Blog do Menon

Arquivo : Ganso

O traíra, o sangue de barata e o gigante que afunda
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menon

Na briga entre Rodrigo Caio e Cueva, duas verdades saltam aos olhos. Uma, é irrefutável. A outra, não.

A primeira verdade é que o São Paulo é o maior prejudicado com o desentendimento entre seus dois jogadores.

A segunda verdade, que merece considerações, é que Rodrigo Caio está certo.

Por que?

Porque Rodrigo Caio se importa com o clube. Nasceu no São Paulo, desde os 12 anos, criou-se no clube e tem respeito pelo clube.

Simples. Como Rodrigo Caio ama o clube, como é considerado diferenciado, deveria ter a percepção exata do que falar, quando falar e onde falar. Normal que tenha uma discussão dentro de campo. Discussão, não apontar o erro alheio, como o goleiro Ronaldo fazia com companheiros, nos tempos de Corinthians. Poderia falar em particular. Talvez até tenha, mas não poderia fazer o que fez, na coletiva do 7 de setembro. “Ele precisa querer se ajudar”. Mesmo que seja verdade, não poderia falar assim. Entregou o companheiro aos leões. Foi X-9. O comportamento correto foi o de Hernanes e Dorival, minimizando problemas. Rodrigo Caio exponencializou o problema.

Há outros dois pontos que devem ser levados em conta agora.

Rodrigo Caio deveria se oferecer para jogar de volante contra o Vitória. Jucilei foi expulso e não há reservas. Ou melhor, há Militão, que precisa cobrir a lateral direita porque Buffarini tem sido um horror. Assim, a zaga ficaria com Bruno Alves e Arboleda. Ficaria mais protegida, mas Rodrigo Caio já disse que prefere a zaga. É hora de ceder.

Cueva não tem muito comprometimento com o time, mas também há a questão técnica. Ele é vítima da ditadura do 4-2-3-1. O time só pode ter um organizador de jogadas. Um. Os outros precisam jogar pelo lado e ajudar na recomposição. Foi assim com Ney Franco, que não conseguiu escalar Ganso e Jadson juntos.

A recomposição é uma obsessão. Dorival, após o jogo contra a Ponte, disse que o time foi bem no primeiro tempo, porque não permitiu um contra-ataque sequer à Ponte. Mas também só deu um chute a gol, até a magistral cobrança de Hernanes. Ora, se um time vem retrancado e não sofre nenhum chute a gol, qual a importância de conseguir um contra-ataque ou não. O São Paulo deveria ter atacado mais, mesmo que permitisse contra-ataques.

E qual a melhor maneira de fazer isso? Com dois meias. Com Cueva e Hernanes pelo meio, revezando-se. E sofrendo com contra-ataques, que seja.

A tal participação cria monstros. Outro dia, vi um jogo do São Paulo sub-20. O centroavante era Jonas Toró, que, naquele dia, estava muito mal. Não deu um chute a gol. E era muito elogiado pelo comentarista pelo seu poder de iniciar a marcação, ainda no ataque. Ele atacava o central. No jogo seguinte, o mesmo comentarista lamentava a ausência do atacante que não chuta, mas que atrapalha a saída de bola do goleiro e dos zagueiros.

Eu acho que ele seria muito mais importante se chutasse a gol.

Como Cueva seria muito mais importante se estivesse ao lado de Hernanes.


Cueva, Chávez, Buffarini…São Paulo agora é cascudo
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Nos dois últimos anos, o São Paulo foi segundo e quarto colocado no Brasileiro. O time tinha astros como Rogério Ceni, buffariniAlexandre Pato, Luís Fabiano, Ganso, Alan Kardec e Kaká, por pouco tempo, apenas na primeira campanha. Jogadores de alto nível e de muito nome. Nomes que dão esperança à torcida ou que criam polêmica, como Pato.

Foram contratações que dominaram o debate futebolístico: o São Paulo deu o chapéu no Palmeiras, quem se deu melhor, Corinthians o São Paulo, Ganso ainda vai ser um craque, vale a penas trazer Kaká…. Antes, houve Lúcio… Nomes de peso, nomes midiáticos.

Agora, é diferente. Os jogadores que chegam não causam comoção. É mais comum ouvir será que é bom do que esse eu conheço, é ótimo. “Quando eu cheguei, ninguém me conhecia e deu tudo certo”, disse Maicon, que, de incógnita virou paixão. Douglas chega como interrogação. No youtube há um vídeo ironizando Chávez, comparando-o com Messi e Maradona. O vídeo mostra algumas jogadas confusas e muitas divididas, sempre pela esquerda. Mas é possível perceber também muita entrega.

Parece ser um jogador de personalidade, como Maicon e como Cueva, o pequenino peruano que tem toda pinta de não sentir jogo importante. Mostrou um poder de adaptação muito grande.

E personalidade não falta a Buffarini. O lateral do San Lorenzo é rápido, forte e tem uma entrega muito grande. Tem muito mais presença anímica do que efetividade nos cruzamentos.

Aos citados, há que se acrescentar Lugano, Hudson e Mena, também jogadores que fazem do suor uma poupança financeira. Dependem do esforço e não tem medo de assumir isso.

É um novo estilo: mais cascudo e mais barato. Não significa que dará certo. Mas é evidente que o São Paulo deixou de ser um time, digamos, banana. Um time que perdia jogos como quem perde o ônibus: calmo porque outro vem aí…


“Morumbi, jogai por nós”, diz a torcida tricolor
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Estádio lotado tem sido grande arma do São Paulo na Libertadores, através dos tempos

Estádio lotado tem sido grande arma do São Paulo na Libertadores, através dos tempos

Em 1966, após vencer Bulgária e perder para a Hungria, o Brasil, bicampeão mundial, estava próximo de ser eliminado na Copa do Mundo da Inglaterra. A esperança era negra e tinha quatro letras. A salvação dependia dele, apenas dele. E o Diário da Noite trouxe a manchete eterna, fruto da genialidade de Edgar de Barros. “Pelé, jogai por nós”. Cabia a ele, o Deus da Bola, nos salvar. Como futebol não é religião, perdemos por 3 a 1.

A dependência não é tão grande, mas a relação é válida. “Morumbi, jogai por nós”, podem dizer os são-paulinos. O velho e belíssimo estádio pulsará, tremerá, vibrará e jogará. Serão mais de seis dezenas de milhares de pessoas gritando e empurrando o time à vitória. Virá? Não se sabe. O que se sabe é que, se o Morumbi não jogar, ela será quase impossível.

O Morumbi precisa jogar para:

superar as lesões de Ganso e Kelvin

superar as lesões de Mena e Hudson (já curadas?)

superar a inércia da diretoria que teve 45 dias para repor perdas e que completou a lista dos 30 com alguns garotos e Ytalo.

superar a falta de poder ofensivo

Mas não adianta 70 mil jogarem e 11 não renderem.

Não acredito nisso. Vejo o São Paulo com capacidade de fazer sua parte em campo, do mesmo modo que a torcida fará a sua, fora dele.

A ausência de Ganso deve ser suprida com um jogo mais forte de transição pelas laterais do campo. Criou-se o mito de um Ganso lento, quase estático, fazendo lançamentos como Gérson. Não existe. Ou, existe raramente. O melhor Ganso é o que dá ritmo ao jogo, que faz a bola girar e que também sabe acelerar o jogo.

Sem ele, o jogo é diferente.  O São Paulo precisa muito das duplas Bruno/Thiago Mendes e Michel Bastos/Mena. Pelos lados é que deve pressionar o Nacional. Precisa também da aproximação alternada de Hudson e João Schmidt. Hudson é mais força e Schmidt, mais técnico, com bom passe e capaz de lançar.

Se Maicon jogar bem, como tem jogado, se Denis colaborar, como não tem colaborado, se Calleri mantiver a sina de artilheiro, ainda há o que fazer. O Nacional joga muito bem. Fora de casa, venceu Huracán, Sporting Cristal e Peñarol. Guerra, o venezuelano, tem muita qualidade técnica. Bocanegra é ótimo, Armani é bom goleiro, Marlos Moreno tem muita força e habilidade pelos lados do campo.

Mas o Morumbi estará contra eles. E o Morumbi anda batendo um bolão.

 

 

 


Galo deixa boa impressão. Mas não é favorito contra o São Paulo
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Se a última impressão é que fica, pode-se dizer que o Atlético está melhor que o São Paulo para decidir quem vai à semifinal da bobcuspeLibertadores da América.

O Galo precisava vencer. E venceu. Venceu um adversário pegador, raçudo e bom de bola. E perdeu um pênalti, que não existiu.

Teve alma e repertório para vencer.

Teve Lucas Pratto em ótima noite.

O São Paulo podia perder e entrou para perder.

Com Ganso no banco, a bola não parava no ataque.

E o Toluca abusou de uma única jogada. Cruzamentos no segundo pau. E dois gols saíram assim. O primeiro,  veio também em cruzamento, mas por baixo.

A péssima atuação do São Paulo tem apenas uma atenuante. Quando Michel fez o gol, o Toluca precisava de cinco. Então, Bauza tirou Calleri, que seria expulso. Tirou Michel, que sentiu uma fisgada. E, no final, colocou Caramelo para fechar o lado.

Foi uma derrota feia. Principalmente pela atitude de Centurión Cuspe.

O Galo chega com mais moral.

Mas não tem favorito


Dunga acerta com David Luiz, tio do pavê, e Ganso, garoto da sinuca
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Na quinta-feira, Dunga dará a lista definitiva dos 23 jogadores que estarão na Copa América dos EUA, comemorativa dos 100 anos dungada mais antiga competição entre seleções do mundo. Ganso pode estar na lista, apesar da concorrência com Renato Augusto, Willian, Oscar, Kaká, Philippe Coutinho, Felipe  Anderson e Lucas Lima. Esteja ou não, Dunga acertou. Mostrou estar atento à evolução do meia do São Paulo, longe da seleção desde 2012.

A evolução de Ganso não passa pelo aumento de passes preciosos que ele dá por jogo. Passes que fazem a bola deslizar pela grama como outra bola – menor e muito mais dura – passeia preguiçosa pelo feltro da mesa de sinuca. Não é o fato de nos lembrar de forma mais amiúde daqueles craques do passado que jogavam de fraque, cartola e chuteira preta que o deixaram às portas de uma nova chance na mais vitoriosa de todas seleções.

Ganso tem deixado de ser o genial preguiçoso. Não vive mais de passes geniais que, aliás, nunca deixaram de existir. Ele tem aumentado seu repertório. Não é mais o tipo que toca e fica plantado, como sequoia. O Ganso que Dunga está chamando é aquele novo, que passa e corre para receber. Que não espera o deslocamento dos outros. É o cara que se desloca também, que dá ritmo ao time, que joga vertical, como antes, mas também de fora horizontal. Faz a bola rodar. E faz gols. Em três meses, marcou seis, o dobro do que assinalou em 2015.

mestreSerá o Mestre? Vai resolver tudo? Antes, precisa estar na lista dos 23. Mas o fato de ser chamado agora, de estar entre os 40 mostra que Dunga está atento e aberto a novas possibilidades.

Quem não estará na Copa América é David Luiz. Não está nem entre os 40

David Luiz, o zagueiro feliz.

Acabou a graça. A careta que mostrava um bom rapaz se transformou naquele momento constrangedor felizdas festas natalinas, quando o tiozão, que já exagerou na Sidra Cereser , posta-se diante da sobremesa e pergunta se é pavê ou pacomê,

David Luiz é protagonista de um dos lances mais grotescos de um zagueiro em Copa do Mundo. A bola ia para fora e ele cabeceou de volta ao campo, para dentro da área, pedindo me chuta, me chuta para o holandês. Além disso, não guarda posição. Sai para caçar atacantes e volta tosquiado, principalmente quando topa com um certo Luis Suárez. Veste a camisa de super homem e vai para a ponta esquerda, para a meia, para a ponta, para todo lugar onde não deveria estar.

dengosoQuando assumiu a seleção, após o desastre filipônico, Dunga poderia fazer o que quisesse. Toda mudança seria aceita. Preferiu começar a reconstrução mantendo David Luiz, o Feliz, e Thiago Silva, o Dengoso. Capitão que não capitaneia, uma manteiga derretida. Demorou um ano para se livrar de Thiago, após um pênalti absurdo na Copa América. Agora, mais um ano, se lira do marqueteiro da bola.

Tempo perdido, Dunga.

Poderia ter testado mais gente, ter dado oportunidade a muita gente. Se não desse certo, poderia, então, dar uma nova chance à dupla que fracassou feio na Copa do Mundo.

O problema é grave na zaga do Brasil. Dunga convocou Gil, Miranda e Marquinhos. Gil mostrou bom trabalho no Corinthians, mas joga na China. Nada de preconceito, mas realmente a China é um centro periférico do futebol mundial. Ele enfrenta atacantes que não estão no mesmo nível dos grandes jogadores do futebol mundial. O baque de se ver frente a frente com Suáres, Ibra, CR7 depois de humilhar Zhizao é muito grande. Um desnível enorme.

Miranda não vive seu melhor momento. Simenone, o mago da defesa, abriu mão dele para ficar com Josema Gimenez, o garoto zangadouruguaio de 21 anos. Gabriel Paulista e Marquinhos são apostas ainda.

É, Dunga, você demorou para se virar.

Agora, não adianta ficar zangado.


Alô, 2016. O São Paulo chegou
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Vamos relativizar?

O Trujillanos é muito ruim;

Vamos continuar relativizando?

Na Venezuela, foi só 1 a 1. O São Paulo poderia ter vencido, afinal Ganso perdeu um pênalti. Mas poderia ter perdido também porque os venezuelanos perderam um gol feito, cara a cara com Denis.

Há muito a comemorar nesse jogo do São Paulo. Muito mesmo.

Primeiro, o óbvio: 6 a 0 é muito difícil de fazer.

Segundo, mais obvio ainda. Foram três pontos, que deram o time o direito de continuar lutando por uma vaga. Faltam duas vitórias em dois jogos. Nenhum adversário será o frágil Trujillanos, mas isso é o de menos. O São Paulo está na luta.

3) O time jogou muito bem. Houve triangulações, velocidade, ultrapassagem dos laterais. Tudo o que se espera de um time moderno.

4) João Schmidt um parceiro para Ganso, o que Hudson e Tiago não conseguiam ser. Ele se aproximou da linha de armação e fez um lindo gol, com toque de qualidade.

5) Kelvin “alargou” o campo. Com ele, o 4-2-3-1 ficou muito mais flexível do que com Centurión ou Daniel. Ele até voltou para marcar o lateral, mas não foi só isso. O lateral também teve de marca-lo. E não conseguiu. Kelvin estava dentro da área, pelo meio, quando fez o seu gol. Não estava parado, como uma estátua, na ponta.

6) Calleri fez a quadripleta. Um de pênalti e três de centroavante. Aproveitou o rebote do pênalti que errou, aproveitou o passe de Michel Bastos e fez o primeiro, de cabeça. Ele simplesmente dobrou o número de gols que havia feito até agora.

7) Ganso fez uma partida muito boa. O que não é novidade esse ano.

8) Havia 18 mil torcedores no estádio. Depois da goleada, haverá o dobro contra o River.

9) É a sexta partida seguida sem derrotas. É a segunda vitória seguida.

10) O gigante está vivo. E não interessa que o derrotado tenha sido um anão.


Casemiro, Ganso, Pato, Jadson….Como são ruins os nossos “professores”!
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O nível dos atuais treinadores brasileiros é fraco. Qual a contribuição que deram ao futebol mundial? Lembremos que Vicente Feola surpreendeu e 1958, escalando Zagallo na ponta-esquerda, em um 4-3-3 muito moderno, que o próprio Zagallo montou uma seleção sem centroavante em 1970 e que Telê apostou em muita rotatividade, com deslocamentos e volantes – Falcão e Cerezo – de altíssimo nível técnico. Há ali algo de Guardiola, muito tempo antes. Por favor, vira-latas, eu disse algo, não disse tudo, não disse que Guardiola plagiou Telê e nem que a seleção de 82 é a gênese do Barcelona.

De uns tempos para cá, os treinadores brasileiros atuam em forma de manada. Todos seguem, bovinamente, uma ideia que nunca é original, que nunca foi criada pelo próprio rebanho. Há uma década, era o 3-5-2, depois o 4-4-2 e agora o 4-2-3-1. Ninguém sai do ramerrão. A exceção é Tite, com seu 4-1-4-1 com Elias. Não é ideia dele. Há pouca ousadia, como no último clássico, quando Cuca montou um 4-4-2 (tão esquecido, tão “old school”) que permitiu a Gabriel Jesus jogar com mais liberdade e deu um nó em Tite.

E mesmo para quem copia, os nossos “professores” estão ultrapassados. As novidades demoram a chegar. Ninguém tenta copiar Bielsa ou Sampaoli, técnicos inovadores. Alguém aí escala o time no 3-4-3?

Há alguns casos recentes de falta de talento, paciência e excesso de arrogância dos treinadores que levaram os seus empregadores a sofrerem grande prejuízo.

1) Casemiro – Campeão da Copa São Paulo em 2010, era um dos destaques do time, ao lado de Lucas. Foi levado ao time de cima. Atuou por 112 partidas e fez 11 gols. Foi treinado por Milton Cruz, Sergio Baresi Carpegiani Adilson Batista, Leão e Ney Franco. Nenhum deles conseguiu descobrir a melhor posição para ele. Falavam em primeiro volante, segundo volante, meia e até quarto zagueiro. Nunca teve continuidade.

Um dia, após vitória por 3 a 1 sobre o Corinthians, chorou na saída do campo. Disse que não era entendido e que não recebia o mesmo carinho de Lucas. Aquilo me soou como insegurança e quase um pedido de socorro de um jovem de 20 anos. Para muitos, foi sinônimo de máscara. Fácil julgar quem tem 20 anos. E lá se foi Casemiro para o Real Madrid B. Jogou bem. Foi para o Porto. Jogou bem. Voltou para o Real Madrid A e jogou muito. Detalhe: desde o primeiro treino, foi definido que ele seria primeiro volante. Perceberam na hora o que não se viu aqui. E o São Paulo vendeu uma revelação por pouco dinheiro.

Com ajuda da torcida, que o vaiava como havia vaiado Kaká há alguns anos. Hoje, não há dúvidas que, abaixo de Kaká,  Casemiro, ao lado de Lucas, é a maior revelação do clube nos últimos 20 anos. E só um foi aproveitado. Só um deu lucro.

2) Ganso e Jadson – Quando Ganso foi contratado, perguntei a Ney Franco se ele jogaria ao lado de Jadson. E ele, com a certeza que é comum aos gênios e aos imbecis, disse, sem nenhuma indecisão, sem nenhum medo de errar, que havia um lugar apenas para eles. Os dois disputariam posição no seu 4-2-3-1. Nunca pensou em mudar de esquema, nunca pensou em abrir mão de princípios para colocar os dois em um mesmo time. Jadson não gostou de perder o lugar, descuidou-se do físico, não teve uma atitude profissional. E foi para o Corinthians, onde Tite o colocou ao lado de Renato Augusto. Se deu certo com Renato Augusto, por que não poderia dar certo com Ganso?

3) Pato – No São Paulo, com Osorio, Pato jogou muito bem pelo lado do campo, entrando em diagonal. Como Ribery e Robben. Novo recado aos vira-latas: não digo que ele seja igual ao francês ou ao holandês; apenas que ele rendeu bem – 26 gols no ano – no mesmo estilo. E no Corinthians? Independentemente de ficar marcado pelo ridículo pênalti contra Dida, independentemente de não ter o perfil que o corintiano gosta, a verdade é que Tite, o badalado Tite, não conseguiu fazer com que ele jogasse. Não conseguiu achar um lugar no time para ele. Como Osorio fez.

Há muitos exemplos. Marcelo joga no Real e é reserva do limitado Filipe Luiz, no time de Dunga.

Há muitos exemplos. Cada um deve lembrar do seu.

Treinadores ultrapassados e sem luz própria são sinônimo de dinheiro perdido. E, muito pior, são uma das causas do atual momento do futebol brasileiro, totalmente sem ideias. Ou alguém duvida que um treinador antenado não faria um bom time com esses mesmos jogadores chamados por Dunga?


Torcida do São Paulo joga contra e afasta Michel Bastos.
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Todo jogo do São Paulo é um drama para sua torcida. E a torcida tem sido um drama para o time. Não vai a campo e apresenta muitas desculpas: o time vai mal, o ingresso é caro e o Pacaembu não é minha casa. Também não é a do Palmeiras e também não é a do Flamengo, que foram em boa quantidade ao velho estádio.

Não vai, mas vaia. O Judas da vez é Michel Bastos. E agora, o clube vai perder o jogador. Foi o que ele deixou claro após o empate contra o Linense. Percebeu que as vaias são contra ele e não contra o time. É uma perseguição insidiosa e desumana. Michel Bastos perdeu um pênalti. Um grande erro. Mas jogou bem.

Importante notar que as vaias não são pelo pênalti. As vaias são porque há um tempo, Michel Bastos fez o sinal de cala a boca para a torcida. E a torcida – qualquer uma – se considera uma entidade única, acima de tudo e de todos. Não pode ser afrontada. O jogador pode jogar mal, pode desonrar o time, mas se fizer aquele sinal com os braços cruzados, está no lucro. Ao contrário, os que afrontaram a torcida, podem fazer dez gols por jogo que são vítimas de apitos, vaias e outros sinais de intolerância.

Tudo o que está errado no São Paulo tende a piorar com Michel Bastos. Não que ele seja um gênio do futebol, mas é que o time tem jogado tão mal que um a menos é sinônimo de mais problemas.

O São Paulo tem dificuldades enormes para fazer um gol. Nos últimos jogos, foram apenas cinco. E quatro sofridos. Quatro empates e uma única vitória. O esquema de Bauza – ou, vá lá, a incapacidade dos jogadores em fazerem o esquema funcionar – deixa Calleri muito isolado. Os cruzamentos não são bons e nem em quantidade. E Ganso também não tem com quem dialogar, pois Thiago Mendes e Hudson ficam muito atrás.

Com tantos problemas, o time não pode se dar ao luxo de perder pênaltis. Foram quatro errados e apenas um acerto no ano. Contra o Trujillanos e o Linense, o erro na cobrança de pênalti significou a impossibilidade da vitória. Bola na trave e quatro pontos voando.

O São Paulo sofreu ainda com alguns gols maravilhosos. O de Hohberg, pelo Cesar Vallejo, e o de Ze Antônio, contra o Linense. Mérito deles, mas a torcida bem que pode lamentar com o famoso desdém: “nunca mais vão fazer um gol assim”. E houve ainda alguns erros totalmente evitáveis do garoto Lucão.

São muitos problemas. A dois jogos do final da primeira fase – Oeste em casa e São Bento fora – a classificação não está garantida. O São Paulo precisa da ajuda do Santos, que enfrentará Audax e Ferroviária, seus rivais.

Mas, sem Michel Bastos, tudo vai melhorar.

Quem sabe, a torcida até resolva comparecer ao estádio.

 


São Paulo, agonicamente, ganha oito pontos. Corinthians mantém a lógica
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Se o futebol é centenário, a jogada tem cem anos. Se o futebol é milenar, a jogada tem mil anos. Se o futebol é eterno, ela viverá para sempre. Um lance de classe do armador e uma conclusão intuitiva, desesperada e certeira do centroavante. Cavadinha de Ganso e gol de Calleri. Muito parecido com o gol contra o Cesar Vallejo, ainda na primeira fase da Libertadores.

Com o 1 a 0 concretizado aos 44 minutos do segundo tempo, o São Paulo chegou a 17 pontos e alcançou o Audax, que apenas empatou com o Linense. E a Ferroviária, que perdeu para o São Bento, ficou com 13 pontos. Ou seja, o São Paulo, mesmo que perca para o Santos – não terá Ganso, suspenso – ainda estará a zona de classificação.

Lugano comemorou como nunca. Ou como sempre? Quase machucou o pescoço de Calleri. Festa merecida, que não pode esconder alguns problemas contumazes do time.

O principal erro é a falta de jogadas pelos lados do campo. Houve apenas uma jogada de Carlinhos, pela esquerda, no primeiro tempo. Ninguém mais – Bruno, dos dois lados, Caramelo, dos dois lados, Kelvin, Hudson e Lucas Fernandes não conseguiram.

A dupla Kardec e Calleri não funciona. Ofensivamente, porque não há cruzamentos. E pouco se movimentam. E defensivamente, porque ambos dedicam-se pouco à marcação. Assim, o time perde um jogador no meio.

Houve falha feia em dois contra-ataques. Um em cada tempo. No primeiro, Denis fez uma linda defesa. No segundo, Leo Coca fez com que sua progenitora fosse lembrada por toda torcida do Botafogo. Em compensação, foi saudado pelos comercialinos.

De bom? João Schmidt, com bons passes como sempre, e chutes de fora da área, uma novidade. Lucas Fernandes teve alguns lampejos, teve iniciativa, mas perdeu algumas jogadas com a bola dominada. Tem futuro. Calleri voltou a marcar.

Há muito o que melhorar.

O Corinthians também. Mas ganhou por 3 a 0. É o melhor time, com melhor campanha disparado.

O torcedor corintiano é um invejado. Não tem do que reclamar.

 


Leco precisa assumir e trazer pelo menos oito jogadores
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Carlos Augusto Barros e Silva sempre sonhou ser presidente do São Paulo. Teve uma chance e faltaram poucos votos. Tentou novamente  e foi barrado por Juvenal Juvêncio, que preferiu o poodle da Cirina. Após a renúncia, Leco foi eleito. Tem muitos apoios. Desde os que o vem como o homem ideal, aos que não imaginam ninguém melhor para o momento de transição até os que querem uma carteirinha de dirigente.

Assumiu com a oportunidade de mudar o destino do clube, que estava muito mal. Uma situação difícil, mas é nessa hora que os grandes presidentes  crescem. E ele precisa crescer, porque a decadência do time só aumenta. A classificação para a segunda fase da Libertadores. E pensar que, caso ela venha com sofrimento, haverá uma melhora incrível e a ressurreição é uma quimera. Talvez só sirva para mascarar problemas.

Leco precisa pensar no Brasileiro. O primeiro passo é saber se continuará com Bauza.

Se continuar com Bauza, tem de fazer uma pergunta: o esquema continuará a ser esse 4-2-3-1?

Se for o 4-2-3-1, novas perguntas aparecem:

1) Ainda vale a pena apostar em Centurión?

Eu acho que não. Por isso, aí está a necessidade da PRIMEIRA contratação.

2) Quem será o homem pela esquerda?

Na minha opinião, Carlinhos não dá. E Michel Bastos quer sair. Temos então a SEGUNDA E A TERCEIRA contratações

3) Quem será o homem de meio da área?

Calleri vai embora. Allan Kardec está muito mal, sem mobilidade e potência. Aí está a necessidade da QUARTA E QUINTA contratações

4) Os volantes conseguem romper sua linha e quebrar a linha adversária? Conseguem chegar até Ganso? Hudson não consegue. Thiago Mendes caiu. João Schmidt está pedindo passagem. Evidentemente, é necessária a SEXTA contratação. Bauza pediu Ortigoza.

5) E os zagueiros? O único que tem jogado em bom nível e em forma constante é Maicon. Foi um grande erro Bauza tira-lo do time contra o Trujillanos. É necessário que ele fique no segundo semestre, ou o clube precisará da SÉTIMA contratação.

6) Bruno tem ímpeto, faz algumas boas jogadas de ataque na base da potência e do arrojo. Mas o que é bom no ataque é ruim na defesa. Bauza pediu Buffarini, que pode ser a OITAVA contratação.

Parece muito? É muito. Pouca gente tem dinheiro para isso. Mas esta é a missão de Leco. O que não pode é acontecer como no jogo contra o Trujillanos, quando Bauza fez substituições e colocou Kelvin, Caramelo e Rogério em campo.

Como achar esses oito jogadores? Procurando muito bem. O Brasil está aí. A América está aí. Não deve ser difícil achar um zagueiro tosco que tenha impulsão, força física e uma certa velocidade.

E a base? Faça um monitoramento urgente e veja já quem pode jogar o Brasileiro.

Tudo é para ontem.

Assuma, Leco.