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Arquivo : Rogério Ceni

Golaço de Neymar contra a homofobia
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Neymar usou as redes sociais para se posicionar sobre a decisão que considera homossexualidade como doença e possibilita tratamentos de reversão. A chamada “cura gay”. Ele postou uma música de Lulu Santos que diz: “consideramos justa toda forma de amor”. Uma grande atitude do jogador, colocando-se ao lado da modernidade e contra o obscurantismo.

O silêncio dos atletas sobre assuntos que não são o seu esporte é gritante, ensurdecedor. Murilo, do vôlei, é crítico à gestão de Ary Graça…e quem mais, mesmo? O basquete brasileiro está acabando e ninguém fala. Guilherme Giovannoni é o representante dos atletas junto ao NBB e vai jogar pelo Vasco, time que atrasou salários na temporada passada. Ele nunca se posicionou junto aos companheiros. O presidente do COB é suspeito de corrupção e… nada.

Joanna Maranhão, salvo engano, é uma voz solitária contra os desmandos de Coaraci.

A Bolsa-Atleta tem problemas, foi diminuída e pode acabar e… nada.

E jogadores de futebol? Nunca falam nada de nada. Posicionaram-se há dois anos juntamente com o Bom Senso, mas graças apenas a líderes como Fernando Prass e Rogério Ceni, que estava em atividade e outros que já haviam se aposentado. O Bom Senso acabou e, mesmo antes disso, Ceni já havia aceitado participar de uma viagem da seleção, como consultor ou algo assim. Juntamente com diretores que ele havia criticado. Tite assinou um manifesto contra Del Nero e, ao aceitar o cargo de treinador, o beijou.

Nesse contexto total de alienação, é importante o que Neymar fez. Principalmente por ser em um caso que é controverso no Brasil. É, mas não deveria ser. Há milhares de pastores “médicos de gays” prontos para faturar e para criticar Neymar.

Homossexualidade não é doença. Homofobia é doença.


Alex, o quarentão, ganha filme
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Foi o gol mais bonito que já vi. O de Alex no São Paulo, após dois chapéus. No dia seguinte, no Jornal da Tarde, minha missão era conversar com narradores de rádio e de televisão para falar sobre a obra-prima. E me chamou a atenção a alegria deles, de Oscar Ulisses a José Silvério. Nada de clubismo, apenas a alegria de terem sido blindados com a oportunidade de presenciarem a história. Como eu me senti ao ver o gol de Romário na eliminatória de 93, contra o Uruguai. Como eu vi Messi na Copa de 2006.

Alex, que completa 40 anos hoje,  sempre foi um jogador espetacular. E sempre carregou a fama de não ser constante e de não brilhar com a seleção. Mesmo tendo sido fundamental em um Pré Olímpico. A sua carreira tem números estupendos o que desmente qualquer possibilidade de fracasso em uma Copa. Mesmo se não jogasse, sua personalidade e inteligência fariam muita diferença. Foram 19 anos de carreira, com 18 títulos, 1035 jogos, 422 gols e 356 assistências. É um número de gols que faria brilhar o currículo de qualquer centroavante. Luís Fabiano tem números parecidos.

Um filme a ser lançado no dia 19, em Curitiba, mostrará como foi a despedida de Alex dos campos. O nome do documentário é  Alex Câmera 10 – Turquia ao Brasil – despedida do Futebol. O documentário mostrará cenas inéditas dos bastidores da despedida, além das cidades onde brilhou. E mostrará a Turquia, onde ele brilhou pelo Fenerbahce. A torcida fez uma estátua em sua homenagem.

Escolhi a foto inicial com a camisa do Coritiba, pelo amor que ele demonstrou ao clube. Tinha oferta do Palmeiras, mas preferiu terminar a carreira onde começou, lutando e conseguindo evitar o rebaixamento do time do coração. A outra foto é a homenagem da torcida do Palmeiras ao seu gol.

Alex também fica marcado, para mim, por sua atuação no Bom Senso, lutando pela melhoria do futebol brasileiro.

 

 


Muricy? São Paulo precisa de goleiro e lateral
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A situação está ruim? Chama o Marco Aurélio Cunha.

A situação está ruim? Atende a torcida e contrata o Lugano.

A situação continua ruim? Renova o contrato do Lugano.

A situação piorou? Coloca o Lugano para conversar com os torcedores.

A situação está ruim? Coloca o Rogério Ceni de treinador.

A situação está ruim? Demite o Rogério Ceni e espalha que ele deixou uma herança maldita em sua passagem.

A situação está ruim? Coloca o Raí no Conselho de Administração.

A situação está ruim com o Dorival? Chama o Muricy para dar uma palestra.

Assim caminha a administração do presidente Leco. Fazemos o que o cliente deseja. Agradamos a torcida. E assim podemos dizer, sem corar, que não temos responsabilidade alguma sobre o que está acontecendo.

Me inclua fora dessa. O problema são os outros

O que Muricy poderá fazer para ajudar o São Paulo? Desfilar sua “sãopaulinidade”, termo criado pelos dirigentes e que eu não faço ideia do que seja. Espero que não aquela visão eugenista do antigo presidente, que admirava Kaká por ter todos os dentes na boca?

Muricy vai dizer que o São Paulo é um boeing. Que é preciso respeitar o clube. Que é preciso dar mais que 100%. Que aqui é trabalho. Porra? O que mais ele pode fazer?

O que deveria ter sido feito há tempos e que não pode mais ser feito?

Como saber o óbvio, por exemplo.

Que um time que tem Sidão, Renan Ribeiro e Denis não tem um goleiro confiável? É tão claro, tão evidente. Marco Aurélio Cunha, Rogério Ceni, Leco, Jacobson, Medici e Pinotti não perceberam isso? Quem errou? Quem não corrigiu? Um time pode até ser campeão com um goleiro assim, médio no máximo, mas esse time, não. Um goleiro fraco pode ser o único problema do time, mas não pode ser um problema a mais. Porque, então, tudo aumenta de proporção.

Que o time tem laterais fracos. Buffarini, Bruno, Junior Tavares e Edimar têm problemas. Problemas identificados há tempos, exceto os de Tavares, que apareceram com nitidez com o correr do campeonato. E dava tempo de corrigir. Dava tempo. E nada foi feito.

Que o São Paulo sucumbe à cabeçadas de Léo Gamalho? Onde está o erro? No cruzamento? Na zaga?

Que o reserva imediato de Petros é Militão, que precisa jogar na lateral porque não tem lateral? Que a outra opção é Araruna, que também precisou jogar na lateral?

Que Denílson, Thomaz e Marcinho são opções frágeis.

Faltam 15 rodadas.

Sobram problemas graves.

Muricy não vai resolver nada.

Ele é apenas um factoide desesperado.

O próximo, se nada mudar, será a demissão de Dorival Jr.

Ela será realidade se a situação não der mostras de melhora nas próximas cinco rodadas. Virá, então, um novo treinador para dar uma chacoalhada no time. Um choque de emoção. O choque de gestão não virá.


O adeus de Ceni a Pintado. O choque com Pinotti. Decepção com Beale
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Menon

Na sexta-feira, 30 de junho, um Rogério Ceni bem diferente do normal, costumeiramente confiante, comandava mais um dos muitos treinos fechados, algo constante em sua passagem pelo São Paulo.

Estava visivelmente abatido, nervoso, olhando de lado, como se faltasse alguma coisa. Faltava. Naquele dia, Michael Beale, o inglês que ele trouxe ao Brasil para ser seu braço direito havia pedido demissão.

“Não estou surpreso, mas assustado”, disse Ceni a um amigo. Talvez já esperasse a saída, mas não naquele momento em que o time estava tão mal e em que ele precisava de apoio. O São Paulo não vencia havia cinco jogos, com um empate e quatro derrotas.

E ele estava só, comandando o último treino do time que enfrentaria o Flamengo, dois dias depois, no Rio.

Estava só, mas acompanhado. Ao lado de Pintado, auxiliar em quem não confiava e que não havia sido um pedido seu, como membro da comissão técnica.

E, além da saída de Beale, estava irritado com a negociação de Thiago Mendes para o Lille. O jogador não aceitou seus pedidos e argumentações para que ficasse até o final do ano. Bateu o pé e saiu.

No dia seguinte, o velho Ceni estava de volta. Havia recorrido à casca que sempre o acompanhou durante a carreira de jogador vitorioso e treinador incipiente. Mostrava a confiança e altivez que muitas vezes foi confundida com arrogância. E, que para muitos, é arrogância mesmo.

No domingo, o São Paulo perdeu para o Flamengo. E chegou à zona de rebaixamento, no 17º lugar, com 11 pontos, o mesmo número do Bahia, algo que não acontecia desde 2013. Na entrevista coletiva, Ceni culpou Leandro Paulo Vuaden, o árbitro, por haver dado uma falta do estreante Petros em Guerrero e por deixar a barreira tricolor muito longe da bola. E,  para dar segurança aos jogadores, assumir a pressão pelos maus resultados.

“”Graças a Deus que é cima de mim a pressão. Fico feliz. Pela história que construí, pelo lastro que tenho, já conquistei muitos títulos e tive decepções. Ganhei Campeonatos Brasileiros, fomos eliminados em mata-mata, já frequentamos meio de tabela e passamos por essa situação única em 2013 quando eu jogava”, ressaltou.

A tática não deu resultado. Na segunda-feira, foi demitido. O presidente Leco eximiu-se de qualquer culpa pela situação e começou-se a falar de “herança maldita” de Ceni. Foi o final infeliz de uma relação que começou com juras de amor.

A CONTRATAÇÃO

Em setembro do ano passado, Rogério Ceni procurou Marco Aurélio Cunha, então diretor executivo de futebol. Disse que respeitava muito Ricardo Gomes, mas, que, se ele não fosse ficar no clube em 2017,  gostaria de ter seu nome considerado para assumir o clube. Tambem procurou Vinícius Pinotti, então diretor de marketing, pedindo apoio à sua pretensão.

Marco Aurélio disse para ele se preparar. Para fazer uma imersão em Cotia. E Pinotti, que no futuro teria muitas discordâncias com ele, assumiu o papel de cabo eleitoral.

Em novembro do ano passado, Ceni foi anunciado como novo treinador. E, antes disso, conseguiu, nas negociações, uma multa de R$ 5 milhões e caso de demissão, se ela viesse com mais de 47% de aproveitamento. E foi duro sobre a pré temporada. Tinha de ser como ele queria. Caso contrário, preferia assumir o cargo apenas em 2018.

Tudo foi aceito. O técnico iniciante agiu como se tivesse a faca e o queijo na não diante de um grande clube. Pesou o seu nome, sua condição de mito e a necessidade de respaldo de uma diretoria que havia escapado do rebaixamento com muito custo.

O PODER ILIMITADO

Ceni trouxe o inglês Michael Beale e o francês Charles Hembert como auxiliares. Era seu núcleo duro. Tinha total confiança neles e nenhuma confiança em outras pessoas.

Em uma das primeiras reuniões, perguntou a um funcionário presente qual era a sua função. Ele disse que trabalhava no Morumbi, assessorando a diretoria.

Ah, entendi, respondeu Ceni. Se tiver algum problema entre mim e a diretoria você vai ficar com eles. Vou tomAr cuidado

Disse que não gostaria de trabalhar com Pintado. Via nele um possível concorrente ao cargo, pois Pintado nunca escondeu que sua meta, como figura história do clube, era ser, um dia, técnico do São Paulo.

Foi dissuadido pela diretoria. Lembraram a Ceni que, quando Bauza havia caído, fora André Jardine quem assumira. Prova de que Pintado nunca seria efetivado. Ceni aceitou os argumentos, mas sempre manteve distância do auxiliar. Era ele, Beale e Hembert. Apenas.

 

Em 21 de janeiro, Marco Aurélio Cunha deixou o São Paulo. Seu cargo passou a ser ocupado pelos diretores Jacobson e Medici. E o poder de Rogério Ceni aumentou ainda mais. Não atendeu nenhuma ponderação sobre a necessidade de fazer mais treinos abertos e de tentar uma aproximação maior com jornalistas e, logicamente, com a torcida. O que era uma tentativa de proteção a ele, foi entendido como confrontação.

 

MONTAGEM DO ELENCO

Rogério teve o que queria, dentro do possível. A diretoria explicou que precisava fazer dinheiro e ele foi a favor da venda de Lyanco.

Havia propostas por David Neres e Luiz Araújo e ele optou por Neres, que renderia mais e que não estava com ele na pré temporada. Pediu para que Luiz Araújo ficasse e foi atendido. Pediu que Thiago Mendes ficasse e foi atendido. Pediu Cícero e foi atendido. E, seguindo orientação da diretoria, apostou na base.

Ele também recusou muitos jogadores. A diretoria chegava até ele e explicava que havia um bom negócio em vista. Ele respondia que  não gostava do jogador e que, se fosse contratado, não seria utilizado por ele.

A exceção foi Jucilei, que ele vetou e depois utilizou constantemente.

ENTREVISTA DESASTROSA

EM 5 maio, Pinotti assumiu o futebol do São Paulo. No dia 11 de maio, houve a eliminação para o  Defensa y Justicia, da Argentina. A terceira seguida. Após o jogo, antes da coletiva, Pinotti foi falar com os jornalistas e deu total apoio a Ceni. Disse que ele estava mantido até o final do contrato. Era a deixa para o treinador ter uma coletiva tranquila.

Não foi nada disso. Ceni estava irritadiço e transmitiu muita insegurança. Disse que, se os treinos fossem abertos, os jornalistas continuariam a não entender nada. E reclamou do período sem jogo, que havia sido de 17 dias. Justamente ele, que havia reclamado de falta de tempo para treinar.

No dia seguinte, comunicou a Pinotti que não trabalharia mais com Neílton, que havia sido sua arma secreta contra o DyJ. Treinou 17 dias com ele, jogou 45 minutos, foi substituído e afastado. O jogador que viera, a seu pedido, em uma troca com Hudson, não servia mais. E o São Paulo havia sido eliminado da Copa do Brasil com gol de Hudson.

FALTA DE CONVICÇÃO.

Foi a segunda vez que Ceni havia mostrado falta de convicção. A primeira foi após a derrota por 3 x 0 para o Palmeiras, em 11 de março, ainda no Paulistão. O time que marcava pressão na saída do adversário, que ataca muito, que se arriscava, não existia mais. E Ceni começou a mudar. Jogou com três zagueiros, deixou de privilegiar posse de bola, depois passou a jogar com duas linhas de quatro.

O time era escalado de acordo com o adversário. E passou a render cada vez menos, até entrar na seca do Brasileiro, que terminou com sua demissão, menos de três meses depois.

CHOQUE DE ESTRELAS

Vinícius Pinotti assumiu o segundo cargo mais importante no futebol do São Paulo, seu clube do coração. Para isso, afastou-se de sua empresa. Não faria isso para não exercer o poder. E o poder estava com Ceni. O choque entre ambos era inevitável.

Houve cobranças que não foram bem aceitas. Ceni não se limitava a ser apenas o treinador. Até que um dia, a conversa foi ríspida.

“Rogério, existe uma hierarquia no clube. E eu não abro mão dela. Eu sou diretor de futebol e você é o treinador”.

Rogério entendeu o recado vindo daquele que havia sido um dos entusiastas de sua contratação.

Pinotti estava irritado também com algumas contratações que foram pedidas por Ceni: Cícero, Sidão, Marcinho e Thomaz, principalmente Thomaz. O diretor não se conformava – e não é culpa de Ceni – que um jogador desconhecido tivesse sido agraciado com um contrato de três anos com o São Paulo, ganhando R$ 80 mil por mês.

FIM DA PARCERIA

As constantes reclamações de Ceni sobre o desmanche do elenco deixaram Pinotti e Leco descontentes. Rogério habilmente construía a narrativa de que havia sido abandonado pela diretoria.

E a diretoria sabia que quase tudo havia sido feito sob aprovação do treinador, como as saídas de Lyanco, Neres e Luiz Araújo.

No caso de Luiz Araújo, Ceni dizia a alguns que o São Paulo, graças a ele, havia ganho em torno de 4 milhões de euros, a diferença entre a primeira e a segunda ofertas do Lille. Graças a ele, Ceni, o garoto teria se valorizado tanto. Mas, para o grande público, Ceni pintava como traído.

Thiago Mendes foi o único jogador que saiu, apesar de pedidos reiterados do treinador. Pedidos feitos, inclusive, ao próprio jogador, que foi irredutível. Alias, em sua apresentação no São Paulo, em 2015, Thiago já havia dito que iria para a Europa. Que era seu sonho.

RESULTADOS DECIDIRAM

Todos os problemas poderiam ser solucionados, todas as arestas poderiam ser aparadas. Mas o time não reagia. Perdia de pouco, mas perdia. E Ceni culpava “erros medonhos” e dizia que seu time podia encarar qualquer rival do Brasil. A frase foi dita após o empate em casa contra o Fluminense, dia 25 de junho.

Ali, ele já balançava. E não sabia que teria apenas uma semana a mais para reagir. Um  jogo a mais. Foi a derrota para o Flamengo.

E caiu.

O ADEUS

Ceni despediu-se dos jogadores, mandou uma mensagem aos torcedores, através das redes sociais. Agradeceu ao clube.

E mandou uma mensagem a Pintado, em quem ele nunca confiou.

“Vai firme Pintado, desejo sucesso e muita sorte amanhã, estou embarcando, não poderei assistir aos próximos jogos, mas tenho a certeza que a vitória vira. Hora de respirar, dar um tempo e aprende cada vez mais e num futuro voltar a trabalhar. Obrigado por tudo.”

Estava arrependido da desconfiança? Ou estava apenas incentivando seu substituto, pelo bem do São Paulo?


São Paulo precisa de um grande goleiro
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Menon

Dorival resolveu trocar Renan Ribeiro por Sidão. Olha, com muito boa vontade, podemos dizer que é uma troca seis e meio por meia dúzia. Eu nem acho que Renan seja o maior culpado pelos números ruins que a defesa mostra desde que o atual treinador assumiu. São 14 gols em oito jogos, uma enormidade, mas qual foi a grande falha? O segundo gol contra o Botafogo? Mas, nada contra a troca. Algo precisa ser feito.

O São Paulo teve três goleiros em 30 anos: Gilmar, Zetti e Rogério. Os três foram campeões mundiais, nenhum como titular. Eram grandes goleiros, também falhavam, mas havia personalidade, força e confiança dos outros jogadores e da torcida. Totalmente diferente do que se vê com Denis, Renan e Sidão.

O que me assusta em Denis e Renan é a falta de ambição. Aceitaram ser coadjuvantes, à espera da renúncia de Ceni. Denis chegou em 2009 e sabia que só jogaria quando Ceni se aposentasse. E sabia que Ceni só se aposentaria quando quisesse. É uma postura ruim para quem tinha 22 anos. Deveria ter pedido para sair quando Rogério aceitou ficar um ano a mais e depois, outros ano a mais.

Renan Ribeiro chegou em 2013 para ser o reserva de Denis, para ser o reserva do reserva de Ceni. Talvez pensasse em ganhar a posição de herdeiro nos treinos e depois, é só esperar a aposentadoria do titular. Só conseguiu o que queria em 2017, o que acaba de perder.

A postura dos dois é muito passiva. Esperar alguém sair para assumir. Parece Monarquia. Foi uma postura totalmente diferente do que fez Ceni quando era reserva de Zetti. Ele mostrou que queria jogar, não apenas nos treinos, mas também falando. Deixou claro que, se não fosse sua vez, sairia. E Zetti saiu não porque quis, mas porque havia um jovem de muita qualidade, com 23 anos, louco para jogar.

E tem Sidão. Veio na melhor situação possível. Ceni havia parado. Denis havia fracassado. Ceni era o treinador e pediu por ele, após 35 partidas no Botafogo, time que defendeu após um semestre no Audax. Um ano jogando como titular em boas equipes e chega para ser titular do São Paulo. Não conseguiu. Não passou confiança e agora volta a ter uma chance.

São Paulo tem três e não tem nenhum. Denis termina o contrato em dezembro e vai sair. Renan termina o contrato em maio e o São Paulo não deveria ficar com ele. Não acrescenta nada. O correto é ficar com Sidão, Lucas Perri e um grande goleiro. Buscar alguém que dê tranquilidade e confiança ao time.


Zé Ricardo, o quinto magnífico demitido. Renovação falhou
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Menon

No início do ano, havia muito expectativa com o trabalho de sete jovens treinadores em sete grandes equipes brasileiras. Poderia ser o início da renovação do nosso futebol, preso a velhos professores com suas pranchetas, projetos e falta de atualização com o futebol moderno.

Além de expectativa, havia boa vontade com eles. Pouca coisa se confirmou. Zé Ricardo, do Flamengo, após uma derrota em casa para o Vitória, por 2 a 0, foi o quinto a perder o emprego.

Relembremos os cinco demitidos.

ZÉ RICARDO – Havia assumido o Flamengo após um mau trabalho de Murici e levado o time a um bom desempenho. Agora, com elenco reforçado, seria a hora de se firmar como um grande novo nome.

ROGER – Trabalhou bem no Grêmio e sua saída causou grande comoção, principalmente pela chegada de Renato Gaúcho, que se orgulhava de preferir futvôlei ao estudo de táticas. No Atlético-MG, Roger deslancharia. Ganhou o Mineiro e foi mal no Brasileiro.

ANTONIO CARLOS ZAGO – Tinha um bom tempo de estrada, inclusive com passagem no Palmeiras, mas agora era uma esperança repaginada, após cursos na Uefa e boa passagem no Juventude. Seria o homem para recuperar o Inter, agora na Segundona. Perdeu o Gaúcho para o Novo Hamburgo e começou mal a Série B.

EDUARDO BAPTISTA – Depois de boas passagens pelo Sport e pela Ponte, apareceu como o nome ideal para substituir Cuca no Palmeiras, que sonha com o Mundial. Pouca gente se lembrou de seu fracasso no Fluminense. Caiu após uma derrota para o Jorge Wilstermann, muito pouco para quem sonha em vencer o Real Madrid.

ROGÉRIO CENI – Sem nenhuma experiência anterior, chegou ao São Paulo respaldado por seu passado único no clube, por alguns cursos feitos na Europa e por trazer consigo auxiliares estrangeiros. Foi mal no Paulista e somou 11 pontos em 11 jogos no Brasileiro.

Dos sete magníficos, restaram FÁBIO CARILLE, que venceu o Paulista e conduz o Corinthians a um campeonato brasileiro histórico. E JAIR VENTURA, que tem levado o Botafogo a romper limites técnicos.

Os cinco magníficos floparam e alguns veteranos retomaram o sucesso, como Renato Gaúcho, Levir Culpi e ele, o ressurgido Vanderlei Luxemburgo, de ótimo trabalho no Sport.

Lamento o insucesso da renovação, mas não fico triste com a ascensão dos veteranos. Ótimo saber que não há apenas uma maneira de ver futebol e que é possível fazer um trabalho consistente e criativo sem falar em amplitude, basculação, recomposição, transição e terço final.


7 motivos para o São Paulo não cair
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Menon

during the Serie A match between Juventus FC and Torino FC at Juventus Arena on October 31, 2015 in Turin, Italy.

Uma queda de time grande não é uma queda anunciada. Ela vai se construindo a cada dia. E começa antes do início do campeonato. Começa anos antes. Começa fora de campo, com falta de gestão, falta de transparência e de democracia. O São Paulo, o ameaçado da vez, mudou estatuto, prorrogou mandato, teve presidente ladrão e jogou a sujeira para debaixo do tapete.

Seguiu a cartilha da queda direitinho, mas algumas atitudes da diretoria e algumas características do elenco deixam aberta a possibilidade de reação. São a vacina contra o mal.

  1. O fator HPPrL – Hernane Petros e Pratto são profissionais comprometidos, de muita personalidade e com liderança. São atletas que cuidam do físico e respeitam a profissão. São comandantes que podem levar o restante da tripulação a remar para o mesmo lado e evitar a queda. Hernanes e Pratto, além disso, possuem bom nível técnico, mais do que Petros, que considero inferior a Thiago Mendes. Lugano é o quarto elemento da turma, apesar de não entrar em campo
  2. Cueva – O peruano deu sinais de reação  na derrota contra a Chapecoense e os confirmou contra o Vasco. Ele foi o melhor jogador do ano passado e sua queda de rendimento foi terrível para o time. No gol contra o Vasco, deu um passe espetacular para Pratto. E, na comemoração, ficou demonstrado a diferença entre os dois. O argentino vibrou muito e o levantou para que todos vissem. Estava jogando pelo grupo, estava dando moral a Cueva, que, praticamente não reagiu. Mostrou apenas timidez. De Cueva, pode-se esperar apenas bom futebol. De Pratto, bom futebol e comprometimento.
  3. Poucos gols sofridos – O São Paulo está em 18º lugar, antes de completar a 16ª rodada. Se vencer, ficará em 16º. E é a sétima melhor defesa, ao lado de Palmeiras (quinto lugar) e Avaí (17º). Tem saldo negativo de três gols, muito melhor que os seus concorrentes como Atlético-GO (16), Vitória (13), Avaí (8), Furacão (8), Coritiba (5), e Chape (6). É um time que não foi goleada nenhuma vez, embora tenha levado três gols de Corinthians e de Santos.
  4. Boa atuação na janela – O que ajuda um time grande a não cair é ter dinheiro (ou crédito) para se reforçar. O São Paulo, que perdeu muitos jogadores importantes, conseguiu reforços de bom nível. Arboleda e Petros estão jogando bem. Gómez, não, mas tem comprometimento. Hernanes e Marcos Guilherme são esperanças baseadas em bom futebol. Ainda há boas opções no elenco como Jucilei, o mais regular do time, Renan Ribeiro e reservas como Marcinho, Lucas Fernandes e Gilberto. Tem ovos para fazer uma omelete salvadora.
  5. Morumbi – O São Paulo realizou sete jogos em casa. Ganhou quatro – Palmeiras, Vasco, Vitória e Avaí – empatou com Fluminense e Dragão e perdeu para o Galo. Disputou 21 pontos e ganhou 14. É um aproveitamento de 66,6%, quatro pontos a cada dois jogos. Se mantiver essa média até o final do campeonato, terá conseguido 38 pontos. Faltará pouco para os 46 salvadores.
  6. Torcida – A torcida do São Paulo tem comparecido e ajudado o time. Um papel muito bonito por perceber que a razão de sua paixão está sofrendo. O time está na rabeira e tem a quarta melhor média de público como mandante. Na quinta-feira ,de frio, às 19h30, havia 23 mil contra o Vasco. Contra o Grêmio, já foram vendidos 25 mil ingressos.
  7. Dorival Jr. – Considero Rogério Ceni uma vítima e não o culpado pela situação. Mas há um novo treinador e ele acertou em algumas coisas. Optou por um jogo de posse de bola e pela manutenção de um time-base. A posse de bola faz com que o time tenha domínio tático do jogo e evite loucuras que eram comuns antes, com um time muito desequilibrado, algo que Ceni já tratava, sem muito sucesso, de corrigir. E a manutenção de uma base faz com que o time evolua. Além disso, Dorival detectou que Júnior Tavares estava muito mal na marcação e o trocou por Edimar. Dará certo?  Dorival conseguirá recuperar Wellington Nem? E o ataque, conseguirá ser mais efetivo? Até agora, foram apenas 15 gols. São desafios prontos para Dorival e suas primeiras atitudes dão esperança de solução.

Bela carta de Rogério Ceni, arrogante, corajoso e vencedor. E os outros?
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Menon

Rogério Ceni é arrogante. E daí? O que essa característica de sua personalidade, principalmente quando está acuado – basta lembrar a desastrosa entrevista após a eliminação para o Defensa y Justicia – tem a ver com sua história no futebol? Ceni é arrogante, Marcos é alegre, Suárez é racista, Pelé não reconheceu a filha, Maradona não reconheceu o filho, Roberto Carlos, o cantor, é censor, e cada um que liste o defeito de algum outro ser humano.

Pior do que carimbar na testa de Ceni a arrogância, é tentar explicar, através dela, a má experiencia que teve como treinador de futebol. A primeira. A arrogância seria a responsável por ele ter aceitado dirigir um grande clube sem ter experiência alguma.

Ora, coragem e autoconfiança mudou de nome? A comparação é com Zico, que, de tão humilde, nunca aceitou ser técnico do Flamengo. Perderam Zico, o Flamengo e o futebol. Beckenbauer, que dirigiu o Bayern, é arrogante? Ou corajoso? São epítetos subjetivos que não medem nada; apenas os nossos preconceitos.

Em uma carta publicada em seu facebook, Ceni fala como era arriscado assumir o comando do São Paulo. Disse que se sentia preparado e que “o risco e a incerteza fazem parte de minha vida e do mundo do futebol”. Ele usou uma frase de Pierre Corneille, dramaturgo francês do século 17, para definir sua ideia de vida: “quem vence sem riscos, triunfa sem glórias”.

Ceni é arrogante? Sim. E também é forte mentalmente, é inteligente, arrojado, vencedor e entende de futebol. Foi muito mal, mas pode voltar e ter sucesso.

E aqueles que o demitiram e se consideram sem culpa alguma no atual momento do clube?

A comparação só eleva Ceni, pois arrogantes, no caso, todos são. Para os outros, falta a noção da grandeza do São Paulo. Um clube que não nasceu para ter os pés no chão, cravados na mediocridade.

 

 

 


Cartilha para Dorival Jr. se dar bem no São Paulo
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Menon

Caro Dorival;

Você está assumindo um dos gigantes do futebol brasileiro. Humildemente, passo umas dicas para que sua passagem seja boa e tenha sucesso.

1 – É importante não ter ilusões. O clube continua gigante, mas não é mais como antes, quando chegou a se tornar referência de profissionalismo. Por isso, não espere muita ajuda. Faça por você mesmo.

2 – Saiba que, se você tiver sucesso, ele será creditado aos cartolas.

3 – Saiba que, se você fracassar, a culpa será só e somente sua. A diretoria não erra

4 – Exija uma multa de R$ 15 milhões. Afinal, a atual diretoria aceitou uma multa de R$ 5 milhões para um treinador que eles consideravam novato. Como você não é novato…

5 – Procure o senhor Alexandre Pássaro, advogado do clube. A diretoria não se incomodou que o contrato do novato tivesse o senhor Pássaro atuando dos dois lados. Pôde servir aos dois senhores, Ceni e o São Paulo.

6 – Trabalhe sempre com a possibilidade de o titular de hoje se tornar um ex-jogador amanhã.

7 – Se a situação continuar difícil e você estiver preocupado, cuidado ao externar o que está sentindo. Para a diretoria, tudo é circunstancial e o Soberano não corre riscos, nunca.

8 – Fique sempre de olho na base. O menino de hoje pode ser o titular de amanhã;

9 – Fique de olho em Junior Tavares. Ele jogou 95% das partidas e pode estourar a qualquer momento. O único substituto é Edmar, que veio do Cruzeiro e nunca atuou.

10 – Não existe um time. Jogadores estão chegando, como Petros, Arboleda e Gómez. Maicosuel veio há pouco tempo, chegou na quinta, jogou no domingo e depois, ninguém sabe e ninguém viu.

11 – Você terá sucesso se tirar o time do rebaixamento. Terá mais sucesso ainda se levar o grupo ao nono lugar, vá lá, na primeira metade da tabela. Mas nada impede que você seja demitido ao final do ano. Ou, quando não houver mais riscos. Foi assim com Ricardo Gomes.

12 – Deixe claro ao presidente que vc não se incomoda com possíveis menções “desairosas” da torcida à sua pessoa. Não precisa ser demitido por isso

Muito boa sorte, Dorival.


Marcos, o unânime, e uma entrevista com gosto de saudade
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Menon

Marcos, unânimidade

O trepidante Danilo Lavieri fez uma matéria espetacular com Marcos , o eterno camisa 12 do Palmeiras. Deveria ter colocado o link no final do meu post. Agora, vocês vão lá, mas não esqueçam de voltar aqui.

É uma matéria com gosto de saudade. Saudade de um jogador que se tornou unanimidade de todas as torcidas, mesmo sendo um palmeirense em campo. E saudade de um tempo recente em que o mundo não era um enorme BBB, no qual as pessoas se julgam no direito de filmar outras e jogar sua obra no mundo virtual.

Marcos fala sobre isso de peito aberto. Como se divertia muito nas segundas-feiras na praia e como aproveitava no Villa Country. E agradece pelo fato de não haver celular. Talvez o Santo desse lugar ao Baladeiro. Mas, de qualquer forma, seria um baladeiro unânime, querido, porque Marcos sempre teve freio zero. Sempre mostrou o que era. E, por ser um de nós, torcedores, passou a ser adotado por todos nós.

As entrevistas de Marcos após os jogos, durante alguns anos terríveis que o Palmeiras viveu, era a festa para os repórteres. Todos esperam pelo goleiro. Todos sabiam que ele desabafaria. “Marcão mete bronca, Marcão pega geral”, era a mensagem que ficava. Aquilo fazia mal para o Palmeiras, pois a crise era aumentada. Mas fazia bem para o palmeirense, que via que alguém estava incomodado, sofrendo como ele.

Na entrevista de Danilo com Marcos, vemos uma pessoa generosa. Ele chega a assumir um pouco de culpa pelo fato de Deola e Bruno não terem dado seguimento à alta qualidade da Escola Palmeiras de Goleiros. Culpa que ele não tem, é lógico.

Ele mostra-se também parceiro de Rogério Ceni, dizendo acreditar no seu futuro como treinador, mas ponderando que ele ainda tinha o que aprender. Postura de amigo, coisa que os cartolas tricolores não tiveram com seu ídolo. Aliás, a dicotomia Marcos x Rogério, presente com intensidade no inconsciente das duas torcidas, nunca atingiu os dois craques. Eles sempre se respeitaram e tiveram carinho um com o outro.

Marcos faz falta. Danilo fez muito bem em trazê-lo de volta. Na próxima entrevista, se quiser me chamar, eu vou. Fico quietinho, só olhando. Mentira, não dá pra resistir. Faria uma ou outra pergunta, sim.