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Arquivo : eduardo baptista

Ótimo para Roger, bom para o Palmeiras
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Roger Machado será o treinador do Palmeiras no ano que vem. Ou melhor, pensando na instabilidade do futebol brasileiro, iniciará o ano como treinador do Palmeiras. É a primeira vez que dirigirá em São Paulo. É o terceiro grande time em três anos de carreira. É um grande prêmio, uma grande oportunidade a ele. É difícil que um treinador que não brilhou no Brasileiro em dois anos seguidos (Grêmio e Galo) consiga se recolocar em um outro grande clube brasileiro.

Mais do que resultados, valeu o trabalho. Ele deixou o Grêmio com 65% de aproveitamento. E conseguiu 60% no Galo. Títulos? Apenas o mineiro pelo Galo. Roger é um treinador bem antenado com as novas tendências, é inteligente e estudioso. Então, por que não consegue um bom aproveitamento defensivo nos times que dirige. É notório como o Grêmio melhorou com Renato.

A seu favor, no Palmeiras, há a possibilidade de participar da montagem do elenco e de começar o ano trabalhando desde o início, impondo seu estilo. Um estilo que tem muito mais a ver com Eduardo Baptista do que com Cuca. Ou seja, o Palmeiras continua no zigue zague. Sai o estilo frenético de Cuca, entra o culto à posse de bola de Baptista, volta o estilo nervoso de Cuca, retorna a busca pela posse de bola com Valentim. E agora, com Roger.

Se é ótimo para Roger, é bom para o Palmeiras. Roger não é uma certeza, mas quem é? Felipão, como alguns já pediam? Abel, que não foi bem no Fluminense.

Roger é uma aposta, como é todo treinador do Palmeiras recente. A paixão fala alto e não se dá muito tempo para adaptação. Mas é uma aposta em alguém de muito valor. Falta um título. Pode ser um título verde.


Eduardo Baptista perdeu grande chance de ajudar a Ponte
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Nelsinho Baptista, quando era apenas Nelson,  jogou por muito tempo na Ponte. Talvez esteja na seleção histórica da Macaca.

Nelsinho Baptista foi treinador da Ponte.

Eduardo Baptista foi treinador da Ponte. Fez ótimo trabalho.

Agora, está de volta à Ponte.

E, como prova de amor ao clube, deveria renunciar.

Sua renúncia desnudaria o poder de um bando de delinquentes sobre um clube profissional que tem história e que vem já há uns 15 anos trilhando um caminho de recuperação financeira.

A Ponte não é mais iôiô. Quando começa o campeonato, ela não aparece como um rebaixado certo.

E alguns torcedores foram ao aeroporto e bateram em jogadores. Foram até a delegacia, fizeram Boletim de Ocorrência. Eduardo Baptista se indignou, falou em degradação da raça humana, criticou os políticos brasileiros e resolveu ficar. Prova de amor, prova de comprometimento, prova de profissionalismo…

Mas, uma renúncia seria um gesto de grandeza enorme. E mostraria a todos a pequenez dos delinquentes. Gente que não trabalha e que vai em aeroporto agredir.

A renúncia de Eduardo Baptista serviria para lancetar a ferida, fazer o pus vazar.

Seria um golpe imenso nos desocupados.

Ele continua, como sua consciência manda. Ou como seu coração manda. Esperemos pelos resultados. Se a Ponte não sair da lama, os que agridem, batam e matam vão pedir sua cabeça.

E ela será entregue. Alguém duvida?


Zé Ricardo, o quinto magnífico demitido. Renovação falhou
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No início do ano, havia muito expectativa com o trabalho de sete jovens treinadores em sete grandes equipes brasileiras. Poderia ser o início da renovação do nosso futebol, preso a velhos professores com suas pranchetas, projetos e falta de atualização com o futebol moderno.

Além de expectativa, havia boa vontade com eles. Pouca coisa se confirmou. Zé Ricardo, do Flamengo, após uma derrota em casa para o Vitória, por 2 a 0, foi o quinto a perder o emprego.

Relembremos os cinco demitidos.

ZÉ RICARDO – Havia assumido o Flamengo após um mau trabalho de Murici e levado o time a um bom desempenho. Agora, com elenco reforçado, seria a hora de se firmar como um grande novo nome.

ROGER – Trabalhou bem no Grêmio e sua saída causou grande comoção, principalmente pela chegada de Renato Gaúcho, que se orgulhava de preferir futvôlei ao estudo de táticas. No Atlético-MG, Roger deslancharia. Ganhou o Mineiro e foi mal no Brasileiro.

ANTONIO CARLOS ZAGO – Tinha um bom tempo de estrada, inclusive com passagem no Palmeiras, mas agora era uma esperança repaginada, após cursos na Uefa e boa passagem no Juventude. Seria o homem para recuperar o Inter, agora na Segundona. Perdeu o Gaúcho para o Novo Hamburgo e começou mal a Série B.

EDUARDO BAPTISTA – Depois de boas passagens pelo Sport e pela Ponte, apareceu como o nome ideal para substituir Cuca no Palmeiras, que sonha com o Mundial. Pouca gente se lembrou de seu fracasso no Fluminense. Caiu após uma derrota para o Jorge Wilstermann, muito pouco para quem sonha em vencer o Real Madrid.

ROGÉRIO CENI – Sem nenhuma experiência anterior, chegou ao São Paulo respaldado por seu passado único no clube, por alguns cursos feitos na Europa e por trazer consigo auxiliares estrangeiros. Foi mal no Paulista e somou 11 pontos em 11 jogos no Brasileiro.

Dos sete magníficos, restaram FÁBIO CARILLE, que venceu o Paulista e conduz o Corinthians a um campeonato brasileiro histórico. E JAIR VENTURA, que tem levado o Botafogo a romper limites técnicos.

Os cinco magníficos floparam e alguns veteranos retomaram o sucesso, como Renato Gaúcho, Levir Culpi e ele, o ressurgido Vanderlei Luxemburgo, de ótimo trabalho no Sport.

Lamento o insucesso da renovação, mas não fico triste com a ascensão dos veteranos. Ótimo saber que não há apenas uma maneira de ver futebol e que é possível fazer um trabalho consistente e criativo sem falar em amplitude, basculação, recomposição, transição e terço final.


Abel, o veterano passional, contra Zé Ricardo, o jovem pragmático
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Juntos, Flamengo e Fluminense, fizeram 14 jogos no Brasileiro até agora. Conseguiram apenas cinco vitórias e sofreram quatro derrotas. Empataram cinco vezes. O Flu ganhou mais (3 a 2) e perdeu mais (3 a 1). O Flamengo empatou mais (4 a 1). O maior número de vitórias deixa o Fluminense na 10ª posição, uma na frente do rival. Os dois tem apenas dez pontos ganhos em 21 possíveis. O Fluminense perdeu os dois últimos jogos, período em que o Flamengo conseguiu uma vitória e empatou uma partida.

Enfim, os números que antecedem o clássico não são bons. O que não tem a menor importância quando se trata de um Fla Flu no Maracanã. Com torcida dividida. É o futebol em sua essência, enfrentando os coveiros da PM e do MP e mais o Coronel Marinho, que fazem de tudo para transformar o futebol em algo insosso, em um jogo de curling, em uma ópera dinamarquesa com o tenor gripado.

Há muita coisa boa a se ver em um Fa Flu. E neste Fla Flu também. Uma delas é o duelo entre Abel Braga e Zé Ricardo. No início do ano houve uma troca de guarda no futebol brasileiro. Apareceram treinadores jovens, com todo o respaldo de torcedores e jornalistas. Havia uma expectativa muito grande com os “sete magníficos”: Zé Ricardo, Jair Ventura, Roger Machado, Fábio Carille, Rogério Ceni, Eduardo Baptista e Antonio Carlos Zago. Os dois últimos perderam o emprego no Internacional e no Palmeiras, respectivamente. E entre os veteranos, Abel Braga era o mais aceito. Sua presença não tinha 1% da rejeição que teria a contratação de Luxemburgo ou Oswaldo, por exemplo.

Interessante no duelo é que o lado emocional está muito mais presente no veterano do que no novato. Abel é uma pessoa muito emotiva. Após a derrota contra o Grêmio, em casa, ele foi de uma sinceridade juvenil. Nunca vi aquilo. Estamos com apenas sete rodadas e Abelão falou coisas como: “eu sou tricolor…não desisto nunca. em 2011, cheguei e perdi seis jogos seguidos, aí vencemos um e reagimos. ficamos em terceiro e montamos uma base para o ano seguinte, quando ganhamos o carioca e o brasileiro. quando vim, já sabia da questão financeira do clube”…

Me pareceu que ele, em um rasgo de sinceridade, abriu mão de lutar pelo título em 2017. Algo que ele pode fazer por ser o Abel no Fluminense. Por ter um respeito adquirido em muitos anos. E por dirigir um clube com pouco dinheiro para investir e que tem de brigar para manter Richarlison, sua renovação, que não demonstra, ao contrário de Abel, amor e fidelidade ao Fluminense.

Do outro lado, Zé Ricardo. Jovem e dirigindo um clube com alto poder de investimento. Ele está começando a usar Conca e ainda terá, em pouco tempo, Everton Ribeiro e Rhodolfo. E, muito provavelmente, Geuvânio. E, se tantos reforços estão chegando, é prova que o elenco tem falhas. Falhas com nome, como Rafael Vaz, por exemplo. E, mesmo assim, mesmo com falhas, mesmo como bom campeonato feito no ano passado, Zé Ricardo correu riscos. Poderia ter caído. Um dos motivos é o excessivo apego a alguns jogadores. Desvencilhou-se do abraço de afogados com Muralha, mas manteve Márcio Araújo. Durante todo o período de incertezas, Zé Ricardo manteve-se aparentemente calmo e fiel a seus princípios.

Um veterano passional dirigindo um clube com pouco dinheiro e um elenco cheio de revelações. Um jovem pragmático comandando um clube com muito dinheiro e cheio de craques e com a maior revelação brasileira desde Neymar. É um duelo bacana de um clássico que nunca decepciona.


Eduardo Baptista, os Sete Magníficos e o Chinelinhozinho
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Menon

Eduardo Baptista foi o primeiro dos Sete Magníficos a cair. Falo de sete treinadores jovens e estudiosos – cada um com seu estilo – que assumiram grandes clubes brasileiros em 2017 e que trouxeram um ar de renovação a um meio viciado, sempre com as mesmas opções. Algumas delas, defasadas e encarando a profissão de modo blasé, como se já soubesse tudo e não percebesse que o passado, mesmo glorioso, pode ser uma roupa velha que não nos serve mais.

A necessidade de renovação era tão grande que veio acompanhada de uma dose de condescendência com a maioria e com implicância com Fabio Carille, justamente por não pregar o “modernismo”, por adotar a segura cartilha titeana e tratar logo de arrumar a defesa corintiana. Carille será campeão. Tem todos os méritos.

A demissão de Eduardo Baptista é justa? A meu ver, a análise não pode passar por um dogma que tomou conta do meio futebolístico: é errado mandar treinador embora. Eu não acho errado, independentemente do currículo e do que o cara já fez pelo clube. Lembram como o Cruzeiro foi criticado por demitir Marcelo Oliveira, bicampeão pelo clube? Hoje, a grande maioria que achou aquilo um erro, não gostaria de ver Marcelo em seu time.

Eu não levaria em conta o passado. E o futuro teria mais peso do que o presente. O time está ruim? Mas há perspectiva de melhora? O treinador ainda tem carta na manga? Há algum bom jogador voltando de contusão? Há possibilidade concreta de reação?

Então, baseado nesses fatores, eu concordo com a demissão do Baptista. Acredito que, com ele no comando, o Palmeiras poderia a qualquer momento, repetir aquela partida vergonhosa contra a Ponte. Principalmente pelo segundo tempo. Sim, porque é possível dizer que o primeiro tempo foi uma surpresa diante de uma Ponte avassaladora, mas e o segundo? Nada foi feito. O Palmeiras trocou passes como se estivesse perdendo por 1 a 0 e fosse se classificar facilmente no segundo tempo.

E houve outros jogos ruins, como a derrota para o Corinthians. As vitórias na bacia das almas na Libertadores. Houve, é lógico, aquela maravilhoso segundo tempo contra o Peñarol, mas o time havia sido muito mal escalado.

A pressão era grande e Baptista não soube conviver com ela. O desabafo (leia aqui) foi a prova disso. O treinador se ofendeu por ser chamado de maleável, mas, candidamente, semanas antes havia dito que, no Fluminense, havia sido obrigado a escalar Ronaldinho Gaúcho.

Foi o segundo fracasso de Eduardo Baptista em time grande. Não é tão magnífico assim.

E os outros cinco, como estão?

Rogério Ceni – Eliminado no Paulista e na Copa do Brasil, deu mostras de estar conseguindo um equilíbrio maior no time, abrindo mão do esquema com dois pontas espetados.

Jair Ventura – De todos, é o que tem o elenco mais frágil e o que tem conseguido resultados surpreendentes.

Zé Ricardo – Está perto de ganhar o primeiro título, mas precisa fazer o Flamengo vencer fora de casa na Libertadores.

Roger – Assim como Baptista, está em seu segundo grande time. Tem vantagem na decisão do Mineiro e caminha sem sustos na Libertadores.

Antonio Carlos Zago – Pode ser campeão gaúcho e dar o acesso ao Inter, mas está marcado por aquela palhaçada no jogo contra o Caxias. Ao fingir agressão e se deitar no chão, manchou sua biografia.

TEM POSTE MIJANDO EM CACHORRO – TENHO SAUDADES DO JORNALISMO Antigo, que nem vivi. Gostava dos apelidos que jogadores recebiam. Pelé, o Rei. Rivellino, a Patada Atômica. Gérson, Canhotinha de Ouro. Didi, o Príncipe Etíope. Leônidas, o Diamante Negro. E, principalmente, o melhor de todos: Ademir da Guia, o Divino. Roger ganhou o apelido de Chinelinho. Uma homenagem a comprometimento com que se dedicou à carreira. Também é conhecido por alcunhas como Roger Secco e Roger Galisteu. Aquele pênalti que errou contra o Figueirense, em 2005, não lhe valeu apelidos. Valeu ódio e ofensas.

Hoje, ele é jornalista. Direito dele, eu não sou a favor da obrigatoriedade de diploma para a minha profissão. E nem para muitas outras, como advocacia e construção civil, por exemplo. E ele criticou Juca Kfouri. Também é direito dele. Todo mundo pode criticar todo mundo. A profissão se engrandece com discussões sobre seu presente e seu futuro. Mas, ao dizer que Juca Kfouri “não é jornalista”, ele se submete à comparação. Quem é jornalista, Juca ou Roger? Um modo de se decidir, sem olhar para o que cada um já fez na profissão, é só pensar quem se daria melhor apresentando o Vídeo Show. Com certeza, Roger, Flavio Canto e Tande seriam muito melhores que Juca. Eu considero a distância jornalística entre Juca e Roger infinitamente maior que a distância futebolística entre Roger e Juca.

MARTINHO DA VILA É UM COMPOSITOR genial. Seu ritmo lento esconde pérolas. É um chinelinho do bem.

Disritmia é o meu samba favorito.

O traço é de Batistão, tão gênio quanto

Eu quero me esconder debaixo
Dessa sua saia prá fugir do mundo
Pretendo também me embrenhar
No emaranhado desses seus cabelos

Preciso transfundir seu sangue
Pro meu coração, que é tão vagabundo
Me deixa te trazer num dengo
Pra num cafuné fazer os meus apelos
Me deixa te trazer num dengo
Pra num cafuné fazer os meus apelos

Eu quero ser exorcizado
Pela água benta desse olhar infindo
Que bom é ser fotografado
Mas pelas retinas desses olhos lindos

Me deixe hipnotizado pra acabar de vez
Com essa disritmia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia

Eu quero ser exorcizado
Pela água benta desse olhar infindo
Que bom é ser fotografado
Mas pelas retinas desses olhos lindos

Me deixe hipnotizado pra acabar de vez
Com essa disritmia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia

Aqueles versos em negrito, eu considero coisa de gênio. Que bom é ser fotografado/ Mas pela retina desses olhos lindos estão à altura de Fotografei você na minha Rolleiflex/ Revelou-se a sua enorme ingratidão, do Mestre Jobim.


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