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Renato precisa aprender com Fortaleza, Avaí e Porto. Não é só futebol
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Menon

No mesmo sábado em que Renato Gaúcho, irritado com um empate no Gre-Nal, resolveu humilhar o Inter, houve demonstrações de afeto e respeito em jogos do Fortaleza, Avaí e Porto. Voltando a Renato, ele disse que o Inter joga como time pequeno, como time de segunda divisão e que, por isso, apesar do massacre gremista, não houve gols. Ora, muito parecido com o Grêmio de Renato contra o Real Madrid de Cristiano Ronaldo, não é? Cada um joga de acordo com suas possibilidades e objetivos e, pensando assim, o Inter de Odair Hellmann foi mais efetivo que o Grêmio de Renato Gaúcho.

Mas, vamos falar de coisas boas. Emotivas.

O Fortaleza vencia o Goiás por 2 x 0. Dois gols de cabeça, mostrando a força da bola aérea do time dirigido por Ceni. Aos 29 minutos, Osvaldo 31 anos, foi substituído pelo estreante Marlon. Saiu muito aplaudido, sentou-se no banco de reservas e caiu no choro. Dez anos depois, ele se despedia novamente do time que o revelou. No final do ano, tinha acertado um pré-contrato com um time da Tailândia. Antes disso, fez 12 jogos e dois gols pelo Fortaleza. E, ao ser aplaudido por 32 mil pessoas, desabou emocionalmente. Com certeza, quer ficar, mas o Fortaleza não tem como pagar 1 milhão de dólares pela multa.

Final de jogo, vitória por 3 x 0, Osvaldo voltou a campo. Foi jogado ao ar pelos companheiros e, de “cavalinho” e Gustavo, o Gustagol, deu uma meia volta olímpica, aplaudindo a torcida e sendo aplaudido por ela. Depois, mais choro. Em um futebol cada vez mais frio e profissional, é bonito ver a emoção em uma despedida simples e espontânea.

Bem mais ao Sul, horas antes, Marquinhos, aos 36 anos, entrou em campo na vitória por 1 x 0 do Avaí sobre o Figueirense. Foi uma homenagem do treinador Geninho ao maior ídolo da história do clube, com 93 gols marcados. Marquinhos vai encerrar a carreira ao final do ano e no seu currículo consta mais uma vitória sobre o grande rival. Na casa dele. Não interessa se foram apenas três minutos, o fato de estar em campo, foi uma alegria, para os avaianos, tão grande quanto a própria vitória.

E, em Portugal, a emoção foi em dose dupla. No campeonato português, um jogador só pode ser considerado campeão se participou de alguma partida. Não adianta ter ficado todos os jogos no banco, ter participado de todos os treinamentos, nada disso. Nada disso. Não jogou, não ganha medalha. E nem pode escrever no currículo.

Bem, com o título garantido, o treinado Sérgio Conceição deixou Iker Casillas de fora do último jogo, contra o Vitória de Guimarães. Jogou o brasileiro Vaná, por 80 minutos. E foi substituído por Fabiano, que passou os últimos quatro meses recuperando-se de uma contusão. Assim, Vaná, revelado pelo Coritiba, e Fabiano “Modragón”, um dos muitos goleiros que não conseguiu romper a “barreira” Rogério Ceni no São Paulo, podem dizer, com orgulho justificado que são campeões portugueses.

Não é só futebol, Renato.


Timão recusado é revolução. A besteira de Del Bosque. Picadinho do Menon
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Quatro mosqueteiros recusaram o convite para dirigir o Corinthians. Algo impensável. Algo que pode ser indicativo de uma mosqueteirorevolução no futebol brasileiro. A mudança já começou no perfil procurado pelo campeão brasileiro. Nada de medalhões. Quando um treinador cai, sempre aparecem nomes e nomes. E nem assim, alguém cogitou Vanderlei Luxemburgo. Não se falou em Murici Ramalho. Houve algum rumor sobre Osvaldo e Abel Braga, mas parou por aí.

O Corinthians tentou ousar. O primeiro nome buscado – ainda que não oficialmente – foi o de Roger, que, mesmo sem títulos e acumulando eliminações, tem feito um trabalho muito elogiado no Grêmio.

E os outros nomes?

Silvinho, criado no clube, auxiliar de Tite e de Mano e atualmente na Internazionale, também como auxiliar. Nome novo, sem vícios, uma aposta no futuro.

Não quis. Preferiu acabar o curso de treinador da Uefa. Apostou no conhecimento e não na aventura – aventura não é, necessariamente, algo ruim – de dirigir o Corinthians.

Fernando Diniz – apontado como a grande novidade no futebol paulista nos últimos anos. Treinador arrojado, que aposta em conceitos táticos e técnicos modernos e que nunca dirigiu um grande.

Não quis. Preferiu levar o Oeste ao título da Série B.

Eduardo Batista – já trabalhou no Corinthians como auxiliar do pai, Nelsinho Batista, fez bom trabalho no Sport e fracassou no Fluminense.

Não quis. Jurou lealdade à Ponte, que o contratou após demitir Gallo, que fazia ótimo trabalho. Algo semelhante com o que ocorreu com o pai, contratado após a demissão de Estevam Soares, que também fazia bom trabalho na Ponte.

Então, o que temos?

Um clube gigante, atual campeão brasileiro, apostando em novidades. Buscando treinadores em início de carreira, correndo de medalhões e de vícios.

E, ao mesmo tempo, essas novidades todas recusando a honra de dirigir o Corinthians em nome da manutenção de um contrato já assinado e, no caso de Silvinho, no conhecimento acadêmico.

Se novidades assim deixarem de ser novidades, teremos uma revolução no futebol brasileiro.

picadinho

1) IGNORÂNCIA DE VICENTE DEL BOSQUE – O treinador da Espanha afirmou que não conhece Tite, o novo treinador do Brasil. É uma ignorância atroz. Tite foi campeão do mundo derrotando o Chelsea, campeão europeu. Del Bosque não acompanhou o Mundial de 2012? Caso não tenha visto, não foi ver depois, não foi atrás da novidade? Ou da zebra, que seja! Del Bosque é um treinador acima de dúvidas. Ganhou um Mundial e duas Eurocopas. Mas, se conhecesse o trabalho de Tite, não levaria 5 da Holanda no Mundial-14.

isinbaieva2) A IAAF ANUNCIOU A SUSPENSÃO DO atletismo da Rússia na Olimpíada do Brasil. Uma suspensão muito dura contra uma federação que apoiou – ou pelo menos, nada fez contra – um doping sistemático. Não é um caso isolado ou outro. À primeira vista, parece justo, mas…e os atletas que nada fizeram? Que estão limpos? Em nome da dureza e da moralidade, vai se punir os limpos? Pode ser um tiro pela culatra. Em vez de os sujos resolverem ficar limpos, talvez os limpos comecem a recorrer ao doping. Afinal, não são todos iguais. A punição para todos me parece mais um murro na mesa, mais um desabafo do que algo prático e que dê resultados. Yelena Isinbayeva, grande nome do salto com vara, denunciou o caso como violação dos direitos humanos e prometeu recorrer em todas as instâncias. Talvez possa competir com uma bandeira neutra. Isinbayeva é muito ligada a Putin e não é muito ligada a direitos humanos, não. Ela se recusou a aceitar punições aos russos por comportamentos homofóbicos na Olimpíada de Inverno de Sochi.

3) MICHAL BRADLEY, CAPITÃO DOS EUA, usou uma braçadeira com as cores do arco íris durante a partida contra o Equador, na Copa América. Era uma homenagem, lembrança, protesto, não sei, em relação ao atentado homofóbico que matou dezenas de pessoas em uma boite gay em Orlando. Uma atitude linda e comprometida que deveria deixar mais envergonhado ainda os que gritam biiiiiiiicha quando o goleiro adversário vai bater um tiro de meta.

4) EUROCOPA É TRISTE PARA OS VIRA-LATAS – Briga entre hooligans, sinalizadores jogados dentro do campo, buscando acertar jogadores, jornalista brasileira Sonia Blota sendo agredida, torcedores jogando pedras para crianças refugiadas brincarem de futebol….A Eurocopa está perdendo de goleada, em termos de organização, para a Copa do Brasil. É triste ver que não só aqui as mazelas humanas afloram. Bem, para mim não é novidade…

 


Oswaldo escala o Palmeiras como se fosse uma adolescente gordinha
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A cena é clássica. A adolescente não admite que tem corpo 42. Para a mãe, pai, amigas, namorado e para ela mesmo, diz que usa 38. E compra roupa 38. Deita-se na cama e tenta vestir a calça. Como uma segunda pele. É difícil, mas ela tenta. Rola de um lado para outro, se contorce, empurra a barriga, pede ajuda para um e outro…e entra. Vai para a rua se divertir e não consegue. Sente dores no corpo e, quando, de volta ao lar, desabotoa a calça, sente aquele alívio. E tem marcas perto da barriga.

Oswaldo de Oliveira quer que o Palmeiras jogue no 4-2-3-1. Talvez no 4-1-4-1. O que muda é o posicionamento de Robinho, ou como segundo volante ou como quarto meia. O que não muda é a presença de um único atacante. Ficou claro na primeira substituição que fez: tirou o único atacante Leandro para colocar outro atacante, Cristaldo. Por que não os dois juntos? Por que não usar 42 e ficar refém do 38?

Além da SAU – síndrome do atacante único que também atinge Milton Cruz – o esquema do Palmeiras tem outros problemas.

1) Robinho como segundo volante não convence. O time fica vulnerável.

2) Valdivia como meia central, não convence. Não chuta a gol. E não tem jogado nada há muito tempo.

3) Zé Roberto não me parece jogador para 90 minutos.

4) Para quem quer jogar com um centroavante só, é preciso ter um bom. Cristaldo, Leandro Pereira e Leandro são fracos.

Por que não jogar com Gabriel e Amaral protegendo a defesa? Robinho, Kelvin e Zé Roberto na armação e um centroavante? Ou então, Kelvin como segundo atacante. Ou Cristaldo e Leandro no ataque e Kelvin atrás, saindo Zé Roberto?

Oswaldo não muda. Só no desespero, como no final do jogo contra o Goiás, Tirou Gabriel e colocou Robinho como único volante. Valdivia e Alan Patrick na armação e três atacantes – Kelvin, Leandro e Cristaldo.

Em sua apresentação no Palmeiras, Oswaldo disse que precisava de jogadores obedientes e combativos. Assim, havia feito sucesso no Japão.

Ele me parece muito dominado pela obsessão japonesa por ordem e obediência. Ele mesmo é refém do esquema que considera perfeito.

E a beleza do futebol é a capacidade de mudança. Um técnico não é pago para que os jogadores se adaptem ao que ele considera a única situação de jogo possível.

O corpo tem de se adaptar à calça. E não o contrário.

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Lodeiro, que fracassou no Corinthians, é tratado como sucessor de Riquelme
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O Boca conseguiu sua segunda vitoria seguida na Libertadores, com um 2 a 1 sobre o Montevideu Wanderes. Foi a estreia de Daniel Osvaldo, tratado como grande estrela. Mas houve elogios também para Nicolás Lodeiro.

“Muita qualidade do uruguaio, com uma canhota fina, que arma, que passa a bola como se debe, que se transforma em condutor, que vai ganando confiança”, escreveu Olé. “Foi um condutor como não se via desde a saída de Juan Román Riquelme”, analisou El Clarín.

Na minha opinião, um pouco de exagero. Lodeiro acertou 79% dos passes (disse o La Nación), cobrou faltas com perigo, mostrou muita disposição e não chutou a gol. A maior diferença em relação aos tempos de Corinthians foi uma certa “uruguaice” que não mostrou por aqui. Aquela vontade de vencer, aquela decisão nas jogadas, enfim aquilo que muitos uruguaios tem. Nós dizemos que é raça, eles dizem que son “huevos”.

Lodeiro, que fracassou no Corinthians terá sucesso no Boca? O caminho ficará mais fácil se ele concretizar o que disse ser um sonho de sua vida: fazer um gol pelo Boca na Bombonera. Osvaldo fez um. O jovem zagueiro Komar, que substituiu o contundido Burdisso a 15 minutos, fez o outro.

Enfim, se jogar bem, Lodeiro terá dado um passo futebolístico para se firmar entre os xeneizes. O passo demagógico ele deu ao desprezar o Corinthians em entrevista. Não precisava.  Ou precisava?


O sambista Oswaldo gosta de jazz e se dá bem com o tango de Cristaldo
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Amigos, eu vi. Podem acreditar, ninguém me contou, eu vi. Foi no final do século passado, em Atibaia, onde o Corinthians estava concentrado. O samba corria solto no restaurante do hotel. Amaralzinho cantava “O show tem que continuar”, de Arlindo Cruz. E então, Oswaldo de Oliveira se levantou. E mostrou samba no pé, como se um passista fosse.

Alguns anos depois, no São Paulo, soube que ele adorava o jazz de Chet Baker. Algo mais de acordo com seu estilo tranquilo, de perfil baixo.

Samba, jazz e agora tango. Oswaldo está se dando muito bem na remontagem do Palmeiras a partir da confiança que passa a Allione e Cristado, dois argentinos que vieram com Ricardo Gareca no ano passado. Enquanto Mouche se recupera de contusão e Tobio ainda não é o zagueiro que foi contratado para ser, os outros dois são um sucesso.

Allione faz bem as três posições do meio-campo, mas com Oswaldo passou a exercer apenas duas. É meia que vai ao ataque. É atacante que recua. Não é o volante de saída de bola. Difícil imaginar porque não jogava com Dorival Junior. A única explicação possível é que, em momento tão ruim como aquele não havia espaço para quem ainda se adaptava.

Cristaldo, pequenino e cumpridor tem se dado bem como homem de área. Fez um gol de muita raça dividindo com o goleiro Leandro que foi com o pé mole na jogada. E fez um outro em que Leandro foi com a mão mole. Azar de goleiro. Mérito de atacante que tem jogado bem.

Se continuar assim, talvez possamos imaginar Oswaldo em sua casa, à meia luz, tomando um bom vinho e ouvindo La Cumparsita. Ou Dos Cabezas. Tango na veia.


São Paulo cover tem Osvaldo como astro. E perde
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O São Paulo titular é baseado no toque de bola. De Ganso, Kaká, Kardec e Pato. O time joga bonito, faz gols maravilhosos e, convenhamos, sente falta de jogada pelos lados do campo. Quando os adversários fecham a frente da área, o São Paulo chuta pouco e sofre muito.

Quando não tem Kaká – tirado do time para jogar dez minutos contra a Argentina, e Ganso, suspenso, o São Paulo é outro. Troca o toque pela bola estirada, substitui a posse de bola pelo contra-ataque e oferece correria em lugar de qualidade técnica.

Foi assim contra o Galo. O time tinha Denílson na marcação, Maicon subindo um pouco, Michel Bastos na armação e um ataque formado por Pato, Kadec e Osvaldo. Na saída do primeiro tempo, Osvaldo disse que estava marcando vem a Marcos Rocha, o lateral. Verdade, mas, com a bola dominada, errava tudo. Dribles e passes.

Michel Bastos, o armador, não é armador. Recuava e fazia ligação direta para os lados do campo. Ia pela direita e entrava pelo meio, para tentar o seu chute forte, como fez contra o Huachipato.

A boa não era acaricida. Levava chutões. Sorte do São Paulo, que o Galo também apostava em velocidade.

Que opções haveria para essa escalação tipo 4-3-3?

Poderia ter Auro na lateral, Hudson no meio e Maicon um pouco mais adiantado, com a saída de Osvaldo. É lógico que há um problema aqui, pois Auro marca mal.

Poderia ter Boschilia em lugar de Osvaldo. Poderia ter Luis Fabiano na frente, com Kardec e Pato mais recuados.

Aliás, é impossível jogar Luís Fabiano junto com Pato? Por que Kardec nunca sai?

Com esse esquema, que considero equivocado, Osvaldo ficou em campo até o final. Saiu aos 38. É a estrela de um mau espetáculo. Deixa de ser opção de velocidade para ser titular. Um status que não merece. Nunca teve bola para merecer.

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“Soberania” do São Paulo é apenas ilusão
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A “soberania” do São Paulo foi derrotada por Renato Duprat e o fundo Doyen Sports. Duprat, que era ligado à Kia Joorabchian, voltou ao futebol através do fundo de investimentos Doyen Sports . Foi recusado por Corinthians e São Paulo e acertou parceria com o Santos. O primeiro fruto foi Leandro Damião. O segundo, quase certo, é Vargas, o chileno. E aí está a derrota do São Paulo.

O chileno era a sonho de Juvenal no ano passado. Foi derrotado pelo Grêmio. Voltou a ser sonho agora. Podia ser realidade agora, caso houvesse o acordo com Duprat, mas tornou-se apenas uma dura dose de realidade: a conversa sobre “soberania” não serduz mais jogadores de ponta.

O que é “soberania”?

Os dirigentes do São Paulo adoram dizer que o clube leva vantagem sobre os adversários na hora de contratar, mesmo pagando menos, porque 1) paga em dia 2) o clube tem grande estrutura (o tu, de estrutura é dito com ênfase, como se fosse tuuu – estrutuuura) 3) é uma grande vitrine para transações internacionais.

Mesmo fora da Libertadores, o que diminuiu a força do item 3, o São Paulo recorreu à tese e foi ao mercado. Levou toco de Vargas, pela segunda vez. Foi lento, como conta o grande Guilherme Palenzuela, para tentar Marlone. Não conseguiu Marcelo.

E mesmo Bruno Henrique, que tem Juan Figer, velho parceiro do São Paulo como empresário, não veio.

Dinheiro foi reservado para a vinda de Jucilei, mas a oferta foi insuficiente.

Sem dinheiro e sem parceiro e com o papo de soberania em má fase, o São Paulo pensa em fazer do Paulistão um laboratório para o Brasileiro. Serviria para a entrosar Luís Ricardo e Roger Carvalho, para testar Lucas Silva, Gustavo e Boschillia, e para recuperar Jadson e Osvaldo.

Com os testes feitos, o clube buscará reforços para o Brasileiro. O primeiro é Breno, que cumpre seus últimos meses de pena na Alemanha. E o resto fica por conta do próximo presidente.


Ceni merecia a vitória. E a vaga
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Rogério Ceni não merecia deixar a Libertadores da forma vexaminosa que os cinco primeiros jogos anunciavam. Seria, independentemente da torcida de cada um, ver um grande jogador deixar o torneio que sua torcida ama, assim, sem brilho, sem alegria, sem nada.

No futebol não tem essa de merecer. Nada vem de graça. Não se analisa o passado de cada um para definir se é justo ou não. Nada impediu a triste participação de Ronaldo na Libertadores, por exemplo, eliminado por um Tolima que será lembrado apenas por isso.

Nada livraria Rogério Ceni da eliminação. Apenas uma grande atuação do seu São Paulo. E ela houve, comandada por ele. Rogério, que estava falhando – e que vive muito possivelmente seu último semestre no futebol – foi perfeito. Discreto, como sempre, esteve presente quando necessário. E cobrou um pênalti de maneira fantástica, lentíssimo, coisa de quem tem confiança enorme no taco. Na sua técnica.

Rogério, um sujeito talentoso e cdf – combinação que causa muita inveja – está no jogo. Está no mata-mata. Está onde gosta. E onde merecia estar.

Foi uma vitória conseguida a partir de atitudes e situações que o time ainda não havia mostrado. Não é apenas raça, muita vontade de jogar, mas também uma qualidade técnica surpreendente de seus zagueiros e de seus volantes.

Lógico que não tivemos dois Beckenbauers e dois Redondos em campo. Não é isso. Mas Lúcio e Tolói foram muito bem no alto, um dos pontos fracos da defesa do São Paulo nos últimos tempos. E os dois volantes também surpreenderam. Marcaram muito bem Ronaldinho e ainda chegaram ao ataque. Não faziam isso há tempos.

Mesmo jogadores muito frágeis tecnicamente, como Carleto e Aloísio, estiveram bem. Ligados em campo. No primeiro tempo, o São Paulo dominou sempre com Osvaldo, pela esquerda. Era um time de uma jogada só. Cuca conseguiu reagir ao colocar o volante Serginho para marcá-lo, livrando Marcos Rocha do baile que estava levando.

No segundo tempo, o São Paulo veio com Osvaldo na direita, para infernizar a vida de Richarlyson, que já tinha amarelo. E Cuca colocou Alecsandro no lugar de Luan, para segurar mais a bola na frente e impedir o ritmo forte do São Paulo. Quando o São Paulo fez o primeiro gol, com Ceni cobrando o pênalti de Leonardo Silva em Aloísio, após passe perfeito de Osvaldo, Cuca reagiu.

Ele tirou o volante Serginho e colocou Neto Berola, um atacante, pelo lado direito. O São Paulo recuou e passou a ser dominado. Passou a apostar em um contra-ataque que definisse o jogo. Eu acho que Cuca abriu o time muito cedo, ficando um pouco exposto. A pressão aumentou com a entrada de Guilherme no lugar de Leandro Donizete. E, se a pressão aumentou, o espaço para um contra-ataque também.

Ele veio com um passe lindo de Ganso para Osvaldo, que, naquele momento do jogo, estava muito recuado, marcando Richarlyson. Quando recebeu o passe, atacou com velocidade e deu o passe perfeito para Ademilson, que havia entrado no lugar de Aloísio.

Agora, os dois gigantes vão se enfrentar no mata-mata. Foi o que esse São Paulo, sem Jadson e sem Luís Fabiano, esse São Paulo de Paulo Miranda, Carleto e Aloísio conseguiu.

Um presente para Rogério Ceni. Ele merece mais do que ninguém


Denílson tem última chance
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O rendimento de Denílson não está agradando Ney Franco. O jogador, que terminou o ano marcando forte e arriscando chutes de longe no ataque, caiu muito. O gol que fez contra o Palmeiras está mais para uma bela exceção do que alguma coisa mais constante. Está jogando de forma tímida, com passes laterais e sem força de marcação. Jogou muito mal contra o Strongest e há muita desconfiança de que o jogador não está se cuidando fora de campo.

Como Wellington também não é o tipo de volante que se aproxima da ára adversária – pelo menos não se aproxima com bons resultados – o São Paulo está jogando com um “buraco” no meio campo, entre os volantes e os meias. Ou o meia.

Contra o Arsenal, na quinta-feira, a vitória será perseguida desde o primeiro minuto. Ney Franco pretende marcar sob pressão a saída de bola dos argentinos, com Aloísio e Osvaldo, pelas pontas. Se o gol demorar a sair, Denílson pode dar lugar a Ganso, como foi contra o Strongest.

Outra possibilidade cada vez mais forte é a entrada de Fabrício. Ele agradou muito na partida contra o Penapolense. Jogou de forma dura, deu combate e acertou a maioria dos passes. Além dessas qualidades, Fabricio foi contratado para dar mais personalidade ao time, ser uma espécie de segundo capitão, pois o primeiro fica no gol. Ficou um ano recuperando-se de contusões seguidas e entra em 2013 com novo ritmo. É um perfil guerreiro, que faz falta ao time.

O jogo de quinta-feira é considerado de seis pontos. Se vencer, o São Paulo chega a seis e deixa o Arsenal com zero pontos. Todos acreditam que, nessa situação, será bem mais fácil vencer o jogo na Argentina, diante de um adversário animicamente muito abalado.


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