Blog do Menon

Arquivo : luis felipe scolari

Timão mantém receita e terá sucesso em 2018
Comentários Comente

Menon

Pequena viagem aos anos 70:

Segunda-feira – Virado à paulista

Terça-feira – Bife a rolê

Quarta-feira – Feijoada

Quinta-feira – Macarrão com frango

Sexta-feira – Peixe à dorê

Sábado – Feijoada.

O cardápio nos botecos do centro eram imutáveis. Bons restaurantes também o replicavam, com mais qualidade, é lógico. Na saída do banco, antes de ir para o cursinho, com amigos como Zé Roberto, Nelsinho Juncioni, Edinho (saudades do amigo), Jorginho Tequila ou quando me encontrava com outros casabranquenses como Irineu, Zimbres e Laércio, era sempre o mesmo cardápio.

Eu gostava. Gosto de comida assim, caseira. Feijão, farinha e pimenta me fascinam. Hoje (ou será que já existia naquele tempo) há restaurantes que servem espuma e feijoada desconstruída. Vi uma foto, uma vez. Eram bolinhas parecidas com as de gude da infância, mas recheadas de feijoada. Nada daquele prazer de misturar o feijão, a farinha, o caldo de feijão com pimenta, a costelinha….bem, a couve vocês podem levar…Banana e torresmo, não.

A falta de dinheiro fez com que o Corinthians tivesse um time pé no chão no ano passado. Aquela comida caseira muito bem temperada pelo Mestre Carille. O resultado, todos viram. Dois títulos importantes.

A situação financeira não melhorou, pelo menos que eu saiba. E três destaques se foram: Arana, Pablo e Jô. O que fazer, senão buscar a melhor reposição possível. O Corinthians foi ao mercado e, com parcimônia e sem loucuras está trazendo boa reposição. Juninho Capixaba é um lateral promissor, apesar de não ter sido um grande destaque no Brasileiro. Carille viu, gostou e pediu. Ele merece crédito, apesar de have pedido o Kazim. E aí está o Capixaba, com o Guilherme Romão na reserva.

Henrique está chegando para a zaga. Está bem, eu concordo que Scolari errou muito em levar Henrique à Copa. Miranda é muito mais. Também concordo que Henrique virou folclore no Barcelona, mas nada disso vale agora. É um bom zagueiro, mais que bom, na verdade. Não vai pesar a camisa e tem condições de suprir a saída de Pablo.

E, se o Corinthians perdeu um dos artilheiros do campeonato, está trazendo o outro. É uma falsa verdade. Ou melhor, uma verdade insuficiente para explicar a diferença técnica entre Jô, que sai, e Henrique Ceifador que deve vir. Jô é muito mais técnico, sabe jogar fora da área, é mortal caindo ali pela esquerda….mas o que não se pode negar é que Henrique sabe fazer gols. E é o melhor cobrador de pênaltis do mundo.

Ainda vieram Renê Jr, que eu considero um jogador muito bom. É versátil, pode fazer as três funções do meio (volante, volante de saída e até de chegada na área rival) e Júnior Dutra, que fez bom campeonato.

Vai dar tudo certo? Novos títulos virão? Não sei e ninguém sabe.

Mas a receita foi mantida. E ela fez muito sucesso. Se nada desandar….


Felipão e Roque Jr; mestre e pupilo com muitos problemas
Comentários Comente

Menon

Sabe aquela velha história de que o campeonato gaúcho tem dois clubes apenas e um monte de coadjuvantes. Felipão está acabando com ela. O seu Grêmio, um dos “dois clubes” gaúchos está de décimo lugar no campeonato, com duas vitórias e três derrotas. Perdeu para Aimoré, Brasil de Pelotas e Veranópolis, as duas últimas em casa. O retorno do velho caudilho ao seu rincão não tem se transformado em sucesso.

A velha história da superação – o cara faz sucesso em sua casa, ganha o mundo, faz mais sucesso ainda, começa a sofrer e recebe uma oportunidade de recomeçar onde começou e volta a fazer sucesso – está sendo escrita como farsa. Sem final feliz.

Após ganhar a Copa de 2002, Scolari recusou convite da seleção para continuar. Foi ganhar a Europa. Levou Portugal ao quarto lugar no Mundial da Alemanha e ao vice-campeonato da Eurocopa. Bem, vamos falar baixinho aqui para ninguém ouvir: perdeu em casa para a Grécia. A GRÉCIA. Mas, tudo bem, foi um vice.

Em seguida, começou a queda. Foi mal no Chelsea e acabou, quem diria, no Bunyodkor, do Uzbequistão. Seu exílio foi vendido como a atitude de alguém que deseja desbravar novos continentes, vencer desafios. Como Telê, quando foi para a Arábia.

A verdade é que já não havia mercado na Europa. E voltou ao Brasil. A um de seus portos seguros, o grande Palmeiras onde havia tido passagem gloriosa. O campeão da Libertadores venceu a Copa do Brasil, mas foi mal em outros campeonatos. E foi demitido em 2012 porque a queda para a segunda divisão se aproximava a galope.

Veio então o convite para a seleção brasileira, seu porto seguro mais importante. Ali, fora campeão mundial. Ali, foi campeão da Copa das Confederações. E ali sofreu a maior derrota do maior futebol do mundo. Foi o ápice de uma campanha ruim. Vitória com pênalti inexistente contra a Croácia, empate com o México, classificação nos pênaltis contra o Chile.

O time ia mal em campo e Scolari recorria a velhas artimanhas: a imprensa não deveria dizer que não houve pênalti em Fred, temos de nos unir contra os estrangeiros etc etc. Nada disso existe mais. E escalou um time aberto, com o Bernard “alegria nas pernas” mais preso que navio ancorado em porto raso. O maior vexame veio, porém, após os 7 a 1. Scolari, que recusou a seleção após o título de 2002, fez de tudo para ficar após o vexame de 2014. Não teve a altivez de pedir demissão.

Ferido em seu orgulho, recebeu a oferta do Grêmio. Aceitou na hora. Estava precisando de carinho, disse. Teve bons resultados, mas caiu muito no final do Brasileiro. Viu o grande rival se classificar para a Libertadores e agora sofre com o desmanche do time.

Haverá tempo de recuperação? Se não houver, o velho comandante terá de buscar aventura e desafios. Não há mais porto seguro para ele.

Roque Jr. sempre foi elogiado por Scolari. Como jogador – e foi um grande zagueiro, com uma fina contra a Alemanha irrepreensível – e como técnico mesmo sem ainda ser técnico. Scolari disse que ele seria ótimo treinador. Ele foi escolhido como um dos “espiões” da seleção, ao lado de Gallo.

A estreia de Roque Jr. como treinador foi cercada de expectativas. Assumiu o XV de Piracicaba e um bom campeonato com certeza o levaria para um time maior, poderia dirigir na Série B ou quem sabe na A.

Foram quatro derrotas em quatro jogos. Na quarta-feira de cinzas enfrenta o Red Bull fora de casa. Se perder uma vez mais, seu fim estará decretado. Seu cargo só foi mantido porque o presidente Rodrigo Boaventura foi contra a opinião de “99,9% da diretoria”, como diz Renato Bonfiglio, diretor de futebol, ao Jornal de Piracicaba.

É um início de 2015 muito ruim para mentor e discípulo.

 


< Anterior | Voltar à página inicial | Próximo>