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Copa do Brasil, traiçoeira, demite Oswaldo e ameaça mais gente
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Menon

O empate contra o Atlético Acreano classificou o Atlético Mineiro para a segunda fase da C0pa do Brasil e ajudou a demitir o treinador Oswaldo de Oliveira. Não foi o único motivo, é lógico, mas empatar com um time do Acre tem o poder de derrubar técnicos.

Pode-se dizer que Oswaldo já vinha mal no Mineiro, com apenas oito pontos conquistados em cinco jogos. Sim, é verdade, mas uma vitória convincente em Rio Branco lhe daria uma trégua.

Pode-se dizer que Oswaldo caiu por conta do chilique contra o repórter Léo Gomide. Sim, mas não haveria chilique em caso de vitória convincente. Oswaldo estaria mais tranquilo e saberia responder o que considerou perseguição e eu vi como ótimas perguntas.

O ponto é que a Copa do Brasil, apesar de trazer rivais desconhecidos, não é refresco para ninguém. O atleticano que pensou assim: estamos mal no Mineiro, mas vamos lá no Acre, goleamos e ganhamos tranquilidade para o final do ano, está sem técnico agora.

Em sua primeira fase, foram 40 jogos. O time mais bem classificado no ranking da CBF atuaria como visitante. Bastaria um empate para a classificação. Dez deles foram derrotados, o que significa 2o%. O Botafogo é o maior exemplo. E outros 13 se classificaram com um empate, o que significa 32,5%, entre eles o Galo. E 17 clubes, 47,5% conseguiram a vaga com uma vitória fora de casa. Menos da metade.

E, se formos mais longe um pouco, 12 das 17 vitórias fora de casa foram conseguidas com apenas um gol de vantagem. Foi fácil apenas para Remo, CRB, Vitória, Botafogo da Paraíba e Figueirense.

E a segunda fase é ainda mais complicada. O empate não garante mais a classificação do visitante. Se ele ocorrer, haverá a sempre emocionante e agradável (quando não é com o nosso time) disputa por pênaltis. O Inter, que visita o Remo e o São Paulo que vai a Alagoas encarar o CSA e o Galo, que definirá sua sorte contra o Botafogo, na Paraíba, que abram o olho.


Oswaldo e Gallo mudaram muito e censura é inaceitável
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Conheci o Oswaldo de Oliveira quando ele era auxiliar do Luxemburgo, no Corinthians, há 20 anos. Eu cobria o clube, pelo Lance!,  juntamente com o talentoso e criativo repórter Chico Silva. E ele, o Chico, fez uma matéria sobre o Oswaldo, falando sobre seu lado zen, hoje tão ausente. O treinador era fã de de Chet Baker, trompetista norte-americano. Alguns meses depois, em Atibaia, onde o time se preparava para um jogo ou um campeonato, não me lembro bem, após o almoço, Amaral, o volante, subiu ao palco e começou a cantar “O show tem que continuar”, do Fundo de Quintal. Todo mundo cantava alto e Oswaldo se levantou da mesa. Pensei que haveria uma bronca na turma. Que nada! Ele sambou muito. E sambou bonito, com ginga.

Em 2015, ele estava no Palmeiras. E eu o notei com pouca paciência. Talvez tenha sido depois daquela discussão com o torcedor, que gostaria de ver Gabriel Jesus no time titular. Perguntei a Oswaldo o motivo da mudança. E ele me respondeu que havia trabalhado muitos anos no Japão, onde tudo funciona perfeitamente e que sentis dificuldades de adaptação.

Agora, voltemos a 2003. Estava na praia do Gonzaga, em Santos, e vi, em uma cadeira ao lado, o Gallo, que estava pensando em iniciar a carreira de treinador. Ele sempre me tratou bem, quando era jogador de Santos, São Paulo e Portuguesa, e me disse que tinha um caderno com mais de 70 tipos de treinamento. “Podia fazer uma matéria comigo, né”. Lógico que podia. O assunto era interessante. Por quê não? Não seria um favor, a pauta se sustentava. Não saiu, não sei porquê.

Agora, a gente vê o Oswaldo totalmente fora de si, deixando uma entrevista para brigar com jornalista. E o Gallo, aquele que achava natural pedir uma entrevista, proibindo o mesmo jornalista de trabalhar. É triste ver as pessoas se desnudarem assim.

Oswaldo questionou o tipo de pergunta do repórter Leo Gomide. O seu entendimento é binário. Você pergunta e eu respondo. Não cabe a você fazer análise. Eu não concordo. O repórter tem todo o direito de fazer a pergunta que quiser, baseada em seus conceitos futebolísticos. E Oswaldo, repito o que sempre digo, tem todo o direito de não responder. Não precisava daquele ar alucinado.

Depois, Oswaldo perdeu a cabeça quando ouviu o repórter dizer, vamos lá, caralho. Leo diz que não disse. Oswaldo diz que disse. Mas, mesmo se houvesse dito, era um desabafo, fora do ar, já abandonando a entrevista. Não era uma ofensa. Não disse palhaço, não disse, sei lá, velho do caralho, nada disso. Nada justificaria a tentativa de briga.

Na televisão, um dia após o jogo, Oswaldo fala que, desde que chegou, foi avisado sobre o tipo de pergunta do repórter. Ora, está dando ao Leo Gomide um atestado de bom repórter. Bom repórter faz pergunta que incomoda. Sempre. Não é o entendimento de Gallo também, como se viu lá em 2003. Ele gostava de pedir uma matéria ao repórter. Não gosta de repórter que faz pergunta fora dos padrões normais definidos por eles.

 


Oswaldo é o homem certo na hora errada
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Oswaldo de Oliveira é um dos caras mais legais que conheci na carreira. Desde o início, no Corinthians, quando era auxiliar de Luxemburgo. Depois, como Carille agora, foi afastado para que Evaristo assumisse e, em virtude dos maus resultados, voltou. Fiquei muito fã dele em 2000, quando Eurico Miranda o demitiu às vésperas da final da Copa Mercosul, contra o Palmeiras, e da semifinal do Brasileiro. Eurico irritou-se porque Oswaldo deu um abraço em Scolari, que dirigia o Cruzeiro. Eurico não gostava de Felipão. E não gostou também de o Vasco permitir o empate depois de estar vencendo por 2 x 0 e o terceiro foi marcar a reapresentação dos jogadores (após o empate no sábado) para segunda às 16h. Oswaldo não aceitou e foi demitido.

“O dirigente tem poder sobre o cargo do treinador, mas não tem poderes nas funções de técnico. Ele não poderia ter alterado o trabalho sem antes falar comigo. Não foi o placar que determinou minha demissão. Ele tentou mudar uma determinação minha e isso eu não admito”, disse Oswaldo à época.

Agora, Oswaldo assume o Galo, após três trabalhos anteriores com resultados ruins. No Catar, Sport e Corinthians, teve apenas 35% de aproveitamento. E o que se espera de Oswaldo?

O time tem 31 pontos ganhos, após trabalhos ruins de Roger e Micale. Está em 11º lugar e tem nove pontos a menos que o Botafogo, que fecha a lista dos seis que se classificam para a Libertadores. E está apenas três pontos à frente do São Paulo, o mais bem classificado entre os que habitam a depressão do Z-4.

A diretoria fala em Libertadores, que salvaria o ano, mas é bom pensar mesmo na fuga do rebaixamento. A luta é dura, o time não tem dado resposta e não é um tipo de missão que parece adequada ao estilo de trabalho de Oswaldo. Ele busca sempre times ofensivos e não tem conseguido montar sistemas defensivos eficientes. No Corinthians, foi uma peneira.

São 13 jogos apenas.  Pode ser meu estilo retranqueiro falando, mas não vejo um time aberto como melhor opção para a espinhosa missão de permanecer na Série A.

Que ele consiga. Oswaldo merece essa façanha a mais na carreira.

 


Timão luta pelo último trem e por bom início em 2017
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Depois de tudo o que passou no ano, é de admirar que o Corinthians ainda tenha chances de chegar à Libertadores no próximo ano. É oswaldooliveiralógico que esta oportunidade está muito ligada ao aumento de vagas decorrente do inchaço a que a Conmebol condenou sua grande competição, atualmente acometida de obesidade mórbida, com 47 clubes participando. Por que não fazer a Libertadores novamente com apenas dez clubes e criar uma outra competição com muitos participantes?

Mas, com inchaço ou não, o Corinthians tem o que lamentar. Sofreu dois desmanches e perdeu seu treinador, que, muito além das qualidades que todos conhecem, tinha uma grande empatia (não empatite) com a torcida. O mesmo erro cometido por outro, capaz de  de provocar no corintiano a vontade de fuzilar o treinador, se cometido por Tite causaria apenas um menear de cabeça como reprovação. Em consequência, depois de Tite, veio Cristóvão e depois de Cristóvão, Oswaldo.

Oswaldo chegou sob desconfiança. Mesmo com tudo o que conquistou no clube, sua contratação teve jeito de deja vú, de reciclagem. Com ele não veio aquele tal “choque de ânimo” que traz todo novo treinador. A torcida não tinha nenhuma paciência com ele. E, ainda por cima, como foi uma decisão unicamente de Roberto Andrade, criou-se uma crise no departamento de futebol.

Bem, tudo poderia ser minimizado com bons resultados. E eles não vieram. E nem exista um time que o corintiano possa chamar de seu, possa decorar de 1 a 11, como antigamente.

Por isso tudo, é importante conseguir o último lugar no trem da Libertadores. Cada vez mais, acho uma competição superavaliada, mas é importante. Estar lá é, mesmo que simbolicamente, estar na elite da América. Estar onde poucos (nem tanto) estão. Estar na Libertadores é terminar o ano com uma conquista. Mesmo que simbólica. É terminar o ano em alta.

Caso não venha a vaga, o Corinthians iniciará o ano com menos força que os rivais paulistas. O que, veja bem, não significa que supere tudo e seja um grande campeão. Mas, vejamos: o Palmeiras é o atual campeão, o Santos fez um bom campeonato e o São Paulo, que sofreu tantas vergonhas, trouxe um novo treinador. E, com ele, muitas expectativas. Podem até acabar ainda na Flórida, mas não há dúvida que existe no Morumbi um clima positivo, um alto astral. É pouco. É mais do que o Corinthians terá se não superar Botafogo e Furacão no último domingo de futebol no maldito (para todos nós) ano de 2016.


Só o passado justifica Oswaldo no Corinthians
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osvaldoOs treinadores brasileiros alcançaram um patamar financeiro invejável. Não acho que mereçam, mas estão lá, no topo, e receber R$ 10 mil por dia não é incomum. Clubes como o São Paulo se vangloriam de pagar no máximo R$ 350 mil mensais e sem multa contratual. Como se fosse pouco!

Bem, se os clubes querem pagar, que paguem. O que se pode analisar e contestar é o modo de seleção usado para se contratar um profissional que receberá um salário tão alto assim. E que assumirá responsabilidades tão grandes, por mexer com a paixão popular. Sim, um treinador recebe 10 vezes mais que um presidente – eleito pelo votou ou não – mas é cobrado 100 vezes mais.

Com certeza, o processo de seleção de um treinador é muito mais fácil do que o de um alto executivo do mundo corporativo.

Como Roberto Andrade escolheu Oswaldo?

Começa por aí. Roberto escolheu. Ponto. Não consultou ninguém. Chamou a responsabilidade. Usou a justificativa de haver delegado funções na escolha de Cristóvão, o breve sucessor de Tite. Como não deu certo, agora era sua vez.

Autocrático.

E como ele chegou ao nome de Oswaldo? Com certeza não foi uma escolha baseada nos últimos resultados. Uma ligeira volta no tempo mostraria trabalhos olvidáveis nos quatro últimos times que dirigiu: Sport, Flamengo, Palmeiras e Santos. Antes, no Botafogo, foi bem. Saiu em 2013, após vencer o campeonato carioca, deixando saudades.

E o trem rumo ao passado continua, com trabalhos honestos, dedicados, mas sem brilho. Há duas exceções: os quatro anos cheios de títulos no Kashima Antlers e….chegando ao ponto inicial de sua trajetória, o título mundial de 2000 e o título do Brasileiro de 2000 no Vasco, que só não foi seu por haver encarado a prepotência de Eurico Miranda, que o proibiu de dar as mãos para o treinador do Flamengo. Ele se recusou e foi despedido. Entrou Joel Santana nos dois últimos jogos. No ano seguinte, foi semifinalista com o Fluminense.

Então, sujeito a um erro ou outro, podemos dizer que Oswaldo de Oliveira, o homem que dirigiu os quatro grandes de São Paulo e do Rio, o sujeito bem educado e com cultura acima da média, o bom caráter que perdeu um título mas não perdeu a dignidade, teve um início espetacular de carreira que não conseguiu manter, a não ser por raros momentos como o título no Botafogo e o tempo no Japão.

Por que foi contratado? Pelo título de 2000.

Mas 2000 está longe. Já se passaram 16 anos. O futebol era outro, o Brasil era outro.

Eu não digo que Oswaldo está desatualizado, embora atualize métodos que estão em desuso. Não acredito em um único caminho para se ter sucesso. Um treinador pode ser campeão sem  repetir insistentemente expressões como terço final do campo, jogo apoiado…. Mesmo porque há maneiras diferentes de se fazer um trabalho marcante.

O que eu digo é que Oswaldo foi contratado pelo seu passado longínquo e não por seu passado recente. Foi uma opção autocrática de Roberto Andrade, baseada em sua memória afetiva. Ele colocou o título de 2000 acima de tudo o que Oswaldo fez (não fez) desde então.

Poderia dar certo? Sim.

Não está dando. E possivelmente não dará. Possivelmente também não daria com outro, afinal o desmanche foi muito grande e o nível atual dos jogadores é muito ruim. O Corinthians, como um filho perdulário que vive às custas do resto da herança deixada pelo pai, se mantém graças à gordura deixada por Tite.

Um motivo a mais para que a escolha fosse feita racionalmente, sem emoção.

Tudo indica que a terceira passagem de Oswaldo pelo Corinthians não terá nada a ver com a primeira. Ao contrário do que o coração corintiano de Roberto Andrade previu.


Cadê a crise que estava aqui? Valdívia mandou para Itaquera
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Menon

Por que Valdívia jogou tão bem o clássico?

1) Gosta de ganhar do Corinthians?

2) Queria deixar uma boa impressão antes de ir para o Chile?

3) Conseguir uns trocos a mais (bota troco nisso) na renovação?

4) Ele joga sempre bem, a gente é que não vê?

5) Nenhuma das anteriores?

6) Todas as anteriores

Cada um tem a sua resposta. Cada uma tem seu entendimento. A verdade é que o chileno fez sua melhor partida de muitos anos. Armou o jogo. Deu velocidade. Freou. Desarmou (juro que é verdade). Passou, chutou, irritou, foi o melhor em campo.

O que ajudou também foi que Oswaldo de Oliveira deixou de lado seu esquema pré-fabricado e apostou em muita rotatividade. Como Leandro Pereira e Cristaldo não são  constantes (ou melhor, são constantes em sua inconstância), ele apostou em Rafael Marques, Valdivia, Zé Roberto  e Kelvin no ataque. Leveza, trocas de posição e, o que é melhor, agredindo a defesa corintiana.

O time dominou desde o início e, não fosse Cássio, a vantagem seria bem maior.

A crise deixou Pompeia e Perdizes e foi para Itaquera.

Tite precisa recompor seu time. O clube está devendo aos jogadores. E dois deles já se foram. Mais gente pode tomar essa barca.

O treinador disse que ele e os jogadores tem capacidade de dar a volta por cima.

Pode ser. mas não foi o que ele fez em 2013. Depois do título mundial, ficou refém de Sheik e Romarinho. Morreu abraçado com eles.


Com Oswaldo, Valdívia perderá protagonismo no Palmeiras
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Nos últimos jogos do Brasileiro-14, Jorge Valdivia recebeu tratamento de estrela. Não sei se justo, mas extremamente necessário. Entrou em campo com poucas condições físicas e foi vítima de algumas patadas no jogo contra o Coritiba, foi poupado contra o Inter e jogou meia boca contra o Furacão. Único jogador do elenco com boas condições técnicas, era a esperança de permanência na elite. Era o Palmeiras de Valdivia, com toda a dramaticidade que isso possa carregar.

Agora, não. Com Oswaldo, não. Ele foi direto ao responder minha pergunta. “Você vai começar um trabalho praticamente do zero. Vai construir um time a partir de um jogador, no caso Valdívia, ou vai montar um time mais coletivo”? “No futebol de hoje, não existe espaço para times montados em função de um jogador. Fosse assim, Portugal disputaria o título na última Copa. Fosse assim, a Argentina seria campeã. Quero um time que jogue de forma coletiva, com disciplina tática e que tenha qualidade técnica”.

Pouco antes, também respondendo sobre Valdivia, disse que deseja a continuidade de Valdivia, que é um grande jogador, assim como outros do elenco. Assim como outros do elenco. O recado está dado. Deixou claro também que gosta de trabalhar com garotos, mas que um time não vive só disso. Quer jogadores bons, disciplinados e obedientes taticamente. “Pode ser jovem ou veterano, pode ser brasileiro ou austríaco”.

Perguntei a Oswaldo também porque ele nos últimos dois anos estava tão exasperado, tão irritado, deixando longe aquela imagem zen dos tempos de Corinthians e São Paulo. Ele fez uma comparação entre uma lagoa tranquila e um mar revolto. ”Fiquei cinco anos no Japão, onde tudo é muito organizado, onde no primeiro dia de trabalho já se sabe o que vai acontecer no ano todo e tive dificuldades de me adaptar novamente ao Brasil. Saí de uma lagoa tranquila e caí em um mar revolto”.

E agora, está em um tsunami, quis dizer a ele, mas o microfone já estava em outras mãos.


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