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Nem gênio e nem burro, Valentim é a melhor aposta para o Palmeiras-18
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Menon

Está criado um senso comum que os treinadores brasileiros não são bons. Os veteranos como Luxemburgo assumem a postura Google: sabem de tudo, conhecem tudo. E não fazem questão de ser um Google segunda geração. Não querem a atualização. Outros, como Levir Culpi, parecem, como se diz em Aguaí, esperar que o mundo acabe em barranco para morrerem encostados. Há outros que, apesar de buscarem conhecimento, não conseguem dar o grande passo rumo a constantes títulos.

O vácuo de excelência resultou em uma torcida enorme para que novas figuras aparecessem e dessem certo. A brisa de renovação foi tratada com uma boa vontade poucas vezes vista. Um erro de Dorival ou Abel é muito mais criticado que outro, de Zé Ricardo ou Jair Ventura Filho. Jair, por exemplo, nunca erra. Leva viradas do São Paulo, Vitória e Botafogo e…tudo bem. Todos dizem que ele levou o médio elenco do Botafogo aonde ninguém esperava. Tudo bem, concordo, mas deixo a pergunta: e se tivesse um elenco forte nas mãos, daria conta do recado? Saberia jogar impondo (não gosto do termo propondo) o jogo, marcando alto, obrigando o rival a apostar em contra-ataques e mais nada?

Com Alberto Valentim, é o mesmo. Quando Cuca saiu e ele assumiu, tudo de bom em sua carreira foi lembrado. Jogou na Europa, fez estágio na Europa, é estudioso, fala bem… Tudo? Tudo, menos sua passagem pelo Red Bull. O time ficou em 13º lugar entre 16 participantes do Paulista, com 4 vitórias, 4 empates e 7 derrotas. Nada que um treinador sem a Europa no currículo não fizesse.

Bem, ele assumiu com toda a torcida a favor. Mudou o Palmeiras. Fez o time jogar muito melhor do que com Cuca. Mudou o estilo porco doido por um futebol mais bem jogado, com bola no chão. Colocou Keno. E fez o óbvio, deixando Deyverson (Cuca precisa responder por isso) no banco de Borja.

O time ganhou três seguidas, do Atlético-GO, Ponte e Grêmio e toda a torcida por Valentim se viu recompensada. Foi tratado como um novo gênio. Aí, veio o jogo contra o Cruzeiro. O Palmeiras foi superior, foi prejudicado pela arbitragem, mas o fato de marcar alto, no campo do rival, permitiu oportunidades ao Cruzeiro, de Mano, que adora um contra-ataque. Contra-ataque contra Myke e Egídio, muito frágeis para um mano a mano.

O amigo Fernando Vives, do Yahoo, avisou, em seu twitter: se jogasse assim contra o Corinthians, perderia. E falou mais: perderia com jogadas pelo lado, com Egídio no mano a mano. E com gol de Romero. Vives avisou. E Valentim não percebeu.

Errou feio. E, de gênio, passou a ser muito contestado.

Eu, como sou um sujeito moderado, nunca o achei gênio. Nunca esqueci o fracasso no Red Bull. Mas não acho que um erro como foi no clássico o tire da passarela. Ele não foi o único errado no derby. E nem o mais errado. Sua tática poderia dar certo com jogadores melhores, sem a inépcia de Egídio e Myke e sem a lentidão de Dracena. Nota: falei muitas vezes sobre como o elenco do Palmeiras tem erros de montagem. Dois centroavantes caríssimos e laterais de futebol baratíssimo.

Eu considero Alberto Valentim a melhor opção para o Palmeiras-18. Poderá pedir ou descobrir no elenco, jogadores adaptados ao seu esquema. O zagueiro Vitão, da seleção sub-17 poderia ser uma solução. Com tempo para trabalhar, sobre uma boa base, ele pode, sim, fazer um ótimo trabalho. Ganhando muito menos que medalhões. E, se não der certo, semrpre é possível buscar outro nome.

É preciso mesmo uma renovação entre os treinadores. É preciso dar oportunidade a jovens como Valentim. O que não se pode é pensar que ele e outros já são gênios, já são, com três ou quatro jogos, uma realidade.

Pensem comigo: se, com três ou quatro jogos, a pessoa já está formada, já é uma maravilha, vai aprender o quê no resto da vida? Alberto Valentim vai crescer muito e pode fazer o Palmeiras crescer com ele.

 


Zé Ricardo, o quinto magnífico demitido. Renovação falhou
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Menon

No início do ano, havia muito expectativa com o trabalho de sete jovens treinadores em sete grandes equipes brasileiras. Poderia ser o início da renovação do nosso futebol, preso a velhos professores com suas pranchetas, projetos e falta de atualização com o futebol moderno.

Além de expectativa, havia boa vontade com eles. Pouca coisa se confirmou. Zé Ricardo, do Flamengo, após uma derrota em casa para o Vitória, por 2 a 0, foi o quinto a perder o emprego.

Relembremos os cinco demitidos.

ZÉ RICARDO – Havia assumido o Flamengo após um mau trabalho de Murici e levado o time a um bom desempenho. Agora, com elenco reforçado, seria a hora de se firmar como um grande novo nome.

ROGER – Trabalhou bem no Grêmio e sua saída causou grande comoção, principalmente pela chegada de Renato Gaúcho, que se orgulhava de preferir futvôlei ao estudo de táticas. No Atlético-MG, Roger deslancharia. Ganhou o Mineiro e foi mal no Brasileiro.

ANTONIO CARLOS ZAGO – Tinha um bom tempo de estrada, inclusive com passagem no Palmeiras, mas agora era uma esperança repaginada, após cursos na Uefa e boa passagem no Juventude. Seria o homem para recuperar o Inter, agora na Segundona. Perdeu o Gaúcho para o Novo Hamburgo e começou mal a Série B.

EDUARDO BAPTISTA – Depois de boas passagens pelo Sport e pela Ponte, apareceu como o nome ideal para substituir Cuca no Palmeiras, que sonha com o Mundial. Pouca gente se lembrou de seu fracasso no Fluminense. Caiu após uma derrota para o Jorge Wilstermann, muito pouco para quem sonha em vencer o Real Madrid.

ROGÉRIO CENI – Sem nenhuma experiência anterior, chegou ao São Paulo respaldado por seu passado único no clube, por alguns cursos feitos na Europa e por trazer consigo auxiliares estrangeiros. Foi mal no Paulista e somou 11 pontos em 11 jogos no Brasileiro.

Dos sete magníficos, restaram FÁBIO CARILLE, que venceu o Paulista e conduz o Corinthians a um campeonato brasileiro histórico. E JAIR VENTURA, que tem levado o Botafogo a romper limites técnicos.

Os cinco magníficos floparam e alguns veteranos retomaram o sucesso, como Renato Gaúcho, Levir Culpi e ele, o ressurgido Vanderlei Luxemburgo, de ótimo trabalho no Sport.

Lamento o insucesso da renovação, mas não fico triste com a ascensão dos veteranos. Ótimo saber que não há apenas uma maneira de ver futebol e que é possível fazer um trabalho consistente e criativo sem falar em amplitude, basculação, recomposição, transição e terço final.


Luxemburgo voltou? Seria ótimo para o futebol brasileiro
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O Sport está invicto há cinco jogos, com quatro vitórias seguidas. Está em sexto lugar no Brasileiro, na zona de Libertadores e muito longe da confusão, termo cunhado por Vanderlei Luxemburgo, o comandante da virada do Leão. A arrancada contou com vitórias fora de casa contra Santos e Coxa e na Ilha, contra Furacão e Chape.

Luxemburgo é o mais brilhante treinador que conheci. Sempre foi inventivo, sempre buscou soluções ofensivas. E não ficava apenas na prática. Exigia muito de treinamentos e, na repetição, fez com que muita gente melhorasse. Tinha um pouco de Telê.

Depois, se perdeu. Deixou o campo de lado e se imaginou um manager, cuidando de tudo e, principalmente, de contratações. Muitas em parceria com o amigo e sócio Malucelli. Futebol deixou de ser o único jogo a lhe seduzir e perdeu o foco totalmente.

Teve passagens ruins em times grandes, foi para a China, ficou um bom tempo sem emprego e agora, tudo indica, ressurge no Sport. Colocou Mena na ponta esquerda, formando uma dupla forte com o lateral Sander. Fez Osvaldo jogar bem e está sabendo tirar o melhor de Rogério, uma substituição recorrente, e de Thomas. E foi premiado com a continuidade de Diego Souza, algo que ninguém acreditava ser possível acontecer.

O rubronegro Luxemburgo está ressurgindo com o rubronegro Sport. Bom para o futebol.

 


Oswaldo, o penúltimo dinossauro, caiu. O que virá em 2017?
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dinosVanderlei Luxemburgo, Luis Felipe Scolari e Muricy Ramalho estão fora do mercado. Não começarão 2017 comandando um dos 12 clubes de maior tradição no Brasil. Juntos, eles venceram uma Copa do Mundo de seleções, 3 Libertadores, 12 Brasileiros e 5 Copas do Brasil. O primeiro desses títulos foi o Brasileiro de 1993, de Luxemburgo, com o Palmeiras. O último, foi a Copa do Brasil de 2012, de Scolari, também no Palmeiras. Abel Braga, de volta ao Flu, venceu um Mundial, uma Libertadores e um Brasileiro.

O “quinto dinossauro” foi demitido pelo Corinthians. Oswaldo de Oliveira sai após nove jogos e um aproveitamento de 37%, com duas vitórias, quatro empates e três derrotas. Algo não condizente com seu passado no futebol, com um título mundial e um brasileiro. Não está aqui o “título moral” de Oswaldo na Copa João Havelange, quando foi demitido por Eurico Miranda nas vésperas da decisão.

Depois destes cinco “dinossauros”, houve uma geração intermediária ainda na ativa.  Tite, com seu título mundial interclubes, uma Libertadores, dois Brasileiros e uma Copa do Brasil está na Seleção Brasileira. Mano Menezes, que também dirigiu a Seleção, tem uma Copa do Brasil e está no Cruzeiro. Renato Gaúcho, com duas Copas do Brasil, está no Grêmio.

Entre o sucesso de Tite, o ocaso dos três gigantes, a demissão de Oswaldo, a volta de Abel e a curiosidade sobre como Renato Gaúcho trabalhará a longo prazo, os 12 grandes estão cheios de novidades. A renovação é gritante e pode ser exemplificada com alguns dados curiosos.

Eduardo Batista é filho de Nelsinho Batista, o primeiro rival de Luxemburgo, lá em 1990, na disputa entre Braga e Novorizontino.

Dorival Jr foi auxiliar de Muricy.

Antônio Carlos Zago foi dirigido por Scolari e Luxemburgo.

Rogério Ceni foi capitão de Muricy e assume um clube pela primeira vez.

Zé Ricardo e Jair Ventura têm menos de 40 anos.

Roger Machado foi dirigido por Scolari.

O perfil dos novos treinadores aponta para pessoas menos empíricas e mais antenadas com o futebol que se pratica hoje. Zé Ricardo e Jair Ventura nem podem ser “boleiros”, afinal não são ex-jogadores. Dorival Jr e Mano Menezes fizeram uma “reciclagem” na Europa. Dorival visitou grandes clubes e Mano fez cursos em Portugal.

Antônio Carlos Zago fez todos os cursos da Uefa e foi auxiliar na Roma. Rogério Ceni fez cursos menores e trouxe o inglês Michael Beale, com grande experiência em clubes ingleses. Eduardo Batista e Roger Machado, que foram muito bem no início da carreira, terão a chance de recomeçar em um time grande, após o mau momento no Fluminense e na fase final do Grêmio. Cristóvão tem uma nova chance, após não conseguir montar defesas seguras por onde passou.

O ano de 2017 começará com muita expectativa sobre o trabalho dos novos treinadores. E com a esperança que algo de novo se materialize no Brasil. Porque, por enquanto, toda a modernidade que se instala aqui é uma imitação do que já se implantou na Europa. Nem se pensa no “pulo do gato”, na possibilidade de que uma grande novidade apareça por aqui. Se conseguirem chegar mais perto do que se faz por lá, com um “delay” menor já será um grande feito.

E sonhar com um grande clube jogando de forma diferente dos outros. Chega de 4-2-3-1, a novidade da Copa de 2006.


Só resenha não adianta, Luxemburgo
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luxazizu
Vanderlei Luxemburgo esteve no Resenha, ótimo programa da ESPN. Mais uma etapa do périplo midiático que busca tirá-lo da triste estatística que revela a tragédia nacional: 12 milhões de desempregados.

“Você ainda vai ver Luxemburgo ganhando muita coisa em um grande clube do Brasil”, disse, evidentemente embaraçado, a um internauta que sugeriu um recomeço em clube menor, talvez o Bragantino.

Luxemburgo erra em um ponto chave. Básico. Seu futuro depende de seu presente e não de seu passado glorioso. Entre os seus – Zé Elias, Djalminha e Alex são gratos aos ensinamentos do tempo em que trabalharam juntos – , o professor lembrou de casos antigos e voltou a dizer a frase que tem muito de verdade e mais ainda de arrogância: “tudo que tem de moderno no futebol brasileiro, foi criado por mim”.

Para o possível novo empregador, isso não tem valor algum, mesmo que verdadeiro. A única reação que causa é: “como vou aguentar uma mala dessas?”. E as lembranças gloriosas soam muito mais como lembranças do que projeções. Luxemburgo soa como um velhinho orgulhoso de suas realizações. Como tantos outros que fizeram muito menos do que ele.

Luxemburgo precisa olhar um pouco para o passado. Telê Santana, que ele estava superando, morreu. Nelsinho Batista, seu primeiro rival, está há anos no Japao. Quem brilha agora é seu filho. Cuca, que era jogador em 93, quando Luxemburgo montou o grande Palmeiras, agora é o futuro campeão brasileiro.

Não adianta dizer que foi bom. Não adianta relembrar que foi bom. Não adianta comprovar que foi bom. Luxemburgo precisa dizer e mostrar que ainda pode ser bom, que ainda é ótimo.

Podia começar a se expor menos. Fazer um discurso mais contido. Quem sabe contratar um mídia training como o de Mano Menezes ou de Tite. São chatos demais, mas não se desgastam.

Não adianta ser agressivo. Ao responder se a dificuldade de falar inglês atrapalha a carreira internacional dos treinadores brasileiros, ele irritou-se muito no Bem, Amigos. Disse que é um problema do Brasil, que a população é pobre e não é poliglota. Nem os jornalistas. Uma análise sociológica perfeita, mas…quanto ganha Luxemburgo? Ele pode fazer um curso caríssimo. Como Mano já fazia em 2008.

Em vez de dizer – como Maluf dizia – que tudo o que existe é obra sua, Luxemburgo poderia dizer o que poderia trazer de novidade. Como enfrentar o aburrido 4-2-3-1, por exemplo, praticado por 90% dos clubes brasileiros. Mostrar ideias novas para as categorias de base, algum tipo de treinamento para goleiros, que não mais encaixam uma bola, limitando-se a soca-la como se fossem Maguilas.

Luxemburgo tem ideias novas para o futebol brasileiro? Elas são brilhantes como aquelas dos anos 90? Como ele as implantaria?

Enfim, o melhor treinador que eu vi, precisa mostrar-se humilde e pronto para recomeçar. Por que não com um projeto detalhado, profundo, sem basear-se apenas no passado.

O passado não pode ser o aval para o futuro. Não, em seu caso. Ou, usando o estilo demonstrado no Resenha, não basta apenas ter a pica reta.


A ambição que falta em Kleina sobra em Luxa
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Menon

Vanderlei Luxemburgo está empregado novamente. Em um grande time que tem um grande parceiro. É mais uma chance (a vigésima?) de fazer um trabalho de nível novamente. Um trabalho à sua altura. Sim, porque hoje, Luxemburgo, que eu considero o mais talentoso treinador brasileiro, é muito mais lembrado por seus trabalhos o Cruzeiro, Corinthians e Palmeiras, o mais novo deles há dez anos.

 Quando deixou de ser apenas técnico para se tornar o chefe de uma imensa legião de entendidos de futebol, Luxa se perdeu. Perdeu a concentração. Quer ser manager, quer indicar jogadores – e só jogador medalhão – e se perde. Há quanto tempo não revela alguém? No Grêmio, só para lembrar, contratou Cris, André Santos e Fábio Aurélio. Um veterano, um indisciplinado tático e outro contundido crônico. Para ter Barcos, deu quatro jogadores ao Palmeiras, além de rifar Marcelo Moreno. Como uma adolescente mimada, que não aceita repetir vestidos em bailes. Ainda existem bailes?

Lembram quando Luxa foi treinar o Real Madrid? Levou uma comissão técnica tão grande que havia dentro dela um auxiliar que deu uma ridícula entrevista dizendo que Guti, queridinho da torcida, era um jogador limitado. Paulo Campos é o nome da fera. Ajudou na queda de Luxa. Antônio Lopes, seu mais fiel escudeiro me disse uma vez que Vanderlei era o head coach. Ah, tá. Foi assim, sem contar suas transações fora de campo – vive processando e sendo processado, teve seu Instituto Vanderlei Luxemburgo sendo contestado na Justiça – que Luxa esqueceu que é bom mesmo como técnico.

Tem um bom elenco na mão. Um material que pode ajuda-lo em sua retomada rumo à gloria. Talento ele tem, mas a ambição e a soberba estão no mesmo nível.

Falta ambição ou sobra falsa humildade a Kleina? Eu não aceito essa conversa de que “o que interessa é subir, não precisa ser campeão, porque a Série B dá quatro títulos?” Ora, isso é bom para a Ponte Preta. Por que não se cobrar mais? Por que não falar da grandeza do Palmeiras e dizer que só o título é que interessa?

O Palmeiras tem uma cota de televisão muito maior do que adversários como Sport. E muuuuiiiittto maior do que a Chapecoense, por exemplo. Sem contar a história. Então, tem de ser campeão, sim.

Se não for, quem será? O torcedor do Palmeiras ficaria contente em ser vice da Chapecoense? Avaí? Joinville? Figueirense? Ou mesmo do Sport? Pode até ser. Mas um técnico com alma de campeão não pode. Tem de saber que time dirige, que com que voo pode sonhar e assumir a responsabilidade. Tem de ser campeão, Kleina. O Palmeiras merece.


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