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Arquivo : Rogério Ceni

Denis campeão e Ceni questionado
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Denis fez 173 jogos com a camisa do São Paulo, entre 2009 e 2017. Poderia ser muito mais, não fosse o peso de conviver e depois substituir um mito como Rogério Ceni e sua relutância em se aposentar. Quando chegou a hora de assumir o gol, houve falhas contínuas e cada erro era comparado com um acerto de Ceni. A grandeza de um impediu a ascensão do outro.

E no final de semana, as coisas mudaram. Denis foi o grande destaque da última partida do campeonato catarinense. A Chapecoense fez melhor campanha e teve a mínima vantagem de decidir em casa. Contra o Figueirense, de Denis. E o Figueira, dirigido por Milton Cruz, venceu por 2 x 0. Os jornalistas catarinenses falam de no mínimo duas defesas salvadoras do goleiro.

Ao mesmo temo, em Fortaleza, Rogério Ceni,  agora treinador, viu seu time, o Fortaleza, perder por 2 x 1 para o Ceará. Um placar igual ao da primeira partida. Foi vice-campeão (no ano passado, o time foi terceiro) mas não está agradando. Os torcedores reclamam que ele muda muito o time, mas há uma mágoa muito maior. Durante todo o campeonato, Ceni quis jogar a responsabilidade do título para o rival. Disse que era ajudado pela arbitragem, que era um time de série A enquanto o Fortaleza subiu agora para a B e…aí está o problema, exagerou, segundo os torcedores, quando disse que o Ceará era um time quase perfeito. A gozação nas ruas foi terrível. Se até o seu treinador diz que meu time é perfeito…

Conversei com Denis, por telefone, e ele fez questão de passar a impressão que sua conquista não tem nada de excepcional, nada de um novo começo, nada disso. “Tudo é fruto do trabalho. Já estou pensando no jogo de sexta-feira contra o Juventude, pela Série B, não tenho mágoa nenhuma do São Paulo, aprendi muito lá, como aprendi na Ponte e estou utilizando aqui. Sou muito respeitado aqui, como também fui respeitado lá, não esqueça que fui titular em 2016 e que a torcida gostava de mim”.

Pode ser, mas que é diferente é. Denis campeão e Ceni questionado.


Ceni em Fortaleza: perto da final e longe das amizades
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O Fortaleza, dirigido por Rogério Ceni, venceu o Floresta por 3 x 1 e pode perder por até um gol de diferença na segunda partida da semifinal que mesmo assim estará na decisão do campeonato cearense, contra o Ceará, que derrotou o Uniclinic por 6 x 0. Os números de Ceni à frente do tricolor cearense são muito bons. Na primeira fase, foram sete vitórias e duas derrotas. Na segunda, três vitórias, dois empates e uma derrota. E nova vitória na semifinal. O aproveitamento é de 75,5% e o destaque do time é Gustavo, o Gustagol, com 15 gols em 14 jogos.

A passagem de Ceni pelo Ceará não é marcada, entretanto, apenas pelos bons resultados. Muita polêmica, como de costume, acompanha o treinador. Na quarta rodada da primeira fase, o Fortaleza perdeu para o Floresta, fora de casa, e Ceni reclamou muito do campo e do gramado. Na sexta rodada, no Clássico Rei contra o Ceará, derrota por 2 x 0 e toda a bronca foi pela expulsão de Gustagol aos cinco minutos do segundo tempo. O Fortaleza já perdia por 2 x 0 e Ceni voltou para o segundo tempo, com novo esquema. Toda a esperança ruiu com a expulsão do artilheiro. E tome reclamação.

Algumas rodadas depois, Ceni disse que o Ceará sempre terminava os jogos com jogadores a mais que os rivais, pelo trabalho mal feito dos árbitros. Eles se revoltaram e disse que se recusavam a apitar jogos do Fortaleza. O presidente da Federação entrou em ação e colocou panos quentes na situação. Então, foi a vez do Fortaleza reagir e pedir árbitros de fora em seus jogos.

E, a pedido de Ceni, além de árbitro de fora, foi exigido também exame antidoping no jogo contra o Floresta. O Fortaleza arcou com os custos dos dois pedidos, algo em torno de R$ 35 mil.

A última reclamação de Ceni (por enquanto) foi pelo fato de o Uniclinic abrir mão de utilizar o estádio Domingão (que fica em Horizonte) na semifinal contra o Ceará, preferindo o Presidente Vargas. “Nós vamos jogar de novo em Horizonte, onde o campo é ruim e logicamente sabemos que os resultados não foram bons lá, tivemos uma vitória em três jogos. E agora o Uniclinic vai jogar no Presidente Vargas, não manda mais jogos em Horizonte. Então, assim, tem algumas coisas que são tão claras que a gente não precisa falar”.

Se passar pelo Floresta, o Fortaleza enfrentará o Ceará pela terceira e quarta vez no campeonato. Perdeu a primeira por 2 x 0 e empatou a segunda por 1 x 1, sofrendo um gol aos 47 minutos do segundo tempo. Com certeza, fará declarações antes dos encontros. O mais esperado é dizer que o Fortaleza é um time de segunda divisão, com orçamento muito menor que o do Ceará, que está na primeira. Ceni não abre mão dos bastidores.

Se for campeão, estará repetindo algo constante em sua carreira: ser adorado pela torcida tricolor e ser odiado pelas outras.


Jair, Dorival, Ceni e a tortura dos números
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As coletivas pós-jogo tem se tornado um exercício de autolouvação dos treinadores. (Obrigado, Zé Ricardo, que trocou São Paulo pelo Rio). E além disso, um exemplo prático de como os números, assim como os seres humanos, quando torturados, dizem tudo o que o torturador quer dizer. Quem nos dava um exemplo disso era dr. Ulysses Guimarães, comandante civil da luta contra a Ditadura. Quando diziam que a média salarial do brasileiro era boa, ele dizia. “Se você puser a cabeça de um homem no freezer e os seus pés em uma fogueira, a temperatura média estará boa. E ele estará morto. Congelado ou queimado, mas morto”.

Jair Ventura, após o empate contra o Corinthians comemorou o fato de o Santos haver conseguido a maior posse de bola no jogo e também na partida anterior, contra o Real Garcilaso.

Posse de bola. O fetiche dos treinadores, o Santo Graal dos críticos.

Mas, qual posse de bola? A do Manchester City, que encurralou o Chelsea, que não o deixou respirar, que o obrigou a chutões para se livrar da bola e que venceu por 1 x 0 em uma grande injustiça?

Não, a posse de bola de Jair é outra.

Teve 56% contra o Real Garcilaso e finalizou cinco vezes, apenas uma no gol. E sofreu 23 finalizações, 14 delas no alvo.

Teve 53% contra o Corinthians e finalizou mais, 15 contra 12, mas empatando em seis, quando se fala em chutes no alvo. E teve, não, não está errado, 47 cruzamentos. Um a cada um minuto e 45 segundos.

A maior posse de bola do Santos não impediu que o time ganhasse UM ponto em seis. Contra o Garcilaso, ficou 79 minutos atrás. Contra o Corinthians, 66 minutos atrás.

Qual a vantagem de se ter posse de bola e render tão pouco?

Jair me lembrou Rogério Ceni, que chegava nas entrevistas e, para justificar uma derrota, debulhava números e números. Um dia, falou no número de cruzamentos, quesito que não deveria orgulhar ninguém.

Quando a entrevista pós-jogo não é autolouvatória, ela pode se transformar em um muro de lamentações. Ceni reclamava que não tinha tempo para treinar. Aí, teve 17 dias livres. Foi eliminado pelo Defensa y Justicia e disse que o time havia perdido o ritmo de jogo.

Se Jair usa números, Dorival Jr. usa dados subjetivos.

“Vocês acham que o São Paulo merecia perder os clássicos contra o Corinthians e o Santos”?

Ora, a questão é outra. Se não merece perder, por que perde? Problema psicológico? Ele precisa resolver o assunto e não ficar dizendo que não merecia. No Paulista do ano passado, o São Paulo venceu o Santos na Vila, por 3 x 1. Todo mundo achou que o São Paulo mereceu. Menos Dorival. Ele era técnico do Santos e usou a lamentação, como agora. O mesmo argumento-lamento.

Dorival usa a evolução como mantra. Uma evolução do tipo da anistia defendida pelo General Geisel: “lenta, gradual e segura”. O São Paulo precisa de ruptura e ele fala em evolução. E que resulta em aproveitamento de 46,7% em dez jogos. Até os Arautos da Ordem Sagrada do Tempo aos Treinadores, já acha que dez jogos é um bom número para se esperar algo mais do que se tem. Dos 16 times do Paulista, apenas seis ganharam menos pontos.

Mas, a cada jogo, volta a questão da evolução. Dorival vai acabar excomungado pelo Bispo Crivella, aquele que odeia Darwin, Carnaval, Futebol e Brasil.

Enfim, está cada vez mais chato ouvir coletiva pós jogo. Mas, se o futebol que se joga aqui é ruim, sem inventividade, um eterno rame rame escorado em estatíticas, por que elas seriam boas? São os mesmos professores, escalando, trocando e falando.


Sidão x Jean: um duelo que não anima
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Em 1985, o São Paulo teve o surgimento dos Menudos, personificados em Muller e Silas. No gol, havia a insegurança de Barbirotto e Tonho. Era preciso agir e Gilmar foi contratado.

E, de 1985 a 2015, o gol do São Paulo foi defendido por Gilmar, Zetti e Rogério Ceni. Participaram de quatro Copas do Mundo, o que mostra a qualidade deles. Em 2015, Ceni se aposentou. No ano seguinte, Denis assumiu o posto e não foi bem. E, em 2017, o gol foi uma briga particular entre Denis, Sidão e Renan Ribeiro. Sidão venceu e os outros dois deixaram o clube.

E 2018 começa com a briga entre Sidão e Jean, vindo do Bahia. Nada que dê certeza ao torcedor de ter, no gol, a segurança daquelas três décadas iniciadas com Gilmar.

Sidão tem 35 anos e uma carreira sem nenhum brilho. Antes de chegar ao São Paulo, foi titular no Audax, após contusão do goleiro Felipe Alves. E foi titular no Botafogo, após a contusão de Jefferson. Fez 36 jogos no Audax e 35 no Botafogo. Antes, 27 pelo Rio Claro, o mesmo número que tem pelo São Paulo. Um goleiro de 35 anos e menos de 150 jogos profissionais não é segurança de nada. O time pode até ser campeão com ele, mas não o será por causa dele. Sidão tem tudo para ser um coadjuvante honesto e dedicado e nada para ser o condutor de um time que precisa ser campeão.

Jean tem 22 anos, passagem nas seleções de base e um ótimo ano pelo Bahia. Foi titular em todo 2017, sem contestação. É um jogador que tem grande futuro  e pode até começar o início desse caminhar como titular do São Paulo. Seu contrato é de cinco anos, o que parece ser uma aposta em venda a curto prazo para o futebol da Europa.  Mas não há certeza alguma. Ninguém garante que ele será o goleiro indiscutível que foi no Bahia.

E há certeza com outro goleiro? Com algum outro? Logicamente que não. Mas um time grande deveria buscar um goleiro que trouxesse mais certeza que insegurança. O São Paulo precisa de um goleiro do nível de Cássio, Marcelo Grohe, Vanderlei ou Fábio. Buscar alguém deste nivel. Alguém que justifique a velha máxima: “todo time começa com um grande goleiro”.


Kaká é top 20. Do São Paulo.
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Kaká é uma das maiores joias criadas no São Paulo. Formado na base, estreou ganhando um título que o clube não tinha (Torneio Rio-São Paulo), saiu logo por não suportar o comportamento imbecil da torcia que o culpava, juntamente com Luís Fabiano, pela falta de títulos Foi para o Milan, ganhou a Liga dos Campeões, foi eleito o melhor do mundo e jogou pela seleção, com dignidade.

E qual é seu lugar na história do clube?

Eu fiz duas listas. A primeira, baseada no que os jogadores fizeram no futebol.

A segunda, no que fizeram no São Paulo.

A primeira:

Friedenreich, o primeiro “maior jogador do Brasil”, nos anos 30

Leônidas, o maior jogador do Brasil nos anos 40, artilheiro da Copa de 38

Sastre, o grande craque argentino dos anos 40

Bauer, o Monstro do Maracanã, também revelado pelo São Paulo e integrante da seleção de 50

Zizinho, o maior jogador brasileiro dos anos 50, o ídolo de Pelé.

Didi, eleito o melhor jogador da Copa de 58.

Mauro Ramos de Oliveira, um dos mais técnicos zagueiros da história do futebol brasileiro, campeão do mundo em 1958.

Canhoteiro, chamado de “Garrincha canhoto” nos anos 50.

Dino Sani, volante com 110 gols marcados pelo clube. Jogou no Boca, na Itália e na seleção de 1958

Roberto Dias, zagueiro e volante, carregou o São Paulo nas costas no período de construção do Morumbi.

Pedro Rocha, o único uruguaio a disputar quatro Copas do Mundo.

Gérson, integrante da seleção brasileira de 1970.

Careca, integrante das seleções de 1986 e 1990.

Falcão, integrante da Copa de 82, o Rei Roma.

Toninho Cerezo, outro do quarteto mágico de 1982, com Falcão, Sócrates e Zico.

Raí, campeão mundial pelo São Paulo e pela seleção brasileira.

Muller, campeão mundial pelo São Paulo e pela seleção brasileira.

Rivaldo, ídolo no Palmeiras e no Barça, eleito o melhor do mundo em 1999.

Rogério Ceni, o maior goleiro artilheiro da história.

Kaká.

Esta é minha lista de 20, não está por ordem de preferência. Tentei manter uma linha do tempo. Não me fixei em muitos jogadores das décadas de 40 e 50, como Teixeirinha, Yeso Amalfi, Maurinho (jogou a copa de 54), Barrios, Renganeschi, Remo, Friaça. São lendas, grandes jogadores, mas não vi. Desse período, preferi ficar com os inquestionáveis.

E a lista dos jogadores, baseado no que fizeram pelo São Paulo?

Eu mantenho Friedenreich, Leônidas, Sastre, Bauer, Zizinho, Mauro Ramos, Roberto Dias, Dino, Canhoteiro, Pedro Rocha, Gérson, Careca, Cerezo, Raí, Muller e Rogério Ceni.

Tirei Didi, Falcão e Rivaldo.

E coloco Dario Pereyra, Lugano e estou em dúvida entre Leonardo, Toninho Guerreiro, Oscar e Serginho Chulapa.

Em uma ou outra, Kaká tem lugar, com as ressalvas que fiz sobre os anos 40. Pode estar entre os 20, 30 ou até 10, conforme o gosto de cada um e do que viu de futebol.

Um posto excelente, quando se lembra que estamos falando do São Paulo.

Um grande jogador, que deixará saudades.

 

 

 

 

 

 


Raí é uma escolha ruim. E, se não der certo, será fritado por Leco
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Raí será o responsável pelo futebol do São Paulo. Ele aceitou ou vai aceitar o convite de Leco. Um erro do grande jogador. Primeiramente, por aceitar trabalhar com quem demitiu seu sobrinho, que fazia bom trabalho. Bem, são questões familiares, não me intrometo, mas que é difícil, para mim, entender, é.

Depois, qual é a segurança que se tem ao trabalhar com Leco? Ele é intempestivo, não tem nenhuma preocupação com trabalho a longo prazo. “Repórter, para mim, é igual mulher. Se está dando problema, eu troco”, dizia um querido (apesar de machista) amigo e chefe do início da minha carreira. Nunca me trocou.

Trabalhar com Leco é difícil. Raí será o oitavo responsável pelo futebol em uma gestão que tem apenas dois anos. Dese outubro de 2-15, alguns saíram por motivo próprio e outros por decisão de Leco. E sempre se soube que Leco, por ser homem do futebol, não deixa de dar opinião nas questões do futebol. Não dá liberdade de trabalho. Agora, com Pinotti, ele teve reuniões com o empresário Marcelo Dijan para tratar de negociações com o Cruzeiro, sem consultar o garoto-maravilha.

Raí corre, mesmo tendo sido um grande ídolo, o risco de ser defenestrado sem direito a um cafezinho para início de conversa. Leco demitiu Rogério Ceni em 12 minutos de conversa. Ceni era seu escudo na época. Raí será seu escudo agora.

E por ser o escudo de Leco é que eu considero a escolha ruim. O São Paulo precisa caminhar rumo à profissionalização. Buscar algúém do mercado, alguém que conheça empresários e que possa resolver problemas com rapidez. Não adianta ter um Pinotti, até pelo fato de o clube dever muito dinheiro a ele. Não adianta escolher Raí, que não tem experiência alguma. E que ficou apenas três meses na coordenação da base, nos tempos de Marcelo Portugal Gouvêa.

Raí precisa resolver logo os contratos de Marquinhos Cipriano e Militão, que podem assina pré-contrato ainda no primeiro semestre para deixar o clube no ano que vem. Quem fez contratos tão curtos com jogadores que são grandes promessas? Raí precisa resolver o caso Jucilei, precisa contratar um substituto para Hernanes, que dificilmente ficará.

É muita coisa importante para quem não tem experiência.

Ao chamar Raí, Leco só pensa em si. Tem um grande escudo. Novamente. Se não der certo, ele manda embora e contrata…Diego Lugano. O novo escudo que está na praça.


Dorival isenta Rogério Ceni de culpa no péssimo ano do São Paulo
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Em ENTREVISTA RECENTE ao blog, Dorival Jr. falou sobre o presente e o futuro do São Paulo. E, ao contrário da diretoria, que gosta de se referir ao período Rogério Ceni como “herança maldita”, fez questão de isentar o ex-treinador de toda culpa pelo péssimo rendimento no Brasileiro.

Reservei esta parte da entrevista para hoje. O diálogo, comigo, foi assim:

Quando o Pinotti me chamou, eu disse que ele deveria estar atento porque o início de trabalho seria muito duro no início. Os jogos eram em sequência e não haveria tempo de treinamento. Só após o final do turno é que haveria um período para trabalhar. E havia muitos jogadores chegando, muitas mudanças.

É verdade. Remontar o time durante o campeonato é como trocar o pneu com o carro andando.

Justamente. 

E, no caso do São Paulo, o piloto era inexperiente.

Ah, não. A inexperiência do Ceni não conta, não. Foi duro para ele, foi duro para mim, seria duro até para o Paulo Autuori, que tem mais experiência que os dois juntos.

O diálogo serve como aviso para os dirigentes do São Paulo. Se forem trocar todo o time novamente, os problemas continuarão. Por isso, seria bom resolverem logo as situações de Jucilei e de Hernanes. O que será muito difícil. São jogadores que custam caro.

E, dentro da loucura que é o futebol brasileiro, uma coisa ruim pode ajudar o São Paulo. A base não tem figuras acima da média como David Neres e Luis Araújo, que brilharam pouco tempo e já foram para a Europa. Há jogadores bons, como Militão e outras promessas como Brenner, Lucas Fernandes e Shaylon, mas nada indica que a Europa seja uma opção para eles em 2018.

Ou seja, menos brilho e menor possibilidade de desmanche. Dá para planejar melhor.

 

 


“Rogério Ceni dará lucro ao Fortaleza”, diz o presidente Marcelo Paz
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Muitos torcedores do Fortaleza passeiam pela cidade com uma camisa vermelha, com o símbolo do clube e uma foto de Rogério Ceni, com a frase “Penta de verdade”. É uma alusão a um pentacampeonato do Ceará, que teve validação no tribunal. O presidente Marcelo Paz, do Fortaleza, garante que o clube não tem nada a ver com isso e se recusa a falar sobre o rival. “Vamos falar do Fortaleza que completa seu centenário e que trouxe o primeiro presente para sua torcida”.

É um presente caro, presidente?

“Olha, o pacote que fizemos para trazer o Rogério e seus auxiliares é maior do que a média que se paga aqui no Ceará, mas é bem menos do que ele ganhava no São Paulo. Ele é um treinador que se paga e que ainda dará lucro ao clube por causa de sua imagem

A imagem será utilizada e muito para que o clube consiga ter 20 mil sócios torcedores no início da Série B. Atualmente, tem 12 mil e a meta é chegar aos 15 mil na estreia do campeonato cearense, dia 10 de janeiro, contra o Tiradentes.”

Os 20 mil sócios torcedores são a receita para suprir os R$ 6 milhões de reais que o empresário Luiz Eduardo Girão investiu no clube no segundo semestre do ano. O Fortaleza havia sido eliminado pelo Ferroviário no cearense, e também ficara pelo caminho na Copa do Brasil e na Copa do Nordeste. O clube recorreu a Girão, que investiu muito e indicou o vice presidente e diretor de  futebol Marcelo Paz como porta-voz das coisas do  futebol. Cumprida a missão do acesso, ele voltou aos EUA, onde reside já há três anos.  E Marcelo Paz assumiu.

Rogério Ceni, então, é uma questão de marketing para o clube?

Nada disso. Eu acredito que ele será um grande treinador. Conhece futebol e, além disso, estudou para iniciar a carreira. E tem um comando muito forte, sempre foi um líder e é agregador, caso contrário não seria capitão do São Paulo por tantos anos. Mas não posso negar que sua imagem vai ajudar o clube. Desde que foi confirmada a contratação, nosso nome apareceu em toda a mídia do Brasil e até em um jornal chinês.

Há duas situações básicas em que o nome de Rogério Ceni pode ajudar o Fortaleza, na visão de Paz “Imagine que um jogador tenha oferta nossa e de outro clube do mesmo peso. O cara vai preferir trabalhar no time do Rogério Ceni, que é um ídolo para os jovens jogadores. Todos vibraram com ele, todos acompanharam sua carreira e vão gostar de trabalhar junto, diz o presidente. A segunda situação é o aval do nome de Ceni para que grandes clubes brasileiros emprestem jogadores ao Fortaleza e até paguem parte dos salários.

Ele já indicou jogadores para o Fortaleza?

Indicou sim. Jogadores que foram companheiros de time, jogadores que ele enfrentou, garotos que estão começando. Ele indica e a gente faz o possível para concretizar. Temos o Cifec (Centro de Inteligência do Fortaleza), que é nosso departamento de análise de desempenho que irá ajudar também. Toda a negociação financeira é feita por nós.

Marcelo Paz faz questão de afastar Rogério Ceni das festividades do centenário. Ele rebate na hora a possibilidade de um jogo festivo para a estreia do novo treinador. “Nós faremos um jogo festivo durante o ano com um grande clube do futebol brasileiro por conta do centenário do clube e não por conta do Rogério. Nada disso. O Rogério veio para trabalhar. Nós tivemos, desde o primeiro dia de conversações uma grande afinidade de ideias. Ele estreia no dia 10 contra o Tiradentes, sem festa”.

Com campo lotado, sem dúvida alguma.

PS – O post foi construído com ajuda do repórter Breno Rebouças, de O Povo.

 


Golaço de Neymar contra a homofobia
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Neymar usou as redes sociais para se posicionar sobre a decisão que considera homossexualidade como doença e possibilita tratamentos de reversão. A chamada “cura gay”. Ele postou uma música de Lulu Santos que diz: “consideramos justa toda forma de amor”. Uma grande atitude do jogador, colocando-se ao lado da modernidade e contra o obscurantismo.

O silêncio dos atletas sobre assuntos que não são o seu esporte é gritante, ensurdecedor. Murilo, do vôlei, é crítico à gestão de Ary Graça…e quem mais, mesmo? O basquete brasileiro está acabando e ninguém fala. Guilherme Giovannoni é o representante dos atletas junto ao NBB e vai jogar pelo Vasco, time que atrasou salários na temporada passada. Ele nunca se posicionou junto aos companheiros. O presidente do COB é suspeito de corrupção e… nada.

Joanna Maranhão, salvo engano, é uma voz solitária contra os desmandos de Coaraci.

A Bolsa-Atleta tem problemas, foi diminuída e pode acabar e… nada.

E jogadores de futebol? Nunca falam nada de nada. Posicionaram-se há dois anos juntamente com o Bom Senso, mas graças apenas a líderes como Fernando Prass e Rogério Ceni, que estava em atividade e outros que já haviam se aposentado. O Bom Senso acabou e, mesmo antes disso, Ceni já havia aceitado participar de uma viagem da seleção, como consultor ou algo assim. Juntamente com diretores que ele havia criticado. Tite assinou um manifesto contra Del Nero e, ao aceitar o cargo de treinador, o beijou.

Nesse contexto total de alienação, é importante o que Neymar fez. Principalmente por ser em um caso que é controverso no Brasil. É, mas não deveria ser. Há milhares de pastores “médicos de gays” prontos para faturar e para criticar Neymar.

Homossexualidade não é doença. Homofobia é doença.


Alex, o quarentão, ganha filme
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Foi o gol mais bonito que já vi. O de Alex no São Paulo, após dois chapéus. No dia seguinte, no Jornal da Tarde, minha missão era conversar com narradores de rádio e de televisão para falar sobre a obra-prima. E me chamou a atenção a alegria deles, de Oscar Ulisses a José Silvério. Nada de clubismo, apenas a alegria de terem sido blindados com a oportunidade de presenciarem a história. Como eu me senti ao ver o gol de Romário na eliminatória de 93, contra o Uruguai. Como eu vi Messi na Copa de 2006.

Alex, que completa 40 anos hoje,  sempre foi um jogador espetacular. E sempre carregou a fama de não ser constante e de não brilhar com a seleção. Mesmo tendo sido fundamental em um Pré Olímpico. A sua carreira tem números estupendos o que desmente qualquer possibilidade de fracasso em uma Copa. Mesmo se não jogasse, sua personalidade e inteligência fariam muita diferença. Foram 19 anos de carreira, com 18 títulos, 1035 jogos, 422 gols e 356 assistências. É um número de gols que faria brilhar o currículo de qualquer centroavante. Luís Fabiano tem números parecidos.

Um filme a ser lançado no dia 19, em Curitiba, mostrará como foi a despedida de Alex dos campos. O nome do documentário é  Alex Câmera 10 – Turquia ao Brasil – despedida do Futebol. O documentário mostrará cenas inéditas dos bastidores da despedida, além das cidades onde brilhou. E mostrará a Turquia, onde ele brilhou pelo Fenerbahce. A torcida fez uma estátua em sua homenagem.

Escolhi a foto inicial com a camisa do Coritiba, pelo amor que ele demonstrou ao clube. Tinha oferta do Palmeiras, mas preferiu terminar a carreira onde começou, lutando e conseguindo evitar o rebaixamento do time do coração. A outra foto é a homenagem da torcida do Palmeiras ao seu gol.

Alex também fica marcado, para mim, por sua atuação no Bom Senso, lutando pela melhoria do futebol brasileiro.