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Arquivo : Muslera

Sampaoli erra com Campana e acerta com gordinhos
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Menon

Duas atitudes de Jorge Sampaoli chamaram a atenção no início de seu trabalho no Santos. Ele pediu a contratação de Martín Campana, goleiro titular do Independiente e terceiro goleiro do Uruguai no último Mundial, atrás de Muslera e de Martin Silva. O principal motivo da indicação é a facilidade com que Campana joga com os pés, algo que Sampaoli considera fundamental para o estilo de jogo que pretende implantar no Santos.

Quando o Santos o contratou já sabia dos conceitos de Sampaoli, mas como poderia imaginar que o treinador consideraria Vanderlei, o maior destaque do Santos e um dos bons goleiros do Brasil como descartável? Em seu planejamento pré-Sampaoli o Santos nunca pensaria em gastar com goleiro. Poderia até ceder Vanderlei, mas continuaria com Wladmir. Faria caixa com o goleiro. Agora, para agradar Sampaoli, precisa gastar. E o preço que se fala gira em torno de R$ 15 milhões.

Ora, o Santos não é o Manchester City. E Sampaoli não é Guardiola. Quando chegou ao City, o treinador espanhol pediu Cláudio Bravo, goleiro chileno, por sua qualidade com os pés. Não à toa foi titular absoluto de Sampaoli na seleção chilena. Não deu certo e Guardiola pediu Ederson. Foi atendido imediatamente às custas de 25 milhões de libras.

Inglaterra, Brasil, Premiere League, Brasileirão, Liga dos Campeões, Libertadores, City, Santos, Guardiola, Sampaoli…são realidades diferentes. Diferença abissal. Não dá para ser intransigente, é necessário adaptação. Sampaoli que ensine Vanderlei a melhorar com os pés. Com as mãos, ele não deve nada a Campana.

O que deve ser igual nas duas realidades tão diferentes é a responsabilidade do jogador. O profissionalismo. E, se Sampaoli pedir o afastamento dos jogadores que voltaram acima do peso após férias de um mês, estará muito correto. Há jogador com dez quilos acima. O que fez esse pessoal nas férias? Picanha, cerveja e jogo dos Amigos de Rodinelson x Amigos de Vandercleysson? Todo mundo tem direito a férias e elas devem ser muito bem aproveitadas. Mas um trabalhador não pode atentar contra seu instrumento de trabalho. Uma bailarina não pode aumentar sua circunferência, um escritor não pode cortar os dedos, um jogador de futebol não pode parecer com a bola.


França escancarou a pobreza uruguaia
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A seleção uruguaia volta para casa após a derrota por 2 x 0 para a França. Volta com dignidade, caindo nas quartas e quebrando recordes “pessoais”, mas o último jogo escancarou falências técnicas que os 12 anos de Oscar Tabarez não conseguiram sanar.

A maior delas é a transição defesa-ataque. Dos ótimos Gimenez e Godín para os ótimos Cavani e Suárez. E como Cavani não jogou, fica ainda mais difícil. E tome ligação direta. E tome bola alta para a casquinha de Suárez para Cavani. Ou de Cavani para Suárez.

Tabarez tem tentado. Com Lodeiro em 2010, com Arrascaeta em 2018, mas sempre termina dependendo de Christian Rodríguez, o Cebolla de muita luta e pouca bola. Pouca em nível internacional, diga-se.

Havia a esperança que o meio-campo renovado, surgido pós Eliminatórias resolvesse. São bons jogadores, principalmente Torreira, o mais recuado, mas Betancourt foi mal na frente. Cabia a ele alimentar os matadores, formar um tridente com Cavani e Suárez, mas não deu certo. Arrascaeta, também não. Sanchez é homem de bola parada. Nández foi um auxilidar de Cáceres e Vecino não brilhou.

De todos os novos, o melhor foi Laxalt, que marcou e apoiou bem pela esquerda. E mandou Cáceres para a direita.

Com problema tão grave no meio, o Uruguai jogou a Copa no limite do erro. Ganhou do Egito no último minuto, ganhou da Arábia Saudita sem brilhar e jogou bem contra Portugal e Rússia. Em todas vitórias, marcou primeiro e não precisou sair.

Contra a França, não teve Cavani. Perda imensa. Não teve transição. E seu goleiro levou um frangaço. O que não é incomum.

O período Tabarez é pródigo em superações. A seleção chegou a três copas seguidas, foi às quartas duas vezes, ganhou uma Copa América, Suárez, Cavani, Forlán e Loco Abreu tornaram-se os maiores artilheiros da Celeste, Maxi Pereira chegou a 125 jogos na seleção, Muslera superou Rodolfo Rodríguez em participações com a Celeste e a Mazurkievicks em jogos de Copa, foram quatro vitórias seguidas na Rússia, houve também a entrega de sempre, mas ficou claro: a qualidade do meio-campo é ruim.

Tudo tem jeito de fim de ciclo. Os matadores terão 35 anos no Catar. Os reservas de Muslera não passam confiança, Cáceres e Godín já passaram dos 30, Cebolla também e não se sabe se o Maestro terá capacidade física para comandar um novo ciclo.


Celeste terrestre. 100% burocrática
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Menon

O Uruguai ganhou a segunda partida seguida em uma Copa, o que não ocorria desde 1954.

Classificou-se para a segunda fase, com uma rodada de antecipação.

Sua defesa está invicta.

É…. é só.

O time não está bem. Tem uma dupla de zaga ótima e uma dupla de ataque espetacular. E como a bola chega de um lado ao outro do campo?

Aí é que o cerdo torce la colita.

Pelo lado direito, não vai. Guillermo Varela é tímido no ataque, Maxi Pereira deixa saudades.

Pela esquerda, o destro Cáceres pouco apoia. E Tabarez já utilizou Arrascaeta, Cebolla e Laxalt. Nada de extraordinário.

No meio, jogaram Vecino, Betancourt, Torreira e Sánchez. Também não houve fluência de jogo.

O Uruguai vive um período de transição. Deixou o estilo bruto e tosco de Arévalo Rios e Russo Pérez e não chegou a nenhum lugar.

Venceu com um gol de zagueiro, na boa e velha bola parada. É com uma falha incrível do goleiro saudita.

De bom, houve dois recordes. Suárez tornou-se o primeiro uruguaio a marcar em três Mundiais seguidos. E Muslera completou 13 paridas em Copas, igualando o lendário Ladislao Mazurkiewicz, da Copa de 70.

Bom para eles, nada significa para a Celeste, que não consegue voar.


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