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Neto, o que está caindo é o jornalismo

Menon

O caso Neto/São Paulo é um exemplo do fundo do poço em que se está transformando o jornalismo esportivo em sua vertente entretenimento televisivo. Um show de horrores com ex-jogadores destilando pseudo conhecimento (eu sei tudo e você, chupou laranja com quem) e fazendo gracinhas. E agora, ameaças.

Neto está revoltado porque a diretoria do São Paulo vetou a cessão de um camarote no Morumbi para a realização do programa Baita Amigos, como tem sido há um tempo. A diretoria está sendo pressionada por conselheiros e por torcedores organizados. Leia AQUI.

A justificativa é risível: Neto faria muitas críticas ao São Paulo. Mas, se o time está péssimo, ele iria elogiar? As críticas seriam muito jocosas. Mas, se fosse contra outros times, poderia?

Bem, o fato é que Neto vai sair do Morumbi. E qual é sua atitude? Amalucada e desprezível. Ele ameaça o clube. Como? Com sua opinião. E desnuda a falta de seriedade desse tipo de jornalismo. Se estou fora, vou torcer para o time cair. Que coisa ridícula! Uma ofensa à profissão de jornalista.

O que diz Neto?

''Agora, assessor que vier me procurar para pedir ajuda, eu piso igual barata''

Que assessor? Assessor de quem? Da diretoria? Que tipo de ajuda?

''Agora, vai ser na goela. Assessor que não ligue para mim, se passar perto, muda de lado porque eu atropelo''

Novamente, que assessor? E, evidentemente ''eu atropelo'' é uma expressão, não é literal.

''Eu sei coisas do São Paulo do arco da velha e vou vomitar tudo''.

Se sabe, se tem comprovação, já devia ter falado há tempos. Ou fico quieto porque fazia o programa lá?

''Agora, estou livre para dizer, vai cair, vai cair, vai cair''

Antes, não estava livre? Era proibido de dizer alguma coisa? Quem proibia? A Band? O São Paulo. Ele não expressava sua opinião correta por conta da cessão de um camarote?

''Lá no camarote, não podia falar, mas agora eu falo: Vai cair''

Novamente ele diz que antes não podia falar e agora fala. Quem proibia? O São Paulo? A Band? O camarote?

Esse tipo de comportamento, jogando insinuações no ar, falando que estava proibido de externar sua opinião e que agora vai torcer para cair é um comportamento antijornalístico. Não causa espanto porque já houve muitos outros exemplos, como chamar Felipe Mello de ''lassie'' etc. Não causa espanto, mas causa revolta. Somos, os jornalistas, cobrados diariamente por esse tipo de comportamento rasteiro e irresponsável.

Por fim, Marcelo Neves, que é o dono do camarote, precisa ir a fundo e denunciar as ameaças que teria sofrido. É muito perigoso deixar essas coisas sem apuração.

 

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