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Arquivo : leo gomide

Repórter bom é repórter chato e continua a censura no Galo
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Menon

Continua a censura no Galo. Determinada pelo Gallo? O clube mineiro desrespeitando sua grandeza continua a impedir o jornalista Léo Gomide de trabalhar. O Galo acha que pode determinar quem a rádio Inconfidência deve definir que trabalhe na Cidade do Galo. É um autoritarismo que não se sustenta. O que a diretoria teria o direito de fazer é não responder às perguntas de Gomide. O que seria um desrespeito à sua torcida, que ficaria sem parte das informações trazidas pelo repórter.

E aí é que está o x da questão. Que tipo de informação os clubes de futebol querem fornecer? Que tipo de informação querem permitir? Que tipo de informação querem proibir?

Não querem contestação. Não querem perguntas que questionem. Preferem as levantadas de bola. Todos viram que a irritação de Oswaldo de Oliveira precedia o suposto palavrão de Gomide. Ele não aceitava, não entendia que alguém pudesse fazer uma pergunta a partir de uma análise tática. Talvez seja um fato novo em sua carreira. Eu mesmo, que cobri sua passagem pelo Corinthians, nunca fiz pergunta assim. É uma evolução.

Léo Gomide tirou Oswaldo de Oliveira da zona de conforto. Uma zona de conforto criada pelo clube. Oswaldo confessou isso ao dizer que, desde a sua chegada ao clube, havia sido avisado para tomar cuidado. Ora, vejam só, o grande elogio profissional que Léo Gomide recebeu de quem deu esse conselho a Oswaldo. Ele incomoda. Ele é dos bons.

Repórter bom incomoda com suas perguntas. Repórter bom luta contra o que as assessorias de comunicação dos clubes estão tentando implantar: pouco acesso aos treinos, poucas entrevistas e um incremento muito grande de material próprio. As televisões precisam usar as imagens feitas pelo clube. Os jornalistas são obrigados a entrevistar quem a assessoria determina. E ela determina segundo os interesses do clube e não do jornalismo.

Quem se submete totalmente à pauta da assessoria, quem não desconfia, está arriscado, mesmo sem perceber, a praticar jornalismo chapa-branca.

Léo Gomide está sendo censurado não porque falou o suposto palavrão, que qualquer garota pré adolescente fala, a todo momento. Está sendo censurado por não se submeter ao tipo de comportamento que faz a alegria das assessorias. Aquele que faz pergunta banal, estica o microfone, coloca um sorriso plastificado no rosto e balança a cabeça afirmativamente.


Copa do Brasil, traiçoeira, demite Oswaldo e ameaça mais gente
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O empate contra o Atlético Acreano classificou o Atlético Mineiro para a segunda fase da C0pa do Brasil e ajudou a demitir o treinador Oswaldo de Oliveira. Não foi o único motivo, é lógico, mas empatar com um time do Acre tem o poder de derrubar técnicos.

Pode-se dizer que Oswaldo já vinha mal no Mineiro, com apenas oito pontos conquistados em cinco jogos. Sim, é verdade, mas uma vitória convincente em Rio Branco lhe daria uma trégua.

Pode-se dizer que Oswaldo caiu por conta do chilique contra o repórter Léo Gomide. Sim, mas não haveria chilique em caso de vitória convincente. Oswaldo estaria mais tranquilo e saberia responder o que considerou perseguição e eu vi como ótimas perguntas.

O ponto é que a Copa do Brasil, apesar de trazer rivais desconhecidos, não é refresco para ninguém. O atleticano que pensou assim: estamos mal no Mineiro, mas vamos lá no Acre, goleamos e ganhamos tranquilidade para o final do ano, está sem técnico agora.

Em sua primeira fase, foram 40 jogos. O time mais bem classificado no ranking da CBF atuaria como visitante. Bastaria um empate para a classificação. Dez deles foram derrotados, o que significa 2o%. O Botafogo é o maior exemplo. E outros 13 se classificaram com um empate, o que significa 32,5%, entre eles o Galo. E 17 clubes, 47,5% conseguiram a vaga com uma vitória fora de casa. Menos da metade.

E, se formos mais longe um pouco, 12 das 17 vitórias fora de casa foram conseguidas com apenas um gol de vantagem. Foi fácil apenas para Remo, CRB, Vitória, Botafogo da Paraíba e Figueirense.

E a segunda fase é ainda mais complicada. O empate não garante mais a classificação do visitante. Se ele ocorrer, haverá a sempre emocionante e agradável (quando não é com o nosso time) disputa por pênaltis. O Inter, que visita o Remo e o São Paulo que vai a Alagoas encarar o CSA e o Galo, que definirá sua sorte contra o Botafogo, na Paraíba, que abram o olho.


Oswaldo e Gallo mudaram muito e censura é inaceitável
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Conheci o Oswaldo de Oliveira quando ele era auxiliar do Luxemburgo, no Corinthians, há 20 anos. Eu cobria o clube, pelo Lance!,  juntamente com o talentoso e criativo repórter Chico Silva. E ele, o Chico, fez uma matéria sobre o Oswaldo, falando sobre seu lado zen, hoje tão ausente. O treinador era fã de de Chet Baker, trompetista norte-americano. Alguns meses depois, em Atibaia, onde o time se preparava para um jogo ou um campeonato, não me lembro bem, após o almoço, Amaral, o volante, subiu ao palco e começou a cantar “O show tem que continuar”, do Fundo de Quintal. Todo mundo cantava alto e Oswaldo se levantou da mesa. Pensei que haveria uma bronca na turma. Que nada! Ele sambou muito. E sambou bonito, com ginga.

Em 2015, ele estava no Palmeiras. E eu o notei com pouca paciência. Talvez tenha sido depois daquela discussão com o torcedor, que gostaria de ver Gabriel Jesus no time titular. Perguntei a Oswaldo o motivo da mudança. E ele me respondeu que havia trabalhado muitos anos no Japão, onde tudo funciona perfeitamente e que sentis dificuldades de adaptação.

Agora, voltemos a 2003. Estava na praia do Gonzaga, em Santos, e vi, em uma cadeira ao lado, o Gallo, que estava pensando em iniciar a carreira de treinador. Ele sempre me tratou bem, quando era jogador de Santos, São Paulo e Portuguesa, e me disse que tinha um caderno com mais de 70 tipos de treinamento. “Podia fazer uma matéria comigo, né”. Lógico que podia. O assunto era interessante. Por quê não? Não seria um favor, a pauta se sustentava. Não saiu, não sei porquê.

Agora, a gente vê o Oswaldo totalmente fora de si, deixando uma entrevista para brigar com jornalista. E o Gallo, aquele que achava natural pedir uma entrevista, proibindo o mesmo jornalista de trabalhar. É triste ver as pessoas se desnudarem assim.

Oswaldo questionou o tipo de pergunta do repórter Leo Gomide. O seu entendimento é binário. Você pergunta e eu respondo. Não cabe a você fazer análise. Eu não concordo. O repórter tem todo o direito de fazer a pergunta que quiser, baseada em seus conceitos futebolísticos. E Oswaldo, repito o que sempre digo, tem todo o direito de não responder. Não precisava daquele ar alucinado.

Depois, Oswaldo perdeu a cabeça quando ouviu o repórter dizer, vamos lá, caralho. Leo diz que não disse. Oswaldo diz que disse. Mas, mesmo se houvesse dito, era um desabafo, fora do ar, já abandonando a entrevista. Não era uma ofensa. Não disse palhaço, não disse, sei lá, velho do caralho, nada disso. Nada justificaria a tentativa de briga.

Na televisão, um dia após o jogo, Oswaldo fala que, desde que chegou, foi avisado sobre o tipo de pergunta do repórter. Ora, está dando ao Leo Gomide um atestado de bom repórter. Bom repórter faz pergunta que incomoda. Sempre. Não é o entendimento de Gallo também, como se viu lá em 2003. Ele gostava de pedir uma matéria ao repórter. Não gosta de repórter que faz pergunta fora dos padrões normais definidos por eles.

 


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