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Boca x River é o clássico da covardia. Brasileira
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Menon

Boca e River vão decidir a Libertadores. A última decisão em dois jogos. A última decisão antes da gourmetização do campeonato mais bacana que há. É um momento grandioso do futebol argentino.

Ele nasceu e se desenvolveu baseado na rivalidade/ódio. Boca odeia River. Independiente odeia Racing. San Lorenzo odeia Huracán, como Lanús detesta Banfield. Gimnasia odeia Estudiantes. Rosário x NOB. E por aí vai. Cada clube de bairro tem seu rival. No próprio bairro ou fora dele.

Então, quando a maior de todas as rivalidades (50% da população envolvida), decide o título, o que temos é a consagração de um estilo de vida, até mais do que uma maneira de encarar o futebol.

A Argentina só fala no clássico. A América vai parar. A repercussão é mundial. Eles merecem. Mas não precisava ser assim.

Palmeiras e Grêmio têm culpa. Corinthians também.

Comecemos pelo menos “culpado”. O Corinthians, com péssimo futebol, caiu diante do Colo Colo. Se passasse, teríamos Corinthians x Palmeiras, algo semelhante a Boca x River.

Não houve.

Mas poderia haver Palmeiras x Grêmio na final.

Poderia, porque Boca e River não são superiores. Foram apenas mais corajosos. E mais respeitadores de sua história.

O River foi a Porto Alegre e deu um baile no Grêmio. Um estranho Grêmio, longe de suas características e abduzido pelo tal “espírito de Libertadores”. O quê? Defender uma vantagem mínima até o limite da irresponsabilidade.

É só comparar o que fez o Grêmio com o que fez o Boca em São Paulo. Schelotto, como Renato, também tinha uma vantagem a defender. E atacou. Atacou o Palmeiras sem medo e com autoestima nas nuvens.

Dois pontas, um centroavante e um jogo de igual para igual. Empatou em 2 x 2. Como havia vencido em casa a um acoelhado Palmeiras, carimbou o passaporte rumo à grande final.

Boca e River merecem estar na decisão. Mas é bom lembrar que derrotaram dois times covardes: a galinha tricolor de Renato e a galinha alviverde de Scolari


Felipão não entende papel da Imprensa
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Luis Felipe Scolari está na história do futebol mundial. Ganhou uma Copa do Mundo e ficou em quarto em outras duas. E o currículo vitorioso não para por aí. Tem Libertadores, Brasileiro, Copa do Brasil.

Ultrapassado? Campeão. Novamente, daqui a um menos de um mês.

O que Scolari não aprende – é uma pena – é o papel da Imprensa. Para ele, os jornalistas devem ser um apêndice do clube que dirige. Devem fazer parte da Família Scolari.

Foi assim em 2014. Na estreia, contra a Croácia, o juiz deu um pênalti ridículo a favor do Brasil. As críticas vieram. Scolari reagiu, falando em um complô estrangeiro contra o Brasil. E conclamou jornalistas brasileiros a abraçarem a causa. Como se jornalistas fizessem parte da corrente prá frente.

Agora, no Palmeiras, dois casos. Interrompeu uma entrevista de Deyverson, com a justificativa de que o centroavante tem uma “ficha solta”. Ora, decidir quem fala ou não, deve ser função da assessoria de imprensa e não do treinador.

E Scolari exigiu que Alexandre Mattos telefonasse ao repórter André Hernan. O motivo? Ele, como ótimo profissional que é, descobriu as escalações do Palmeiras nos dois jogos contra o Boca.

Ora, ligou para dizer o quê? A única razão que imagino é algo do tipo: você devia ajudar a gente ou então: exijo saber quem te deu a informação.

Duas opções indignas. Duas opções de quem não entende o que é jornalismo.

Não acredito que Scolari seja o mesmo homem violento do século passado, quando agrediu o jornalista Gilvan Ribeiro. Mesmo assim, evoluindo, não sabe o papel da Imprensa.


A lição de Scolari
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“Seria uma vergonha mundial”. Foi assim que Felipão respondeu à uma pergunta sobre a possibilidade de o Palmeiras estar arrependido de não haver eliminado o Boca, seu algoz, na primeira fase da Libertadores.

A eliminação teria se consumado se o Palmeiras houvesse entregado um jogo para outro time. Perdido por querer.

A resposta quase irritada de Scolari traça uma linha ética importantíssima. Felipão manda jogar outra bola em campo, orienta gandulas a retardar jogo, já pediu para cometem a orelha de Edílson, outro dia mesmo prometeu troco para jogadores do Cruzeiro, enfim, não é o Rei do Fairplay.

Pois foi ele que disse: desonestidade, não.

Porque é disso que se trata: mutreta, lambança, trampa, ladroagem, rapinagem, ofensa ao esporte.

E, ao perguntarem uma coisa dessas, ao naturalizar em essa possibilidade, os repórteres, na minha opinião, ofendem o entrevistado. É o mesmo que dizer: “valeu a pena ser honesto?”, ou, “se você tivesse sido desonesto na época, o Palmeiras estaria na final?”

Scolari, que nem era o treinador na primeira fase, foi duro, não titubeou e se colocou como um esportista e não como um falsário. O zagueiro Luan também foi direto: “você prejudicaria uma empresa concorrente”?

O Palmeiras não será campeão. Mas esta limpo. Se houvesse se rendido à mutretagem e ficado com a taça, sempre haveria uma nódoa.

Foi assim com Alemanha e Àustria no jogo da vergonha na Copa de 82 e com Bernardinho em 2010.

Felipão é de outra cepa.

 


Felipão nocauteia a modernidade
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Alguns fatos sobre Felipão e Palmeiras:

O aproveitamento é espetacular, com sete jogos sem sofrer gols. É incontestável, não há o que discutir.

A vitória por 2 x 0 sobre o Cerro, fora de casa, foi ótima. E nem vi o jogo. Foi ótima por vencer um time aguerrido for de casa e por encaminhar a classificação na Libertadores.

Tirando esse jogo, os outros foram contra adversários fracos. Nenhum time de primeira linha, como o Palmeiras é.

Então, é bom ter o pé atrás, é bom se preparar para novos jogos mais difíceis. E também é bom não ficar procurando defeitos.

Em resumo, e qui lí brio, como diz o Tite. O trabalho até agora é perfeito, mas exceção ao Cerro, os rivais eram fracos.

O que eu gosto no Felipão é que, com ele, o futebol é apenas futebol. Um jogo. Você tem de ganhar. Fazer com que seus onze jogadores derrotem os outros onze. Absolutamente, em hipótese alguma, você precisa jogar bem. Evidentemente, se você ganha jogando mal, está mais perto de perder no jogo seguinte.

Mas, no futebol brasileiro, com jogadores que não se comparam aos das médias ligas da Europa, eu não acho aconselhável ficar analisando treinador para mais além do resultado. Afinal, ninguém é gênio, ninguém tem um trabalho autoral, ninguém vai fazer história.

Felipão quer ganhar. E trabalha para vencer, sem frescura.

Roger Machado, após deixar o Galo, ficou seis meses sem trabalhar. Ele argumenta que não gosta de pegar um time “em andamento”. Quer pegar desde o início e ir moldando o grupo às suas ideias. Ou ir moldando suas ideias ao grupo. Como um Michelângelo diante da alva Capela Sistina. Como Gabriel Garcia Márquez diante da folha em branco de sua máquina de escrever. Ou Chimamanda Ngozie Adichie diante da tela do computador.

Scolari chegou no meio de competição, sem tempo de treinar e já melhorou o time do Roger. A defesa parou de sofrer gols.

Eu acho irritante treinador jovem dizer que o time não tem tempo para treinar. Ora, é assim que a banda toca em Pindorama. Quer tempo para treinar, vai para a Europa. Ou peça que o presidente de seu clube enfrente a CBF. Ou faça, ele mesmo, uma tentativa de calendário decente. Dê sua contribuição ao futebol brasileiro. Pois, sim. Dizem que não têm tempo para treinar não para melhorar o futebol e sim para ter uma muleta que diminua a cobrança pelas derrotas.

A verdade é que não tem tempo para treinar mesmo. Mas também verdade que Osmar Loss e Roger Machado não apresentaram nada de novo após 40 dias de treinamento proporcionados pela parada da Copa. Barbieri também não. E reclama de gramado. Muletíssima.

Com Felipão, Deyverson e Borja estão fazendo gols. Ele tem dois centroavantes para escolher.

Para ele, isso é fundamental. Felipão não vive sem uma casquinha. Sem um cruzamento que termina em cabeçada. Sem um contra-ataque mortal, que termina no pé matador, após um passe bem feito.

É ultrapassado? Não tem posse de bola? Muito cruzamento? A verdade, amigos, é que não existe uma única maneira de vencer. E o que importa é vencer.

Outro ponto a favor de Scolari é ter uma linguagem acessível ao jogador. Ele sabe explicar o que deseja. Não precisa falar uma coisa em “tatiquês” e depois traduzir em “boleirês”.

E ele, que é grosseiro com muita gente, trata seus jogadores como um paizão. É a tal família Scolari, que se transformou em comédia após o grande vexame de 2014, mas que pode ajudar agora. Em 2014, o Brasil era um time muito ruim, mal treinador e ultrapassado. Scolari foi engolido por outros treinadores e a tal família Scolari não serviu para nada. Agora, por enquanto, está ajudando. Mas, se vier um time muito melhor, vira fiasco de novo.

Esperemos, mas por enquanto é notório que Scolari está rendendo muito mais que os treinadores universitários. A turma do bloco médio, da amplitude, da valência física e técnica, da biotipia, da vitória pessoal (drible)…

 

 


Palmeiras de Felipão, ganha com ajuda de Jorginho
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O Palmeiras, com muitos reservas, venceu o Vasco, com ajuda do treinador rival.

O jogo esteve equilibrado no primeiro tempo. O Palmeiras com posse de bola. O Vasco, com marcação forte e apostando em contra-ataque com Pikachu.

No segundo tempo, Jorginho colocou o volante Andrey na lateral, com a saída de Galhardo. Raul ficou de volante. A marcação afrouxou e o Palmeiras passou a atacar por ali, com Hyoran.

O gol veio em seguida, com Deyverson. Foi a sua terceira tentativa no jogo.

Lucas Lima foi muito bem no segundo tempo. Hyoran foi superior a Scarpa. Gómez estreou bem.

OO Palmeira teve a cara de Felipão. Jean, jogador eternamente coadjuvante, tem lugar assegurado. Muita luta e cruzamento na área.

O Vasco teve a cara de Jorginho.


Tite precisa fazer uma estátua para Felipão e outra para Dunga
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Na próxima semana, Tite fará a primeira convocação da seleção brasileira em seu novo ciclo como treinador. Se tudo correr bem, ele terá ficado seis anos à frente da seleção. Se tudo correr melhor ainda, talvez emplaque um terceiro ciclo, indo para uma década no comando do futebol brasileiro. E a sua mianutenção é aplaudida pela grande maioria da população, com entusiasmo. E uma outra parte, sem entusiasmo. Uma aceitação totalmente inexplicável quando se olha para o trabalho de Tite durante o Mundial da Rússia.

Um empate morno contra a Suíça.

Uma vitória sofrida contra a Costa Rica.

Uma boa vitória contra a Sérvia.

Vitória contra o México, após um sufoco inicial.

Derrota contra a Bélgica.

A seleção ficou em sexto lugar. A mesma classificação de Dunga em 2010. Pior do que Scolari em 2014.

Mas, se a seleção foi mal, Tite foi bem.

Não foi.

Pensemos no embate tático de Tite com outros treinadores. Foi amplamente derrotado por Martinez, da Bélgica. Ele mudou seu time, que havia sofrido contra o Japão, e Tite não teve reação alguma no primeiro tempo. No segundo, equilibrou as coisas. Contra o México, Tite foi surpreendido por Osorio, que colocou o time no ataque. Surpreendido, não. Osorio havia avisado. Se o México fizesse um gol….

Tite errou muito mais.

Levou Fred à Copa, sem condição de jogo. Clinicamente falando.

Levou Taison, sem condição de jogo. Tecnicamente falando.

E não soube lidar com Neymar. Após dois anos juntos, é impossível dizer que Neymar melhorou como jogador. Tatica, técnica e emocionalmente. Tite fez dele um protegido, alguém sofrido e perseguido. Falhou como gestor de pessoas, o que é considerado algo imprescindível hoje.

Quando digo que Tite não deveria continuar como treinado do Brasil, a resposta é a seguinte: “quem é melhor do que ele?”

Provavelmente, nenhum. Mas, quantos piores do que ele, fariam um trabalho melhor do que ele? Cinco ou seis.

Há três fatores que ajudam Tite a ter uma avaliação positiva.

O jeito professoral, baseado em midia training e o uso de termos vindos da universidade, que lhe dão uma aura de intelectual, contra o jeito meio bronco e simplório dos dois últimos antecessores.

O medo causado pelo 7 x 1, a maior comédia do futebol brasileiro. Tragédia foi 50, 2014 foi comédia. O maior vexame do esporte brasileiro. Pior do que, por exemplo, a seleção de rugbi perder para a Nova Zelândia por 1200 x zero.

O pavor de ficar fora da Copa, presente durante o segundo trabalho de Dunga na seleção. Um horror.

Tite não é avaliado por seu trabalho, apenas. Ele ganha pontos pelas besteiras dos anteriores.

Deveria fazer uma estátua para cada um, em forma de agradecimento.

 

 


Timão mantém receita e terá sucesso em 2018
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Pequena viagem aos anos 70:

Segunda-feira – Virado à paulista

Terça-feira – Bife a rolê

Quarta-feira – Feijoada

Quinta-feira – Macarrão com frango

Sexta-feira – Peixe à dorê

Sábado – Feijoada.

O cardápio nos botecos do centro eram imutáveis. Bons restaurantes também o replicavam, com mais qualidade, é lógico. Na saída do banco, antes de ir para o cursinho, com amigos como Zé Roberto, Nelsinho Juncioni, Edinho (saudades do amigo), Jorginho Tequila ou quando me encontrava com outros casabranquenses como Irineu, Zimbres e Laércio, era sempre o mesmo cardápio.

Eu gostava. Gosto de comida assim, caseira. Feijão, farinha e pimenta me fascinam. Hoje (ou será que já existia naquele tempo) há restaurantes que servem espuma e feijoada desconstruída. Vi uma foto, uma vez. Eram bolinhas parecidas com as de gude da infância, mas recheadas de feijoada. Nada daquele prazer de misturar o feijão, a farinha, o caldo de feijão com pimenta, a costelinha….bem, a couve vocês podem levar…Banana e torresmo, não.

A falta de dinheiro fez com que o Corinthians tivesse um time pé no chão no ano passado. Aquela comida caseira muito bem temperada pelo Mestre Carille. O resultado, todos viram. Dois títulos importantes.

A situação financeira não melhorou, pelo menos que eu saiba. E três destaques se foram: Arana, Pablo e Jô. O que fazer, senão buscar a melhor reposição possível. O Corinthians foi ao mercado e, com parcimônia e sem loucuras está trazendo boa reposição. Juninho Capixaba é um lateral promissor, apesar de não ter sido um grande destaque no Brasileiro. Carille viu, gostou e pediu. Ele merece crédito, apesar de have pedido o Kazim. E aí está o Capixaba, com o Guilherme Romão na reserva.

Henrique está chegando para a zaga. Está bem, eu concordo que Scolari errou muito em levar Henrique à Copa. Miranda é muito mais. Também concordo que Henrique virou folclore no Barcelona, mas nada disso vale agora. É um bom zagueiro, mais que bom, na verdade. Não vai pesar a camisa e tem condições de suprir a saída de Pablo.

E, se o Corinthians perdeu um dos artilheiros do campeonato, está trazendo o outro. É uma falsa verdade. Ou melhor, uma verdade insuficiente para explicar a diferença técnica entre Jô, que sai, e Henrique Ceifador que deve vir. Jô é muito mais técnico, sabe jogar fora da área, é mortal caindo ali pela esquerda….mas o que não se pode negar é que Henrique sabe fazer gols. E é o melhor cobrador de pênaltis do mundo.

Ainda vieram Renê Jr, que eu considero um jogador muito bom. É versátil, pode fazer as três funções do meio (volante, volante de saída e até de chegada na área rival) e Júnior Dutra, que fez bom campeonato.

Vai dar tudo certo? Novos títulos virão? Não sei e ninguém sabe.

Mas a receita foi mantida. E ela fez muito sucesso. Se nada desandar….


Felipão e Roque Jr; mestre e pupilo com muitos problemas
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Sabe aquela velha história de que o campeonato gaúcho tem dois clubes apenas e um monte de coadjuvantes. Felipão está acabando com ela. O seu Grêmio, um dos “dois clubes” gaúchos está de décimo lugar no campeonato, com duas vitórias e três derrotas. Perdeu para Aimoré, Brasil de Pelotas e Veranópolis, as duas últimas em casa. O retorno do velho caudilho ao seu rincão não tem se transformado em sucesso.

A velha história da superação – o cara faz sucesso em sua casa, ganha o mundo, faz mais sucesso ainda, começa a sofrer e recebe uma oportunidade de recomeçar onde começou e volta a fazer sucesso – está sendo escrita como farsa. Sem final feliz.

Após ganhar a Copa de 2002, Scolari recusou convite da seleção para continuar. Foi ganhar a Europa. Levou Portugal ao quarto lugar no Mundial da Alemanha e ao vice-campeonato da Eurocopa. Bem, vamos falar baixinho aqui para ninguém ouvir: perdeu em casa para a Grécia. A GRÉCIA. Mas, tudo bem, foi um vice.

Em seguida, começou a queda. Foi mal no Chelsea e acabou, quem diria, no Bunyodkor, do Uzbequistão. Seu exílio foi vendido como a atitude de alguém que deseja desbravar novos continentes, vencer desafios. Como Telê, quando foi para a Arábia.

A verdade é que já não havia mercado na Europa. E voltou ao Brasil. A um de seus portos seguros, o grande Palmeiras onde havia tido passagem gloriosa. O campeão da Libertadores venceu a Copa do Brasil, mas foi mal em outros campeonatos. E foi demitido em 2012 porque a queda para a segunda divisão se aproximava a galope.

Veio então o convite para a seleção brasileira, seu porto seguro mais importante. Ali, fora campeão mundial. Ali, foi campeão da Copa das Confederações. E ali sofreu a maior derrota do maior futebol do mundo. Foi o ápice de uma campanha ruim. Vitória com pênalti inexistente contra a Croácia, empate com o México, classificação nos pênaltis contra o Chile.

O time ia mal em campo e Scolari recorria a velhas artimanhas: a imprensa não deveria dizer que não houve pênalti em Fred, temos de nos unir contra os estrangeiros etc etc. Nada disso existe mais. E escalou um time aberto, com o Bernard “alegria nas pernas” mais preso que navio ancorado em porto raso. O maior vexame veio, porém, após os 7 a 1. Scolari, que recusou a seleção após o título de 2002, fez de tudo para ficar após o vexame de 2014. Não teve a altivez de pedir demissão.

Ferido em seu orgulho, recebeu a oferta do Grêmio. Aceitou na hora. Estava precisando de carinho, disse. Teve bons resultados, mas caiu muito no final do Brasileiro. Viu o grande rival se classificar para a Libertadores e agora sofre com o desmanche do time.

Haverá tempo de recuperação? Se não houver, o velho comandante terá de buscar aventura e desafios. Não há mais porto seguro para ele.

Roque Jr. sempre foi elogiado por Scolari. Como jogador – e foi um grande zagueiro, com uma fina contra a Alemanha irrepreensível – e como técnico mesmo sem ainda ser técnico. Scolari disse que ele seria ótimo treinador. Ele foi escolhido como um dos “espiões” da seleção, ao lado de Gallo.

A estreia de Roque Jr. como treinador foi cercada de expectativas. Assumiu o XV de Piracicaba e um bom campeonato com certeza o levaria para um time maior, poderia dirigir na Série B ou quem sabe na A.

Foram quatro derrotas em quatro jogos. Na quarta-feira de cinzas enfrenta o Red Bull fora de casa. Se perder uma vez mais, seu fim estará decretado. Seu cargo só foi mantido porque o presidente Rodrigo Boaventura foi contra a opinião de “99,9% da diretoria”, como diz Renato Bonfiglio, diretor de futebol, ao Jornal de Piracicaba.

É um início de 2015 muito ruim para mentor e discípulo.

 


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