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Arquivo : Rogério Ceni

Para ter Ceni, Fortaleza duplica folha salarial
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A parte mais dura da negociação entre Rogério Ceni e o Fortaleza não foi um aumento salarial. Isso foi resolvido sem muitos problemas.

O que atrasou a negociação foi o fato de Rogério querer um time mais forte que o atual. Um time que não sofra com a possibilidade de rebaixamento e que possa chegar à Sul-americana.

O Fortaleza aceitou. Por isso, de acordo com O jornalista Fernando Grazianni, o clube vai dobrar sua folha de pagamento. Passará de R$ 1,2 milhão para R$ 2,5 milhões.

Antes, com o atual elenco, o Fortaleza acha possível ganhar o campeonato cearense e a Copa do Nordeste.

O contrato será de um ano, como queria Ceni. O Fortaleza queria dois.

Assim, Rogério tem as rédeas de uma carreira que está sendo bem planejada. Se cumprir suas metas, estará muito forte no mercado em 2020.


Ney Franco: “Foi muito injusto sair pela porta dos fundos do São Paulo”
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Reprodução: Goiás

Ney Franco passou os últimos dias nos Estados Unidos curtindo com a mulher e os dois filhos, que moram no país, a volta vitoriosa ao futebol brasileiro. Depois de recusar duas propostas para assumir o Goiás, o treinador finalmente aceitou o convite dos dirigentes do Esmeraldino e, seis meses depois, ri à toa com o ótimo trabalho realizado para reconduzir “o maior time do Centro-oeste” à elite nacional. Ney Franco assumiu uma desacreditada equipe na zona de rebaixamento, afundada na crise, e com uma rodada de antecedência festejou o tão sonhado acesso após 3 a 1 no Oeste.

Confira a classificação da Série B. Veja quem subiu e quem ainda briga por uma vaga na Série A em 2019

Enquanto matava saudade da família, atendeu o blog para falar de sua proeza com o time goiano, dos ousados planos da carreira – “quero ganhar uma Libertadores e dirigir times internacionais”, colocou um ponto final definitivo em um atrito antigo com Rogério Ceni, a quem agora é só elogios, descartou o rótulo de “especialista em acesso”, apesar de também já ter conduzido o Coritiba à Primeira Divisão, e revelou que a demissão no São Paulo foi a grande injustiça na vida. “Meus números foram muito bons e eu não devia ter saído pela porta dos fundos”.

Você assumiu o Goiás afundado na crise e lutando contra a queda para a Série C. Não apenas o salvou como ainda o levou de volta à elite. Qual o significado dessa conquista?

Um significado enorme para o lado pessoal. Sensação de dever cumprido. Tenho de curtir o trabalho bom que foi feito. Cheguei com uma proposta de união do grupo, disposto a recuperar alguns atletas pouco utilizados num clube com estrutura de Série A, o maior do Centro-Oeste, mas que vinha de três anos de insucessos, e tudo deu certo, com acesso com uma rodada de antecedência. A satisfação é enorme pelo dever cumprido.

Quando acertou com o clube, sinceramente, imaginava conseguir tamanha proeza?

Imaginava o acesso, sim. Sabia das dificuldades, mas se não acreditasse em algo grande, não tinha motivos para sair de Orlando. Não podia só pensar em salvar o Goiás. Apesar de o time ter somado só dois de 21 pontos possíveis no começo, cheguei confiante, e foi uma prova pessoal gratificante. Foi a terceira vez que o Goiás tentou minha contratação. Em 2010 eu liderava com o Coritiba na Série B e preferi não sair. No fim de 2015 estava mudando para Orlando e o clube, ao lado do Vasco, me procurou. Não acertei. Agora, estava querendo voltar. Fui para o Sport em um momento errado em 2017 e não podia dar outro tiro errado. Percebi que a equipe tinha condições, que era o lugar certo para montar um trabalho diferenciado. Foi uma decisão acertada.

Após a vitória do acesso (3 a 1 no Oeste) você elogiou bastante os jogadores. Mas qual o tamanho da sua contribuição nesse acesso?

Ela é do mesmo plano dos atletas, que são a parte principal do projeto. Se eles não evoluem, a máquina não funciona. Óbvio que tem de ter um treinador e uma comissão e meu papel foi bem feito na parte técnica, tática e, principalmente, na emocional. Fizemos o grupo acreditar que era possível, a prova vem dos números do segundo turno. Temos a melhor campanha, num trabalho fantástico. Trabalhamos bem, assim como o Felipão faz no Palmeiras, o Mano Menezes no Cruzeiro, o Rogério Ceni no Fortaleza. A pressão pelo acesso era grande, se não subisse, a cota de televisão cairia de R$ 34 milhões para apenas R$ 6 milhões. Isso mexe com a cabeça. Existia o medo (no clube) de ter de demitir funcionários por causa da redução do orçamento. Pelas circunstâncias, trabalhamos muito bem, os jogadores corresponderam, não tivemos atos de indisciplina.

Com o dever plenamente cumprido, com uma rodada de antecedência, o que planeja para o futuro?

Primeiramente, fizemos um pacto com o presidente de não conversar sobre renovação antes de uma definição do acesso. Agora vamos escutar o que o presidente tem para falar, qual é o interesse do clube, pois os estaduais começam logo, no dia 20 de janeiro. Minha vontade é a de regressar (dos EUA) para renovar.

Você já havia subido com o Coritiba na Série B. Se considera um especialista em acessos?

Foram dois trabalhos de Série B bem realizados, mas não tem essa de especialista. Estou preparado para dirigir qualquer time de Série A e não quero carregar essa pecha. Me considero recompensado, ajudei dois grandes a subir e os números estão na história, um deles com o título. No Goiás, participei na luta pelo regresso com sucesso, pois na nona rodada o time era o 19° colocado e conseguimos arrancada incrível.

O Goiás tinha um time com muitos jovens. Para o retorno à elite precisará se reforçar muito?

Fomos colocando experiência ao longo da competição, no gol, na defesa com Victor Ramos, Ernandes, David, Alex… Gilberto, Giovanni e (Renato) Cajá no meio. O Lucão, na frente, um cara rodado. Os jogadores mais cascudos nortearam o time.  O Goiás com uma base pronta e boa.

Você fez ótimos trabalhos em diversos clubes, ganhou taças no Flamengo, Botafogo, Coritiba, seleção Sub-20, mas talvez nunca recebeu o devido valor. Se sente injustiçado no futebol?

Acho que tenho apenas uma injustiça: a demissão no São Paulo. Meus números foram muito bons (59% de aproveitamento) e eu não devia ter saído pela porta dos fundos. Peguei o time em 16°, tumultuado, e terminamos em quarto. Após quatro anos, voltamos à Libertadores, ainda conquistamos a Copa Sul-Americana (2012). Infelizmente não fizemos boa campanha na Libertadores. Se não realiza coisa boa, tem a crítica, ainda mais num grande como o São Paulo. Esse desempenho ruim na competição mascarou o trabalho bom. Meu nome é pouco citado na história do clube, você não se sente valorizado. Por causa disso digo que foi uma injustiça.

Foi, então, sua maior frustração, mesmo sendo o último técnico campeão com o São Paulo?

A maior, sim. Porque cria-se uma imagem negativa. No São Paulo você tem muita visibilidade e as impressões jornalísticas ruins ficam no consciente de quem lê. Mas também deram força para uma volta por cima. Depois, fiz excelente trabalho no Vitória, fomos quinto no Brasileirão, maior resultado de um time do Nordeste.

Na época, você se desentendeu com Rogério Ceni, que interferiu no seu trabalho (pediu substituições num jogo da Sul-Americana contra a LDU de Loja). O ex-goleiro que te derrubou?

Claro que não. Foi um problema na Sul-Americana, fomos campeões e aquilo não teve resquício. Depois disputamos outros campeonatos. Tive minha postura, ele entendeu, conversamos internamente. (A atitude do goleiro) Não foi determinante para minha saída.

Sua estreia no Goiás foi justamente diante do Fortaleza de Ceni e ele tomou a iniciativa de abraçá-lo. Aquela briga do passado se resolveu ali, ou ainda tem ressentimentos?

É um problema superado. Antes daquele jogo já havíamos conversado, nos acertado, fizemos curso juntos em Teresópolis. Esse papo tem de ser esquecido. Rogério está fazendo um trabalho de excelência no Fortaleza, foi campeão merecidamente, é mais um grande treinador no nosso futebol. Vamos apagar o passado.

Mas você reclamou abertamente  na época das interferências do Rogério Ceni até na parte diretiva. Hoje, mais maduro, lamenta ter exposto aquele atrito?

Eu tinha de me posicionar, mostrar postura. Mas já está tudo superado. Bola para frente.

Você teve uma passagem relâmpago no Flamengo em 2014 (sete jogos, com três empates e quatro derrotas). O que deu errado naquele trabalho?

Fiz uma primeira passagem muito boa no Flamengo, que trocava de comando de três em três meses e fiquei um ano e três meses. Fomos bem na Copa do Brasil, ganhamos o Carioca. Dessa vez, chegamos no meio da temporada, com resultados ruins, pegamos um time com incertezas políticas, o (Eduardo) Bandeira (de Mello, presidente) não tinha a autonomia que tem hoje, e tinha de acertá-lo na parada da Copa. Cheguei e queriam dispensar alguns jogadores, o Felipe, o Elano e o André, lateral-esquerdo, e eu banquei a permanência deles. No retorno tivemos dois insucessos e não ter ganho deixou a situação insustentável num clube com vários grupos políticos. Fosse só o Bandeira, como é hoje, poderia ter continuado e colocado o time nos trilhos.

Desde então, não assumiu mais um clube grande. Sente saudades de trabalhar nos gigantes do país?

Sinto saudades. Disputei Libertadores  com Flamengo e São Paulo, que ainda teve a Sul-Americana, assim como o Botafogo. Estar nos grandes clubes significa disputar grandes competições internacionais. Foi assim também com a seleção (sub-20). Causam satisfação. Mas em times menores você tem o trabalho sob controle, não precisa da massa para desenvolver futebol. Vale pelo bom ambiente.

A geração de novos treinadores começou o ano em alta, mas 2018 está terminando com redenção dos técnicos mais experientes. Há uma explicação para isso?

Não precisávamos dessa discussão. Não acho muito inteligente descartar nomes como o de Luxemburgo, Felipão, Geninho, Givanildo, que está de volta para tentar salvar o América-MG. No Brasil todos acham que estão velhos. Nos Estados Unidos, o treinador com 60, 65 anos, é mais respeitado devido sua experiência, já no Brasil estão tentando aposentá-los. Há espaço para todos, estando com saúde mental e física. Veja o Uruguai, faz belo trabalho com um treinador experiente (Óscar Tabarez, de 71 anos). Esse questionamento foi uma onda, mas tem espaço para todos, desde iniciantes, o meio termo, como eu, até os experientes como Felipão, Geninho.

Em 2016 você se mudou com toda a família para os Estados Unidos para estudar. Aí montou uma academia de futebol (Ney Franco Soccer Academy). O projeto ainda existe? Está funcionando?

Existe, sim. Por isso estou aqui. Em 2016 vim para cá para focar nos estudos, aprimorar o inglês. Mas cheguei e vi perspectivas de negócios movidos pelo meu currículo, a família se adaptou rápido e ainda adquiri o Green Card por habilidade extraordinária. Pude ajudar no desenvolvimento do Soccer nos Estados Unidos, paralelamente aos estudos. É um projeto de intercâmbio que levará jovens à faculdade. Começamos com 12 alunos e agora temos 70. Ainda fizemos parceria com a Flórida Cup, ano que vem teremos o Flamengo e o São Paulo por aqui e realizaremos jogos de veteranos, com times acima de 38 anos e acima dos 50.

Está distante da família ou eles voltaram também quando se acertou com o Goiás?

Eles (mulher e o casal de filhos) ficaram aqui. Acertei com o Goiás no meio da temporada (em maio) e optamos por manter as crianças na escola até fechar o ano. Em 2019 vamos ver o que acontece. Se eu permanecer no Goiás, a tendência é que voltem.

Como faz para matar a saudade?

Venho nas folgas. Como voltei ao Brasil em maio e as férias escolares são entre junho, julho, até 18 de agosto, eles voltaram também para resolver esse probleminha. Em toda brecha estão retornando. E fui para lá três vezes.

Aos 52 anos, com títulos e trabalhos expressivos no currículo, você ainda tem um grande sonho no futebol?

Tenho sonhos enormes. Na seleção de base já conquistei Sul-Americano, Mundial, competições internacionais, revelei nomes como Neymar, Philippe Coutinho, Casemiro, Danilo, Dudu… Sonho em conquistar a Libertadores, se esse título viesse seria uma credencial para voltar à seleção. Particularmente, gostaria de dirigir equipes internacionais. Tive convite do Atlético Nacional, hoje uma das grandes forças da América do Sul, mas tinha de deixar o Goiás no meio do trabalho e não quis. Mas fiquei impressionado como conheciam (os dirigentes do clube colombiano) meu currículo. Mais do que muitos clubes brasileiros. Sabiam tudo o que fiz no Atlético-MG, no Cruzeiro, na seleção, a conquista com o Ipatinga… Isso me enche de orgulho.


Vanderlei e a maldição do gol tricolor
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O São Paulo negocia para ter Vanderlei em 2019. O Santos pede 30 milhões por um goleiro de 34 anos. Se aceitar, o São Paulo estará cometendo mais um erro na sua luta contra a maldição do gol. Maldição que pode receber o nome de incompetência.

Antes, uma digressão pela Bíblia.

O Faraó sonhou com sete vacas gordas. E depois com sete vacas magras, que devoravam as primeiras. Pediu a José que interpretasse seu sonho.

Ele disse que as sete vacas gordas significavam sete anos de fartura para o Egito. Anos que seriam substituídos por outros sete, de muita penúria. Sugeriu ao Faraó que nomeasse um grande administrador e que o obrigasse a poupar trigo durante os sete anos de fartura, para enfrentar os anos ruins.

Se houver um paralelo, o São Paulo terá 30 anos de goleiros ruins. Como em 1984, quando Barbirotto, Tonho e Abelha se revezavam na tarefa de assustar os torcedores.

Então, houve três acertos incríveis.

Em 1985, o clube contratou Gilmar. Um ótimo goleiro, discreto e com muita personalidade. Esteve na Copa de 94.

Em 1990, contratou Zetti. Foi bicampeão mundial pelo clube. E esteve na Copa 94.

Em 1997, abriu mão de Zetti e Rogério Ceni ganhou a posição. Fez história.

Três decisões acertadíssimas que garantiram 30 anos de tranquilidade.

E depois? O caos.

Apostaram em Denis, alguém com toda pinta de coadjuvante.

Apostaram em Renan Ribeiro.

Não deu certo. Era hora de um grande goleiro. Trouxeram Sidão de graça e com fama de jogar bem com os pés.

O barato saiu caro.

E o que foi feito?

Renovaram o contrato por mais um ano e trouxeram Jean, por 6 milhões.

Não é um goleiro que dê tranquilidade total. Não é. Imaturo e com comportamento discutível.

E, durante todo esse período, Lucas Perri, 21 anos, nunca teve uma chance.

E agora? Passa a régua e trás um goleiro indiscutível. Não é, ninguém é, mas é melhor que os outros.

Vanderlei seria ótima contratação em 2016 ou 2017. E agora? Uma boa solução a curto prazo, mas quem garante que estará bem em três anos?

Faltou uma previsão correta, como a que José fez ao Faraó. Não agiram na hora certa e agora, é mais dinheiro para corrigir ações erradas.

 


Ceni já recebeu proposta para renovar com Fortaleza
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Há duas semanas, o presidente Marcelo Paz, do Fortaleza, procurou Rogério Ceni para tratar da renovação do contrato do treinador.

Disse que sabe da valorização natural, devido ao trabalho realizado, mas que fará tudo para continuar com ele

Ceni respondeu que estava muito feliz no clube, mas que o foco é a conquista do acesso, praticamente garantido, e também do título. Quem lidera, tem obrigação de vencer, disse Ceni.

Em 2017, o Londrina ficou em quinto lugar, com 62 pontos. Então, o Fortaleza trabalha com a projeção de 63 pontos como garantia de acesso.

O time já tem 56 pontos e nas próximas rodadas, visitará o Oeste (dia 13) e receberá Paysandu (dia 20) e Ponte Preta (dia 23). Os tais 63 pontos podem chegar por aí. E o Fortaleza completa 100 anos no dia 18.

A ideia é uma grande festa da torcida, que seria ainda maior com a renovação de Rogério Ceni.

O Fortaleza tem 11 pontos a mais que o Guarani, quinto colocado, e seis a mais que o Goiás, segundo colocado. Faltam oito rodadas, o que aponta para a certeza do acesso e boas possibilidades de título. Seria o primeiro do estado. O Ceará, grande rival, não tem.

Resultados tão bons influenciaram, de maneira indireta, até na eleição para senador do Ceará.

Os favoritos eram Cid Gomes, atrelado à campanha do irmão, Ciro Gomes e Eunício Oliveira, presidente do Senado e candidato preferencial do governador Camilo, reeleito com 75% dos votos.

Cid ficou em primeiro, com 3,23 milhões. Eunício teve 1,313 milhão de votos e perdeu para Eduardo Girão, que teve 1,325 milhão. Oito mil votos de diferença.

Eduardo Girão é um empresário que foi chamado para dirigir o Fortaleza no ano passado. O clube estava em má situação financeira e se recuperou. Conseguiu o acesso da C para a B, perdendo a final para o CSA, de Alagoas.

Em sua campanha, ele citou o Fortaleza de passagem. Não foi algo de destaque, mas quando se pensa que a diferença foi de oito mil votos e que o Fortaleza está levando 40 mil torcedores aos seus jogos, é fácil ver que a vaga na no Senado tem a ver com a vaga na Série A.

Qual o final da história?

Fortaleza campeão e Ceni endurecendo a renovação.

Quem foi campeão, não gosta de passar sufoco para não cair.

Ele preferirá um time que lute pela Libertadores, no mínimo.


Fortaleza, de Ceni, reage e lidera com folga
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O Fortaleza venceu o Coritiba, em casa, por 2 x 1. Na rodada anterior, havia derrotado o Juventude em Caxias. Assim, chegou aos 37 pontos e lidera a Série B, com 37 pontos. Tem três a mais que o vice-líder CSA e oito a mais que o Guarani, quinto colocado. O que significa que, mesmo que perca os três próximos jogos, continuará entre os quatro que chegarão à Série A. Se o Guarani vencer os três jogos e o Fortaleza perder os três, mesmo assim, o time de Ceni estará entre os quatro primeiros porque um dos rivais do Guarani é o Atlético Goianiense, rival direto na luta pelo acesso.

As duas vitórias vieram no pior momento do Fortaleza no campeonato. Após uma metade do turno arrasadora, com sete vitórias e dois empates, o Fortaleza caiu bastante e teve quatro vitórias, dois empates e quatro derrotas. O rendimento caiu de 85,1% para 46.6%. No total, foram 64,9%.

A queda do Fortaleza e o início do que parece uma reação têm explicações plausíveis. No início do Brasileiro, o ataque do time era formado por Osvaldo, Gustavo e Edinho. Osvaldo foi para a Tailândia e Ceni escalou Marlon, com características de armador e não de ponta. Gustagol se contundiu e Edinho foi para o Galo. Com os desfalques, vieram as derrotas.

As vitórias voltaram, coincidência ou não, com a estreia de Ederson, artilheiro do Brasileirão de 2013, com 18 gols, e artilheiro do Paranaense de 2018, com nove gols. Houve também as contratações de Marcinho, Minho e Douglas Coutinho. Marcinho é o melhor até agora e fez um golaço no Coritiba.

Mais além dos números, impressiona a postura de Ceni em campo. Após os jogos, ele entra no gramado e cumprimenta todos os jogadores de seu time. E os rivais que estejam por perto. Após a vitória contra o Coritiba, enquanto os jogadores acenavam para a torcida, o goleiro Marcelo Boeck deixava o campo. Ceni o agarrou, abraçou e empurrou para junto dos companheiros.

São aspectos de um início de carreira longe do clube que defendeu por 25 anos. Se não deu certo na primeira vez, está aprendendo muito e poderá voltar. Depois de 2021, quando termina o mandato de Leco.


Rogério Ceni, vítima de arrogância
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Rogério Ceni não é um cara simpaticão. Aquele que ri de tudo, que conta piada, que se autoironiza. Ceni, na verdade, é um empata resenha. É aquele tipo de aluno que nós, pobres mortais, gostávamos de odiar: inteligente, talentoso e estudioso. Muitas vezes é arrogante, o Ceni e não o aluno fictício.

E justamente por ser arrogante, chama a atenção a sua expulsão no jogo Fortaleza x Vila Nova, em Goiás, dia 5 de junho. O jogo foi 0 x 0 e o treinador do Fortaleza levou o vermelho aos 24 minutos do primeiro tempo, ao protestar por um pênalti marcado pelo árbitro Vinícius Furlan, cometido pelo zagueiro Liggier em Felipe Silva.

Na súmula, Vinícius Furlan justificou a expulsão da seguinte forma: “Aos 25  minutos do segundo tempo, expulsei o técnico da equipe fortaleza sr rogério ceni, por protestar acintosamente contra as decisões da arbitragem, com gestos e as seguintes palavras:”

PAUSA. QUE PALAVRAS TERRÍVES TERIAM SIDO DITAS PELO TREINADOR? TERIA OFENDIDO A HONRA DO ÁRBITRO? OFENDIDO A MÃE DE SUA SENHORIA? TERIA DITO QUE ELE É LADRÃO?

Não.

As palavras são “não foi pênalti, não foi pênalti”.

Sim. Um treinador trabalha durante a semana para que seu time renda bem e é expulso porque disse, aos gritos, “não foi pênalti”;

É impressionante a arrogância da arbitragem. A truculência. É o tipo “você sabe com quem está falando”? ou “circulando, circulando”.

A maneira como se dirigem aos jogadores, o jeito como tratam treinadores, nada pode ser coincidência. Os árbitros entram em campo para impor a ordem como se fossem membros da Polícia Militar, como o Coronel Marinho, que nunca apitou um jogo na vida. Nem do Batalhão A contra o Batalhão B.

Juiz não é para aparecer. É para entrar em campo e levar o jogo até o final, fazendo o possível para não expulsar ninguém. Expulsão deveria ser em último caso, em falta violenta. Ele poderia dizer a Ceni: “fala baixo comigo, me trate com respeito, baixa sua bolinha…”, qualquer coisa assim, não uma expulsão.

Após o jogo, Ceni foi irônico e disse: “parece que ele estava com o braço engessado”. Olha, nem se ele tivesse dito isso ao árbitro, seria motivo para expulsão.

A arbitragem brasileira é muito mais prepotente e arrogante do que Rogério Ceni chegou a ser um dia.


Rogério Ceni, uma unanimidade que dá lucro ao Fortaleza
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No sábado, dia 2 de junho, a Arena Castelão estará lotada. A diretoria do Fortaleza projeta público entre 45 e 50 mil pagantes. Uma renda bruta em torno de R$ 700 mil. E líquida? São muitos descontos”, lamenta o presidente Marcelo Paz. “Tem impostos, aluguel do estádio, despesas com o jogo, porcentagem da Federação e ainda temos 15% confiscados por dívidas trabalhistas. No cofre, deve entrar R$ 350 mil.”

Nem sob tortura chinesa o presidente confirma, mas é o valor necessário para pagar um mês de salário ao treinador Rogério Ceni e à sua comissão, que tem Charles Hembert, o francês que estava com ele no São Paulo, Nelson Simões, auxiliar e Haroldo Lamounier, preparador de goleiros, que o treinou, São Paulo.

E fecha-se a equação. O Fortaleza, se vencer o Sampaio Corrêa, chegará a um aproveitamento de 91,7%, com 22 pontos em 24 possíveis. Até agora, tem seis vitórias e um empate, 16 gols a favor e quatro contra, com 90,5% de aproveitamento. O treinador trabalha bem, o time faz campanha histórica, o estádio lota e um jogo paga o salário do comandante.

Ele tem outros vencimentos. Ceni não usa o uniforme do clube, prefere traje social. Apenas enquanto não consegue um patrocinado próprio. Nos uniformes de treino, usa a logomarca da empresa Servis, do ramo de segurança. Refrigerantes Frevo não renovaram o contrato. Afinal, com tantos treinos fechados, a exposição não era muita. “O Fortaleza fica com uma parte dos patrocínios pessoais dele”, diz Paz.

O presidente Paz acredita que a ida de Ceni ao Fortaleza levou o clube a um patamar diferente, saindo um pouco da exposição regional. “Somos um clube histórico, comemorando o centenário e estamos mostrando nossa marca por grande parte do Brasil. E o Ceni ajuda muito. Ele é um profissional sério, competente e que dá lucro ao clube.

A questão do sócio-torcedor, por exemplo. Quando, no final do ano, com o acesso após muitas tentativas frustradas, chegou-se a 7500 sócios. “Fizemos uma campanha para aumentar, o Ceni ajudou muito e já estamos com 19 mil. Ajuda muito”.

E o que faz Rogério Ceni, que, convenhamos, nunca foi um candidato competitivo ao título de Mr. Simpatia no Ceará? Arrogância pura? “Rapaz, isso é um engano muito grande. Rogério se integrou muito aqui e ele sabe da importância de sua história. Imagina um jogador do interior do Ceará que via o homem na televisão e agora vê ali na frente. E o Rogério vai, cumprimenta, abraça. É uma emoção grande para a moça da”.

O jornalista Breno Rebouças confirma. “ Houve um lance contra o CRB em que os jogadores reclamavam muito. O Ceni foi falar com eles. Eles pararam para ouvir. Discordaram, mas pararam para escutar. O pessoal da bola tem um respeito muito grande com ele”.

Mas a tal unanimidade, algo tão fugaz no futebol brasileiro, não existia no Cearense. O Fortaleza ficou em segundo, mas não conseguiu vencer o campeão Ceará. Três derrotas e um empate. O grito de burro, por que não?, chegou a ser ouvido. As maiores críticas eram por conta das constantes substituições e da mudança de esquema, ora com linha de três, ora com quatro.

Tudo mudou com a subida de rendimento de Derley, homem de confiança do treinador e com a chegada de Jean Patrick, do Novorizontino, e Dodô, do Botafogo de Ribeirão Preto, todos para o meio-campo.  “Foram ótimas contratações, vieram para arrumar o time. Rogério não precisou mudar mais nada”.

O Fortaleza jogava com Edinho aberto na direita e Osvaldo na esquerda e Gustagol, que está fazendo muitos gols, no meio do ataque. Osvaldo saiu e Marlon, que é um jogador técnico e de pouca velocidade, chegou. O time mudou um pouco, mas agora foram contratados os pontas Marcinho e Minho. “O Marcinho tinha uma concorrência muito grande e o Ceni telefonou para ele. Foi importante. Além disso, todo jogador sabe que aqui o salário não atrasa. Nem salário e nem direito de imagem”, fala o presidente.

O torcedor do Fortaleza anda feliz demais da conta. O do Ceará, cabisbaixo. Nada que alegre Marcelo Paz. “Brincadeira é saudável, mas isso é para torcedor. Eu não me envolvo. Queria ver o clássico cearense na Série A, lotando o Castelão”.


Fortaleza e Rogério Ceni brilham na Série B
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Rogério Ceni está fazendo um trabalho muito bom na Série B do Brasileiro, após receber muitas críticas durante o campeonato cearense, quando o time ficou em segundo lugar e sofreu três derrotas para o Ceará, vencendo apenas um clássico. Se algum torcedor pediu a demissão do treinador, está bem arrependido. Ou deveria estar.

Com a vitória por 3 x 1 sobre o Figueirense, em Florianópolis, o Fortaleza chegou a 16 pontos em seis rodadas, com cinco vitórias e um empate, praticamente 90% de aproveitamento. São 14 gols marcados e quatro sofridos. O time pode ser alcançado pelo Vila Nova, em caso de vitória sobre o Oeste, fora de casa.

Os dois próximos jogos do Fortaleza serão em casa, contra Criciúma e Sampaio Correa, que estão na zona de rebaixamento.

O Fortaleza joga sempre em um 4-3-3, com Edinho e Osvaldo abertos e Gustagol no meio da área. Agora, com a saída de Osvaldo, que foi para a Tailândia, o time pode mudar um pouco de postura. O lugar foi ocupado por Marlon, que não tem tanta velocidade para ir ao fundo e que joga mais pela meia. Por ele, que estava no Sampaio, o Fortaleza pagou a multa rescisória, em torno de R$ 200 mil.

Contra o Goiás, na quinta rodada, o Fortaleza cruzou 32 vezes e os dois primeiros gols saíram de cabeça. Contra o Figueirense, com mais bola trabalhada, o time conseguiu 20 finalizações. A bem da verdade, Ceni recebeu uma ajudazinha de Denis, seu eterno reserva, que falhou em dois gols.

As discussões nos bares de Fortaleza devem estar animada. O pessoal do Ceará chamando o Fortaleza de time de segunda divisão e os do Fortaleza dizendo que no ano que vem estarão em posição contrária, porque o Ceará está mal na Série A. Bom mesmo, para o estado, seria se os dois se encontrassem na elite do futebol brasileiro.


Renato precisa aprender com Fortaleza, Avaí e Porto. Não é só futebol
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No mesmo sábado em que Renato Gaúcho, irritado com um empate no Gre-Nal, resolveu humilhar o Inter, houve demonstrações de afeto e respeito em jogos do Fortaleza, Avaí e Porto. Voltando a Renato, ele disse que o Inter joga como time pequeno, como time de segunda divisão e que, por isso, apesar do massacre gremista, não houve gols. Ora, muito parecido com o Grêmio de Renato contra o Real Madrid de Cristiano Ronaldo, não é? Cada um joga de acordo com suas possibilidades e objetivos e, pensando assim, o Inter de Odair Hellmann foi mais efetivo que o Grêmio de Renato Gaúcho.

Mas, vamos falar de coisas boas. Emotivas.

O Fortaleza vencia o Goiás por 2 x 0. Dois gols de cabeça, mostrando a força da bola aérea do time dirigido por Ceni. Aos 29 minutos, Osvaldo 31 anos, foi substituído pelo estreante Marlon. Saiu muito aplaudido, sentou-se no banco de reservas e caiu no choro. Dez anos depois, ele se despedia novamente do time que o revelou. No final do ano, tinha acertado um pré-contrato com um time da Tailândia. Antes disso, fez 12 jogos e dois gols pelo Fortaleza. E, ao ser aplaudido por 32 mil pessoas, desabou emocionalmente. Com certeza, quer ficar, mas o Fortaleza não tem como pagar 1 milhão de dólares pela multa.

Final de jogo, vitória por 3 x 0, Osvaldo voltou a campo. Foi jogado ao ar pelos companheiros e, de “cavalinho” e Gustavo, o Gustagol, deu uma meia volta olímpica, aplaudindo a torcida e sendo aplaudido por ela. Depois, mais choro. Em um futebol cada vez mais frio e profissional, é bonito ver a emoção em uma despedida simples e espontânea.

Bem mais ao Sul, horas antes, Marquinhos, aos 36 anos, entrou em campo na vitória por 1 x 0 do Avaí sobre o Figueirense. Foi uma homenagem do treinador Geninho ao maior ídolo da história do clube, com 93 gols marcados. Marquinhos vai encerrar a carreira ao final do ano e no seu currículo consta mais uma vitória sobre o grande rival. Na casa dele. Não interessa se foram apenas três minutos, o fato de estar em campo, foi uma alegria, para os avaianos, tão grande quanto a própria vitória.

E, em Portugal, a emoção foi em dose dupla. No campeonato português, um jogador só pode ser considerado campeão se participou de alguma partida. Não adianta ter ficado todos os jogos no banco, ter participado de todos os treinamentos, nada disso. Nada disso. Não jogou, não ganha medalha. E nem pode escrever no currículo.

Bem, com o título garantido, o treinado Sérgio Conceição deixou Iker Casillas de fora do último jogo, contra o Vitória de Guimarães. Jogou o brasileiro Vaná, por 80 minutos. E foi substituído por Fabiano, que passou os últimos quatro meses recuperando-se de uma contusão. Assim, Vaná, revelado pelo Coritiba, e Fabiano “Modragón”, um dos muitos goleiros que não conseguiu romper a “barreira” Rogério Ceni no São Paulo, podem dizer, com orgulho justificado que são campeões portugueses.

Não é só futebol, Renato.


Denis campeão e Ceni questionado
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Menon

Denis fez 173 jogos com a camisa do São Paulo, entre 2009 e 2017. Poderia ser muito mais, não fosse o peso de conviver e depois substituir um mito como Rogério Ceni e sua relutância em se aposentar. Quando chegou a hora de assumir o gol, houve falhas contínuas e cada erro era comparado com um acerto de Ceni. A grandeza de um impediu a ascensão do outro.

E no final de semana, as coisas mudaram. Denis foi o grande destaque da última partida do campeonato catarinense. A Chapecoense fez melhor campanha e teve a mínima vantagem de decidir em casa. Contra o Figueirense, de Denis. E o Figueira, dirigido por Milton Cruz, venceu por 2 x 0. Os jornalistas catarinenses falam de no mínimo duas defesas salvadoras do goleiro.

Ao mesmo temo, em Fortaleza, Rogério Ceni,  agora treinador, viu seu time, o Fortaleza, perder por 2 x 1 para o Ceará. Um placar igual ao da primeira partida. Foi vice-campeão (no ano passado, o time foi terceiro) mas não está agradando. Os torcedores reclamam que ele muda muito o time, mas há uma mágoa muito maior. Durante todo o campeonato, Ceni quis jogar a responsabilidade do título para o rival. Disse que era ajudado pela arbitragem, que era um time de série A enquanto o Fortaleza subiu agora para a B e…aí está o problema, exagerou, segundo os torcedores, quando disse que o Ceará era um time quase perfeito. A gozação nas ruas foi terrível. Se até o seu treinador diz que meu time é perfeito…

Conversei com Denis, por telefone, e ele fez questão de passar a impressão que sua conquista não tem nada de excepcional, nada de um novo começo, nada disso. “Tudo é fruto do trabalho. Já estou pensando no jogo de sexta-feira contra o Juventude, pela Série B, não tenho mágoa nenhuma do São Paulo, aprendi muito lá, como aprendi na Ponte e estou utilizando aqui. Sou muito respeitado aqui, como também fui respeitado lá, não esqueça que fui titular em 2016 e que a torcida gostava de mim”.

Pode ser, mas que é diferente é. Denis campeão e Ceni questionado.