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Diego perdeu magia e irreverência
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Menon

Cada entrevista de Diego, ao final de uma partida ou na zona mista, é como se o presidente do Clube Britânico de Chá estivesse comunicando que a partir do próximo mês nas reuniões das 17 horas será utilizado o chá proveniente da região Sul e não mais da região Nordeste.

Diego atende o repórter com educação. Cabelo extremamente bem penteado, com uma boa dose de brilhantina, barba aparada e…dispara platitudes. O time está bem, está no bom caminho, vai melhorar, a torcida tem o direito de vaiar e de aplaudir. Fala as mesmas coisas quando o time ganhou de quatro ou perdeu de três. Tudo no mesmo tom de voz. Pausado e monocórdico. Midia training funcionando a todo vapor.

E essa atitude blasé, como se fosse um europeu trazendo boa educação a terras tropicais, se repete em campo. Não há mais o Diego que subiu no escudo do São Paulo para comemorar um gol do Santos. Desnecessário? Pode ser. Mas também não há mais o Diego encarador, driblador, com chute de fora da área e aproximação com os zagueiros.

Ele domesticou o seu estilo irônico de falar, um parceiro de Robinho, mas domesticou também o seu futebol. Está tão burocrático que Everton, com muito menos talento, se transformou em um jogador mais importante para o time.

Com Diego como comandante – essa versão nova de Diego – aquela expressão “deixaram chegar” e aquela outra “o cheirinho”, que são maravilhosas por trazerem esperança e alento dos torcedores, tornaram-se motivo de gozação.

Cheirinho, se depender de Diego, apenas o de seu perfume, que parece atravessar a tela da televisão e entrar na casa dos incautos. Cheiroso, perfumado, cabelo bem penteado, barba aparada…Diego se parece cada vez mais com um ator de cinema do que com…Diego, aquele do Santos.


Felipe Melo fecha a boca e come a bola
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Se houver um ranking das resoluções de Natal, certamente a promessa de perder peso estará no topo. Fechar a boca. Perder peso. Felipe Melo não precisa perder peso. Mas precisava fechar a boca. Não sei se ele fez tal promessa, mas a verdade é que em 2018, tem falado apenas com os pés. Nada de prometer porrada, nada de pedir respeito em treinamento porque o companheiro não gostou de um trote, nada de tirar satisfação com quem comemorou muito e nada de querer se impor no grito.

Felipe Melo está jogando apenas bola. E muito bem. Ele abandonou o que parecia uma louca obsessão por ser ídolo da torcida. Ele, como disse muito bem o amigo Leandro Iamin, apostava no atalho para ter sucesso. Em vez do trabalho cotidiano, jogo a jogo, era um boquirroto, fazendo as bobagens que toda torcida gostar de ver, falando as tonterias que toda torcida gosta de ouvir.

Deu no que deu.

Agora, postado à frente da zaga, tem sido, segundo o site footstats, o primeiro colocado em três itens: desarme, passe e lançamento. Por ele, ninguém passa. E, com a bola dominada, um companheiro a recebe redondinha, redondinha. E ainda há a possibilidade do passe longo, como o que terminou com o gol de Dudu, contra o Bragantino.

Não é surpresa, pelo que ele mostrou em momentos de sua carreira. É surpresa, sim, pelo que mostrou em outros. Há o Felipe Melo da copa de 2010, com um lançamento de Gérson para o gol de Robinho contra a Holanda. E há o cobrador da Máfia em dia de cão, com a mulher reclamando que esqueceu de comprar o gás e o chefe dizendo que está na corda bamba. Aí, o cara, desconta com violência contra quem deve à Organização. Seria menos feio do que Felipe Melo fez, no mesmo jogo contra a Holanda, contra Robben.

O Médico e o Monstro.

O Bom de Bola e o Personagem.

Em 2018, até agora pelo menos, Felipe Melo tem feito boas escolhas. É um monstro só na bola.

E ninguém reclamou.


Nenhum time sério deve contratar Robinho
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Robinho foi condenado a nove anos de prisão na Itália, sob acusação de estupro. Como há recursos possíveis, dou a ele o benefício da dúvida, como expliquei NESSE POST DE DEZEMBRO. É preciso ter muito cuidado com a acusação.

Mesmo assim, sem que os recursos se esgotem, é um absurdo um clube de futebol forte, moderno, incluído no mundo de hoje, contrate Robinho. Eu não condeno até que as decisões sejam definitivas, mas o clube não deve contratar até que a inocência seja comprovada. Um clube de futebol não pode contratar um jogador SUSPEITO de estupro. Imagine, então, um condenado. Mesmo que depois seja inocentado. Melhor errar por precaução.

No futebol, já dizemos que “o que acontece no campo, fica no campo”, como se ali fosse um local distante da sociedade. Pode dar tiro, então? Pode ofender racialmente. O caso de Robinho foi fora de campo. O que vamos dizer? “O que se fez na boate, fica na boate?” Ou, o que se faz na Itália, fica na Itália.

É muito mais aceitável um clube se arrepender por não haver contratado um inocente do que se arrepender por haver contratado um estuprador.

E, além do mais, Robinho não se compromete com nada. Só joga em final de contrato.

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Robinho merece o benefício da dúvida
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Robinho foi condenado a nove anos de prisão na Itália por um crime abjeto: violência sexual contra mulher. Estupro. Mais abjeto ainda por haver sido cometido em grupo, com mais quatro pessoas. E, a meu ver, ainda pior pelo fato de a vítima ser uma mulher albanesa, imigrante como Robinho. Se é que houve o crime, se é que houve uma conversa preliminar, nunca passou pela cabeça do jogador o seguinte raciocínio: “como a vida foi boa para mim. Nasci pobre e aem qui estou ganhando muito dinheiro, enquanto essa mulher está aqui, vinda de um país muito mais pobre do que o meu, tentando ganhar algum dinheiro”. Nenhuma solidariedade.

Eu digo “se é que houve o crime” não para desqualificar a vítima, mas por um fato muito simples: a justiça italiana permite vários tipos de recurso.

E, ao contrário do que se tenta implantar no Brasil, o que se tem quando há uma condenação com recursos a serem ainda analisados, é justiçamento e não Justiça. O fato de uma pessoa só cumprir pena após todos os recursos serem julgados e exauridos é uma conquista humana, presente em todos os países democráticos e que ainda não estão subjugados pela sanha persecutória da chamada República de Curitiba.

Há um exemplo muito claro de como Robinho merece o benefício da dúvida. Ele foi acusado de estupro também em 2009, por uma jovem na Inglaterra, quando jogava pelo Manchester City. Houve o julgamento e constatou-se que a acusação era mentirosa. A jovem foi condenada.

Mais um? Em 2015, oito jogadores cubanos foram acusados de estupro por uma jovem finlandesa. Ele pertenciam à seleção cubana de vôlei, que disputava a Liga Mundial, na cidade de Tempere. A polícia da Finlândia prendeu todos. Dois foram colocados imediatamente em liberdade. Os outros seis foram julgados e um deles, Dario Alba Miranda, absolvido. Os outros foram condenados e presos. Houve recurso e as penas diminuídas para quatro deles. O quinto, Luis Tomas Sosa Sierra foi absolvido.

Absolvido, após perder seu contrato na Argentina e não poder disputar a Olimpíada do Brasil. Ele processou o governo da Finlândia e ganhou 200 mil euros.

Deve haver, com certeza há, casos de condenação injusta que nunca foram reparadas.

Por tudo isso, porque Justiça não é Justiçamento, Robinho merece a dúvida.

Se eu fosse presidente de um time de futebol, não contrataria Robinho. Ele custa muito caro e não joga para tanto.

E, caso seja culpado de verdade, após todas as instâncias de julgamento serem esgotadas, eu não o contrataria nem se jogasse como o Messi e recebesse como o Rubenílton Goiano, lá de Aguaí.

E, se estivesse no meu clube, eu o mandaria embora.

Antes disso, não.

É melhor ter um criminoso (mesmo em um crime abjeto como esse) livre, do que ter uma justiça com letra minúscula, comandada por fanáticos religiosos de camisa preta, prontos a invadir universidades, a pedir ao presidente que interfira junto ao STF (a independência dos poderes é um dos pilares da Democracia) e a condenar sem provas, apenas por sua convicção divina.

Robinho e o Brasil não merecem.

 


Covardia contra Egídio
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Decapitação de João Batista, de Caravaggio

 

Agora, sim, está tudo resolvido no Palmeiras. O planejamento foi muito bem feito, Alexandre Mattos gastou muito bem o dinheiro do clube, a dona da Crefisa não adora um holofote, tudo, tudo está certo. A perda do Paulista, do Brasileiro, da Copa do Brasil, tudo está certo. O único culpado é o Egídio.

Esse é o recado da diretoria do Palmeiras ao repreender publicamente o jogador. E, não satisfeita, em puni-lo financeiramente. E por que Egídio foi

Decapitação de João Batista, por Benedito Calixto

punido? Por beber antes do jogo? Por frequentar baladas? Por chegar atrasado em treino? Por tramar a queda de treinador? Por agredir algum dirigente?

Não, Egídio foi repreendido e punido por mandar um torcedor tomar no…. Na verdade, ele respondeu a ofensas do torcedor no aeroporto? Ao fazer isso, Egídio se tornou o bode expiatório perfeito. Sua cabeça foi entregue à torcida, como a cabeça de João Batista foi entregue, por Herodes, em uma bandeja, à bailarina Salomé.

Uma covardia imensa e reveladora da maneira tíbia como os dirigentes dos grandes clubes se comporta diante da torcida. A torcida é uma entidade mítica que não pode ser confrontada nunca. O jogador pode fazer tudo de errado possível, pode afrontar as regras mínimas do profissionalismo, mas se ousar se defender de um desocupado qualquer, é repreendido e punido.

E o que falar de Egídio?

Até o mais desligado periquito da Austrália, sabe que ele é um jogador de bom chute e de pouco poder defensivo.

Mesmo assim, ele veio para o Palmeiras.

Até o mais tenro porquinho sabe que um jogador de pouco poder defensivo, precisa ser bem protegido.

Mesmo assim, Alberto Valentim escalou o Palmeiras com marcação alta, deixando-o no mano a mano,

Egídio, como qualquer vidente inexperiente da Praça da República poderia prever, falhou.

E ele, sob pressão, rebateu um desocupado.

E, pronto está resolvido.

Foi repreendido, foi punido, será afastado do time e do elenco.

E Alexandre Mattos continuará gastando os tubos, sem conseguir dois laterais de alguma qualidade defensiva para o time. Liberou Robinho para ter Fabiano e Fabrício. Não deu certo. Trouxe Myke, Michel Bastos, Zé Roberto e nenhum deles garantiu que Egídio, sempre contestado, fosse para a reserva.

E segue o baile. Borja custou milhões. Cuca não gostou. Veio Deyverson, que custou milhões.

Dinheiro na mão é vendaval, é vendaval.

Esquece. A culpa não é de Galiotte, não é de Leila, não é de Cuca, não é de Valentim, não é de Mattos.

É de Egídio, que ousou enfrentar um imbecil.

Um imbecil que é encarado como a Torcida, a entidade mística que não pode ser contestada.

O Palmeiras não merece Egídio. Mas também não merece a covardia de quem o dirige.

 

 


Robinho e a bailarina do Lago dos Cisnes
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Menon

As câmeras de televisão mostraram um Robinho raivoso questionando o anônimo jogador da Chapecoense. “Jogou onde, jogou onde”? Arrogante Robinho, tentando dar uma carteirada, lembrando de seu passado que não foi tão glorioso como previsto. Não entregou o que se esperava, como diz o novo clichê do jornalismo esportivo, tratando jogador como se fosse carteiro.

Eu me lembrei de uma história contada pelo amigo Alexandre Simões e que foi contada a ele por Nelinho. Bem, quem conta um conto aumenta um ponto, mas aí vai…

Nelinho, em fim de carreira, pelo Galo, foi fazer um jogo no interior de Minas. No primeiro lance, foi marcar um ponta arisco (clichê antigo, de quando existiam pontas), que lhe deu um drible e saiu fácil. Nelinho correu atrás, fez a falta e deu a carteirada:

“Tá pensando o que, rapaz. Eu sou o Nelinho, joguei duas Copas do Mundo”.

“E perdeu as duas, velhinho e agora corre atrás de mim”.

Foi o prenúncio da aposentadoria de Nelinho.

Robinho poderia receber uma resposta assim. “Não jogou nada no Real e está enganando no Galo”.

Ou, então, a clássica resposta que mostra a cordialidade brasileira.

“Joguei onde? Pergunta para sua mãe que ela sabe”.

A arrogância seria combatida pela ironia ou pela grossura. Depende do momento.

E tudo ficaria aí. O futebol é uma ópera violenta, tem seus códigos próprios. O que se fala ali não se fala longe dali. Logicamente, não defendo o vale tudo. Ofensas racistas devem ser punidas sejam feitas no gramado ou no papado. Homofobia idem. Caso contrário, se um jogador desse um tiro no rival, diríamos que é futebol e que o que se faz no campo, fica no campo…

A questão é que o jogador de futebol fica exposto a muitas câmeras de televisão. E é transformado em um show, rompendo seus códigos. Imaginem se um jogador diz algo agradável a outro, do tipo eu já comi a sua mãe e as câmeras pegam o áudio. Poderia ser vítima das patrulhas morais brasileiras que estão obrigando museus a colocarem tarjas em obras de gênios como Toulouse Latrec? Algo do tipo: fala um palavrão assim, sabendo que tem criança em casa, na frente da televisão.

Outros profissionais não sofrem com a televisão. Imaginem uma cena do Lago dos Cisnes… A bailarina principal faz tudo o que tem de fazer, com seu acompanhante, no mais alto nível. Será que se a câmera de televisão der um close em alguma outra bailarina, no palco ou fora dele, não ouviria algo do tipo? “Essa piranha pegou meu lugar, mas quem sai com o marido dela sou eu”.

De perto, ninguém é normal. Ainda mais com uma câmera de televisão a desvendar os segredos de nosso caráter ou da falta dele.

E a maior resposta a Robinho seria mesmo três dedos levantados, mostrando o placar de 3 a 2. Ou, um dedo só.


Santos pensa torrar fortuna com Diego e Robinho. Gestão nota zero
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Robinho e Diego

Leio na MATÉRIA dos trepidantes  Samir Carvalho e Vinícius Castro que o Santos pensa em gastar parte dos R$ 50 milhões que poderá receber, pelo mecanismo de solidariedade devido à venda de Neymar do Barcelona para o PSG, na contratação de Diego. E de Robinho também, embora haja relutância pelo fato de a saída do jogador em 2015 tenha criado arestas.

Nem recebeu e já pensa onde gastar. Típico da gestão dos clubes brasileiros. Típico também de Modesto Roma Jr., que mandou uma carta à CBF acusando o repórter Eric Faria de haver prejudicado o clube no jogo contra o Flamengo. Disse que tinha imagens. Tinha nada. Pagou um mico e pode ser suspenso. É a chamada mão nervosa, boca nervosa, escrever ou falar antes de ver se há verdade no caso. Ejaculação precoce.

Um clube com dificuldades financeiras, com um estádio que nunca enche, apesar de ser minúsculo, deveria ter muitas outras prioridades antes de gastar a herança inesperada. Reformar a Vila? Criar um novo Centro de Treinamentos? Guardar o dinheiro por um ano até que o mercado se estabilize novamente e que qualquer tentativa de contratação do Peixe seja inflacionada de maneira irreal?

Esse déja vu dos clubes brasileiros é terrível. O Profeta de hoje é o mesmo Hernanes da década passada? O Diego que o Santos quer é aquele de 2002 ou esse que recebe as primeiras vaias da torcida do Flamengo? E Robinho? É o das pedaladas ou é o meia atual, que se mantém no Atlético mais pelo nome do que pelo rendimento atual? Podem ajudar, é lógico, mas nada será como antes.

Por que contratar Robinho? O Santos ainda deve a ele e tem reuniões constantes com a sua advogada para resolver o assunto. Não existe um novo Cazares por aí, alguém ainda desconhecido? Na base, não há um novo Robinho de 2002? Um novo Diego de 2002? O garoto Rodrygo, por exemplo?O que me assustou também foi saber que Lucas Lima recebe R$ 650 mil por mês.

A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa, disse Karl Marx. Os clubes brasileiros deveriam pensar nisso e não repetir o comportamento dos solitários onanísticos que, ao receberem uma herança inesperada, correm até a agenda e discam velhos números de velhas amantes. Algumas atendem, outras mudaram o número, outras morreram.


Já vai, Vinícius Jr? Fica mais, garoto
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A foto, eu tirei do tweet de Vincíus Jr e não consegui o crédito. É um retrato cruel do futebol brasileiro. O que Robinho está dizendo ao adolescente, seu fã? Vai firme, garoto, Madrid é logo ali. O veterano retornado mostra a vida para o garoto que se vai em breve. Pode-se dizer que é o caminho natural. Que somos mesmo fornecedores de matéria prima, mas tudo está se acelerando muito. Robinho foi para o Real em 2005, quando tinha 21 anos e havia sido fundamental para o Santos conquistar dois Brasileiros. Vinícius Jr, já contratado pelos merengues, vai quando completar a maioridade, dia 12 de julho de 2018.

E como não ir, se o preço é de 45 milhões de euros. Mais do que o Peñarol gastou para construir seu estádio. Vinícius é o garoto-estádio. E, se custa tanto, deve valer muito mais. Por ele, os europeus estão pagando um “preço europeu” e não a merreca que pagam por outros jovens brasileiros.

Mandamos os jovens e repatriamos os veteranos que já não rendem lá. Mas que jogam muito por aqui, como é o caso de Robinho. Ficamos sempre com o gosto de quero mais, com a sensação de que a relação ainda tinha muito a render.

A torcida sabe disso e quer vivenciar seu ídolo. Por isso, o Maracanã o pedia bem antes dos 80 minutos de jogo, quando Zé Ricardo patrocinou sua estreia. Pouco fez. Um cruzamento errado, um drible abortado. Tem muito mais a fazer, muito mais a mostrar ao Mundo. Dizem que pode ser o primeiro grande craque nascido no terceiro milênio. Pena que o melhor da festa, pena que toda a arte ficará para eles, os endinheirados.

A gente vê na tevê. Que também não fabricamos.

 


Timão teve Casão. E agora, se contenta com Kazim…. (Picadinho)
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Não me matem, eu sou apenas o mensageiro de más notícias. Não sou causa e nem efeito. Nem a frase do post é coisa minha. Ela e de casagrandeNelson Nunes, um dos grandes jornalistas com quem tive o prazer de trabalhar. Texto ótimo, visão acurada e com a capacidade de fazer uma pauta espetacular. Com ele, o repórter sempre era bem guiado. E o coração corintiano de Nelsinho Nunes sofre. Mas onde achar razão dentro de tanta emoção?

São épocas diferentes e é dura a comparação para todos os atacantes que foram ou forem contratados. Casagrande foi um dos grandes, com 103 gols marcados. Centroavante. Meia. Inteligente, questionador, muita raça em campo. Mas a questão é outra. Quem esperava tudo isso de Casagrande, após uma passagem por empréstimo à Caldense?

O Casagrande ídolo foi o Casagrande da base, um garoto como tantos outros que fizeram a história do Corinthians. Como Léo Jabá, por exemplo. Léo Jabá pode ser um novo Casagrande? Não sei. Kazim pode ser um novo Casagrande? Tenho certeza que não.

A situação política do Corinthians é terrível. O presidente Roberto Andrade, de mandato fraquíssimo pode sofrer um impeachment injusto. A situação econômica é péssima. Há problemas com o estádio e há problemas de caixa e uma coisa tem muito a ver com a outra. E, para complicar, o Palmeiras nada de braçada, com patrocínio forte e ainda aproveitando-se do empréstimo de pai para filho, de marido para amante, de Paulo Nobre, o Golden boy.

É hora de olhar para a base, como o São Paulo está fazendo. A solução pode vir daí. Ela não virá de Paulo Roberto, o volante reserva do Sport, já com 29 anos. Não virá com Jadson, dono de altos salários. Gabriel pode ajudar, mas há uma névoa de incertezas sobre suas condições físicas. Pablo? Pottker?

Está complicado. É hora de ter calma, de levar o barco devagar, pois o nevoeiro é perigoso. É hora de olhar para a história. Não a recente, que resultou na troca de Marciel por Willians, o do short verde (que bobagem a cor de roupa usada por um trabalhador), mas a de Rivellino, Edu Gaspar, Casagrande e que cada um complete sua lista de dez grandes revelações da base, ex-terrão.

picadinhomenon

O PRÍNCIPE BARRADO – Houve um tempo em que o Brasil ansiava por um novo Pelé. Zagallo pensou que fosse Ticão, neguinho de Bauru (muita coincidência) e o convocou para a seleção. Houve outros. O principal foi Ivair Ferreira, chamado de O Príncipe. Também ivairnascido em Bauru e que fez sua carreira na Portuguesa, onde jogou dos 12 aos 24 anos, antes de se transferir para o Corinthians. Em 1964, estava na decisão do Paulistão, quando a Lusa foi derrotada pelo Santos por 3 a 2. A Lusa tinha Orlando; Jair Marinho, Ditão, Wilson Silva e Edilson; Pampolini e Nair; Almir, Henrique Frade, Dida e Ivair. O Santos tinha Gilmar; Ismael, Modesto, Haroldo e Lima; Zito e Mengálvio; Toninho Guerreiro, Coutinho, Pelé e Pepe. O Rei venceu o Príncipe.

Ivair esteve também na lista de 47 jogadores pré selecionados por Vicente Feola para a Copa de 1966. Foi cortado, juntamente com Rinaldo, do Palmeiras. Edu, do Santos, e Paraná, do São Paulo, ficaram com as vagas.

Esta semana, o Príncipe Ivair foi barrado na Portuguesa. Um segurança o impediu de entrar no clube. Há culpados na história? Todo ex-jogador pode entrar no clube? São muitos pontos a se considerar, mas a tristeza é grande. O segurança (provavelmente não conhece nada da história da Lusa) também não conhece Ivair.

E eu apenas consigo me lembrar de Aldir Blanc, o gênio. “É o tempo, Maria, te comendo feito traça em um vestido de noivado”.

Felipe Mello – Achei uma ótima contratação do Palmeiras. O ano tem calendário diferente dos outros, as competições correrão simultaneamente e não há mais aquela possibilidade de vencer a Libertadores e fazer gazeta no Brasileiro. É preciso rodar. É preciso elenco. Felipe entra em um setor que foi muito bem, com Tche Tche e Moisés. Tem estilo diferente, é mais marcador, apesar de ter um bom passe. Mesmo quem não pensa nele como titular, há de reconhecer que é opção mais forte do que Thiago Santos. Quanto às expulsões, elas virão. Aqui, se expulsa até quem pensa em palavrão. Mas não esqueçamos que Gabriel Jesus foi expulso – e merecidamente – em um jogo importante.

Modesto Roma Jr – O presidente do Santos fala em Robinho e traz Kayke. A promessa tão megalomaníaca como vazia serve apenas para criar uma aura de desilusão sobra o novo contratado. Começa no clube como aquele que veio porque Robinho não pôde vir.

Calleri – Se o argentino voltar, o São Paulo terá dado um enorme salto de qualidade na montagem de um bom time. Mas é bom a torcida se acostumar com Colmán, o paraguaio.

Cabe mais um? A Fifa definiu que a Copa do Mundo terá 48 países. Nem o esfacelamento de muitas Iugoslávias e outros tantos de Uniões Soviéticas justifica. Eu só entendo o inchaço em uma situação específica: as Eliminatórias classificam 16 seleções para a segunda fase. A primeira fase reúne 32 times em um mata-mata, já no país sede. Os 16 classificados se unem aos 16 primeiros e segue o baile, como é agora. Apenas um jogo para definir as chaves. Pensando em termos de América do Sul, nas última copas, a quinta vaga foi jogada pelo Uruguai contra a Jordânia (Copa-14), Costa Rica (Copa-10), Austrália (Copa-06) e Austrália (Copa-02). Estes jogos seriam realizados já na sede, como um grande aperitivo. Ganhou, fica na Copa. Perdeu, foi eliminado e volta para casa.

 

 

 


Robinho e Diego comandam a seleção do blog. Direto do túnel do tempo
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robinho_diego_tvi_20100901Diretamente do túnel do tempo, apresentamos Diego e Robinho. Os garotos mágicos do Santos de 2002 estão mais sérios, mais responsáveis e, 14 anos depois, são os destaques do Brasileiro. Ótimo para eles, que não conseguiram mostrar na Europa tudo o que se esperava deles, mas que tiveram carreira digna e agora são destaques no Brasileiro.

O melhor jogador, para mim, foi Robinho. Jogou como há anos não jogava. Não é mais o rei das pedaladas, mas soube se reinventar. É um armador de fino trato e ainda de boa chegada na área. Diego, seu companheiro no mágico Santos de 2002, foi o condutor do Flamengo. Chegou tarde e mostrou ser imprescindível. Diego e Robinho, como um presente vindo do passado, estão aí comandando a massa.

É isso: vivemos de reciclagem.

O Brasileiro está acabando e fiz uma seleção. Na verdade, duas: a titular e a reserva. O resultado não é agradável, mostra um perfil do futebol que temos no Brasil: veteranos que já brilharam muito, uma grande revelação, outras revelações com menos brilho e jogadores que ficarão por aqui mesmo, sem futuro internacional.

 

Seleção 1  Vanderlei, Victor Ferraz, Mina, Geromel e Jorge, Moisés, Tche Tche, Diego, Diego Souza e Robinho, Gabriel Jesus

Gabriel Jesus é o grande nome, apesar de um final de campeonato decepcionante. É a maior revelação dos últimos anos. Jorge, lateral de alta técnica, segue uma linhagem do futebol brasileiro. Tem bola para chegar à seleção. Moisés é uma surpresa. Depois de anos sem grande sucesso, mostrou-se um jogador moderno, forte e de bom passe. Ótimo na transição. Diego Souza é o jogador mais imprescindível que um time mostrou no Brasileiro. Ele é mais importante para o Sport do que o Messi para o Barcelona. Seu futebol é a diferença entre cair para a segunda e permanecer na primeira. Mina é um zagueiro de altíssimo nível. Joga como Rincón, seu compatriota. Usa o corpo como ninguém. Tche Tche é  jogador moderno, um meio campista verdadeiro, presente em todo o campo. Vanderlei, goleiro seguro e discreto, Geromel, zagueiro duro e Victor Ferraz, lateral que apoia bem, são os coadjuvantes.

Seleção 2  Muralha, Jean, Vitor Hugo, Rodrigo Caio e Zeca, Thiago Maia e Arão, Scarpa, Camilo e Lucas Lima, Fred

O veterano Fred continua sendo um matador de respeito. Faz gols. E isso é fundamental, ao contrário do que disse Parreira. Ao lado do “velho”, muitos jovens de presente e futuro, como Rodrigo Caio, Zeca, Thiago Maia e Scarpa. Revelações tardias como Muralha e Camilo, além de Lucas Lima, novamente muito bem. E Jean, como Renato, é daqueles jogadores que pouco falham. Estão sempre acrescentando algo ao time que os contrata. Renato não está aqui, mas seria uma ótima contratação para todos os times do Brasil.

Bem, são as minhas escolhas. As suas serão diferentes, com certeza. Mas duvido que haja uma grande diferença de nível. A minha como a sua refletem nosso Brasileiro: a gente torce, sofre, vibra, mas sabe que falta muito.