Blog do Menon

Arquivo : Pelé

Jair não tem tamanho para o Corinthians
Comentários Comente

Menon

Jairzinho, Tostão, Pelé e Edu.

Jairzinho, Tostão, Pelé e Rivellino.

Rogério, Jairzinho, Roberto Miranda e Caju.

Grandes ataques do futebol brasileiro. Jairzinho estava nos três.

Nenhum deles existiria se o treinador fosse Jair Ventura, filho do Furacão.

Sim, assumo. É uma comparação sem nexo. Os tempos são outros. Ninguém joga hoje com tanta gente no ataque.

Mas a prudência ou pragmatismo ou covardia de Jair Ventura é enorme. Mesmo levando em conta que o grupo de jogadores que comanda é fraco. Pode-se dizer que de baixo nível.

Tudo bem, mas…

Precisa jogar mesmo com Ralf e Gabriel? Que tipo de jogo vai nascer desse casamento?

Precisa mesmo escalar Danilo Avelar? Não é possível buscar outra opção no elenco?

Precisa mesmo montar inócua retranca que não protege Cássio?

A questão maior é a (falta de) atitude.

Jair dá a impressão de ter apenas um modelo de jogo. Apenas um modo de entender futebol. Um mantra: “fechamos atrás e saímos rapidamente em contra-ataque”.

Só que não.

Não está dando certo.

Nem fecha e nem sai.

Para dirigir o Corinthians, é preciso pensar grande.

E Jair não está fazendo isso.

Ele não está se distinguindo de todos os problemas que o time tem. Está se caracterizando apenas como um a mais. Um problema a mais.

 

 


Edu pede mais dribles e respeito com Neymar
Comentários Comente

Menon

ARQUIVO/ESTADÃO CONTEÚDO/AE

Pouco sabem, ou não se lembram, quem foi Jonas Eduardo Américo. Sobretudo os mais jovens.

Mas se falarmos do ponta esquerda Edu, logo virá à lembrança um dos maiores dribladores do futebol brasileiro e mundial. Hoje aos 69 anos, tocando projetos para a revelação de jovens talentos em clínicas de futebol no Paraná e também nos Estados Unidos, o grande camisa 11 do Santos de Pelé e da seleção brasileira lamenta a falta de ousadia e encanto nos gramados, diz que está difícil surgir “feras” e “ídolos” no “chato” futebol brasileiro, reclama dos “invejosos” de Neymar e protesta contra técnicos que querem “acabar com o drible”. “Só pedem pra tocar, tocar, desde a base. Também não poupa os atletas. “Os jogadores pegam a bola mano a mano e esperam alguém chegar para tocar de lado ou para trás”.

Ele fala com propriedade. É um dos mais vitoriosos Meninos da Vila. Com 16 anos, disputou a Copa da Inglaterra.

Com tantos jogos robotizados, ele sofre ao assistir as (poucas) partidas, revela que quando se encontra com o amigo Pelé evita falar de futebol justamente para não “passarem raiva”, mas deposita confiança em dias melhores. Presença assídua nos duelos do Santos na Vila Belmiro, aposta em vaga na Libertadores de 2019.

O futebol brasileiro perdeu o encanto?

Muito (risos). Muito mesmo. Se você vai no teatro, quer ver um bom espetáculo. Futebol também, mas hoje em dia se você der dois dribles já não pode, é menosprezo. Garrincha, Canhoteiro, Edu não jogariam no futebol de hoje. Naquela época, chegávamos com estádios cheios, lotados, todos juntos, sem separação de torcida. Hoje só tem torcida de um time, isso não existe. Machuca muito.

Rei dos dribles, acha que falta ousadia a nossas novas safras? A culpa seria de quem?

 Vem da base. Lá, você acompanha o trabalho e vê o treinador o tempo todo: toca, toca, toca… É muito do preparo do jogador e fica difícil surgir craque assim. Ter habilidade é essencial, o jovem tem de tentar algo diferente, por isso adoro Neymar, Messi, Rodrygo, Vinícius Júnior, que vão pra cima. Têm também o Cebolinha (Éverton, do Grêmio) e o Dudu, do Palmeiras. Se você vai para cima, já tira alguém da jogada e sempre sobra um companheiro livre. Antigamente era assim. A base do Santos beneficia a ousadia, por isso revela tanto, pois não visa esse lado só de toques. Se tem habilidade, vai para cima.

Então os treinadores inibem os dribles?

O treinador dá orientações, mas não tira a genialidade, não proíbe o drible. Acho que vai muito do jogador também, de o cara ser ousado dentro de campo. Eles não vão para cima, pegam a bola no mano a mano e param, não encaram, ficam esperando alguém chegar e tocam de lado ou para trás. O futebol fica chato sem drible, tanto que nem estou vendo tantos jogos.

Algum jogador no nosso futebol se assemelha ao que o Edu fez na carreira?

Hoje é muito difícil. Gosto do Neymar e do Messi, que estão lá fora. Cristiano Ronaldo é mais o estilo do Pelé, finalizador, sem tanto drible. Mas faz muitos gols. William e Hazard, do Chelsea, e Ribéry, são outros que ainda me fazem ficar na frente da televisão para ver futebol. Que coisa linda é o drible, quando jogava, a torcida ficava de pé para aplaudir. Mas acabaram com aquele romantismo.

 O Pelé anda com problemas de saúde e pouco sabemos sobre seu estado clínico. O senhor tem se encontrado e conversado com ele?

Não tenho falado muito com ele, mas está inteirão, com a saúde boa. Ele tem um problema na perna por não conseguir fazer o tratamento correto por causa dos tantos compromissos. Uma hora está na Arábia Saudita, outra na Índia, fica sem tempo para cuidar da saúde adequadamente.

 Mas nos encontros, ele anda dando pitacos no nosso futebol também? Cornetando alguém?

Difícil sobrar tempo para falarmos de futebol. Conversamos sobre outras coisas, procuramos evitar conversar sobre jogos, pois anda bem complicado, é até constrangedor para ele o que anda vendo. Com todo respeito aos jogadores atuais, mas anda difícil dizer que esse ou aquele é fera. Hoje não tem ídolo.  Qual o nosso ídolo? Você não vê um jovem dizer que quer ser como A, B ou C no nosso futebol. O ídolo (Neymar) foi embora, aqui no Brasil você não vê, não tem.

Depois da decepção na Copa do Mundo, optamos por disputar amistosos com seleções fracas, como El Salvador, Estados Unidos e Arábia Saudita. Acha correto? Não seria bom enfrentar os gigantes europeus?

Acho que não tem muita diferença. Temos de ver nossa seleção, não avaliar se o rival é fraco, e sim de quanto ganhamos, o que fizemos. Estamos no caminho certo. Após a Copa que perdemos aqui (2014), enfrentamos os melhores e ganhamos de todos eles. Somos os melhores do mundo e temos de manter a tradição de ser o país do futebol, sem ficar copiando os outros. Eles sim, vêm aqui para nos copiar. Deixe a seleção trabalhar, sem polêmicas.

 E como avalia esses recentes jogos da seleção brasileira?
 Jogos duros. Os adversários conhecem bem o Brasil, sabem da dificuldade de sair para nos atacar, então optam por fazer um ferrolho atrás, como fez a Argentina, e evitam dar espaços. Aí vai da nossa criatividade, e é difícil não acontecer um gol. Sabemos jogar, temos habilidade e estamos querendo vencer.
 O fato de o Neymar estar atuando mais como um meia no PSG atrapalha seu desempenho quando está com a seleção?

Nada a ver. Se joga mais centralizado ou como um ponta, vai aparecer do mesmo jeito, pois tem habilidade para criar. Cria e faz. Dia desses o PSG goleou, ele fez o dele e ainda participou com assistência de três gols do Mbappé. Claro que jogar num clube é uma coisa, na seleção é outra.

 Muitos criticam o Neymar por causa de suas vaidades, regalias e falta de cobrança mais rígida. Seriam esses os motivos para ele ter caído de produção?

Na seleção de 1970 tínhamos o Rei, que decidia. Mas o Pelé sabia que fazia parte do grupo e não se considerava o bambambam. Única coisa que vejo de errado no Neymar é que, às vezes, ele não facilita as jogadas. Toca e sai para receber, é habilidoso e com sua velocidade ninguém vai pará-lo. Mas ele prefere querer sofrer faltas. Alguém precisa chegar e pedir para ele facilitar, pois é um gênio, joga muita bola. Isso cabe aos técnicos. Dei conselhos a ele no Santos para não exagerar nos dribles. Passou por um, dois, não queira passar por quatro, cinco, faz a tabela, pois os zagueiros são lentos, diferentemente dos laterais, e ele vai sempre levar vantagem.

  O vê como um menino mimado?

Mimado, não. Acho ele hoje um homem, uma pessoa que sabe de suas responsabilidades, o que representa para nossa seleção. Mas existem os invejosos que querem criticá-lo.

Acha que o Brasileirão já está decidido para o Palmeiras?

O Palmeiras está num momento muito bom, numa crescente. Conta com um elenco muito forte, por isso chegou. Agora, manter esse ritmo normalmente é bem difícil e não dá para dizer que está decidido. O São Paulo estava no topo, sem ninguém por perto e caiu. O futebol é bonito, maravilhoso, encantador por proporcionar a quem não está bem se recuperar, subir e ir às finais, brigar por taças.

 O Santos poderia estar brigando pelo título brasileiro caso o Cuca tivesse chegado antes? Até onde vê essa equipe chegar?

O Santos vai entrar na zona de classificação à Libertadores. Mas não sei se foi pela chegada dele ou por causa da saída do outro treinador (Jair Ventura). O problema é que no início do Brasileirão o time perdeu muitos pontos bobos na Vila Belmiro. Não podia. A Vila é a casa do Santos, um alçapão, que os times já desciam com medo. Agora, descem sem problemas. O Santos tem uma sina de perder para os pequenos. Foi assim contra o América-MG aqui.

Como está vendo essa volta por cima do Gabigol na carreira?

Não digo uma volta por cima, apenas está marcando e atacante vive de gols. Ele passou por um momento ruim porque a bola não chegava. Mas o Santos fez uma contratação especial, esse Sanches joga muita bola. Um bom jogador que eu já admirava desde o River, da seleção do Uruguai, que cria e dá opções.

Seguindo no assunto Gabigol, o Santos tem de fazer loucuras para segurá-lo? Ou gostaria de vê-lo voltando à Europa para mostrar seu real valor?

Ele já tem compromisso com a Inter (de Milão), infelizmente não deseja continuar, quer voltar a jogar na Europa. Mas tem de chegar lá com os pés no chão, com humildade para reconquistar o espaço que perdeu. O Santos não tem como segurá-lo, a Inter vai pedir muito dinheiro.

O Corinthians pode cair?

Vai sofrer bastante. Vem de derrotas numa final e tem jogos complicados pela frente. Até pela cobrança do torcedor e pela pressão, precisa se reencontrar logo, senão será um fim de ano complicado.

 Como avalia o trabalho de Jair Ventura, que não foi bem no Santos e agora não engrena em outro gigante paulista?

Jair foi bom treinador para o Botafogo, pois na época conhecia todo mundo desde a base. Veio para o Santos e não conhecia ninguém, deixou o time lá embaixo, e também não faz bom trabalho no Corinthians. Pode vir a se tornar um grande treinador, mas o momento é ruim.

 Falando de outro treinador, Diego Aguirre estava muito bem no São Paulo, ganhou o primeiro turno e liderava. Agora, com a queda de produção do time, está sendo vaiado e já se questiona até a sua renovação para 2019. Os dirigentes não deveriam acreditar mais nos treinadores?

Na minha opinião, técnicos precisam conhecer o clube. O São Paulo foi lá fora, trouxe um uruguaio e tudo bem. Não é assim. Ele foi bem no Inter, mas tinha jogado lá. No São Paulo a coisa foi completamente distinta. Precisa saber da história de um clube. Ele chegou, deu uma acertadinha, mas o que faz agora?

 Sobre arbitragem, o senhor aprova o uso do VAR?

Acho legal, já que muitos lances o árbitro infelizmente não vê e a imprensa fica avaliando depois de voltar e repassar muitas vezes. Com o VAR os juízes vão ter a chance de ver onde erraram.

 Essa seria a saída, então, para evitar tantas polêmicas e erros dos nossos homens do apito?

Com certeza. Os árbitros dão pênalti sem convicção, ou às vezes interpretam que não foi. Com o VAR vão fugir das polêmicas.

PS – Entrevista feita pelo jornalista FÁBIO HÉCICO


Os cinco maiores esportistas do Brasil
Comentários Comente

Menon

Imagem: Divulgação/CBF

Adoro listas. Vou fazer uma por semana por aqui. Aguardo sugestões.

Hoje, falarei dos cinco maiores esportistas do Brasil. Logicamente, é uma lista opinativa, não há nada que a confirme com exatidão. Não é científico. É paixão.

Vamos a ela, então.

Imagem: Xinhua/Imago/ZUMAPRESS

Pelé – Edson Arantes do Nascimento foi eleito o atleta do século. Do século de Jesse Owens, Johnny Weissmuller, Carl Lewis, Michael Jordan, Muhammad Ali… Jogador inigualável em sua época, Pelé apareceu para o mundo e para o Brasil (era apenas um garoto mineiro) ao mesmo tempo. Em 1958. Com 17 anos. Em uma Copa do Mundo. Fazendo gols geniais. Ele fazia há 60 anos, o que os grandes craques fazem hoje.

Muito forte e muito profissional, Pelé não era um driblador, digamos, curvilíneo, como muitos. Era do drible reto, vinha de trás, como uma locomotiva. Imparável. Poder de decisão total, erro quase zero, com soluções criativas.

Pelé era uma mistura de Cristiano Ronaldo, Messi e Romário.

Imagem: AFP PHOTO/INTERCONTINENTALE

Garrincha – Se Pelé é a personificação do futebol profissional, Garrincha é apenas a confirmação do futebol lúdico. Levava aos campos do mundo as suas brincadeiras em Pau Grande.

Totalmente inabilitado para esportes de alto rendimento (tinha as duas pernas tortas para o mesmo lado), não gostava de treinar e tinha apenas um drible. O mesmo, sempre igual. Sempre indecifrável.

Decifra-me ou te devoro.

Garrincha devorou o mundo por décadas. Foi derrotado apenas pela terrível doença do alcoolismo.

Imagem: Folhapress

Éder Jofre – O Galo de Ouro, campeão mundial por cinco anos. Depois, campeão dos penas. O cartel é impressionante: 81 lutas, 75 vitórias, 52 por nocaute, duas derrotas e quatro empates. E pensar que um campeão desses poderia ser argentino, como Kid Jofre, seu pai.

Em 2011, entrevistei Éder para a revista ESPN. Ele tinha 75 anos. Me mostrou como era seu murro. A força não vinha do soco. Vinha do braço, do ombro, da impulsão.

Pedi que ele desse um murro na minha mão, aberta. Ele disse que eu não aguentaria. Insisti. Minha palma da mão ficou dormente por horas.

Imagem: AP Photo/files

Adhemar Ferreira da Silva – O Brasil ainda é um país monoesportivo. Imagine nos anos 50. E agora, imagine a frustração causada pela perda do Mundial de 1950. Pois, nesse cenário, Adhemar foi campeão olímpico do salto triplo em 1952 e 1956.

Mostrou o Brasil ao mundo. E, 60 anos depois, foi solenemente ignorado na Olimpíada do Brasil. Nenhuma citação. Uma vergonha para o esporte brasileiro.

Imagem: Pascal Rondeau/Getty Images

Ayrton Senna – Ele morreu trabalhando em um Primeiro de Maio, dia do trabalhador. Morreu na nossa sala de jantar, na hora do almoço.

Significa muito. Senna, além de todo o talento, era um trabalhador incansável. E, em um período de grande seca do futebol, era o representante do orgulho nacional, com seus três títulos mundiais. O brasileiro, quinzenalmente, vibrava com Senna, sentia-se orgulhoso de seu país e depois, lavava o carro e ia almoçar com a família. Até aquele maldito domingo, que deixou os brasileiros órfãos de seu motivo de orgulho.


Gabriel Jesus merece uma discussão saudável
Comentários Comente

Menon

Gabriel Jesus é um dos jogadores mais “adoráveis” da seleção brasileira. É o tipo de garoto que tem história de vida triste e que se mantém o mesmo de sempre, humilde, simples, talvez um pouco simplório. Ao contrário da série de televisão, Everybody loves Jesus. Todo mundo torce por ele, todo mundo quer vê-lo como titular da seleção.

A simpatia que Jesus irradia em contraposição a vocês sabem quem, tem levado seus defensores a exagerarem – a meu ver – suas qualidades. Mas, comecemos pelo começo, por que Gabriel Jesus tem sido atacado?

Porque não faz gols. Já é a quarta partida da seleção e ele está em branco. O time fez sete gols e nenhum veio com sua assinatura. Só para lembrar e fazer uma comparação que não tem muito, quase nada a ver, o zagueiro Yerri Mina, também ex-palmeirense, fez três. Um dado a mais: a seca de Jesus é sentida também no Manchester City. Após uma contusão, parou de marcar e hoje não há dúvida alguma que o titular de Guardiola é Kun Aguero. Que fez dois gols pela desorganizada e eliminada Argentina.

Os que defendem a permanência de Gabriel Jesus apontam para suas funções táticas em campo. Quais, exatamente? Dos sete gols, quantos nasceram de passes seus. O de Coutinho contra a Costa Rica? Foi um passe mesmo? Houve um belo calcanhar para Neymar no pênalti simulado contra a Costa Rica. É muito pouco, amigos. Uma contribuição pequena para o ataque brasileiro.

E para o time? Aí e que, a meu ver, entra o exagero. Gabriel está contribuindo muito, Gabriel está ajudando na marcação, Gabriel fecha os lados do campo, Gabriel, contra o México, foi um grande auxiliar de Filipe Luiz… Nada disso é mentira, tudo isso leva em conta o grande amor que o garoto tem e merece ter por parte dos torcedores.

Quando dizem que Gabriel faz tudo isso, contribui tanto para o time, dá a impressão que seu possível substituto seja uma árvore plantada na área rival. Alguém sem mobilidade, alguém incapaz de dar um passe, um poste qualquer. Um centroavantão à moda antiga. Alguém pronto a ser servido e nunca a servira.

Não é o caso, né? Roberto Firmino tem jogado muito mais que Gabriel Jesus no campeonato inglês. Inclusive, ao lado de Salah e Mané, humilhou o City de Guardiola e…de Jesus. Criou-se, então, uma dicotomia: Firmino está melhor do que Jesus na Inglaterra, mas os números do garoto na seleção são impressionantes.

Não são mais. A Copa mostra.

Então, tira o Jesus e coloca o Firmino?

Pergunta dura para mim. Porque eu também sou fã do Gabriel Jesus. E acho que ele fará um gol a qualquer momento. Torço por ele. Mas também não tenho a passionalidade do Turco Simão, meu grande amigo, que considera os pedidos por Firmino uma ação da imprensa mafiosa.

Lembremos que em o Brasil foi campeão mundial cinco vezes e que sempre houve modificações no time.

Em 1958, Pelé, Garrincha, Vavá, Djalma Santos e Zito tomaram os lugares de Dida, Joel, Mazolla, De Sordi e Dino Sani.

Em 1962, Pelé, contundido, deu lugar a Amarildo.

Em 1970, as alterações vieram pouco antes da Copa, com Zagallo colocando Rivellino em lugar de Edu, Clodoaldo no meio e recuando Piazza para a zaga.

Em 1994, Raí deu lugar a Mazinho.

Em 2002, Kleberson tomou o lugar de Juninho Paulista.

Ou seja, nada de traumas. Nada de perseguição.

Não deveria causar uma comoção nacional a saída de Jesus. Não é o Romário que Felipão deixou de lado em 2002.

E o mais importante é que, com Jesus ou Firmino, o Brasil está no bom caminho.


Em 1958, o Brasil deixou de ser vira-latas.
Comentários Comente

Menon

(AP Photo)

Há exatos 60 anos, em 29 de junho de 1958, o Brasil provou ao mundo e principalmente aos brasileiros “vira-latas”, imortalizados por Nelson Rodrigues, que poderia ser campeão do mundo de futebol. O que havia sido um sonho em 1938, com o terceiro lugar na Itália em pesadelo em 1950, com o Maracanazo, agora era uma realidade.

E a chegada ao grupo de campeões, até então restrito a Uruguai (30 e 50), Itália (34 e 38) e Alemanha (54), não foi tímida ou contestada. Foi ruidosa, espetacular, inesquecível e quantos elogios mais couberem. O Brasil foi campeão do mundo, dando ao mundo o maior jogador de todos os tempos, Pelé, e aquele que transformava um palmo de grama em um latifúndio, Mané Garrincha, o mais lúdico jogador da história.

Não que não houvesse craques antes. O terceiro lugar na Itália teve a aparição de Leônidas da Silva, o Homem de Borracha, o homem da bicicleta, artilheiro da competição. Em 1950, havia Zizinho, um armador genial…sempre houve craques, mas nunca houve (haverá?) uma dupla como Pelé e Garrincha.

Juntos, eles nunca perderam um jogo. Foram 40 partidas e 36 vitórias. Desde a primeira, em 1958, contra a União Soviética (2 x 0), até a última em 1966, contra a Bulgária, também 2 x 0. E a dupla nem existiria, não fosse uma série de fatores que parecem manejados pelos tais deuses do futebol.

Pelé era um total desconhecido. Para o mundo? Não, para o Brasil. Tinha 17 anos e começava sua carreira no Santos, já em altíssimo nível. Mas, eram tempos diferentes, de pouca interação e Zagallo disse várias vezes que os cariocas não sabiam que Pelé era tão bom. Sua chamada foi uma surpresa.

Uma surpresa possível apenas porque o treinador era Vicente Feola, do São Paulo e que conhecia Pelé.

E Garrincha, já conhecido e já um grande jogador, quase ficou de fora da Copa em duas ocasiões. Na apresentação, foi submetido, como todos os outros, a testes psicológicos comandados pelo psicólogo João Carvalhaes.  Ele não gostou dos resultados, viu indícios de falta de concentração e recomendou o corte.

O psicólogo era uma das novidades da preparação. O Brasil não havia assimilado ainda o trauma de 50 e, como sempre, os jogadores foram culpados. No caso, Barbosa e Bigode, dois negros. Em 1954, o Brasil fez ótima partida contra os húngaros, mas foi derrotado pela espetacular seleção de Puskas. Os dirigentes brasileiros aprontaram uma briga imensa, com muitas agressões, no que foi chamada A Batalha de Berna.

Era preciso ter um time disciplinado, um time em que os jogadores não andassem de chinelos na concentração, um time mais “europeu”. Um time concentrado, com foco, o que os testes de Carvalhaes não detectaram em Garrincha. Um time mais branco.

E os dribles de Mané, que o levaram à seleção, também, em enorme contrassenso, eram vistos com maus olhos. Era preciso ser objetivo. E, em uma excursão, antes da Copa, o Brasil enfrentou a Fiorentina, em 29 de maio, o último antes da estreia, em 8 de junho. O Brasil vencia por 3 x 0 e Garrincha driblou uma série de jogadores. Diante do goleiro Sarti, recusou-se a fazer o gol e deu mais alguns dribles. Depois, marcou. A irreverência custo caro. O corte não saiu por pouco.

Na Fiorentina, jogava Julinho Botelho, ponta-direita e destaque brasileiro na Copa de 1954, com dois gols. Ele seria titular, mas recusou a convocação por jogar na Itália e considerar que seria uma desonra aos brasileiros que atuavam no Brasil. Como Garrincha.

O Brasil estreou com uma vitória por 3 x 0 sobre a Áustria, com dois gols de Mazzola e um de Nílton Santos. Um lateral avançar e fazer um gol era uma raridade imensa. Só foi possível porque Zagallo, na esquerda, fazia a cobertura. Zagallo estava escalado por uma decisão tática de Vicente Feola.

Ao trabalhar com Bella Guttmann, havia decidido abandonar o WM e jogar no 4-2-4, com Zagallo na ponta, atacando e compondo o meio. Para isso, abriu mão de Pepe, ponta mais ofensivo e com um chute fortíssimo e de Canhoteiro, seu jogador no São Paulo, um driblador comparável a Garrincha.

As ideias de Feola são esquecidas. A crônica fácil preferiu reduzi-lo a um gordo que não entendia nada e que dormia no banco. A alguém que ficou gritando para Nilton Santos não atacar na hora do gol contra a Áustria e não a alguém responsável pela mudança tática que permitia o avanço de Nílton Santos.

O Brasil venceu com Gilmar, De Sordi, Bellini, Orlando e Nílton Santos, Dino e Didi; Joel, Mazzola, Dida e Zagallo. Três dias depois, 11 de junho, o Brasil empatou com a Inglaterra, com o mesmo time, exceção de Vavá em lugar de Dida.

Mais quatro dias e o Brasil enfrentaria a União Soviética, do goleio Lev Yashin, e que vinha de ótima campanha. Havia vencido a Áustria por 2 x 0 e empatado com os ingleses por 2 x 2. Era a primeira participação em Copas, o mundo havia saído de uma Guerra Mudial há 13 anos e o comunismo era uma sombra. Os soviéticos eram o futebol científico.

Os dias na concentração brasileira foram de muita conversa. Dino Sani havia se contundido e daria lugar a Zito. Didi e Nílton Santos pediram uma reunião com Feola e argumentaram que Garrincha e Pelé precisavam jogar. Que o time iria melhorar muito.

Feola aceitou. E o Brasil, que, por conta do desastre do Maracanã, estava desconfiado de suas individualidades, de seu estilo de jogo, que almejava um futebol mais planejado, colocou Garrincha e Pele contra o futebol científico dos soviéticos.

Foram os três minutos mais impressionantes da história do futebol mundial. Se o Brasil não conhecia Pelé, o que o lateral-esquerdo Boris Kuznetsov sabia de Garrincha? Nada. Mas, no primeiro lance, em que ficou na saudade, aprendeu que seria impossível marca-lo. Foi uma série de dribles e o cruzamento para Vavá fazer o primeiro, logo a dois minutos. E o segundo, já no segundo tempo, aos 31 minutos.

Pais de Gales foi o adversário de 19 de junho. Uma retranca imensa, inexorável, até que Pelé, aos 31 minutos, fez sua obra de arte minimalista. Um balãozinho no zagueiro, em espaço mínimo, e uma definição impecável. Bye, bye retranca.

A semifinal foi contra a França, que tinha um trio atacante formado por Kopa, Piantoni e Just Fontaine. Fontaine já havia marcado oito vezes. E marcou pela nona, aos nove minutos, empatando o jogo, pois Vavá havia marcado aos dois, com cruzamento de Garrincha.

O jogo estava igual, até que Vavá, em uma entrada violentíssima, quebrou a perna de Robert Jonquet, o volante francês, um dos melhores do time. Ele saiu de campo. Não havia substituição e a França passou a jogar com dez. Não houve tempo para alguma mudança tática porque dois minutos depois, Didi fez o segundo gol brasileiro. No segundo tempo, Pelé fez mai três e Piantoni descontou.

Chegou a final contra a Suécia e o Brasil fez uma mudança. Saiu De Sordi e entrou Djalma Santos, que havia feito uma grande Copa em 1954. Entrou por que estava treinando bem? Entrou por que o ponta Skoglund, da Suécia, era um fardo muito grande para De Sordi? Ou entrou porque o projeto de um Brasil “mais branco” já havia sido destruído por Pelé e Garrincha? O certo é que Didi, o Príncipe Etíope de Nelson Rodrigues, único negro na estreia, tinha agora a companhia de Djalma Santos, Pelé e Garrincha.

Na véspera da final, choveu muito e os suecos cobriram o gramado com lona, para que a bola corresse solta na final. E ela correu. Com gol de Liedholm aos três minutos. Didi recolheu a bola no fundo do gol e caminhou com ela, lentamente até o meio do campo, pedindo calma aos companheiros.

O empate veio aos nove, com cruzamento de Garrincha e gol de Vavá. A jogada se repetiu aos 32, com novo gol. Zagallo já havia feito o segundo, aos 23, com um biquinho ao estilo Romário. No segundo tempo, Pelé marcou o quarto, Simonsson descontou aos 35 e Pelé fez o último, aos 45, já no final.

Brasil campeão do mundo.

Com cinco mudanças do primeiro para o último jogo.

Com um time mais negro.

Com um time menos científico.

Com Garrincha.

Com Pelé.

Há 60 anos.

 


Pelé, Osmar Santos e o autógrafo que não pedi
Comentários Comente

Menon

Amigos, já contei essa história em outro blog. Tentei recuperá-la e não consegui. Então, vou escrever de novo. Logicamente haverá uma diferença ou outra porque tudo se passou há 25 anos.

Foi em setembro de 1993, em Belo Horizonte. O Brasil enfrentava a Venezuela pelas eliminatórias do Mundial de 94. Eu estava cobrindo pela A Gazeta Esportiva, juntamente com o jornalista Roberto Benevides, um dos poucos com quem aprendi alguma coisa na profissão. No jornalismo diário, os mais experientes não tem tempo para ensinar algo aos novos. Em todos esses anos de estrada, me lembro do Paulo César Correia que exigia um final de matéria tão bom quanto o início. “Não adianta começar bem e acabar de repente”. O Benevides me explicou que não se deve cobrar um treinador da seleção pelos meus princípios e, sim, pelos deles. “É preciso entende o que o treinador pensa para entender a convocação. O que a gente pensa, não tem importância alguma”.

Bem, mas lá estava eu lá em Belo Horizonte na véspera de um 4 x 0, dois de Ricardo Gomes, um de Palhinha e um de Evair. Taffarel, Jorginho, Ricardo Rocha, Branco, Mauro Silva, Raí e Zinho estariam na Copa. Ricardo Gomes foi cortado já nos Estados Unidos, por contusão. Palhinha, Valdeir e Luis Henrique ficaram pelo caminho.

Fomos a um restaurante para colocar a resenha em dia. É uma prática muita saudável, um bate-papo entre amigos após ou antes um jogo de futebol. Tudo pago pelo patrão. Na nossa mesa estava o então repórter Carlos Lima, da Rádio Globo. Hoje, ele está em um projeto inovador na internet, o Rádio Futebol Clube, com Fábio Salgueiro, Zé Boquinha e Maurício Rossi. Bem, estávamos lá, curtindo o nosso ócio, esperando o cardápio e o Lima preparando a entrada que faria no Globo Esportivo, do grande Osmar Santos.

Então, toda a normalidade acabou. O Rei chegou. Ele, Pelé. Ele e sua corte, várias pessoas, homens e mulheres, uma mesa com pelo menos dez pessoas. O silêncio tomou conta do ambiente. Meses antes, em junho, eu estava cobrindo a Copa América, no Equador. Estava no hotel da seleção, com alguns amigos argentinos e peruanos. Esperávamos por alguém. E a pauta dos colegas caiu estrondosamente quando Pelé chegou no hotel. Saíram correndo, alucinados, deixando tudo de lado. “Você não vem, Luis? É o Pelé, carajo”, me disse Julio Chiappetta, do Clarín. Foi a primeira vez que percebi, em minha santa ignorância, o que é Pelé.

Carlos Lima fixou os olhos em Pelé, ali na mesa, a dez metros. “Como é a vida, né gente? Tenho de ir lá e pedir que me dê entrevista e sei que ele não vai consentir. Nem queria atrapalhar, mas tenho de ir”.

E foi.

Pelé, eu sou Carlos Lima, da Rádio Globo, desculpe atrapalhar.

Pode falar, Lima.

Eu sei que é muito o que vou pedir, mas gostaria de fazer uma pequena entrevista com você para o programa que começa daqui a uma hora.

Tudo bem, vamos gravar

Mas, abusando um pouco, será que poderia ser ao vivo

Está bem, vamos fazer, me procura na hora.

Tem mais uma coisa

Diga

O telefone está ali na outra mesa. Você precisa se levantar e ir até lá comigo. (Não havia celular ou então não estava funcionando)

Está bom, vamos andar um pouco.

E o Lima voltou para a nossa mesa. Não acreditava no que tinha ouvido de Pelé. Mas tinha mais.

Quando chegou a hora da entrevista, enquanto Pelé se dirigia ao telefone, perguntou: “qual é o seu nome, mesmo”. “Carlos Lima”.

Feita a ligação, Osmar atendeu em São Paulo.

Osmar, aqui em Belo Horizonte, o Brasil joga amanhã…

Eu sei, Lima, eu vou narrar (Eu havia deixado a minha mesa estava ao lado dos dois, ouvindo tudo)

Então, e eu tenho um convidado especial para você aqui. Ele vai falar.

E Pelé pegou o telefone.

Osmar, aqui é o Pelé (como se precisasse dizer). Estava jantando e vim falar com você. Só faço isso porque é um pedido do Carlos Lima, meu amigo.

O sorriso de Lima foi de total agradecimento. Pelé fez tudo aquilo e ainda o chamou de amigo.

Terminada a entrevista, também fiz alguma pergunta a Pelé. Atendeu com toda a paciência antes de voltar a prato, provavelmente frio.

Durante muito tempo, eu achei um absurdo jornalista pedir autógrafo ou foto com o entrevistado. Estou aqui para trabalhar e não para tietar, pensava. Me arrependo, quase nada tenho de lembranças. Uma foto com Ghiggia, o carrasco do Maracanã, tirada em 2009, talvez nada mais. Nada de Paula, Hortência, Oscar, Rivellino, Romário, Ronaldo…

Na semana passada, houve o lançamento de uma série de documentários feitos pelo Esporte Interativo, que irão ao ar em maio. O nome é 10×10 e contará a vida de dez camisas dez do futebol brasileiro. Pelé estaria. E lá fui eu, em busca do meu autógrafo perdido. Eu fui e Pelé não foi.

Fica para a próxima, se houver.

Na saída, lá estava Osmar Santos. E foi com ele, lembrando de um rádio que não existe mais, lembrando de um Rei solidário, lembrando do gênio da narração que eu, pobre mortal, fã de todos eles, me inclinei e pedi a foto que está ai em cima.


Argumentos toscos contra Pelé
Comentários Comente

Menon

O amigo Rodolfo Rodrigues divulgou que Lionel Messi tem 600 gols em jogos oficiais. O número mostra que há possibilidade de alcançar Pelé, que tem 743 gols oficiais. E a polêmica voltou: Messi é ou pode ser melhor que Pelé?

Pode ser, sem dúvida. Tudo pode ser superado no mundo, menos o estilo literário de Michel Temer. Se analisarmos a questão de melhor do mundo, veremos que ela foi, através dos tempos, uma questão Brasil x Argentina.

Di Stefano reinou nos anos 50. Depois, houve os 12 anos mágicos de Pelé. Maradona assume em 82 até 94 e Messi reina no terceiro milênio. São jogadores que merecem ter a palavra Era antes do nome. Outros gênios que ocuparam espaço entre eles, como Cruyff, Ronaldo, Beckenbauer e Ronaldinho, não.

Todos tiveram rivais, mas nenhum tão forte como Cristiano Ronaldo.

O que não concordo é com argumentos que buscam descaracterizar o que Pelé significa para o futebol mundial. Há uma má vontade enorme contra Pelé.

“Ah, Pelé conta gols pela seleção do Exército”. Não é ele que conta. Ele não patrocinou contagens como Romário e Túlio. Mas, que é um absurdo, não resta dúvida. O que não se pode é colocar os outros 500 gols não oficiais como “gols pelo Exército”. São muitos. Gols em excursões, contra times poderosos. Outros, nem tanto. Colocar tudo no mesmo balaio da insignificância é desonestidade intelectual.

“Ah, Pelé só jogou no Brasil”. Sim, e mesmo assim foi considerado,pelos EUROPEUS, como o melhor do mundo. Imagine se jogasse lá. Ah, ele não jogaria? Então, lembrem que Evaristo foi ídolo no Barcelona e Julinho Botelho, na Fiorentina. Lembrem que Schiaffino e Ghifgis se naturalização e jogaram pela Azzurra. Que os suecos Gren, Nordahl e Liedholm, humilhados por Pelé em 58, viraram história no Milan.

“Pelé jogava só Campeonato Paulista”. Sim, um campeonato muito forte. O Santos dominava. Entre 58 e 69, onze edições, ganhou oito vezes. O Palmeiras venceu três. Parece a Espanha, não? E William José não faria sucesso na época.

“No tempo de Pelé, havia mais espaço para jogar. Queria ver Pelé hoje em dia”. Certíssimo, havia muito mais espaço. E Pelé era caçado em campo como um escravo fugido. Na Copa de 66, foi eliminado do jogo contra Portugal graças a Hilário e Moraes. E não se pode enfrentar a questão do tempo sem levar em conta todas as condicionantes. Nem o de Emmet Brown e seu De Lorean saíram ilesos. Querem trazer Pelé para a época atual. Então lhe dêem o preparo físico de hoje, a bola de hoje, a chuteira de hoje, a tecnologia de hoje.

“Ah, a Copa não tem tanta importância”. Sim, até concordo. A Liga dos Campeões cresceu muito. Mas tinha, não tinha. Então, não diminuam o valor de um garoto de 17 anos que estreou, deu um chapéu no galês e meteu o gol.

Há argumentos falaciosos contra Messi também. O que não se pode é envenenar um debate sobre dois gênios com besteiras. Não se pode diminuir Pelé ou Messi. Quem o fizer, passa vergonha.


Meus pedidos para 2018
Comentários Comente

Menon

Primeiramente, um grande ano para vocês. Eu não tenho esperança, mas continuo na luta.

Meus pedidos são contraditórios e não têm ordem de preferência.

Que Gabriel Jesus se recupere da contusão de hoje, contra o Palace. O moleque é do bem e merece estar no Mundial.

Que o Brasil seja campeão do mundo. O glorioso futebol brasileiro merece provar que está acima da cleptocracia que o comanda há décadas e décadas.

Que a Argentina seja campeã do mundo. Lionel Messi merece por tudo o que respresenta no futebol mundial.

Que o Uruguai seja campeão do mundo. Porque futebol não é só técnica, também é coração e os uruguaios são os nossos gauleses, sem a poção mágica.

Que Portugal seja eliminado logo. Não gosto da seleção portuguesa desde 1966, quando Jaime e Hilário quase decapitaram Pelé.

Que todos percebam o privilégio que é conviver, futebolisticamente falando, com Cristiano Ronaldo e Messi.

Que Guardiola continue espraiando ideias e conceitos pelo mundo.

Que os treinadores brasileiros deixem de ser hoje a velha novidade de anteontem. Que sejam ousados e busquem ideias novas. E, principalmente, como diz meu amigo Nelson Nunes, que façam seus clubes chutarem a gol.

Que Marco Polo del Nero não volte jamais, mesmo que seus sucessores sejam nulidades como Reinaldo Carneiro de Bastos.

Que o Coronel Marinho volte a comandar o trânsito.

Que os árbitros brasileiros deixem o espírito de PM de lado e que sejam menos arrogantes com os jogadores.

Que os jogadores deixem de ser espertos e malandros. Parem com essa história de cair e cair, fingindo como um artista de circo. Aliás, esse ano, tivemos gandula, árbitro e jogador simulando tapa na cara. Palhaçada.

Que nosso Brasileiro tenha mais jovens. Não seja mais o cemitério de craques, retornando ao país, depois de uma digna carreira na Europa ou na China.

Que o Brasil dê um cavalo de pau em sua célere caminhada rumo à Idade Média. E que as eleições mostrem de uma vez por todas que os doentes que confundem arte com pornografia, que ameaçam queimar uma filósofa estrangeira, chegando a ameaça-la no aeroporto, são apenas 15%. São pinschers covardes e barulhentos. E que nossa caravana continuará passando, apesar de seus latidos. Nosso país é enorme e merece ser mais solidário e moderno.

E que vocês, homens e mulheres, beijem e transem com os homens e mulheres que quiserem.

E que eu viva feliz ao lado da Marcia Gattai, amor da minha vida.


CR7 precisa comer muito tremoço para ser Pelé
Comentários Comente

Menon

O passado é um porto seguro. Pelo menos, as lembranças que temos dele. Memória seletiva. A primeira namorada (ou namorado) era fantástica. E continua sendo. Nem interessa se, no facebook, a pessoa se tornou uma jihadista do Bolso.

A tendência para achar que todo o passado é perfeito se espraia pelo futebol. Todo time tinha um dez melhor que Zidane. Tudo era melhor, hoje não se joga futebol etc.

E por que cargas d’água, de uma década para outra, não haveria mais jogadores bons? Alguma maldição alienígena? Alguma deformação genética?

Nada. Hoje, vivemos o duelo de dois grandes jogadores. Aquele que pode estar, com méritos, entre os dez mais da História, está levando vantagem sobre o outro, que mercê estar entre os cinco.

Vamos aproveitar, sem ficar no pântano passadista.

Mas há o outro lado também. Nada do que foi, presta. A OTD é mais que o Brasil bicampeã. Mbappe é mais que Garrincha. Cruyff, bem, Cruyff é europeu. Com ele, não se mexe.

Há dois argumentos principais. O primeiro é relacionado à parte fìsica. Hoje, se corre muito mais e não há espaços. Então, os de antigamente, não conseguiriam andar.

Ora, não estamos falando do DeLorean de Marty McFly. Temos de imaginar aqueles craques com o preparo físico de hoje. Aquele Pelé, de 70, que parou no ar, contra a Itália, subiria ainda mais hoje. Jairzinho seria um tanque mais forte, mais rápido e mais legal.

O segundo argumento é que Pelé não jogou na Europa. Mas levou o Santos a dois títulos mundiais. Imaginemos então se Messi tivesse feito sua carreira no Rosário. Ou Cristiano no Sporting.

Então, sem nenhum pé no passado e realmente extasiado com o duelo Messi e CR7, eu digo que o português, que joga muito, tem de comer muito tremoço para ser como Pelé.

Mesmo porque no tempo de Pelé, que nunca foi para a Europa, não havia duelo.

Ele era o Rei.

 


Rafael Fernandes, verdadeiramente amoroso e respeitador
Comentários Comente

Menon

Quem me acompanha, aqui no blog, sabe que eu defendo uma tese radical: todo clube de futebol, por menor que seja, é maior que seus jogadores, por maior que sejam. O Argentino Jrs é maior que Maradona. Por quê? Porque as pessoas que amam o “Bicho” já o amavam antes de Diego estrear, com 15 anos, e continuaram amando depois que foi para o Boca, após 166 jogos e 149 gols. Só não citei Pelé e o Bauru Atlético Clube porque o Baquinho, como clube de futebol, não mais existe.

A paixão pelo clube é eterna. A paixão pelo jogador é efêmera.

O jogador de futebol ganha muito dinheiro. Tem assessoria bem paga. Deveria aprender essa regra básica e respeitar sempre o clube. Se profissional, lutar por seus direitos, denunciar atraso de salários, ir à Justiça, tudo é da vida, tudo é válido. Mas que a luta seja contra o dirigente e não contra o clube.

Eu achei um bom exemplo de jogador que respeita o clube. O goleiro Rafael Fernandes, 17 anos e 1,94m trocou o São Paulo pelo Internacional. Sua assessoria de imprensa noticiou o fato. Lembrou a grande história de goleiros do Colorado, citou Taffarel e Alisson e fez uma grande menção ao São Paulo. Leiam abaixo:

O fato de ter acertado com o Internacional não desmerece em nada o respeito, o carinho e o reconhecimento pelo clube paulista. Pelo contrário, foram quase quatro anos de muito acolhimento, profissionalismo e amadurecimento.

Rafael chegou ao São Paulo FC em janeiro de 2014. Teve a oportunidade de usufruir de um centro de treinamentos que é referência internacional no trabalho de formação de atletas de alto rendimento. Atualmente, o CF Cotia é considerado um dos maiores pólos sul-americanos de intercâmbio esportivo, recebendo delegações de diversos esportes e de todas as regiões do planeta. Lá, conviveu com atletas que integram sistematicamente as categorias de base da Seleção Brasileira, inclusive, tendo alguns companheiros do sub-15 entre os tetracampeões sul-americanos, em 2015.

Nestes quase quatro anos de São Paulo, Rafael amadureceu muito pessoalmente, pois ficou longe da família, mostrando muita disciplina para seguir em busca do sonho de se tornar atleta profissional. Com o apoio pedagógico do clube, concluiu o ensino médio e deu início à faculdade de Educação Física. Na capital paulista Rafael finalizou o primeiro semestre e pretende seguir os estudos no Sul.

Durante esta passagem pelo São Paulo, o ano de 2016, particularmente, foi muito especial. Rafael ajudou o clube na conquista invicta da 14ª edição da Copa Ouro sub-17. Detalhe: o Tricolor Paulista disputou o torneio com a equipe sub-16. Ainda teve a oportunidade de conhecer o maior ídolo são-paulino e um dos maiores goleiros do futebol mundial: Rogério Ceni.

“Sou muito grato ao São Paulo. Fui muito feliz enquanto estive lá. Tive a oportunidade de viver o dia a dia de um grande clube e de fazer grande amigos. Vou guardar estas lembranças sempre com muito carinho”, revelou!.

Impressionante como há dignidade na matéria. Como Rafael mostra que seguirá o caminho da honestidade, respeitando os clubes que defenderá durante a sua carreira. Nunca será marqueteiro.

Já há algum tempo, é comum um jogador sair de um time após o final do contrato e não dizer um até breve para quem o acolheu. Não diz um agradecimento qualquer aos torcedores que o apoiaram. Fazem o que o empresário manda. Deveriam aprender com o garoto Rafael a serem respeitadores e amorosos com o verdadeiro dono da paixão futebolística.