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Pimenta: “São Paulo não cai, mas é insuportável ver o time jogar”
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O blog conversou com Mesquita Pimenta, presidente do São Paulo nos anos 90 e candidato derrotado na última eleição. Ele mostrou-se preocupado com a situação atual do clube e do time e disposto, como presidente do Conselho Consultivo e membro do Conselho de Administração, a colaborar com o presidente Leco.

Como o senhor vê a situação atual do time?

Muito preocupado. Na verdade, é insuportável ver o São Paulo jogar. O rendimento é muito fraco. O Rogério reclamou da barreira no lance do primeiro gol. Ele tem razão, mas não foi isso que definiu o resultado.

Existe a possibilidade de o time cair?

Existe, sim, mas não vai cair. Há muitos jogos pela frente, há jogadores chegando e principalmente, graças a Deus, tem times piores que o São Paulo. Piores e com menos poder de investimento. Tem que melhorar logo.

O que o senhor acha da chegada de jogadores no meio do campeonato?

Dificulta o trabalho do treinador, sem dúvida. Talvez tenha sido um erro de planejamento, mas não vou afirmar isso.

E o clube como está?

A situação financeira é ruim, com uma dívida muito grande. A dívida precisa ser atacada. Há  um consenso de que 70% do dinheiro arrecadado com venda de jogadores, seja utilizado para cobrir a dívida e outros 30% para remontagem do time. Tomara que o Leco cumpra esse consenso.

O que o senhor faria se fosse o presidente do clube?

Fui candidato para ajudar e perdi. Não tem porquê dizer o que faria. Minha intenção, como membro do Conselho de Administração, é ajudar o Leco. Meu e de todos os outros membros. Tomara que ele esteja aberto para ouvir.


Pimenta comemora apoio de 100 conselheiros. E do cardeal Casal de Rey
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Uma reunião selou o aguardado apoio de Fernando Casal de Rey a José Eduardo Mesquita Pimenta na eleição do São Paulo, marcada para abril. Eles formaram a dupla que comandou o São Paulo na conquista das duas Libertadores e dois Mundiais em 1992/93. Pimenta era o presidente e Casal de Rey, o diretor de futebol. De Rey sucedeu Pimenta na eleição seguinte. O grande sucesso da dupla é o mote da campanha. Algo como “os bons tempos estão de volta”.

Com o apoio de Fernando Casal de Rey, Pimenta comemora a união da Oposição e garante ter o apoio de 100 conselheiros. Agora, o grupo conversa para escolher o vice-presidente e o coordenador da campanha, que será lançada no dia 22, na rua Amauri.

Pimenta e De Rey consideraram natural e esperada a renúncia de Roberto Natel. E não se surpreenderão com seu apoio e participação na campanha de Leco.


Cardeais sem grandeza estão matando o São Paulo
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Em outubro de 2015, Carlos Miguel Aidar renunciou à presidência do São Paulo. Deixou o clube no fundo do poço. Um poço de lama.

Armand Jean du Plessis, Cardeal-Duque de Richelieu e de Fronsac.

Armand Jean du Plessis, Cardeal-Duque de Richelieu e de Fronsac.

Seria natural que, diante da gravidade da situação, todos os conselheiros e dirigentes se unissem para levar o clube a uma situação de calma e tranquilidade até a próxima eleição.

Nada disso aconteceu. O que se viu nos últimos dois anos foi uma sucessão de brigas e mais brigas. Dez ou quinze pessoas se unem em um grupo a que, pomposamente, chamam de partido. E toma lá. E dá cá. Tudo em troca de uma carteirinha de sub sub diretor de piscinas, ou de badminton ou de festa junina. São cardeais ou aspirantes a cardeais brigando na lama deixada por Aidar.

A primeira chance de união foi perdida na eleição de Leco. Todos poderiam estar juntos na direção do clube até um porto seguro. Mas a oposição lançou candidato. Um direito, é lógico, como também seria um direito caminhar junto. E o candidato foi Newton do Chapéu, figura folclórica e que nada acrescenta. Seu grande currículo é ser genro de Fernando Casal de Rey, o presidente que enfrentou com dignidade e galhardia as dificuldades estruturais do Morumbi.

Um pequeno fato mostra quais são as prioridades do homem do chapéu. Ele foi candidato a deputado. Teve menos de 3 mil votos. E se apresenta, em sua página, como suplente de deputado. Ora, ele só assumiria uma vaga se 50 candidatos mais votados do que ele renunciassem. Percebem a importância de ter uma carteirinha, de querer ser alguém com poder? Imagine o mesmo no clube. Quantos não matariam por uma carteirinha de diretor adjunto da sauna nos dias nublados?

O São Paulo sempre foi um clube fechado, com eleições sendo decididas entre conselheiros, nunca mais de 300. Um sistema que acho errado, hoje os clubes precisam se abrir para os sócios, sócios-torcedores e até para os torcedores, mas é inegável que funcionou. O sistema de cardeais levou o clube a ter seu maravilhoso estádio, a ter títulos mundiais e a ter contratações que mudaram o futebol brasileiro. Basta citar Leônidas da Silva, Gérson e Pedro Rocha. Foi pioneiro na preparação física, na construção de centros de treinamentos  e nas categorias de base.

Foi gigante, apesar do sistema. Por causa dos dirigentes. Hoje, o sistema continua, mas os dirigentes estão abaixo, muito abaixo. A decadência da família Aidar (estou falando de sua presença no clube) mostra isso.

Como os cardeais tricolores estão se comportando nesse período de tempestade? Não ouvem Paulinho da Viola, que recomenda levar o barco devagar em rumo a um porto seguro. Comportam-se como personagens de Game of Thrones.

Carlos Augusto Barros e Silva mostrou-se muito vacilante nos momentos em que o futebol precisou de ação. Na fase final da Libertadores-16, trouxe Ytalo, repetindo Juvenal, que, em 2013, trouxe Silvinho. No Brasileiro, após perder Ganso, Calleri e Kardec, trouxe Robson e Jean Carlos. É um homem íntegro, que evitou falcatruas e nunca se envolveu em coisa parecida

Fora do campo, comandou um processo grandioso que trouxe um novo estatuto ao clube. Estatuto que aponta para a profissionalização e que tira o poder imperial dos presidentes.

Bastou o projeto ser aprovado, passou por uma tentativa de golpe. Os opositores queriam que ele passasse a governar sob as regras do novo estatuto, que entrará em vigor a partir de abril. Ou seja, ele foi eleito para governar sob regras definidas e querem que passe a governar sob regras que só estarão em vigor a partir do novo mandato. Golpezinho chinfrim.

A tese foi defendida pelo empresário Abílio Diniz, que teve muitas de suas boas ideias aprovadas para o novo estatuto. Mas Abílio tem pressa. Ele quer o poder no São Paulo, mesmo não se candidatando a conselheiro. Prefere atuar fora, pagando o trabalho de duas consultorias que determinaram muitos problemas no clube. Abílio quer mandar já. Já.

O que o move é um ódio visceral a Leco. Ele quer eliminar o atual presidente. Ódio pessoal, mas eliminação política, esclareço. Em condições normais de temperatura e pressão, nem seria necessário esclarecer. Abílio, que esteve com Leco contra Aidar, rompeu com Leco quando Leco afastou Milton Cruz, que era acusado de ser espião de Abílio. Repeti os nomes apenas para ficar marcada a dança das cadeiras, o jogo de intrigas.

Um dos peões de Abílio Diniz é Alex Bourgeois, que foi contratado como CEO por Carlos Miguel e por Leco. E foi demitido por ambos. O fato de ser demitido duas vezes não significa que ele seja um mau profissional. Pode até ter sido vítima do jogo de intrigas. Mas, dizem que antes de sair, já participava do mesmo jogo. Antes, não sei, mas depois, sim.

Alex, nas redes sociais, é um balde de gasolina em um incêndio. Critica, critica, critica… Mas qual é o seu interesse nisso? Ele acionou o clube na justiça trabalhista, no que está muito certo. Se ele se considera prejudicado, precisa correr atrás de seus direitos, antes que tudo isso acabe, antes que os trabalhadores percam o direito de protestar. Ele não torce para o São Paulo. Então, porque Alex quer que Leco seja derrotado? Ora, até o pavão que desfila no CT do São Paulo, sabe que ele voltará ao clube, a pedido (ou ordem) de Abílio. Caso aconteça, que, pelo menos, retire a ação.

Roberto Ópice Blum,  presidente do conselho de Ética do São Paulo, julgou Carlos Miguel Aidar, que foi afastado do clube, após gravação feita por Ataíde Gil Guerreiro, que incriminava Aidar e sua namorada Cinira Maturana em comissões. Aliás, Aidar foi um presidente democrata. Instalou comissões em muitos setores do clube.

Ópice Blum igualou acusador e acusado. Expulsou os dois do Conselho, baseando-se em uma maluquice total: Ataíde teria tentado assassinar Carlos Miguel. O motivo? Enfraquecer Leco, amigo de Ataíde. E fortalecer a própria candidatura em abril. E continuou com sua tática, ao aceitar uma acusação antiga contra Leco, ainda referente ao caso Jorginho Paulista. Justamente ele, Opice Blum, que desconsiderou as acusações sobra a comissão de 15% do enrolado caso Far East. Sua atitude foi tão marcadamente partidária que inviabilizou seu nome. A esperteza matou o gato.

O candidato escolhido é Jose Eduardo Mesquita Pimenta, vencedor nos anos 90, com Telê Santana. Foi afastado do clube por uma suspeita de comissão na venda de Mário Tilico. Em virtude da suspeita, foi exonerado, pelo então prefeito Paulo Maluf, do cargo de secretário municipal de esportes. Voltou ao clube, sem que nada fosse provado contra ele.

Então, a eleição reúne Leco, que é presidente, Mesquita Pimenta, que foi presidente e Roberto Natel, que era vice de Leco e que tentou submete-lo a uma prévia eleitoral. E é uma eleição que chega em um momento de grande incerteza jurídica. O conselheiro Assis ganhou uma causa no STF que condena a mudança de estatuto feita por Juvenal em 2004, que lhe deu direito a uma nova candidatura. Ora, quando o clube já fez um novo estatuto, qual o sentido de manter a demanda. Assis não poderia ter a grandeza de retirar a ação e deixar o clube seguir seu curso? Não, ele busca a instabilidade.

A impressão que fica é que o São Paulo carece de ideias e está se reciclando, sempre com um olho no passado. Juvenal mudou o estatuto e se candidatou novamente. Trouxe Aidar, que foi artífice da mudança do estatudo e que já havia sido presidente. E agora, Mesquita Pimenta, que já foi presidente tenta voltar. Já que é para voltar, que se chegue a Laudo Natel.

É a falência do sistema de cardeais. Um sistema fechado, em que pessoas se movem mais por ódio umas às outras, mais pela busca de um pequeno pequeniníssimo poder. O clube não aguentará por muito tempo. Precisa de oxigênio, precisa de ideias novas, precisa de pessoas que o defendam e que lutem por ele. E grandes ideias estão em falta entre os homens de imponentes sobrenomes.


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