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Cuca ficou grogue após derrota para o Santos. Nocaute veio contra o Bahia
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“Ninguém vai dizer nada que o Santos veio aqui, jogou como um time covarde e ganhou o jogo? Não é possível isso, não é possível”. Cuca andava de um lado para outro no vestiário do Palmeiras, após a derrota por 1 a 0. O tom de voz variava, de gritos a sussurros. Dava chutes no ar e não parava de se lamentar. “A gente dá 25 chutes no gol, eles ficam recuados e ganham. Assim, não dá”.

Cuca sabia que, ali, estava sepultado o sonho do título. Sonho difícil, muito difícil, mas que ele estava acalentando junto com os jogadores. Havia conseguido criar um consenso entre os comandados: se o Palmeiras vencesse seis jogos seguidos, chegaria ao clássico contra o Corinthians com aproximadamente seis pontos atrás. E, com uma vitória, o título estaria aberto.

A série havia começado bem, com vitórias sobre o Coritiba, em casa, e Fluminense, fora. Faltavam Santos (casa), Bahia (casa), Atlético-GO (fora) e Ponte (casa). Uma série possível de conseguir. Foi a meta que colocou para todos. E, ao mesmo tempo, mostrava-se muito entusiasmado para o próximo ano. Sabia os acertos que precisava fazer e dizia ser ótimo começar a temporada com um elenco formado pelo treinador. (Aliás, um argumento fraco, na minha opinião. O elenco atual, que não deu resultado, tinha muito daquele do ano passado, campeão brasileiro).

Ainda no vestiário, após a derrota contra o Santos, surgiu o Cuca místico. “Se a gente faz um jogo ótimo assim e perde só pode ser porque Deus está preparando algo melhor para o ano que vem.”;

Ainda acreditava no ano que vem. O que se tornou inviável após o empate contra o Bahia. O vestiário viu um Cuca conformado, muito diferente do outro, contra o Santos. “Jogamos 15 minutos de bola e mais nada. O Bahia foi melhor”.

A certeza da luta pelo título e a esperança em um novo ano foram trocados por outra certeza: não havia mais nada a extrair do elenco. Sua passagem estava terminada. Exatamente o que a diretoria pensava, com uma nuance. Mattos e o presidente consideravam que o Palmeiras estava jogando pior do que Cuca achava.

Mas era apenas um detalhe.

E chegou-se ao acordo comum.


Palmeiras, Botafogo e Cruzeiro em alta. Coxa e Fluminense em queda
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O Palmeiras está cumprindo a meta proposta por Cuca e defendida por Edu Dracena, após a vitória contra o Coritiba. Foi ao Rio e ganhou do Fluminense, com um lindo gol de Egídio. Segunda vitória seguida. Nada de futebol exuberante, mas são seis pontos. A diferença para o Corinthians ainda é enorme, e para o Palmeiras, acredito, inalcançável. Mas o que passou, passou. O Palmeiras se propôs a fazer muitos pontos nos seis jogos que tinha pela frente e já ganhou dois. Agora, virão Santos, em casa, Bahia, em casa, Dragão fora e Ponte, em casa. Três em casa e o lanterna fora. Depende de si, o Palmeiras, para sonhar. E, se o Corinthians perder, bem…eu acho que não vai adiantar, mas futebol é futebol, né?

O Fluminense, ao contrário, vem caindo assustadora e perigosamente. Foi a segunda derrota seguida. Há quatro rodadas não vence e, com 31 pontos, já deve se preocupar com os que estão abaixo. Só para comparar. Na próxima rodada, visita o Grêmio, enquanto o São Paulo, que tem três pontos a menos, recebe o Sport

No Paraná, outro time verde caminha para a segunda divisão. O Coritiba perdeu para o Botafogo e se manteve onde ninguém gosta de estar. O time, que chegou a estar em terceiro no início do campeonato, acumula DOIS pontos ganhos em cinco disputados. O São Paulo, que não engrena, ganhou seis. O Coxa visita o Bahia, em uma partida chamada de seis pontos.

E a derrota foi daquele tipo que traz sequelas. O Coxa perdeu um pênalti, fez o primeiro gol do jogo, permitiu a virada, empatou e um minuto depois, sofre mais um gol. E faltavam apenas sete minutos. É muita moleza. Se não reagir logo…

O Botafogo e o Cruzeiro passaram o Flamengo e estão instalados na zona de Libertadores. Estão com o mesmo número de pontos e em ascensão. Botafogo tem 12 pontos nas últimas cinco rodada, aproveitamento de 80% e o Cruzeiro está ainda melhor, com 86,7%.

Tags : cuca egidio


Palmeiras vence pela avenida Buffarini, como previsto
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AvenidaO Palmeiras venceu com tranquilidade o São Paulo, marcando quatro gols nascidos pelo lado esquerdo de seu ataque. Ali, onde estava a avenida Buffarini. Só não foi mais fácil porque sua defesa falhou nos dois gols do São Paulo. Então, Cuca apostou ainda mais no lado esquerdo de seu ataque, agora com Keno. E mais dois gols saíra. Foi um resultado muito justo, por dominar o jogo todo, por criar mais situações de gol e por saber onde estava o mapa da mina. Aliás, todo mundo sabia. Menos Dorival.

Não se trata aqui de menosprezar a vitória do Palmeiras, que é um time melhor e que tem um elenco melhor. Antes do terceiro gol, por exemplo, Cuca colocaria Roger Guedes, mais um homem de lado. Tem elenco e sabe usar. O ponto é mostrar que a deficiência é conhecida por todos e que o São Paulo não tem como corrigir. O reserva Bruno foi responsável pela derrota contra o Coritiba. E Araruna, levou um baile do Bahia.

O São Paulo se aproveitou do meio-campo do Palmeiras ter mais toque do que pegada e fez o primeiro gol, com um belo passe de Pratto para Marcos Guilherme. O time se fechou atrás e teve a chance de fazer o segundo, também com Marcos Guilherme, que acertou a trave. Pratto, muito participativo, saiu após cabecear o joelho de Hernanes.

O Palmeiras virou, com dois gols pela esquerda. Michel Bastos cruzou para Willian. E, logo em seguida, o Bigode fez outro lindo gol, também pela esquerda, em chute cruzado. Buffarini, Arboleda e Cueva, às vezes, tentavam fechar o setor, mas não conseguiam.

O empate veio em nova falha da defesa do Palmeiras. Buffarini acertou um cruzamento, Hernanes, marcado, subiu, matou no peito e chutou na caída da bola.

Cuca mudou o jogo aos 15 minutos. Colocou Keno em lugar de Bruno Henrique. Todos os 33 mil no campo e todos os outros, em frente da televisão, sabiam o motivo. Iria apostar ainda mais no lado esquerdo do ataque. Keno x Buffarini. Pior que Mayweather x McGregor.

E saíram mais gols. Deyverson, na esquerda, tocou para Keno. Belo gol. E Tchê Tchê abriu linda bola na esquerda, para Willian, que serviu Hyoran.

Quatro gols pela esquerda. Mérito de Cuca que viu a avenida que todo mundo viu, menos Dorival.

Detalhe: após o terceiro gol, o São Paulo tentou reagir com…Denílson.

Não daria certo.


Cuca e Dorival fazem trabalho decepcionante
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Cuca e Dorival Jr chegaram a Palmeiras e São Paulo, respectivamente, como salvadores. Com eles, os problemas estariam resolvidos. O Palmeiras seria campeão da Libertadores, sem dúvida. E, se os rivais bobeassem, ainda faturaria  Brasileiro e a Copa do Brasil. Dorival afastaria o São Paulo de suas angústias e misérias futebolísticas em pouquíssimo tempo. Corrigiriam tudo de ruim que Eduardo Baptista e Rogério Ceni haviam feito.

A bem da verdade, a confiança em Cuca era maior. Evidente. Ele havia sido campeão brasileiro há cinco meses. Voltou como Dom Sebastião voltaria se não tivesse realmente morrido a batalha de Alcacer Quibir. Voltaria para dar ao Palmeiras glórias recentes, como dom Sebastião resgataria glórias antigas de Portugal.

E nada foi como se sonhou. O trabalho de Cuca é sofrível. O time foi eliminado pelo Barcelona do Equador e pelo Cruzeiro. E continua léguas de distância do Corinthians o Brasileiro. Já era. A confiança dos palmeirenses em Cuca é inabalável. Ainda neste domingo, almocei em Santos com amigos da família Simão. Maria, futura arquiteta, me disse que teria coragem de ler um post meu após a vitória sobre a Chape com o seguinte título. “Pintou o campeão”.

Não deu, amiga. O Palmeiras jogou muito mal. O time parece travado em campo e há muitos jogadores superavaliados. Jean, Michel, Tche Tche, Thiago, William, Deyverson e Borja, quem mostra em campo a mesma desenvoltura e vontade de uma irmã de caridade em uma aula de pole dance.

Não pintou um Palmeiras campeão, mas pintou um São Paulo novamente no inferno futebolístico. Novamente entre os quatro piores. Novamente no vexame. Dorival analisou o empate contra o Avaí e disse que o São Paulo foi muito bem. E, para justificar a afirmativa, diz o seguinte:

Construímos alguns bons lances, em alguns momentos em uma defesa muito bem montada.”

Muito pouco, não é Dorival? A construção de alguns lances não significa uma grande partida.

Ele fala em evolução. Fala que o time está começando a criar confiança maior. Começando.

E termina com outra frase, que tem jeito de esperança, mas que, na verdade, é uma confissão de fracasso.

“Estamos aguardando por uma arrancada, mas está demorando a acontecer”

Dorival, Dorival… São nove jogos e a tal arrancada já deveria ter vindo. O Bahia teve uma arrancada. O Vitória está tendo uma arrancada. O Furacão subiu mais que a desconfiança do povo com o Michel. Temer, não o Bastos. E o São Paulo? Em nove jogos, foram três vitórias, três empates e três derrotas.

Muito pouco.

O discurso de Dorival parece não levar em conta o momento. Está melhorando, está solidificando, está ganhando confiança, estamos esperando uma arrancada. E o tempo passa. E nada. Na próxima rodada, pega o Palmeiras, fora de casa. E poderá ser ultrapassado por Vitória e Avaí, que visitam Coritiba e Chape, respectivamente.

Arrancada deveria tem começado com uma vitória contra o Atlético-GO, na estreia de Dorival. E foi empate, no Morumbi. Arrancada teria havido em caso de vitória contra o Coxa, no Morumbi. Derrota.

Com Dorival, o São Paulo tem aproveitamento de 44%. Se ele for mantido, o São Paulo terminará o campeonato com 45 pontos. Muito provavelmente, escapa. E quem não escapará será Dorival.

 


Barcelona impede Palmeiras de enfrentar o Real Madrid
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O Palmeiras tinha o Real Madrid na mira. Perdeu para o Barcelona, de Guayaquil. Toda a programação foi montada, com altos investimentos, para que o time vencesse o Mundial. A Libertadores era tratada como um trâmite, como algo burocrático. Não é exagero. Todo jogador contrata do fazia o discurso combinado. Vim para o Mundial. Não irão.

Não vi o jogo, pois estava trabalhando na partida do Galo. Mesmo assim, posso dizer que Moisés foi épico. Voltou de uma contusão grave e fez seu segundo jogo. Marcou um gol e ainda, mancando, acertou o pênalti.

Como não vi o jogo, posso falar apenas do ano. E foram muitos erros. Erros que eu não critico porque pareciam acertos.

Quem diria que Borja, artilheiro da Libertadores passada, fosse jogar tão mal no Palmeiras? Peso da camisa? Estilo de jogo? Mas jogador que só rende em um esquema é pouco, não é?

Quem diria que Felipe Melo se perderia em bazófias e pouco futebol. Falou muito, gritou, bateu e, quando colocado na reserva, revelou-se um comandante de si mesmo.

Cuca, o Salvador. Veio para resolver, após uma passagem ruim de Eduardo Baptista. E nada melhorou, não é? Foi eliminado na Copa do Brasil e tem mínimas, para não falar nenhuma, chance no Brasileiro.

Michel Bastos não se firmou.

E, entre tantas contratações, não sobrou dinheiro para um bom lateral esquerdo.

O Palmeiras agora precisa colocar a cabeça no lugar e lutar para estar na próxima Libertadores. O sonho de disputar o Mundial continua.


Palmeiras corre atrás do tempo perdido. Esperança é verde
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A vitória sobre o Botafogo foi a terceira seguida do Palmeiras. O time conquistou 13 pontos nos últimos cinco jogos, o que dá um aproveitamento de 86.7%. No mesmo período, o Corinthians venceu duas partidas e empatou três, o que dá um aproveitamento de 60%.

Até aonde o Palmeiras pode chegar? Difícil dizer, mas está na briga, ao contrário do que se poderia supor na partida imediatamente anterior à atual série de cinco. Foi a derrota em casa para o Corinthians, o que deixou a diferença entre ambos em 16 pontos. Agora, é de “apenas” 12.

O Palmeiras tem time, tem elenco e tem técnico. Sua ascensão pode levar a um segundo turno muito mais produtivo que o primeiro. Mas, para o sonho se concretizar é necessário que o Corinthians fraqueje, o que não tem acontecido, principalmente em grandes partidas fora de casa.

A vitória do Palmeiras foi concretizada com um passe perfeito de Zé Roberto para uma conclusão “centroavantística” de Deiverson, quase um coice na bola. O jogo, então, era muito rápido, praticamente sem parar no meio de campo. O Botafogo tinha apenas Bruno Silva como volante, atrás de João Paulo e Leo Valencia, com Brenner, Guilherme e Pimpão no ataque. O Palmeiras tinha Thiago Santos como volante, Zé Roberto e Rafael Veiga armando, Dudu aberto, com Deyverson e Borja no ataque.

Um final de jogo eletrizante, que premiou o Palmeiras. O Palmeiras, que marcou primeiro, no finalzinho do primeir tempo, com gol contra do bom Igor Rabello. Um gol que fez o Botafogo mudar suas características já no início do segundo tempo, com a estreia do bom meia Leo Valencia em lugar do volante Lindoso. Valencia mostrou bom futebol, inclusive no início da jogada do empate, que contou com erro de Jaílson.

Palmeiras em ascensão. Sai Jaílson e volta Prass. Força de elenco.

O sonho é difícil. Mas a esperança é verde.


O Palmeiras é de Cuca. E está na briga
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Qual o maior ídolo do Palmeiras?

Fernando Prass.

Qual a contratação mais impactante do Palmeiras?

Felipe Melo.

Qual a contratação mais cara do Palmeiras?

Borja.

E o que aconteceu com eles?

Fernando Prass foi “preservado” e Jaílson é titular.

Felipe Melo, por incompatibilidade técnica e de relacionamento com Cuca, está afastado.

Borja é a opção da opção, está atrás de Deyverson e de Willian.

Cuca fez aquilo para que é pago fazer. Tomou decisões e, em nenhuma delas, vejo falta de caráter ou perseguição. Ele foi campeão com Jaílson, lembremos. Prass voltou com Eduardo Baptista e não estava bem. Voltou o Jaílson.

Cuca foi campeão com Moisés e Tchê Tchê e Felipe Melo não tem nada a ver com os dois. Felipe Melo é o volante da espera e Cuca gosta de volante que cace o adversário. É uma diferença muito grande e que mexe com todo o time.

Cuca foi campeão com Gabriel Jesus e Borja não tem nada a ver com Gabriel Jesus. Como Barrios não tinha.

O que eu discuto é se Cuca não deveria abria a cabeça, pensar fora da caixinha e se adaptar ao que tem? Cuca deveria mudar suas ideias para dar mais chances a Melo e Borja?

Bem, ele não mudou. Manteve-se fiel ao seu pensamento futebolístico e foi respaldado pela diretoria. Aumenta a pressão sobre ele. É o Palmeiras de Cuca que entra em campo. A responsabilidade é dele.

E a resposta tem sido boa. O Palmeiras é o líder das dez últimas rodadas do Brasileiro. Está subindo na tabela e há a possibilidade de uma bela reação. Bela não que dizer, necessariamente, suficiente.

Mas, há a Libertadores. No meu modo de ver, a prioridade virou a única opção. E há boas possibilidades. O Palmeiras de Cuca, só de Cuca, está na luta.


Felipe Melo sai e não deixa saudades. A História não o absolverá
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O amigo Arnaldo Ribeiro anunciou no Linha de Passe que Felipe Melo não joga mais no Palmeiras. Acredito nele.

Ele, que chegou com fama de grande contratação do ano, não só no Palmeiras, sai sem deixar marca no clube. A História não o absolverá. Tecnicamente, ficará a lembrança de um volante de boa marcação, bom passe e que comprovou não ser violento. Duro sim, violento não.

Não é pouca coisa. Mas não conseguiu ser um líder em nenhum momento. Midiático, falou em bater em uruguaios – e cumpriu – em ousadura, xingou juiz, brigou com Roger Guedes….

Melo foi só ele, o tempo todo. Bato, prendo, arrebento. O Palmeiras precisava mais

O Palmeiras precisava de um comandante que unisse o time nos momentos de maior tensão, que levasse aos companheiros um pouco de sua postura aguerrida, alguém que levasse paz à torcida.

Ao contrário, sai com fama de haver conturbado o ambiente.

Sai com a pecha de não se adaptar ao esquema de Cuca, que gosta de volante que sai à caça e não que fique atrás, protegendo a defesa, como é o estilo de Melo.

E fica explícito a bagunça do futebol brasileiro. Cuca saiu, veio Eduardo Baptista. Eduardo caiu e voltou Cuca, com fama de salvador. E Cuca defenestra a contratação mais cara do elenco, antes da chegada de Borja.

Dinheiro jogado fora.

 


Torcida do Flamengo e Bandeira precisam cair na real
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Torcida tem um papel importante na vida de um clube. Os dirigentes usam os números na casa de dezenas de milhões para pressionar por mais verba da televisão. E há demonstrações de carinho impressionantes. A torcida do São Paulo está abraçando seu time na luta contra o rebaixamento. A torcida da Portuguesa está acompanhado seu time na Copa Paulista. Corintianos e palmeirenses mantém taxa de ocupação em suas arenas comparáveis às dos hotéis cariocas no tríduo momesco.

A torcida do Flamengo deu uma prova maravilhosa de paixão no ano passado, quando criou o “cheirinho”, dizendo que o clube estava se aproximando do hepta. Não deu, mas tenho certeza que a movimentação – só se falava nisso – deu muita força ao time. Não deu e os rivais espezinharam, tiraram sarrro, mas foi com alívio. Todos sentiram medo do tal cheirinho.

O problema é quando a torcida começa a se achar a solução de tudo. E comece a raciocinar em um outro nível, em um universo paralelo em que o seu Mengão é melhor e maior que todos, dentro e fora de campo. Ela é tão forte que o time também é. Se ela se acha invencível, o Flamengo também tem de ser invencível. E não é. Ninguém é. Por mais que a Urubuzada se ache a maior e mais forte torcida do mundo, isso não significa que o Flamengo, mesmo com 400 milhões de torcedores na Ilha do Urubu, tenha obrigação de vencer o Palmeiras. Empatar com o Palmeiras por 2 a 2 é normal, é necessário repetir, como um mantra.

Não dá para entender que um empate contra o Palmeiras, resultado perfeitamente normal em qualquer campo do planeta Terra, seja o rastilho de pólvora contra um descontentamento latente. O time foi eliminado na Libertadores? Foi? O time joga menos do que deveria jogar? Sim. Mas o presidente Bandeira de Melo tem culpa de Diego errar um pênalti? Ou melhor, tem culpa de Jaílson, a Pantera Negra, ter voltado ao gol do Palmeiras e ter vivido um momento épico em sua carreira irregular?

E o presidente vai discutir com torcedor? Que besteira, que coisa imbecil. Mesmo que ele também seja torcedor –  e eu acho saudável que seja – é hora de ter um pouco de calma e não se envolver. Basta lembrar que contratou recentemente Geuvânio, Everton Ribeiro, Berrio, Rhodolfo e Diego Alves, que nem estreou. Em vez de argumentar, foi aos palavrões, como já havia feito antes.

E, pior, foi contestar o Palmeiras. Foi discutir com Cuca.

Por mais fanático que seja, Bandeira de Melo precisa se convencer que pode ajudar mais o Flamengo, se for menos urubu e mais dirigente.


O Monge Carille e o Mestre Cuca atrapalhado
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Menon

Cozinheiro atrapalhado

No dia 8 de maio, AQUI, eu escrevi que Palmeiras e Corinthians eram favoritos ao título, juntamente com Galo e Flamengo. Acertei dois e errei dois. Ou melhor, acertei os quatro. O desenrolar do campeonato é que mudou tudo. E não adianta os corintianos fazerem mimimi com a história de quarta força. Quantos deles acreditavam no título? Quantos acreditavam em Carille? Roberto de Andrade, certamente não, pois o trocou por Cristóvão e depois por Osvaldo. E ele só ficou porque não encontraram outro. Ainda bem. Para o Corinthians.

E por que o Palmeiras não confirmou a pecha de favorito e o Corinthians foi muito mais longe do que se esperava? Passa muito pelo trabalho dos dois treinadores. E das expectativas que eles traziam consigo. Carille, com sua voz de monge, muito humilde e assumindo que o desempenho fantástico e inigualável é uma surpresa até para ele, chegou sem muitas expectativas, em dezembro.

Assumiu e disse que montaria um bom time, a partir da defesa. Foi o que fez, bebendo na límpida água de Tite. E, no ataque, quem resolveria? Kazim e Jô eram incógnitas. O turco inglês, pelo seu currículo pobre. E Jô, pela pouca seriedade com que estava administrando a carreira. Kazim é mesmo um grosso e Jô ressurgiu, com requintes de crueldade. Um matador implacável.

O importante é notar que o time de Carille evoluiu coletivamente, tornou-se forte também no ataque e a evolução fez com que crescesse o nível de muitos jogadores. Cássio, Arana e Fagner, por exemplo. Hoje, é indiscutível que o time do Corinthians, individualmente falando, é melhor que o do Palmeiras.

E qual é mesmo o time do Palmeiras? Ninguém sabe. Nem Cuca, que chegou em maio, como Salvador. O homem que corrigiria todos os erros cometidos por Eduardo Baptista. Importante notar que o rendimento do técnico anterior é melhor que o de Cuca.

Cuca está preso a um esquema, o 4-2-3-1 e tenta encaixar os jogadores a ele. Como tem um elenco grande, perde-se nas opções. E, outra característica, busca desesperadamente repetir o Palmeiras de 2016. Mas, cadê o Gabriel Jesus que estava aqui? Não tem. Busca o Richarlison? Não vem. Busca o Diego Souza. Não vem? Busca o Deyverson. Veio. Vamos ver se o passado recente vem também.

E o que fazer com Borja? A contratação mais cara do ano, caiu em desgraça. Ele não se adapta ao tridente de Cuca, sempre com dois homens abertos no ataque. Eu acho que ele renderia mais se Guerra tivesse Veiga ao seu lado, na armação. Com mais passes, com mais troca de bola, talvez Borja não precisasse sair da área e tivesse, então, muito mais oportunidades.

E, se Cuca não acha o novo Gabriel Jesus (Vitinho merecia um chance?), onde está o novo Moisés. Tchê Tchê sente falta dele. Seu futebol caiu muito. Será Thiago Santos, pois Felipe Melo não consegue ter mobilidade vertical?

E os laterais? Fabiano, Jean, Egídio e Zé Roberto? Ou a improvisação de Michel Bastos? Ou linha de três, com Juninho? E Guedes na direita?

Mestre Cuca precisa mudar a receita. Ou, se a mantiver, precisa definir logo quais serão os ingredientes. O Palmeiras precisa vencer o Cruzeiro no Mineirão para seguir na Copa do Brasil. E precisa vencer o Barcelona fake, em casa, para enfrentar o Real Madrid verdadeiro no final do ano.