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Sampaoli erra com Campana e acerta com gordinhos
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Menon

Duas atitudes de Jorge Sampaoli chamaram a atenção no início de seu trabalho no Santos. Ele pediu a contratação de Martín Campana, goleiro titular do Independiente e terceiro goleiro do Uruguai no último Mundial, atrás de Muslera e de Martin Silva. O principal motivo da indicação é a facilidade com que Campana joga com os pés, algo que Sampaoli considera fundamental para o estilo de jogo que pretende implantar no Santos.

Quando o Santos o contratou já sabia dos conceitos de Sampaoli, mas como poderia imaginar que o treinador consideraria Vanderlei, o maior destaque do Santos e um dos bons goleiros do Brasil como descartável? Em seu planejamento pré-Sampaoli o Santos nunca pensaria em gastar com goleiro. Poderia até ceder Vanderlei, mas continuaria com Wladmir. Faria caixa com o goleiro. Agora, para agradar Sampaoli, precisa gastar. E o preço que se fala gira em torno de R$ 15 milhões.

Ora, o Santos não é o Manchester City. E Sampaoli não é Guardiola. Quando chegou ao City, o treinador espanhol pediu Cláudio Bravo, goleiro chileno, por sua qualidade com os pés. Não à toa foi titular absoluto de Sampaoli na seleção chilena. Não deu certo e Guardiola pediu Ederson. Foi atendido imediatamente às custas de 25 milhões de libras.

Inglaterra, Brasil, Premiere League, Brasileirão, Liga dos Campeões, Libertadores, City, Santos, Guardiola, Sampaoli…são realidades diferentes. Diferença abissal. Não dá para ser intransigente, é necessário adaptação. Sampaoli que ensine Vanderlei a melhorar com os pés. Com as mãos, ele não deve nada a Campana.

O que deve ser igual nas duas realidades tão diferentes é a responsabilidade do jogador. O profissionalismo. E, se Sampaoli pedir o afastamento dos jogadores que voltaram acima do peso após férias de um mês, estará muito correto. Há jogador com dez quilos acima. O que fez esse pessoal nas férias? Picanha, cerveja e jogo dos Amigos de Rodinelson x Amigos de Vandercleysson? Todo mundo tem direito a férias e elas devem ser muito bem aproveitadas. Mas um trabalhador não pode atentar contra seu instrumento de trabalho. Uma bailarina não pode aumentar sua circunferência, um escritor não pode cortar os dedos, um jogador de futebol não pode parecer com a bola.


Boselli, Hernanes, Rodrigo Caio, Carlos Eduardo….Acorda, Santos
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Gosto muito das provas de meio-fundo no atletismo: 800 e 1500 metros. Não têm aquela explosão de adrenalina dos 100m, quando quem corre acima de dez segundos sai na foto como aquela visita inesperada de final de ano: atrás, meio escondidinho, uma pessoa legal, mas quase estranho no ninho.

As provas de meio-fundo têm emoção, mas tem tática também. Se o cara quiser largar como se tivesse incorporado Usain Bolt, estará na rabeira antes de se completar a primeira volta. Com 300 metros percorridos, sua luta já será para não ficar em último. Os corredores precisam saber como estão os adversários, precisam fazer jogo de equipe, precisam se defender de jogo de equipe e precisam de gás no final para dar o sprint vencedor. Ou, para não ser surpreendido por ele.

Estará o Santos incorporando o nosso Joaquim Cruz, grande atleta de meio-fundo? Estará ali no bolo, esperando a hora certa de uma arrancada no mercado da bola? Não, a comparação no momento até agora é outra. Enquanto os outros correm, o Santos está com os dois pés pregados no chão.

Se fôssemos continuar brincando com o atletismo e se agora o tema fosse um revezamento 4×100 ou 4x400m, a imagem nos mostraria um quarteto que contratou um grande treinador (Sampaoli), mas que perdeu dois atletas: Dodô e Gabigol. E que está perdendo Bruno Henrique para o Flamengo.

E as perspectivas são ainda piores quando se lembra que Rodrygo em breve partirá também. Cumprirá a sina de toda grande revelação brasileira dos últimos tempo: render dinheiro e não futebol a quem o revelou. Muito melhor que Robson Bambu, que o Santos, após uma barbeiragem incrível, perdeu para o Furacão.

O Santos precisa reagir rapidamente. E causa espanto saber que Renato, o executivo de futebol está de férias na Espanha. Será mesmo? Ou está buscando algum reforço importante? Tomara que sim, caso contrário o semestre estará totalmente prejudicado.


Esqueçam o Mundial, Sampaoli é ótimo
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Menon

O Santos, a meu ver, acertou e muito na contratação do treinador Jorge Sampaoli. Ao optar por ele, o clube brasileiro deu as costas aos treinadores brasileiros. Os famosos estão empregados. Vanderlei Luxemburgo, que insiste em se achar acima das mudanças e da evolução, e Fernando Diniz, que se recusa a deixar de ser refém de suas ideias, sem nenhuma concessão à vida real, são opções perigosas no momento. Dos outros, só se pode esperar mais do mesmo. Ou menos do mesmo.

O corporativismo dos treinadores brasileiros até tem argumentos para questionar Sampaoli. E nem precisa buscar defeitos em antecessores como Aguirrre, Gareca, Bausa ou Osório (aliás quem é que não tem defeitos?). Basta lembrar o último trabalho de Sampaoli, que comando a Argentina na fase final das eliminatórias e na fase inicial da Copa. Foi muito ruim.

Foi ruim principalmente porque Sampaoli não conseguiu ser fiel às suas ideias. Fez uma verdadeira salada de números, mudando do 3-4-3 para 3-5-2 e para 4-2-3-1. Devo estar esquecendo algum. E tudo isso dentro do mesmo jogo. E fez uma péssima escolha técnica ao colocar Caballero e não Armani como substituto do lesionado Romero.

Foi o pior treinado do Mundial. Mas há um Sampaoli que antecede à Copa. O campeão equatoriano com o Emelec, o tricampeão chileno, o campeão da Sul-americana e semifinalista da Libertadores com a Universidad do Chile e o campeão da Copa América com o Chile. Todo o sucesso foi conseguido a partir de ideias próprias. Ao contrário da seleção argentina, onde parecia uma biruta de aeroporto, Sampaoli sempre foi um treinador que apostou na técnica, na posse de bola. Um esquema com três zagueiros, um volante de marcação, outros dois de muita movimentação, um armador e três atacantes.

Para ter sucesso, precisa novamente acreditar em seus conceitos. E duas cositas más: um pouco de paciência do Santos e bons jogadores. E o Santos, que perdeu Gabigol, está sendo muito assediado, principalmente com Bruno Henrique e Victor Ferraz.

Todos esperam pela estreia de Sampaoli. E esta ansiedade só acompanha a quem mostrou boas ideias e bom trabalho por onde passou.


Sem Abel, Santos continua disposto a pagar o que não tem a quem não merece
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Abel Braga recusou o convite do Santos para treinar o time em 2019. Um fato que deveria ser comemorado na Vila Belmiro. A oferta ao treinador de currículo invejável e parcas conquistas recentes teria sido de R$ 1 milhão por mês. Ou R$ 800 mil, segundo outras fontes. Uma remuneração indecente quando se lembra o país em que vivemos. Mas, tudo bem, o futebol não deve se balizar pela nossa desigualdade social. O que deve valer é a lei de oferta e procura. É o mercado. Não há treinador iniciante, em time grande, que ganhe menos de R$ 200 mil por mês.

Ah, o mercado. Um deus a ser reverenciado. Uma chaga que nunca é enfrentada. Uma Ferrari 458 spider usada, com 8 mil quilômetros rodados, é anunciada hoje por algo em torno de R$ 1,5 milhão. Nova, pode chegar a R$ 4 milhões. É o mercado. Não se pode discutir o preço. O que se pode fazer é, como eu, continuar andando de táxi ou de metrô.

É o que o presidente Peres, do Santos, deve achar brega. Horrível. Prefere pagar o que não tem. O que o clube não tem. Não há nenhuma preocupação com responsabilidade fiscal. Sem Abel, ele pensou em Muricy. Novamente, não teria como pagar. E se ouvisse um sim, pagaria feliz da vida. Como alguém que compra uma Ferrari e dorme dentro dela porque não tem apartamento.

Não é só o Santos. A grande maioria dos clubes se rende e, mais do que isso, ajuda a construir a vertiginosa ascensão salarial dos treinadores brasileiros. Vertiginosa e falsa. Falsa porque não se sustenta na qualidade técnica. O que o treinador de seu clube fez de bom no último ano para justificar pertencer a uma casta que chega a receber uma megassena por mês? Fiquemos com Felipão, o melhor do ano, legítimo campeão brasileiro. Foi engolido por Barros Schelotto, na Bombonera e no campo do Palmeiras.

Olhemos para as grandes ligas. Qual treinador brasileiro está por lá? E como ter sucesso na Premiére League, por exemplo, se a maioria não sabe dizer ai lóvi iu? E qual é a necessidade de estudar, de fazer curso, de buscar alternativas táticas, se aqui em Pindorama sempre há um dirigente ousado – com o dinheiro do clube e não dele – capaz de pagar R$ 30 mil por uma DIA de trabalho?

A pobreza do treinador brasileiro é tão grande que são divididos entre propositivos e reativos. Entre os que querem jogar no campo adversário e os que adoram o contra-ataque. Então, quando o Roger Machado vai mal no Palmeiras, dizemos que a culpa também é do Palmeiras, que contratou alguém propositivo para um elenco reativo. Ora, meu jesuscristinho, um cara que ganha um salário tão alto não deveria estar apto a fazer qualquer elenco funcionar? Não deveria se adaptar ao que tem e fazer um bom trabalho. Ou, no mínimo, ter a coragem de dizer que o elenco não se adapta a seus conceitos e recusar a bufunfa?

Mas, não. Eles são os reis de um futebol que patina na mediocridade há tempos. Não é coincidência.

 

 


Suecos homenageiam Pepe e Zagallo, 60 anos após o primeiro título mundial
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Tudo começou com um contato inusitado de um fotógrafo, Paulo Villar, e de um apaixonado por literatura, Rodrigo Acciolly. Os cariocas e amigos idealizaram uma exposição fotográfica da personagem da literatura infantil Pippi Meia Longa. “A menina mais forte do Mundo”, a amada ruivinha da escritora sueca Astrid Lindgren que há décadas encanta crianças e adultos no Mundo inteiro. Primeiramente, tiveram como cenário a Cidade Maravilhosa e, neste ano, inspirados, deram o título a nova exposição de: “Pippi em Santos – 60 anos da Copa de 1958.”

Trouxeram a atriz Flávia Scanuffo que caiu como uma luva na personagem com sua ruivice, sardas e jeitinho brejeiro! E me solicitaram, com certa incredulidade, a participação especial de meu pai, o Pepe, em algumas fotos alusivas ao futebol. Meu pai era um personagem, um técnico de categorias de base. As fotos seriam aonde ele conhece bem – a Vila mais famosa do Mundo. Os cliques se estenderiam também ao Museu Pelé, aonde ele encontraria a ruivinha, por acaso, e contaria a respeito da Copa de 1958, na Suécia. E Pippi, curiosa que é, gostaria de aprender futebol também!
O enredo estava pronto e só faltava o sinal verde do meu pai. E ele aceitou com o maior prazer ser “modelo” das fotos. O cunho era artístico e cultural. Sob o sol escaldante, estava lá, meu pai, no gramado da Vila fotografando com a ruivinha Flávia vestida de Pippi e com os eufóricos Meninos da Vila. E ele, aos 83 anos, era um dos mais entusiasmados. A cada clique, pedia logo ao fotógrafo Paulo Villar que queria ver o resultado. E reclamava quando achava que não estava fotogênico.
Em seguida veio a exposição no Museu Pelé e assim a amizade surgiu. Paulo Villar e Rodrigo Acciolly, confessos admiradores do Canhão da Vila, sabiam da intenção da Federação de Futebol Sueco de homenagear os remanescentes ídolos daquela histórica Copa de 58. Eram 60 anos de descobrimento de um menino chamado Pelé e de uma seleção que encantou o mundo.
Unindo esforços com Elisa da BrazilCham Sweden, houve a primeira carta-convite da Associação Sueca de Futebol (SvFF) e da Brazil Cham Sweden à CBF, extensiva aos campeões mundiais. E com uma informação importante confidenciada a mim: que eles seriam
nomeados Membros Honorários Vitalícios da Associação Sueca de Futebol. Pela primeira vez esse título seria concedido a cidadãos “não suecos”.
Porém, a indefinição da viagem prevaleceu até a semana anterior a data prevista. As passagens foram emitidas e o acontecimento se tomava realidade. Não era tarefa simples, Meu pai, aos 83 anos, teria que enfrentar mais de 13 hs de viagem com conexão em
Amsterdam! Minha mãe nem cogitou de viajar tamanha distância. Assim, fui convidada a
acompanhá-lo. Que esforço hein!
E meu pai enfrentou muitíssimo bem mais um desafio..Chegamos em Estocolmo com temperatura congelante. E só isso já o deixou muito satisfeito, pois prefere o Inverno ao Verão. Àquela altura, sua curiosidade era sobre os amigos da seleção. Sabia que só havia seis ainda vivos. e queria desfrutar daquele retorno à Suécia com eles. Nada mais justo e emocionante!
Mas Rodrigo Acciolly lhe explicou que Mazolla, que reside na Itália, não pode comparecer, Moacir, que mora no Equador, não está bem de saúde. O mesmo ocorre com os ex companheiros Pelé, Dino Sani e Zagallo. Então era só ele, além da representante do Rei Pelé, sua simpática filha Flávia Kutz Nascimento e de um vídeo gravado na casa de Zagallo para ser passado nos eventos.

Felizmente tivemos a visita do amigo Cabralzinho, ex jogador e treinador do SFC. Ele mora há seis anos em Estocolmo e já “asuecado” como ele mesmo diz, se prontificou a nos mostrar a linda capital. Os passeios com Cabralzinho foram extremamente prazerosos! Um gentleman sempre buscando priorizar o bate papo inteligente e nos contar sobre a cultura do país do que as andanças pela grande cidade para não cansar muito o Canhão. Às vezes eu tinha que lembrar que já estava escurecendo, às 14h30, e não seria mais possível tirar fotos. Ele nos mostrou algumas estações de metrô que são verdadeiros museus. Fomos a Gamla Stan, escolhi como
meu lugar preferido, com suas ruelas, lojas, cafés e restaurantes charmosos, a prefeitura, a Catedral de Stocolmo com a imagem de São Jorge mais linda que já vi – logo lembrei de minha mãe que é devota dele – e o Palácio Real. Certamente tínhamos que ficar muito mais que sete dias para conhecer bem.. Mas não podíamos esquecer também que meu pai estava lá para
compromissos “oficiais”.

Houve também admiradores suecos que descobriram o nosso hotel para conhecer meu pai. Traziam em mãos álbuns de figurinhas antigas, revistas com fotos, verdadeiras relíquias. Um deles, talvez o mais fanático, Johan Von Friedrichs, emocionou-se. Recebi mensagens de suecos do sul do país querendo viajar para Estocolmo para conhecê-lo. Mas só vi a mensagem quando estávamos para deixar o hotel.
Mas vamos as formalidades: Primeiro, um jantar de boas vindas para as apresentações. Além do foco na memória esportiva de 1958 – marco fundamental da amizade Brasil-Suécia -,  uma segunda parte voltada para as fortes relações bilaterais nos âmbitos comercial e e
tecnológica do ponto de vista das estratégias parcerias estratégicas em curso, com presença de alguns dos principais entes políticos e militares – Ministérios de Defesa / Forças Aéreas  – das duas nações, além de dirigentes de algumas das maiores empresas das duas
nações, com foco na maior de todas: a produção dos caças Gripen NG, interação virtuosa com elevados investimentos já em curso.
No dia 12 de novembro, os participantes suecos e brasileiros (Pepe e Flávia Kutz Nascimento) de 1958 foram recebidos – no Ericsson Globe, durante a Gala do Futebol Sueco Fotbollsgalan 2018 – uma distinção sem precedente: a Nomeação para Membros Honorários Vitalícios da Associação Sueca de Fuebol (SvFF), resultado da colaboração do presidente da entidade máxima do futebol sueco, Karl-Erik Nilsson e da diretora executiva da BrazilCham Sweden, Elisa Sohlman.
O evento extremamente luxuoso e bem produzido foi transmiitido ao vivo na Tv. É bonito ver como o ídolo na Suécia é reverenciado para sempre. Eles demonstraram muita admiração e, acima de tudo, respeito ao meu pai e pelos remanescentes vice campeões suecos. São apenas quatro vivos daquela Copa. Um deles, Owe Ohlsson, abraçou meu pai e contou que completara 80 anos e na época era o caçula do grupo com apenas 19 anos. Chamado ao palco ao lado de Flávia Kutz e de Owe assistiram ao vídeo do depoimento de Zagallo  imagens daquela Copa que já viram tantas vezes, mas ali na Suécia diante de um público de 2 mil pessoas, tinham um sabor especial.
No dia seguinte, 13, a BrazilCham Sweden realizou no salão The Royal Armory, no Palácio Real da Suécia a Cerimônia “Brazil – Sweden: Memorable Past, Innovating for the Future”, na presença do Brigadeiro do Ar Vincent Dang e do representante da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Gustavo Vieira. A cerimônia, apresentada pelo jornalista Pelle Thörnberg (o mais famoso apresentador de TV da Suécia) rememorou a Copa de 58 como um dos momentos mais relevantes da história do esporte no Brasil e na Suécia. Neste evento se reencontraram dois dos remanescentes dos times brasileiro e sueco -Pepe e Reino Börjesson, além de Bengt Ågren, Secretario Geral da Copa de 1958. Também foi exibido um depoimento exclusivo – captado pela M31 Produções –
do vencedor de quatro Copas do Mundo (como jogador, técnico e coordenador), Mario Jorge Lobo “Zagallo”, 87 anos, sobre sua participação naquele mundial.

Em um papo informal com Börjesson, meu pai contou que dos 22 integrantes da Seleção Brasileira, apenas seis estão
vivos. Ele respondeu espirituoso: “da nossa seleção são 4! Vocês Vocês venceram de novo: 6 a 4!

Houve explanações comerciais e tecnológicas na língua sueca e em inglês. Mas, sem dúvida nenhuma o ápice se deu quando meu pai subiu ao palco, respondeu curiosidades daquele Mundial, e ao final, já nos agradecimentos, lembrou que eram 22 jogadores e ofereceu todas aquelas honrarias aos companheiros que não puderam ir e aos que já se foram. Todos ficaram comovidos. Foi aplaudido de pé por políticos e militares das duas nações.
Mais 13 horas e tanto de viagem de volta, Deixamos uma cidade linda, limpa, organizada,  onde carro é luxo, já que o transporte público funciona ou as pessoas preferem se locomover de patinetes e bicicletas. Deixamos pessoas atenciosas e carinhosas na Suécia e em várias cantos do Brasil. Vivemos momentos únicos. Uma personagem infantil da Escandinávia que uniu Brasil e Suécia mais uma vez. Desta vez, em 2018. Sessenta anos depois. Prova que a Suécia tem memória, gratidão e é um país extremamente nobre nas atitudes. Nunca deixou de enaltecer o Brasil, mesmo sabendo que ficou em segundo lugar.

Gislaine Macia, jornalista, escritora e filha de Pepe


Edu pede mais dribles e respeito com Neymar
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Menon

ARQUIVO/ESTADÃO CONTEÚDO/AE

Pouco sabem, ou não se lembram, quem foi Jonas Eduardo Américo. Sobretudo os mais jovens.

Mas se falarmos do ponta esquerda Edu, logo virá à lembrança um dos maiores dribladores do futebol brasileiro e mundial. Hoje aos 69 anos, tocando projetos para a revelação de jovens talentos em clínicas de futebol no Paraná e também nos Estados Unidos, o grande camisa 11 do Santos de Pelé e da seleção brasileira lamenta a falta de ousadia e encanto nos gramados, diz que está difícil surgir “feras” e “ídolos” no “chato” futebol brasileiro, reclama dos “invejosos” de Neymar e protesta contra técnicos que querem “acabar com o drible”. “Só pedem pra tocar, tocar, desde a base. Também não poupa os atletas. “Os jogadores pegam a bola mano a mano e esperam alguém chegar para tocar de lado ou para trás”.

Ele fala com propriedade. É um dos mais vitoriosos Meninos da Vila. Com 16 anos, disputou a Copa da Inglaterra.

Com tantos jogos robotizados, ele sofre ao assistir as (poucas) partidas, revela que quando se encontra com o amigo Pelé evita falar de futebol justamente para não “passarem raiva”, mas deposita confiança em dias melhores. Presença assídua nos duelos do Santos na Vila Belmiro, aposta em vaga na Libertadores de 2019.

O futebol brasileiro perdeu o encanto?

Muito (risos). Muito mesmo. Se você vai no teatro, quer ver um bom espetáculo. Futebol também, mas hoje em dia se você der dois dribles já não pode, é menosprezo. Garrincha, Canhoteiro, Edu não jogariam no futebol de hoje. Naquela época, chegávamos com estádios cheios, lotados, todos juntos, sem separação de torcida. Hoje só tem torcida de um time, isso não existe. Machuca muito.

Rei dos dribles, acha que falta ousadia a nossas novas safras? A culpa seria de quem?

 Vem da base. Lá, você acompanha o trabalho e vê o treinador o tempo todo: toca, toca, toca… É muito do preparo do jogador e fica difícil surgir craque assim. Ter habilidade é essencial, o jovem tem de tentar algo diferente, por isso adoro Neymar, Messi, Rodrygo, Vinícius Júnior, que vão pra cima. Têm também o Cebolinha (Éverton, do Grêmio) e o Dudu, do Palmeiras. Se você vai para cima, já tira alguém da jogada e sempre sobra um companheiro livre. Antigamente era assim. A base do Santos beneficia a ousadia, por isso revela tanto, pois não visa esse lado só de toques. Se tem habilidade, vai para cima.

Então os treinadores inibem os dribles?

O treinador dá orientações, mas não tira a genialidade, não proíbe o drible. Acho que vai muito do jogador também, de o cara ser ousado dentro de campo. Eles não vão para cima, pegam a bola no mano a mano e param, não encaram, ficam esperando alguém chegar e tocam de lado ou para trás. O futebol fica chato sem drible, tanto que nem estou vendo tantos jogos.

Algum jogador no nosso futebol se assemelha ao que o Edu fez na carreira?

Hoje é muito difícil. Gosto do Neymar e do Messi, que estão lá fora. Cristiano Ronaldo é mais o estilo do Pelé, finalizador, sem tanto drible. Mas faz muitos gols. William e Hazard, do Chelsea, e Ribéry, são outros que ainda me fazem ficar na frente da televisão para ver futebol. Que coisa linda é o drible, quando jogava, a torcida ficava de pé para aplaudir. Mas acabaram com aquele romantismo.

 O Pelé anda com problemas de saúde e pouco sabemos sobre seu estado clínico. O senhor tem se encontrado e conversado com ele?

Não tenho falado muito com ele, mas está inteirão, com a saúde boa. Ele tem um problema na perna por não conseguir fazer o tratamento correto por causa dos tantos compromissos. Uma hora está na Arábia Saudita, outra na Índia, fica sem tempo para cuidar da saúde adequadamente.

 Mas nos encontros, ele anda dando pitacos no nosso futebol também? Cornetando alguém?

Difícil sobrar tempo para falarmos de futebol. Conversamos sobre outras coisas, procuramos evitar conversar sobre jogos, pois anda bem complicado, é até constrangedor para ele o que anda vendo. Com todo respeito aos jogadores atuais, mas anda difícil dizer que esse ou aquele é fera. Hoje não tem ídolo.  Qual o nosso ídolo? Você não vê um jovem dizer que quer ser como A, B ou C no nosso futebol. O ídolo (Neymar) foi embora, aqui no Brasil você não vê, não tem.

Depois da decepção na Copa do Mundo, optamos por disputar amistosos com seleções fracas, como El Salvador, Estados Unidos e Arábia Saudita. Acha correto? Não seria bom enfrentar os gigantes europeus?

Acho que não tem muita diferença. Temos de ver nossa seleção, não avaliar se o rival é fraco, e sim de quanto ganhamos, o que fizemos. Estamos no caminho certo. Após a Copa que perdemos aqui (2014), enfrentamos os melhores e ganhamos de todos eles. Somos os melhores do mundo e temos de manter a tradição de ser o país do futebol, sem ficar copiando os outros. Eles sim, vêm aqui para nos copiar. Deixe a seleção trabalhar, sem polêmicas.

 E como avalia esses recentes jogos da seleção brasileira?
 Jogos duros. Os adversários conhecem bem o Brasil, sabem da dificuldade de sair para nos atacar, então optam por fazer um ferrolho atrás, como fez a Argentina, e evitam dar espaços. Aí vai da nossa criatividade, e é difícil não acontecer um gol. Sabemos jogar, temos habilidade e estamos querendo vencer.
 O fato de o Neymar estar atuando mais como um meia no PSG atrapalha seu desempenho quando está com a seleção?

Nada a ver. Se joga mais centralizado ou como um ponta, vai aparecer do mesmo jeito, pois tem habilidade para criar. Cria e faz. Dia desses o PSG goleou, ele fez o dele e ainda participou com assistência de três gols do Mbappé. Claro que jogar num clube é uma coisa, na seleção é outra.

 Muitos criticam o Neymar por causa de suas vaidades, regalias e falta de cobrança mais rígida. Seriam esses os motivos para ele ter caído de produção?

Na seleção de 1970 tínhamos o Rei, que decidia. Mas o Pelé sabia que fazia parte do grupo e não se considerava o bambambam. Única coisa que vejo de errado no Neymar é que, às vezes, ele não facilita as jogadas. Toca e sai para receber, é habilidoso e com sua velocidade ninguém vai pará-lo. Mas ele prefere querer sofrer faltas. Alguém precisa chegar e pedir para ele facilitar, pois é um gênio, joga muita bola. Isso cabe aos técnicos. Dei conselhos a ele no Santos para não exagerar nos dribles. Passou por um, dois, não queira passar por quatro, cinco, faz a tabela, pois os zagueiros são lentos, diferentemente dos laterais, e ele vai sempre levar vantagem.

  O vê como um menino mimado?

Mimado, não. Acho ele hoje um homem, uma pessoa que sabe de suas responsabilidades, o que representa para nossa seleção. Mas existem os invejosos que querem criticá-lo.

Acha que o Brasileirão já está decidido para o Palmeiras?

O Palmeiras está num momento muito bom, numa crescente. Conta com um elenco muito forte, por isso chegou. Agora, manter esse ritmo normalmente é bem difícil e não dá para dizer que está decidido. O São Paulo estava no topo, sem ninguém por perto e caiu. O futebol é bonito, maravilhoso, encantador por proporcionar a quem não está bem se recuperar, subir e ir às finais, brigar por taças.

 O Santos poderia estar brigando pelo título brasileiro caso o Cuca tivesse chegado antes? Até onde vê essa equipe chegar?

O Santos vai entrar na zona de classificação à Libertadores. Mas não sei se foi pela chegada dele ou por causa da saída do outro treinador (Jair Ventura). O problema é que no início do Brasileirão o time perdeu muitos pontos bobos na Vila Belmiro. Não podia. A Vila é a casa do Santos, um alçapão, que os times já desciam com medo. Agora, descem sem problemas. O Santos tem uma sina de perder para os pequenos. Foi assim contra o América-MG aqui.

Como está vendo essa volta por cima do Gabigol na carreira?

Não digo uma volta por cima, apenas está marcando e atacante vive de gols. Ele passou por um momento ruim porque a bola não chegava. Mas o Santos fez uma contratação especial, esse Sanches joga muita bola. Um bom jogador que eu já admirava desde o River, da seleção do Uruguai, que cria e dá opções.

Seguindo no assunto Gabigol, o Santos tem de fazer loucuras para segurá-lo? Ou gostaria de vê-lo voltando à Europa para mostrar seu real valor?

Ele já tem compromisso com a Inter (de Milão), infelizmente não deseja continuar, quer voltar a jogar na Europa. Mas tem de chegar lá com os pés no chão, com humildade para reconquistar o espaço que perdeu. O Santos não tem como segurá-lo, a Inter vai pedir muito dinheiro.

O Corinthians pode cair?

Vai sofrer bastante. Vem de derrotas numa final e tem jogos complicados pela frente. Até pela cobrança do torcedor e pela pressão, precisa se reencontrar logo, senão será um fim de ano complicado.

 Como avalia o trabalho de Jair Ventura, que não foi bem no Santos e agora não engrena em outro gigante paulista?

Jair foi bom treinador para o Botafogo, pois na época conhecia todo mundo desde a base. Veio para o Santos e não conhecia ninguém, deixou o time lá embaixo, e também não faz bom trabalho no Corinthians. Pode vir a se tornar um grande treinador, mas o momento é ruim.

 Falando de outro treinador, Diego Aguirre estava muito bem no São Paulo, ganhou o primeiro turno e liderava. Agora, com a queda de produção do time, está sendo vaiado e já se questiona até a sua renovação para 2019. Os dirigentes não deveriam acreditar mais nos treinadores?

Na minha opinião, técnicos precisam conhecer o clube. O São Paulo foi lá fora, trouxe um uruguaio e tudo bem. Não é assim. Ele foi bem no Inter, mas tinha jogado lá. No São Paulo a coisa foi completamente distinta. Precisa saber da história de um clube. Ele chegou, deu uma acertadinha, mas o que faz agora?

 Sobre arbitragem, o senhor aprova o uso do VAR?

Acho legal, já que muitos lances o árbitro infelizmente não vê e a imprensa fica avaliando depois de voltar e repassar muitas vezes. Com o VAR os juízes vão ter a chance de ver onde erraram.

 Essa seria a saída, então, para evitar tantas polêmicas e erros dos nossos homens do apito?

Com certeza. Os árbitros dão pênalti sem convicção, ou às vezes interpretam que não foi. Com o VAR vão fugir das polêmicas.

PS – Entrevista feita pelo jornalista FÁBIO HÉCICO


Santos e Grêmio economizaram emoções
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Menon

Derlis Gonzales entrou em campo aos 17 do segundo tempo e o Santos melhorou muito. Passou a ter mais jogadas pelo lado do campo.

Pepê entrou em campo aos 35 do segundo tempo e o Grêmio melhorou muito. Passou a ter mais jogadas pelo lado do campo.

E fica a pergunta: por que tão tarde? Por que não um jogo mais rápido, mais efetivo desde o início? Nada disso, o que prevaleceu foi a troca de passes, com poucas finalizações corretas?

Não é o tipo de jogo que me agrada. Principalmente quando termina em zero a zero.

 


Sai Gabriel. Entra Gabigol
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Menon

Partida espetacular de Gabriel Barbosa. Tão especial que o fez recuperar o apelido. Gabigol voltou.

Fico muito feliz. Gosto de ver um cara de 21 anos dar a volta por cima, após passagens ridículas por Internazionale e Benfica.

Na verdade, já havia escrito isso no início do ano, quando voltou e fez alguns gols. Depois, novamente flopou.

Pode acontecer novamente? Sim, a própria inconstância dos últimos anos é sempre um sinal amarelo.

Mas, por enquanto, é hora de comemorar. Um garoto de 22 anos está de volta.

Três gols de primeira. Alta técnica. Canhota no auge.

Muito bem.

Que continue.

O Catar é logo ali.


Santos, se tiver vergonha, rompe com Caboclo, Reinaldo e del Nero
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Menon

O Santos esta eliminado. Esperado.

O jogo não acabou. Esperado.

O que não é esperado e não há possibilidade de acontecer é uma atitude corajosa do Santos.

O clube precisa ter coragem de romper com quatro ridículos cartolas brasileiros. Quatro inúteis que o abandonaram.

Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista.

Del Nero, afastado do futebol pela Fifa. Ainda manda na CBF.

Rogério Caboclo, que Del Nero escolheu para a CBF a partir do ano que vem.

Coronel Nunes, atual mandatário, sujeito folclórico, incapaz de uma atitude digna.

Tirando Del Nero, que não sai do Brasil por medo de prisão, os outros três poderiam ter ido à sede da Conmebol, em Luque, no Paraguai.

Fazer o quê?

Argumentar, pressionar, convencer, gritar, denunciar, fazer greve de fome, se amarrar na frente da sede…

Mostrar que se importam com seu filiado.

Não fizeram nada disso.

O Santos não fará nada também.

Continuará votando nestes trastes.

 


Santos deixa de ser retrô e ganha mais uma
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Menon

O Santos vai deixando o pesadelo da segundona para trás. Ganhou do Bahia, segunda conquista seguida, e ganhou musculatura para a decisão contra o Independiente, Rey de Copas.

O Santos começou com uma homenagem aos anos 60. 4-2-4 na veia, com Pituca, Sanches, Derlis, Rodrygo, Gabigol e Bruno Henrique.

Não deu certo. Melhorou com a entrada de Bryan Ruiz. E com a projeção constante de Sánchez, formando uma parceria com Derlis Gonzales. Assim, saiu o segundo gol. O uruguaio roubou a bola, tocou para Derlis, que achou Gabriel, que fez jus ao apelido.

O primeiro? Uma obra-prima do paraguaio. Bola dominada, cabeça levantada, três dedos, curva, ângulo.

Obrigado, futebol.