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Na hora mais terrível, o gigante Vasco chama Zé Ricardo
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O jornalista Mauro Cezar Pereira anunciou, minutos após o anúncio da demissão de Milton Mendes, que Zé Ricardo, recém demitido do Flamengo, é a primeira opção do Vasco da Gama para o Campeonato Brasileiro. Ele chegaria em um momento muito ruim da tabela para o time da Cruz de Malta.

A sequência começou com derrota para o Bahia, em Salvador. Em seguida, virão Fluminense (f), Grêmio (c), Corinthians (f) e Sport (f). No primeiro turno, a série de jogos aqui descrita rendeu nove pontos ao Vasco, que lhe deram um fôlego razoável no início do Brasileiro. O time aproveitou bem o direito de jogar em sua casa.

A dificuldade para o segundo turno era prevista. O que não se podia imaginar é que viesse após um jejum de cinco partidas sem vitórias, com apenas dois pontos conseguidos em 15 possíveis. A caminhada que seria dura, vem precedida da perda de alguns cantis cheios de água. E a torcida tem parcela de culpa, pois a invasão de São Januário após a derrota para o Flamengo, custou ao clube a proibição de jogar em seu alçapão. E tome derrotas.

Nesse panorama crítico, o nome favorito é o de Zé Ricardo. Apesar de novo, ele surgiu no futebol fazendo um trabalho de recuperação parecido, ao assumir o Flamengo, após a saída de Murici, no ano passado. Conseguiu fazer um bom trabalho em um momento duro, mesmo sem ter experiência. Agora, é mais duro, diga-se.

No Flamengo que sucedeu ao da crise, com jogadores famosos e contratações caras, Zé Ricardo não foi bem. Acabou demitido, para a chegada de Rueda.

Em um mundo ideal, ele não deveria assumir o Vasco e a difícil tarefa que se avizinha. Poderia ficar em casa, ou, seguindo a moda, viajar para algum estágio na Europa. Aqui, uma regressão. Se treinador brasileiro acha difícil  estudar na Europa, porque não faz cursos na Argentina, que é pertinho:? Os cursos são reconhecidos internacionalmente, ao contrário do que a CBF proporciona.

Tirado o fim de ano para estudos, Zé Ricardo poderia esperar um convite para iniciar um trabalho do zero, com indicações suas e sem pressão inicial. Poderia, sem dúvida. Mas seria conhecido como o cara que, com menos de dois anos de profissão, teve a ousadia de recusar o Vasco.

E o Vasco, apesar do mau momento que dura uma década, com três rebaixamentos e vivendo à deriva, com Dinamite substituindo Eurico e sendo substituído por Eurico, bem, o Vasco, ainda é o Vasco. É um gigante. E todo treinador deve ansiar por ter um gigante em seu currículo. No caso de Zé Ricardo, o segundo.


Zé Ricardo, o quinto magnífico demitido. Renovação falhou
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No início do ano, havia muito expectativa com o trabalho de sete jovens treinadores em sete grandes equipes brasileiras. Poderia ser o início da renovação do nosso futebol, preso a velhos professores com suas pranchetas, projetos e falta de atualização com o futebol moderno.

Além de expectativa, havia boa vontade com eles. Pouca coisa se confirmou. Zé Ricardo, do Flamengo, após uma derrota em casa para o Vitória, por 2 a 0, foi o quinto a perder o emprego.

Relembremos os cinco demitidos.

ZÉ RICARDO – Havia assumido o Flamengo após um mau trabalho de Murici e levado o time a um bom desempenho. Agora, com elenco reforçado, seria a hora de se firmar como um grande novo nome.

ROGER – Trabalhou bem no Grêmio e sua saída causou grande comoção, principalmente pela chegada de Renato Gaúcho, que se orgulhava de preferir futvôlei ao estudo de táticas. No Atlético-MG, Roger deslancharia. Ganhou o Mineiro e foi mal no Brasileiro.

ANTONIO CARLOS ZAGO – Tinha um bom tempo de estrada, inclusive com passagem no Palmeiras, mas agora era uma esperança repaginada, após cursos na Uefa e boa passagem no Juventude. Seria o homem para recuperar o Inter, agora na Segundona. Perdeu o Gaúcho para o Novo Hamburgo e começou mal a Série B.

EDUARDO BAPTISTA – Depois de boas passagens pelo Sport e pela Ponte, apareceu como o nome ideal para substituir Cuca no Palmeiras, que sonha com o Mundial. Pouca gente se lembrou de seu fracasso no Fluminense. Caiu após uma derrota para o Jorge Wilstermann, muito pouco para quem sonha em vencer o Real Madrid.

ROGÉRIO CENI – Sem nenhuma experiência anterior, chegou ao São Paulo respaldado por seu passado único no clube, por alguns cursos feitos na Europa e por trazer consigo auxiliares estrangeiros. Foi mal no Paulista e somou 11 pontos em 11 jogos no Brasileiro.

Dos sete magníficos, restaram FÁBIO CARILLE, que venceu o Paulista e conduz o Corinthians a um campeonato brasileiro histórico. E JAIR VENTURA, que tem levado o Botafogo a romper limites técnicos.

Os cinco magníficos floparam e alguns veteranos retomaram o sucesso, como Renato Gaúcho, Levir Culpi e ele, o ressurgido Vanderlei Luxemburgo, de ótimo trabalho no Sport.

Lamento o insucesso da renovação, mas não fico triste com a ascensão dos veteranos. Ótimo saber que não há apenas uma maneira de ver futebol e que é possível fazer um trabalho consistente e criativo sem falar em amplitude, basculação, recomposição, transição e terço final.


Flamengo tem espírito perdedor
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Na 17ª rodada do Brasileiro, o Flamengo enfrentou o Corinthians em Itaquera. Foi ajudado com a anulação de um gol de Jô, mas poderia ter vencido o jogo. Diego perdeu um gol feito. Chegou a 29 pontos e ficou a 12 do próprio Corinthians. Difícil sonhar com título, mas as esperanças renasciam.

E o que se viu nas duas rodadas seguintes?

Na 18ª, o Flamengo vencia o Santos, no Pacaembu, e permitiu uma virada em oito minutos. O Corinthians foi até Minas, fez 1 a 0 no Galo. No final do jogo, marcou o segundo.

Na 19ª rodada, o Corinthians fez o trabalho de casa, vencendo o ascendente Sport, em Itaquera. E o Flamengo, também em casa, perdeu para o Vitória, que continua no Z-4, apesar da vitória, com gol de pênalti de Neílton sobre o goleiro que pegou pênalti de Messi e CR7.

A tal frase “deixaram chegar….” e o tal cheirinho não se justificam. E, não é de hoje, como mostra o texto do Miguel Caballero. Nos últimos anos, o Flamengo tem se mostrado um clube sem poder de decisão, um clube que amarela na hora necessária. Os tais jogos que precisam ser vencidos, as tais finais dentro dos pontos corridos não são para o Flamengo. Foi assim na Libertadores, por exemplo, perdendo todos os jogos fora de casa. E tem sido assim no Brasileiro.

A 18 pontos do líder, está na hora de o Flamengo pensar em conquistar uma vaguinha para a Libertadores. No más.

O jogo contra o Vitória mostrou uma escalação pronta para o tudo ou nada. Quatro zagueiros, um volante (Arão), três meias (Everton Ribeiro, Everton e Diego) e dois atacantes: Geuvânio e Vizeu. Um time para sair na frente rapidamente. Mas, e se não sair?

Não saiu. O Vitória aguentou a pressão e fez o primeiro, após uma falha grotesca de Arão. Mas, se é para jogar com um volante só, não seria melhor jogar com um que saiba rifar a bola, fazer o jogo sujo?

Zé Ricardo mostrou falta de convicção. Escalou um time em um esquema que ele não acredita. Trocou Geuvânio por Berrio. Depois que sofreu o segundo, tirou Everton, meia, e colocou Vinícius Jr, o garoto que vale um estádio. O esquema passou a ser o 4-1-2-3. E, depois o 4-0-3-3, com Paquetá em lugar de Arão.

Jogador de base geralmente não entra no time quando a situação está boa. Entra na pior e vai mostrando serviço. Mas, é correto tentar uma virada assim, nos últimos 20 minutos com Vinícius Jr. e Paquetá?

O Flamengo perdeu. Mais uma vez, quando precisava ganhar. É um time sem força mental e que não resiste à pressão de sua torcida. Uma torcida que também é iludida pelo que chamo de Flapress. Me lembro da apresentação de Diego, quando um repórter perguntou: “como se sente chegando no maior clube do Brasil?”

Há uma narrativa que transforma todo reforço em craque. Nem falo de Diego ou Everton Ribeiro, mas Geuvânio foi recebido como se fosse Robben.

O oba-oba cria lendas. A mais fantasiosa de todas é: “deixaram chegar, agora aguenta”… Nesse aspecto, o Flamengo não assusta ninguém


Zé Ricardo tem brevê para Boeing?
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O Flamengo é um Boeing. Desculpem-me se a metáfora é ultrapassada e se já há avião muito melhor que o Boeing. Como não entendo nada desse assunto – e de outros também – recorri a Murici Ramalho, que a utilizava ao falar do São Paulo. O Flamengo é um Boeing, mesmo quando tem um time ruim.

É juntamente com o Vasco, o primeiro grande time nacional. Através das fortes ondas da rádio Nacional, saiu de Flamengo, saiu do Rio e tomou conta do Brasil. O Santos é outro time nacional, mas por conta de Pelé e sua mágica troupe. Como não se apaixonar pelas onze camisas brancas com seus negros artistas da bola? Mas, no caso do Santos, não era paixão. Era simpatia, quase amor. Todos com o Santos contra Benfica, Milan, Boca etc. Mas, somos Flamengo. Ou Vasco.

O Flamengo é um Boeing que foi dirigido muito mal durante muito tempo. Houve, então, uma direção saneadora. As dívidas foram equacionadas e chegou a hora de investir. O primeiro nome foi Guerrero, tirado do Corinthians em crise. Depois, veio Diego. E o comando já estava com Zé Ricardo. Ele fez um Brasileiro muito bom, sucedendo Murici. Foi o Brasileiro do “cheirinho” quando a torcida viveu o grande sonho do hepta. Não deu, mas Zé Ricardo foi saudado como a grande revelação, como o homem do ano.

E o Boeing foi tomando mais forma ainda, agora com uma tripulação de altíssimo nível. Chegou Conca, que não joga por questões físicas ou táticas. Chegou Everton Ribeiro. E vieram outros, menos brilhantes como Geuvânio e Rhodolfo. E agora, Diego Alves, o tapapenales.

Zé Ricardo tem muitas opções. Pode montar um time com dois jogadores de velocidade pelos lados do campo, como Berrio e Geuvânio. Pode ter uma trinca de armadores com Diego, Everton Ribeiro e Mancuello. Ou Conca. Pode jogar com um volante só e quatro meias. Tem opção para todos os gostos. E não tem conseguido fazer o Flamengo jogar melhor do que no ano passado.

O cheirinho de 2017 é insistência e não esperança.

Zé Ricardo está se comportando como um cozinheiro de restaurante caseiro, famoso pelo tempero e que, ao ser contratado por um restaurante com estrela Michelin não sabe o que fazer. E se mantém fiel aos velhos temperos: Márcio Araújo, Gabriel, Rafael Vaz e Alex Muralha.

E, pior, diz que Muralha jogou bem contra o Santos. Jogou bem e levou quatro? Então, o resto do time foi péssimo.

Zé Ricardo precisa ousar mais no final de temporada. Fazer com que o time renda de acordo com as expectativas que foram criadas a partir da contratação de virtuoses (estamos falando de futebol brasileiro).

Caso contrário, em vez de pilotar um Boeing, estará no comando de um Titanic. E sem a dignidade daquela orquestra.


Abel, o veterano passional, contra Zé Ricardo, o jovem pragmático
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Juntos, Flamengo e Fluminense, fizeram 14 jogos no Brasileiro até agora. Conseguiram apenas cinco vitórias e sofreram quatro derrotas. Empataram cinco vezes. O Flu ganhou mais (3 a 2) e perdeu mais (3 a 1). O Flamengo empatou mais (4 a 1). O maior número de vitórias deixa o Fluminense na 10ª posição, uma na frente do rival. Os dois tem apenas dez pontos ganhos em 21 possíveis. O Fluminense perdeu os dois últimos jogos, período em que o Flamengo conseguiu uma vitória e empatou uma partida.

Enfim, os números que antecedem o clássico não são bons. O que não tem a menor importância quando se trata de um Fla Flu no Maracanã. Com torcida dividida. É o futebol em sua essência, enfrentando os coveiros da PM e do MP e mais o Coronel Marinho, que fazem de tudo para transformar o futebol em algo insosso, em um jogo de curling, em uma ópera dinamarquesa com o tenor gripado.

Há muita coisa boa a se ver em um Fa Flu. E neste Fla Flu também. Uma delas é o duelo entre Abel Braga e Zé Ricardo. No início do ano houve uma troca de guarda no futebol brasileiro. Apareceram treinadores jovens, com todo o respaldo de torcedores e jornalistas. Havia uma expectativa muito grande com os “sete magníficos”: Zé Ricardo, Jair Ventura, Roger Machado, Fábio Carille, Rogério Ceni, Eduardo Baptista e Antonio Carlos Zago. Os dois últimos perderam o emprego no Internacional e no Palmeiras, respectivamente. E entre os veteranos, Abel Braga era o mais aceito. Sua presença não tinha 1% da rejeição que teria a contratação de Luxemburgo ou Oswaldo, por exemplo.

Interessante no duelo é que o lado emocional está muito mais presente no veterano do que no novato. Abel é uma pessoa muito emotiva. Após a derrota contra o Grêmio, em casa, ele foi de uma sinceridade juvenil. Nunca vi aquilo. Estamos com apenas sete rodadas e Abelão falou coisas como: “eu sou tricolor…não desisto nunca. em 2011, cheguei e perdi seis jogos seguidos, aí vencemos um e reagimos. ficamos em terceiro e montamos uma base para o ano seguinte, quando ganhamos o carioca e o brasileiro. quando vim, já sabia da questão financeira do clube”…

Me pareceu que ele, em um rasgo de sinceridade, abriu mão de lutar pelo título em 2017. Algo que ele pode fazer por ser o Abel no Fluminense. Por ter um respeito adquirido em muitos anos. E por dirigir um clube com pouco dinheiro para investir e que tem de brigar para manter Richarlison, sua renovação, que não demonstra, ao contrário de Abel, amor e fidelidade ao Fluminense.

Do outro lado, Zé Ricardo. Jovem e dirigindo um clube com alto poder de investimento. Ele está começando a usar Conca e ainda terá, em pouco tempo, Everton Ribeiro e Rhodolfo. E, muito provavelmente, Geuvânio. E, se tantos reforços estão chegando, é prova que o elenco tem falhas. Falhas com nome, como Rafael Vaz, por exemplo. E, mesmo assim, mesmo com falhas, mesmo como bom campeonato feito no ano passado, Zé Ricardo correu riscos. Poderia ter caído. Um dos motivos é o excessivo apego a alguns jogadores. Desvencilhou-se do abraço de afogados com Muralha, mas manteve Márcio Araújo. Durante todo o período de incertezas, Zé Ricardo manteve-se aparentemente calmo e fiel a seus princípios.

Um veterano passional dirigindo um clube com pouco dinheiro e um elenco cheio de revelações. Um jovem pragmático comandando um clube com muito dinheiro e cheio de craques e com a maior revelação brasileira desde Neymar. É um duelo bacana de um clássico que nunca decepciona.


Eduardo Baptista, os Sete Magníficos e o Chinelinhozinho
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Eduardo Baptista foi o primeiro dos Sete Magníficos a cair. Falo de sete treinadores jovens e estudiosos – cada um com seu estilo – que assumiram grandes clubes brasileiros em 2017 e que trouxeram um ar de renovação a um meio viciado, sempre com as mesmas opções. Algumas delas, defasadas e encarando a profissão de modo blasé, como se já soubesse tudo e não percebesse que o passado, mesmo glorioso, pode ser uma roupa velha que não nos serve mais.

A necessidade de renovação era tão grande que veio acompanhada de uma dose de condescendência com a maioria e com implicância com Fabio Carille, justamente por não pregar o “modernismo”, por adotar a segura cartilha titeana e tratar logo de arrumar a defesa corintiana. Carille será campeão. Tem todos os méritos.

A demissão de Eduardo Baptista é justa? A meu ver, a análise não pode passar por um dogma que tomou conta do meio futebolístico: é errado mandar treinador embora. Eu não acho errado, independentemente do currículo e do que o cara já fez pelo clube. Lembram como o Cruzeiro foi criticado por demitir Marcelo Oliveira, bicampeão pelo clube? Hoje, a grande maioria que achou aquilo um erro, não gostaria de ver Marcelo em seu time.

Eu não levaria em conta o passado. E o futuro teria mais peso do que o presente. O time está ruim? Mas há perspectiva de melhora? O treinador ainda tem carta na manga? Há algum bom jogador voltando de contusão? Há possibilidade concreta de reação?

Então, baseado nesses fatores, eu concordo com a demissão do Baptista. Acredito que, com ele no comando, o Palmeiras poderia a qualquer momento, repetir aquela partida vergonhosa contra a Ponte. Principalmente pelo segundo tempo. Sim, porque é possível dizer que o primeiro tempo foi uma surpresa diante de uma Ponte avassaladora, mas e o segundo? Nada foi feito. O Palmeiras trocou passes como se estivesse perdendo por 1 a 0 e fosse se classificar facilmente no segundo tempo.

E houve outros jogos ruins, como a derrota para o Corinthians. As vitórias na bacia das almas na Libertadores. Houve, é lógico, aquela maravilhoso segundo tempo contra o Peñarol, mas o time havia sido muito mal escalado.

A pressão era grande e Baptista não soube conviver com ela. O desabafo (leia aqui) foi a prova disso. O treinador se ofendeu por ser chamado de maleável, mas, candidamente, semanas antes havia dito que, no Fluminense, havia sido obrigado a escalar Ronaldinho Gaúcho.

Foi o segundo fracasso de Eduardo Baptista em time grande. Não é tão magnífico assim.

E os outros cinco, como estão?

Rogério Ceni – Eliminado no Paulista e na Copa do Brasil, deu mostras de estar conseguindo um equilíbrio maior no time, abrindo mão do esquema com dois pontas espetados.

Jair Ventura – De todos, é o que tem o elenco mais frágil e o que tem conseguido resultados surpreendentes.

Zé Ricardo – Está perto de ganhar o primeiro título, mas precisa fazer o Flamengo vencer fora de casa na Libertadores.

Roger – Assim como Baptista, está em seu segundo grande time. Tem vantagem na decisão do Mineiro e caminha sem sustos na Libertadores.

Antonio Carlos Zago – Pode ser campeão gaúcho e dar o acesso ao Inter, mas está marcado por aquela palhaçada no jogo contra o Caxias. Ao fingir agressão e se deitar no chão, manchou sua biografia.

TEM POSTE MIJANDO EM CACHORRO – TENHO SAUDADES DO JORNALISMO Antigo, que nem vivi. Gostava dos apelidos que jogadores recebiam. Pelé, o Rei. Rivellino, a Patada Atômica. Gérson, Canhotinha de Ouro. Didi, o Príncipe Etíope. Leônidas, o Diamante Negro. E, principalmente, o melhor de todos: Ademir da Guia, o Divino. Roger ganhou o apelido de Chinelinho. Uma homenagem a comprometimento com que se dedicou à carreira. Também é conhecido por alcunhas como Roger Secco e Roger Galisteu. Aquele pênalti que errou contra o Figueirense, em 2005, não lhe valeu apelidos. Valeu ódio e ofensas.

Hoje, ele é jornalista. Direito dele, eu não sou a favor da obrigatoriedade de diploma para a minha profissão. E nem para muitas outras, como advocacia e construção civil, por exemplo. E ele criticou Juca Kfouri. Também é direito dele. Todo mundo pode criticar todo mundo. A profissão se engrandece com discussões sobre seu presente e seu futuro. Mas, ao dizer que Juca Kfouri “não é jornalista”, ele se submete à comparação. Quem é jornalista, Juca ou Roger? Um modo de se decidir, sem olhar para o que cada um já fez na profissão, é só pensar quem se daria melhor apresentando o Vídeo Show. Com certeza, Roger, Flavio Canto e Tande seriam muito melhores que Juca. Eu considero a distância jornalística entre Juca e Roger infinitamente maior que a distância futebolística entre Roger e Juca.

MARTINHO DA VILA É UM COMPOSITOR genial. Seu ritmo lento esconde pérolas. É um chinelinho do bem.

Disritmia é o meu samba favorito.

O traço é de Batistão, tão gênio quanto

Eu quero me esconder debaixo
Dessa sua saia prá fugir do mundo
Pretendo também me embrenhar
No emaranhado desses seus cabelos

Preciso transfundir seu sangue
Pro meu coração, que é tão vagabundo
Me deixa te trazer num dengo
Pra num cafuné fazer os meus apelos
Me deixa te trazer num dengo
Pra num cafuné fazer os meus apelos

Eu quero ser exorcizado
Pela água benta desse olhar infindo
Que bom é ser fotografado
Mas pelas retinas desses olhos lindos

Me deixe hipnotizado pra acabar de vez
Com essa disritmia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia

Eu quero ser exorcizado
Pela água benta desse olhar infindo
Que bom é ser fotografado
Mas pelas retinas desses olhos lindos

Me deixe hipnotizado pra acabar de vez
Com essa disritmia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar teu nego
Que chegou de porre lá da boemia

Aqueles versos em negrito, eu considero coisa de gênio. Que bom é ser fotografado/ Mas pela retina desses olhos lindos estão à altura de Fotografei você na minha Rolleiflex/ Revelou-se a sua enorme ingratidão, do Mestre Jobim.


Jair e Roger, os primeiros “estudiosos” na toca dos leões
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JAIR VENTURAO início de 2017 é marcado pela imensa expectativa em relação a alguns treinadores considerados “estudiosos”, em contraposição àquela bobagem dita por Renato Gaúcho (quem sabe, fica na praia, quem não sabe, estuda). Sobre eles, recai a esperança de uma renovação no futebol brasileiro.

Há uma grande boa vontade sobre eles, que, em alguns casos, estão iniciando a carreira.

São eles:

Jair Ventura – treinou o Botafogo durante um turno do Brasileiro.

Zé Ricardo – treinou o Flamengo por um turno e meio.

Rogério Ceni – dirigiu o São Paulo duas vezes.

Eduardo Batista – foi bem no Sport e na Ponte Preta. Foi mal no Fluminense.

Fábio Carille – Tem menos de 15 partidas pelo Corinthians

Antonio Carlos Zago – Foi mal no Palmeiras, estudou na Europa e foi bem no Juventude. Reinicia a carreira.

Roger Machado – Fez um bom brasileiro em 2015, mas o Grêmio, sob seu comando, desandou em 2016.

A boa vontade resistirá até quando? Por pouco tempo, garanto. Alguns maus resultados e a cobrança virá, exceção à Rogério Ceni, por sua relação mitológica com a torcida.

Os clubes, todos eles grandes, apostaram em treinadores jovens, mas a realidade é que poucos serão campeões. E time grande vive de títulos. Tomara que os perdedores façam também um bom trabalho e que a renovação se solidifique.

O Botafogo, de Jair Ventura, recebe o Colo Colo, time mais popular do Chile e que há dez anos não consegue superar a fase de grupo da Libertadores.

O Galo encara seu maior rival, o Cruzeiro de Mano Menezes, outro estudioso, mas com currículo enorme.

São os dois primeiros do batalhão da juventude, começando a enfrentar o moedor de carnes que é o futebol brasileiro.

 


Oswaldo, o penúltimo dinossauro, caiu. O que virá em 2017?
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dinosVanderlei Luxemburgo, Luis Felipe Scolari e Muricy Ramalho estão fora do mercado. Não começarão 2017 comandando um dos 12 clubes de maior tradição no Brasil. Juntos, eles venceram uma Copa do Mundo de seleções, 3 Libertadores, 12 Brasileiros e 5 Copas do Brasil. O primeiro desses títulos foi o Brasileiro de 1993, de Luxemburgo, com o Palmeiras. O último, foi a Copa do Brasil de 2012, de Scolari, também no Palmeiras. Abel Braga, de volta ao Flu, venceu um Mundial, uma Libertadores e um Brasileiro.

O “quinto dinossauro” foi demitido pelo Corinthians. Oswaldo de Oliveira sai após nove jogos e um aproveitamento de 37%, com duas vitórias, quatro empates e três derrotas. Algo não condizente com seu passado no futebol, com um título mundial e um brasileiro. Não está aqui o “título moral” de Oswaldo na Copa João Havelange, quando foi demitido por Eurico Miranda nas vésperas da decisão.

Depois destes cinco “dinossauros”, houve uma geração intermediária ainda na ativa.  Tite, com seu título mundial interclubes, uma Libertadores, dois Brasileiros e uma Copa do Brasil está na Seleção Brasileira. Mano Menezes, que também dirigiu a Seleção, tem uma Copa do Brasil e está no Cruzeiro. Renato Gaúcho, com duas Copas do Brasil, está no Grêmio.

Entre o sucesso de Tite, o ocaso dos três gigantes, a demissão de Oswaldo, a volta de Abel e a curiosidade sobre como Renato Gaúcho trabalhará a longo prazo, os 12 grandes estão cheios de novidades. A renovação é gritante e pode ser exemplificada com alguns dados curiosos.

Eduardo Batista é filho de Nelsinho Batista, o primeiro rival de Luxemburgo, lá em 1990, na disputa entre Braga e Novorizontino.

Dorival Jr foi auxiliar de Muricy.

Antônio Carlos Zago foi dirigido por Scolari e Luxemburgo.

Rogério Ceni foi capitão de Muricy e assume um clube pela primeira vez.

Zé Ricardo e Jair Ventura têm menos de 40 anos.

Roger Machado foi dirigido por Scolari.

O perfil dos novos treinadores aponta para pessoas menos empíricas e mais antenadas com o futebol que se pratica hoje. Zé Ricardo e Jair Ventura nem podem ser “boleiros”, afinal não são ex-jogadores. Dorival Jr e Mano Menezes fizeram uma “reciclagem” na Europa. Dorival visitou grandes clubes e Mano fez cursos em Portugal.

Antônio Carlos Zago fez todos os cursos da Uefa e foi auxiliar na Roma. Rogério Ceni fez cursos menores e trouxe o inglês Michael Beale, com grande experiência em clubes ingleses. Eduardo Batista e Roger Machado, que foram muito bem no início da carreira, terão a chance de recomeçar em um time grande, após o mau momento no Fluminense e na fase final do Grêmio. Cristóvão tem uma nova chance, após não conseguir montar defesas seguras por onde passou.

O ano de 2017 começará com muita expectativa sobre o trabalho dos novos treinadores. E com a esperança que algo de novo se materialize no Brasil. Porque, por enquanto, toda a modernidade que se instala aqui é uma imitação do que já se implantou na Europa. Nem se pensa no “pulo do gato”, na possibilidade de que uma grande novidade apareça por aqui. Se conseguirem chegar mais perto do que se faz por lá, com um “delay” menor já será um grande feito.

E sonhar com um grande clube jogando de forma diferente dos outros. Chega de 4-2-3-1, a novidade da Copa de 2006.


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