Juvêncio apoiou Aidar e Cunha foi o cérebro atrás da campanha de Kalil Rocha Abdalla, ninguém sabe, ninguém viu onde está.

Casares mostrou-se entusiasta também da ideia do novo estatuto, levada em frente por Leco. Ele participou com 27 propostas, algumas delas aprovadas no Conselho. Ele vê o novo estatuto como um momento único no clube, um rito de passagem para dias mais profissionais. Um estatuto em que o presidente não tem o poder absoluto e que permite a ele se cercar de gestores. Um presidente que talvez não precise se dedicar tanto ao clube, mas isso é assunto para a nova eleição.

Quando a decisão de não ser candidato foi, enfim, cristalizada, quando todos aceitaram que era verdade o que dizia e não apenas conversa para se valorizar e esperar a hora certa para se lançar, a oposição já estava vendo outros nomes. Já não contava com uma das duas prováveis defeções. A mais importante delas, a que sonhava apoiar. Mesmo assim, havia Roberto Natel, o que garantiria três candidatos e uma sangria nos votos de Leco. Foi então que Natel abdicou da candidatura. Viu que não teria chances. E voltou ao ninho. Um movimento semelhante ao do próprio Leco, quando foi preterido por Juvenal em favor de Aidar. Voltou e virou presidente do Conselho. Talvez seja o caminho sonhado por Natel, para implantar sua candidatura para a próxima eleição.

A oposição, então, procurou outros nomes. Opice Blum estava queimado por haver ido com muita sede ao pote e haver condenado Ataíde Gil Guerreiro sob a bizarra e ridícula acusação de tentativa de assassinato de Carlos Miguel Aidar. Era preciso um candidato forte e não alguém folclórico como Newton do Chapéu. E a escolha foi por Pimenta, o dono de todas as glórias no início dos anos 90. É uma candidatura forte e bem organizada. São os dois grupos de cardeais novamente frente a frente. Juvenal Juvêncio e Antonio Leme Nunes Galvão estão mortos, mas seus grupos estão se digladiando novamente. A mesma velha história que talvez mude com a nova estrutura de poder a ser implantada com o novo estatuto. Mas que só mudará, com certeza, com a abertura do clube para que sócios torcedores possam participar com voto e voz. Afinal, quem paga um título de sócio torcedor, com certeza não é palmeirense, como uma conselheira que deu seu depoimento a favor de Pimenta.


Cardeais sem grandeza estão matando o São Paulo
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Em outubro de 2015, Carlos Miguel Aidar renunciou à presidência do São Paulo. Deixou o clube no fundo do poço. Um poço de lama.

Armand Jean du Plessis, Cardeal-Duque de Richelieu e de Fronsac.

Armand Jean du Plessis, Cardeal-Duque de Richelieu e de Fronsac.

Seria natural que, diante da gravidade da situação, todos os conselheiros e dirigentes se unissem para levar o clube a uma situação de calma e tranquilidade até a próxima eleição.

Nada disso aconteceu. O que se viu nos últimos dois anos foi uma sucessão de brigas e mais brigas. Dez ou quinze pessoas se unem em um grupo a que, pomposamente, chamam de partido. E toma lá. E dá cá. Tudo em troca de uma carteirinha de sub sub diretor de piscinas, ou de badminton ou de festa junina. São cardeais ou aspirantes a cardeais brigando na lama deixada por Aidar.

A primeira chance de união foi perdida na eleição de Leco. Todos poderiam estar juntos na direção do clube até um porto seguro. Mas a oposição lançou candidato. Um direito, é lógico, como também seria um direito caminhar junto. E o candidato foi Newton do Chapéu, figura folclórica e que nada acrescenta. Seu grande currículo é ser genro de Fernando Casal de Rey, o presidente que enfrentou com dignidade e galhardia as dificuldades estruturais do Morumbi.

Um pequeno fato mostra quais são as prioridades do homem do chapéu. Ele foi candidato a deputado. Teve menos de 3 mil votos. E se apresenta, em sua página, como suplente de deputado. Ora, ele só assumiria uma vaga se 50 candidatos mais votados do que ele renunciassem. Percebem a importância de ter uma carteirinha, de querer ser alguém com poder? Imagine o mesmo no clube. Quantos não matariam por uma carteirinha de diretor adjunto da sauna nos dias nublados?

O São Paulo sempre foi um clube fechado, com eleições sendo decididas entre conselheiros, nunca mais de 300. Um sistema que acho errado, hoje os clubes precisam se abrir para os sócios, sócios-torcedores e até para os torcedores, mas é inegável que funcionou. O sistema de cardeais levou o clube a ter seu maravilhoso estádio, a ter títulos mundiais e a ter contratações que mudaram o futebol brasileiro. Basta citar Leônidas da Silva, Gérson e Pedro Rocha. Foi pioneiro na preparação física, na construção de centros de treinamentos  e nas categorias de base.

Foi gigante, apesar do sistema. Por causa dos dirigentes. Hoje, o sistema continua, mas os dirigentes estão abaixo, muito abaixo. A decadência da família Aidar (estou falando de sua presença no clube) mostra isso.

Como os cardeais tricolores estão se comportando nesse período de tempestade? Não ouvem Paulinho da Viola, que recomenda levar o barco devagar em rumo a um porto seguro. Comportam-se como personagens de Game of Thrones.

Carlos Augusto Barros e Silva mostrou-se muito vacilante nos momentos em que o futebol precisou de ação. Na fase final da Libertadores-16, trouxe Ytalo, repetindo Juvenal, que, em 2013, trouxe Silvinho. No Brasileiro, após perder Ganso, Calleri e Kardec, trouxe Robson e Jean Carlos. É um homem íntegro, que evitou falcatruas e nunca se envolveu em coisa parecida

Fora do campo, comandou um processo grandioso que trouxe um novo estatuto ao clube. Estatuto que aponta para a profissionalização e que tira o poder imperial dos presidentes.

Bastou o projeto ser aprovado, passou por uma tentativa de golpe. Os opositores queriam que ele passasse a governar sob as regras do novo estatuto, que entrará em vigor a partir de abril. Ou seja, ele foi eleito para governar sob regras definidas e querem que passe a governar sob regras que só estarão em vigor a partir do novo mandato. Golpezinho chinfrim.

A tese foi defendida pelo empresário Abílio Diniz, que teve muitas de suas boas ideias aprovadas para o novo estatuto. Mas Abílio tem pressa. Ele quer o poder no São Paulo, mesmo não se candidatando a conselheiro. Prefere atuar fora, pagando o trabalho de duas consultorias que determinaram muitos problemas no clube. Abílio quer mandar já. Já.

O que o move é um ódio visceral a Leco. Ele quer eliminar o atual presidente. Ódio pessoal, mas eliminação política, esclareço. Em condições normais de temperatura e pressão, nem seria necessário esclarecer. Abílio, que esteve com Leco contra Aidar, rompeu com Leco quando Leco afastou Milton Cruz, que era acusado de ser espião de Abílio. Repeti os nomes apenas para ficar marcada a dança das cadeiras, o jogo de intrigas.

Um dos peões de Abílio Diniz é Alex Bourgeois, que foi contratado como CEO por Carlos Miguel e por Leco. E foi demitido por ambos. O fato de ser demitido duas vezes não significa que ele seja um mau profissional. Pode até ter sido vítima do jogo de intrigas. Mas, dizem que antes de sair, já participava do mesmo jogo. Antes, não sei, mas depois, sim.

Alex, nas redes sociais, é um balde de gasolina em um incêndio. Critica, critica, critica… Mas qual é o seu interesse nisso? Ele acionou o clube na justiça trabalhista, no que está muito certo. Se ele se considera prejudicado, precisa correr atrás de seus direitos, antes que tudo isso acabe, antes que os trabalhadores percam o direito de protestar. Ele não torce para o São Paulo. Então, porque Alex quer que Leco seja derrotado? Ora, até o pavão que desfila no CT do São Paulo, sabe que ele voltará ao clube, a pedido (ou ordem) de Abílio. Caso aconteça, que, pelo menos, retire a ação.

Roberto Ópice Blum,  presidente do conselho de Ética do São Paulo, julgou Carlos Miguel Aidar, que foi afastado do clube, após gravação feita por Ataíde Gil Guerreiro, que incriminava Aidar e sua namorada Cinira Maturana em comissões. Aliás, Aidar foi um presidente democrata. Instalou comissões em muitos setores do clube.

Ópice Blum igualou acusador e acusado. Expulsou os dois do Conselho, baseando-se em uma maluquice total: Ataíde teria tentado assassinar Carlos Miguel. O motivo? Enfraquecer Leco, amigo de Ataíde. E fortalecer a própria candidatura em abril. E continuou com sua tática, ao aceitar uma acusação antiga contra Leco, ainda referente ao caso Jorginho Paulista. Justamente ele, Opice Blum, que desconsiderou as acusações sobra a comissão de 15% do enrolado caso Far East. Sua atitude foi tão marcadamente partidária que inviabilizou seu nome. A esperteza matou o gato.

O candidato escolhido é Jose Eduardo Mesquita Pimenta, vencedor nos anos 90, com Telê Santana. Foi afastado do clube por uma suspeita de comissão na venda de Mário Tilico. Em virtude da suspeita, foi exonerado, pelo então prefeito Paulo Maluf, do cargo de secretário municipal de esportes. Voltou ao clube, sem que nada fosse provado contra ele.

Então, a eleição reúne Leco, que é presidente, Mesquita Pimenta, que foi presidente e Roberto Natel, que era vice de Leco e que tentou submete-lo a uma prévia eleitoral. E é uma eleição que chega em um momento de grande incerteza jurídica. O conselheiro Assis ganhou uma causa no STF que condena a mudança de estatuto feita por Juvenal em 2004, que lhe deu direito a uma nova candidatura. Ora, quando o clube já fez um novo estatuto, qual o sentido de manter a demanda. Assis não poderia ter a grandeza de retirar a ação e deixar o clube seguir seu curso? Não, ele busca a instabilidade.

A impressão que fica é que o São Paulo carece de ideias e está se reciclando, sempre com um olho no passado. Juvenal mudou o estatuto e se candidatou novamente. Trouxe Aidar, que foi artífice da mudança do estatudo e que já havia sido presidente. E agora, Mesquita Pimenta, que já foi presidente tenta voltar. Já que é para voltar, que se chegue a Laudo Natel.

É a falência do sistema de cardeais. Um sistema fechado, em que pessoas se movem mais por ódio umas às outras, mais pela busca de um pequeno pequeniníssimo poder. O clube não aguentará por muito tempo. Precisa de oxigênio, precisa de ideias novas, precisa de pessoas que o defendam e que lutem por ele. E grandes ideias estão em falta entre os homens de imponentes sobrenomes.


Leco, Galiotte e Andrade: três presidentes enfrentando fogo amigo. Amigo?
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Os presidentes do São Paulo, Palmeiras e Corinthians sofrem com o fogo amigo. No caso, inimigo mesmo. Inimigo interno. Uma tapeteoposição que não dá trégua e que faz de tudo para que a gestão não seja boa. Para quê? Para tomar ou retomar o poder. E o clube que sofra as consequências.

O caso mais surpreendente é o do Palmeiras, um clube conhecido culturalmente pela guerra fratricida de suas corrente. A pausa que elegeu Maurício Galiotte, capaz de ser eleito como candidato único, acabou. Paulo Nobre, o ex-presidente e avalista da candidatura Galiotte rompeu com o sucessor. O motivo é a candidatura de Leila Pereira ao conselho. Nobre faz de tudo para inviabilizar a possibilidade de a dona da Crefisa, patrocinadora, se eleja. E pediu que Galiotte a vetasse. Pedido negado.

Nobre teme que Leila tenha uma votação estrondosa e leve consigo, na sua chapa, um grande número de parceiros. O que a tornaria uma candidata forte à sucessão de Galiotte. Uma candidata forte contra ele próprio, Nobre. Com o apoio de Mustafá.

Um clima assim favorece ou prejudica o Palmeiras?

Roberto Andrade sofre uma tentativa de impeachment por haver assinado alguns papeis antes de haver assumido. Algo desproporcional à pena que se propõe. Nas negociações, forçaram o presidente a engolir a volta de Luis Paulo Rosenberg, homem de confiança de Andrés Sanches, o que, em si, já significaria uma grande diminuição de poder. Andrade não aceitou.

Caso Andrade seja derrubado, há uma nova eleição no Conselho. E Paulo Garcia, empresário que tem muitos jogadores no clube, venceria, com apoio de Andrés, seu antigo desafeto? Garcia tem muito dinheiro, o que falta ao clube atualmente.

Um clima assim favorece ou prejudica o Corinthians?

Leco assumiu após a queda de Carlos Miguel Aidar, que tratou o clube como algo privado, como sua propriedade e de sua namorada. Negócios escusos foram denunciados. Foi convocada nova eleição e Leco venceu com facilidade ao folclórico Newton do Chapéu. Foi eleito com apoio do empresário Abílio Diniz, que não é conselheiro, mas que tem influência.

Logo, houve o rompimento entre ambos. As demissões de Alexandre Bourgeois e Milton Cruz desgostaram muito a Abílio, que busca um candidato para enfrentar Leco em abril. Mas, ninguém deseja esperar. Queriam que Leco se submetesse agora às regras aprovadas pelo novo estatuto e que terão validade a partir do novo mandato.

Um clima assim, favorece ou prejudica o São Paulo?

Não seria mais fácil uma trégua até abril? Uma trégua que não impedisse as articulações políticas e a formação de chapas. Não se pede a paz de cemitérios, mas apenas que todos remem juntos até a hora da cisão. O mesmo vale para Corinthians e Palmeiras.

São três gigantes sofrendo com a luta intestina, sem trégua e sem possibilidade de paz.

picadinhomenon

MILITARIZAÇÃO NO FUTEBOL – O responsável pela arbitragem no Brasil é um coronel. O presidente pelo TJD em Sao Paulo é o delegado Olim, também vereador. E os promotores midiáticos fazem de tudo para acabar com a festa no futebol. Não só no campo, mas também nas ruas.

No caso de Heltton, o gato do Paulista de Jundiaí, o delegado Olim, mesmo antes de ouvir o rapaz, decretou sua culpa. Disse que ele é um criminoso. Uma atitude contestável até se ele estivesse trabalhando na delegacia, tratando de crimes. Não na justiça desportiva, que deve decidir uma punição esportiva. O delegado Olim pode punir o gato no campo esportivo. Não pode prendê-lo, a não ser se fosse um caso de sua jurisdição.

O futebol é algo lúdico, é paixão. Não pode ser conduzido assim, de uma maneira tão restritiva. Basta ver a atuação de grande parte dos árbitros. Se o jogador dá um carrinho criminoso, dá uma facada no fígado do rival, leva amarelo. Se olhar feio para o árbitro, leva vermelho. Desafio à autoridade. E, não por acaso, muitos árbitros são militares também.

 


Ceni é a bala de prata de Leco?
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A contratação de Rogério Ceni como treinador do Brasil transcende as quatro linhas do gramado. Ainda mais quando se sabe que haverá eleição no clube em abril e que Leco será candidato. O candidato que comandou a realização de um novo estatuto baladepratapara o clube – algo importantíssimo – e o presidente que trouxe o maior ídolo da história do clube de volta ao Morumbi.

É um discurso forte. Mas há outro se contrapondo. Conselheiros da Oposição e mesmo alguns que apoiam (apoiavam?) Leco passaram a ver a contratação de Ceni como mais um factoide. O maior de todos. E também o último, pela proximidade do final do ano. O argumento eleitoral destas pessoas é que Leco não dirige o clube com um plano definido e que recorre a fatos de impacto que tem resultado imediato mas que logo se esvai. Ao mesmo tempo que dizem isso, correm a elogiar Ceni, que é a maior unanimidade na história do São Paulo.

Os outros factoides, segundo esse argumento são:

DIEGO LUGANO – Um ídolo eterno, um desejo da torcida. Uma contratação cômoda, que não tem rejeição. Mas, perguntam até de forma malvada, não é caro pagar R$ 280 mil mensais para quem não joga. Um animador de torcida, chegam a dizer.

MAICON – A torcida queria, o prazo de inscrição na Libertadores estava acabando e o Porto exigia muito dinheiro. E o São Paulo pagou muito dinheiro. Um dinheiro que, segundo os opositores poderia ser mais bem aplicado. Talvez até para a manutenção de Ganso, o que eu considero impossível. Ganso queria voar e jogador quando quer sair, ninguém segura.

MARCO AURÉLIO CUNHA – É um dos conselheiros mais bem votados e com enorme aceitação da torcida. Teria vindo no desespero e dado resultado imediato. Resultado que não se mantém.

A eleição do São Paulo terá pelo menos três candidatos, talvez quatro. Leco, Roberto Natel e um nome apoiado por Abílio Diniz, que tem como meta fixa derrotar Leco. Ele não se conforma com a demissão do amigo Milton Cruz. O quarto nome deve sair do grupo do ex-presidente Fernando Casal de Rey, uma pessoa muito respeitada no clube, mas que sofre resistência por causa do genro, o folclórico Newton do Chapéu.