Blog do Menon

Jornalismo, vôlei e eu
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Amigos, queria convidá-los a uma reflexão.

Há uns meses escrevi um post chamado ''Eu não gosto de vôlei''. Minha amada acha que eu exagerei. Amigos que eu admiro tanto conversaram comigo e disseram que eu exagerei. Um deles argumentou tecnicamente. Passado um tempo, mensurando as opiniões, também acho que exagerei. Mas não é de arrependimento que vou falar. É de jornalismo.

No dia seguinte, li uma contestação muito bem fundamentada sobre o meu post. Era do professor Cacá Bizzochi. Imediatamente a publiquei no blog. Dei a ela todo espaço que havia dado ao meu post. Os atletas Felipe, o capitão Giba e Carol Gattaz compartilharam em suas redes sociais o meu texto, juntamente com contestações e críticas educadas

Criou-se, então, uma bola de neve. Outras pessoas, apaixonadas pelo vôlei, passaram a me criticar. Meu instagram recebeu 280 mensagens. Depois, parei de contar. Meu facebook também.

As críticas variavam de ironia a ameaça de morte.

Você não gosta de vôlei porque não sabe nem sacar por baixo (a segunda parte da sentença é verdadeira).

Você é gordo.

Você é gordo mórbido.

Você é infeliz.

Se você não ama o seu país, cai fora. (Passei minha adolescência nos anos de chumbo e havia um adesivo que dizia: ''Brasil, ame-o ou deixe-o''. Baseado em política e no princípio do pensamento único. Afinal, era Ditadura. Agora, a frase foi modificada por causa de um esporte. Quem não gosta de um esporte, não gosta do país. E deve cair fora.

Se você trabalha com esporte, não pode criticar. Se não tiver vôlei, vai viver do que? (Essa é clássica, só muda o nome do esporte).

Você defeca pelos dedos.

Você defeca pela boca.

Você não tem o direito de vibrar com as medalhas do vôlei.

Sorte sua que eu não sei o seu endereço, porque senão eu iria te matar. Com uma facada.

Não estou dizendo isso para pagar de coitadinho. Quem escreve o que quer, lê o que não quer. Tenho casca grossa e seguro a barra.

Sou um alvo fácil. Literária e literalmente falando. Ainda bem que não escrevi ''Eu não gosto de MMA''.

E a reflexão que faço é a seguinte. Quem fez mais mal  para o vôlei, eu ou os dirigentes que cuidaram tão mal das finanças da CBV?

Quem prejudica a imagem do esporte brasileiro, eu ou o presidente do COB, indo prestar depoimento sob acusação de compra de votos para transformar o Brasil em sede da Olimpíada?

Quem deslustra o vôlei, eu ou a torcida que ofendia o jogador que assumiu ser homossexual? A cada saque, uma ofensa. Uma gritaria insana, um linchamento público e moral?

Como os atletas do vôlei se posicionaram sobre esses temas? Foram solidários ao colega, questionaram os dirigentes? Salvo engano, eu me lembro do jogador Murilo criticando os absurdos que ocorreram na CBV.

O governo brasileiro anunciou que diminuirá os gastos com bolsa atleta, um dos pilares do desenvolvimento do esporte olímpico no Brasil? Algum atleta brasileiro falou alguma coisa? Algum fã de vôlei ou basquete ou bocha falou algo? Alguma comissão de atleta faltou alguma coisa? Na verdade, algumas pessoas falaram, sim, mas não é nada organizado, não é um protesto. Soa mais como um lamento.

Enquanto preferirem atirar no pianista, o esporte olímpico do Brasil continuará abaixo de suas possibilidades.

Meu post também levou a posicionamento de jornalistas. Nota, eu acho corporativismo um saco. Só serve para abortar discussão de ideias e discussão de ideias pode trazer a luz.

Mas, quando o capitão Giba publicou um post no instagram questionando o que eu escrevi, uma colega com quem eu havia me solidarizado quando ela sofreu um bullying por parte de uma torcida de um grande time, publicou lá um coração ou algo assim. E disse meu ídolo, meu herói, algo do tipo.

Um jornalista pode ter heróis, pode ter ídolo? Eu tenho, mas em outro setor, não no esporte. Não conseguiria ser imparcial escrevendo sobre política, por exemplo.

Um outro colega, professor, qual Zeus, desceu do Olimpo e me atingiu com um raio. ''Isso é que dá quem é especializado em futebol começar a escrever sobre outro esporte. Será tema de minhas aulas''.

Que entendimento tem esse professor? Jornalista é algo estanque? Jornalismo barra esporte barra futebol é diferente de jornalismo barra esporte barra vôlei.

O seu texto no facebook logo foi apoiado por outra colega, que comprou a tese. Logo ela, que nunca trabalhou com esporte, dizia o que cada um deve fazer.

Respondi a eles seguindo o raciocínio deles, de entendimento do jornalismo esportivo como algo fragmentado. Disse que já fui editor de ''esportes amadores'' e que já cobri duas Olimpíadas, um Pan, um Mundial de Basquete e um de Handebol.

A resposta foi ''vamos tomar um café para conversar sobre isso''.

Vejam bem: o professor afirma que eu sou incapaz de escrever sobre um assunto, eu o questiono e ele, magnanimamente me convida para tomar um café tendo por fundo a discussão sobre minha capacidade ou não de escrever sobre vôlei. Eu poderia me defender da acusação de incapacidade que ele publicou em uma página de rede social.

Nem respondi.

A colega Carolina Canossa, que não conheço, foi perfeita ao ser questionada por seus leitores. ''Não concordo com nada do que ele falou, mas ele tem o direito de falar o que quiser em seu espaço''. Muito obrigado.

Por fim, quero dar um exemplo ''triangular''.

A critica B

B se recusa a dar entrevista para C.

Quem atrapalhou o trabalho de B? Foi A ou foi C?

Uma dica para a resposta:

Jornalista deve prezar sempre a liberdade de imprensa.

Jornalista deve lutar sempre pela liberdade de imprensa.

Jornalista deve praticar sempre a liberdade de imprensa.

No caso, me parece claro que não foi A quem afrontou esses princípios.

A, no caso eu, tem casca grossa e segura as suas barras, ao lado de seus amores e de seus amigos.

E vai continuar fazendo jornalismo que é a profissão que ama e que respeita.

Um abraço a todos.



*As opiniões expressas neste blog são de responsabilidade do autor.


Lisandro e Rodriguinho eliminam Corinthians
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O Corinthians precisava fazer ao menos um gol. E, segundo o Footstats, não deu um chute no alvo.

Mérito do Racing que não se abriu para o jogo. Não deu espaços. E se defendeu muito bem.

Em busca de um gol, Carille trocou Jadson por Rodriguinho, aos 18 do segundo tempo. Aos 21, ele fez uma falta criminosa e foi expulso.

O jogo foi pegado desde o início. O juiz deveria ter amarelado jogadores do Racing.

Mesmo assim, o Corinthians não jogou bem. Está mal Jadson, uma negação.

No final, o Corinthians pressionou muito, mas o Racing se postou muito bem na defesa.

O melhor em campo foi Lisandro López. Muito aguerrido e também com técnica. Brigou, encarou, aprontou e não deu chance para ser expulso.

Talvez Carille esperasse isso de Rodriguinho.



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Arejado Flamengo de Cuellar dá um baile na Chape
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O colombiano Cuellar foi o grande nome da vitória do Flamengo. Antes de ''colombiano'' eu ia escrever volante, mas vacilei. É volante, mesmo?

No sentido chão, cabeca-de-área, não. Ele estava em muitas partes do campo. Desarmou, armou e passou. Mais todocampista que meio campista.

Ao seu lado, Arão. Também efetivo, também participativo. Também nada estático.

Cuellar e Arão fizeram os dois primeiros gols do Flamengo.

Uma ótima notícia para quem não gosta de futebol estanque, dividido rigidamente em setores que pouco ou nada se comunicam.

E à frente, Everton Ribeiro e Diego, que o próprio Rueda relutava em unir no meio, na zona de criação.

Era um 4-2-2-2 que também podia ser 4-2-3-1 quando Everton deixava o meio e abria o jogo pela esquerda, como Berrio na direita.

Enfim, foi um Flamengo técnico, leve e rápido. Um Flamengo fora do cabide, fora de esquemas rígidos.

Deu gosto ver.



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Se o Grêmio amarelar de novo, perde a vaga
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O Grêmio é o favorito para se classificar hoje. Joga em casa e precisa de vitória simples. Mas o Botafogo é um time determinado e pode vencer. Desde que tenha uma atitude diferente da que teve contra o Flamengo em uma situação análoga na Copa do Brasil.

Para vencer, o Grêmio precisa ter atitude mental diferente do que teve em momentos decisivos do Brasileiro. Perder em casa para Avaí e Chapecoense foi fatal. Nem vou lembrar o Corinthians, jogo de seis pontos, que também derrotou o Imortal lá no Sul.

Futebol é tática, é técnica, mas também é espírito de campeão. Está faltando só time de Renato.



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Trajano quer surrar o Flamengo e dar uma sova no Vasco
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Os vizinhos certamente se assustaram e ficaram preocupados com os gritos vindos do apartamento ao lado. Em plena terça-feira, às 15 horas? E, por fim, o berro de Sannnngueeee. Sangue? Era José Trajano, na internet, vendo o seu América vencer o Audax e conseguir uma vaga na série A do campeonato carioca de 2018.

Epa, não é bem assim. ''O América subiu, mas vai participar de um torneio seletivo com outros times e apenas dois vão enfrentar os grandões. É uma pena porque eu queria mesmo é dar uma surra no Flamengo e dar uma sova no Vasco'', disse o jornalista, que se tornou uma espécie de embaixador do seu Ameriquinha Brasil afora.

O América participa de outro torneio no Rio. Os finalistas podem escolher entre uma vaga na Copa do Brasil ou na Série B do Brasileiro. Aí, ficará o América com outra opção de vencer os grandões.

O importante é que um time tradicional conseguiu um acesso no dia de seus 113 anos. Pode ser um renascimento. Pode ser um alento para outras agremiações veteranas do valoroso esporte bretão.

Tags : TRAJANO



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Golaço de Neymar contra a homofobia
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Neymar usou as redes sociais para se posicionar sobre a decisão que considera homossexualidade como doença e possibilita tratamentos de reversão. A chamada ''cura gay''. Ele postou uma música de Lulu Santos que diz: ''consideramos justa toda forma de amor''. Uma grande atitude do jogador, colocando-se ao lado da modernidade e contra o obscurantismo.

O silêncio dos atletas sobre assuntos que não são o seu esporte é gritante, ensurdecedor. Murilo, do vôlei, é crítico à gestão de Ary Graça…e quem mais, mesmo? O basquete brasileiro está acabando e ninguém fala. Guilherme Giovannoni é o representante dos atletas junto ao NBB e vai jogar pelo Vasco, time que atrasou salários na temporada passada. Ele nunca se posicionou junto aos companheiros. O presidente do COB é suspeito de corrupção e… nada.

Joanna Maranhão, salvo engano, é uma voz solitária contra os desmandos de Coaraci.

A Bolsa-Atleta tem problemas, foi diminuída e pode acabar e… nada.

E jogadores de futebol? Nunca falam nada de nada. Posicionaram-se há dois anos juntamente com o Bom Senso, mas graças apenas a líderes como Fernando Prass e Rogério Ceni, que estava em atividade e outros que já haviam se aposentado. O Bom Senso acabou e, mesmo antes disso, Ceni já havia aceitado participar de uma viagem da seleção, como consultor ou algo assim. Juntamente com diretores que ele havia criticado. Tite assinou um manifesto contra Del Nero e, ao aceitar o cargo de treinador, o beijou.

Nesse contexto total de alienação, é importante o que Neymar fez. Principalmente por ser em um caso que é controverso no Brasil. É, mas não deveria ser. Há milhares de pastores ''médicos de gays'' prontos para faturar e para criticar Neymar.

Homossexualidade não é doença. Homofobia é doença.



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Paulinho vai derrotando os céticos
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A chegada de Paulinho ao Barcelona foi tratada como um crime ao futebol. Principalmente ao tipo de futebol implantado por Guardiola. Um tipo de futebol que mudou o futebol.

Uma embaixadinha errada na apresentação fez a desconfiança aumentar. Uma digressão: Milene Domingues faz embaixadinhas ótimas. E o campeão mundial de controle de bola é um cubano. Ou seja, embaixadinha é nada.

Paulinho foi contratado para ser uma alternativa ao estilo do Barcelona. Disse isso aqui é quase me crucificaram. Os puristas disseram que o português Gomes era muito muito melhor.

Paulinho salvou o Barcelona contra o Getafe. Fez mais um contra o Eibar. E deu passe perfeito para um dos quatro gols de Messi. E teria feito mais um se Messi tivesse passado em vez de chutar, marcado por quatro. Messi está perdoado. Matador tem de chutar sempre.

Os espanhois já começam a reconhecer o valor de Paulinho. E perceber que sua contratação foi um grande acerto.

Agora, faltam os vira-latas brasileiros.

 



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Renata Fan, peça desculpas ao Jô
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Renata Fan;

Eu não vejo o seu programa. Não gosto de jornalismo misturado com humor fake. Mas já vi algumas vezes e vejo em você uma ótima apresentadora. Tem fluência, domínio de câmeras e entende muito de futebol.

E é muito bonita, mas não vem ao caso. Citei a beleza porque acredito que você, por ser mulher e bela, tenha passado por muito preconceito.

Clichês machistas sobre loira burra e insinuações de como sua beleza pode ter aberto caminhos.

Pois é, por isso mesmo, você deveria ter cuidado com comparações. A que eu estou vendo agora, no twitter, é revoltante

É sobre o Jô é a comparação sobre alguém que roubou seu anel e negou. E que só reconheceria o erro após ver o que foi registrado na câmera.

Você comparou um gol de mão com o roubo de uma jóia. Comparou um profissional sério (pelo menos agora, nessa quadra da vida) com um ladrão.

Renata Fan,

Se você mantiver essa comparação, peça a prisão do Jô.

Se você se arrepender, peça desculpas ao Jô pela comparação e pelo linchamento.



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O isolamento de Natel
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Roberto Natel, vice-presidente do São Paulo está afastado do presidente Leco. E de todos. Está isolado, sem influência na política do clube.

É a conta que está pagando por uma série de movimentos confusos e conflitantes.

Ele rompeu com Leco antes da eleição e tentou se viabilizar como candidato. Seria uma terceira força, entre Situação e Oposição. Seus apoiadores perceberam que a candidatura teria força apenas para dividir e talvez levar Pimenta à vitória e voltaram a apoiar Leco.

Natel também voltou. E é vice de Leco. Pensou ser esse o caminho para se viabilizar como candidato em 2020. Talvez tenha percebido que não ou talvez por questão de temperamento mesmo, rompeu novamente.

O distanciamento de Leco pareceu, para a sua base um oportunismo. Afinal, o time está mal e seria hora de união. Pegou mal também o fato de como vice-presidente não haver comparecido (mesmo que não concordasse) na reunião com torcedores.

À boca pequena, Natel é citado como o Temer que não deu certo.



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Jô, sob a ótica e a ética de Nelson Rodrigues. E de Nelson Nunes
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Amigos, conhecem aquela história do gol tão bonito que merece a compra de um novo ingresso? Pois é. Depois de lerem o texto abaixo, tenho certeza que irão se sentir assim. É um presente meu para vocês. O texto é do meu amigo NELSON NUNES, um dos grandes que conheci na minha carreira.

 

Já que, sob a inspiração de um gol de mão, o caráter (ou a falta dele) do brasileiro virou a pauta principal da mesa-redonda nacional

Nelson Rodrigues em linda caricatura de Latuff

desta segunda-feira, nada melhor do que saber o que pensava o mestre Nélson Rodrigues sobre essa intrincada conjunção de interesses que colocam, lado a lado, futebol e ética. Foi através do futebol que nosso mais respeitado dramaturgo criou metáforas para explicar o Brasil e entender os brasileiros. Numa delas, mais de quatro décadas antes do melodrama “La mano de Jô”, nosso Dostoievski caboclo advertiu, com a propriedade de quem conhece o submundo da condição humana, que “não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos; muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida.”

Forjado num universo de personagens que gravitam entre a sarjeta e o estrelato, feito cronista dos nossos tempos metido no cotidiano de um jornal meio mundano fundado pelo próprio pai, cuja redação foi palco de um crime passional familiar, o Shakespeare dos trópicos viveu alguns dos melhores momentos de sua carreira como repórter esportivo. Com seu jeito particular de decifrar o mundo, e sua técnica incomparável de ir além do que se vê no óbvio, Nélson Rodrigues conseguia transformar jogos comuns em narrativas épicas, dignas de um capítulo assinado por Camões. Boa parte desse legado pode ser conferido no livro “A Pátria de Chuteiras”, coletânea de crônicas publicadas em jornais cariocas entre 1950 e 1970.

Fico imaginando, se vivo estivesse, o que teria escrito hoje… Talvez abrisse sua crônica do jogo com uma de suas frases mais contundentes: ''a virtude é bonita, mas exala um tédio homicida. Não acredito em honestidade sem acidez, sem dieta e sem úlcera.'' De fato, foi essa receita que fez de Rodrigo Caio, por exemplo, um bom-moço condenado pela sua sinceridade. E há de ser também por ela que Jô passará o resto de sua vida lembrado por um golpe de malandragem, uma falcatrua que não tem perdão. De artilheiro do Brasileirão, símbolo da eficiência de um Corinthians exemplar no primeiro turno, Jô passou a ser o Macunaíma de plantão, o herói sem caráter que reduz o povo brasileiro a uma metáfora preconceituosa de gente sem berço e sem moral, indecente e repugnante.

O julgamento de Rodrigo Caio e Jô passa pela relativização de nossas convicções _ e da graduação de nosso passionalismo. Pelo que se ouve nos botecos da cidade e pelo que se lê nas redes sociais, Jô perdeu a chance de mostrar grandeza de espírito e coerência com o discurso de um mês atrás. É fácil cobrar isso dele sentado no sofá, tomando uma cerveja, vendo o replay do lance por vários ângulos. Mas há de se reconhecer que não desce redondo o fato de ele se omitir da verdade, de fingir honestidade, de mascarar o que está escancarado aos olhos do mundo. Fica no ar a sensação, indigesta, incômoda, de que é a lei de Gérson que nos move. Até quando o caráter do brasileiro vai estar sob suspeita? Até quando vamos continuar fazendo futebol sem bons sentimentos? Até quando o espírito de Nélson Rodrigues apontará o dedo na nossa cara para nos lembrar que o tal complexo de vira-lata vai além de uma figura de linguagem? Até quando, enfim, vamos fazer das virtudes atributos tomados pelo tédio suicida?



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