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Estilo de Aguirre está falindo. São Paulo precisa parar de sofrer
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Menon

Diego Aguirre faz um ótimo trabalho, mas está na hora de reagir. Precisa mudar o estilo do São Paulo. A história de “controle de jogo” está falida, desde o início do segundo turno. O São Paulo precisa muito mais do que a falsa tranquilidade de ter um gol a mais e a posse de bola preguiçosa. Precisa pressionar, ter a bola, marcar pressão, não deixa time menor respirar e decidir o jogo.

O São Paulo precisa ser muito mais que um time difícil de ser batido. O time precisa vencer partidas como esta que empatou com o América.

Se o time perder o título, terá mais um resultado a apontar como aquele que não poderia ter acontecido. O empate com o América se soma a outro empate, no início do returno, contra o Paraná. Não que o América seja igual ao Paraná. É muito melhor. Mas o jogo tinha de ser ganho e não foi. A necessidade se impunha já antes da partida. Mas o transcorrer do jogo fez com que a necessidade se transformasse em obrigação.

Um gol no último minuto do primeiro tempo. Fruto da parceria entre Nenê e Diego Souza, a dupla de velhinhos que tem comandado o São Paulo. Então, qual era o panorama do jogo para o segundo tempo? Previsão de vitória. 48 mil torcedores. Apoio total. Jogo no sábado, antes dos outros. Uma vitória deixaria o Inter a quatro pontos. E garantiria ao São Paulo uma rodada a mais na liderança. Tinha de ganhar.

E o que se viu? Na verdade, o time até melhorou em relação ao primeiro tempo. Com as saídas de Liziero e Everton Felipe, ficou mais agressivo, com mais jogadas pelo lado. E, como o América se abriu um pouco, com Pacheco e depois, com Matheusinho e Robinho, atacou um pouco e deu o contra-ataque ao São Paulo. Tudo estava propício para o segundo gol.

Mas o São Paulo não consegue. Ou, quando consegue, é com suor e sangue. Foi assim com o Bahia (1 x 0) com a Chape (2 x 0), com o Ceará (1 x 0) e até para conseguir o empate com o Fluminense (1 x 1). Quando ganha no sufoco, sem fazer o segundo gol, o que se fala é que o São Paulo “controla o jogo”. E não é assim. O São Paulo não controla nada. Ele ganha no sufoco, no suor. Cada vitória é um alívio, não é uma alegria.

Aguirre precisa mudar o time. Buscar fórmulas que possibilitem o segundo gol e a tranquilidade. Contra o América, por exemplo, poderia ter entrado com Régis e Caíque. Ou Brenner. Não seria pior do que foi.

No segundo turno, o São Paulo jogou sete vezes. Marcou cinco gols e sofreu quatro. Ridículo. Ou muda, ou ficará um ano a mais na fila.

PS – Amigos, vi agora que este é o post número 3000. Estou feliz. Agradeço ao Murilo Garavelo, que me contratou e a todos os colegas do UOL que sempre me ajudam. E a vocês, é lógico, com elogios e críticas. Um abraço a todos.

Ah, aceito parabéns.

 


Com Reinaldo na ponta, Tricolor quer sabadão feliz
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Menon

Todos jogos são importantes. Todos valem três pontos. Mas alguns são mais importantes que os outros. O do São Paulo contra o América, por exemplo.

O Coelho está bem atrás na tabela. É um adversário bem acessível. Se o São Paulo vencer o único jogo do sábado, ficará quatro pontos à frente do Colorado. Que terá mais pressão para vencer o Corinthians no domingo.

A vitória, pois, é importantíssima. E o São Paulo tem defalques importantes. Rojas e Everton, os homens do lado de campo.

Na esquerda, jogará Reinaldo, um passarinho me contou. Aguirre gostou do rendimento do lateral, quando adiantado. Brenner, que poderia ser uma opção, ainda está em processo de recuperação de autoconfiança.

E do outro lado?

Há duas opções: Everton Felipe, que entrou bem contra o Santos, ou Régis, no esquema 3-5-2, com a volta de Rodrigo Caio.

É um sabadão feliz no horizonte. Com obrigação de vitória.


Ricardo Rocha: “Vibrei com Jandrei, mas confio muito em Sidão”
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Menon

“Grande defesa”.

“Que milagre”.

Ricardo Rocha, não nega, vibrou muito com Jandrei, da Chapecoense contra o Inter. No pênalti e, no último lance do jogos, sempre diante de Leandro Damião. “Lógico que eu vibrei. Você acha que não comemoraram o nosso empate contra o Paraná”, pergunta. “Não foi um pênalti mal batido, não. Foi uma grande defesa, com muita elasticidade”.

Os elogios de Ricardo Rocha ao goleiro da Chapecoense não se transformam em brincadeiras como se viu nas redes sociais, apontando Jandrei como o melhor goleiro do São Paulo no ano, por conta das duas defesas que levaram o time novamente à liderança do Brasileiro.

”De jeito nenhum, o Sidão é um goleiro muito bom e eu tenho toda a confiança nele. Eu, Aguirre e todo mundo”, diz o coordenador de futebol do São Paulo. “Não levou um frango no Brasileiro, não levou um frango no ano. E a defesa que fez contra o Ceará, salvando o time? E contra o Santos, a maneira como ele saiu no Rodrygo, tampando todo o ângulo do garoto. É bom ou não”?

Rocha acredita que o campeonato seguirá muito parelho, até as últimas rodadas, talvez até a última. “Nada vai ser fácil. Vamos suar sangue para conquistar o Brasileiro, estamos com muito foco, mas vai ser jogo a jogo. Sem moleza”.

O elenco do São Paulo será reforçado para 2019. Haverá pelo menos três grandes contratações. Ricardo não entra em detalhes, mas dá uma dica. “Precisamos de reservas que façam o que o Trellez faz. Entra em capo e dá novas opções ao treinador, muda o jogo. Contra o Santos, quase que sai nosso gol no último lance por causa da jogada dele. Aliás, quem deu o passe foi o Everton Felipe, que entrou muito bem. O garoto está melhorando”.

Com a possibilidade de se classificar de forma direta para a fase de grupos da Libertadores, Ricardo Rocha sonha com o Paulista sendo um campo de oportunidade para jovens jogadores. “Santos, Flamengo e outros estão com jogadores de 18, 19 anos. Vamos lançar os nossos no Paulistão. Estou com muita vontade de ver Helinho, Igor, Anthony, Walce, Rodrigo, Tuta e outros”, terminou Ricardo Rocha.


Felipão, Jair, Mano, Aguirre e o medo de gol
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Menon

Jair Ventura assumiu o Corinthians. Perdeu de 1 x 0 para o Palmeiras e empatou sem gols com o Flamengo.

Em dois jogos, aproximadamente 190 minutos de futebol, chutou exatamente ZERO bolas ao gol. Zero.

Alguns amigos corintianos, pasmem, elogiam o treinador. Ele teria dado consistência defensiva ao time. Tucanaram a retranca.

Fica claro que, a continuar assim, o Corinthians conseguirá a classificação apenas nos pênaltis.

E o Palmeiras? Felipão disse uma frase assombrosa. “precisamos ter muito cuidado quando tivermos a posse de bola”. Ora, não seria o contrário? Se eu tenho a bola, é bom o rival ter cuidado?

Com o dinheiro que tem, com os jogadores que tem, o Palmeiras podia ser mais agressivo na busca do segundo gol. Marca um e recua, em busca de um contra-ataque. Se tivesse outra postura, poderia, quem sabe, golear o Corinthians.

O Cruzeiro ganha o prêmio de Melhor Retranca Fora de Casa. Ao contrário do Corinthians, tem boa opção de contra-ataque. Mesmo assim, parece sempre ser um time que aposta na decisão por pênaltis. Fábio garante.

O Flamengo ataca, ataca e chuta pouco. Troca passes, mas usa pouco os lados do campo. Não é um cultor da retranca, mas é pouco efetivo.

O São Paulo faz um gol e volta correndo para a defesa. Rejeita a bola e aposta na velocidade de Rojas e Everton. Pode dar certo, como contra o Bahia. Pode dar errado como contra o Corinthians, no Paulista. A classificação foi para o ralo aos 48 do segundo tempo.

Há muitas maneiras de jogar. E não sou eu que vou dizer para todos jogarem no 2-3-5 para termos grandes goleadas, em memória a um passado que não existe mais.

Mas é preciso ter, ao menos duas atitudes diferentes.

Os bons times, ao marcarem o primeiro gol e sentirem o abalo do rival, precisam buscar logo o segundo. Instinto assassino. Como hienas quando sentem cheiro de sangue.

E os times que dão a bola para o inimigo, precisam ter a possibilidade concreta do contra-ataque. Dois pontas que façam a recomposição, mas que saiam rapidamente para o ataque. E um centroavante.

Não dá para recuperar a bola e, em vez do gol, correr em direção às bandeirinha de escanteio e lá ficar em uma briga quase obscena pela bola.

Dá para melhorar nosso futebol. Basta diminuir o medo de jogar.


São Paulo, o candidato que não pode errar
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Menon

Inter, São Paulo (ambos com 49 pontos), Palmeiras (46) e Flamengo (44) são os candidatos ao título do Brasileiro. Não acredito em uma arrancada de Galo e Grêmio, ambos com 41 pontos.

Dos três primeiros, com mais chances, o São Paulo é aquele que não pode errar. Basta ver sua campanha, com resultados surpreendentes e que, mesmo assim, não lhe deram vantagem numérica.

Um exemplo: antes da derrota para o Galo, o São Paulo teve uma tabela acessível e, em seis jogos, fez 14 de 18 pontos (extraordinário) e permitiu a igualdade ao Inter, na ponta da tabela. Os 14 pontos foram insuficientes. Precisava ter vencido o Paraná. Erro fatal?

O São Paulo tem jogado no limite, tem dado tudo o que pode e não tem sido suficiente.

Precisa melhorar. Erro zero.

O Inter tem uma tabela mais fácil nos próximos seis jogos. E recebe o São Paulo.

O Palmeiras tem mais time e mais elenco.

Na sua luta por erro zero, o São Paulo tem um calcanhar de Aquiles: o elenco curto.

Tem apenas três zagueiros em boas condições físicas.

E não tem bons reservas para Nenê, Everton e Rojas. Tanto é assim, que Reinaldo precisou jogar na ponta-esquerda. E dar o lugar atrás para o discreto Edimar.

Na direita, a história se repete com Regis no lugar de Rojas

Shaylon e Everton Felipe não se firmam.

Para chegar ao título, o São Paulo precisa ter poucos cartões e contusões. E continuar atuando da mesma maneira comovente como tem feito até agora.

Tags : São Paulo


Aguirre precisa tomar uma atitude
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Menon

O São Paulo faz uma campanha excelente. Mesmo com a derrota para o Galo, tem 66,7% de aproveitamento. Perdeu apenas três dos 23 jogos.

Os números do segundo turno, porém, são ruins. Ganhou apenas um dos quatro jogos, no sufoco contra o Ceará. Empatou com o Fluminense, perdeu para o Galo e empatou com o Paraná. Foi a única partida em que jogou mal.

O aproveitamento do segundo turno foi de 41,7%. Aproximadamente o que o Fluminense fez no campeonato até agora.

O que significa tudo isto? Que o São Paulo não pode errar mais. Como tem problemas de elenco, não pode dar bobeira. Diego Souza não pode mais ser expulso. Se ele não é ótimo, imagine Trellez e Gonzalo Carneiro.

E o gol.

Sidão não é um goleiro à altura da história do clube. Um grande goleiro faz a diferença. Sidão não é um goleiro acima da média.

Raí errou no início do ano. Precisava ter buscado uma solução definitiva. Preferiu apostar em Jean, uma revelação. Uma revelação que breca a ascensão de Perri, outra revelação.

Aguirre precisa dar mais segurança à defesa. Não pode ter tanta insegurança no gol.

Quanto ao jogo, foi muito parelho. O gol do Galo saiu em uma lambança. E houve pênalti com o braço aberto de Leonardo Silva.

E, no sábado, não tem Everton e nem Reinaldo.


Liziero, a joia solitária
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Menon

No final do ano passado, após o soterramento da possibilidade de queda, Dorival Jr. acenou com a subida de muita gente da base. No último jogo do Brasileiro, contra o Bahia já trouxe Gabriel Sara, Bissoli, que entraram durante a partida, além de Paulo Boia e Liziero. No time, titular absoluto, estava Militão, que estreara em maio.

Em janeiro, Dorival trouxe mais gente de Cotia. O clube criou uma campanha: #abasevemforte para recepcionar Caíque, Paulo Boia, Lucas Paes, Bissoli, Gabriel Sara, Marquinhos Cipriano, Pedro Augusto, Paulo Henrique e Rony. Depois, chegaram Igor, Luan, Rodrigo e a volta de Lucas Kal e Pedro.

São 15 nomes. E apenas Liziero se transformou em certeza, embora não seja titular. Luan demonstrou que pode seguir o mesmo caminho.

E os outros? Paulo Henrique e Bissoli não quiseram assinar outro contrato e voltaram para os aspirantes à espera do final do contrato.

Marquinhos Cipriano fez o mesmo e já foi para a Ucrânia. Rendeu dinheiro ao clube

Paulo Boia foi para o Portimorense, pequeno clube de Portugal.

Pedro Augusto é reserva no São Bento.

Rony é reserva no CSA.

Lucas Kal, depois de passagens frustrantes por Guarani e Paraná, foi para o Vasco.

Pedro, seu companheiro de Paraná e Guarani, tem nova chance.

Caíque está no grupo, sem chances.

Lucas Paes é o quarto goleiro.

Gabriel Sara voltou ao sub-20.

Igor e Rodrigo foram os últimos a subir.

Além deles, há três  outros, que vieram de Cotia, sob muita expectativa.

Lucas Fernandes, que sempre foi o maior destaque, estreou na primeira rodada do Brasileiro de 2016. Depois, teve contusões que impediram o seu desenvolvimento. Fez 53 jogos pelo clube (quase nunca completos, coisa de dez ou 20 minutos) e não se destacou. Não cumpriu o que se esperava. Foi para o Portimorense, junto com Boia.

Shaylon é o reserva de Nenê. Fez um gol salvador contra o Bahia. Participou bem de alguns jogos, mas decepcionou totalmente contra o Fluminense, quando entrou como titular.

Lucas Fernandes e Shaylon dão a impressão de apatia, de falta de garra e personalidade.

E Brenner?

Acredito que sua ascensão ao grupo titular, com apenas 17 anos, foi precipitada. Acabou toda a vantagem física que tinha sobre garotos de sua idade. E não parece estar psicologicamente preparado para uma desilusão ou fracasso.

São 18 nomes e apenas uma certeza. E algumas boas possibilidades como Brenner, Shaylon e Luan. São números que mostram como é difícil apostar na base como sustentáculo de um time.

O jogo da base é praticamente outro esporte que o jogo no profissional. A exigência é muito maior. Além disso, como treinador tem medo de cair, sente medo em lançar jogadores jovens. Lançar, até lança, mas dar sustentação é outra coisa.

O garoto precisa chegar e mostrar serviço. Rapidamente. Caso contrário, a fila anda.

Cotia é a melhor coisa que o São Paulo tem. O que se gasta lá é pouco diante do lucro que se tem. Mesmo assim, não pode ser tratada como a salvação da lavoura. Por enquanto, é Liziero e quase mais nada. O que não é pouco.


São Paulo: um ponto que pode valer muito
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Menon

Em um campeonato apertado como este, perder um ponto em casa pode ser muito ruim. Principalmente após uma derrota inesperada do rival.

A primeira impressão do empate do São Paulo é essa. Mas há outras leituras.

O São  Paulo jogou com um a menos por 65 minutos. Achei exagerado o cartão vermelho para Diego Souza. E também achei uma bobagem dele usar cotovelo em um lance morno, longe da área.

O gol do Fluminense saiu em um lance infeliz da defesa. Faltou comunicação entre Sidão e Ânderson. O goleiro não precisava ter saído tanto.

E, com um a menos e sofrendo gol contra, o São Paulo se superou. Avançou a marcação e sufocou o Fluminense.

O gol saiu de um cruzamento de Régis para Trellez. Duas substituições de Aguirre. Mérito para ele.

A jogada de Régis foi linda. Falha se Ayrton Lucas, que joga muito.

Mais um motivo para valorizar o ponto que manteve o time na liderança por mais uma rodada? O Fluminense chutou duas bolas na trave. E perdeu um gol no final.

O São Paulo foi muito valente, como sempre. Términou sua série acessível (Vasco em casa, Sport fora, Chape em casa, Paraná fora, Ceará em casa e Flu em casa) com 14 pontos ganhos em 18 disputados). 78% de aproveitamento.

O time está invicto há sete jogos, mas ganhou apenas cinco pontos dos últimos nove. E perderá Rojas e Arboleda por duas rodadas. Diego Souza por una e Everton por maus duas.

Não é fácil, mas quem disse que seria?

O São Paulo é valente e um osso duro de roer.


Adalberto esquece Ceni e comemora sucesso do Botafogo S/A
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Menon

O Botafogo de Ribeirão Preto começa a discutir, no domingo, contra o Cuiabá, uma vaga na final da Série C. A outra semifinal reúne Bragantino e Operário, do Paraná. Os quatro clubes já estão classificados para a Série B, um resultado que chegou a surpreender Adalberto Batista e Gustavo Oliveira, os comandantes do Botafogo, que agora é Botafogo S/A. O blog conversou com Adalberto Batista, ex-homem forte do futebol do São Paulo F.C para falar dos projetos do novo Botafogo e também de sua saída do São Paulo.

Você saiu do São Paulo após um choque com Rogério Ceni. Tem mágoa dele?

Nenhuma. Uma das maiores alegrias da minha vida foi o título mundial contra o Liverpool. Devo isso a ele. O que aconteceu foi que, pelo meu cargo, tinha de defender a instituição. Ela está acima de tudo. Ele feriu o clube e tomou atitudes contra o comando técnico de Ney Franco. Precisei tomar posição. Confrontei o grande ídolo do clube e sofri pressão política por causa disso. Pressão da torcida, também. Quando o Ney Franco caiu, resolvi sair também. O Juvenal estava muito doente e pediu que eu ficasse porque não tinha ninguém para me substituir no momento. Então, eu trouxe o Autuori e indiquei o Gustavo Oliveira, que hoje está conosco no Botafogo, para o meu lugar, e me desliguei em seguida.

Pensei que você voltaria para sua empresa e deixaria o futebol.

Voltei em um primeiro momento, porque era necessário, mas queria retornar ao futebol. Minha ideia era comprar um time em Portugal, fugir das coisas negativas que a política traz ao futebol. Negociei, com ajuda do Gustavo, e não deu certo. No ano passado, fui até Franca tratar de alguns negócios e dormi em Ribeirão Preto. Meu hotel ficava em frente ao estádio. Acordei de manhã, vi o Santa Cruz, com ótima localização e me entusiasmei.

Tanto assim?

Sim, é uma bela localização. Uma joia. Desci, fui a pé até o estádio, entrei e vi a pista. Na hora, liguei para o Raí e o Gustavo e perguntei como estava o Botafogo. Disseram que o time havia liderado a Série C até o final e depois, nos últimos cinco jogos havia ganhado só um ponto.

E como o negócio andou?

Falei com o Gustavo novamente e ele falou que não havia possibilidade de compra do estádio, mas que poderia ser feito um trabalho junto com a diretoria. Optamos por montar uma S/A. Desenhamos a formação da S/A, vimos como seria a profissionalização, com clásula de barreira para evitar interferência política, apresentamos para a diretoria. Foi aprovado em maio. Fizemos uma transição e agora é 100% S/A.

Por que a transição?

Para evitar problemas com escalação de jogadores. Todos foram transferidos do Botafogo F.C para Botafogo S/A. se fizesse no meio do campeonato, poderia dar algum problema de contrato, algum jogador poderia ficar sem condição legal para jogar.

Qual é a sua função específica? Você negocia salário, contrata jogador, fala com empresário.

Não, isso é com o Leo Franco, diretor de futebol e com o Gustavo. Eu sou o investidor.

E como você vai recuperar o dinheiro investido?

Eu tenho o sonho de transformar o Botafogo na primeira empresa de futebol de capital aberto, com ações na bolsa. Aí, vem o retorno.

Você esperava o acesso já no primeiro ano?

O campeonato da Série C é mais imprevisível que os de pontos corridos. Nós fomos os primeiros na primeira fase (10 vitórias, cinco empates e três derrotas) e cruzamos com o Botafogo da Paraíba, que foi o quarto do outro grupo. Perdemos o primeiro por 1 x 0 e ganhamos o segundo por 1 x 0, com gol aos 48 minutos do segundo tempo. Ganhamos nos pênaltis. Então, ninguém tinha certeza de subir, por causa dessa imprevisibilidade, mas a gente sabia que subiria em três anos, no máximo. Iria aprendendo pouco a pouco. Mas, veio antes.

E agora?

Nós vamos entrar para conseguir novo acesso. Não vamos cair de novo, de jeito nenhum. A meta do Botafogo, pela sua força e pelo seu nome, é ficar sempre ente os 30 maiores clubes do Brasil. No mínimo. Então, a gente quer lutar pelo acesso duramente, não podemos ficar abaixo dos dez primeiros da Série B. Agora, quando chegarmos na Série A, aí sim, será uma briga muito mais forte.

Vocês pensam em transformar o Santa Cruz em uma arena multiuso. Mas, não seria melhor, primeiramente, melhorar os vestiários e a iluminação.

Isso será feito sim. Queremos dar mais conforto aos adversários, aos jornalistas e aos nossos jogadores. Optamos, porém, pela transformação de uma área de estádio, com criação de camarotes e área para shows, para que entre mais dinheiro no caixa. É importante elevar a receita do Botafogo para que possa competir com outros clubes. É necessário ter futebol auto-sustentável. Não queremos o futebol de antes. Quando o time está mal, chegam os abnegados para ajudar. Quando o time está bem, chegam os chupins.

Você tem se dedicado ao ciclismo?

Sim, quando deixei o São Paulo procurei uma atividade física. Me dei bem com o ciclismo. É muito bom. Chego a pedalar 300 quilômetros por semana. Emagrei 20 quilos. E quando participo de alguma competição, perco mais oito ou dez para render mais.

 

 


Sidão merece respeito
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Menon

O São Paulo teve vários destaques na vitória contra o Ceará. Reinaldo, Diego Souza e Bruno Peres, por exemplo, para falar apenas do gol. Mas o maior destaque é também o menos lembrado. Sidão. Sim, o Sidão, sempre criticado. Afinal, se o gol do São Paulo foi uma jogada coletiva, a defesa de Sidão, minutos antes, foi um solo espetacular. Foi ele, somente ele, frente a frente com Leandro Carvalho que fez um gol (por que não) para o São Paulo.

A meu ver, Sidão tem sido vítima de um desvio de julgamento. Meu, também. Estamos olhando para sua carreira, para seu currículo, para seu porte físico e não para o que interessa: o que ele está jogando.

É verdade que Sidão não está à altura de Rogério Ceni, Zetti e Gilmar Rinaldi, que defenderam o gol tricolor nos últimos 30 anos? Sim.

É verdade que Sidão dificilmente está entre os dez melhores goleiros do Brasil? Sim.

Mas também é verdade que ele está fazendo um bom Brasileiro. Teve algumas falhas, mas só ele? Seu maior defeito, a meu ver, é a bola alta. Tem pouca altura e não toma conta da área nesses momentos. Quando o cruzamento é rasteiro, falta braço. Foi assim contra o Palmeiras.

Verdade. E que mais?

Muitos erros? Nada disso. O time sofreu apenas 17 gols em 21 jogos. É espetacular. Simples assim.

Ah, mas o  mérito é da defesa. Os volantes são espetaculares. Rojas e Everton ajudam bastante. Verdade, tudo verdade, mas Sidão tem muitos méritos sim. É só abrir os olhos para ver. E a sua saída diante de Leandro Carvalho, fechando espaços, diminuindo ângulo e fazendo uma das mais belas defesas do campeonato, é um raio, uma luz intensa.

Fechar os olhos agora, é preconceito.

Até o próximo erro (que virá, como para todos outros goleiros) é bom saudar Sidão como um goleiro que não ficará na história, mas que está fazendo um grande campeonato. E, se o time ganhar o título, por que não dizer que ele estará sim, na história?

Mas é cedo para tudo isso.

A hora é apenas de louvar Sidão.