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Luxemburgo voltou? Seria ótimo para o futebol brasileiro
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menon

O Sport está invicto há cinco jogos, com quatro vitórias seguidas. Está em sexto lugar no Brasileiro, na zona de Libertadores e muito longe da confusão, termo cunhado por Vanderlei Luxemburgo, o comandante da virada do Leão. A arrancada contou com vitórias fora de casa contra Santos e Coxa e na Ilha, contra Furacão e Chape.

Luxemburgo é o mais brilhante treinador que conheci. Sempre foi inventivo, sempre buscou soluções ofensivas. E não ficava apenas na prática. Exigia muito de treinamentos e, na repetição, fez com que muita gente melhorasse. Tinha um pouco de Telê.

Depois, se perdeu. Deixou o campo de lado e se imaginou um manager, cuidando de tudo e, principalmente, de contratações. Muitas em parceria com o amigo e sócio Malucelli. Futebol deixou de ser o único jogo a lhe seduzir e perdeu o foco totalmente.

Teve passagens ruins em times grandes, foi para a China, ficou um bom tempo sem emprego e agora, tudo indica, ressurge no Sport. Colocou Mena na ponta esquerda, formando uma dupla forte com o lateral Sander. Fez Osvaldo jogar bem e está sabendo tirar o melhor de Rogério, uma substituição recorrente, e de Thomas. E foi premiado com a continuidade de Diego Souza, algo que ninguém acreditava ser possível acontecer.

O rubronegro Luxemburgo está ressurgindo com o rubronegro Sport. Bom para o futebol.

 


Ceni como técnico do São Paulo seria ótimo. Para ambos
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cenitreinadorAntes do texto, uma premissa: Ricardo Gomes está engrenando agora, apesar de haver cometido erros. Se o São Paulo o mantiver no comando, estará apostando no desenvolvimento de um trabalho. Não vejo como um erro.

Eu defendi aqui que Rogério Ceni não deveria começar sua carreira de treinador na base do São Paulo. No momento, graças à excelência do trabalho realizado por André Jardine, seria sua definição como substituto do atual comandante (Jardine é mais que um treinador) seria bom apenas para Ceni. Não para o São Paulo. Também é difícil que seja auxiliar de Ricardo Gomes. Seu nome seria gritado nas arquibancadas ao primeiro mau resultado. Fora, Ricardo, Viva Ceni. Puta que pariu, é o melhor técnico do Brasil. Uma situação horrível para Gomes e para Ceni.

Incoerência, então, dizer que ele tem condições para assumir o time profissional. Incoerência, sim. Evidente incoerência, mas há argumentos que possam justificá-la.

1) O mau momento do time – Na verdade, falar em momento é uma fidalguia. O momento do São Paulo se inicia em 2009. Está mais próximo de uma década do que de um lustro. E vai piorando. Em 2010, Ricardo Gomes foi demitido porque o time caiu na Libertadores contra o Inter, na semifinal, por conta do valor diferenciado do gol fora de casa. O que foi causa de demissão, hoje seria caso de estátua. Ou de orgulho. Desde então, em 2013 e 2016, o clube namorou com o rebaixamento. Houve trocas incessantes de treinadores.  Não é chegada a hora de um fato novo? E qual fato novo mais impactante do que Ceni?

2) Final de ano – Se assumisse o São Paulo, Ceni encontraria um time que teve um ano horrível, tanto com Bauza como Ricardo Gomes. O argentino levou o time à semi da Libertadores, mas futebol que é bom, eu não vi. No frigir dos ovos, o rendimento anual beira 50%, o que é ridículo para o São Paulo. Então, a cobrança sobre Ceni seria apenas – e é gigantesca – aquela relacionada com a história do gigante. Não com o momento. Início de ano, time ruim, vindo de um ano péssimo. Hora de reconstrução. Ninguém poderá cobrar de Ceni um futebol que não se vê há tempos. Haveria, pelo menos, um semestre de boa vontade com o grande ídolo.

3) Dívida com Ceni – Um clube é maior do que seus ídolos. De todos os seus ídolos reunidos. A entidade é a depositária do amor e não o jogador. Mesmo assim, sendo tão maior do que Ceni, o São Paulo deve a ele. Por tudo o que ele fez, por tudo o que ele representa, o São Paulo deve a ele a oportunidade de uma nova carreira dentro do clube. Como treinador, como administrador, de alguma forma. Ceni não poderá nunca dirigir Palmeiras ou Corinthians, onde é odiado com a mesma intensidade com que é amado pela grande maioria da torcida tricolor. O desejo de Ceni não é uma ordem, mas é um desejo de Ceni, o maior jogador da história do clube. Embora, a meu ver, nem seja o maior goleiro da história do clube.

4) Ausência de opções – Um novo treinador estrangeiro? Jovens ascendentes como Guto Ferreira, Milton Mendes ou Eduardo Batista? Veteranos como Abel Braga ou Luxemburgo? Respeito a todos, mas não vejo nenhum como um nome natural, como alguém que não traga dúvidas, uma certeza de resultado imediato.

5) Capacidade de Ceni – O passado de Ceni o condena a ser um ótimo treinador. Sempre foi um jogador obcecado pelo sucesso. Ao contrário dos gênios, não deve o sucesso a um dom. O trabalho vem antes. Sempre foi um capitão presente, sempre participou de decisões. Mas não vive do potencial. Tem estudado para ser treinador. Foi à Europa fazer cursos. Não será um treinador “boleirão”. Mesmo porque não foi um jogador “boleirão”. Está pronto como técnico? Lógico que não. Ninguém está, muito menos ele ainda que nem estreou na profissão. Mas está pronto para começar a carreira. E, sendo quem é, por que não pensar que será uma carreira de sucesso? Será uma aposta sem riscos para o São Paulo.

 


Só resenha não adianta, Luxemburgo
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luxazizu
Vanderlei Luxemburgo esteve no Resenha, ótimo programa da ESPN. Mais uma etapa do périplo midiático que busca tirá-lo da triste estatística que revela a tragédia nacional: 12 milhões de desempregados.

“Você ainda vai ver Luxemburgo ganhando muita coisa em um grande clube do Brasil”, disse, evidentemente embaraçado, a um internauta que sugeriu um recomeço em clube menor, talvez o Bragantino.

Luxemburgo erra em um ponto chave. Básico. Seu futuro depende de seu presente e não de seu passado glorioso. Entre os seus – Zé Elias, Djalminha e Alex são gratos aos ensinamentos do tempo em que trabalharam juntos – , o professor lembrou de casos antigos e voltou a dizer a frase que tem muito de verdade e mais ainda de arrogância: “tudo que tem de moderno no futebol brasileiro, foi criado por mim”.

Para o possível novo empregador, isso não tem valor algum, mesmo que verdadeiro. A única reação que causa é: “como vou aguentar uma mala dessas?”. E as lembranças gloriosas soam muito mais como lembranças do que projeções. Luxemburgo soa como um velhinho orgulhoso de suas realizações. Como tantos outros que fizeram muito menos do que ele.

Luxemburgo precisa olhar um pouco para o passado. Telê Santana, que ele estava superando, morreu. Nelsinho Batista, seu primeiro rival, está há anos no Japao. Quem brilha agora é seu filho. Cuca, que era jogador em 93, quando Luxemburgo montou o grande Palmeiras, agora é o futuro campeão brasileiro.

Não adianta dizer que foi bom. Não adianta relembrar que foi bom. Não adianta comprovar que foi bom. Luxemburgo precisa dizer e mostrar que ainda pode ser bom, que ainda é ótimo.

Podia começar a se expor menos. Fazer um discurso mais contido. Quem sabe contratar um mídia training como o de Mano Menezes ou de Tite. São chatos demais, mas não se desgastam.

Não adianta ser agressivo. Ao responder se a dificuldade de falar inglês atrapalha a carreira internacional dos treinadores brasileiros, ele irritou-se muito no Bem, Amigos. Disse que é um problema do Brasil, que a população é pobre e não é poliglota. Nem os jornalistas. Uma análise sociológica perfeita, mas…quanto ganha Luxemburgo? Ele pode fazer um curso caríssimo. Como Mano já fazia em 2008.

Em vez de dizer – como Maluf dizia – que tudo o que existe é obra sua, Luxemburgo poderia dizer o que poderia trazer de novidade. Como enfrentar o aburrido 4-2-3-1, por exemplo, praticado por 90% dos clubes brasileiros. Mostrar ideias novas para as categorias de base, algum tipo de treinamento para goleiros, que não mais encaixam uma bola, limitando-se a soca-la como se fossem Maguilas.

Luxemburgo tem ideias novas para o futebol brasileiro? Elas são brilhantes como aquelas dos anos 90? Como ele as implantaria?

Enfim, o melhor treinador que eu vi, precisa mostrar-se humilde e pronto para recomeçar. Por que não com um projeto detalhado, profundo, sem basear-se apenas no passado.

O passado não pode ser o aval para o futuro. Não, em seu caso. Ou, usando o estilo demonstrado no Resenha, não basta apenas ter a pica reta.


Ceni não aceita trabalhar com Luxemburgo
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menon

ceni-1Rogério Ceni será técnico de futebol em pouco tempo. Fez cursos na Inglaterra e estágios com Claudio Ranieri (Leicester,  Jurgen Klopp (Liverpool), Walter Mazzari (Watford) e Claude Puel (Southampton). Tem admiração muito grande (sempre repetida) por Paulo Autuori, Osorio, Murici e Ricardo Gomes. Aceitaria começar sua carreira sendo auxiliar de um deles. Luxemburgo, não. Foi o que me garantiu um amigo de Ceni. “Eles não tem a mesma ideologia e nem o mesmo perfil de trabalho. Seria uma união que não daria certo. Nem que o Luxemburgo fosse auxiliar dele”/

A verdade é que a sombra de Ceni pairaria sobre qualquer treinador que ele fosse auxiliar.  É possível imaginar a torcida gritando: “fora, fulano, fica Ceni” na primeira série de derrotas. Uma sombra que ele não gostaria de colocar em Ricardo Gomes, por exemplo.

Por isso, pela grandeza de Ceni no São Paulo – impossível imaginá-lo começando a carreira em outro grande – é mais fácil pensar que ele será o próximo treinador do São Paulo, já a partir do ano que vem. Não como auxiliar de alguém. Como algum presidente do São Paulo poderia recusar um aceno de Ceni? E o aceno já foi dado.

PS A caricatura foi publicada anteriormente no blog futebolnoestadio (http://futebolnoestadio.blogspot.com.br)

 

 

 


Timão recusado é revolução. A besteira de Del Bosque. Picadinho do Menon
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Quatro mosqueteiros recusaram o convite para dirigir o Corinthians. Algo impensável. Algo que pode ser indicativo de uma mosqueteirorevolução no futebol brasileiro. A mudança já começou no perfil procurado pelo campeão brasileiro. Nada de medalhões. Quando um treinador cai, sempre aparecem nomes e nomes. E nem assim, alguém cogitou Vanderlei Luxemburgo. Não se falou em Murici Ramalho. Houve algum rumor sobre Osvaldo e Abel Braga, mas parou por aí.

O Corinthians tentou ousar. O primeiro nome buscado – ainda que não oficialmente – foi o de Roger, que, mesmo sem títulos e acumulando eliminações, tem feito um trabalho muito elogiado no Grêmio.

E os outros nomes?

Silvinho, criado no clube, auxiliar de Tite e de Mano e atualmente na Internazionale, também como auxiliar. Nome novo, sem vícios, uma aposta no futuro.

Não quis. Preferiu acabar o curso de treinador da Uefa. Apostou no conhecimento e não na aventura – aventura não é, necessariamente, algo ruim – de dirigir o Corinthians.

Fernando Diniz – apontado como a grande novidade no futebol paulista nos últimos anos. Treinador arrojado, que aposta em conceitos táticos e técnicos modernos e que nunca dirigiu um grande.

Não quis. Preferiu levar o Oeste ao título da Série B.

Eduardo Batista – já trabalhou no Corinthians como auxiliar do pai, Nelsinho Batista, fez bom trabalho no Sport e fracassou no Fluminense.

Não quis. Jurou lealdade à Ponte, que o contratou após demitir Gallo, que fazia ótimo trabalho. Algo semelhante com o que ocorreu com o pai, contratado após a demissão de Estevam Soares, que também fazia bom trabalho na Ponte.

Então, o que temos?

Um clube gigante, atual campeão brasileiro, apostando em novidades. Buscando treinadores em início de carreira, correndo de medalhões e de vícios.

E, ao mesmo tempo, essas novidades todas recusando a honra de dirigir o Corinthians em nome da manutenção de um contrato já assinado e, no caso de Silvinho, no conhecimento acadêmico.

Se novidades assim deixarem de ser novidades, teremos uma revolução no futebol brasileiro.

picadinho

1) IGNORÂNCIA DE VICENTE DEL BOSQUE – O treinador da Espanha afirmou que não conhece Tite, o novo treinador do Brasil. É uma ignorância atroz. Tite foi campeão do mundo derrotando o Chelsea, campeão europeu. Del Bosque não acompanhou o Mundial de 2012? Caso não tenha visto, não foi ver depois, não foi atrás da novidade? Ou da zebra, que seja! Del Bosque é um treinador acima de dúvidas. Ganhou um Mundial e duas Eurocopas. Mas, se conhecesse o trabalho de Tite, não levaria 5 da Holanda no Mundial-14.

isinbaieva2) A IAAF ANUNCIOU A SUSPENSÃO DO atletismo da Rússia na Olimpíada do Brasil. Uma suspensão muito dura contra uma federação que apoiou – ou pelo menos, nada fez contra – um doping sistemático. Não é um caso isolado ou outro. À primeira vista, parece justo, mas…e os atletas que nada fizeram? Que estão limpos? Em nome da dureza e da moralidade, vai se punir os limpos? Pode ser um tiro pela culatra. Em vez de os sujos resolverem ficar limpos, talvez os limpos comecem a recorrer ao doping. Afinal, não são todos iguais. A punição para todos me parece mais um murro na mesa, mais um desabafo do que algo prático e que dê resultados. Yelena Isinbayeva, grande nome do salto com vara, denunciou o caso como violação dos direitos humanos e prometeu recorrer em todas as instâncias. Talvez possa competir com uma bandeira neutra. Isinbayeva é muito ligada a Putin e não é muito ligada a direitos humanos, não. Ela se recusou a aceitar punições aos russos por comportamentos homofóbicos na Olimpíada de Inverno de Sochi.

3) MICHAL BRADLEY, CAPITÃO DOS EUA, usou uma braçadeira com as cores do arco íris durante a partida contra o Equador, na Copa América. Era uma homenagem, lembrança, protesto, não sei, em relação ao atentado homofóbico que matou dezenas de pessoas em uma boite gay em Orlando. Uma atitude linda e comprometida que deveria deixar mais envergonhado ainda os que gritam biiiiiiiicha quando o goleiro adversário vai bater um tiro de meta.

4) EUROCOPA É TRISTE PARA OS VIRA-LATAS – Briga entre hooligans, sinalizadores jogados dentro do campo, buscando acertar jogadores, jornalista brasileira Sonia Blota sendo agredida, torcedores jogando pedras para crianças refugiadas brincarem de futebol….A Eurocopa está perdendo de goleada, em termos de organização, para a Copa do Brasil. É triste ver que não só aqui as mazelas humanas afloram. Bem, para mim não é novidade…

 


Dicas sobre a decadência de Luxemburgo
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Vanderlei Luxemburgo, multicampeão no futebol brasileiro, está desempregado. Pela segunda vez no mesmo Brasileiro, foi demitido. Flamengo e Cruzeiro consideraram melhor estar sem ele do que com ele. Tem sido assim nos últimos anos.

Conversei com alguns jogadores e assessores e há um certo padrão nas críticas que fazem ao treinados. São pontos recorrentes.

1) Treinos ultrapassados – Jogadores conversam muito e trocam informações entre si. E, há entre eles, muitas restrições aos treinos de Luxemburgo. Restrições que aumentam quando comparam com métodos de outros treinadores. A intensidade do trabalho é menor. Não há nada sobre ocupação de espaços, sobre qual postura tática adotar em campo, sobre informações sobre o adversário. Uma dica ou outra, nada muito aprofundado. Com Luxemburgo, há polimento técnico, chutes a gol, domínio de bola, mas os jogadores acham que é pouco hoje em dia.

2) Apego ao passado – Os jogadores já esperam que, à primeira derrota, Luxemburgo recorra a chavões como “não tenho nada que provar a ninguém”, “é preciso respeitar minha história”, “minha carreira não pode ser julgada porque não ganhei uma Libertadores”. O discurso é motivo de ironia e gozação. Para os jogadores, mostra uma fraqueza emocional, um apego a glórias que já estão longe. Não passa confiança.

3) Vida pessoal – Há uma perda de comando quando atletas ficam sabendo que o treinador tem prazo estreito para pagar uma dívida de jogo no Paraguai, que ainda deve dinheiro a um ex-jogador etc. Ninguém se posiciona, ninguém cobra, mas há um desconforto. Quem vai fazer um pacto por alguém que tem esse tipo de atitude?

4) Boa surpresa – Com esse quadro, jogadores de Luxemburgo chegam a se surpreender positivamente com instruções que ele passa durante o jogo. Corrige posicionamento, pede mudança de atitude e até consegue extrair algo de bom dos jogadores. São mudanças que dão certo mas que não foram treinadas durante a semana. Fica a impressão que ele descobriu algo na hora, durante o jogo. Mostra que ainda é brilhante. Mas que falta trabalho.

Para mim, é uma pena. Luxemburgo sempre foi um exemplo de treinador criativo, de profissional brilhante, em busca de futebol bonito e vencedor.

Hoje, por mais cruel que seja a analogia, parece carta fora do baralho.

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Luxemburgo? Eurico? Pega, mata, esfola….
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A trilogia de Lira Neto sobre Getúlio Vargas é monumental. Conta a vida do presidente, sem ódio e sem adulação, e traça um painel da política brasileira do final dos Oitocentos até o início dos 900. Pelo menos é assim, nas 200 primeiras páginas do primeiro livro. São três volumes de 600 páginas.

O senador Pinheiro Machado está no livro. Com grande influência no governo de Hermes da Fonseca, tornou-se o depositário de todo o ódio dos adversários quando Wenceslau Brás assumiu a presidência. Em um ato público no Rio, Pinheiro Machado quase foi linchado. A ordem que deu ao seu motorista para sair do meio da turba tornou-se um clássico da sagacidade do político brasileiro. “Nem tão devagar, que pareça afronta, nem tão depressa que pareça medo”.

Era necessário terminar com Pinheiro Machado, o pior dos brasileiros.

O deputado José Gonçalves Maia, de Pernambuco, expressou essa aversão, sugerindo em uma entrevista, o envio de um PL ao Congresso, com sucinta e truculenta redação.

Artigo 1º – Fica extinto o senhor Pinheiro Machado;

Artigo 2º – Revogam-se as disposições em contrário.

Pinheiro Machado foi assassinado em 8 de setembro de 1915, aos 64 anos.

Quando falamos de esporte, um século após, vejo tanta intransigência apenas em relação a dois homens: Vanderlei Luxemburgo e Eurico Miranda. Vende-se a panaceia de que o futebol brasileiro estaria bem melhor sem os dois. Estaria salvo. A Eurico, imputam o epíteto de “câncer do futebol brasileiro”.

Quanto a Luxemburgo, é fundamental que ele não arrume emprego. Vejamos um caso recente.

1) Luxemburgo, depois de um bom trabalho, em 2014, estava muito mal no Flamengo. O time não reagia. Nada indicava que iria reagir com a manutenção do treinador.

2) Marcelo Oliveira, depois de dois anos ótimos, estava muito mal no Cruzeiro. O time não reagia. Nada indicava que iria reagir com a manutenção do treinador.

Os dois clubes recorreram à demissão dos treinadores.

A “intelligentsia” brasileira considerou a demissão de Marcelo um crime lesa-futebol. E a demissão de Luxembugo, um ato divino. A salvação da lavoura.

E o Cruzeiro de Luxemburgo está melhor que o Cruzeiro de Marcelo. E o Flamengo de Cristóvão está tão ruim como o Flamengo de Luxemburgo.

Amigos, eu sei que Luxemburgo não é mais o técnico que foi. Seus dias de glória já vão longe. Há tempos não faz um trabalho que se guarde na memória. Mas não é o culpado de tudo. Sua demissão não salva. Sua contratação não afunda. E ele merece o mesmo tratamento de tantos outros. Osorio, por exemplo. Eu escrevi que o treinador errou contra o Avaí. Minha crítica foi tratada como um incentivo à falta de inovação, como um basta aos novos tempos. Osorio é “incriticável”? Não erra?

Eurico, bem Eurico nada acrescenta ao futebol brasileiro. Mas não pode ser tratado como se fosse a única coisa errada. Basta ver o que ocorreu com o Vasco em sua ausência.

Pensar que o afastamento de Luxa e Eurico vai salvar o Brasil, é esquecer de milhares de outros…..


Luxemburgo, Felipão e Muricy: a queda dos gigantes
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O ano começou com grandes desafios para Muricy, Luxemburgo e Felipão. Vitoriosos, com dez títulos brasileiros e três Libertadores no currículo, eles viam o ano como a grande possibilidade de deslanchar. Não foi o que aconteceu.

Luxemburgo, demitido do Flamengo, havia livrado o time do rebaixamento em 2014. Foi mal no campeonato carioca e no Brasileiro.

Muricy levou o São Paulo ao vice do Brasileiro. Foi mal no Paulista e não conseguiu montar um time para a Libertadores. Milton Cruz fez um trabalho melhor. Doente, se afastou e já fala em deixar de dirigir, buscando outra função no futebol.

Felipão, depois do vexame da Copa, foi acolhido pelo Grêmio. Foi regular e em 2015, nada andou. Terminou pedindo demissão após duas rodadas do Brasileiro.

Em cinco meses, os três gigantes caíram. Parece difícil que se levantem, que cheguem ao nível de antes.

Pode ser o início de um novo períodos. Dorival Jr e Abelão, que chegaram a ter salários próximos de R$ 1 milhão, Vagner Mancini, Joel Santana….todos estão sem clube. E esperando uma chamada que não vem.

Talvez os dirigentes pensem melhor e percebam que é hora de renovar. Deixar de pagar o que não tem por velhas ideias.

Se não houver renovação aqui, que se busque soluções fora do Brasil. A chance da mudança está aí. É hora de ousar. E criar novos gigantes.

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Luxemburgo sempre sonhou dirigir o São Paulo
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menon

Entre 1998 e 2000, Vanderlei Luxemburgo dirigiu o Corinthians. Osvaldo de Oliveira era o auxiliar. E eu – o que não tem a menor importância – era setorista do clube. Trabalhava pelo Lance! e meu parceiro era Chico Silva, o carcará. Via uma notícia de longe e a agarrava fortemente, levando para a redação.

Luxemburgo adorava uma resenha. Após as entrevistas, falava muito, sobre muitos assuntos, pedindo sempre que não fosse publicado. Um de seus assuntos preferidos era o São Paulo.

“Meu sonho é ser técnico do São Paulo. Se eu conseguir, vou conseguir tantos títulos quanto o Telê,  vou ser adorado pela torcida”, dizia, com os olhos brilhando.

E ia além. Quando eu perguntava sobre o time, ele se entusiasmava. Dizia como deveria jogar, explicava as alterações que faria, qual tática usaria. Fazia desenhos no ar e depois, percebendo o entusiasmo, dizia. “Cara, se você publicar isso, eu vou dançar. Não faz isso…”

O motivo da certeza do sucesso à frente do time, era explicado por dois motivos: “o elenco é muito bom, mas o principal é a estrutura que o clube oferece. Lá, tem apoio ao treinador e quase não tem briga”.

O elenco continua bom, mas as brigas existem em quantidade e intensidade antes insuspeitas. E a estrutura foi igualada por outros clubes.

Mesmo assim, o sonho de Luxemburgo continua.  Pode não ser o escolhido, mas já não existe o veto de antes.

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Luxemburgo é ótimo para o futebol brasileiro. E o Galo será fênix de novo?
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menon

Vanderlei Luxemburgo é uma das boas novidades do futebol brasileiro em 2014. Depois de trabalhos sem brilho no Grêmio – com direito a uma briga ridícula na Libertadores – e Fluminense, ele assumiu o gigante Flamengo em péssima situação. Ganhou várias partidas e, embora continue repetindo que a meta é não cair, não há quem ainda veja perigo de rebaixamento. E ainda, com a vitória sobre o Galo, está próximo da final da Copa do Brasil.

Eu sempre o considerei o mais talentoso treinador de sua geração. Criativo, ofensivo e sabendo tirar muito dos jogadores. Nos 2 a 0 contra o Galo, o Flamengo atacou bastante e defendeu ainda mais. Agrediu um adversário perigoso e não lhe deu chances de reagir. O ataque funcionou e a defesa sempre esteve bem postada.

Dá gosto ver o atual Luxemburgo. Parece estar concentrado apenas no trabalho como treinador, deixando de lado atitudes recentes que o deixavam longe das maravilhas que ocorrem no retângulo cheio de grama e próximo de jogadas de bastidores, como indicação de jogadores malucelianos e palpites em renovação de contrato.

Após o jogo, na coletiva, fez um pedido para que a torcida do Flamengo aderisse ao programa sócio torcedor, dando mais divisas à diretoria. Legal, mas que pare por aí. Quem admira o Luxa já fica com medo que eles comece a se dedicar a gerenciamento de marketing e deixe o futebol de lado.

Do outro lado, estava Levir Culpi, outro treinador que tem feito ótimo trabalho, inclusive colocando em xeque mitos como a concentração e promovendo boa renovação no clube. Ronaldinho Gaúcho, graças a ele, está enganando no México e não em Minas.

Agora, Levir precisa fazer que o Galo repita o espetáculo da ressurreição, aplaudido por todos contra o Corinthians. Está dois gols atrás. Precisa fazer três e não sofrer. Não é fácil. É tarefa para o Galo Vingador.