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Neymar foi anjo e demônio em Glasgow
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Menon

O PSG levou os dois Neymares a Glasgow. E eles fizeram o que se esperava deles. Um show de bola e de mau comportamento.

Durante o jogo foi o que é: o maior jogador brasileiro desde Zico, ao lado de Ronaldinho, Ronaldão e Romário. E crescendo. Fez o primeiro gol do jogo, recebendo passe genial de Rabiot, e definindo com precisão e técnica. Perseguido pelo zagueiro, com o goleiro crescendo à sua frente, marcou mais um para a conta que não termina. Gol de matador. Deu o passe para Cavani fazer o segundo. O uruguaio furou, mas Mbappé fez. Há um novo trio por aí. New kids on the Block (nããããõ), o NCM está aí. Ou seria NMC? Não sei. Precisa começar com N, de Neymar. Um anjo da bola.

Neymar foi também o que é desde que entrou em campo pela primeira vez. Um jogador que não respeita o adversário. E nem estou falando de drible, de lambreta, tudo isso é válido e só deixa o futebol mais bonito. Quem delimita o que é válido em campo, falando-se de drible, é quem não sabe driblar. Então, começa aquela história de fazer isso ou aquilo quando está ganhando é fácil, quero ver…blábláblá… Neymar sabe driblar e deve driblar. Fazer o que sabe não é desrespeito.

O errado é ficar mostrando três dedos para o marcador, mostrando o placar do momento. Errado é ficar reclamando de faltas. E, ao final do jogo, não aceitar o cumprimento do rival. Como se fosse indigno de compartilhar o mesmo espaço com ele, o Neymar. Prefiro o comportamento de Neymar no final do jogo do Brasil contra a Colômbia, quando esqueceu velhas rusgas e confraternizou com os companheiros de profissão.

Eu acho aceitável um atacante irritar-se com marcação pesada e jogar duro contra o zagueiro também. Edmundo era assim. Não gosto da ironia, do desprezo e do não saber vencer. Prefiro a dignidade dos jogadores de rugby, que fazem da pós carnificina uma ode ao esporte. Neymar precisa aprender com eles. Ou com Lionel Messi.


Peso da camisa amarela conseguiu um ponto em Assunção
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Menon

O Brasil conseguiu um ponto em Assunção porque é uma seleção com cinco títulos mundiais, porque aquela camisa amarela já foi envergada por Pelé, Garrincha, Romário, Didi e tantos outros craques. É uma camisa que tem passado, que tem peso, uma camisa que assusta, que intimida, que joga por si.

Só isso explica a maneira acovardada como o Paraguai se portou após fazer o segundo gol, logo a seis minutos do segundo tempo. A partir daí, diminuiu o ritmo. Depois recuou. E, recuado, tomou o primeiro gol. E, tomado o primeiro gol, formou um muro com dez jogadores à frente de Justo Villar. Desistiu do jogo. Apostou apenas em chutões. E foi castigado.

Dunga não teve méritos? Teve, sim. Reagiu, o que não estava acontecendo. (

Na verdade, a maior contribuição de Dunga está escrita no primeiro parágrafo e não no terceiro. Como volante muito bom na marcação, com bom passe e capacidade de chutar de fora da área, além da liderança inconteste, Dunga ajudou a construir a mística da camisa amarela, ainda temida em alguns lugares. Pelo menos, em Assunção.

Como treinador, sua contribuição foi pequena. O Brasil, passadas seis rodadas, tem 9 pontos ganhos. Apenas 50% de aproveitamento. Está em sexto lugar, atrás de Uruguai, Equador, Argentina, Colômbia e Chile. Só ganha do Paraguai nos critérios técnicos.

O Brasil precisa de mais. Muito mais.


Romário fez um texto preciso e emocionante. Faço tabelinha com ele
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Quem aí é igual? O que é ser perfeito? O que nos torna diferente do outro?

Essas perguntas podem ter muitas respostas. Eu tenho seis filhos, para mim, todos eles são diferentes: cor, altura, personalidade, deficiência… mas todos são igualmente perfeitos.Faço esta reflexão porque, nos últimos dias, recebi uma avalanche de mensagens com alertas sobre a jornalista Silvia Pilz, do O Globo, que esc…reve textos altamente preconceituosos sobre pessoas com deficiência, negros e pobres.

Em um dos textos, intitulado “Cacoete”, ela escreveu:

“Chegamos em Salamanca e nos deparamos com um enxame de crianças com síndrome de Down circulando pelas ruas. Parecia um pesadelo, mas era só um grupo de crianças especiais conhecendo a cidade.”

E continua, após alguns parágrafos:

“Será que o enxame de crianças com síndrome de Down ainda está por aqui? Eles devem ter alguma coisa para nos ensinar. Vejo sempre relatos de pais emocionados, como se fossem abençoados. Deus, como temos dificuldade em assumir fardos!”

Peço desculpas por fazer vocês lerem isso. Talvez, assim como eu, já estejam sentindo um embrulho no estômago. Mas acreditem, ela não parou por aí. E disse em outro texto:

“Todo mundo quer ser branco e ter olhos claros. Negras alisam cabelos, pais e mães, quando resolvem adotar bebês, vão pro Sul do país. Se bem que os mini-afrodescendentes estão em alta. Simbolizam o “eu não tenho preconceito”, porque o que acontece em Hollywood, depois de um tempinho, acontece aqui. Parece uma espécie de campanha na qual quem adotar o mais feio garante seu lugar no céu”.

Em outro trecho ela afirma que “gostaria de voltar pro mundo onde anões eram chamados de anões e não de pessoas verticalmente prejudicadas”.

Talvez aí esteja o cerne do problema da jornalista. Ela vive em um tempo que não lhe cabe mais. Prova disso foi a avalanche de protestos contra suas palavras. Já vivemos um tempo em que pessoas eram escravizadas pela cor da pele, por disputas territoriais ou guerras. Neste mesmo tempo, crianças nascidas com deficiência não tinham vez, eram abandonadas, doadas, escondidas. Anões (sim, eles continuam sendo chamados assim) eram expostos em feiras de bizarrices. E tudo isso era considerado normal. Este tempo passou. Não de uma hora para outra, mas à medida que a consciência das pessoas despertou para a diversidade do nosso mundo. À medida que o alcance e a velocidade da nossa comunicação se ampliaram para muito além das fronteiras. À medida que muitas pessoas gritaram e se ergueram contra as injustiças.

Vejo este grito por mudança se erguendo novamente. Agora contra pessoas que pensam como você, que acham que existem pessoas perfeitas e outras consideradas “fardos”. Assim como acha que todos querem ser brancos de olhos claros. Ou mesmo que se assustam com um anão ou sentem desconforto na presença de crianças com síndrome de Down. Você realmente vive no tempo errado, no meu tempo, 45 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência. Algo como 24% da população. Estranho mesmo é não enxergar essas pessoas à sua volta, a ponto de, quando vê-las, sentir desconforto. Mas suas palavras são apenas tolices de uma pessoa com uma visão de mundo bastante limitada. Sou a favor da liberdade de expressão, mas lamento um veículo como o jornal O Globo dispor de valioso espaço para um jornalista ofender cidadãos brasileiros.

Fica aqui o meu repúdio.

Tags : romário


Se Romário é moderno, Inezita Barroso é eterna
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Menon

Não sei se é pela colonização portuguesa ou pela extrema religiosidade – não sou sociólogo – mas a verdade é que nós brasileiros gostamos muito de um salvador da Pátria. Alguém que virá em um cavalo branco ou em um rabo de cometa para nos libertar de todos os males passados, presentes e futuros.

Com críticas contundentes aos gastos da Copa, com seu enfrentamento a Ronaldo – então homem forte da Copa, ligado ao governo – com gritos contra a Fifa, Romário ganhou o título de “São” de 2014. São Romário, o Salvador. Romário, o boquirroto. Romário Senador. Um olhar mais atento, porém, mostra Romário autor de ações tão atrasadas quanto aquelas que condena.

Sua participação nas eleições, por exemplo. Criticou Dilma e montou chapa com Lindbergh, do PT. No último ato de Marina Silva antes do primeiro turno – desesperado ato – uma carreata fracassada no Rio, Romário fez forfait. Não deu as caras. E logo, com a passagem de Aécio para o segundo turno, correu a aderir. E negociou com…Ronaldo, aquele que tanto criticava.

Uma característica da personalidade de Romário é a de que não deixa amigo na estrada, como explica o amigo Paulo Júlio Clement. É grato a Luiz Estevão, que deu oportunidade a seu filho Romarinho no Brasiliense. É grato a Eurico Miranda e o apoia na eleição do Vasco. Mas e o Ameriquinha? O time a quem prometeu ajuda – em homenagem ao falecido pai, Edevair, torcedor do clube – e que deixou de lado. O Vasco dá mais votos?

O futebol brasileiro tem salvação. Mas ela não virá de salvadores como Romário, com prática dissociada do discurso. Romário é tão moderno quando Inezita Barroso, de 89 anos, há 34 no comando do Viola, minha viola na TV Cultura, comandando um nicho da música brasileira, um tipo de música brasileira que só encontra guarida ali, com Inezita.

Aliás, Inezita não é moderna. É eterna. Como é eterno o craque Romário. O político, não.


Os 10 maiores jogadores de Copas do Mundo
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Menon

O pessoal do excelente blog Esporte Fino pediu meu voto para uma enquete: quais foram os 10 jogadores que mais se destacaram em uma Copa do Mundo. Escolhi oito campeões e dois derrotados. Minha lista é a seguinte:

Pelé 1958 – Tinha 17 anos – dois a menos que Gabigol – quando comandou a seleção brasileira na conquista de seu primeiro título mundial. Contra País de Gales, fez um gol maravilhoso, com chapéu na área.


Maradona 1986 – Comandou uma seleção que tinha Giusti, Batista e Enrique no meio campo ao título mundial. Fez, contra os ingleses, o mais belo gol de todas as Copas.

Garrincha 1962 =  Brasil perdeu Pelé, contundido, e  Garrincha, seu parceiro de sempre, assumiu o time e o levou ao bicampeonato. Fez até gol de cabeça. O jornal El Mercurio, perguntou “De que planeta vem Garrincha?”

Obdulio Varela  1950 – O capitão uruguaio foi o grande protagonista da maior surpresa futebolística e Copas do Mundo , embora a seleção uruguaia fosse um grande time. Com ele em campo, os uruguaios nunca perderam um jogo de Copa.

Zinedine Zidane 1998 – Uma alma atormentada. Foi expulso na segunda rodada, contra a Arábia Saudita. Não fazia uma grande Copa, mas na final, em 20 minutos, fez dois gols de cabeça, o que nunca havia feito antes, e deu o primeiro título à França

Franz Beckenbauer 1974 – O Kaiser. Foi um revolucionário contido – se considerarmos que jogou na mesma época que Cruyff – por ser um líbero que fazia gols. Em 74, tinha ascendência sobre o treinador e pediu que Netzer, um jogador muito habilidoso, fosse sacado do time na final contra a Holanda.


Romário 1994 – Reserva em 90, só foi chamado em 94 quando a situação estava complicada nas Eliminatórias. Tomou conta da camisa e ajudou o Brasil a ganhar um título mundial após 24 anos.

Kempes 1978 – Seu gol na final contra a Holanda, já na prorrogação, é uma aula que todo centroavante deveria ter. Foi o sexto gol em sete jogos. Kempes era força, velocidade e raça.

Cruyff 1974 – O número 14 estava em todos os lugares do campo. Em todos os campos do mundo. Era a figura central da revolução holandesa, que surpreendeu o mundo nos anos. Pela primeira vez e única vez em uma Copa do Mundo, uma seleção venceu Brasil, Uruguai e Argentina. O que seria do futebol se a Holanda tivesse vencido?

Puskas 1954 – Fez quatro gols em três jogos. Na final, jogou contundido, uma decisão que causou muitas dúvidas em uma época em que não se permitiam substituições. Foi o símbolo de um time que fez 25 gols nos primeiros quatro jogos  e que perdeu a final por 3 a 2 para a Alemanha. Puskas fez 84 gols em 85 jogos pela seleção.

 

Mandem suas listas. Vamos publicar os dez mais dos leitores do blog


Romário ironiza Ronaldo, falando de preferência amorosa e corrupção
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Menon

Discutir com o baixinho Romário não é fácil. Ele não pensa duas vezes em chutar a canela e xingar a mãe do opositor. Foi o que fez com Ronaldo, em resposta às acusações de “falta de patriotismo” e de que “é fácil ficar na oposição e ser contra a Copa do Mundo”.

A resposta veio no final da tarde da quarta-feira,dia 6 de novembro, através de 17 posts no twitter.

Sem nunca citar o nome de Ronaldo, ele começa dizendo que “tem gente confundindo o significado de patriotismo”. Diz que não é contra a Copa, mas sim contra os gastos excessivos. Assegura que não faz parte de entidades corruptas como a Fifa (que vai ganhar R$ 4 bilhões livres de impostos) e do COL (quase um bilhão).

Romário afirma que a Copa está 5 bilhões mais cara do que o previsto e que obras de moblidade urbana e de acessibilidade saíram dos cronogramas. Argumenta que a Copa não deve ser feita 100% com estádios e que é necessário ter hospitais de qualidade porque são uma necessidade básica da população.

Por fim, dá a primeira estocada duríssima, que reproduzo aqui: “Para finalizar, não recebo nenhum dinheiro da Fifa e muito menos alugo apartamentos por R$ 250 mil por mês para essa entidade cheia de corruptos”

E, então, Romário pesa a mão. E com toda a ironia possível solta a última estocada:

“E só para finalizar, eu particularmente, adoro mulher! Mas aprendi a respeitar o gosto de cada um…


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