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Jaílson e Dourado foram irresponsáveis
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O jogo foi muito bom. O Palmeiras começou muito bem diante do Flamengo e logo fez seu gol, com Bigode, em jogada iniciada por Dudu. Depois, diminuiu o ritmo e sofreu com Rodinei e Vinicius Jr.

O segundo tempo começou como o primeiro. Pressão total do Palmeiras, mas o empate veio com uma cabeçada de Thuler. Thiago Martins dormiu.

O jogo ficou muito bom, com os dois times atacando. E ficou quente também, com muitas provocações.

No final, a palhaçada. Cuellar fez falta violenta em Dudu. Levaria amarelo, talvez vermelho. Dudu não esperou para ver. Empurrou por trás e o pau quebrou.

Todos devem ser reprovados pela violência. Dourado e Jaílson, além disso, pela burrice. Dourado estava no banco e não poderá enfrentar o São Paulo. Ruim para o Flamengo, quando se lembra que Vizeu e Vinícius Jr. se despediram e não jogam mais.

Jaílson saiu de seu gol e atravessou o campo para dar uma gravata em Jonas. Foi expulso e obrigou Moisés a ir para o gol. Colocou o Palmeiras em risco. E fica fora contra o Santos. Corre riscos quanto à titularidade. Nem sei se volta.


Daronco no clássico é motivo de preocupação
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Os clássicos entre Palmeiras x Corinthians tem sido palco de muita discussão envolvendo arbitragem. Desde Thiago Peixoto que expulsou Gabriel, de forma totalmente equivocada, até Marcelo Aparecido de Souza voltando atrás na marcação de um pênalti de Ralf em Dudu. Para muita gente, inclusive para mim, decisão tomada com interferência externa. O Palmeiras tentou provar a interferência e rompeu com a Federação Paulista.

É um clássico em que os 22 jogadores em campo, os reservas no banco, os dirigentes e os torcedores têm certeza que serão “roubados” pela arbitragem. Foi o que disse Jaílson, após ser expulso em um clássico em Itaquera. “Aqui, ninguém ganha deles. Posso ser punido, mas digo que fomos roubados”. O Corinthians venceu por 2 x 0 e o árbitro Raphael Clauss foi muito criticado.

Muita glicerina no clássico. Muita. E o Coronel Marinho coloca gasolina no fogo, escalando Anderson Daronco. Em 2017, Gabriel tinha um cartão amarelo e voltou ao campo, após atendimento medico, sem receber autorização da arbitragem. Seria caso de segundo amarelo. Os palmeirenses reclamam também de impedimento não marcado em gol de Romero.

Precisa ser o Daronco?

Não tem outro?

Alguém que não esteja marcado por palmeirenses ou corintianos?

Não é o caso de punir Daronco ou Raphael Claus por polêmicas recentes. Se Marcos Marinho acha que acertaram, então por que deixá-los de fora? Tudo bem, é um bom argumento, mas o importante, no caso, é usar de cautela. Cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém, diziam vó Stela e vó Geni.

Mas o responsável pela arbitragem é alguém que nunca apitou um jogo. Chegou ao futebol via seu trabalho de comandar a PM em dias de jogos no Morumbi ou Pacaembu.

Gosta de confronto?

É o que parece.


E o Oscar vai para…Pantera Negra
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O grande lance do clássico foi a defesa de Jaílson no final do primeiro tempo, impedindo que a cabeçada de Renato se transformasse em empate. Um minuto antes, ele havia impedido a alegria de Gabigol. Goleiraço.

Fez bem o Palmeiras em conseguir levá-lo para o jogo, em mais um lance de desmoralização da justiça esportiva.

Jaílson corre contra o tempo para se transformar em um dos grandes goleiros da história do clube. É um dos casos de quem aproveitou muito bem a segunda chance na vida. Bem, no caso dele, foi a primeira chance, já no fim da vida. Vida esportiva, é lógico.

O Palmeiras dominou o início do jogo e chegou ao gol com o supersubestimado William Bigode. Uma linda jogada que não pode esconder o erro de posicionamento da defesa santista. Dudu ficou sozinho na direita, esperando o passe que “repassou’ a Bigode.

Depois, o Palmeiras recuou. Jogou sem a tal intensidade. Foi indolente. Pantera impediu o empate.

No segundo tempo, o Santos foi melhor, mas não marcou. Ficou no zero uma vez mais. E o Palmeiras deu a impressão de haver pregado. Apenas impressão. O Paulistão tem um probabilístico finalista.

 


TJD não pode perseguir o Palmeiras
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O Palmeiras fez mais do que a obrigação e venceu o Novorizontino e já está nas semifinais do Paulistão. Mesmo assim, será injustificável uma punição do TJD a Jaílson, Dudu e Felipe Melo por conta dos incidentes no dia 24 de fevereiro, quando o  Corinthians venceu o Palmeiras por 2 x 0 em Itaquera.

Jaílson e Dudu, no calor da derrota, falaram coisas que todo torcedor diz: “passaram a mão no Palmeiras, na dúvida é Corinthians”. Um desabafo que não pode ser encarado como algo acima disso. Se, em vez de falar, tivessem escrito e colocado aspas, nada aconteceria. É como dizer que o árbitro tal “roubou” o time tal. Ou seja, errou tanto que parecia um roubo.

Felipe Melo foi indiciado por causa de algumas cenas que dão a entender que ele mostrou o dedo médio para a torcida. Não está no relatório. Ora, se não está, não aconteceu. É minha tese de sempre. O jogo precisa terminar ao final dos 90 minutos. Nada mais.

Punição para Jaílson por jogada violenta é outra coisa. Realmente, eu achei que ele foi violento mesmo. Mas é uma questão de argumentação. Foi expulso e uma punição por esse motivo não seria descabida.

Fora disso é tudo fruto de uma tendência punitivista que toma conta do futebol. O TJD deveria ser presidido por um jurista, mas, não. É comandado por um delegado. Como a arbitragem brasileira é comandada por um coronel. Eles querem tratar jogadores como soldado, deixando de lado toda a carga de emoção que traz um jogo de futebol.

Se o árbitro Raphael Claus se sentiu ofendido com as palavras de Jaílson e Dudu, se pensa que sua honra e honestidade foram colocadas em dúvida, que processe os jogadores. O errado é tirá-los de um ou dois jogos por conta de uma bobagem, de um desabafo ditos a microfones em momento de alta carga emocional.

Uma punição serviria apenas para deslustrar o campeonato.


Jaílson, vítima do ódio e Cipriano, usuário do mercantilismo legal
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O paixão doentia, mais doença que amor. O profissionalismo exacerbado, como se o amor do povo fosse apenas um negócio. A fragilidade dos clubes, dominados por empresários. O desconhecimento, até por jornalistas, do que significa uma matéria jornalística. São fatores que afloraram nos últimos dias durante os casos Jaílson e Cipriano. Me deram um desânimo muito grande. E a sensação de que tudo vai piorar.

Primeiramente, o caso de Jaílson, que demonstra, a meu ver, que a cultura do ódio está tomando conta de parte da população brasileira. A televisão fez uma matéria com a mãe de Jaílson, corintiana, vibrando, como milhões de torcedores, com a vitória de seu time sobre o Palmeiras. Só comemorou após a saída do filho.

Eu não faria isso, se fosse ela. Pelo menos, não faria se não tivesse obtido permissão dele. Mas, eu não sou ela. Eu trabalho com comunicação, eu vivo de comunicação e sei como a banda toca. Pelo menos, deveria saber. Muitas vezes cometo erros de avaliação sobre como alguma coisa que faço ou escrevo irá repercutir. Imagine a Maria Antonia, mãe de Jaílson. O que ela pode entender de trolls, haters, mídia social blablabla…

Bem, ela fez a matéria. Matéria ótima e muito bem equilibrada, como me  contaram amigos. Eu não vi.

E o mundo caiu.

Conselheiros pediram repreensão a Jaílson – Ora, deve ser a turma do amendoim, causadora de tanto atraso no clube em anos recentes.

Paete dos jornalistas palestrinos correm a explicar que a “”””CULPA””””” (assim, com milhões de aspas) é da mãe e não do jogador. Culpa de quê, de aceitar fazer parte de uma matéria? O que a matéria traz de mal para o Palmeiras? Inclusive, a matéria mostra que Jaílson sempre foi palmeirense. A mãe, democrática, nunca o impediu de nada. Vou contar um segredo. O erro aqui é desse tipo de profissional, que busca, demagogicamente, se firmar como defensor do clube. Os que acreditam em tanto comprometimento, tanto amor, são apenas um nicho de mercado muito bem explorado. Mirem-se no exemplo, do jornalista palmeirense Mauro Beting, que segue o escrito no parágrafo anterior e é primeiro jornalista do que palmeirense.

Outros dizem que a culpa é da imprensa. Sim, somos culpados de muita coisa, mas no caso, do quê, mesmo? De fazer uma bela matéria que não mente, não adultera, não ofende e mostra várias facetas de uma realidade?

Minha avó, Stela, era corintiana. Meu avô, João Bacci, era são-paulino. Percival, o filho mais velho, palmeirense. Pércio, são-paulino, Márcio e Maurício, corintianos. Minha mãe, não era nada. Márcio teve quatro filhos. Bruno, Flávia e Márcia, corintianos como ele. Anamaria, são-paulina, por convencimento de Tio Pércio.

Como seria em casa, se fossem seguidos os ditames do ódio que existe hoje em dia. Márcio e Pércio se enfrentariam fisicamente porque um “roubou” a filha do outro? Os irmãos não se falariam? Os filhos de um não poderiam conversar com os filhos do outro? É assim que a sociedade deve se comportar diante da diversidade de opinião? Felipe, Franco e Bianca, filhos de Anamaria são argentinos e torcem pelo Boca? Os tios e primos deveriam ofendê-los em anos de Copa? Ou todo ano?

Eu não consigo entender que o futebol tenha se degenerado tanto a ponto de uma pessoa ligar o computador para ofender o produtor da matéria, para discutir se o goleiro, que tem uma história de vida reta e digna, é culpado por não proibir a mãe de fazer o que deseja ou se a mãe é culpada por não saber o que significa alcance de mídia social.

Qual a doença de uma sociedade em que a pessoa coloca a bunda na cadeira e pensa “agora eu vou piiiiii aquela gambá piiiiii que foi na piiiii da televisão para piiiii o meu Palmeiras?” Nota: seria tudo igual se fosse o contrário ou se envolvesse outros segmentos de outras torcidas.

Não seria melhor pensar porque os jogadores do Palmeiras, uma vez mais, não entenderam o que significa esse clássico?

Agora, vamos ao caso Marquinhos Cipriano.

O São Paulo pagou R$ 1 milhão pelo jogador, que era do Desportivo Brasil.

Fez um contrato de três anos. Deveria ter feio por mais tempo: Grosso modo, sim. Evidente. Se era uma tão grande promessa.

O contrato está terminando e o jogador foi pouco aproveitado. Tem 20 minutos no time profissional. No ano passado, passou por um processo de fortalecimento, ganhando peso.

O jogador comunicou que não deseja mais ficar no clube. O São Paulo, que rejeitou propostas de clubes estrangeiros, nada receberá após a saída do jogador.

Marquinhos Cipriano fez algo errado? Não, está tudo dentro da lei.

Há rumores de que ele irá para o Palmeiras? Se for, nada de errado. Nada. Tudo dentro da lei.

E que lei é essa? Uma lei ótima, que libertou os jogadores do passe, que impediu tanta gente no passado de ter um presente digno.

O que pega, então?

Para mim, é ver o futebol aprisionado pelas leis do mercado. O garoto chega ao clube e não pensa em ser um ídolo. Não pensa em ser reconhecido como um ídolo pela torcida. E não liga de ser reconhecido (injustamente, é claro) como um mercenário. E não ter, ao menos, um ato de, sei lá, respeito. Assina novo contrato e espera a transferência, de modo que o clube receba algo. Ricardinho só aceitou trocar o Corinthians pelo São Paulo, se o Corinthians recebesse uma compensação financeira. Que não estava na lei.

Se a paixão doentia não é amor, é ódio e oportunismo, a falta de paixão no outro caso, é a comprovação de que os clubes estão nas mãos de empresários que estão pouco se piiiiiiii com o povo, com o futebol.

É tudo business. Tudo dentro da lei.

Tudo muito bem. Mas me dá um desânimo muito grande ver o esporte que sempre amei e que me dá sustento, estar dividido entre o ódio e o mercantilismo.

Chato pra piiiiiiii.

 

 


Corinthians derrota o freguês. E, sim, temos árbitro de vídeo
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O jogo teve muita polêmica. Os palmeirenses podem reclamar do pênalti e da expulsão de Jaílson, mas, se ficarem presos a um ponto único, estarão cometendo um grande erro. Sim, porque o jogo terminou com um fato indicutível: o Corinthians ganhou o quarto derby seguido. E o fato indiscutível pode ser explicado principalmente por um outro fato indiscutível: os jogadores do Corinthians entendem melhor a importância de um jogo desse quilate.

Estavam muito mais focados na partida. Muito mais. Um exemplo é o primeiro gol. Eu marquei 1m54 de toque de bola. A televisão mostrou 1m23s. Não importa, é muito tempo sem que a jogada fosse interrompida. Com marcação mais próxima. Ou com uma falta. Nada de violência, uma falta para interromper o toque contínuo, que, aliás demostra um time muito bem treinado.

O Corinthians venceu também o duelo do falso nove. Entrou com Romero na direita, Clayson na esquerda e a dupla Rodriguinho e Jadson pelo meio. Dois bons jogadores sobre Felipe Melo. Roger não consertou. E o Palmeiras veio com Borja, que tem melhorado, mas que foi um verdadeiro falso nove. Teve chances e perdeu. Lento e sentindo o jogo.

Roger errou também na entrada de Scarpa. Ora, se é para ficar na direita, parado, tentando um drible para dentro que possibilitasse um cruzamento, melhor seria colocar Keno, que vai para dentro do marcador.

Bem, vamos ao lance polêmico. Não sou especialista em arbitragem, mas eu, você, o Donald Trump e o Raul Castro temos quase certeza que o árbitro de vídeo atuou no jogo. Raphael Klaus disse que foi avisado pelo quarto árbitro, mas  quem avisou o quarto árbitro? Ninguém? Não, né? E quem está mais bem colocado, o juiz ou o quarto árbitro. Por que o Klaus mudaria de ideia?

O pênalti foi evidente. Jaílson entrou muito feio, com a perna levantada e fez falta em Renê Jr. Não ver o pênalti é um erro terrível. E voltar depois, com a jogada continuando, é outro erro.

E a expulsão do goleiro? Achei exagerada. Para mim, seria amarelo. Fiz um curso na Aceesp com o Sálvio Fagundes. Ele explicou que o jogador faltoso deve ser expulso se o jogador que recebeu a falta 1) tiver a bola totalmente dominada 2) não estiver recebendo marcação dura e 3) tiver condições claras de marcar o gol. Para mim, não é o caso. Mas, o juiz pode ter entendido como agressão.

A partir daí, coloquemos uma lupa nas reações de Dudu, o capitão do Palmeiras. Ele quis tirar o time de campo. Depois, quando estava 2 x 0, fez falta feia em Fagner (sempre violento, o lateral do Corinthians) e recebeu amarelo. Em seguida, fez o pênalti. Descontrolado? Sem foco?

O Palmeiras, desde o ano passado, tem mais elenco que o Corinthians. Desde então, teve três quatro treinadores. E perdeu os quatro encontros. Precisa descobrir as causas. E elas estão além e são muito mais graves do que o pênalti marcado.


Palmeiras tem defesa nova e fica ainda mais forte
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Menon

A chegada de Marcos Rocha por um ano, em troca do desgastado Roger Guedes, foi ótimo negócio para o Palmeiras. Ele tem todas as condições de resolver o problema da lateral-direita, que foi dor de cabeça o ano todo, com Myke e Fabiano. Um pouco de paz, apenas com Jean.

Na outra lateral, está Diogo Barbosa, vindo do Cruzeiro. Outro jogador que chega para resolver um grande problema, pois Egídio nunca foi uma solução e a situação ainda ficou pior com a falta de paciência da torcida que, convenhamos, não é injustificável. E Zé Roberto estava se despedindo.

São contratações indiscutíveis. E há mais duas, que deixam a defesa bem mais forte para o ano que vem. No gol, estará o Weverton. Ele estaria liberado apenas em maio, mas o Palmeiras gastou os R$ 2 milhões pedidos pelo Furacão para ter o jogador já em janeiro, para o início do Paulista. Ele vem para disputar lugar com Fernando Prass, o mesmo que, contundido, abriu vaga para Weverton ganhar a medalha olímpica. Jaílson tem problemas físicos.

E a pressa que teve para contratar Weverton, o Palmeiras não teve como zagueiro Emerson Santos, o zagueiro de 22 anos do Botafogo. Ele estava acertado desde agosto, com o pré-contrato assinado. É uma esperança a mais de ter um jogador que resolva o problema, o que Luan e Juninho não conseguiram, o que levou Edu Dracena a ser um constante parceiro de Mina. E depois, de continuar jogando, quando Mina se contundiu.

Havia problemas e o Palmeiras resolveu. Weverton; Marcos Rocha, Mina, Emerson e Diogo Barbosa formam uma defesa de alto nível no papel. Ou melhor, na tela do computador.

E ainda tem Lucas Lima.

O Palmeiras de hoje é melhor que o Palmeiras da semana passada.


Carta a Jaílson, o Pantera Negra
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Menon

Caro Jaílson

Nós nunca pudemos conversar ao vivo. Não sou setorista do Palmeiras, o que poderia ajudar em uma resenha ou outra. Então, segui o caminho indicado e pedi duas vezes para fazer entrevista com você e não fui autorizado. Ainda espero pela oportunidade. Você é o tipo de jogador de quem e para quem eu gosto de escrever.

Sabe por que? Porque futebol (e esporte em geral) é muito mais que táticas e números. Elas ajudam a contar uma vitória, mas não trazem para todos as histórias de vida que o estão por aí, pululando qual peixe na piracema. Você é o peixe que eu gostaria de ter fisgado. “Mãe, eu vou ser goleiro e você não vai morrer antes de me ver no Palmeiras”. Porra, Pantera, precisa mais do que isso? Que história de vida.

Ah, vou fazer uma confidência. Eu sempre quis dar apelido a jogador. É um tipo de jornalismo ultrapassado, mas seria, para mim, como uma realização. O cara que deu apelido de Divino a Ademir da Guia deveria entrar na Academia Brasileira de Letras. Então, eu passei a te chamar de Pantera Negra. É tão óbvio que talvez outros tenham tido a ideia antes de mim, mas vale a pena. Pantera Negra.

E no início, Pantera, eu nem acertava escrever seu nome. Era Jaílton. Errava sempre. A memória afetiva me levava ao amigo Jaílton, auxiliar de enfermagem e o melhor Mestre Sala que já houve em Aguaí e também porque você era apenas um desconhecido. Um goleiro de 33 anos, chegado da reserva do Ceará para ser o terceiro goleiro do Palmeiras e nunca jogar. Bem, quem sabe um dia, quando os principais estivessem machucados, você entraria. Com a torcida morrendo de medo.

E foi assim. Chegou sob desconfiança e causando críticas à diretoria. Demorou um ano para jogar. Entrou e ninguém sabia o que esperar. E você, Pantera, deu um bico no roteiro que escreviam para a sua vida, utilizou o livre arbítrio e escreveu você mesmo o resto dela. Com treino, suor, personalidade, nos presenteou com um final feliz de sonhos.

O Palmeiras foi campeão brasileiro e você era o goleiro titular. Sem perder um jogo sequer. Perdeu a posição para Fernando Prass, que voltou de contusão. E a verdade prevaleceu. Você voltou novamente. E não perdeu. E pegou pênalti na Ilha do Urubu.

Pantera, eu não gosto da palavra vencedor. Mesmo entre os que não têm um grande mérito esportivo, há boas histórias de vida. E, se há um vencedor, há um perdedor. É uma divisão muito cruel, coisa da competitiva sociedade norte-americana, com seus losers e winners. Para mim, somos seres humanos, todos nós. Com seus méritos e defeitos. A nossa história é escrita por nós mesmos, a cada dia. É o seu caso. De um nome que nem apareceria nos almanaques da vida, transformou-se em um titular indiscutível. Não gosto da simplificação vencedor/perdeor, mas, você é realmente um vencedor. Nunca perdeu um jogo de Brasileiro pelo Palmeiras. Você é vencedor e isso não é subjetivo. É incontestável.

E agora, Jaílson Pantera Negra, sua história de vida ganha um novo capítulo. Dramático capítulo. O livro estava prontinho, com um final feliz e ela, a Vida, coloca um novo tema. Ruptura no tendão do quadril. Ora, que merda é essa? Apenas três casos na literatura médica? Nenhum esportivo?

Olha, Pantera, seria bonito terminar isso aqui dizendo que a caneta (ainda existe?) está em suas mãos e que, se a Vida colocou o tema cruel, quem vai escrever a história é você. Mas, não somos crianças. Sabemos que não é assim. Que agora está nas mãos de médicos. Você, que foi protagonista no ansiado título do Palmeiras, você que é adorado pela torcida, você que tem o respeito de outros torcedores, você, o Jailsão da Massa, você sabe que é o coadjuvante do capítulo mais duro de sua vida.

O que a gente sabe é que seu papel será feito como foi feito o outro, dentro de campo. Com personalidade, com amor à vida, com luta. Você não vai entregar de bandeja. Se o Gabriel Jesus (opa, os médicos) segurarem lá na frente, aqui atrás você dará conta.

Pantera, gostaria de ver você novamente em campo.

Seria o último capítulo feliz na vida esportiva de um trabalhador honrado.

Se não der, vamos todos nos emocionar com uma última entrevista com todos explicando que não dá mais.

Seria o último capítulo triste e muitíssimo digno na vida esportiva de um trabalhador honrado.

Sim, Jaílson, porque você, voltando ou não, está na história da Sociedade Esportiva Palmeiras e no coração de todos que amam essa praga chamada futebol.

 

 


Prass e Jaílson: duas lindas histórias e somente um final feliz
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Menon

Fernando Prass é camisa 1. Homenagem à escola palmeirense de revelar goleiros como Nascimento, Oberdan, Marcos, Velloso, Zetti, Diego Cavalieri.

Jaílson é camisa 14. Uma homenagem à data de fundação do clube. O Palmeiras não usa a camisa 12, imortalizada por causa de Marcos. Usa a 42, ano da Arrancada Heróica e 51, pelo Mundial.

Fernando Prass e Jaílson são donos de histórias emocionantes no futebol. Eu me lembro de que, quando cheguei ao Lance! em 1998, Leão Serva e Maurício Stycer deixaram claro que uma marca do jornal seria a de contar histórias de vida. Dramas. Eu, que sempre gostei, me lambuzei.

Fernando Buttenbender Prass, gaúcho de Viamão, começou a ter seu nome notado apenas com 28 anos, quando chegou ao Vasco em 2009. Na verdade, culpa de um olhar da imprensa muito focado no Sudeste. Por isso, ninguém percebeu que já era um goleiro promissor no início da carreira no Grêmio, em 1998 e que já havia confirmado suas qualidades no Coritiba, de 2002 a 2005. Francana, Vila Nova, União de Leiria? Ninguém sabe, ninguém viu.

Com salários atrasados, deixou o Vasco e chegou ao Palmeiras, na Série B, em 2013. Com 35 anos e na Série B. E sucedendo o maior ídolo da história do clube. Um dos maiores. Qual o roteiro que se anunciava? Um fim de carreira digno. Nada más.

Foi muito mais que isso. Prass foi o esteio do Palmeiras na segundona. Foi destaque em 2014, apesar da contusão no cotovelo, que o tirou de combate de maio a outubro. Veio 2015 e o Palmeiras estava renovado e muito forte. Prass foi grande destaque na Copa do Brasil, defendendo e marcando nas decisões por pênalti. Foram cinco em 2015 e mais cinco em 2016.

Ídolo da torcida, Prass caminhou para o grande reconhecimento de sua carreira. Foi convocado para a Olimpíada. Seria o comandante de garotos rumo à medalha de ouro. Mas uma fratura no cotovelo direito, o mesmo de 2014, deixou seu sonho de lado. Nada de seleção.

CORTA. VOLTEMOS UM POUCO NO TEMPO

No final de 2014, o Palmeiras buscou um novo goleiro. Afinal, Prass havia contundido o cotovelo direito. A escolha surpreendeu a todos. Jaílson, quem? E a explicação era difícil. Jaílson, do Ceará. Titular? Não, reserva. É novo? Não, tem 33 anos. Mas, pelo menos tem currículo. Nem tanto. Jogou até agora no Campinense, São José, Ituano, Guaratinguetá, Juventude e Oeste.

Bem, não vai jogar mesmo. Revezaram-se Sávio, Aranha, Deola..Em 2015, fez três jogos. E em 2016, com a contusão de Prass, ele assumiu….o banco. O titular era Vagner. Não durou três jogos. Entrou Jaílson.

Jogou 19 vezes e nunca perdeu, com 14 vitórias e cinco empates. Titular absoluto. Um sucesso para quem estava cumprindo seu sonho de criança de jogar no Palmeiras, seu time de coração. Ele comprova, com o uniforme de goleiro que o pai lhe deu quando ainda era criança. Do Palmeiras.

E chegou 2017. Seria o ano de Jaílson. O ano da confirmação.

CORTA

Fernando Prass se recuperou e assumiu a camisa de titular. Nada mais natural, diante de tudo o que significa para o clube e para a torcida.

O final feliz sonhado por Jaílson estava acabado. Ou adiado?

A volta de Prass não foi feliz. Errou várias vezes. O goleiro ídolo passou a ser questionado. Cai para trás.

E o final feliz volta para Jaílson. Assumiu e pegou um pênalti.

Será o titular da decisão contra o Cruzeiro.

Qual dos dois veteranos terá um final feliz?

Aquele que o cotovelo tirou da Olimpíada?

Aquele que foi a contratação mais inexplicável de todas?

O que comandou o time na conquista da Copa do Brasil?

O que comandou o time na conquista do Brasileiro?

O veterano negro de 36 anos?

O veterano branco de 38 anos?

Os dois têm um lugar na história do clube. O futuro registrará. Mas o presente é cruel. Apenas um terá final feliz em 2017. E é difícil que ambos continuem em 2018.

Sorte do Palmeiras, que se orgulha de ser a grande escola de goleiros e que soube contratar muito bem.


Torcida do Flamengo e Bandeira precisam cair na real
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Menon

Torcida tem um papel importante na vida de um clube. Os dirigentes usam os números na casa de dezenas de milhões para pressionar por mais verba da televisão. E há demonstrações de carinho impressionantes. A torcida do São Paulo está abraçando seu time na luta contra o rebaixamento. A torcida da Portuguesa está acompanhado seu time na Copa Paulista. Corintianos e palmeirenses mantém taxa de ocupação em suas arenas comparáveis às dos hotéis cariocas no tríduo momesco.

A torcida do Flamengo deu uma prova maravilhosa de paixão no ano passado, quando criou o “cheirinho”, dizendo que o clube estava se aproximando do hepta. Não deu, mas tenho certeza que a movimentação – só se falava nisso – deu muita força ao time. Não deu e os rivais espezinharam, tiraram sarrro, mas foi com alívio. Todos sentiram medo do tal cheirinho.

O problema é quando a torcida começa a se achar a solução de tudo. E comece a raciocinar em um outro nível, em um universo paralelo em que o seu Mengão é melhor e maior que todos, dentro e fora de campo. Ela é tão forte que o time também é. Se ela se acha invencível, o Flamengo também tem de ser invencível. E não é. Ninguém é. Por mais que a Urubuzada se ache a maior e mais forte torcida do mundo, isso não significa que o Flamengo, mesmo com 400 milhões de torcedores na Ilha do Urubu, tenha obrigação de vencer o Palmeiras. Empatar com o Palmeiras por 2 a 2 é normal, é necessário repetir, como um mantra.

Não dá para entender que um empate contra o Palmeiras, resultado perfeitamente normal em qualquer campo do planeta Terra, seja o rastilho de pólvora contra um descontentamento latente. O time foi eliminado na Libertadores? Foi? O time joga menos do que deveria jogar? Sim. Mas o presidente Bandeira de Melo tem culpa de Diego errar um pênalti? Ou melhor, tem culpa de Jaílson, a Pantera Negra, ter voltado ao gol do Palmeiras e ter vivido um momento épico em sua carreira irregular?

E o presidente vai discutir com torcedor? Que besteira, que coisa imbecil. Mesmo que ele também seja torcedor –  e eu acho saudável que seja – é hora de ter um pouco de calma e não se envolver. Basta lembrar que contratou recentemente Geuvânio, Everton Ribeiro, Berrio, Rhodolfo e Diego Alves, que nem estreou. Em vez de argumentar, foi aos palavrões, como já havia feito antes.

E, pior, foi contestar o Palmeiras. Foi discutir com Cuca.

Por mais fanático que seja, Bandeira de Melo precisa se convencer que pode ajudar mais o Flamengo, se for menos urubu e mais dirigente.