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Jaílson e Dourado foram irresponsáveis
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O jogo foi muito bom. O Palmeiras começou muito bem diante do Flamengo e logo fez seu gol, com Bigode, em jogada iniciada por Dudu. Depois, diminuiu o ritmo e sofreu com Rodinei e Vinicius Jr.

O segundo tempo começou como o primeiro. Pressão total do Palmeiras, mas o empate veio com uma cabeçada de Thuler. Thiago Martins dormiu.

O jogo ficou muito bom, com os dois times atacando. E ficou quente também, com muitas provocações.

No final, a palhaçada. Cuellar fez falta violenta em Dudu. Levaria amarelo, talvez vermelho. Dudu não esperou para ver. Empurrou por trás e o pau quebrou.

Todos devem ser reprovados pela violência. Dourado e Jaílson, além disso, pela burrice. Dourado estava no banco e não poderá enfrentar o São Paulo. Ruim para o Flamengo, quando se lembra que Vizeu e Vinícius Jr. se despediram e não jogam mais.

Jaílson saiu de seu gol e atravessou o campo para dar uma gravata em Jonas. Foi expulso e obrigou Moisés a ir para o gol. Colocou o Palmeiras em risco. E fica fora contra o Santos. Corre riscos quanto à titularidade. Nem sei se volta.


Andrés e Raí estavam certos. Palmeiras errou muito no caso Scarpa
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A juíza Dalva Macedo, enfim, deu sua sentença: a reclamação de Gustavo Scarpa é improcedente e o jogador, que pode recorrer em segunda instância, continua tendo vínculo com o Fluminense e não pode jogar com o Palmeiras. Pode-se dizer que era uma derrota anunciada. Afinal, em 10 de janeiro, a mesma juíza havia negado um pedido de liberação antecipada do jogador. No dia seguinte, a OTB, que administra a carreira de Scarpa, entraram com um mandado de segurança e conseguiu uma liminar que permitia ao jogador atuar por outra equipe. No dia 15, o Palmeiras anunciou um acerto com Scarpa, pagando 6 milhões de euros a ele e à OTB.

Começou então uma batalha jurídica. Desembargadores cassaram a liminar de Scarpa em março. E em 16 de abril foi negado outro pedido de liberação antecipada. Quem negou? A juíza Dalva Macedo. Parece claro que ela tinha um entendimento favorável a clube e contrário ao desejo do jogador, o que se confirmou agora.

O Palmeiras precisa explicar porque preferiu esse caminho judicial em vez de negociar com o Fluminense. Os sinais estavam evidentes, afinal a juíza Dalva votaria contra um entendimento que já havia exposto duas vezes?

A diretoria do Palmeiras preferiu apostar no entendimento da OTB, que já havia errado no caso Zeca. Eles garantiram a Andrés Sanchez que o jogador estava liberado. Andrés anunciou a chegada do lateral. Então, a OTB disse que não arcaria com os R$ 50 milhões pedidos pelo Santos, em caso de vitória na Justiça. E Andrés caiu fora.

O Palmeiras, não. Foi até o final, baseado em…quê mesmo? Era evidente que o caso permitia muitas interpretações, que é um caso nebuloso e que a juíza Dalva Macedo tinha um entendimento contrário ao pleito do jogador. Mesmo assim, o Palmeiras não recuou. Não deu um passo atrás. Não negociou.

E agora, como fica?

O Palmeiras continua atrelando sua sorte à estratégia da OTB e espera decisão em segunda instância?

A OTB vai devolver, ou já devolveu, os 6 milhões de euros até a decisão final?

A OTB vai devolver o dinheiro no final, caso a decisão da juíza seja mantida?

Vai devolver os 6 milhões ou mais.?Afinal, com o dinheiro na mão por alguns meses, pode ter lucrado muito em alguma aplicação.

ATENÇÃO – O amigo Jefferson Yassuda, assessor do Palmeiras, me ligou e explicou algo fundamental. O Palmeiras não pagou nada a Scarpa e à OTB. Só pagará no final do imbróglio, se Scarpa estiver livre. Menos mal. Muito menos.

OPalmeiras errou muito no caso. Foi afoito e não pensou nas consequências.

Raí, que negociou pelo São Paulo, estava correto. Tratou diretamente com o clube. Deixou sanguessugas de lado. Como não deu negócio, se afastou e usou o dinheiro que tinha, meses depois para contratar Everton. Leia AQUI SOBRE O CASO

PS – Fica difícil entender que um clube que não paga salários em dia esteja com a razão. Muito difícil


Roger Guedes, o maior erro de Alexandre Mattos
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Roger Guedes é um dos destaques do Brasileiro. Talvez o maior deles. Com a camisa do Galo tem sido pródigo em gols e passes decisivos. E ainda tem vínculo com o Palmeiras. E porque faz a alegria dos atleticanos e não dos palmeirenses.

Na verdade, no ano passado, Guedes fazia a irritação dos verdes atingir níveis estratosféricos. Jogava bem um dia e mal nos outros dois. E, em muitos jogos, dava a impressão de ter ficado no ônibus e nem entrado em campo.

A solução foi um empréstimo.

É a solução mais fácil e não a mais correta.

O principal questionamento da situação é o seguinte: por que ele joga lá e não joga aqui?

Culpar o jogador é fácil, é lavar as mãos. Afinal, se o Palmeiras acreditou que poderia tirar Michel Bastos de seu sono eterno e incutir doses de responsabilidade em seu futebol, por que não fazer o mesmo com Guedes?

Como o Palmeiras tem muito dinheiro – é um fato e não uma crítica – não existe paciência com jogador. Vai lá e compra outro. E nem sempre essa ação agressiva é bem vista. Vamos lembrar três casos com Cuca.

Ele não gostava de Borja e pediu um novo atacante. Veio Deyverson, que tem uma indisposição amorosa com a bola.

Ele não gostava de Felipe Melo. Em vez de não escalar, o que é seu direito, afastou jogador dos treinamentos, o que a lei não permite. Melo foi buscar seus direitos e foi reintegrado. Hoje é fundamental ao time. E foi um dos causadores da saída de Guedes, que não gostou de um trote dado por ele.

Cuca queria mais um atacante. Pediu Richarlison, do Fluminense. O Palmeiras combinou tudo com o jogador e esqueceu de falar com o Flu, que se recusou a fazer negócio. Lógico, havia a possibilidade futura de uma negociação com o Exterior, o que se confirmou. Cuca chegou ao cúmulo de dar uma entrevista dizendo que havia falado com Abel, treinador do Fluminense, e garantido que ele não ficaria na mão. Que ele, Cuca, cederia alguns jogadores ao Flu. Ora, Alexandre Mattos ganha bem para Cuca dar uma entrevista dizendo que Abel receberia novos jogadores?

O caso mais recente foi o de Scarpa. O Palmeiras acreditou nos mesmos empresários que haviam quebrado a cara no caso Zeca. Disseram ao jogador que ele seria liberado e iria para o Corinthians. Quando viu que não era nada disso, Andrés pulou fora. E Zeca só saiu em troca de Sasha.

Bem, Alexandre Mattos deixou o Fluminense de lado e foi buscar o jogador, pagando diretamente a ele e a seus empresários. E a Justiça deu ganho de causa ao time carioca. Como fica? Os empresários devolverão o dinheiro e o Palmeiras o repassará ao Flu? Seja qual for a solução, Scarpa, se vier, somente em agosto.

Esse deslumbramento com dinheiro fácil é perigoso. Leva de erros menores como as contratações de Roger Carvalho, Fabiano, Fabrício, Michel Bastos e Juninho, até a perda do destaque do Brasileiro, passando por constrangimentos com um time rival. Constrangimento ainda mais desnecessário porque se transformou em derrota. Duas vezes.

 


Mococa, é claro!!!
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Meu querido primo Mauro Bacci me avisou, logo pela manhã, que seu irmão, o também querido João Bacci, legista, havia atendido na noite de ontem um acidente na SP 340. (Mauro é parmera e João, santista. O velho Percival era um democrata). Choque de um carro com um caminhão. O motorista do caminhão fugiu. O do carro, morreu. Gilmar Justino Dias. Ninguém conhece. O Mococa. Pouca gente conhece.

Era um volante voluntarioso, marcador excelente e que fez sucesso no Palmeiras dirigido por Tele no final dos anos 70 e início dos 80. Em 1979, o Palmeiras goleou o Flamengo, no Maracanã, por 4 x 1 e ele fez uma partida notável, marcando os craques adversários e permitindo que os do Palmeiras, principalmente Jorge Mendonça, brilhassem.

Como conta o amigo Márcio Trevisan no SENHOR PALMEIRAS , a euforia tomou conta da torcida. O título brasileiro era questão de tempos. Mas, antes, era preciso vencer o Internacional, de Mauro Galvão e dele, Falcão. O time estava invicto, com 14 vitórias e cinco empates. Falcão seria marcado por Mococa, então com 21 anos, revelação da base e cogitado pela imprensa paulista para a seleção.

Roberto Avallone, sempre genial, estampou, então, no Jornal da Tarde a seguinte manchete:

MOCOCA OU FALCÃO?

Falcão fez dois gols e quase o terceiro, de bicicleta. O Inter venceu por 3 x 2 e deslanchou para o título.

No dia seguinte, Avallone titulou no Jornal da Tarde.

FALCÃO, É CLARO.

O Inter foi campeão e Mococa ficou marcado pela derrota no desigual combate, quando Golias venceu Davi.

O futebol mundial tem muito mais mococas do que falcões. Os gênios são poucos. Mas o suor também tem valor. Mococa foi um trabalhador honesto, um jogador dedicado e, por pouco tempo, foi ídolo de uma torcida fanática. Tudo passou, mas continuou sendo reconhecido e amado em sua cidade, cujo nome levou ao Brasil todo.

A Prefeitura decretou luto oficial por três dias pela morte de Gilmar Justino Dias, o Mococa, que ficará para sempre incrustado na ternura e na sinceridade no nosso cantinho da saudade.

E viva Fiori Gigliotti, morto há 12 anos.


Palmeiras joga muito e cala Renato
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E o Palmeiras, como um triplista, vai chegando ao topo. Com duas vitórias nos dois últimos jogos, está na briga.

Foram dois gols de Bigode, a melhor relação custo/benefício do elenco. Já é artilheiro. Hyoran voltou a jogar bem. E a defesa mostrou solidez?

Renato vai manter o discurso-chororô? Ele tem culpado os rivais pelos erros de seu time. O Grêmio não vence porque os outros, com medo, se retrancam.

O Palmeiras não fez nada disso. Jogou melhor, jogou encarando e ganhou.


Comédia de erros no Allianz. Culpa maior é do Palmeiras
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Ricardo Sapão, socio-torcedor do Palmeiras e membro da Mancha Verde, publicou um vídeo no Facebook. Ele dá sua versão sobre uma briga ocorrida após a vitória de seu clube contra o São Paulo, por 3 x 1 no sábado.

O depoimento é uma prova do amadorismo como o futebol é dirigido no Brasil. Desanimador.

Ele diz que é sócio do interior e que estava na zona mista por onde passavam os jogadores do São Paulo.

Ridículo. O início de todos os erros. Zona Mista é por onde os jogadores caminham até o ônibus, após o jogo. Se quiserem, falam com jornalistas. Inadmissível que estejam em contato com torcedores, de seu time ou do rival, sujeitos a cobranças e gozações.

Em seguida, Sapão diz que um torcedor a seu lado, dirigir-se a Petros e afirmou “você falou muito durante a semana”. Falou o quê? Petros disse que estava confiante e que seria possível vencer. E aí? Iria dizer que vai perder? E se tivesse dito mais alguma coisa? Qual o problema?

A reação de Petros, segundo Sapão, foi voltar até onde estava o torcedor. Fingiu dar-lhe a mão e acertou um tapa na cara. Se for verdade, é totalmente errado. Não tem desculpa. É agressão. É crime. Sem desculpas.

Então, Sapão tomou as dores do torcedor e Militão foi defender Petros. Os seguranças afastaram os torcedores.

Sapão quase chora ao dizer que é palmeirense e que foi agredido por segurança do Palmeiras no estádio do Palmeiras. É a lógica da minha casa, minha lei. Faço o que quero.

Seria errado ele ser agredido por segurança do São Paulo também.

Agressão é errado.

Provocação é errado.

Permitir o contato entre torcedor e jogador no pós-jogo é o maior erro.

PS – Sapão diz que é pai de família. Petros diz que é pai de família. “Cidadãos de bem”.

 


Pela direita, Palmeiras derruba invicto e crise
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O Palmeiras conseguiu uma vitória importantíssima, a partir de um segunfo tempo eletrizante, com muita força pela direita do ataque.

O primeiro tempo foi muito fraco, com faltas e mais faltas e poucos chutes a gol. Basta dizer que o único gol do período, do São Paulo, foi de Edu Dracena, em erro bizarro.

Desde o início do segundo tempo, o Palmeiras pressionou o São Paulo, que, uma vez mais, não tinha contra-ataque.

E Reinaldo era um convite para a pressão palmeirense. Keno passou fácil, cruzou, Sidão errou e Bigode fez.

O segundo gol veio pela esquerda, com um lance confuso. Bigode estava impedido, mas era lance difícil.

Aguirre já deveria ter agido para arrumar o lado esquerdo. Não deu tempo. O São Paulo adiantou a marcação e tome bola. Terceiro, com Dudu.

Vitória justa, que dá alívio e confirma ótimo momento de Hyoran.

Derrota que mostrou, novamente, o grande erro do time: recuar e não ter a transição, é certeza de gol sofrido.


Roger, é hora de ousar. Batata está assando
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Caro Roger Machado

Vou te dar uma notícia dura. Passar a real. Arrancar o Band Aid de uma vez: se perder do São Paulo, você deve ser demitido e fazer companhia a Pedro Parente na fila do desemprego. Embora você seja muito melhor que ele.

Estou no interior, em Aguaí, e fui no bar com meus cunhados, Paulo Taça ( melhor jogador de futsal da cidade) é Ricardo Foca, muito habilidoso no basquete. Os apelidos explicam.

Os dois são palmeirenses fanáticos e fizeram essa previsão. Outros amigos também. Nenhum deles é diretor, amigo de diretor, nenhum tem influência, mas sabem. Criou-se um consenso.

Sabe o motivo? Eles sabem que você trabalha no Brasil. É como a banda toca. Não adianta sonhar com a Europa, com a a compreensão europeia, com o calendário europeu.

Aqui, não adianta se classificar com 90% na Libertadores e perder seguidamente para o Corinthians. É outro campeonato.

Eu falo isso porque acho que você está pouco consciente de como é o futebol por aqui. Parece que você acredita na pataquada de que resultado não importa, que rendimento é fundamental e que treinador só pode ser avaliado após um ano de trabalho.

Fica preso a conceitos imutáveis. Contra o Cruzeiro, por exemplo. O Moisés não deveria entrar no lugar do Thiago Santos? Pode parecer simplismo, mas manter dois volantes com o time perdendo, dá impressão de falta de ousadia.

É o Deyverson? Difícil explicar.

Eu acho que você deveria mudar um pouco. Novas opções, o Hyoran desde o início. Aliás, o Ricardo, meu cunhado, fez o seguinte raciocínio.

O Roger diz que não desiste de jogador e insiste no Lucas Lima. Então, ele está desistindo do Hyoran.

Falando de maneira grosseira: se mexe que a batata está assando.


Mattos, Dudu, Lugano… Nada muda no futebol brasileiro
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O Dia da Marmota é mesmo uma constância no futebol brasileiro. Nada muda. Os mesmos problemas e as mesmas soluções que nunca solucionam. Tudo igual. E vamos caminhando para o fim do túnel.

A notícia é que Alexandre Mattos e Dudu foram conversar com dirigentes de uma torcida organizada. Pedir apoio, pedir união. Uma prática que não se restringe ao Palmeiras. Há pouco, era Lugano usando sua influência e seu portunhol para amansar outras feras.

Até quando? Até quando dirigentes terão atitudes desse nível, se sujeitando a receber ameaças de torcedores? E depois fazer uma reunião como se fosse algo importante, o Topetudo se reunindo com o Gordinho? Isso é rebaixar o clube.

Precisamos de dirigentes que avancem, que sejam pioneiros e tomem atitudes corajosas.

Não damos mais ingresso grátis para torcedor.

Não facilitamos compra de ingresso para organizadas.

Nenhuma torcida organizada tem permissão para usar os símbolos do clube.

O clube não dará e nem aceitará que seus dirigentes contribuam com as despesas de escolas de samba de torcidas organizadas.

E há muito mais que um dirigente moderno poderia fazer a partir de agora, para mudar o futebol brasileiro.

Apenas o nosso capitão poderá se dirigir ao árbitro.  (Já que o Coronel Marinho não faz, que alguém faça).

Não aceitamos mais que nossos jogadores fiquem cercando e ofendendo árbitros, auxiliares e outros quetais.

Apenas nossos dirigentes falarão sobre arbitragem.

Repudiamos que nossos jogadores finjam levar tapa na cara a cada disputa de bola.

E já que se exige tanto dos jogadores, o presidente do clube deveria dizer:

Não aceitamos a governança da CBF, com um presidente eleito após um golpe que tirou força dos clubes e fortaleceu as federações.

Não aceitaremos viajar de graça com avião da CBF.

Não estaremos em vôos de alegria, irresponsáveis.

Se um, apenas um dirigente tomar vergonha, tomar atitude e passar a respeitar a história de seus clubes, não se sujeitando a marginais organizados, nas arquibancadas e nas luxuosas salas da CBF, tudo melhoraria.

Petraglia, presidente do Furacão, avançou em relação à CBF, mas sua atitude diante de outros clubes, partindo para a galhofa e ofensa, não leva a nada.

São sonhos, talvez irrealizáveis para um país que vende jovens para a Europa e jogadores em plena forma para a Arábia.


Simon: “Confessei um erro por ser humilde e passei a ser mais admirado”
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Carlos Eugênio Simon foi o representante da arbitragem brasileira nos Mundiais de 2002, 2006 e 2010. É jornalista formado com pós graduação em Ciência dos Esporte, com especialização em futebol. Ele conversou com o blog a respeito da arbitragem na Copa, no Brasil e sobre as consequências de haver assumido, há um mês, um erro que cometeu em 2009, quando anulou um gol de Obina, então no Palmeiras, contra o Fluminense.

Em minha opinião, foi um ato correto dele, trazer o assunto à tona e reconhecer um erro. Assumir um erro é algo importante em tempos sombrios, quando os ânimos andam tão exaltados.

O que você espera da arbitragem no Mundial?

A arbitragem mundial não está em um bom momento, assim como a brasileira. Mas o comando está em mãos competentes, como Pierluigi Collina, com quem trabalhei em 2002 e o Massimo Busacca, com quem estive nos Mundiais de 2006 e 2010. Agora, é necessário ver se terão autonomia para trabahar. Os melhores, na minha opinião são o holandês Bjorn Kuipers e o holandês Felix Brych. Senti falta da arbitragem da Inglaterra, que é profissional e de alto nível.

E o árbitro de vídeo?

É a grande novidade. Sou totalmente a favor. Foram escolhidos 13 árbitros do mundo todo para trabalhar na cabine. Da América do Sul, estarão o Wilton Sampaio, do Brasil, o Gery Vargas, da Bolívia e o Mauro Vigliano, da Argentina. Ficarão na cabine um árbitro e um assistente apenas para lances de impedimento. Fizeram uma preparação muito boa, já trabalharam em competições como a Libertadores e a Recopa sul-americana. Não será perfeito, precisa aperfeiçoar, mas será um grande avanço.

Se o Brasil chegar à final contra uma seleção europeia, quem tem chances de apitar?

Neste caso, não pode ser um árbitro da UEFA e nem da Conmebol. Das outras confederações, eu gosto do Joel Aguillar, de El Salvador,  Mark Geiger (EUA), Bakary Gassama, de Zâmbia e o Raushan Irmatov, do Uzbequistão. Mas pode acontecer de outro árbitro ganhar força durante a competição, ir crescendo e ganhar a disputa.

O Sandro Meira Ricci pode fazer uma boa Copa?

O perfil de árbitro exigido pela Fifa é que esteja bem tecnica, fisica e psicologicamente bem preparado. Ele está. Já é sua segunda Copa e pode fazer bom trabalho, sim. Quando vai a uma Copa, o árbitro precisa esquecer os vícios da arbitragem em seu país, esquecer tudo, se adaptar ao padrão. Uma das coisas, já antiga, é garantir que as partidas tenham 60% de bola correndo.

Quais são os vícios da arbitragem no Brasil?

Essa coisa de cercar o árbitro. Se há um lance polêmico, os jogadores se dividem. Uma turma vai peitar o árbitro, outros vão no auxiliar e mais um tanto no adicional. Um absurdo.

Como melhorar a arbitragem no Brasil?

Precisa profissionalizar. Arbitro precisa ter médico, psicólogo, fisiologista, fisioterapeuta, massagista. Precisa estar bem preparado para não sofrer pressão. Ah, não tem dinheiro? Venda patrocínios, é fácil. E precisa acabar com sorteio. As pessoas precisam decidir conforme a qualidade dos árbitros. Decidir com autoridade e não com autoritarismo.

No mês passado, você reconheceu que errou contra o Palmeiras em 2009, anulando um gol de Obina. Qual foi a repercussão na sua vida?

Uma pessoa me parou na rua e me cumprimentou. Disse que eu tive coragem para assumir meu erro. Eu me sinto mais admirado, apenas provei que sou um cidadão tranquilo, companheiro e leal. Assumir um erro é prova de humildade. Eu já havia feito isso em relação a um jogo do Botafogo contra o Atlético, quando não dei um pênalti para o Galo. Duas vezes eu reconheci um erro. Você conhece algum outro árbitro de meu nível, com três Mundiais, Olimpíada, Copa América, muitos jogos importantes, que assumiu um erro? As pessoas entenderam isso, em geral. Sou um cidadão consciente, o erro me faz crescer, reconhecer o erro ainda mais. Mas tem os fanáticos que só enxergam o próprio nariz.