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Arquivo : wlamir marques

Bahia, campeão da dignidade
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Menon

Não é só futebol.

Ainda bem. Há muitos exemplos mostrando a solidariedade acima da competição. O amor superando o ódio.

O Bahia tem dado um grande exemplo com o programa “Dignidade do ídolo”, que paga de um a três salários mínimos para ex-jogadores em dificuldade.

Mas é preciso ser ídolo. E estar em dificuldade extrema. Quem analisa é o Conselho Consultivo.

Os ex-laterais Maílson e Zanata, o ex-meia Alberto Leguelé e os ex-atacantes Jorge Campos e Naldinho foram os primeiros “agraciados”. Estão em situação financeira péssima. Maílson sofre com a ELA, terrível doença. Não tem mais movimentos. Naldinho tem diabetes.

O clube é sempre mais importante que qualquer jogador, mas é importante o clube respeitar o ídolo pois ele é o representante do amor do torcedor pelo clube. O ídolo é a ponte.

O São Paulo deu um grande exemplo com a sua “calçada da fama”, homenageando 99 jogadores.

A torcida do Sport e Diego Souza trocaram juras de amor e de respeito durante a vitória do tricolor sobre o Sport. Foi muito bonito.

Como foi bonito o Corinthians dar ao seu ginásio de basquete o nome de Wlamir Marques, talvez o maior jogador brasileiro de todos os tempos.

E o clube incrementou a campanha #respeitaasminas em que seus jogadores mostram repúdio ao assédio sexual.

Esporte é dignidade. Tivemos bons exemplos nos últimos tempos. E, sem querer julgar ninguém, o do Bahia me tocou mais.


Wlamir Marques vira nome de ginásio. Parabéns ao Corinthians
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corinthainsrealmadridO Corinthians resolveu mudar o nome de seu ginásio de esportes. A partir de agora, será ginásio Wlamir Marques. Bicampeão mundial com a seleção brasileira em 1959 e 1963, medalha de prata nos Mundiais de 1954 e 1970, além de medalhista de bronze nas Olimpíadas de 1960 e 1964, ele mereceria a homenagem mesmo que nunca houvesse vestido a camiseta corintiana.

Não foi o caso, é lógico. Ele defendeu o Corinthians por dez anos e teve partidas memoráveis. Fábio Sormani, em seu blog no portal Ig contou a história de uma delas. O Corinthians recebeu o Real Madrid, que havia acabado de conquistar o título espanhol. Wlamir,  naquele 5 de junho de 1965, estava com alergia nos olhos. Tomou um anti-inflamatório e foi para o jogo. Marcou 40 pontos no jogo. Um pequeno detalhe: não havia arremesso de três pontos.

3wlamir-no-corinthiansO Corinthians venceu os campeões europeus por 118 a 109. Era um timaço, com Amaury, Renê, Ubiratan e Rosa Branca. Havia vencido o campeonato paulista de forma invicta.

Wlamir é um dos gigantes do esporte brasileiro. O tempo passou e seu nome foi ofuscado por outros gênios como Oscar e a turma mais nova que fez sucesso imenso na NBA.

Em seu tempo, o basquete brasileiro era muito mais forte e São Paulo do que em outros estados. Wlamir foi ídolo também em Piracicaba, onde jogou de 1953 a 1961.

Ali, sua carreira foi acompanhada de perto pelo Paulo Taça, o maior jogador do futebol de salão (assim se chamava) aguaiano de todos os tempos. Estudava agronomia na Luiz de Queiroz e foi campeão da FUPE, torneio fortíssimo da época, que reunia as faculdades paulistas. Paulo perdia aulas para ver Wlamir jogar. Era uma festa na cidade. Estádio lotado para ver o Diabo Loiro jogar.

Que o ginásio Wlamir Marques esteja sempre lotado, como todos os ginásios em que Wlamir Marques passou pela vida.


No país da Olimpíada, Zezé di Camargo vale mais que Wlamir Marques
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Wlamir Marques é bicampeão mundial de basquete em 1959 e 1963. Ganhou duas medalhas de bronze nas Olimpíadas de 1960 e wlamir1964, quando carregou a bandeira do Brasil. Foi indicado ou se indicou – não sei bem e nem interessa – para ser um dos 12 MIL BRASILEIROS QUE CARREGARIAM A TOCHA OLÍMPICA em sua passagem pelo Brasil. Recebeu um email da SAMSUNG dizendo que sua indicação estava sob análise.

Diante dessa vergonha, Wlamir fez o que um homem de fibra faria e recusou a indicação.

Se Wlamir Marques, um dos três maiores jogadores da história do Brasil, ao lado de Amauri e Oscar, não pode carregar a tocha olímpica, quem pode?

Zezé di Camargo e Luciano. Carregaram por Goiás. Paula Fernandes, em Minas.

Evidentemente que a tocha não deve ser carregada apenas por atletas. Ela deve reunir pessoas que mostrem um panorama do povo brasileiro. Empresários, trabalhadores, ribeirinhos, jornalistas, pretos, brancos, amarelos, favelados…. Mas, se temos 1400 atletas olímpicos, TODOS deveriam ter essa honra.

Muitos deles estão conseguindo apenas depois que a jornalista e professora Kátia Rubio, autora do monumental livro Atletas Olímpicos Brasileiros – obra que levou 15 anos a ser concluída – fez uma campanha nesse sentido. Nem todos foram chamados, como é o caso de Wlamir. Outros, passaram por vergonha semelhante, embora tenham sido acolhidos.

Silvia Luz, também do basquete, foi medalha de prata em Atlanta-96 e bronze em Sydney-00 e Anselmo Gomes, do atletismo em 2008, foram aceitos com uma pequena condição: só há vaga para o Amazonas e eles teriam de arcar com os custos da viagem.

Ou seja, o atleta que representou o Brasil com todas as suas forças, tem de pagar para carregar a tocha olímpica. É menos que Zezé di Camargo, Luciano, Paula Fernandes e o cunhado da tia de algum diretor da Globo, da Band, do Bradesco, da Samsung….

É assim, o esporte olímpico no Brasil.

Tudo por dinheiro. Tudo por ego.

E há a busca insana por dez medalhas de ouro, que poderiam garantir um lugar entre os dez mais na tábua. Ou ainda, 30 medalhas no total. E, para isso, se faz a trampa das falsas naturalizações.

Uma húngara de 38 anos se naturalizou para participar da equipe brasileira de esgrima. A repórter Carol Knoploch mostrou que há muitas suspeitas sobre ela. Inclusiva uma brasileira que foi preterida, questiona a veracidade de seu casamento com um brasileiro. Para que? Vai fica em que lugar; 30, 40, 18? O que vai acrescentar à esgrima brasileira.

O polo aquático naturalizou um goleiro que nunca apareceu no Brasil. Deve achar que o Rio é a capital. Ou que Michel Temer foi eleito na urna. O que ele trará de bom para nosso esporte, mesmo que ganhe uma medalha.

Vamos fazer como o Catar, que naturalizou 12 jogadores e se tornou vice-campeão mundial de handebol?

Não há nenhuma vantagem nisso. Nenhum acréscimo às nossas qualidades esportivas.

A escolha de Zezé di Camargo, Luciano e Paula Fernandes para carregar a tocha, pelo menos tem uma grande vantagem: impedirá que eles cantem na abertura da Olimpíada.

PS1 – A informação sobre a Samsung foi obtida em uma postagem de Wlamir Marques em seu facebook. Segue:

Meus queridos amigos e amigas.
Quero deixar bem claro que o fato de eu não ter aceito
desfilar com a tocha olímpica, não foi por falta de convite.
Muito ao contrário, pois recebi total atenção do COB e
da Prefeitura de São Paulo, acreditando que a desfeita
ao meu nome tenha sido da Samsung, patrocinadora do
evento. Não preciso dizer que essa empresa está alheia
as coisas do nosso esporte, ocasionando não somente à
mim esse tipo de inconveniência. Cito esse fato apenas
à título de esclarecimento e, sem qualquer tipo de mágoa
ou rancor. Agradeço ter sido lembrado, mas prefiro ficar
de fora, sempre prestigiando os esportistas que lá estarão.
Abs,wm.

 

PS2 – Reproduzo a seguir, o email que recebi da assessoria de imprensa da Samsung:

“A Samsung informa que é patrocinadora oficial dos Jogos Olímpicos 2016 no Rio de Janeiro. A marca não patrocina a Tocha Olímpica e sua passagem pelas cidades brasileiras. Desta forma, não possui ingerência na escolha dos representantes que carregam a tocha”.

 

 


Wlamir ganha livro e inocenta pivôs brasileiros da NBA
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Um dos maiores e mais vitoriosos nomes do basquete brasileiro recebeu uma homenagem em vida, coisa rara por aqui. Foi lançado o livro Wlamir Marques, o Diabo Loiro, de Auri Malveira que conta muito sobre a vida do jogador escolhido como o melhor do Mundial de 1963, quando o Brasil ganhou o bicampeonato. Além de bicampeão mundial, ganhou por duas vezes a medalha de bronze em Olimpíadas.

Aos 77 anos, Wlamir espera, ansioso, pelo início da Copa América, de 31 de agosto a 11 de setembro, que dará quatro vagas ao Mundial de 2014. “Estou louco para começar. Gosto muito de trabalhar”, diz Wlamir, que é comentarista da ESPN. Abaixo, a entrevista?

Ficou emocionado com o livro?

Fiquei feliz, é claro. Ainda não li tudo, mas já sei o que aconteceu. Ele fez um trabalho muito bom, entrevistou muita gente e pesquisou bastante. É um reconhecimento, mas não é o primeiro que fazem a meu respeito.

Há outro?

Sim, um historiador de Piracicaba chamado Moacir Nazareno pesquisou nos dois jornais de Piracicaba tudo o que foi escrito sobre mim, desde a minha chegada em 1953 até minha saída em 1962. É um livro mais histórico, esse é mais romanceado. Eu contei também a minha vida no Orkut. Está tudo lá.

Depois do XV de Piracicaba, o senhor jogou no Corinthians?

Sim, de 1962 a 1972.Em 1965, excursionamos na Europa e em janeiro de 1966 fomos recebidos pelo Papa. Esse período está bem retratado no livro também. Foi uma época boa do basquete brasileiro. Fomos bicampeões mundiais e ganhamos dois bronzes olímpicos. Foi muito bom.

É possível repetir?

Não. Impossível. Mas ninguém pensa nisso, o importante é que o basquete brasileiro fez um bom papel na Olimpíada e não pode ficar atrás. Tem de melhorar cada vez mais.

Quais foram os maiores jogadores estrangeiros que o senhor enfrentou?

Na Olimpíada de Roma, fora os americanos Oscar Robertson, Jerry West e Jerry Lucas.  No México, foram  outros dois americanos, o Spencer Halloway e o Joe White. O russo Sergei Belov também era bom.

E os brasileiros?

Todos da minha turma: Amaury, Pecente, Algodão, Rosa Branca, Edson Bispo, Ubiratan e muitos mais. Depois, teve o Marcel e o Oscar. O Marcel era mais completo e o Oscar, que era um arremessador incrível. Dos mais novos, gosto da turma que está na NBA.

E o Brasil tem chances na Copa América?

Sim, mas será difícil. Perdemos cinco pivôs que estão na NBA: Nenê, Varejão, Splitter, Lucas Bebê e Faverani, além do Augusto Lima. Estamos desfalcados nessa posição. Vamos ver se os outros países também.

O senhor fica decepcionado com tantos pedidos de dispensa?

Não. Isso é normal. Os jogadores agora tem um dono, o empregador. E os interesses desse patrão nem sempre são os interesses da seleção. Eles precisam obedecer, não há o que fazer, não tem discussão. São os tempos modernos.


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