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Arquivo : Rogério Ceni

São Paulo precisa de um grande goleiro
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Dorival resolveu trocar Renan Ribeiro por Sidão. Olha, com muito boa vontade, podemos dizer que é uma troca seis e meio por meia dúzia. Eu nem acho que Renan seja o maior culpado pelos números ruins que a defesa mostra desde que o atual treinador assumiu. São 14 gols em oito jogos, uma enormidade, mas qual foi a grande falha? O segundo gol contra o Botafogo? Mas, nada contra a troca. Algo precisa ser feito.

O São Paulo teve três goleiros em 30 anos: Gilmar, Zetti e Rogério. Os três foram campeões mundiais, nenhum como titular. Eram grandes goleiros, também falhavam, mas havia personalidade, força e confiança dos outros jogadores e da torcida. Totalmente diferente do que se vê com Denis, Renan e Sidão.

O que me assusta em Denis e Renan é a falta de ambição. Aceitaram ser coadjuvantes, à espera da renúncia de Ceni. Denis chegou em 2009 e sabia que só jogaria quando Ceni se aposentasse. E sabia que Ceni só se aposentaria quando quisesse. É uma postura ruim para quem tinha 22 anos. Deveria ter pedido para sair quando Rogério aceitou ficar um ano a mais e depois, outros ano a mais.

Renan Ribeiro chegou em 2013 para ser o reserva de Denis, para ser o reserva do reserva de Ceni. Talvez pensasse em ganhar a posição de herdeiro nos treinos e depois, é só esperar a aposentadoria do titular. Só conseguiu o que queria em 2017, o que acaba de perder.

A postura dos dois é muito passiva. Esperar alguém sair para assumir. Parece Monarquia. Foi uma postura totalmente diferente do que fez Ceni quando era reserva de Zetti. Ele mostrou que queria jogar, não apenas nos treinos, mas também falando. Deixou claro que, se não fosse sua vez, sairia. E Zetti saiu não porque quis, mas porque havia um jovem de muita qualidade, com 23 anos, louco para jogar.

E tem Sidão. Veio na melhor situação possível. Ceni havia parado. Denis havia fracassado. Ceni era o treinador e pediu por ele, após 35 partidas no Botafogo, time que defendeu após um semestre no Audax. Um ano jogando como titular em boas equipes e chega para ser titular do São Paulo. Não conseguiu. Não passou confiança e agora volta a ter uma chance.

São Paulo tem três e não tem nenhum. Denis termina o contrato em dezembro e vai sair. Renan termina o contrato em maio e o São Paulo não deveria ficar com ele. Não acrescenta nada. O correto é ficar com Sidão, Lucas Perri e um grande goleiro. Buscar alguém que dê tranquilidade e confiança ao time.


Zé Ricardo, o quinto magnífico demitido. Renovação falhou
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No início do ano, havia muito expectativa com o trabalho de sete jovens treinadores em sete grandes equipes brasileiras. Poderia ser o início da renovação do nosso futebol, preso a velhos professores com suas pranchetas, projetos e falta de atualização com o futebol moderno.

Além de expectativa, havia boa vontade com eles. Pouca coisa se confirmou. Zé Ricardo, do Flamengo, após uma derrota em casa para o Vitória, por 2 a 0, foi o quinto a perder o emprego.

Relembremos os cinco demitidos.

ZÉ RICARDO – Havia assumido o Flamengo após um mau trabalho de Murici e levado o time a um bom desempenho. Agora, com elenco reforçado, seria a hora de se firmar como um grande novo nome.

ROGER – Trabalhou bem no Grêmio e sua saída causou grande comoção, principalmente pela chegada de Renato Gaúcho, que se orgulhava de preferir futvôlei ao estudo de táticas. No Atlético-MG, Roger deslancharia. Ganhou o Mineiro e foi mal no Brasileiro.

ANTONIO CARLOS ZAGO – Tinha um bom tempo de estrada, inclusive com passagem no Palmeiras, mas agora era uma esperança repaginada, após cursos na Uefa e boa passagem no Juventude. Seria o homem para recuperar o Inter, agora na Segundona. Perdeu o Gaúcho para o Novo Hamburgo e começou mal a Série B.

EDUARDO BAPTISTA – Depois de boas passagens pelo Sport e pela Ponte, apareceu como o nome ideal para substituir Cuca no Palmeiras, que sonha com o Mundial. Pouca gente se lembrou de seu fracasso no Fluminense. Caiu após uma derrota para o Jorge Wilstermann, muito pouco para quem sonha em vencer o Real Madrid.

ROGÉRIO CENI – Sem nenhuma experiência anterior, chegou ao São Paulo respaldado por seu passado único no clube, por alguns cursos feitos na Europa e por trazer consigo auxiliares estrangeiros. Foi mal no Paulista e somou 11 pontos em 11 jogos no Brasileiro.

Dos sete magníficos, restaram FÁBIO CARILLE, que venceu o Paulista e conduz o Corinthians a um campeonato brasileiro histórico. E JAIR VENTURA, que tem levado o Botafogo a romper limites técnicos.

Os cinco magníficos floparam e alguns veteranos retomaram o sucesso, como Renato Gaúcho, Levir Culpi e ele, o ressurgido Vanderlei Luxemburgo, de ótimo trabalho no Sport.

Lamento o insucesso da renovação, mas não fico triste com a ascensão dos veteranos. Ótimo saber que não há apenas uma maneira de ver futebol e que é possível fazer um trabalho consistente e criativo sem falar em amplitude, basculação, recomposição, transição e terço final.


7 motivos para o São Paulo não cair
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during the Serie A match between Juventus FC and Torino FC at Juventus Arena on October 31, 2015 in Turin, Italy.

Uma queda de time grande não é uma queda anunciada. Ela vai se construindo a cada dia. E começa antes do início do campeonato. Começa anos antes. Começa fora de campo, com falta de gestão, falta de transparência e de democracia. O São Paulo, o ameaçado da vez, mudou estatuto, prorrogou mandato, teve presidente ladrão e jogou a sujeira para debaixo do tapete.

Seguiu a cartilha da queda direitinho, mas algumas atitudes da diretoria e algumas características do elenco deixam aberta a possibilidade de reação. São a vacina contra o mal.

  1. O fator HPPrL – Hernane Petros e Pratto são profissionais comprometidos, de muita personalidade e com liderança. São atletas que cuidam do físico e respeitam a profissão. São comandantes que podem levar o restante da tripulação a remar para o mesmo lado e evitar a queda. Hernanes e Pratto, além disso, possuem bom nível técnico, mais do que Petros, que considero inferior a Thiago Mendes. Lugano é o quarto elemento da turma, apesar de não entrar em campo
  2. Cueva – O peruano deu sinais de reação  na derrota contra a Chapecoense e os confirmou contra o Vasco. Ele foi o melhor jogador do ano passado e sua queda de rendimento foi terrível para o time. No gol contra o Vasco, deu um passe espetacular para Pratto. E, na comemoração, ficou demonstrado a diferença entre os dois. O argentino vibrou muito e o levantou para que todos vissem. Estava jogando pelo grupo, estava dando moral a Cueva, que, praticamente não reagiu. Mostrou apenas timidez. De Cueva, pode-se esperar apenas bom futebol. De Pratto, bom futebol e comprometimento.
  3. Poucos gols sofridos – O São Paulo está em 18º lugar, antes de completar a 16ª rodada. Se vencer, ficará em 16º. E é a sétima melhor defesa, ao lado de Palmeiras (quinto lugar) e Avaí (17º). Tem saldo negativo de três gols, muito melhor que os seus concorrentes como Atlético-GO (16), Vitória (13), Avaí (8), Furacão (8), Coritiba (5), e Chape (6). É um time que não foi goleada nenhuma vez, embora tenha levado três gols de Corinthians e de Santos.
  4. Boa atuação na janela – O que ajuda um time grande a não cair é ter dinheiro (ou crédito) para se reforçar. O São Paulo, que perdeu muitos jogadores importantes, conseguiu reforços de bom nível. Arboleda e Petros estão jogando bem. Gómez, não, mas tem comprometimento. Hernanes e Marcos Guilherme são esperanças baseadas em bom futebol. Ainda há boas opções no elenco como Jucilei, o mais regular do time, Renan Ribeiro e reservas como Marcinho, Lucas Fernandes e Gilberto. Tem ovos para fazer uma omelete salvadora.
  5. Morumbi – O São Paulo realizou sete jogos em casa. Ganhou quatro – Palmeiras, Vasco, Vitória e Avaí – empatou com Fluminense e Dragão e perdeu para o Galo. Disputou 21 pontos e ganhou 14. É um aproveitamento de 66,6%, quatro pontos a cada dois jogos. Se mantiver essa média até o final do campeonato, terá conseguido 38 pontos. Faltará pouco para os 46 salvadores.
  6. Torcida – A torcida do São Paulo tem comparecido e ajudado o time. Um papel muito bonito por perceber que a razão de sua paixão está sofrendo. O time está na rabeira e tem a quarta melhor média de público como mandante. Na quinta-feira ,de frio, às 19h30, havia 23 mil contra o Vasco. Contra o Grêmio, já foram vendidos 25 mil ingressos.
  7. Dorival Jr. – Considero Rogério Ceni uma vítima e não o culpado pela situação. Mas há um novo treinador e ele acertou em algumas coisas. Optou por um jogo de posse de bola e pela manutenção de um time-base. A posse de bola faz com que o time tenha domínio tático do jogo e evite loucuras que eram comuns antes, com um time muito desequilibrado, algo que Ceni já tratava, sem muito sucesso, de corrigir. E a manutenção de uma base faz com que o time evolua. Além disso, Dorival detectou que Júnior Tavares estava muito mal na marcação e o trocou por Edimar. Dará certo?  Dorival conseguirá recuperar Wellington Nem? E o ataque, conseguirá ser mais efetivo? Até agora, foram apenas 15 gols. São desafios prontos para Dorival e suas primeiras atitudes dão esperança de solução.

Bela carta de Rogério Ceni, arrogante, corajoso e vencedor. E os outros?
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Rogério Ceni é arrogante. E daí? O que essa característica de sua personalidade, principalmente quando está acuado – basta lembrar a desastrosa entrevista após a eliminação para o Defensa y Justicia – tem a ver com sua história no futebol? Ceni é arrogante, Marcos é alegre, Suárez é racista, Pelé não reconheceu a filha, Maradona não reconheceu o filho, Roberto Carlos, o cantor, é censor, e cada um que liste o defeito de algum outro ser humano.

Pior do que carimbar na testa de Ceni a arrogância, é tentar explicar, através dela, a má experiencia que teve como treinador de futebol. A primeira. A arrogância seria a responsável por ele ter aceitado dirigir um grande clube sem ter experiência alguma.

Ora, coragem e autoconfiança mudou de nome? A comparação é com Zico, que, de tão humilde, nunca aceitou ser técnico do Flamengo. Perderam Zico, o Flamengo e o futebol. Beckenbauer, que dirigiu o Bayern, é arrogante? Ou corajoso? São epítetos subjetivos que não medem nada; apenas os nossos preconceitos.

Em uma carta publicada em seu facebook, Ceni fala como era arriscado assumir o comando do São Paulo. Disse que se sentia preparado e que “o risco e a incerteza fazem parte de minha vida e do mundo do futebol”. Ele usou uma frase de Pierre Corneille, dramaturgo francês do século 17, para definir sua ideia de vida: “quem vence sem riscos, triunfa sem glórias”.

Ceni é arrogante? Sim. E também é forte mentalmente, é inteligente, arrojado, vencedor e entende de futebol. Foi muito mal, mas pode voltar e ter sucesso.

E aqueles que o demitiram e se consideram sem culpa alguma no atual momento do clube?

A comparação só eleva Ceni, pois arrogantes, no caso, todos são. Para os outros, falta a noção da grandeza do São Paulo. Um clube que não nasceu para ter os pés no chão, cravados na mediocridade.

 

 

 


Cartilha para Dorival Jr. se dar bem no São Paulo
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Caro Dorival;

Você está assumindo um dos gigantes do futebol brasileiro. Humildemente, passo umas dicas para que sua passagem seja boa e tenha sucesso.

1 – É importante não ter ilusões. O clube continua gigante, mas não é mais como antes, quando chegou a se tornar referência de profissionalismo. Por isso, não espere muita ajuda. Faça por você mesmo.

2 – Saiba que, se você tiver sucesso, ele será creditado aos cartolas.

3 – Saiba que, se você fracassar, a culpa será só e somente sua. A diretoria não erra

4 – Exija uma multa de R$ 15 milhões. Afinal, a atual diretoria aceitou uma multa de R$ 5 milhões para um treinador que eles consideravam novato. Como você não é novato…

5 – Procure o senhor Alexandre Pássaro, advogado do clube. A diretoria não se incomodou que o contrato do novato tivesse o senhor Pássaro atuando dos dois lados. Pôde servir aos dois senhores, Ceni e o São Paulo.

6 – Trabalhe sempre com a possibilidade de o titular de hoje se tornar um ex-jogador amanhã.

7 – Se a situação continuar difícil e você estiver preocupado, cuidado ao externar o que está sentindo. Para a diretoria, tudo é circunstancial e o Soberano não corre riscos, nunca.

8 – Fique sempre de olho na base. O menino de hoje pode ser o titular de amanhã;

9 – Fique de olho em Junior Tavares. Ele jogou 95% das partidas e pode estourar a qualquer momento. O único substituto é Edmar, que veio do Cruzeiro e nunca atuou.

10 – Não existe um time. Jogadores estão chegando, como Petros, Arboleda e Gómez. Maicosuel veio há pouco tempo, chegou na quinta, jogou no domingo e depois, ninguém sabe e ninguém viu.

11 – Você terá sucesso se tirar o time do rebaixamento. Terá mais sucesso ainda se levar o grupo ao nono lugar, vá lá, na primeira metade da tabela. Mas nada impede que você seja demitido ao final do ano. Ou, quando não houver mais riscos. Foi assim com Ricardo Gomes.

12 – Deixe claro ao presidente que vc não se incomoda com possíveis menções “desairosas” da torcida à sua pessoa. Não precisa ser demitido por isso

Muito boa sorte, Dorival.


Marcos, o unânime, e uma entrevista com gosto de saudade
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Marcos, unânimidade

O trepidante Danilo Lavieri fez uma matéria espetacular com Marcos , o eterno camisa 12 do Palmeiras. Deveria ter colocado o link no final do meu post. Agora, vocês vão lá, mas não esqueçam de voltar aqui.

É uma matéria com gosto de saudade. Saudade de um jogador que se tornou unanimidade de todas as torcidas, mesmo sendo um palmeirense em campo. E saudade de um tempo recente em que o mundo não era um enorme BBB, no qual as pessoas se julgam no direito de filmar outras e jogar sua obra no mundo virtual.

Marcos fala sobre isso de peito aberto. Como se divertia muito nas segundas-feiras na praia e como aproveitava no Villa Country. E agradece pelo fato de não haver celular. Talvez o Santo desse lugar ao Baladeiro. Mas, de qualquer forma, seria um baladeiro unânime, querido, porque Marcos sempre teve freio zero. Sempre mostrou o que era. E, por ser um de nós, torcedores, passou a ser adotado por todos nós.

As entrevistas de Marcos após os jogos, durante alguns anos terríveis que o Palmeiras viveu, era a festa para os repórteres. Todos esperam pelo goleiro. Todos sabiam que ele desabafaria. “Marcão mete bronca, Marcão pega geral”, era a mensagem que ficava. Aquilo fazia mal para o Palmeiras, pois a crise era aumentada. Mas fazia bem para o palmeirense, que via que alguém estava incomodado, sofrendo como ele.

Na entrevista de Danilo com Marcos, vemos uma pessoa generosa. Ele chega a assumir um pouco de culpa pelo fato de Deola e Bruno não terem dado seguimento à alta qualidade da Escola Palmeiras de Goleiros. Culpa que ele não tem, é lógico.

Ele mostra-se também parceiro de Rogério Ceni, dizendo acreditar no seu futuro como treinador, mas ponderando que ele ainda tinha o que aprender. Postura de amigo, coisa que os cartolas tricolores não tiveram com seu ídolo. Aliás, a dicotomia Marcos x Rogério, presente com intensidade no inconsciente das duas torcidas, nunca atingiu os dois craques. Eles sempre se respeitaram e tiveram carinho um com o outro.

Marcos faz falta. Danilo fez muito bem em trazê-lo de volta. Na próxima entrevista, se quiser me chamar, eu vou. Fico quietinho, só olhando. Mentira, não dá pra resistir. Faria uma ou outra pergunta, sim.


Abel, o veterano passional, contra Zé Ricardo, o jovem pragmático
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Juntos, Flamengo e Fluminense, fizeram 14 jogos no Brasileiro até agora. Conseguiram apenas cinco vitórias e sofreram quatro derrotas. Empataram cinco vezes. O Flu ganhou mais (3 a 2) e perdeu mais (3 a 1). O Flamengo empatou mais (4 a 1). O maior número de vitórias deixa o Fluminense na 10ª posição, uma na frente do rival. Os dois tem apenas dez pontos ganhos em 21 possíveis. O Fluminense perdeu os dois últimos jogos, período em que o Flamengo conseguiu uma vitória e empatou uma partida.

Enfim, os números que antecedem o clássico não são bons. O que não tem a menor importância quando se trata de um Fla Flu no Maracanã. Com torcida dividida. É o futebol em sua essência, enfrentando os coveiros da PM e do MP e mais o Coronel Marinho, que fazem de tudo para transformar o futebol em algo insosso, em um jogo de curling, em uma ópera dinamarquesa com o tenor gripado.

Há muita coisa boa a se ver em um Fa Flu. E neste Fla Flu também. Uma delas é o duelo entre Abel Braga e Zé Ricardo. No início do ano houve uma troca de guarda no futebol brasileiro. Apareceram treinadores jovens, com todo o respaldo de torcedores e jornalistas. Havia uma expectativa muito grande com os “sete magníficos”: Zé Ricardo, Jair Ventura, Roger Machado, Fábio Carille, Rogério Ceni, Eduardo Baptista e Antonio Carlos Zago. Os dois últimos perderam o emprego no Internacional e no Palmeiras, respectivamente. E entre os veteranos, Abel Braga era o mais aceito. Sua presença não tinha 1% da rejeição que teria a contratação de Luxemburgo ou Oswaldo, por exemplo.

Interessante no duelo é que o lado emocional está muito mais presente no veterano do que no novato. Abel é uma pessoa muito emotiva. Após a derrota contra o Grêmio, em casa, ele foi de uma sinceridade juvenil. Nunca vi aquilo. Estamos com apenas sete rodadas e Abelão falou coisas como: “eu sou tricolor…não desisto nunca. em 2011, cheguei e perdi seis jogos seguidos, aí vencemos um e reagimos. ficamos em terceiro e montamos uma base para o ano seguinte, quando ganhamos o carioca e o brasileiro. quando vim, já sabia da questão financeira do clube”…

Me pareceu que ele, em um rasgo de sinceridade, abriu mão de lutar pelo título em 2017. Algo que ele pode fazer por ser o Abel no Fluminense. Por ter um respeito adquirido em muitos anos. E por dirigir um clube com pouco dinheiro para investir e que tem de brigar para manter Richarlison, sua renovação, que não demonstra, ao contrário de Abel, amor e fidelidade ao Fluminense.

Do outro lado, Zé Ricardo. Jovem e dirigindo um clube com alto poder de investimento. Ele está começando a usar Conca e ainda terá, em pouco tempo, Everton Ribeiro e Rhodolfo. E, muito provavelmente, Geuvânio. E, se tantos reforços estão chegando, é prova que o elenco tem falhas. Falhas com nome, como Rafael Vaz, por exemplo. E, mesmo assim, mesmo com falhas, mesmo como bom campeonato feito no ano passado, Zé Ricardo correu riscos. Poderia ter caído. Um dos motivos é o excessivo apego a alguns jogadores. Desvencilhou-se do abraço de afogados com Muralha, mas manteve Márcio Araújo. Durante todo o período de incertezas, Zé Ricardo manteve-se aparentemente calmo e fiel a seus princípios.

Um veterano passional dirigindo um clube com pouco dinheiro e um elenco cheio de revelações. Um jovem pragmático comandando um clube com muito dinheiro e cheio de craques e com a maior revelação brasileira desde Neymar. É um duelo bacana de um clássico que nunca decepciona.


São Paulo fechou a casinha. E perdeu a chave
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O desempenho defensivo do São Paulo no Brasileiro é digno de elogios. O time que, no início do ano, sofria dois gols por jogo, levou apenas cinco em sete partidas. Passou quatro dos sete embates em branco, sem ser vazado. E os números seriam ainda melhores, não fosse a partida contra o Corinthians, totalmente fora da curva. Um 3 a 2 que não combina com a efetividade defensiva do time de Ceni.

E, infelizmente, para os tricolores, não combina também com o poderio (?) ofensivo.

Sim, ao mudar seu estilo (suas idéias, também?), Ceni não conseguiu manter a força do ataque. Ou, pelo menos, parte dela. O antigo (há poucos meses) ataque do São Paulo se resume agora a oito gols marcados em sete jogos. É uma mudança muito radical. O time, que chegou a ter um placar médio de 3 x 2 por jogo, hoje tem 1,14 a 0,7.

A mesma palavra explica a intenção de Ceni e a dificuldade para que se encontre um time equilibrado. Transição. A mudança de um time ofensivo e desequilibrado para outro, pragmático e eficiente, deu errado por causa da…transição. Falo da transição da defesa para o ataque.

Ela piorou muito quando Cueva se machucou, em um jogo do Peru. Talvez a recuperação tenha sido precipitada, não sei, mas a verdade é que o peruano perdeu ousadia, velocidade e eficiência.

E quem poderia substituir Cueva? Maicosuel, que jogou apenas 45 minutos? Shaylon, que Ceni ainda considera verde? Lucas Fernandes, que está voltando a ter chances agora? Thomaz?

E quais as outras opções? Pelos lados do campo? Luiz Araújo saiu. Wellington Nem se contundiu e está voltando agora. Morato só joga no ano que vem. Leo Natel jogou dez minutos. E Marcinho? Como os laterais estavam machucados ou atuando mal, Marcinho foi deslocado para a ala. Tem a liberdade para atacar, mas, contra o Corinthians, por exemplo, foi obrigado a ficar recuado no início do jogo porque Arana e Romero tomaram a iniciativa. E ele precisou apenas marcar. E ainda não tem todos os macetes da posição. Falhou no gol do próprio Romero e no gol de Lucca, da Ponte. Com ajuda prestimosa de Lucão. Sobra então Júnior Tavares, que está indo bem, mas não está indo muito bem;

Há uma terceira opção: os volantes. Dominar a bola em seu campo e levá-la ao campo rival. Juntar-se aos meias, buscar os atacantes, chutar de fora. Pode ser Thiago Mendes. Pode ser Cícero. Os dois chutam bem, mas o rendimento não tem sido tão bom a ponto de suprir as necessidades. Mendes rendeu mais que Cícero.

O que pode mudar?

Militão, que ainda dá os primeiros passos como profissional? Promissores passos, mas os primeiros.

 

Wesley, Buffarini, Bruno ou Araruna se firmarem na lateral e liberarem Marcinho para o ataque? Além disso, seria recomendável que melhorassem o nível de cruzamentos.

Pratto mais recuado e Gilberto na área?

Não são ideias novas. Ceni já tentou várias delas. Uma coisa ou outra pode dar certo, mas nada é algo que possa surpreender, que cause frisson, que traga expectativas. A melhor opção, sem dúvida, seria uma melhora de Cueva.

O primeiro grande desafio de Ceni foi trancar a defesa. Ele conseguiu, com méritos. Montou um cadeado. Agora, precisa achar a chave que possibilite um time mais aberto e que faça gols necessários para que o time consiga, por exemplo, 60 pontos no campeonato. Mais do que isso, é muito difícil.


Tite age como Papa e confronta Rogério Ceni
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Quando uma pessoa se torna unanimidade nacional e deixa de sofrer contestação sobre suas atitudes, começa a se achar infalível, começa a acreditar que sua palavra é Lei a ser seguida pelos pobres mortais. Só esse tipo de entendimento pode justificar as trapalhadas de Tite no caso Rodrigo Caio/Rogério Ceni.

O treinador ficou muito irritado com o que considerou intromissão de Tite no caso fairplay e reagiu ironicamente dizendo “talvez ele e Rodrigo Caio sejam pessoas melhores do que eu”.

Pessoa e não treinador. Tite é muito melhor que Ceni, como técnico. Tite tem 20 anos de carreira. Ceni tem 30 jogos. Tite está no auge, Ceni está no início.

Então, não estou falando aqui das qualidade de cada um como treinador. Não entra em discussão.

O ponto que explano aqui é a quantidade de trapalhadas de Tite no caso.

 Levar a conduta de Rodrigo Caio em consideração para sua chamada para os amistosos 

Realmente, não te sentido fazer isso. Não é um time de coroinhas, não é um time de escoteiros. Se conduta vale, por que chamar Fagner? Por que chamar Neymar, que não tem um comportamento correto em campo quando perde e nem quando ganha? E, se fairplay é importante, Tite vai exigir que os outros convocados tenham comportamento igual ao de Rodrigo Caio na seleção?

Anunciar que levou em conta a conduta de Rodrigo Caio para convocá-lo

Pior do que convocar pela conduta (em parte), é anunciar isso. Ele deixou claro que não é só isso, mas que também é isso. Ora, ao fazer esse comentário, ele joga Rodrigo Caio aos leões. Passa a se conhecido como o cara que está lá porque tem fairplay. Como os outros não têm, então fica reforçado o estereótipo de jogador bonzinho, diferenciado etc. Jogador de condomínio, como disse um dirigente do São Paulo. Além disso, todo mundo que tiver fairplay agora vai se achar com direito de ter uma chance.

Anunciar sua opinião sobre o caso após Ceni haver se colocado contra Rodrigo Caio

Eu acho que Rodrigo Caio estava certo. Sem nenhum talvez. Rogério Ceni acha que Rodrigo Caio estava errado. Então, eu acho que Ceni está errado. Mas eu não sou técnico da seleção. Tite, ao se colocar ao lado de Rodrigo Caio em uma questão ética, está dizendo, sem falar, que Rogério Ceni está contra a ética. Além disso, ele se coloca como interlocutor em um caso do São Paulo e não da seleção

Tite não é Papa

A Igreja é uma entidade verticalizada. Cabe ao Papa dar a orientação aos bispos e padres de como adaptar os ensinamentos ao mundo moderno. Ele pune quem não aceita orientações. O Futebol não é Igreja. Ao se colocar ao lado de um jogador contra um treinador, em uma questão interna do clube, Tite deseja o quê? Dar orientação a todos. Todo mundo tem que ter fairplay? Vejamos na seleção a partir de agora.

E por falar em ética…

Eu fico imaginando se Luxemburgo fosse o treinador e vibrasse com um gol do Flamengo (seu time) contra o Vasco, se contratasse uma filha como auxiliar e se ganhasse um beijo no rosto de Marco Polo del Nero…

O que virá agora?

Espero ansiosamente opiniões de Tite sobre a forma ética como o futebol brasileiro é dirigido. E espero que todos os escalados tenham atitudes como as de Rodrigo Caio.


Cuca e Ceni dão choque de realidade em quem não joga bola
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A Prancheta Voadora e o Rachão Violento. Podia ser o nome de algum livro adolescente, mas é o que se destacou na cobertura de São Paulo e Palmeiras nos últimos dias. Fofoca? Não. É bastidor e deve ser noticiado. Feito isso, é interessante ver o que os fatos significam exatamente nos clubes.

O fato de Rogério Ceni, irritado com o segundo gol do Corinthians, arremessar uma prancheta no chão é indicativo do quê? Jogadores estavam irritados com ele? Querem a sua queda? Ceni perdeu o controle e comando do grupo? A prancheta atirada no vestiário é um reflexo fiel da crise do São Paulo. Olho, que o fato ocorreu no intervalo do primeiro jogo da primeira das três eliminações. Foi pré crise.

E o fato de Omar Feitosa e Felipe Melo discutiram por conta de uma rachão? Foi necessária a intervenção de Cuca. O que temos aqui? Melo é desagregador? Feitosa, que brigou com Ceni no São Paulo, é pessoa que não trabalha em grupo? E o empurrão de Feitosa em Thiago Santos, no intervalo do jogo contra a Ponte? E as brigas de Melo com Roger Guedes? Os desentendimentos mostram que o Palmeiras está em ebulição? É preciso cortar o mal pela raiz para que a campanha na Libertadores não seja afetada?

O importante, em todos os casos, é ver os desdobramentos. Porque, técnico jogar prancheta, técnico ofender jogador, é coisa normal. Não deveria ser, mas é. Briga em rachão, também é. Os campeonatos de rachão eram (não sei como é agora) extremamente disputados. Os times eram os mesmos, havia enfrentamento toda sexta-feira, cada um contava o número de vitórias e o pau quebrava muitas vezes. Tão disputado como um jogo.

São coisas difíceis de entender. Futebol é um mundo diferente. Eu não conseguiria trabalhar em um ambiente em que meu chefe dá uma bronca em todo mundo, ofende uns e outros e joga alguma coisa no chão. Mas, eu não sou jogador. Uma coisa ridícula, na minha opinião, é preleção. Se alguém falasse aquelas chorumelas para mim, não conseguiria prestar atenção. Bate no peito, subam essa escada que as pessoas estão esperando (juntei o discurso de Zé Roberto e de Ceni e me parece filme de gladiador), aquela reza em altíssimo som, viagem a Aparecida, promessa, parente chegando em véspera de jogo, vídeo motivacional… Tudo isso eu acho uma patacoada só. E não critico, não desvalorizo, não digo que é errado. É apenas coisa de outro mundo, não do meu. E tenho obrigação de aceitar.

Prancheta voadora e Rachão Violento fazem parte do mundo do futebol. Surpreendem apenas dois tipos de pessoas: os que não sabem que futebol é assim e os que acham que futebol não deveria ser assim. E querem muda-lo. Prefiro desfrutar.