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Abel, o veterano passional, contra Zé Ricardo, o jovem pragmático
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Juntos, Flamengo e Fluminense, fizeram 14 jogos no Brasileiro até agora. Conseguiram apenas cinco vitórias e sofreram quatro derrotas. Empataram cinco vezes. O Flu ganhou mais (3 a 2) e perdeu mais (3 a 1). O Flamengo empatou mais (4 a 1). O maior número de vitórias deixa o Fluminense na 10ª posição, uma na frente do rival. Os dois tem apenas dez pontos ganhos em 21 possíveis. O Fluminense perdeu os dois últimos jogos, período em que o Flamengo conseguiu uma vitória e empatou uma partida.

Enfim, os números que antecedem o clássico não são bons. O que não tem a menor importância quando se trata de um Fla Flu no Maracanã. Com torcida dividida. É o futebol em sua essência, enfrentando os coveiros da PM e do MP e mais o Coronel Marinho, que fazem de tudo para transformar o futebol em algo insosso, em um jogo de curling, em uma ópera dinamarquesa com o tenor gripado.

Há muita coisa boa a se ver em um Fa Flu. E neste Fla Flu também. Uma delas é o duelo entre Abel Braga e Zé Ricardo. No início do ano houve uma troca de guarda no futebol brasileiro. Apareceram treinadores jovens, com todo o respaldo de torcedores e jornalistas. Havia uma expectativa muito grande com os “sete magníficos”: Zé Ricardo, Jair Ventura, Roger Machado, Fábio Carille, Rogério Ceni, Eduardo Baptista e Antonio Carlos Zago. Os dois últimos perderam o emprego no Internacional e no Palmeiras, respectivamente. E entre os veteranos, Abel Braga era o mais aceito. Sua presença não tinha 1% da rejeição que teria a contratação de Luxemburgo ou Oswaldo, por exemplo.

Interessante no duelo é que o lado emocional está muito mais presente no veterano do que no novato. Abel é uma pessoa muito emotiva. Após a derrota contra o Grêmio, em casa, ele foi de uma sinceridade juvenil. Nunca vi aquilo. Estamos com apenas sete rodadas e Abelão falou coisas como: “eu sou tricolor…não desisto nunca. em 2011, cheguei e perdi seis jogos seguidos, aí vencemos um e reagimos. ficamos em terceiro e montamos uma base para o ano seguinte, quando ganhamos o carioca e o brasileiro. quando vim, já sabia da questão financeira do clube”…

Me pareceu que ele, em um rasgo de sinceridade, abriu mão de lutar pelo título em 2017. Algo que ele pode fazer por ser o Abel no Fluminense. Por ter um respeito adquirido em muitos anos. E por dirigir um clube com pouco dinheiro para investir e que tem de brigar para manter Richarlison, sua renovação, que não demonstra, ao contrário de Abel, amor e fidelidade ao Fluminense.

Do outro lado, Zé Ricardo. Jovem e dirigindo um clube com alto poder de investimento. Ele está começando a usar Conca e ainda terá, em pouco tempo, Everton Ribeiro e Rhodolfo. E, muito provavelmente, Geuvânio. E, se tantos reforços estão chegando, é prova que o elenco tem falhas. Falhas com nome, como Rafael Vaz, por exemplo. E, mesmo assim, mesmo com falhas, mesmo como bom campeonato feito no ano passado, Zé Ricardo correu riscos. Poderia ter caído. Um dos motivos é o excessivo apego a alguns jogadores. Desvencilhou-se do abraço de afogados com Muralha, mas manteve Márcio Araújo. Durante todo o período de incertezas, Zé Ricardo manteve-se aparentemente calmo e fiel a seus princípios.

Um veterano passional dirigindo um clube com pouco dinheiro e um elenco cheio de revelações. Um jovem pragmático comandando um clube com muito dinheiro e cheio de craques e com a maior revelação brasileira desde Neymar. É um duelo bacana de um clássico que nunca decepciona.


Novo Hamburgo vence treinador fake e faz história
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A partir de 1940, a dupla Grenal estendeu seu domínio no futebol gaúcho. Desde então, a dualidade foi rompida em 1954 pelo Renner do goleiro Valdir de Moraes, em 1998 pelo Juventude, da Parmalat e pelo Caxias no ano 2000. Agora, é o Novo Hamburgo a conseguir a façanha. Uma façanha que não se restringe ao campo do jogo. É uma conquista que transcende o campo do jogo. É um título que congraça a cidade. Talvez até os colorados de Novo Hamburgo tenham sofrido menos que o normal com a perda do sonhado heptacampeonato. Por causa dessa importância para a comunidade é que escolhi uma foto de Novo Hamburgo e não do Novo Hamburgo.

Jogadores como Júlio Santos e Branquinho virarão lendas. Terão seus feitos contados por gerações. Estão na história do futebol do Rio Grande do Sul – glorioso futebol gaúcho, de Larry, Lara, Tesourinha, Renato, Valdomiro, Falcão, Carpegiani, Roger etc etc –  merecem mais que respeito. Merecem idolatria. É algo que só o campeonato estadual permite. A quebra de hegemonia, o desafio aos gigantes. Não há nada que possa ser maior que a construção de uma lenda. Eu gosto muito de estaduais. Mesmo os que os consideram anacrônicos, devem se entusiasmar com o Novo Hamburgo, que rompeu o pré estabelecido.

O goleiro Mateus, o melhor do campeonato, foi muito correto em sua fala após o jogo “Hoje, o Novo Hamburgo é o maior do Rio Grande do Sul. Na segunda, volta a ser o Grêmio, o Inter, o Juventude, o Caxias, mas hoje é o Novo Hamburgo. Não tirem nosso mérito de jeito nenhum”.

Foi a reação mais centrada. Outros jogadores disseram que a imprensa nunca acreditou no Novo Hamburgo e nunca colocou o time como favorito, apesar de ter o melhor ataque e a melhor defesa do campeonato. Ora, isso só engrandece o título. Se o Novo Hamburgo fosse o favorito, o título não seria grandioso como foi.

O título também tem o mérito de mostrar a Antonio Carlos Zago que o esporte não é um vale tudo em que a ética não existe. Aquela palhaçada que fez contra o Caxias, fingindo uma agressão, fez com que meu coração colorado (é meu time preferido no Sul, por razões de nome e de cor) pulasse a cerca. Sequei muito as cobranças do Inter.

O Novo Hamburgo virou história.


Eduardo Baptista, os Sete Magníficos e o Chinelinhozinho
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Eduardo Baptista foi o primeiro dos Sete Magníficos a cair. Falo de sete treinadores jovens e estudiosos – cada um com seu estilo – que assumiram grandes clubes brasileiros em 2017 e que trouxeram um ar de renovação a um meio viciado, sempre com as mesmas opções. Algumas delas, defasadas e encarando a profissão de modo blasé, como se já soubesse tudo e não percebesse que o passado, mesmo glorioso, pode ser uma roupa velha que não nos serve mais.

A necessidade de renovação era tão grande que veio acompanhada de uma dose de condescendência com a maioria e com implicância com Fabio Carille, justamente por não pregar o “modernismo”, por adotar a segura cartilha titeana e tratar logo de arrumar a defesa corintiana. Carille será campeão. Tem todos os méritos.

A demissão de Eduardo Baptista é justa? A meu ver, a análise não pode passar por um dogma que tomou conta do meio futebolístico: é errado mandar treinador embora. Eu não acho errado, independentemente do currículo e do que o cara já fez pelo clube. Lembram como o Cruzeiro foi criticado por demitir Marcelo Oliveira, bicampeão pelo clube? Hoje, a grande maioria que achou aquilo um erro, não gostaria de ver Marcelo em seu time.

Eu não levaria em conta o passado. E o futuro teria mais peso do que o presente. O time está ruim? Mas há perspectiva de melhora? O treinador ainda tem carta na manga? Há algum bom jogador voltando de contusão? Há possibilidade concreta de reação?

Então, baseado nesses fatores, eu concordo com a demissão do Baptista. Acredito que, com ele no comando, o Palmeiras poderia a qualquer momento, repetir aquela partida vergonhosa contra a Ponte. Principalmente pelo segundo tempo. Sim, porque é possível dizer que o primeiro tempo foi uma surpresa diante de uma Ponte avassaladora, mas e o segundo? Nada foi feito. O Palmeiras trocou passes como se estivesse perdendo por 1 a 0 e fosse se classificar facilmente no segundo tempo.

E houve outros jogos ruins, como a derrota para o Corinthians. As vitórias na bacia das almas na Libertadores. Houve, é lógico, aquela maravilhoso segundo tempo contra o Peñarol, mas o time havia sido muito mal escalado.

A pressão era grande e Baptista não soube conviver com ela. O desabafo (leia aqui) foi a prova disso. O treinador se ofendeu por ser chamado de maleável, mas, candidamente, semanas antes havia dito que, no Fluminense, havia sido obrigado a escalar Ronaldinho Gaúcho.

Foi o segundo fracasso de Eduardo Baptista em time grande. Não é tão magnífico assim.

E os outros cinco, como estão?

Rogério Ceni – Eliminado no Paulista e na Copa do Brasil, deu mostras de estar conseguindo um equilíbrio maior no time, abrindo mão do esquema com dois pontas espetados.

Jair Ventura – De todos, é o que tem o elenco mais frágil e o que tem conseguido resultados surpreendentes.

Zé Ricardo – Está perto de ganhar o primeiro título, mas precisa fazer o Flamengo vencer fora de casa na Libertadores.

Roger – Assim como Baptista, está em seu segundo grande time. Tem vantagem na decisão do Mineiro e caminha sem sustos na Libertadores.

Antonio Carlos Zago – Pode ser campeão gaúcho e dar o acesso ao Inter, mas está marcado por aquela palhaçada no jogo contra o Caxias. Ao fingir agressão e se deitar no chão, manchou sua biografia.

TEM POSTE MIJANDO EM CACHORRO – TENHO SAUDADES DO JORNALISMO Antigo, que nem vivi. Gostava dos apelidos que jogadores recebiam. Pelé, o Rei. Rivellino, a Patada Atômica. Gérson, Canhotinha de Ouro. Didi, o Príncipe Etíope. Leônidas, o Diamante Negro. E, principalmente, o melhor de todos: Ademir da Guia, o Divino. Roger ganhou o apelido de Chinelinho. Uma homenagem a comprometimento com que se dedicou à carreira. Também é conhecido por alcunhas como Roger Secco e Roger Galisteu. Aquele pênalti que errou contra o Figueirense, em 2005, não lhe valeu apelidos. Valeu ódio e ofensas.

Hoje, ele é jornalista. Direito dele, eu não sou a favor da obrigatoriedade de diploma para a minha profissão. E nem para muitas outras, como advocacia e construção civil, por exemplo. E ele criticou Juca Kfouri. Também é direito dele. Todo mundo pode criticar todo mundo. A profissão se engrandece com discussões sobre seu presente e seu futuro. Mas, ao dizer que Juca Kfouri “não é jornalista”, ele se submete à comparação. Quem é jornalista, Juca ou Roger? Um modo de se decidir, sem olhar para o que cada um já fez na profissão, é só pensar quem se daria melhor apresentando o Vídeo Show. Com certeza, Roger, Flavio Canto e Tande seriam muito melhores que Juca. Eu considero a distância jornalística entre Juca e Roger infinitamente maior que a distância futebolística entre Roger e Juca.

MARTINHO DA VILA É UM COMPOSITOR genial. Seu ritmo lento esconde pérolas. É um chinelinho do bem.

Disritmia é o meu samba favorito.

O traço é de Batistão, tão gênio quanto

Eu quero me esconder debaixo
Dessa sua saia prá fugir do mundo
Pretendo também me embrenhar
No emaranhado desses seus cabelos

Preciso transfundir seu sangue
Pro meu coração, que é tão vagabundo
Me deixa te trazer num dengo
Pra num cafuné fazer os meus apelos
Me deixa te trazer num dengo
Pra num cafuné fazer os meus apelos

Eu quero ser exorcizado
Pela água benta desse olhar infindo
Que bom é ser fotografado
Mas pelas retinas desses olhos lindos

Me deixe hipnotizado pra acabar de vez
Com essa disritmia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia

Eu quero ser exorcizado
Pela água benta desse olhar infindo
Que bom é ser fotografado
Mas pelas retinas desses olhos lindos

Me deixe hipnotizado pra acabar de vez
Com essa disritmia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia

Aqueles versos em negrito, eu considero coisa de gênio. Que bom é ser fotografado/ Mas pela retina desses olhos lindos estão à altura de Fotografei você na minha Rolleiflex/ Revelou-se a sua enorme ingratidão, do Mestre Jobim.


Zago estuda na Europa e vê brasileiros acomodados
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Antonio Carlos Zago, 43 anos, está de volta ao Brasil após um ano de trabalho na Roma. Estudou bastante, fez cursos e está pronto para recomeçar a carreira de treinador, onde não teve ainda tanto sucesso como o conseguido como um dos grandes zagueiros brasileiros, um dos mais injustiçados, pelas poucas chances que teve na Seleção Brasileira. Ele falou ao blog.

Voce fez cursos de treinador na Europa?

Fiz dois cursos, o Uefa B e o Uefa A. O primeiro teve seis semanas de duração, com quatro horas de aula de segunda a sexta. Fiz em Roma. O segundo, fiz em Firenze, foram seis semanas de aula, com oito horas diárias.

E o que esses cursos lhe deram efetivamente?

Com o Uefa B, eu sou habilitado a dirigir clubes na Série C e ser auxiliar na Série B. Com o Uefa A, eu posso dirigir na B e ser auxiliar na A. Para dirigir na série A, preciso ter uma autorização e comprovar que estou fazendo o terceiro curso, que é o Uefa Master, com aulas de outubro a junho, duas vezes por mês.

Esses cursos são mais duros do que os que se fazem no Brasil, como o sindicato de treinadores?

São muito melhores. O curso do sindicato é de uma semana e ninguém precisa dele para ser técnico. Nos cursos que fiz, há aulas de organização de treinos, preparação física, técnica futebolística, métodos de direção, exercícios aeróbicos, anaeróbicos e muita coisa mais.

E a língua, deu para entender bem?

Eu morei por cinco anos em Roma, falo italiano muito bem. Como se fosse português.

Hoje em dia se fala que o Brasil está muito atrasado taticamente, principalmente quando se fala em transição e recomposição. Você concorda?

Faz tempo que está assim. Na Europa, os treinadores exigem muito no dia a dia principalmente nesses dois aspectos. A transição da defesa para o meio campo e do meio campo para o ataque precisa ser rápida e com qualidade. E não se pode mais ficar isolado na frente, é necessário a recomposição. E o interessante é que o jogador brasileiro tem mais capacidade técnica para fazer isso. Basta treinar e muito.

E de quem é a culpa por nosso atraso?

Não é de alguém específico, mas é evidente que o treinador brasileiro, ao atingir um nível alto fica pouco disposto a se reciclar. Não busca novas ideias.

Mas o Brasil massacrou a Espanha no final da Copa das Confederações.

Foi bonito, mas não se pode ter como parâmetro. Nós demos o máximo, lutamos muito e eles estavam em início de temporada, com a cabeça nas férias. Foi uma conquista importante, mas não podemos nos enganar com ela.

O Neymar vai dar certo no Barcelona?

Tenho certeza que sim. Sou fã dele e ele vai crescer muito na Europa.

O que você acha do Marquinhos, que jogou pouco no Corinthians, foi para a Roma e agora está no PSG com uma transferência milionária.

Ele é muito bom. Tirando o Thiago Silva, ele está no nível dos outros jogadores da seleção. Quanto à transação milionária, é bom tomar cuidado na comparação porque PSG, Chelsea e outros times dirigidos por sheiques, pagam 30 em quem vale 15. Torram dinheiro.

Quais são seus planos agora?

Fiquei um ano na Roma, como auxiliar do Zeman, mas chegou outro treinador, o Rudi Garcia e saí. Quero retomar minha carreira de treinador no Brasil. Estou muito preparado.

Você assumiu o Palmeiras muito cedo?

Olha, eu estava fazendo ótimo trabalho no São Caetano e fui chamado para o Palmeiras. Como recusar? Quem recusaria? Tinha de ir  e fui. Talvez tenha pago um preço. Hoje, tenho muito mais bagagem e conhecimento. Me preparei, estudei e vou recomeçar com sucesso.


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