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Jair não tem tamanho para o Corinthians
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Menon

Jairzinho, Tostão, Pelé e Edu.

Jairzinho, Tostão, Pelé e Rivellino.

Rogério, Jairzinho, Roberto Miranda e Caju.

Grandes ataques do futebol brasileiro. Jairzinho estava nos três.

Nenhum deles existiria se o treinador fosse Jair Ventura, filho do Furacão.

Sim, assumo. É uma comparação sem nexo. Os tempos são outros. Ninguém joga hoje com tanta gente no ataque.

Mas a prudência ou pragmatismo ou covardia de Jair Ventura é enorme. Mesmo levando em conta que o grupo de jogadores que comanda é fraco. Pode-se dizer que de baixo nível.

Tudo bem, mas…

Precisa jogar mesmo com Ralf e Gabriel? Que tipo de jogo vai nascer desse casamento?

Precisa mesmo escalar Danilo Avelar? Não é possível buscar outra opção no elenco?

Precisa mesmo montar inócua retranca que não protege Cássio?

A questão maior é a (falta de) atitude.

Jair dá a impressão de ter apenas um modelo de jogo. Apenas um modo de entender futebol. Um mantra: “fechamos atrás e saímos rapidamente em contra-ataque”.

Só que não.

Não está dando certo.

Nem fecha e nem sai.

Para dirigir o Corinthians, é preciso pensar grande.

E Jair não está fazendo isso.

Ele não está se distinguindo de todos os problemas que o time tem. Está se caracterizando apenas como um a mais. Um problema a mais.

 

 


Gabriel Jesus merece uma discussão saudável
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Gabriel Jesus é um dos jogadores mais “adoráveis” da seleção brasileira. É o tipo de garoto que tem história de vida triste e que se mantém o mesmo de sempre, humilde, simples, talvez um pouco simplório. Ao contrário da série de televisão, Everybody loves Jesus. Todo mundo torce por ele, todo mundo quer vê-lo como titular da seleção.

A simpatia que Jesus irradia em contraposição a vocês sabem quem, tem levado seus defensores a exagerarem – a meu ver – suas qualidades. Mas, comecemos pelo começo, por que Gabriel Jesus tem sido atacado?

Porque não faz gols. Já é a quarta partida da seleção e ele está em branco. O time fez sete gols e nenhum veio com sua assinatura. Só para lembrar e fazer uma comparação que não tem muito, quase nada a ver, o zagueiro Yerri Mina, também ex-palmeirense, fez três. Um dado a mais: a seca de Jesus é sentida também no Manchester City. Após uma contusão, parou de marcar e hoje não há dúvida alguma que o titular de Guardiola é Kun Aguero. Que fez dois gols pela desorganizada e eliminada Argentina.

Os que defendem a permanência de Gabriel Jesus apontam para suas funções táticas em campo. Quais, exatamente? Dos sete gols, quantos nasceram de passes seus. O de Coutinho contra a Costa Rica? Foi um passe mesmo? Houve um belo calcanhar para Neymar no pênalti simulado contra a Costa Rica. É muito pouco, amigos. Uma contribuição pequena para o ataque brasileiro.

E para o time? Aí e que, a meu ver, entra o exagero. Gabriel está contribuindo muito, Gabriel está ajudando na marcação, Gabriel fecha os lados do campo, Gabriel, contra o México, foi um grande auxiliar de Filipe Luiz… Nada disso é mentira, tudo isso leva em conta o grande amor que o garoto tem e merece ter por parte dos torcedores.

Quando dizem que Gabriel faz tudo isso, contribui tanto para o time, dá a impressão que seu possível substituto seja uma árvore plantada na área rival. Alguém sem mobilidade, alguém incapaz de dar um passe, um poste qualquer. Um centroavantão à moda antiga. Alguém pronto a ser servido e nunca a servira.

Não é o caso, né? Roberto Firmino tem jogado muito mais que Gabriel Jesus no campeonato inglês. Inclusive, ao lado de Salah e Mané, humilhou o City de Guardiola e…de Jesus. Criou-se, então, uma dicotomia: Firmino está melhor do que Jesus na Inglaterra, mas os números do garoto na seleção são impressionantes.

Não são mais. A Copa mostra.

Então, tira o Jesus e coloca o Firmino?

Pergunta dura para mim. Porque eu também sou fã do Gabriel Jesus. E acho que ele fará um gol a qualquer momento. Torço por ele. Mas também não tenho a passionalidade do Turco Simão, meu grande amigo, que considera os pedidos por Firmino uma ação da imprensa mafiosa.

Lembremos que em o Brasil foi campeão mundial cinco vezes e que sempre houve modificações no time.

Em 1958, Pelé, Garrincha, Vavá, Djalma Santos e Zito tomaram os lugares de Dida, Joel, Mazolla, De Sordi e Dino Sani.

Em 1962, Pelé, contundido, deu lugar a Amarildo.

Em 1970, as alterações vieram pouco antes da Copa, com Zagallo colocando Rivellino em lugar de Edu, Clodoaldo no meio e recuando Piazza para a zaga.

Em 1994, Raí deu lugar a Mazinho.

Em 2002, Kleberson tomou o lugar de Juninho Paulista.

Ou seja, nada de traumas. Nada de perseguição.

Não deveria causar uma comoção nacional a saída de Jesus. Não é o Romário que Felipão deixou de lado em 2002.

E o mais importante é que, com Jesus ou Firmino, o Brasil está no bom caminho.


Tostão, elo perdido faz 70 anos. Colômbia goleia Brasil em solidariedade
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tostão2 Tostão completou 70 anos ontem. Escrevo sobre ele hoje. Tudo bem, todo dia é dia de Tostão, uma das pessoas mais importantes na história do futebol brasileiro. Como jogador, com 36 gols em 65 jogos. Como pensador da bola, incalculável. Cada artigo é uma lição. Cada entrevista é uma aula. Uma contribuição extra-campo que Sócrates, também médico e também genial, não conseguiu nos dar.

Em 1969, o Brasil de João Saldanha disputou Eliminatórias. Foram seis jogos e seis vitórias. As vítimas foram Colômbia (2×0 e 6×2), Paraguai (3×0 e 1xo) e Venezuela (5×0 e 6×0). Vinte e três gols a favor e dois contra. Tostão fez dez gols. Pelé, o Rei, seis. Jairzinho, que seria o Furacão da Copa, marcou três vezes.

tostãoNo ano seguinte, com a saída de Saldanha, o ataque Jair, Tostão, Pelé e Edu foi posto em xeque. Zagallo queria um centroavante de presença na área, um nove-nove. Roberto Miranda era o nome. Dario, outro. Tostão estava ameaçado. Ele, então, pensou no que deveria fazer para ganhar a vaga. Lembrou-se, então, do fantástico Cruzeiro que tinha Zé Carlos, Natal, Tostão, Evaldo, Dirceu Lopes. “Dirceu recuava e tocava para mim, que ficava mais à frente. Então, fiz o contrário. Recuava e tocava para Jair. Zagallo gostou e me colocou no time, com Rivellino na esquerda. Foi a seleção com cinco camisas 10”.

Na Copa, foi assim. Tostão foi mais discreto, mais recuado, combativo e aparecendo na área. Um falso nove? Alguma coisa assim, permitindo a entrada de Jairzinho na área. Uma consciência tática que pouca gente tem.

Em 1974, o Brasil não teve Pelé. Mas era previsto. O difícil foi ficar sem Tostão. Ele seria o comandante, seria o jogador a comandar o time, com a experiência de seus 27 anos. Mas o descolamento da retina já era uma realidade e Tostão já havia abandonado a carreira. O elo perdido. O homem que faltou.

Em 2002, tive o prazer de conviver com Tostão durante a Copa da Coreia – Japão. Eu trabalhava no Jornal da Tarde e ele na Folha. Era o rei da resenha no hotel. Conversava de tudo, respondia o que se perguntava, sem um bocejo. Zero de máscara. Parecia um de nós. Eu e outros, como pernambucano Fabio Victor, viramos tietes de Tostão.

No dia da final, os japoneses mostraram lances da Copa de 70. Um painel enorme. Olhei para lá e estava Tostão participando ativamente do gol da vitória contra a Inglaterra. Olhei para o lado esquerdo e estava Tostão, o colunista. Chamei sua atenção para o painel e ele olhou, com saudade nos olhos. Deu um sorriso tímido, como se estivesse pedindo desculpas por ter sido genial.

Jogadores de futebol adoram o passado. É lógico. São seres humanos, como todos, que tem lá no que passou um lugar garantido na memória seletiva. Tostão teria o direito de ser assim. Não é. Tem a humildade de dizer, por exemplo, que Neymar é melhor do que ele. Que jogaria em seu lugar. Concordo com Tostão. Como sempre. Se Neymar e tantos outros craques tivessem a consciencia de Tostão, o futebol brasileiro seria outro. E o Brasil também. Muitos melhores, o futebol e o país.

E no dia do Tostão, o jogo da amizade chegou a 1 milhão. Muito pouco. Apenas 18 mil pagantes no jogo contra a Colômbia, com dinheiro doado para a Chapecoense. Se fosse no Atanasio Girardot, estaria lotado.

 


Drogba, Michel, Felipe, Robinho…De volta a 2010. É o que tem para hoje
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2010No dia 20 de junho de 2010, o Brasil venceu a Costa do Marfim por 3 a 1, em Johanesburgo e se classificou para as oitavas de final da Copa do Mundo da África do Sul. Os gols foram de Luis Fabiano, dois e Elano. Para a Costa do Marfim, gol de Didier Drogba.

Drogba, que, aos 38 anos pode pintar no Corinthians. Se vier, vai enfrentar novamente Michel Bastos e Felipe Mello, que também participaram daquele jogo e que estão no Palmeiras. Talvez jogue contra Luís Fabiano, que está tentando se recolocar no mercado. Na minha opinião, poderia jogar novamente no São Paulo. E ainda pode encarar Robinho no Brasileiro. Elano, não. Virou auxiliar técnico no Santos de Dorival Jr, depois de se arrastar em campo nas suas últimas partidas como profissional.

Corinthians consegue parceiros e envia proposta oficial por Drogba

Drogba, Michel Bastos, Felipe Mello, Robinho e Luis Fabiano. Todos eles foram ótimos jogadores. Todos cabem em uma mesma escala, logicamente com Robinho Luís Fabiano e o marfinense à frente dos outros. E todos podem jogar bem no Brasileiro. Luís Fabiano tem contra si problemas físicos, mas pode ainda fazer gols importantes, desde que escalado com moderação.

Todas estas contratações são boas. Todas acrescentam. Mas, falemos a verdade: 2010 está muito longe. Faz muito tempo. E todos eles, que ainda são bons, já foram melhores. Deixaram na Europa o seu melhor futebol, em anos recentes. Estão no final da carreira. Gloriosas, dignas e honestas carreiras, mas quem aí vai jogar mais que três anos em bom nível? Só Robinho?

É um retrato do que vivemos. Mandamos para a Europa o craque do ano, o cara que vai ser tendência na década (Gabriel Jesus), mandamos outros jovens menos talentosos, mas no auge da forma física e técnica, como Rodrigo Caio, que ficará pouco tempo e trazemos veteranos.

A solução é uma crise mundial que descapitalize os europeus. Assim, veríamos nossos craques por mais tempo. Como nos anos 60 e 70. Já imaginaram Jairzinho, Gerson, Rivellino, Ademir da Guia, Tostão, Clodoaldo Carlos Alberto e Leão imigrando para a Europa. Fazendo companhia a Caju? E Garrincha? E Pelé? Do nosso período de ouro, apenas Didi esteve por lá. E não teve sucesso. Evaristo foi ídolo no Barcelona e o Real Madrid. Se todos tivessem ido, a Europa teria sido diferente. Ou alguém duvida que Rivellino jogava tanto quanto Platini?

Hoje, é o que tem para hoje. Vamos nos conformar e aproveitar o quanto for possível o sumo fresco da juventude que fica pouco por aqui e o último caldo dos veteranos que encantaram o mundo. Em 2010. Ou antes.


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