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Arquivo : renato gaúcho

Boca x River é o clássico da covardia. Brasileira
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Boca e River vão decidir a Libertadores. A última decisão em dois jogos. A última decisão antes da gourmetização do campeonato mais bacana que há. É um momento grandioso do futebol argentino.

Ele nasceu e se desenvolveu baseado na rivalidade/ódio. Boca odeia River. Independiente odeia Racing. San Lorenzo odeia Huracán, como Lanús detesta Banfield. Gimnasia odeia Estudiantes. Rosário x NOB. E por aí vai. Cada clube de bairro tem seu rival. No próprio bairro ou fora dele.

Então, quando a maior de todas as rivalidades (50% da população envolvida), decide o título, o que temos é a consagração de um estilo de vida, até mais do que uma maneira de encarar o futebol.

A Argentina só fala no clássico. A América vai parar. A repercussão é mundial. Eles merecem. Mas não precisava ser assim.

Palmeiras e Grêmio têm culpa. Corinthians também.

Comecemos pelo menos “culpado”. O Corinthians, com péssimo futebol, caiu diante do Colo Colo. Se passasse, teríamos Corinthians x Palmeiras, algo semelhante a Boca x River.

Não houve.

Mas poderia haver Palmeiras x Grêmio na final.

Poderia, porque Boca e River não são superiores. Foram apenas mais corajosos. E mais respeitadores de sua história.

O River foi a Porto Alegre e deu um baile no Grêmio. Um estranho Grêmio, longe de suas características e abduzido pelo tal “espírito de Libertadores”. O quê? Defender uma vantagem mínima até o limite da irresponsabilidade.

É só comparar o que fez o Grêmio com o que fez o Boca em São Paulo. Schelotto, como Renato, também tinha uma vantagem a defender. E atacou. Atacou o Palmeiras sem medo e com autoestima nas nuvens.

Dois pontas, um centroavante e um jogo de igual para igual. Empatou em 2 x 2. Como havia vencido em casa a um acoelhado Palmeiras, carimbou o passaporte rumo à grande final.

Boca e River merecem estar na decisão. Mas é bom lembrar que derrotaram dois times covardes: a galinha tricolor de Renato e a galinha alviverde de Scolari


Renato é melhor que Tite
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A revista inglesa Four Four Two gosta muito de listas. Geralmente, causam polêmicas. Para ela, por exemplo, Pelé é o terceiro maior jogador da História, atrás de Maradona e Messi. Discordo.

Agora, ela soltou a lista dos maiores técnicos da atualidade. Renato Gaúcho é o 28° e Tite o 11°. Guardiola, Zidane e Simeone são os melhores.

Discordo novamente. Se ainda fosse uma lista de todos os tempos, mas atualmente Renato é muito mais treinador.

O trabalho dele à frente do Grêmio é irretocável. Montou um time ótimo, baseado no toque de bola, a partir de jogadores que ninguém queria, como Cortez e Léo Moura. E outros, como Ramiro, em quem nem o próprio Grêmio acreditava.

E Tite? Fez um bom trabalho nas Eliminatórias. Bom, não ótimo. Dá a impressão de ótimo porque é comparado com Dunga e Felipão, seus antecessores.

Na Copa, foi mal. Qual a grande partida do Brasil? Quando foi mostrado bom futebol? E levou um baile de Roberto Martinez, treinador da Bélgica.

Tite não soube fazer Neymar render bem. E manteve-se sempre fiel só sei esquema. Aí está a grande diferença. Renato ganhou a Libertadores brilhantemente, com Artur e Luan. Tite não os levou ao Mundial. Preferiu Fred machucado e Taison.

Para mim, não há comparação. Renato é bem melhor.


Roger, pela primeira vez, fala de sua demissão do Palmeiras: “uma surpresa”
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José Alberto Andrade, repórter gaúcho, tem um programa mensal chamado Cardápio do Zé. O entrevistado de agosto foi Roger Machado. Ele falou sobre a demissão do Palmeiras (deixa claro que não entendeu o motivo), sofre o futuro imediato (trabalho no Brasil só no ano que vem) e sobre a carreira, incluindo o relacionamento com Felipão e Renato. Roger percebe um preconceito com o modo como se expressa ao falar sobre futebol e garante que nunca houve caso de algum jogador não entender suas expicações

Abaixo transcrição de partes da entrevistas, retiradas do site Observatório do Racismo.

 

O que aconteceu na demissão do Palmeiras?
De modo geral, a ideia do clube era interromper um trabalho que nas três competições em andamento, havia se classificado como primeiro geral às oitavas da Libertadores, passado das oitavas da Copa do brasil e que estava entre sexto e sétimo no Brasileirão. Com 66% de aproveitamento, o clube entendeu que era necessária a troca pela instabilidade do momento. De certa forma estamos acostumados com estes revezes no futebol, mas fui pego de surpresa.

Você sucedeu Felipão no Grêmio, foi sucedido pelo Renato no Grêmio e agora entrou o Felipão no Palmeiras. Como são essas relações?
Como jogador, tive a oportunidade de ser forjado pelo Felipão durante o período inicial da minha carreira e depois quando convocado para a Copa América de 2001. No começo da carreira, você deseja apenas sobreviver, desfrutei pouco do que poderia aprender com o Felipão. Com o Renato, por ter trabalhado como auxiliar dele nas suas duas passagens anteriores, e de ter sido seu jogador no Fluminense, absorvi mais o que tinha para me oferecer. Do ponto de vista pessoal, meu contato é pequeno com os dois. A última oportunidade que conversei com o Renato, e foi brevemente, foi no jogo entre Grêmio e Palmeiras. Com o Felipão, já tem uns cinco anos que não tenho contato mais próximo. Mas por mais que a distância, e as nossas atribuições nos mantêm separados, existe um carinho muito grande por eles. Dois indivíduos que me ajudaram muito, e não só como profissional, mas também como pessoa.

Segue torcendo pelo sucesso do Grêmio e do Palmeiras?
Não tenha dúvidas disso. No futebol brasileiro você pega um trabalho e começa do zero. você pega o legado de alguém. Talvez não do ponto de estratégia, mas tático ou de escolhas. Quando substitui o Felipão no Grêmio, todos os jogadores jovens que utilizei, tinham sido selecionados pelo Felipão. Talvez a inexperiência deles tenha causado a instabilidade que causou a saída do Felipe do cargo. Se tivesse neste processo, talvez aconteceria a mesma coisa. Ele deu experiência para muitos jovens que utilizei depois. Criterioso como é, sabia que o Felipão teria feito um bom trabalho. Não tenho dúvida que no futebol brasileiro trabalhamos a várias mãos. É a sucessão de um trabalho anterior.

Você já enfrentou resistência pela forma como fala do futebol…
Preconceito, né?

Que tipo de preconceito você já sentiu no futebol?
Não no futebol, mas de forma geral. No nosso país, que carece tanto de educação, por vezes alguém que busca conhecimento é visto como se estivesse tentando fazer diferente para se sobressair, ser superior aos demais. Existe uma rotulação, polaridade entre dois tipos de profissionais trabalhando no futebol. Os mais velhos, e que foram detonados e massacrados após a Copa de 2014, só entenderiam de gestão e não de estratégia. E nós, os mais novos, que buscamos os conhecimentos acadêmicos, somos vistos como os estudiosos, que entendem de estratégia e não falam a língua do boleiro por ter um linguajar mais rebuscado. Talvez meu maior pecado seja gostar de ler. De um modo geral, isso só prejudica nosso futebol. É uma falácia afirmar que o treinador mais antigo, que prestou excelente trabalho ao futebol, deixou de ser competente após 2014. E que um profissional como eu, com quatro anos de formação acadêmica, não se sobrepõe aos 20 de prática como jogador de futebol. Fui buscar na faculdade é justamente a teoria para a minha prática, aplicar uma metodologia e entender o jogo de um ponto de vista mais cientifico, mas sem deixar de falar a língua do boleiro e entender o que acontece pelo lado de dentro do vestiário. São 25 anos ligados ao esporte, jogando em alto nível e de trabalho com grandes profissionais.

Já sentiu que algum jogador não entendia teu vocabulário?
Não, nenhuma vez. Usamos outras ferramentas. O ser humano recebe informação de diversas formas. De modo geral, o jogador aprende de forma cenestésica pelo treinamento. Precisa fazer. Mas alguns têm outros canais de absorção, como a visão ou a audição. Usamos todas as ferramentas que temos para que o jogador entenda a informação. É atribuído um preconceito, em função do atleta não ter inteligência sobre o que o treinador falar. Mas para jogar, o atleta precisa ser muito inteligência. O jogador pode não ter cultura, por ter que parar de estudar cedo para se dedicar aos treinos. Inteligentes, todos os jogadores são. Nunca tive dificuldade para passar informação de forma adequada.

E quanto ao racismo?
É um tema que não podemos fugir. Temos que fazer uma abordagem mais profunda. Temos inúmeros jogadores negros destaques em seus clubes, seleção e fora do Brasil. Hoje, de fato, vemos poucos ex-jogadores negros como treinadores, gestores no futebol brasileiro. Precisamos começar a respeito. As oportunidades são dadas de formas igualitárias, os atletas precisam se capacitar mais para ocupar estes espaços. Minha trajetória como jogador foi finalizada e iniciei um novo processo, entendi que precisa me capacitar para este novo momento. isto me deu condição de entrar em um novo momento, melhor capacitado.

O Cristóvão Borges talvez seja o outro representante. É um cara de formação intelectual semelhante a tua…
É verdade, talvez seja o outro treinador e ex-jogador que tenha atuado em alto nível. No universo das quatro divisões do futebol brasileiro, estamos falando de quase 100 times, é um número muito pequeno. Precisamos compreender este cenário que se desenha. O preconceito pelo conhecimento não é apenas do futebol, é cultural da nossa sociedade. Não é que não devemos valorizar a questão empírica, mas a teoria dá um elemento muito mais completo.

Pensa em trabalhar em 2018 ou só no próximo ano?
Então, como estratégia de carreira e posicionamento politico e gestão familiar, optei por quando interromperem meu trabalho neste momento da temporada, permanecer para o mercado nacional na expectativa por um trabalho para o próximo ano. Para o Exterior, dependendo da oferta, gostaria de estudar.

Já chegou alguma proposta de fora?
Nada. Sondagens para times que estão sem treinador no Brasil já ocorreram. Mas para fora, não apareceu nada que animasse a conversar.


Jogo do Botafogo nunca acaba
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E o Botafogo conseguiu novamente. Um gol nos acréscimos. Foi de Gilson, aos 47 do segundo tempo e garantiu a vitória contra o Grêmio.

Já havia sido assim com Joel Carli, aos 49 minutos na decisão do Carioca. Após o empate por 1 x 1, título nos pênaltis. E n rodada anterior do Brasileirão, com Lindoso aos 47, empatando com o Sport, em Recife. Ah, nem vamos falar de Igor Rabelo empatando com o Palmeiras, aos 38 minutos.

O clichê remete ao “time que não desiste nunca”, mas seria injusto ficar apenas nisso. O Botafogo, sem grandes estrelas e sem grande investimento, apostou certo em Alberto Valentim. O time é bem treinado e, após três rodadas, está invicto.

Renato Gaúcho parece não ligar mesmo para o Brasileiro. É homem das Copas. Joga suas fichas na Libertadores e na Copa do Brasil. Uma estratégia perigosa quando topa com um time que não desiste nunca. Opa, olha ele aí. O clichê.

PS – Obrigado aos atentas e simpáticos leitores que apontaram o erro já corrigido.

 


Brasil está mal na Libertadores. Santos e Palmeiras são as novas esperanças
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  • Os times brasileiros começaram muito mal a Libertadores. Ainda não conseguiram vencer, após quatro partidas. Foram conquistados três pontos em quatro partidas, um aproveitamento de apenas 25%, após empates de Grêmio, Corinthians e Flamengo, além de derrota do Cruzeiro. Hoje, o Santos vai ao Peru enfrentar o Real Garcilaso e o Palmeiras visita a Colômbia, para tentar vencer o Junior Barranquilla. O Vasco estreará apenas dia 13 contra a Universidad do Chile.

O Corinthians mostrou uma repetição da receita de recentes conquistas, com uma postura defensiva eficiente e a espera por um gol que chega sempre, mais cedo ou mais tarde. O problema é que falta um ingrediente para a receita dar certo: alguém que faça o gol. Não há mais Jô, cansativo repetir e, pior de tudo, não há reposição. Contra o Palmeiras, a ideia de jogar sem um centroavante deu muito certo, mas Rodriguinho estava suspenso e Mateus Vital não esteve à altura. Houve até uma chance ou outra, o contra-ataque funcionou no segundo tempo, mas o empate sem gols prevaleceu. Se for tendência, será muito ruim.

O Flamengo teve a vitória duas vezes à seu alcance e não soube segurá-la. Empatou em casa contra o River Plate, que havia perdido seus últimos seis jogos como visitante no campeonato argentino. Não havia torcida, o que é muito ruim, mas não pode ser a única explicação. Diego Alves não foi seguro e o time, que foi eliminado no ano passado mesmo com três vitórias em casa, começa a competição com apenas um ponto. Gosto de derrota.

O Grêmio tem muito a lamentar. Jogou muito mais que o Defensor, mandou no jogo, construiu jogadas de pé em pé, com tabelas e triangulações e, mesmo assim, sofreu para fazer o seu gol. Fruto de bela jogada, como outras construídas durante o jogo. E, em seguida, sofre um gol que deve ter causado uma bronca enorme de Renato Gaúcho em sua defesa. Gol de cabeça de um jogador que não saiu do chão. O ótimo consolo é que o time jogou muito bem.

E, se de consolo estamos falando, o Cruzeiro pode dizer que foi derrotado na primeira grande atuação de Lautaro Martinez, um jogador de 20 anos e que demonstra ter um futuro enorme. Fez três gols e se credenciou para ser uma surpresa argentina no Mundial, mesmo que a seleção tenha opções como Higuain, Dybala e Aguero para formar dupla com Messi. Mas o consolo não pode ser desculpa. Foram quatro gols sofridos e isto merece uma reflexão muito maior do que ficar louvando o provável grandioso futuro de Lautaro Martinez.

O começo não foi bom para o Brasil. Hoje, há duas novas cartas na mesa.


Te cuida, CR7. Grêmio chegou, com a mão de Renato
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O grito de goooolll nem foi grande ou emocionante. Foi contido e com pouca extensão. Mas, imediatamente, Pedro Ernesto Denardin se soltou: “te cuida, Cristiano Ronaldo, o Grêmio chegou”.

Ainda faltavam 16 minutos, mas a vitória era um feito. O Pachuca, após jogar 120 minutos na primeira rodada, estava entregue. Entrará na prorrogação com cinco na defesa, esperando um contra ataque que não viria.

O gol veio com a mão de Renato. Ele colocou Everton, atacante, em lugar do volante Michel. E recuou Ramiro.

E Everton, destro, foi para a esquerda. Pronto para entrar em diagonal. O facão.

Golaço.

O Real Madrid vai se classificar e chegará à final como favorito. E encontrará um time muito bem treinado, um time que entra em campo para jogar bola. E joga bola.


Renato Portaluppi Gaúcho, o melhor técnico do ano
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Renato Portaluppi Gaúcho é o melhor técnico do Brasil em 2017.

Ah, você só fala isso agora que ganhou?

Justamente. Para mim, resultado é importantíssimo em uma análise assim. Não sou um comentarista “parnasiano”. Do tipo arte pela arte. Desempenho pelo desempenho. Gol é detalhe.

Futebol não é desfile de escola de samba. Compactação nota dezzzz. Evolução nota nooooove. Posse de bolsas, oitoo.

É muito mais difícil.

Renato foi muito criticado quando disse a frase: quem não sabe, estuda, quem sabe fica na praia. Algo assim. Uma boutade. Foi entendida, a frase, como um sacrilégio, contra o futebol ciência.Tudo o que ele fazia era creditado a Roger. Não interessa se a defesa melhorou, se Ramiro entrou, se Douglas recuou. Não. Tudo já estava planificado por Roger.

O trabalho de Renato foi aparecendo. No Brasileiro, era o time que mais bem jogava. O futebol mais bonito. Mas que perdia jogos cruciais. Renato errava em poupar jogadores por conta da Copa do Brasil, por exemplo. Sem necessidade. Veio a eliminação para o Cruzeiro e a desconfiança voltou. O Grêmio, justamento o Grêmio, sem pegada.

Mas agora, o que dizer de Renato?

Que ele ganhou a Libertadores jogando muita bola. E com jogadores que conviviam com muito descrédito. Edílson, Fernandinho, Bruno Cortez (ia jogar a série B pelo Náutico), Leo Moura (ia disputar o Carioca, pelo Boavista), Cristian. E ganhou o primeiro jogo com gol de Cícero, (escorraçado do São Paulo), após ajeitada de Jael (ia disputar a série C pelo Fortaleza).

E, se Renato foi bom no ano, foi ótimo na decisão da Libertadores.

O que todos sabiam? Que o Lanús sairia para o jogo. Sufocaria. E caberia ao Grêmio o contra-ataque.

E o Lanús foi surpreendido. Sufocado. Pressão alta até em Andrada. Lá Fortaleza era tricolor.

Logicamente, não seria assim o tempo todo. O Lanús avançou as linhas, começou a pressionar e… apareceu o contra-ataque. Legal. Fernandinho box to box, como dizem os modernos.

E veio o segundo. Se o primeiro foi com herói improvável, o segundo veio com a Cavada do Craque.

Estava definido.

Apesar da dureza do segundo tempo, com gol do Lanús, expulsão de Ramiro e Luan perdendo o terceiro, novamente cavando.

Renato Portaluppi Gaúcho ganhou a Libertadores como treinador, depois de tê-la vencido também como jogador.

 


O mundo é dos espertos e o Brasil é dos muito espertos
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Acervo da bola

Gérson de Oliveira Nunes sempre foi um ídolo para mim. Um dos primeiros. Seus lançamentos longos, vindos do meio campo ou até um pouco atrás, eram o maior exemplo do modo como eu entendia o futebol. Quem corre é a bola, não o jogador. Um tipo de jogada com quem sempre me identifiquei, em várias épocas da minha vida. Como garoto ruim de bola. E gordo, ainda por cima. Como engenheiro. Ou um lançamento daqueles não é uma ponte? A menor distância entre dois pontos é uma reta? Ou é uma curvita de Gérson? Ou é um drible de Garrincha? Ou é um rabisco qualquer de Niemeyer. O lançamento de Gérson também me toca como jornalista. É uma mensagem, linda mensagem, chegando ao destinatário.

Gostava de Gérson também por ser um falador, alguém que se impunha. Muito diferente de Ademir da Guia e sua divina mudez.

Em 1976, me decepcionei com Gérson. Afinal, se ele era o canhotinha de ouro, eu já era esquerdinha há pelo menos oito anos. Desde o mais lindo de todos os maios. Ele fez uma propaganda para os cigarros Vila Rica em que dizia que o importante é levar vantagem em tudo. Em plena ditadura, ele nos lembrava aquele lado tão ruim de nossa brasilidade. Talvez o mundo inteiro seja assim, não sei. Mas nós somos e isso dói. A esquerda, comandada pelo Pasquim, caiu matando e a Lei de Gérson se tornou um case. Embarquei, é lógico. Fiquei mal e de mal com o ídolo.

Demorei para perceber que Gérson havia sido apenas o carteiro. O pianista. O autor da obra era a agência Caio Dominges e Associados. É de algum redator a obra prima: “Por que pagar mais caro se o Vila me dá tudo aquilo que eu quero de um bom cigarro? Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também, leve Vila Rica!”.

Já se foram 40 anos e eu daria tudo ou quase tudo para ver Gérson de Oliveira Nunes em campo novamente. Não dá. A Lei da Vida é muito mais cruel que a Lei de Gérson.

E chegamos a Renato e o caso do drone. Como ele disse, sempre houve espionagem. O amigo Maurício Noriega nos lembrou hoje do grande Valdir Joaquim de Moraes espionando adversários do São Paulo lá nos anos 90. Eu lembrei do Cleber Xavier, drone humano de Tite . Fico em dúvida sobre o caso do drone, porque é uma invasão, digamos assim, do “espaço aéreo” do Lanus. É como se violassem minha caixa de emails, como lembrou o Antero Greco.

Enfim, isso vai passar e os méritos do Grêmio não devem ser mitigados por conta do amigo drone.

O que pega é a frase.

A maldita frase.

O mundo é dos espertos.

E eu me lembro de Gérson de Oliveira Nunes. (Ah, como seria lindo um passe dele para Renato Gaúcho).

Na ditadura militar, ele disse que gostamos de levar vantagem em tudo;

Na ditadura judiciária, que permitiu a um homem sem brilho, sem respeito ao próprio, sem currículo e sem moral, governar um País tão lindo e com tanto potencial como o nosso, ele diz que o mundo é dos espertos.

Se fosse uma crítica, seria mordaz e ácida.

Se fosse apenas uma constatação, doeria porque tem muito de verdade.

Sendo um elogio, como é, dilacera porque dá aval aos canalhas. Porque incentiva crianças.

Renato nem tem a desculpa da agência de publicidade.

Ele falou o que pensa, falou o que muitos pensam, falou aquilo que subjuga nosso País.

Somos governados por pessoas que colocaram em prática a tese de que o mundo é dos espertos. E dos ricos. Aos outros, cabe a conta da Previdência.

Mas eu não vou cair no mesmo erro de 1976. Não tenho mais 23 anos.

Renato é apenas mais um que acredita que o mundo é dos espertos.

Os verdadeiros espertos, que não merecem condescendência e nem perdão são outros e estão longe de um campo de futebol. Não sabem nada. Nunca ouviram falar de Gérson ou de Renato. Não são craques, são apenas ladrões de bola.

E, se o Grêmio vencer (estou torcendo) farão de tudo para aproveitar a festa e tentar sair do pântano dos 3% de aprovação.

 


Zé Ricardo, o quinto magnífico demitido. Renovação falhou
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No início do ano, havia muito expectativa com o trabalho de sete jovens treinadores em sete grandes equipes brasileiras. Poderia ser o início da renovação do nosso futebol, preso a velhos professores com suas pranchetas, projetos e falta de atualização com o futebol moderno.

Além de expectativa, havia boa vontade com eles. Pouca coisa se confirmou. Zé Ricardo, do Flamengo, após uma derrota em casa para o Vitória, por 2 a 0, foi o quinto a perder o emprego.

Relembremos os cinco demitidos.

ZÉ RICARDO – Havia assumido o Flamengo após um mau trabalho de Murici e levado o time a um bom desempenho. Agora, com elenco reforçado, seria a hora de se firmar como um grande novo nome.

ROGER – Trabalhou bem no Grêmio e sua saída causou grande comoção, principalmente pela chegada de Renato Gaúcho, que se orgulhava de preferir futvôlei ao estudo de táticas. No Atlético-MG, Roger deslancharia. Ganhou o Mineiro e foi mal no Brasileiro.

ANTONIO CARLOS ZAGO – Tinha um bom tempo de estrada, inclusive com passagem no Palmeiras, mas agora era uma esperança repaginada, após cursos na Uefa e boa passagem no Juventude. Seria o homem para recuperar o Inter, agora na Segundona. Perdeu o Gaúcho para o Novo Hamburgo e começou mal a Série B.

EDUARDO BAPTISTA – Depois de boas passagens pelo Sport e pela Ponte, apareceu como o nome ideal para substituir Cuca no Palmeiras, que sonha com o Mundial. Pouca gente se lembrou de seu fracasso no Fluminense. Caiu após uma derrota para o Jorge Wilstermann, muito pouco para quem sonha em vencer o Real Madrid.

ROGÉRIO CENI – Sem nenhuma experiência anterior, chegou ao São Paulo respaldado por seu passado único no clube, por alguns cursos feitos na Europa e por trazer consigo auxiliares estrangeiros. Foi mal no Paulista e somou 11 pontos em 11 jogos no Brasileiro.

Dos sete magníficos, restaram FÁBIO CARILLE, que venceu o Paulista e conduz o Corinthians a um campeonato brasileiro histórico. E JAIR VENTURA, que tem levado o Botafogo a romper limites técnicos.

Os cinco magníficos floparam e alguns veteranos retomaram o sucesso, como Renato Gaúcho, Levir Culpi e ele, o ressurgido Vanderlei Luxemburgo, de ótimo trabalho no Sport.

Lamento o insucesso da renovação, mas não fico triste com a ascensão dos veteranos. Ótimo saber que não há apenas uma maneira de ver futebol e que é possível fazer um trabalho consistente e criativo sem falar em amplitude, basculação, recomposição, transição e terço final.


Renato merece uma análise isenta; não a Inquisição
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galileuRenato Portaluppi, o Gaúcho, comemorou seu segundo título em 16 anos de carreira, falando muita besteira. De óculos escuro, na sala de casa, negou a necessidade do estudo. Mais do que isso, colocou-se como alguém que não tem nada a aprender. E colocou companheiros como Tite e Mano Menezes na cota dos que nada sabem. Afinal, “futebol é fácil, quem sabe fica na praia e quem não sabe, vai estudar na Europa”. Uma bobagem que poderia ser matizada se ele indicasse outro meio de evolução que não fosse a Europa. Nada disso. É praia.

O desabafo de Renato colocou gasolina na fogueira. O debate entre técnico estudioso x técnico boleiro cresceu. E Renato passou a ser rotulado como um bobão, como alguém que não entende de futebol, alguém capaz apenas de animar os jogadores. Nenhum mérito é dado a ele. Renato apenas seguiu o trabalho de Roger (da turma que estuda) e assim foi campeão.

É isso mesmo?

Procurei o amigo Diogo Olivier, jornalista gaúcho, comentarista no Zero Hora, na rádio Gaúcha e na RBS. Ele me traçou um esquema de como foi a transição de Roger para Renato.

1) Roger não conseguiu resolver um problema concreto: a substituição de Giuliano, meia pela direita no seu 4-2-3-1. Tentou Negueba. Não deu certo e o time começou a cair. O Grêmio perdeu muitos jogos e Roger pediu demissão.

2) Renato assumiu e tentou uma mudança tática, optando por um centroavante fixo. Escalou Henrique Almeida, que foi muito mal nos dois jogos em que teve chance. Renato recuou e passou a utilizar, como Roger, o centroavante móvel, o tal falso nove.

3) Renato optou por Ramiro, um volante detestado pela torcida, para substituir Giuliano. Ele fez um trabalho muito bom, no ataque e na recomposição. Deu força ao meio campo. Fez gol e deu passe para gol.

4) Renato recuou Douglas. O meia ficou mais próximo dos volantes e, a partir daí, com a bola dominada, passou a ter um rendimento muito maior. Armou o Grêmio e foi o grande nome da arrancada.

5) Renato mudou a marcação na defesa, que sofria muitos gols pelo alto. Optou pela marcação individual neste tipo de jogada e o Grêmio melhorou muitíssimo.

Ou seja, Renato fez um ótimo trabalho. Tinha uma base montada e fez com que ela melhorasse. É um grande treinador? Não acho. Vejamos o que fará em 2017, quando terá que buscar novas soluções diante de novos problemas. Problemas maiores do que Roger terá no Galo, onde, simplificando, basta arrumar a defesa.

E por que Renato não merece uma crítica isenta? Por que é bonito, feio, folgazão, tem filha feia? Não. Renato é criticado por não fazer parte dos cânones defendidos por aqueles que defender o futebol de estudo. Os scouts, os treinos intensos, tudo o que há de mais moderno e que tem sido utilizado pelos grandes treinadores.

Mas a beleza do futebol não é o fato de que se pode vencer de maneiras diferentes. Opa, para muita gente que defende com alma, sangue, unhas e dentes o futebol dos professores, vencer não é tudo. É preciso deixar um legado.

É uma posição extremada. Perigosa, por não permitir ideias diferentes. É assim ou assim. Se pensar diferente, é assado. Na fogueira da Inquisição, de onde escapou o físico e astrônomo Galileu Galilei, em 1633, aos 70 anos. Precisou negar o que defendia. As ideias de Nicolau Copérnico, que via a Terra girando em torno do Sol e não o contrário, como pensava a Santa Igreja Católica. Galileu recuou e ganhou o direito de continuar vivendo, mas sem sair de casa.

André Kfouri – sempre é um deleite lê-lo no Lance! – conta traz a análise de Rafa Cabeleira, jornalista espanhol, de El País. Ele diz que “se sabe que as vitórias e derrotas de Pep Guardiola só interessam aos inimigos de Pep Guardiola.” E André explica que essas pessoas torcem intimamente por um fracasso que seja de Guardiola. E, quando ele vem, em forma de uma derrota, todos vão ao twitter comemorar. Mal comparando, vimos a mesma postura diante das ousadias de Osorio. Seus erros e derrotas causaram orgasmos múltiplos.

É o que se passa com Renato. Para ele, vale o que Carlos Lacerda dizia de Getúlio Vargas em 1950: “”O Sr. Getúlio Vargas, senador, não deve ser candidato à presidência. Candidato, não deve ser eleito. Eleito não deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar.”

Renato não pode ter emprego. Se tiver, não pode treinar. Se treinar, não pode vencer. Se vencer, não é mérito dele.

No frigir dos ovos, se você pensa diferente do que eu acho que é bom para o futebol brasileiro, você está errado. Deve ser combatido. Como os cristãos que fizeram as Cruzadas para impor a sua fé aos bárbaros árabes.