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Tite é o melhor, mas o blábláblá…
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Menon

Na redação do UOL, me encontrei com Jorge “Delgado” Correa. Conversamos um pouco e “Flaco” Correa disse uma verdade absoluta. “Desde 2002, a seleção brasileira não era dirigida pelo melhor técnico brasileiro”.

Claríssimo, não é? Felipão, quando substituiu Leão em 2001 era inquestionável. Seus sucessores em Copas, Parreira, Dunga e ele próprio foram mistura de experimentação com banzo. Nomes buscados apenas para tirar a responsabilidade dos chefões.

Além de ser o melhor, os resultados são bons. Correspondem às fama.

O que eu não gosto é o blábláblá é o endeusamento. Aquelas entrevistas com voz pausada, com mídia training saindo pelos poros, aqueles pingos de autoajuda e aquele gauchês com exóticas regras de concordância verbal: “tu me inspira’. Quando Muricy fala “dibre”, a casa cai.

E o massacre? Adoro ver trailer no cinema. Atualmente, são substituídos pela cantilena titesca.

E o endeusamento? O Dassler explicou com logica:  Tite é menos criticado porque é o melhor é erra menos.

Mas, e se o Zagallo levasse o Zagallinho para a comissão técnica? O Dunga foi criticado até por usar aquela camisa que a filha criou. Nepotismo.

Toda decisão de Tite é respaldada por um batalhão de opiniões. Desconfio que tem argumento ali que nem o Tite pensou.

Ausência de críticas e de questionamentos atrapalham muito e ajudam nada.

Por isso tudo, peço um novo treinador para o próximo ciclo. No mínimo, poderei ir ao cinema sem ouvir o titês na tela grande.

 

 

 


Zagallo, o melhor de todos, merece a homenagem de Tite
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Menon

No mesmo dia, a seleção brasileira, recebeu a visita de um dos dois maiores vencedores da história do futebol brasileiro (o outro é um tal de Pelé) e de dois cartolas insignificantes, o coronel Nunes (quem?) e Rogério Caboclo (quem?) futuro presidente da CBF, ambos intimamente ligados ao banido Marco Polo.

Mas vamos falar da visita boa. Mario Jorge Lobo Zagallo, bicampeão mundial como jogador em 1958 e 1962, campeão como técnico em 1970 e auxiliar em 94, vice campeão mundial em 1998, novamente como treinador. Aos 86 anos, foi, com certeza, um dos últimos dias felizes de sua vida. Até o próximo convite. Porque Zagallo vive a seleção, vive da seleção, vive para a seleção. Pela “amarelinha”, faz tudo. É sua vida. Um amor, uma ligação, que remetem a tempos antigos, quando havia orgulho  em torcer pelo “scratch”.

Zagallo sempre foi contestado. E sempre foi vitorioso. Como jogador, era muito ridicularizado pelos jornalistas de São Paulo, quando a rivalidade com o Rio era imenso. Quando as pessoas ainda se importavam com o número de jogadores que cada estado cederia à seleção. Em São Paulo, era impossível imaginar sua convocação, ele seria apenas o terceiro homem, atrás de Canhoteiro e de Pepe.

Canhoteiro era considerado o Garrincha da esquerda. Maranhense, era um malabarista com a bola nos pés. Seus dribles, pelo São Paulo, eram temidos pelos adversários. Pepe jogava no Santos. Ponta-esquerda com chute potente, o “Canhão da Vila”, é o segundo artilheiro da história do clube, com 405 gols. “Sou o primeiro e não o segundo, porque Pelé é um ET. Ele não conta”, diz sempre.

Em 1958, o treinador da seleção era Vicente Feola, que dirigia Canhoteiro no São Paulo. O chefe da delegação era Paulo Machado de Carvalho, ligado ao São Paulo. E Canhoteiro foi cortado. E Zagallo foi o titular. Feola, que havia trabalhado com o húngaro Bella Guttmann no São Paulo, trocou o WM pelo 4-2-4 na seleção. Um 4-2-4 que virava 4-3-3 porque o ponta era Zagallo, que voltava ao meio para ajudar Didi. E cobrir as avançadas de Nilton Santos, um lateral à frente de seu tempo. Foi assim o trabalho de Zagallo em 58 e 62, quando o treinador era Aymoré Moreira. Fez um gol em cada Copa.

Em 1970, seu trabalho também foi diminuído. Muitos dizem que ele recebeu uma seleção pronta de Saldanha, afastado por ser comunista e por denunciar a tortura no Brasil em entrevistas no Exterior. E também por ter resultados ruins, após a brilhante participação nas eliminatórias, quando o Brasil venceu os seis jogos, contra Colômbia, Venezuela e Paraguai, com 23 gols a favor e apenas dois contra.

Saldanha foi demitido após uma vitória sobre a Argentina, por 2 x 1, em março de 1970. Zagallo assumiu e foi campeão mundial em 21 de junho.

A seleção de Saldanha, que se classificou com 1 x 0 sobre o Paraguai, tinha Felix, Carlos Alberto, Djalma Dias, Joel Camargo e Rildo, Piazza e Gérson; Jair, Tostão, Pelé e Edu.

A de Zagallo, que ganhou a Copa dez meses depois tinha Feliz, Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo, Clodoaldo e Gérson, Jair, Tostão, Pelé e Rivellino.

Deu força ao meio campo com Clodoaldo e ao meio-campo, com Rivellino. Piazza foi para a zaga porque Sebastião Leonidas, seu favorito, se contundiu.

O time de Saldanha poderia ser campeão? Sim, mas dizer que Zagallo nada fez e pegou o trem andando é uma bobagem.

Zagallo não é perfeito. Ninguém é. Em 1974, foi surpreendido por Rinus Mitchel e sua Holanda. O futebol revolucionário recebeu de Zagallo o apelido de “tico tico no fubá”. Depois, esclareceu que era uma forma de incentivar seus jogadores. E o Brasil poderia ter vencido se Paulo César Caju não errasse como errou, quando ainda estava 0 x 0.

Ele fez coisa feia também. Eu vi uma. Em 1993, o velho Barbosa, a quem todos culpavam pela derrota de 1950 (é fácil culpar Barbosa e Bigode, os dois negros) foi até a Granja Comary para atender a um trabalho publicitário. Ganharia um cachê (não me lembro de quem) para uma foto e algumas palavras com Taffarel.

Parreira não deixou. Para ele, seria uma carga emocional muito forte para o goleiro de uma seleção que não ganhava a Copa há 24 anos e que ainda buscava a classificação. Taffarel nem soube da visita. Zagallo recebeu e despistou Barbosa. O treinador, que no dia da derrota para o Uruguai, em 1950 – aquela que marcou para sempre a vida de Barbosa – estava no Maracanã, como soldado do Tiro de Guerra, trabalhando na segurança do estádio, bateu papo, trocou lembranças, sorriu, acenou, mas Barbosa se foi sem foto e o cachê.

Em 1998, Zagallo se rendeu à vontade de Ronaldo e o escalou, mesmo após uma convulsão durante a madrugada, para a final contra a França. Hoje, muitos jogadores contam que o Fenômeno não deveria ter entrado e que eles jogaram preocupados com a saúde dos companheiros. Mas, como culpar Zagallo? Alguém tiraria Messi ou Cristiano Ronaldo de uma final.

É possível que alguns jogadores que receberam Zagallo não tenham ouvido falar dele. Com certeza, não têm noção de sua importância para o futebol brasileiro. O  homem que foi vencedor contra a desconfiança de todos e que fez do amor pela amarelinha a sua marca.

 

 


Tite pode morrer abraçado à sua coerência
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Eu acho estranho quando dizem que todo garoto que chega ao Barcelona, seja com dez anos ou dez dias de vida, começa a treinar sob um determinado estilo de jogo. Um único estilo. Todos os sub qualquer coisa estão lá, privilegiando a posse de bola, trocando passes em busca do momento do gol (como uma aranha tecendo a teia que imobilizará pernas ou asas de seu almoço). Sempre impondo o jogo, nunca apostando em contra-ataque.

E se um dia, for preciso mudar? E, se diante de uma dificuldade enorme, for necessário transformar uma falta a favor em uma bola jogada na área para uma cabeçada (ou uma mordida, vai saber) de Luisito Suárez?

Um time deve ser fiel a um estilo de jogo, a um único estilo de jogo, a cada minuto, a cada campeonato. Sem surpresas? Bem, até no Barça, as coisas mudaram. Ernesto Valverde trouxe Paulinho e, com ele, além da desconfiança dos torcedores, também uma transição mais rápida e mais agressiva. Contra a Roma, pela Liga dos Campeões, Valverde nos apresentou, este sim, um Barcelona que renegou toda a sua história. Um time que não entrou em campo para jogar. Entrou para não jogar. Para defender um 4 x 1. E que foi humilhado com a desclassificação.

Valverde foi incoerente duas vezes. Com Paulinho, acertou. Com a covardia, errou.

O ponto, para mim, é que, em nenhum dicionário do mundo, coerência significa algema. Coerência não pode significar falta de improvisação, falta de surpresa.

Esse é o ponto ruim da convocação de Tite. 100% coerente com um trabalho muito bem feito. Sem dúvidas, mas e se for necessário ago novo? Se for necessária ousadia? Se for necessário apresentar algo surpreendente? Chama o Taison. Não vai mudar nada.

Tite é meu Pastor e nunca me faltará. Assim, caminhamos. Com uma confiança cega no que Tite prega. Algo que se resume na frase feita: nenhum de nós é maior do que todos nós juntos. Ou, então: se o coletivo é forte, as individualidades aparecem. Um preceito tão férreo que permite a não convocação de um jogador porque ele não se adaptou aos mandamentos titíferos.

Luan é o melhor jogador em atividade no Brasil há dois anos. Ou, perto disso. Ganhou títulos e foi importante na Libertadores. Ele foi chamado e descartado por não se adaptar ao que Tite pediu. Não poderia ser diferente? Tite não poderia se adaptar a ele, para que, em algum momento de falta de opções, ele entrasse e surpreendesse.

Não gosta de Luan? E que tal Vincíus Jr. ou David Neres? São jovens, dribladores, encaradores e pouco conhecidos. Neres está na Holanda e dizem, a caminho da Alemanha. Então fator surpresa é menor do que quando se fala em Vinícius Jr. Jogo fechado, sem espaços e é preciso um drible, um só, um solitário drible para decifrar o código da fechadura. Não vale a pena ter um jogador assim?

Para provar sua coerência, Tite usa argumentos para uns e não para outros. Justifica, entre outras coisas, Taison por ter mais de 80 jogos entre Liga dos Campeões e Liga Europa. Muito bem. E quantos tem o Fagner? Rafinha tem muito mais. Nada contra Fagner, mas a justificativa é outra: homem de confiança. Tite confia nele. Pronto, não se discute mais. Eu acho perfeito um treinador convocar quem ele quer, independentemente de onde está jogando. Foi assim com Paulinho, grande acerto.

Para mim, a grande falha da seleção é não ter Artur. Passada a Copa, alguns meses depois, haverá uma nova convocação. E ele estará lá. E mais duas ou três, terá sua chance como titular. E titular será em 2022, 2026 e 2030. É um jogador único, um jogador para mais de uma década e…por que não vai agora? Qual capítulo da coerência justifica que o melhor não jogue.

Uma coerência que supervaloriza o treinador. Jogador bom é o que se adapta ao que o treinador quer. Um exagero.

Lembremos sempre que Dunga foi extremamente coerente ao levar Júlio Baptista (que havia ido bem na Copa América) e deixado Neymar. E, contra a Holanda, perdendo o jogo, fez apenas duas substituições. Uma coerência que ajudou na derrota.


Porque não torço para a seleção
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Menon

Está dada a saída para a Copa. Tite anuncia a lista da Copa à tarde e, horas depois, vai à bancada do JN. Tão normal, tão sem surpresas quanto a lista de Tite.

Todos vão. É necessário o aval de quem manda. A benção. Até Dilma e Lula foram. Visitaram o dragão da caverna. Inocentes ou oportunistas, visitando quem sempre quis devorá-los.

Bem, está feita a parceria, sob o comando de Galvão Bueno. E tome mãe de jogador, e tome rua pintada e tome musiquinha e tome corrente prá frente..

Sou fanático por futebol brasileiro. Em coberturas internacionais, vi como ele é amado e respeitado. Como é um representante do País, uma referência cultural.

Adoro um drible de Garrincha, como uma curva de Niemeyer.

Então, porque não consigo torcer pela seleção?

Na verdade, não consigo superar o futebol da seleção.

Pela parceria com a Globo. Pela camisa amarela, que virou uniforme de golpistas.

Pelo fato de a seleção ter donos. Era de Ronaldo, Ronaldinho e Roberto Carlos, reis da noite. Passou a ser de Kaká e Lúcio, os reis da reza.

Agora, é de Neymar e seus amigos. De Gil Cebola a Daniel Alves, que nem vai.

Detesto a família Scolari. Felipão tentando provar que as reclamações pelo pênalti em Fred, inexistente, eram uma conspiração internacional.

Vou confessar: se eu fosse cobrir a seleção, acabaria seduzido. Difícil não torcer por quem está ao seu lado. Foi assim em 94, 2002 e 2006. Mas, mesmo torcendo, me maravilhoso com o baile de Zidane, que causou nossa eliminação.

Tite é um ótimo treinador, mas não esqueço seu beijo em Marco Polo. O último representante de uma dinastia corrupta que vem com Havelange, Nabi, Teixeira e Marin…

Erro meu? Pode ser, mas não consigo separar CBF do futebol brasileiro. Como se a camiseta fosse de Aécio. E Neymar pediu voto para Aécio. A pedido do Fenômeno.

Também me irrita a overdose. Vou só cinema e…lá está o Tite com sua voz de pastor vendendo tudo.

Tite, encantador de serpentes. Ninguém o questiona. Se Jesus Cristo convocasse William José seria criticado. Com Tite, não. Escrevem teses para defender o treinador.

Há a criação do fato consumado. Globo, corrente prá frente, a tia Gertrudes gritando na frente da televisão, os estratosféricos juros do cartão de crédito do banco do Tite, os patos na Paulista…

O racional seria separar uma coisa da outra e abraçar o futebol brasileiro, que tanto amo.

Sim. Mas, torcer por Neymar, uma mala que não respeita adversário, que não sabe ganhar e nem perder?

Evidentemente, sei que tudo que tem por aqui, talvez tenha também em todas as outras seleções. Tudo bem, mas eu não sou uruguaio, seleção que me seduz.

Ah, esqueci do Galvão tentando me fazer odiar a Argentina…

É muita breguice. Muita pressão.

Vou ver todos os jogos. Os 64. Mas não terei prazer em ver a seleção. Eu, que chorei de alegria em 70 e de tristeza em 82, não gosto mais da seleção global. Exceção a um ou outro, como Jesus e Marcelo.

 

 


Ataque forte, pronto para lutar pelo hexa
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Menon

Saiu a liste de Tite. Poucas surpresas. Tanto que eu acertei 22 dos 23 nomes. Coloquei Rodriguinho e não Taison. Tentando imaginar o pensamento de Tite e não o meu. Para mim, Artur seria presença certíssima.

É um ogrupo pronto para lutar pelo título. Bem, lembremos que em 2014 também lutamos pelo título. Ficamos em quarto, posição que seria celebrada por qualquer seleção do mundo.

O forte é o ataque. Em conversa com um grande amigo, ele falou sobre o lado esquerdo do ataque. Neymar, Philippe Coutinho e a chegada de Marcelo. Quem tem algo igual?

Gabriel Jesus e Firmino são bons jogadores. De Willian, eu gosto muito. Há muito tempo.

O meio campo permite alterações táticas. Fernandinho pode jogar ao lado de Casemiro. Ou até mais a frente. E também no lugar de Casemiro. Paulinho é um jogador que me agrada muito. E Renato Augusto, com um bom tempo de treinamento, pode voltar a ser o bom jogador que já foi.

Tenho preocupação com a defesa. Fagner é um jogador que não me agrada. Vive no limite da violência. Não tenho confiança em Thiago Silva, sempre com o psicológico abalado. Miranda já teve seu auge. E Marquinhos é baixo. Não quero dizer que outros pudessem ser chamados, mas acho o ataque muito melhor que a defesa. E Tite, modéstia a parte, me deu razão quando fez tantos elogios a Dedé, grande zagueiro.

O time está pronto. É um bom time.


Daniel Alves fará muita falta na Copa
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Menon

A contusão de Daniel Alves o tirou da Copa. É oficial. Acredito que a diferença técnica entre Daniel e os outros laterais é a segunda maior existente na seleção. Só perde para Neymar comparado com quem quer que seja. Com 35 anos, experiência de outros Mundiais, Daniel poderia ser o capitão do time. E também uma opção de troca de posicionamento. Pode  jogar mais adiantado, como volante, meia ou até ponta. Foi assim com Dunga.

O que não gosto de Daniel é sua tendência a ser babá de Neymar. Ou um paizão. Ele deixou de ir ao City para jogar com Neymar. Tirou a bola de Cavani para Neymar bater pênalti. Faz parte do séquito de Neymar, muito mais que uma panela. Não gosto quando a seleção tem donos, como foi com Ronaldo e Roberto Carlos (reis da noite) ou Kaká e Lúcio (reis da reza).

Sem Daniel Alves, a briga por duas posições fica entre Danilo, Rafinha e Fagner. Os dois primeiros tem mais experiência na Europa, mas Fagner é um jogador de muita personalidade e não teria problemas anímico para jogar.

Seja quem for, Daniel fará falta.


Brasil ganha facilmente em teste inútil
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Menon

Deu a lógica. O Brasil ganhou facilmente da Rússia, anfitriã que suará sangue para passar à segunda fase do Mundial. Foi um segundo tempo de excelência em um jogo que confirmou a alto nível de Willian, cada vez mais merecendo um lugar no time titular. Philippe Coutinho também confirmou que é o melhor brasileiro depois de Neymar e  Paulinho novamente tem grande poder ofensivo, fazendo um gol, perdendo outro e sofrendo um pênalti.

E por que foi inútil?

Primeiramente, pela postura da Rússia no segundo tempo. No primeiro, jogou com linha de cinco e outra de quatro, uma retranca terrível. E a seleção sentiu dificuldades, as mesmas que teve contra a Inglaterra. O Brasil não conseguiu vencer as linhas russas, principalmente por não abrir o campo. Daniel Alves e Marcelo vinham muito pelo meio, o que facilitou para os russos. Douglas Costa e Willian não tentaram o drible, não ousaram no mano a mano, no um contra um.

No segundo tempo, o treinador da Rússia resolveu imitar o estilo Gorbatchov na política, ainda nos tempos da União Soviética. Resolveu ousar, enfrentar o Brasil, abandonou o seu estilo fechado e se desintegrou totalmente. Regalou espaços incríveis e o Brasil foi aproveitando. Fez três e poderia fazer mais.

Ou seja, o Brasil goleou uma Rússia que não existe e teve muitas dificuldades contra a Rússia real. Douglas Costa, que luta pela vaga, foi bem no segundo tempo e teve dificuldades no primeiro. Não dá para dizer que carimbou o passaporte. Seria verdade se tivesse destruído a retranca russa no primeiro tempo.

Também foi inútil pelo pouco tempo dado a Geromel. O que se sabe é que há três zagueiros confirmados: Miranda, Thiago Silva e Marquinhos. Geromel e Rodrigo Caio são os mais fortes concorrentes à quarta vaga. Rodrigo Caio nem foi relacionado para o jogo e Geromel atuou dez minutos. Difícil tirar uma conclusão.

Fagner e Taison tiveram seus minutos. Nada acrescentarão, se aprovados.

Firmino entrou no lugar de Gabriel Jesus. São dois bons atacantes, são os melhores do Brasil no momento, são fatos. Como fato é que estão abaixo de Careca, Muller, Romário, Bebeto, Zico, Chulapa, Ronaldo, Ronaldinho, Luis Fabiano e Fred, os que os precederam até 2010. São superiores a Fred e Jô de 2013. Poquito.


Rodrigo Caio e Fagner são inexplicáveis
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Menon

Por motivos diferentes e até opostos, a convocação de Fagner e Rodrigo Caio me desagradam. Não surpreendem, por constantes, mas desagradam pelo futebol que jogam há tempos.

Rodrigo Caio não é um zagueiro-zagueiro e também não é um zagueiro espetacular, de alto nível técnico. No jogo físico, leva desvantagem, como foi no encontro com Borja. E também não é nenhum Aldair em termos de antecipação, de início de jogadas. Me parece que Tite ainda leva muito em conta sua grande participação na Olimpíada, o que pouco significa para um Mundial.

Fagner, ao contrário, gosta do jogo físico, do contato. Mas o faz sempre em alta voltagem, sempre no limite da violência. E, além da briga física com o adversário, tem o blablablá com os juizes. Fica reclamando sempre, de forma colérica. É um convite para cartões amarelos. E não tem ido tão bem assim na marcação. Sofreu com Hugo Cabral no Paulistão.

Tite mostrou que ainda há vagas a serem conquistadas. Cássio, afastado o “perigo Vanderlei”, se pensou que estava garantido, agora tem de se preocupar com Neto. Rodrigo Caio ou Geromel? A briga está aí para se definir o companheiro de Marquinhos, Thiago Silva e Miranda. Jémerson e Gil, acho que perderam o bonde.

Willian José é uma aposta em um atacante de características diferentes de Jesus e Firmino. Alguém de contato, de choque e de bola aérea. Sempre foi grosso, mas agora é grosso na Real Sociedad, o que lhe dá um status de grosso internacional. Mas, há outros? Lembremos que na outra convocação, a opção foi Diego Souza. E Jô, por que não?

Talisca é forte, habilidoso e chuta bem. Giuliano, Rodriguinho e Lucas Lima, citados por Tite, tem um forte concorrente.

E há a possibilidade de o mundo se debruçar sobre um tema proposto há anos pelo gaúcho Wianey Carlet, em 2009. “Taison ou Messi, o futuro dirá quem foi melhor”. Por enquanto, Messi leva vantagem, mas Tite pode dar uma chance ao conterrâneo.


Thiago Silva é um problema
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Menon

Thiago Silva está garantido na Copa do Mundo, conforme Tite garantiu em entrevista ao UOL. Eu acho um problema muito grande. Depois da Copa do Brasil, não o vejo em condições psicológicas para defender a seleção em uma competição tão grande, a maior de todas. Todos se lembram do choro descontrolado e da total impossibilidade de cobrar pênaltis na decisão contra o Chile. Nada contra o choro, foi emocionante ver Juninho Pernambucano chorar ao ouvir o hino na Copa de 2006. O errado é o choro ser consequência do pavor e não da emoção. Ainda mais quando se fala de um capitão.

O jornal L’Equipe questiona Thiago Silva no PSG, perguntando se um Monstro ou um chorão. Após seis anos no clube, como capitão, não se firmou como um líder. “Capitão Mistério”, diz o jornal, sobre o zagueiro que tem perdido espaço para Kimpembe.

Menos mal que, na seleção de Tite, Thiago Silva não é titular e, por consequência, nem capitão.

 


Fagner tem licença para bater
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Menon

Júnior Baiano é mau, pega um, pega geral…

A Fiel Torcida, se quiser, tem motivos de sobra para emular o canto dos rubro-negros nos anos 90 e homenagear o baixinho Fagner.

Ele tem ultrapassado o limite do jogo duro. São entradas maldosas e sem nenhum cuidado. O que fez com Lucas Lima no clássico é para cartão vermelho. A tesoura com que tirou nove meses da carreira de Ederson, do Flamengo, em junho de 2016, também. Nem falta foi marcada. O vermelho ficou para Zé Ricardo, então treinador do Flamengo, por reclamação. Os lances se sucedem. Se há relato de gol perdido no Corinthians, aposte em Kazim. Se há relato de jogada violenta, o nome é Fagner.

Ele joga sempre em alta tensão. Houve um lance com Dudu em que os dois se enroscaram. Nada de mais. Dudu saiu e Fagner tentou acertar um tapa. Com ele, não há um instante de camaradagem em campo. Nada de fair play, a não ser aquele obrigatório, de jogar a bola para fora. Já houve paulistinha em Cueva…

Não se espera nunca um santo em campo. Ainda mais na defesa. Ainda mais se o jogador não tem recursos técnicos extraordinários. Mas Fagner exagera. E conta com conivência, não proposital, tenho certeza, dos árbitros.

Fagner tem licença para bater.

E não tem jogado bem. Teve muitas dificuldades com Hugo Cabral, jogador do Santo André, fundamental na vitória sobre o Corinthians. Foi mal também contra o Novorizontino. Passou um dobrado com Brenner, do São Paulo.

Eu, você, a Larissa Manoela e MC Loma sabemos que a Copa não está mais no horizonte de Fagner. Tite percebeu que há jogadores com mais qualidade. E que não correm o risco de serem expulsos em um Mundial. Porque, afinal, a licença para bater não vale na Rússia. Só em Terra Brasilis.

 

PS – Meu amigo Denis Ninzoli, assessor de imprensa do Corinthians me mandou a seguinte ponderação:

“No texto que vc produziu há uma parte onde diz que a lesão do Ederson foi em decorrência do carrinho do Fagner, por mais que vc tenha sua opinião, quero colocar a parte que foi conduzida até pelo STJD na situação. O atleta foi absolvido e foi constatado que a lesão não foi no joelho que ele deu a entrada, portanto não é verdade que ele lesionou o atleta, tanto que ele jogou meia hora depois da entrada”