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Em busca do amor, Rodrigo Caio optou pela demagogia
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Menon

Rodrigo Caio deu à torcida do São Paulo todos os motivos para ser admirado.

É nascido no clube. Chegou com .12 anos, quase metade de sua vida.

É um jogador versátil, já atuou na lateral, como volante e como zagueiro.

É um zagueiro bom.

É campeão olímpico.

É convocado para a seleção principal.

Teve uma atitude muito digna em um campo de futebol, eximindo um colega de profissão de receber um amarelo injustamente.

E aí, começou o seu martírio.

A torcida não quer fairplay, a torcida não quer comportamento digno.

A torcida chama os outros de favelados, diz que é diferente, mas não quer saber de comportamento ético.

A torcida, seja ela qual for, quer é sangue, quer subjugar  o outro. E exterminar, se houver oportunidade.

Como teve alguns erros, criou-se o caldo de cultura ideal para a imbecilidade aflorar. Então, Rodrigo Caio, bom jogador, nascido no São Paulo e sujeito ético, passou a ser chamado de leite com pera, todinho e outras tonterias.

Agora, as coisas vão mudar.

Rodrigo Caio pode até jogar mal, mas como ele disse que a imprensa é toda corintiana, vai virar ídolo novamente. Em uma mesma frase, ele atingiu dois inimigos: o Corinthians e a imprensa.

Pode até falhar novamente, mas agora ele mostrou que é homem, que não tem medo, que enfrenta a torcida, que detesta o Corinthians. Mostrou que tem culhões.

Só falta balançar em direção à torcida corintiana. Como Gabriel.

Aí, será Rei. Merecerá estátua.

Porque o futebol e a ética são secundários no mundo das redes sociais em que os imbecis perderam o medo de mostrar sua imbecilidade e onde os que odeiam, resolveram odiar explicitamente.

 


Barca tricolor tem time completo e mais o banco
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Uma enorme barca, mais para transatlântico, partirá do Morumbi no início do ano. Muitos jogadores deixarão o clube.  O pensamento da diretoria é contratar alguns nomes de peso e completar o elenco com a ascensão de jogadores da base. Mas, tudo depende de qual divisão o São Paulo disputará em 2018.  Se estiver na A, o investimento é maior. A relação dos que saem ou devem sair é a seguinte.

Denis – O contrato termina no final do ano e ele não fica. Teve todas as chances para ser titular e não se firmou.

Renan Ribeiro – Se Denis não se firmou como sucessor de Ceni, Renan não se firmou como sucessor de Denis.

O São Paulo procura um goleiro que traga confiança ao time. O nome mais cotado é o de Weverton, do Furacão. Valter, do Corinthians, também é uma possibilidade. Sidão, Lucas Perri e mais um goleiro da base serão os outros nomes para 2018. Sidão, que tem melhorado nos últimos jogos, ainda não é unanimidade.

Buffarini – Ele tem mercado na América do Sul e já foi citado como reforço de Boca e San Lorenzo.

Bruno – Tem contrato longo, mas pode ser envolvido em negociações. Nunca se firmou.

Lugano – Contrato termina no final do ano. Ele vai continuar a carreira em outro clube, em outro país. Quer jogar por mais dois anos.

Rodrigo Caio – O São Paulo acende velas diariamente para receber uma oferta em torno de 15 milhões de euros.

Aderllan – Veio da Europa e não é levado em consideração. Um mistério. Um novo Douglas?

Breno, que está fazendo um bom (apenas bom) trabalho no Vasco, pode voltar. Militão pode assumir a zaga.

Edimar – Contrato termina no final do ano.

Junior Tavares – Pode sair para o futebol holandês. No clube, é considerado um jogador para explodir em 2018.

Jucilei – Os chineses pedem 8 milhões de dólares e o São Paulo tenta negociar um preço menor.

Cícero – Já saiu. Não participa mais do elenco e fica apenas até o final do ano.

Thomaz – O São Paulo busca um clube para ele.

Wellington Nem – Sofreu várias contusões e não ficará.

Denílson – Contrato até o final do ano, apenas.

Marcinho – Começou bem, caiu e não fica.

As categorias de base do São Paulo têm cinco jogadores de bom nível para a função de atacante pelo lado do campo: Paulinho Boia, Paulinho, Marquinhos Cipriano, Murilo e Caíque. Tem idade entre 18 e 20 anos. Alguns, ou pelo menos um, será levado em conta para substituir Nem, Denílson e Marcinho.

Gilberto – O artilheiro do time disse que deseja sair, para ser titular. No São Paulo, Pratto é indiscutível.

Brenner, de 17 anos, é uma opção. Mas algum reforço deve vir.

Cueva – Se o São Paulo receber uma boa oferta, não pedirá uma ótima oferta.

O trabalho vai ser duro e há um consenso de que a equipe, como em 2017, não pode ser montado durante o Brasileiro.


Jô, sob a ótica e a ética de Nelson Rodrigues. E de Nelson Nunes
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Amigos, conhecem aquela história do gol tão bonito que merece a compra de um novo ingresso? Pois é. Depois de lerem o texto abaixo, tenho certeza que irão se sentir assim. É um presente meu para vocês. O texto é do meu amigo NELSON NUNES, um dos grandes que conheci na minha carreira.

 

Já que, sob a inspiração de um gol de mão, o caráter (ou a falta dele) do brasileiro virou a pauta principal da mesa-redonda nacional

Nelson Rodrigues em linda caricatura de Latuff

desta segunda-feira, nada melhor do que saber o que pensava o mestre Nélson Rodrigues sobre essa intrincada conjunção de interesses que colocam, lado a lado, futebol e ética. Foi através do futebol que nosso mais respeitado dramaturgo criou metáforas para explicar o Brasil e entender os brasileiros. Numa delas, mais de quatro décadas antes do melodrama “La mano de Jô”, nosso Dostoievski caboclo advertiu, com a propriedade de quem conhece o submundo da condição humana, que “não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos; muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida.”

Forjado num universo de personagens que gravitam entre a sarjeta e o estrelato, feito cronista dos nossos tempos metido no cotidiano de um jornal meio mundano fundado pelo próprio pai, cuja redação foi palco de um crime passional familiar, o Shakespeare dos trópicos viveu alguns dos melhores momentos de sua carreira como repórter esportivo. Com seu jeito particular de decifrar o mundo, e sua técnica incomparável de ir além do que se vê no óbvio, Nélson Rodrigues conseguia transformar jogos comuns em narrativas épicas, dignas de um capítulo assinado por Camões. Boa parte desse legado pode ser conferido no livro “A Pátria de Chuteiras”, coletânea de crônicas publicadas em jornais cariocas entre 1950 e 1970.

Fico imaginando, se vivo estivesse, o que teria escrito hoje… Talvez abrisse sua crônica do jogo com uma de suas frases mais contundentes: “a virtude é bonita, mas exala um tédio homicida. Não acredito em honestidade sem acidez, sem dieta e sem úlcera.” De fato, foi essa receita que fez de Rodrigo Caio, por exemplo, um bom-moço condenado pela sua sinceridade. E há de ser também por ela que Jô passará o resto de sua vida lembrado por um golpe de malandragem, uma falcatrua que não tem perdão. De artilheiro do Brasileirão, símbolo da eficiência de um Corinthians exemplar no primeiro turno, Jô passou a ser o Macunaíma de plantão, o herói sem caráter que reduz o povo brasileiro a uma metáfora preconceituosa de gente sem berço e sem moral, indecente e repugnante.

O julgamento de Rodrigo Caio e Jô passa pela relativização de nossas convicções _ e da graduação de nosso passionalismo. Pelo que se ouve nos botecos da cidade e pelo que se lê nas redes sociais, Jô perdeu a chance de mostrar grandeza de espírito e coerência com o discurso de um mês atrás. É fácil cobrar isso dele sentado no sofá, tomando uma cerveja, vendo o replay do lance por vários ângulos. Mas há de se reconhecer que não desce redondo o fato de ele se omitir da verdade, de fingir honestidade, de mascarar o que está escancarado aos olhos do mundo. Fica no ar a sensação, indigesta, incômoda, de que é a lei de Gérson que nos move. Até quando o caráter do brasileiro vai estar sob suspeita? Até quando vamos continuar fazendo futebol sem bons sentimentos? Até quando o espírito de Nélson Rodrigues apontará o dedo na nossa cara para nos lembrar que o tal complexo de vira-lata vai além de uma figura de linguagem? Até quando, enfim, vamos fazer das virtudes atributos tomados pelo tédio suicida?


Jô não é criminoso. E o tosco choro corintiano é ridículo
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Nas redes sociais, nos bares e almoços familiares, os corintianos fazem explodir o que meu amigo Luis André Umtiti chama de complexo de povo escolhido. O povo eleito por Deus, sofrido. Perseguido por tudo e por todos. Os que sofrem sempre, os que são apedrejados e, que na ausência de um Moisés ou um Josias, sofrem na mão dos filisteus que usavam preto e que agora fazem propaganda nas costas. Os garotos do Coronel Marinho, o grande culpado dessa bagunça toda.

Eles, os corintianos, não conseguem aceitar um fato simples: o gol de Jô foi com o braço. Foi um gol que deveria ser anulado. Foi um gol que mudou o resultado do jogo.

Tão simples. A culpa não é do Jô, é do árbitro ruim e é do auxiliar que estava pensando na morte da bezerra.

Não, isso não pode. Afinal, o povo de Deus nunca é ajudado. Até aceitam o erro, mas buscam a relativização.

Só pode falar desse erro, quem falou do gol anulado contra o Flamengo, com mais de três metros.

Todo mundo falou, camarada. Todo mundo. Que besteira é essa, de dizer que não foi falado? E todo mundo falou do pênalti no Jô e todo mundo falou no gol anulado em Curitiba.

Se não foi falado, como sabem que foi um impedimento de três metros, 28 centímetros e 12 milímetros?

Sabem porque a televisão mostrou. Então, foi falado. E o erro foi criticado. Como outros que prejudicaram o Corinthians. Como outros que ajudaram o Corinthians.

Então, vamos fazer o raciocínio inverso ao dos sofridos componentes do povo eleito.

Se você não criticou o erro a favor do Flamengo, não pode criticar agora o erro a favor do Corinthians (é o que dizem).

Se você criticou o erro do Flamengo, se mediu o impedimento com treno ou teodolito, então deveria criticar agora o erro do Elmo, é o que eu digo.

Ou vamos relativizar sempre? No próximo erro contra o Corinthians, devemos lembrar de Fábio Costa?

Quando chorarem por Amarilla, vamos lembrar de Castrilli?

Enquanto todos continuarem relativizando, o Coronel Marinho continuará fazendo um papel horrível no comando da arbitragem.

Agora, vamos falar de Jô.

Não há nenhuma comparação entre o lance do gol e o lance em que Rodrigo Caio o livrou do segundo cartão amarelo. São coisas diferentes. Eu não sei se Rodrigo Caio diria que fez um gol com a mão. Tudo leva a crer que sim, mas não tenho certeza. O lance não aconteceu. São comparações que não cabem.

A comparação que cabe é que Rodrigo Caio falou a verdade e foi um gigante. Jô falou mentira e foi um anão. Falou mentiras seguidas. Disse que foi com o peito. Depois, disse que não sabia. Depois que até o Donald Trump telefonou para o Nicolás Maduro e os dois concordaram que havia sido com a mão, ele ainda dizia que não sabia. Não tem tato, o garoto Jo.

Seu grande erro foi mentir ao dizer que estava tocado pela atitude de Rodrigo Caio e que ele seria uma inspiração em sua vida.

Agora, não se pode buscar referências na política nacional para culpar Jô. Ele não tem milhões escondidos em casa, na cueca ou na mala. Ah, se tivesse a oportunidade, faria o mesmo? Ninguém sabe.

Quando se iguala tudo no mesmo balaio, não vamos e chega a lugar nenhum na luta por um país melhor. Jô, como disse o Antero Greco, foi um cara de pau. Não é um criminoso. Podemos compara-lo com o cara que à mulher que está trabalhando e foi no estádio. Ou com a mulher que diz que vai na casa da mãe e foi no basquete. (Eu ia dizer shopping, mas seria machismo?)

O gol de mão foi um golpe. Não se pode compará-lo com outros que vivemos e que foram aplaudidos por muita gente que hoje crucifica o Jô.

 

 


O traíra, o sangue de barata e o gigante que afunda
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Na briga entre Rodrigo Caio e Cueva, duas verdades saltam aos olhos. Uma, é irrefutável. A outra, não.

A primeira verdade é que o São Paulo é o maior prejudicado com o desentendimento entre seus dois jogadores.

A segunda verdade, que merece considerações, é que Rodrigo Caio está certo.

Por que?

Porque Rodrigo Caio se importa com o clube. Nasceu no São Paulo, desde os 12 anos, criou-se no clube e tem respeito pelo clube.

Simples. Como Rodrigo Caio ama o clube, como é considerado diferenciado, deveria ter a percepção exata do que falar, quando falar e onde falar. Normal que tenha uma discussão dentro de campo. Discussão, não apontar o erro alheio, como o goleiro Ronaldo fazia com companheiros, nos tempos de Corinthians. Poderia falar em particular. Talvez até tenha, mas não poderia fazer o que fez, na coletiva do 7 de setembro. “Ele precisa querer se ajudar”. Mesmo que seja verdade, não poderia falar assim. Entregou o companheiro aos leões. Foi X-9. O comportamento correto foi o de Hernanes e Dorival, minimizando problemas. Rodrigo Caio exponencializou o problema.

Há outros dois pontos que devem ser levados em conta agora.

Rodrigo Caio deveria se oferecer para jogar de volante contra o Vitória. Jucilei foi expulso e não há reservas. Ou melhor, há Militão, que precisa cobrir a lateral direita porque Buffarini tem sido um horror. Assim, a zaga ficaria com Bruno Alves e Arboleda. Ficaria mais protegida, mas Rodrigo Caio já disse que prefere a zaga. É hora de ceder.

Cueva não tem muito comprometimento com o time, mas também há a questão técnica. Ele é vítima da ditadura do 4-2-3-1. O time só pode ter um organizador de jogadas. Um. Os outros precisam jogar pelo lado e ajudar na recomposição. Foi assim com Ney Franco, que não conseguiu escalar Ganso e Jadson juntos.

A recomposição é uma obsessão. Dorival, após o jogo contra a Ponte, disse que o time foi bem no primeiro tempo, porque não permitiu um contra-ataque sequer à Ponte. Mas também só deu um chute a gol, até a magistral cobrança de Hernanes. Ora, se um time vem retrancado e não sofre nenhum chute a gol, qual a importância de conseguir um contra-ataque ou não. O São Paulo deveria ter atacado mais, mesmo que permitisse contra-ataques.

E qual a melhor maneira de fazer isso? Com dois meias. Com Cueva e Hernanes pelo meio, revezando-se. E sofrendo com contra-ataques, que seja.

A tal participação cria monstros. Outro dia, vi um jogo do São Paulo sub-20. O centroavante era Jonas Toró, que, naquele dia, estava muito mal. Não deu um chute a gol. E era muito elogiado pelo comentarista pelo seu poder de iniciar a marcação, ainda no ataque. Ele atacava o central. No jogo seguinte, o mesmo comentarista lamentava a ausência do atacante que não chuta, mas que atrapalha a saída de bola do goleiro e dos zagueiros.

Eu acho que ele seria muito mais importante se chutasse a gol.

Como Cueva seria muito mais importante se estivesse ao lado de Hernanes.


Tite acerta com Cássio e erra com Rodrigo Caio
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Menon

Primeiramente,…deixa pra lá. Primeiramente, quero explicar que não concordo com o título da minha matéria. É um pouco arrogante. Ou muito. Não cabe a mim julgar o Tite ou o Givanildo. O que eu quero dizer é que eu concordo com a convocação de Cássio e discordo do Rodrigo Caio. Apenas isso, minha opinião.

Cássio tem feito um grande campeonato brasileiro, assim como Vanderlei. Os dois merecem a chance de lutar por uma vaga na Copa. Tanto quanto Ederson, o goleiro mais caro do mundo e que, injustamente, tem sido criticado após a estreia no Manchester City. Acho que Vanderlei terá sua oportunidade. Apenas Alisson está garantido.

Quanto a Rodrigo Caio, me parece tão evidente que Geromel é mais jogador. Não só está jogando mais, é mais. Tite dá grande valor à participação de Rodrigo Caio na Olimpíada. Foi boa mesmo, mas não tem jogado bem no São Paulo. Acho que Rodrigo Caio, se for à Copa, irá como cota pessoal do treinador. O que é justo. As ideias e convicções do treinador devem ditar as convocações e não clichês do tipo “seleção é momento”. Fosse assim, Paulinho, unanimidade, não teria sido chamado. Há o outro lado, também. Ninguém entendeu ainda Henrique na Copa-14.

Quanto às outras chamadas, eu não sou fã do futebol de Taison e de Giuliano. Eu daria oportunidades a Everton Ribeiro, Dudu e Diego Souza, que parece ser o único a ter chances.

 


Clube grande cai, sim. Está caindo
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Menon

Time grande não cai.

Os são-paulinos (tomo a parte pelo todo, uma grande parte, diga-se) gritaram exaustivamente a frase, em 2013 e 2015. Havia uma outra frase, de mesmo sentido. Time grande cai, mas time gigante não cai.

São frases divertidas, uma gozação bem feita contra os rivais Palmeiras e Corinthians. Mas são também frases a mostrar o último suspiro da tal soberania, varrida dos campos há uma década, com aquele coito interrompido que foi a vitória contra o Tigre, na sul-americana de 2012.

Gritar que não cai é o que restou a quem gritava é campeão com a mesma assiduidade que um ano substitui outro. Ou, lembrando um pouco mais longe, como um semestre substitui outro.

Não ganhamos, mas não caímos. Somos grandes e os outros são pequenos. Somos gigantes e os outros, vá lá…são apenas grandes. Somos soberanos e tudo é uma questão de tempo, pois daqui não cairemos.

Está caindo o São Paulo. Os avisos foram gritados, os sinais foram escancarados, mas a gerontocracia de ideias que dirige o clube há décadas, não viu e não ouviu. Preferiu a briga intestina (nos dois sentidos) à busca de uma solução, que poderia passar pela unidade. Talvez não ajudasse, porque as ideias do outro lado…ah, quais são, mesmo?

Quem gritava que time grande não cai, sabia que estava dizendo uma sandice. Palmeiras, Corinthians, Inter e tantos outros grandes representantes do futebol brasileiro caíram.

E, se clube grande não cai, time médio cai. Deitado em devaneios soberanísticos, a diretoria do São Paulo esqueceu que não há justiça no futebol. Um elenco melhor do que alguns outros, pode cair, sim. Não é o investimento que decide, não é uma análise crítica dos jogadores contratados. É o campo que resolve.

O São Paulo tem aproveitamento de 77,8% quando falamos de seu enfrentamento com Vitória, Avaí e Atlético-GO, seus companheiros de infortúnio. Não é suficiente. Precisa vencer os outros também. E, sempre é bom lembrar, o tal aproveitamento gigantesco foi construído no Morumbi.

A diretoria do São Paulo não pode se apegar a um clichê moribundo: “o São Paulo não merece estar nesse lugar”; Por que não? Pelo passado glorioso? Já vimos que não conta, que outros gigantes de foram.

Pelo futebol apresentado? Também não, apesar de não ter sofrido nenhuma goleada, nenhum vexame. Tivesse ocorrido, talvez o tal aviso tivesse sido ouvido.

Pelo elenco que o time tem?

Vamos conversar sobre isso. O elenco tem problemas graves. Não vou comparar com outros, não vou fazer uma análise posição por posição, mas o elenco do São Paulo tem carências enormes. E elas permitem que outros clubes, talvez mais fracos o ultrapassem.

Bruno e Buffarini, por exemplo. Um, é pior na defesa. Outro, é pior no ataque. Os dois são ruins no conjunto. As entidades Brunarini ou Buffaruno são assustadoras. O que defende melhor, levou dois dribles humilhantes na Vila. O que ataca melhor, não acerta cruzamentos.

Júnior Tavares. Esqueça a louvação a Cotia. Nem de lá, ele veio. Junior veio do Grêmio com a fama de indisciplinado, bom no ataque e ruim na defesa. A primeira, com dedicação aos treinamentos, ele afugentou. Nada de indisciplina. A segunda, confirmou-se em parte. Ele é um desafogo na esquerda. E é um tormento na defesa. Em um time equilibrado, ele teria sua função e poderia render muito. Em um time cheio de problemas, só os erros aparecem e de forma exponencial. Foi um erro deixar tudo nas costas de um garoto. Participou de praticamente todas as partidas do ano. E seu reserva, Edimar, só o departamento de análise e desempenho garante. É um jogador a ser burilado e não uma solução.

Rodrigo Caio é um bom zagueiro, apesar do pouco físico. Não é bom como outros que fizeram sucesso há dez anos. Miranda, Lugano, Fabão, André Dias, Rodrigo e Breno foram melhores. Fabão, sim. Pense um pouco e veja quem errou mais. Novamente, é a questão do momento. Se Rodrigo Caio estivesse lá, naquele tempo….Não está.

Pela fama que tem, Rodrigo Caio deveria ser a individualidade capaz de carregar o time nas costas. Como Roberto Dias fez há 50 anos. O mesmo vale para Pratto. Um grande jogador em um time fraco e desequilibrado, não deveria ser a salvação? Não tem sido. Cueva é o mesmo caso, apesar de haver melhorado um pouco.

Não é o caso de Jucilei, que tem rendido muito bem, mas que, pela posição em que joga não está ali para resolver. Como parece ser, não nos precipitemos, o caso de Arboleda.

Jogadores que deveriam decidir e não decidem. Jogadores fracos. Jogadores com uma responsabilidade técnica acima de suas forças. E o que mais?

Uma incógnita como Gómez, que foi bem na Colômbia, mas que fez dois jogos sem nenhum protagonismo.

Jogadores médios, que poderiam render em times bem organizados, como é o caso de Marcinho. E de Petros, que fala muito bem, que tem personalidade, mas que joga menos que Thiago Gomes. E Wellington Nem, que perdeu a velocidade em algum lugar do passado.

Jogadores jovens, como Lucas Fernandes, Brenner e Shaylon, a quem não pode ser dada a missão de salvamento. A eles, deveria ter sido dadas oportunidades de jogar. Mas, preferiram, por exemplo, Denílson.

E é um time assustado. Quando faz um gol, não resiste ao assédio, como qualquer adolescente esperando o primeiro beijo. Quando sofre um gol, se desmancha, como picolé ao sol.

É um time caindo. Está cumprindo os avisos que estão sendo dados há muito tempo. E que os ouvidos soberanos apenas ouviram. Mandaram a mensagem para o cérebro soberano. E que o cérebro soberano respondeu através da boca soberana. “Time grande não cai”. Cai, sim.


Rodrigo Caio, o Papa, o Dalai Lama e a ficção chamada fairplay
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Menon

E volta o tema Rodrigo Caio, devido ao ridículo show de simulações ocorrido nos campos do Brasil, uma semana após o zagueiro haver dito ao apitador que ele, e não Jô havia feito o contato com o goleiro Renan. Jô escapou do amarelo injusto, ficou liberado para jogar o próximo clássico e fez o gol que sacramentou o São Paulo fora da final. Impedido, talvez. E daí? Rodrigo Caio foi honesto.E a honestidade não pode ser questionada. Está certo e ponto final.

Agora, imaginemos um outro lance. O time está vencendo o jogo e tem um cruzamento em sua área. Sobem dois zagueiros e dois atacantes. A bola resvala na cabeça de um zagueiro e vai para fora. O juiz pensa que a bola bateu no atacante e dá tiro de meta. O zagueiro se acusa e diz que foi escanteio.

Ou, então, se o beque não se acusou, mas um companheiro foi até o juiz e disse: “eu vi, professor, foi meu colega que colocou a bola para fora”?

Os dois estão certos.. Elogios para eles.Todos. Mas eu consideraria muito normal que o treinador pensasse na possibilidade de não escalar mais aqueles jogadores.  Afinal, eles estão ali para praticar futebol ou para mudar o futebol? E olha, que eu coloquei um lance normal, sem lances de dramaticidade. E se o time sufocado estava garantindo o título? Ou a permanência na divisão? E se aquele escanteio que o juiz não viu, levar o time para a segunda divisão?

Ora, amigos, o lance que eu imaginei não aconteceria nem em um jogo entre Amigos do Papa Francisco x Amigos do Dalai Lama. Principalmente porque  o papa é argentino. (Atenção, esta é uma brincadeira, com meu amigo Pablo Carignano). Não é do jogo. E não deve ser reformado. Como ficaria uma partida de futebol com esse tipo de comportamento espalhado em campo? Foi falta minha, imagina, foi minha. Eu fiz pênalti, seu juiz. Não fez não, bobinho, acertou a bola…

Não prego a malandragem, não prego o golpe. Não sou do tipo que diz “o que acontece no campo, fica no campo” para justificar atos racistas, sou completamente contra as simulações ridículas, mas não dá para exagerar e exigir de jogadores um comportamento que ninguém tem em esporte algum, em país algum.

Diante das simulações e do cai-cai, sou contra o fairplay que obriga um jogador a desistir da jogada e jogar a bola para fora quando um rival está caído. Quem precisa decidir é o árbitro. Ele que mande parar o lance, ele que assuma a responsabilidade. Ele que precisa definir se aquele corpo estendido no chão precisa de cuidados ou de um cartão amarelo por fingimento.

Sou contra punições pós jogo, baseada em câmeras de televisão. Suárez mordeu Chelini? Se o juiz não viu, acabou. Um jogo tem 90 minutos e deve acabar quando termina. Ficar entrando com recursos por dá lá aquela palha é apenas uma tentativa de judicialização do esporte. A não ser que as câmeras de televisão pudessem mudar também o resultado do jogo. Terminou o jogo, vamos ver de novo. Aquele cara deu uma cotovelada que o juiz não viu? Suspensão nele. Mas e aquele gol em que a bola não entrou? Mudamos o placar. Aí, sim haveria coerência. Mas seria errado.

Futebol é um jogo. A violência deve ser combatida. A simulação deve ser punida. A honestidade precisa ser louvada. Mas não podemos exigir que os jogadores se transformem em acusadores de si próprios. Se for para dizer que fez o pênalti que o juiz não viu, melhor é não fazer, então. Simplificaria tudo. E, em vez, de entrar com ações no TJD para exigir punições pós jogo, teríamos clubes entrando com pedidos de canonização para seus jogadores no Vaticano. São Fagner, por exemplo.


Rodrigo Caio e o assassinato em Córdoba
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Menon

Prestem atenção no sujeito de vermelho. E nos dois de azul à sua direita. Mais um de azul, à sua esquerda. E, um pouco atrás, naquele de boné branco. São assassinos cometendo um assassinato. São seres humanos matando outro ser humano. O exato momento do crime. É possível ver o ódio no olhar. É possível ver a bestificação do ser humano. É possível ver a falência do ser humano. Os dinossauros seriam piores?

Olhem agora o torcedor com camisa mais escura, ao lado esquerdo do assassino de vermelho. Ele, o senhor mais gordo e o garoto com cara de Justin Bieber, todos à esquerda, não fazem nada para evitar. Olham para o caso com curiosidade. Também não fizeram nada os que estão à esquerda na foto, sem o rosto aparecer. Há um pouco de indignação na mulher, ao fundo, com a mão no rosto. É uma foto que retrata não apenas um assassinato. Retrata o horror. É uma Guernica digital. É Picasso de 37, redivivo em Cordoba.

Emanuel Balbo foi arremessado de três metros de altura. Caiu com a cabeça no chão. Foi assassinado pela torcida do Belgrano por ser torcedor do Talleres. Mas, esperem… Ele é torcedor do…Belgrano.

A história é terrível. Uma tragédia de erros. Raul Balbo, pai de Emanuel, contou que o rapaz, de 22 anos, ao chegar ao estádio, encontrou Oscar Gomez, de 47 anos, que teria assassinado seu outro filho, há dois anos, em um acidente de trânsito. Houve troca de insultos e Oscar gritou que Emanuel era torcedor do Talleres e que estava infiltrado na torcida do Belgrano. Foi o suficiente para que o rastilho de ódio se formasse e a morte fosse consumada. No dia em que o Cristo, em que muitos daqueles assassinos acreditam, teria ressuscitado há milênios, eles praticaram, por ação ou omissão, um crime terrível.

Enzo Merchs, tio de Emanuel publicou uma carta no facebook, endereçada aos assassinos.

Ola… A voce que o insultou, que lhe cuspiu, que o acertou com murros, pontapés e até com suas bandeiras. A você que escutou um imbecil dizer que ele é de Talleres e sem conhece-lo e nem perguntar nada, usou toda sua violênciao, sem pensar em nada. Sabe de uma coisa? Você se equivocou, maluco, você se equivocou. Emanuel ama Belgrano tanto quanto você, seu papai, seu avô, seu primo, seu melhor amigo.

(….) Então, te peço que esta noite, quando for dormir em sua cama quentinha (…)te rogo que pense e pergunte o que você fez? Por que fez? Você se sente mais homem? Mais macho? Está satisfeito?

Na vidada, tudo tem nuances, toda verdade pode ser matizada. Pode-se falar que Emanuel era um bandido, que boa coisa não era, que ele não é boa pessoa, que faria igual. Pode se dizer tudo, mas há horas em que não se pode dizer nada. É preciso ter lado e dizer NÃO. Nada justifica a morte.

E o que Rodrigo Caio tem a ver com isso?

Foto Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians 

Ele tem sido criticado por torcedores do São Paulo por haver dito a verdade e impedido Jô de levar um cartão amarelo que o tiraria do próximo jogo. São coisas do tipo:

Estou cansado de jogador tonto. Jogador de condomínio. Pensou só nele e esqueceu do São Paulo. Duvido que ele faria a mesma coisa se fosse no final de um jogo. E se o Jô marcar no próximo jogo. São Paulo precisa de jogador que ama a camisa e não de quem deseja aparecer e pagar de bonzinho….

Em um momento como o de Cordoba, as ponderações sobre Rodrigo Caio são ainda mais imbecis. É preciso ter lado. Em um futebol cada vez mais violento, em que jogadores fingem murros que não existiram, em que gandula pratica cai cai, em que juiz finge ser agredido, em que o presidente da CBF não pode sair do país, em uma época assim, é preciso dizer que RODRIGO CAIO ESTÁ CERTO. Sem porém, sem ponderação, sem talvez.

Ou se está do lado do esporte ou não. Da honestidade ou não.


Lucão foi a boa novidade do São Paulo
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Menon

O São Paulo fez uma partida normal, sem brilho e voltou de Buenos Aires com um ponto. Pode decidir em casa, dia 11 de maio, a passagem para a segunda fase da Copa Sul-americana.

Traz na bagagem, além do ponto, duas boas notícias. Pela terceira vez seguida termina uma partida sem sofrer gols. E Lucão jogou muito. Não sofrer gols é um princípio muito importante a ser cultivado, principalmente quando se lembra que o Cruzeiro vem aí, pela Copa do Brasil. E o zero no placar foi uma conquista dos três zagueiros e também de Jucilei, que, uma vez mais, conseguiu dar muita proteção ao time.

Lucão era um dos zagueiros. E teve uma atuação muito boa. Seguro por baixo, firme nas divididas e dando uma contribuição boa pelo alto. Uma notícia importante quando se lembra do quase ódio que a torcida tem por sua revelação. Com 21 anos, Lucão se aproxima de 90 jogos pelo clube. Há boa possibilidade de recuperação do jogador, talvez até para uma possível venda futura. Ele tem currículo pelas seleções de base.

Rodrigo Caio foi ótimo do início ao final. E Breno não ficou atrás. Salvou um gol, com bela cabeçada. O problema não era a zaga, era a pouca projeção dos laterais. Ainda no primeiro tempo, Ceni desmontou a linha para que Rodrigo Caio adiantasse um pouco, juntando-se a Jucilei e João Schmidt, equilibrando o meio campo. A armação ficou por conta de Wellington Nem.

Aí está o problema. Não em Nem, mas no elenco. Sem Cueva, é preciso improvisar. Nem é jogador de lado de campo, um ponta. Aliás, perdeu um gol feito. No segundo tempo, entrou Shaylon em lugar de Breno e Nem foi para o lado. Não funcionou. A expulsão de Buffarini fez com que Shaylon deixasse o campo. Entrou Wellington para formar uma linha de tres volantes, à frente de quatro zagueiros. E tome bola aérea. E tome Rodrigo Caio. E tome Lucão.

O grande problema do São Paulo foi Buffarini, deslocado na esquerda e amarelado logo no início. No segundo tempo, Ceni tirou Chavez e colocou Tavares na ponta e manteve o argentino na esquerda. Talvez se o tivesse colocado na direita, com Araruna no meio e Tavares na esquerda, não houvesse o segundo amarelo. Talvez. Com Buffarini nunca se sabe.