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Arquivo : Rogério Ceni

Fortaleza, de Ceni, reage e lidera com folga
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O Fortaleza venceu o Coritiba, em casa, por 2 x 1. Na rodada anterior, havia derrotado o Juventude em Caxias. Assim, chegou aos 37 pontos e lidera a Série B, com 37 pontos. Tem três a mais que o vice-líder CSA e oito a mais que o Guarani, quinto colocado. O que significa que, mesmo que perca os três próximos jogos, continuará entre os quatro que chegarão à Série A. Se o Guarani vencer os três jogos e o Fortaleza perder os três, mesmo assim, o time de Ceni estará entre os quatro primeiros porque um dos rivais do Guarani é o Atlético Goianiense, rival direto na luta pelo acesso.

As duas vitórias vieram no pior momento do Fortaleza no campeonato. Após uma metade do turno arrasadora, com sete vitórias e dois empates, o Fortaleza caiu bastante e teve quatro vitórias, dois empates e quatro derrotas. O rendimento caiu de 85,1% para 46.6%. No total, foram 64,9%.

A queda do Fortaleza e o início do que parece uma reação têm explicações plausíveis. No início do Brasileiro, o ataque do time era formado por Osvaldo, Gustavo e Edinho. Osvaldo foi para a Tailândia e Ceni escalou Marlon, com características de armador e não de ponta. Gustagol se contundiu e Edinho foi para o Galo. Com os desfalques, vieram as derrotas.

As vitórias voltaram, coincidência ou não, com a estreia de Ederson, artilheiro do Brasileirão de 2013, com 18 gols, e artilheiro do Paranaense de 2018, com nove gols. Houve também as contratações de Marcinho, Minho e Douglas Coutinho. Marcinho é o melhor até agora e fez um golaço no Coritiba.

Mais além dos números, impressiona a postura de Ceni em campo. Após os jogos, ele entra no gramado e cumprimenta todos os jogadores de seu time. E os rivais que estejam por perto. Após a vitória contra o Coritiba, enquanto os jogadores acenavam para a torcida, o goleiro Marcelo Boeck deixava o campo. Ceni o agarrou, abraçou e empurrou para junto dos companheiros.

São aspectos de um início de carreira longe do clube que defendeu por 25 anos. Se não deu certo na primeira vez, está aprendendo muito e poderá voltar. Depois de 2021, quando termina o mandato de Leco.


Rogério Ceni, vítima de arrogância
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Rogério Ceni não é um cara simpaticão. Aquele que ri de tudo, que conta piada, que se autoironiza. Ceni, na verdade, é um empata resenha. É aquele tipo de aluno que nós, pobres mortais, gostávamos de odiar: inteligente, talentoso e estudioso. Muitas vezes é arrogante, o Ceni e não o aluno fictício.

E justamente por ser arrogante, chama a atenção a sua expulsão no jogo Fortaleza x Vila Nova, em Goiás, dia 5 de junho. O jogo foi 0 x 0 e o treinador do Fortaleza levou o vermelho aos 24 minutos do primeiro tempo, ao protestar por um pênalti marcado pelo árbitro Vinícius Furlan, cometido pelo zagueiro Liggier em Felipe Silva.

Na súmula, Vinícius Furlan justificou a expulsão da seguinte forma: “Aos 25  minutos do segundo tempo, expulsei o técnico da equipe fortaleza sr rogério ceni, por protestar acintosamente contra as decisões da arbitragem, com gestos e as seguintes palavras:”

PAUSA. QUE PALAVRAS TERRÍVES TERIAM SIDO DITAS PELO TREINADOR? TERIA OFENDIDO A HONRA DO ÁRBITRO? OFENDIDO A MÃE DE SUA SENHORIA? TERIA DITO QUE ELE É LADRÃO?

Não.

As palavras são “não foi pênalti, não foi pênalti”.

Sim. Um treinador trabalha durante a semana para que seu time renda bem e é expulso porque disse, aos gritos, “não foi pênalti”;

É impressionante a arrogância da arbitragem. A truculência. É o tipo “você sabe com quem está falando”? ou “circulando, circulando”.

A maneira como se dirigem aos jogadores, o jeito como tratam treinadores, nada pode ser coincidência. Os árbitros entram em campo para impor a ordem como se fossem membros da Polícia Militar, como o Coronel Marinho, que nunca apitou um jogo na vida. Nem do Batalhão A contra o Batalhão B.

Juiz não é para aparecer. É para entrar em campo e levar o jogo até o final, fazendo o possível para não expulsar ninguém. Expulsão deveria ser em último caso, em falta violenta. Ele poderia dizer a Ceni: “fala baixo comigo, me trate com respeito, baixa sua bolinha…”, qualquer coisa assim, não uma expulsão.

Após o jogo, Ceni foi irônico e disse: “parece que ele estava com o braço engessado”. Olha, nem se ele tivesse dito isso ao árbitro, seria motivo para expulsão.

A arbitragem brasileira é muito mais prepotente e arrogante do que Rogério Ceni chegou a ser um dia.


Rogério Ceni, uma unanimidade que dá lucro ao Fortaleza
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No sábado, dia 2 de junho, a Arena Castelão estará lotada. A diretoria do Fortaleza projeta público entre 45 e 50 mil pagantes. Uma renda bruta em torno de R$ 700 mil. E líquida? São muitos descontos”, lamenta o presidente Marcelo Paz. “Tem impostos, aluguel do estádio, despesas com o jogo, porcentagem da Federação e ainda temos 15% confiscados por dívidas trabalhistas. No cofre, deve entrar R$ 350 mil.”

Nem sob tortura chinesa o presidente confirma, mas é o valor necessário para pagar um mês de salário ao treinador Rogério Ceni e à sua comissão, que tem Charles Hembert, o francês que estava com ele no São Paulo, Nelson Simões, auxiliar e Haroldo Lamounier, preparador de goleiros, que o treinou, São Paulo.

E fecha-se a equação. O Fortaleza, se vencer o Sampaio Corrêa, chegará a um aproveitamento de 91,7%, com 22 pontos em 24 possíveis. Até agora, tem seis vitórias e um empate, 16 gols a favor e quatro contra, com 90,5% de aproveitamento. O treinador trabalha bem, o time faz campanha histórica, o estádio lota e um jogo paga o salário do comandante.

Ele tem outros vencimentos. Ceni não usa o uniforme do clube, prefere traje social. Apenas enquanto não consegue um patrocinado próprio. Nos uniformes de treino, usa a logomarca da empresa Servis, do ramo de segurança. Refrigerantes Frevo não renovaram o contrato. Afinal, com tantos treinos fechados, a exposição não era muita. “O Fortaleza fica com uma parte dos patrocínios pessoais dele”, diz Paz.

O presidente Paz acredita que a ida de Ceni ao Fortaleza levou o clube a um patamar diferente, saindo um pouco da exposição regional. “Somos um clube histórico, comemorando o centenário e estamos mostrando nossa marca por grande parte do Brasil. E o Ceni ajuda muito. Ele é um profissional sério, competente e que dá lucro ao clube.

A questão do sócio-torcedor, por exemplo. Quando, no final do ano, com o acesso após muitas tentativas frustradas, chegou-se a 7500 sócios. “Fizemos uma campanha para aumentar, o Ceni ajudou muito e já estamos com 19 mil. Ajuda muito”.

E o que faz Rogério Ceni, que, convenhamos, nunca foi um candidato competitivo ao título de Mr. Simpatia no Ceará? Arrogância pura? “Rapaz, isso é um engano muito grande. Rogério se integrou muito aqui e ele sabe da importância de sua história. Imagina um jogador do interior do Ceará que via o homem na televisão e agora vê ali na frente. E o Rogério vai, cumprimenta, abraça. É uma emoção grande para a moça da”.

O jornalista Breno Rebouças confirma. “ Houve um lance contra o CRB em que os jogadores reclamavam muito. O Ceni foi falar com eles. Eles pararam para ouvir. Discordaram, mas pararam para escutar. O pessoal da bola tem um respeito muito grande com ele”.

Mas a tal unanimidade, algo tão fugaz no futebol brasileiro, não existia no Cearense. O Fortaleza ficou em segundo, mas não conseguiu vencer o campeão Ceará. Três derrotas e um empate. O grito de burro, por que não?, chegou a ser ouvido. As maiores críticas eram por conta das constantes substituições e da mudança de esquema, ora com linha de três, ora com quatro.

Tudo mudou com a subida de rendimento de Derley, homem de confiança do treinador e com a chegada de Jean Patrick, do Novorizontino, e Dodô, do Botafogo de Ribeirão Preto, todos para o meio-campo.  “Foram ótimas contratações, vieram para arrumar o time. Rogério não precisou mudar mais nada”.

O Fortaleza jogava com Edinho aberto na direita e Osvaldo na esquerda e Gustagol, que está fazendo muitos gols, no meio do ataque. Osvaldo saiu e Marlon, que é um jogador técnico e de pouca velocidade, chegou. O time mudou um pouco, mas agora foram contratados os pontas Marcinho e Minho. “O Marcinho tinha uma concorrência muito grande e o Ceni telefonou para ele. Foi importante. Além disso, todo jogador sabe que aqui o salário não atrasa. Nem salário e nem direito de imagem”, fala o presidente.

O torcedor do Fortaleza anda feliz demais da conta. O do Ceará, cabisbaixo. Nada que alegre Marcelo Paz. “Brincadeira é saudável, mas isso é para torcedor. Eu não me envolvo. Queria ver o clássico cearense na Série A, lotando o Castelão”.


Fortaleza e Rogério Ceni brilham na Série B
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Rogério Ceni está fazendo um trabalho muito bom na Série B do Brasileiro, após receber muitas críticas durante o campeonato cearense, quando o time ficou em segundo lugar e sofreu três derrotas para o Ceará, vencendo apenas um clássico. Se algum torcedor pediu a demissão do treinador, está bem arrependido. Ou deveria estar.

Com a vitória por 3 x 1 sobre o Figueirense, em Florianópolis, o Fortaleza chegou a 16 pontos em seis rodadas, com cinco vitórias e um empate, praticamente 90% de aproveitamento. São 14 gols marcados e quatro sofridos. O time pode ser alcançado pelo Vila Nova, em caso de vitória sobre o Oeste, fora de casa.

Os dois próximos jogos do Fortaleza serão em casa, contra Criciúma e Sampaio Correa, que estão na zona de rebaixamento.

O Fortaleza joga sempre em um 4-3-3, com Edinho e Osvaldo abertos e Gustagol no meio da área. Agora, com a saída de Osvaldo, que foi para a Tailândia, o time pode mudar um pouco de postura. O lugar foi ocupado por Marlon, que não tem tanta velocidade para ir ao fundo e que joga mais pela meia. Por ele, que estava no Sampaio, o Fortaleza pagou a multa rescisória, em torno de R$ 200 mil.

Contra o Goiás, na quinta rodada, o Fortaleza cruzou 32 vezes e os dois primeiros gols saíram de cabeça. Contra o Figueirense, com mais bola trabalhada, o time conseguiu 20 finalizações. A bem da verdade, Ceni recebeu uma ajudazinha de Denis, seu eterno reserva, que falhou em dois gols.

As discussões nos bares de Fortaleza devem estar animada. O pessoal do Ceará chamando o Fortaleza de time de segunda divisão e os do Fortaleza dizendo que no ano que vem estarão em posição contrária, porque o Ceará está mal na Série A. Bom mesmo, para o estado, seria se os dois se encontrassem na elite do futebol brasileiro.


Renato precisa aprender com Fortaleza, Avaí e Porto. Não é só futebol
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No mesmo sábado em que Renato Gaúcho, irritado com um empate no Gre-Nal, resolveu humilhar o Inter, houve demonstrações de afeto e respeito em jogos do Fortaleza, Avaí e Porto. Voltando a Renato, ele disse que o Inter joga como time pequeno, como time de segunda divisão e que, por isso, apesar do massacre gremista, não houve gols. Ora, muito parecido com o Grêmio de Renato contra o Real Madrid de Cristiano Ronaldo, não é? Cada um joga de acordo com suas possibilidades e objetivos e, pensando assim, o Inter de Odair Hellmann foi mais efetivo que o Grêmio de Renato Gaúcho.

Mas, vamos falar de coisas boas. Emotivas.

O Fortaleza vencia o Goiás por 2 x 0. Dois gols de cabeça, mostrando a força da bola aérea do time dirigido por Ceni. Aos 29 minutos, Osvaldo 31 anos, foi substituído pelo estreante Marlon. Saiu muito aplaudido, sentou-se no banco de reservas e caiu no choro. Dez anos depois, ele se despedia novamente do time que o revelou. No final do ano, tinha acertado um pré-contrato com um time da Tailândia. Antes disso, fez 12 jogos e dois gols pelo Fortaleza. E, ao ser aplaudido por 32 mil pessoas, desabou emocionalmente. Com certeza, quer ficar, mas o Fortaleza não tem como pagar 1 milhão de dólares pela multa.

Final de jogo, vitória por 3 x 0, Osvaldo voltou a campo. Foi jogado ao ar pelos companheiros e, de “cavalinho” e Gustavo, o Gustagol, deu uma meia volta olímpica, aplaudindo a torcida e sendo aplaudido por ela. Depois, mais choro. Em um futebol cada vez mais frio e profissional, é bonito ver a emoção em uma despedida simples e espontânea.

Bem mais ao Sul, horas antes, Marquinhos, aos 36 anos, entrou em campo na vitória por 1 x 0 do Avaí sobre o Figueirense. Foi uma homenagem do treinador Geninho ao maior ídolo da história do clube, com 93 gols marcados. Marquinhos vai encerrar a carreira ao final do ano e no seu currículo consta mais uma vitória sobre o grande rival. Na casa dele. Não interessa se foram apenas três minutos, o fato de estar em campo, foi uma alegria, para os avaianos, tão grande quanto a própria vitória.

E, em Portugal, a emoção foi em dose dupla. No campeonato português, um jogador só pode ser considerado campeão se participou de alguma partida. Não adianta ter ficado todos os jogos no banco, ter participado de todos os treinamentos, nada disso. Nada disso. Não jogou, não ganha medalha. E nem pode escrever no currículo.

Bem, com o título garantido, o treinado Sérgio Conceição deixou Iker Casillas de fora do último jogo, contra o Vitória de Guimarães. Jogou o brasileiro Vaná, por 80 minutos. E foi substituído por Fabiano, que passou os últimos quatro meses recuperando-se de uma contusão. Assim, Vaná, revelado pelo Coritiba, e Fabiano “Modragón”, um dos muitos goleiros que não conseguiu romper a “barreira” Rogério Ceni no São Paulo, podem dizer, com orgulho justificado que são campeões portugueses.

Não é só futebol, Renato.


Denis campeão e Ceni questionado
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Denis fez 173 jogos com a camisa do São Paulo, entre 2009 e 2017. Poderia ser muito mais, não fosse o peso de conviver e depois substituir um mito como Rogério Ceni e sua relutância em se aposentar. Quando chegou a hora de assumir o gol, houve falhas contínuas e cada erro era comparado com um acerto de Ceni. A grandeza de um impediu a ascensão do outro.

E no final de semana, as coisas mudaram. Denis foi o grande destaque da última partida do campeonato catarinense. A Chapecoense fez melhor campanha e teve a mínima vantagem de decidir em casa. Contra o Figueirense, de Denis. E o Figueira, dirigido por Milton Cruz, venceu por 2 x 0. Os jornalistas catarinenses falam de no mínimo duas defesas salvadoras do goleiro.

Ao mesmo temo, em Fortaleza, Rogério Ceni,  agora treinador, viu seu time, o Fortaleza, perder por 2 x 1 para o Ceará. Um placar igual ao da primeira partida. Foi vice-campeão (no ano passado, o time foi terceiro) mas não está agradando. Os torcedores reclamam que ele muda muito o time, mas há uma mágoa muito maior. Durante todo o campeonato, Ceni quis jogar a responsabilidade do título para o rival. Disse que era ajudado pela arbitragem, que era um time de série A enquanto o Fortaleza subiu agora para a B e…aí está o problema, exagerou, segundo os torcedores, quando disse que o Ceará era um time quase perfeito. A gozação nas ruas foi terrível. Se até o seu treinador diz que meu time é perfeito…

Conversei com Denis, por telefone, e ele fez questão de passar a impressão que sua conquista não tem nada de excepcional, nada de um novo começo, nada disso. “Tudo é fruto do trabalho. Já estou pensando no jogo de sexta-feira contra o Juventude, pela Série B, não tenho mágoa nenhuma do São Paulo, aprendi muito lá, como aprendi na Ponte e estou utilizando aqui. Sou muito respeitado aqui, como também fui respeitado lá, não esqueça que fui titular em 2016 e que a torcida gostava de mim”.

Pode ser, mas que é diferente é. Denis campeão e Ceni questionado.


Ceni em Fortaleza: perto da final e longe das amizades
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O Fortaleza, dirigido por Rogério Ceni, venceu o Floresta por 3 x 1 e pode perder por até um gol de diferença na segunda partida da semifinal que mesmo assim estará na decisão do campeonato cearense, contra o Ceará, que derrotou o Uniclinic por 6 x 0. Os números de Ceni à frente do tricolor cearense são muito bons. Na primeira fase, foram sete vitórias e duas derrotas. Na segunda, três vitórias, dois empates e uma derrota. E nova vitória na semifinal. O aproveitamento é de 75,5% e o destaque do time é Gustavo, o Gustagol, com 15 gols em 14 jogos.

A passagem de Ceni pelo Ceará não é marcada, entretanto, apenas pelos bons resultados. Muita polêmica, como de costume, acompanha o treinador. Na quarta rodada da primeira fase, o Fortaleza perdeu para o Floresta, fora de casa, e Ceni reclamou muito do campo e do gramado. Na sexta rodada, no Clássico Rei contra o Ceará, derrota por 2 x 0 e toda a bronca foi pela expulsão de Gustagol aos cinco minutos do segundo tempo. O Fortaleza já perdia por 2 x 0 e Ceni voltou para o segundo tempo, com novo esquema. Toda a esperança ruiu com a expulsão do artilheiro. E tome reclamação.

Algumas rodadas depois, Ceni disse que o Ceará sempre terminava os jogos com jogadores a mais que os rivais, pelo trabalho mal feito dos árbitros. Eles se revoltaram e disse que se recusavam a apitar jogos do Fortaleza. O presidente da Federação entrou em ação e colocou panos quentes na situação. Então, foi a vez do Fortaleza reagir e pedir árbitros de fora em seus jogos.

E, a pedido de Ceni, além de árbitro de fora, foi exigido também exame antidoping no jogo contra o Floresta. O Fortaleza arcou com os custos dos dois pedidos, algo em torno de R$ 35 mil.

A última reclamação de Ceni (por enquanto) foi pelo fato de o Uniclinic abrir mão de utilizar o estádio Domingão (que fica em Horizonte) na semifinal contra o Ceará, preferindo o Presidente Vargas. “Nós vamos jogar de novo em Horizonte, onde o campo é ruim e logicamente sabemos que os resultados não foram bons lá, tivemos uma vitória em três jogos. E agora o Uniclinic vai jogar no Presidente Vargas, não manda mais jogos em Horizonte. Então, assim, tem algumas coisas que são tão claras que a gente não precisa falar”.

Se passar pelo Floresta, o Fortaleza enfrentará o Ceará pela terceira e quarta vez no campeonato. Perdeu a primeira por 2 x 0 e empatou a segunda por 1 x 1, sofrendo um gol aos 47 minutos do segundo tempo. Com certeza, fará declarações antes dos encontros. O mais esperado é dizer que o Fortaleza é um time de segunda divisão, com orçamento muito menor que o do Ceará, que está na primeira. Ceni não abre mão dos bastidores.

Se for campeão, estará repetindo algo constante em sua carreira: ser adorado pela torcida tricolor e ser odiado pelas outras.


Jair, Dorival, Ceni e a tortura dos números
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As coletivas pós-jogo tem se tornado um exercício de autolouvação dos treinadores. (Obrigado, Zé Ricardo, que trocou São Paulo pelo Rio). E além disso, um exemplo prático de como os números, assim como os seres humanos, quando torturados, dizem tudo o que o torturador quer dizer. Quem nos dava um exemplo disso era dr. Ulysses Guimarães, comandante civil da luta contra a Ditadura. Quando diziam que a média salarial do brasileiro era boa, ele dizia. “Se você puser a cabeça de um homem no freezer e os seus pés em uma fogueira, a temperatura média estará boa. E ele estará morto. Congelado ou queimado, mas morto”.

Jair Ventura, após o empate contra o Corinthians comemorou o fato de o Santos haver conseguido a maior posse de bola no jogo e também na partida anterior, contra o Real Garcilaso.

Posse de bola. O fetiche dos treinadores, o Santo Graal dos críticos.

Mas, qual posse de bola? A do Manchester City, que encurralou o Chelsea, que não o deixou respirar, que o obrigou a chutões para se livrar da bola e que venceu por 1 x 0 em uma grande injustiça?

Não, a posse de bola de Jair é outra.

Teve 56% contra o Real Garcilaso e finalizou cinco vezes, apenas uma no gol. E sofreu 23 finalizações, 14 delas no alvo.

Teve 53% contra o Corinthians e finalizou mais, 15 contra 12, mas empatando em seis, quando se fala em chutes no alvo. E teve, não, não está errado, 47 cruzamentos. Um a cada um minuto e 45 segundos.

A maior posse de bola do Santos não impediu que o time ganhasse UM ponto em seis. Contra o Garcilaso, ficou 79 minutos atrás. Contra o Corinthians, 66 minutos atrás.

Qual a vantagem de se ter posse de bola e render tão pouco?

Jair me lembrou Rogério Ceni, que chegava nas entrevistas e, para justificar uma derrota, debulhava números e números. Um dia, falou no número de cruzamentos, quesito que não deveria orgulhar ninguém.

Quando a entrevista pós-jogo não é autolouvatória, ela pode se transformar em um muro de lamentações. Ceni reclamava que não tinha tempo para treinar. Aí, teve 17 dias livres. Foi eliminado pelo Defensa y Justicia e disse que o time havia perdido o ritmo de jogo.

Se Jair usa números, Dorival Jr. usa dados subjetivos.

“Vocês acham que o São Paulo merecia perder os clássicos contra o Corinthians e o Santos”?

Ora, a questão é outra. Se não merece perder, por que perde? Problema psicológico? Ele precisa resolver o assunto e não ficar dizendo que não merecia. No Paulista do ano passado, o São Paulo venceu o Santos na Vila, por 3 x 1. Todo mundo achou que o São Paulo mereceu. Menos Dorival. Ele era técnico do Santos e usou a lamentação, como agora. O mesmo argumento-lamento.

Dorival usa a evolução como mantra. Uma evolução do tipo da anistia defendida pelo General Geisel: “lenta, gradual e segura”. O São Paulo precisa de ruptura e ele fala em evolução. E que resulta em aproveitamento de 46,7% em dez jogos. Até os Arautos da Ordem Sagrada do Tempo aos Treinadores, já acha que dez jogos é um bom número para se esperar algo mais do que se tem. Dos 16 times do Paulista, apenas seis ganharam menos pontos.

Mas, a cada jogo, volta a questão da evolução. Dorival vai acabar excomungado pelo Bispo Crivella, aquele que odeia Darwin, Carnaval, Futebol e Brasil.

Enfim, está cada vez mais chato ouvir coletiva pós jogo. Mas, se o futebol que se joga aqui é ruim, sem inventividade, um eterno rame rame escorado em estatíticas, por que elas seriam boas? São os mesmos professores, escalando, trocando e falando.


Sidão x Jean: um duelo que não anima
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Em 1985, o São Paulo teve o surgimento dos Menudos, personificados em Muller e Silas. No gol, havia a insegurança de Barbirotto e Tonho. Era preciso agir e Gilmar foi contratado.

E, de 1985 a 2015, o gol do São Paulo foi defendido por Gilmar, Zetti e Rogério Ceni. Participaram de quatro Copas do Mundo, o que mostra a qualidade deles. Em 2015, Ceni se aposentou. No ano seguinte, Denis assumiu o posto e não foi bem. E, em 2017, o gol foi uma briga particular entre Denis, Sidão e Renan Ribeiro. Sidão venceu e os outros dois deixaram o clube.

E 2018 começa com a briga entre Sidão e Jean, vindo do Bahia. Nada que dê certeza ao torcedor de ter, no gol, a segurança daquelas três décadas iniciadas com Gilmar.

Sidão tem 35 anos e uma carreira sem nenhum brilho. Antes de chegar ao São Paulo, foi titular no Audax, após contusão do goleiro Felipe Alves. E foi titular no Botafogo, após a contusão de Jefferson. Fez 36 jogos no Audax e 35 no Botafogo. Antes, 27 pelo Rio Claro, o mesmo número que tem pelo São Paulo. Um goleiro de 35 anos e menos de 150 jogos profissionais não é segurança de nada. O time pode até ser campeão com ele, mas não o será por causa dele. Sidão tem tudo para ser um coadjuvante honesto e dedicado e nada para ser o condutor de um time que precisa ser campeão.

Jean tem 22 anos, passagem nas seleções de base e um ótimo ano pelo Bahia. Foi titular em todo 2017, sem contestação. É um jogador que tem grande futuro  e pode até começar o início desse caminhar como titular do São Paulo. Seu contrato é de cinco anos, o que parece ser uma aposta em venda a curto prazo para o futebol da Europa.  Mas não há certeza alguma. Ninguém garante que ele será o goleiro indiscutível que foi no Bahia.

E há certeza com outro goleiro? Com algum outro? Logicamente que não. Mas um time grande deveria buscar um goleiro que trouxesse mais certeza que insegurança. O São Paulo precisa de um goleiro do nível de Cássio, Marcelo Grohe, Vanderlei ou Fábio. Buscar alguém deste nivel. Alguém que justifique a velha máxima: “todo time começa com um grande goleiro”.


Kaká é top 20. Do São Paulo.
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Kaká é uma das maiores joias criadas no São Paulo. Formado na base, estreou ganhando um título que o clube não tinha (Torneio Rio-São Paulo), saiu logo por não suportar o comportamento imbecil da torcia que o culpava, juntamente com Luís Fabiano, pela falta de títulos Foi para o Milan, ganhou a Liga dos Campeões, foi eleito o melhor do mundo e jogou pela seleção, com dignidade.

E qual é seu lugar na história do clube?

Eu fiz duas listas. A primeira, baseada no que os jogadores fizeram no futebol.

A segunda, no que fizeram no São Paulo.

A primeira:

Friedenreich, o primeiro “maior jogador do Brasil”, nos anos 30

Leônidas, o maior jogador do Brasil nos anos 40, artilheiro da Copa de 38

Sastre, o grande craque argentino dos anos 40

Bauer, o Monstro do Maracanã, também revelado pelo São Paulo e integrante da seleção de 50

Zizinho, o maior jogador brasileiro dos anos 50, o ídolo de Pelé.

Didi, eleito o melhor jogador da Copa de 58.

Mauro Ramos de Oliveira, um dos mais técnicos zagueiros da história do futebol brasileiro, campeão do mundo em 1958.

Canhoteiro, chamado de “Garrincha canhoto” nos anos 50.

Dino Sani, volante com 110 gols marcados pelo clube. Jogou no Boca, na Itália e na seleção de 1958

Roberto Dias, zagueiro e volante, carregou o São Paulo nas costas no período de construção do Morumbi.

Pedro Rocha, o único uruguaio a disputar quatro Copas do Mundo.

Gérson, integrante da seleção brasileira de 1970.

Careca, integrante das seleções de 1986 e 1990.

Falcão, integrante da Copa de 82, o Rei Roma.

Toninho Cerezo, outro do quarteto mágico de 1982, com Falcão, Sócrates e Zico.

Raí, campeão mundial pelo São Paulo e pela seleção brasileira.

Muller, campeão mundial pelo São Paulo e pela seleção brasileira.

Rivaldo, ídolo no Palmeiras e no Barça, eleito o melhor do mundo em 1999.

Rogério Ceni, o maior goleiro artilheiro da história.

Kaká.

Esta é minha lista de 20, não está por ordem de preferência. Tentei manter uma linha do tempo. Não me fixei em muitos jogadores das décadas de 40 e 50, como Teixeirinha, Yeso Amalfi, Maurinho (jogou a copa de 54), Barrios, Renganeschi, Remo, Friaça. São lendas, grandes jogadores, mas não vi. Desse período, preferi ficar com os inquestionáveis.

E a lista dos jogadores, baseado no que fizeram pelo São Paulo?

Eu mantenho Friedenreich, Leônidas, Sastre, Bauer, Zizinho, Mauro Ramos, Roberto Dias, Dino, Canhoteiro, Pedro Rocha, Gérson, Careca, Cerezo, Raí, Muller e Rogério Ceni.

Tirei Didi, Falcão e Rivaldo.

E coloco Dario Pereyra, Lugano e estou em dúvida entre Leonardo, Toninho Guerreiro, Oscar e Serginho Chulapa.

Em uma ou outra, Kaká tem lugar, com as ressalvas que fiz sobre os anos 40. Pode estar entre os 20, 30 ou até 10, conforme o gosto de cada um e do que viu de futebol.

Um posto excelente, quando se lembra que estamos falando do São Paulo.

Um grande jogador, que deixará saudades.