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Torcida do São Paulo merece um time à sua altura
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Menon

Time grande não cai, grita nas redes sociais, nos bares, nos batizados, casamentos, intifadas e onde mais seja, a torcida do São Paulo.

Grita com orgulho, grita alto (pleonasmo, eu sei), grita com razão. Afinal, o time não caiu muito por causa da atuação da torcida. Mostrou uma solidariedade imensa a uma equipe que não se acertou com Ceni, a outra equipe que foi destroçada pela diretoria, ao time cambaleante montado por Dorival e agora, com muito mais razão, ao time que tem a atual maior série invicta do Brasileiro.

A torcida do São Paulo mostrou uma cara bonita, amiga, muito diferente do que fez uma pequena facção de criminosos, que, no ano passado, invadiu o CT, agrediu jogadores e roubou material esportivo do clube. Ladrões.

Enfim, a torcida do São Paulo tem todo o direito de comemorar…o que tem para comemorar. Sua própria atuação na luta para manter o time na elite do futebol brasileiro.

O triste é que o que restou a comemorar é isto. Apenas. Já há algum tempo, o São Paulo passa por um período horrível. Os últimos títulos foram em 2012 e 2008. Em 2018, a primeira luta é para que não seja igualada a marca de 13 anos sem título no Paulista, até agora o maior jejum da história. A seca foi de 1957 a 1970, quando o São Paulo dedicava suas forças à construção do Morumbi.

O canto mais famoso da torcida tricolor está datado e desatualizado. Nunca fui rebaixado. Tenho Libertadores. Não alugo estádio. Todos os paulistas têm Libertadores e todos têm estádio.

A torcida merece muito mais do que essa mediocridade. O clube merece muito mais do que essa alegria por vexame evitado.

A boa notícia é que há uma base para o ano que vem. O time que termina o campeonato é bom. Hernanes, Petros, Jucilei, Cueva e Pratto teriam lugar garantido em todos os grandes brasileiros. Militão é um presente de Cotia que se transformou em realidade. Rodrigo Caio é um bom jogador e, mais do que isto, uma boa fonte de renda.

O time precisa de ajustes como um grande goleiro, um bom lateral-esquerdo, mais dois ou três jogadores experientes e abrir as portas para Cotia, com Brenner, Artur, Liziero, Helinho…

A má notícia é que o gerenciamento desta transição do bom time de agora para um time campeão daqui a alguns meses está nas mesmas mãos de sempre. E nem vou citar nomes aqui. Não é o caso. Os que desejam tirar os que aí estão são tão ultrapassados quanto. É impressionante como o São Paulo não consegue, entre seus dirigentes, criar alguém com ideias arrojadas, modernas, que consiga tratar os jogadores com amor, que faça com que tenham prazer em jogar no clube, que consigam bons patrocínios e que resolvam a triste equação de Cotia. Qual equação? Quem é ótimo, faz dez jogos e vai embora. Quem é bom, não consegue se firmar porque o lugar fica com jogadores vindos de outros clubes. Jogadores médios ou fracos como Marcinho, Denílson e outros.

O São Paulo precisa mudar por dois  motivos, ao menos: 1) sua torcida merece e 2) até quando ela vai conseguir consertar as besteiras feitas pelos dirigentes?


Dorival uniu os bons e o time melhorou muito
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A frase “futebol é só juntar os melhores, não tem segredo” não cabe mais. É do tempo em que se dizia que Lula, o técnico do Santos, jogava onze camisas para o alto e…pronto, lá vinha outra goleada.

Já não há tantos craques (eles estão na Europa) para prescindir de tática. Mas há o outro lado da coisa. Se há poucos destaques individuais em um time, porque não juntá-los?

Entrevistei Ney Franco no início de 2013, antes da pré temporada e perguntei como Ganso e Jadson atuariam juntos. Ele disse que não era possível. Que jogaria um ou outro, porque não abria mão de dois jogadores abertos pelo lado do campo. Os dois não jogaram juntos e Jadson foi brilhar no Corinthians, ao lado de Renato Augusto.

Lucas Pratto, em entrevista ao João Canalha, disse que não entendia porque no Brasil todos os times jogavam com dois extremos. Todos. Uma unanimidade que não permite dois meias juntos.

Dorival, não. Desde a chegada de Hernanes, ele fez de tudo para que ele e Cueva jogassem juntos. Fez mudanças para que a parceria desse certo. E parece ter chegado ao ponto ideal.

Hernanes chegou e disse que gostaria de jogar mais à frente, perto do gol adversário. Dorival aceitou, tirou Jonatan Gomez e deslocou Cueva para a esquerda. Não deu muito certo porque Cueva era frágil  na recomposição. Seu futebol caiu. E a torcida começou a ofender o peruano, dizendo que ele só jogava bem na seleção de seu país. Lógico, né? Lá ele continuava jogando pelo meio, como um armador centralizado, vaga que havia perdido para Hernanes.

Dorival, então, recuou Hernanes para o lugar de Jucilei, colocou Lucas Fernandes na esquerda e trouxe Cueva de volta para o meio. O peruano voltou a jogar bem, mas Hernanes teve uma queda. E Lucas Fernandes decepcionou. Até os chutes de longe, ponto alto em seu currículo, diminuíram.

Chegou, então, a terceira mudança. Jucilei voltou ao time, como primeiro volante. Petros e Hernanes colocaram-se a seu lado, mais adiantados. E Cueva fechou a ponta do losango. Muitas vezes no jogo, Hernanes se aproxima de Cueva e o diálogo entre eles flui com muita qualidade. Saiu assim o segundo gol contra o Santos.

O time está em seu melhor momento porque Dorival abriu mão do esquema com dois extremos e, principalmente, porque fez isto para ter Hernanes e Cueva bem próximos.

Juntou os bons e uniu-se a eles.


São Paulo joga mal e consegue três vitórias. Sidão foi o herói
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Duas defesas nos acréscimos e uma outra, ainda no primeiro tempo, fizeram com que Sidão tivesse seu nome gritado pela torcida, no Morumbi. Foram defesas plásticas e salvadoras, quando o Sport mandava no jogo. Defesas que garantiram três pontos e a saída da zona de rebaixamento.

Enquanto o São Paulo vencia, o Avaí e o Fluminense perdiam. O Vitória também, mas conseguiu uma virada espetacular no Rio. Foram resultados espetaculares para o São Paulo, que não fez uma boa partida.

Bastava vencer. E os jogadores parece que sentiram o tamanho da responsabilidade. Tiveram um comportamento muito fraco, animicamente falando. Não parecia o time vibrante do jogo anterior, contra o Corinthians. O Sport é que marcou pressão e o São Paulo tinha apenas o contra-ataque.

A causa? Edimar não apoiava. E Militão também não. Ele tinha muito trabalho com Rogério, Mena e Sander. E depois, com Thomaz. Sem ligação pelos lados, o São Paulo vivia da troca de passes entre Cueva, Hernanes e Lucas Fernandes. Muito pouco. O gol saiu em raríssima jogada pelo lado, com Edimar.

E, se Militão não apoiava, Marcos Guilherme não recompunha. E o garoto sofreu. E fez grande partida, defensivamente falando. Assim como Petros, novamente muito bem

As substituições de Dorival não me agradaram. Jucilei seria uma opção preferível a Gómez. E Marcinho mostrou-se uma opção totalmente equivocada. Aí, não é culpa do treinado e sim do jogador, totalmente alheio ao jogo. Sem atacar e sem defender. Shaylon? Seria melhor Gilberto, com o recuo de Pratto.

O Sport teve o campo e, quando criou boas chances, Sidão estava lá.

Talvez agora, sem a pressão do rebaixamento, o São Paulo consiga jogar melhor. Porque, se continuar assim, poderá sofrer muito ainda no campeonato.


Cueva, a base e Dorival foram fundamentais na vitória
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O São Paulo conseguiu uma vitória importantíssima. Vitória que dá respiro e faz a vaca tirar a cabeça do brejo. Antes, como dizia meu irmão, o Passional, apenas os chifres estavam fora da lama.

Importante notar, como no ano passado, a força da base. Gol de Militão, que jogou muito bem, e tomou conta da lateral. E boa partida de Lucas Fernandes, que saiu por mostrar um certo cansaço.

Outro ponto foi a entrada de Cueva no segundo tempo. O peruano deu clarividência ao jogo e mostrou o bom futebol do início do ano. Ele, se jogar bem assim, é imprescindível ao time. Os dois gols saíram de jogadas dele. Ele, Hernanes e Lucas podem dialogar muito bem em campo. O São Paulo, na situação em que está, não pode se dar ao luxo de deixar bons jogadores no banco.

Dorival Jr. foi muito bem. Foi corajoso e mostrou-se à altura do clube que dirige. Em vez de jogar pelo empate, fez substituições corajosas, para vencer. No intervalo, colocou Cueva em lugar de Gómez e recuou um pouco Lucas Fernandes. O gol saiu logo aos sete minutos e Dorival poderia ter fechado o time, com um zagueiro a mais ou com mais um volante. Não; trocou Lucas Fernandes por Thomaz. Pode-se até discutir a qualidade de Thomaz, mas é um jogador ofensivo. A preocupação com a defesa foi apenas no final, com a entrada de Bruno Alves em lugar de Marcos Guilherme.

Ainda há um longo caminho a percorrer, mas o São Paulo deu um passo importante.


O traíra, o sangue de barata e o gigante que afunda
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Na briga entre Rodrigo Caio e Cueva, duas verdades saltam aos olhos. Uma, é irrefutável. A outra, não.

A primeira verdade é que o São Paulo é o maior prejudicado com o desentendimento entre seus dois jogadores.

A segunda verdade, que merece considerações, é que Rodrigo Caio está certo.

Por que?

Porque Rodrigo Caio se importa com o clube. Nasceu no São Paulo, desde os 12 anos, criou-se no clube e tem respeito pelo clube.

Simples. Como Rodrigo Caio ama o clube, como é considerado diferenciado, deveria ter a percepção exata do que falar, quando falar e onde falar. Normal que tenha uma discussão dentro de campo. Discussão, não apontar o erro alheio, como o goleiro Ronaldo fazia com companheiros, nos tempos de Corinthians. Poderia falar em particular. Talvez até tenha, mas não poderia fazer o que fez, na coletiva do 7 de setembro. “Ele precisa querer se ajudar”. Mesmo que seja verdade, não poderia falar assim. Entregou o companheiro aos leões. Foi X-9. O comportamento correto foi o de Hernanes e Dorival, minimizando problemas. Rodrigo Caio exponencializou o problema.

Há outros dois pontos que devem ser levados em conta agora.

Rodrigo Caio deveria se oferecer para jogar de volante contra o Vitória. Jucilei foi expulso e não há reservas. Ou melhor, há Militão, que precisa cobrir a lateral direita porque Buffarini tem sido um horror. Assim, a zaga ficaria com Bruno Alves e Arboleda. Ficaria mais protegida, mas Rodrigo Caio já disse que prefere a zaga. É hora de ceder.

Cueva não tem muito comprometimento com o time, mas também há a questão técnica. Ele é vítima da ditadura do 4-2-3-1. O time só pode ter um organizador de jogadas. Um. Os outros precisam jogar pelo lado e ajudar na recomposição. Foi assim com Ney Franco, que não conseguiu escalar Ganso e Jadson juntos.

A recomposição é uma obsessão. Dorival, após o jogo contra a Ponte, disse que o time foi bem no primeiro tempo, porque não permitiu um contra-ataque sequer à Ponte. Mas também só deu um chute a gol, até a magistral cobrança de Hernanes. Ora, se um time vem retrancado e não sofre nenhum chute a gol, qual a importância de conseguir um contra-ataque ou não. O São Paulo deveria ter atacado mais, mesmo que permitisse contra-ataques.

E qual a melhor maneira de fazer isso? Com dois meias. Com Cueva e Hernanes pelo meio, revezando-se. E sofrendo com contra-ataques, que seja.

A tal participação cria monstros. Outro dia, vi um jogo do São Paulo sub-20. O centroavante era Jonas Toró, que, naquele dia, estava muito mal. Não deu um chute a gol. E era muito elogiado pelo comentarista pelo seu poder de iniciar a marcação, ainda no ataque. Ele atacava o central. No jogo seguinte, o mesmo comentarista lamentava a ausência do atacante que não chuta, mas que atrapalha a saída de bola do goleiro e dos zagueiros.

Eu acho que ele seria muito mais importante se chutasse a gol.

Como Cueva seria muito mais importante se estivesse ao lado de Hernanes.


7 melhores contratações de 2017
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Sabe aquele jogador que chega, veste a camisa, não fica falando em problemas de adaptação, entra em campo e  resolve problemas? Muda o time de patamar? Ou os dois juntos? Fiz uma lista das sete contratações que mais me agradaram em 2017. Nem todas envolvem muito dinheiro.

GATITO FERNANDEZ – O Botafogo tinha Jefferson no auge. Grande ídolo e com passagens pela seleção. Ele se contundiu e o clube trouxe Sidão, que fez um bom 2016. Foi para o São Paulo, onde pouco se destacou. Ainda sem Jefferson, o Botafogo trouxe Gatito Fernandez, que está se tornando uma lenda, defendendo sete de onze cobranças de pênalti. Jefferson está recuperado e na reserva.

GABRIEL – O Palmeiras abriu mão de Gabriel no início do ano, mesmo com Moisés e Arouca contundidos. E mesmo já tendo resolvido abrir mão de Mateus Sables. E mesmo sendo Felipe Melo apenas uma possibilidade, ou nem isso. Livre, ele foi para o Corinthians, onde, livre de contusões, se firmou como um jogador fundamental para a proteção da defesa que ninguém passa.

GUERRA – Ele é um exemplo das mudanças do futebol mundial. Um venezuelano que faz sucesso no futebol brasileiro. Antes dele, só misses venezuelanas faziam sucesso no Brasil. É o principal jogador do Palmeiras e sobre ele não respingou nada do ano verde, muito abaixo das expectativas.

HERNANES – Em quatro jogos – mesmo com duas derrotas – mostrou ser o comandante do São Paulo rumo ao fim da vergonha do rebaixamento. Ainda não ocorreu, é claro, mas  com Hernanes, o time deu mostras e lampejos de ainda ser o clube mais vitorioso do futebol brasileiro. Foram duas vitórias épicas, com viradas tão inesperadas como inesquecíveis e, sejamos honestos, injustas. Tudo com sua técnica, chutando de esquerda ou de direita. Com uma linda cobrança de falta e dois pênaltis.

LUCCA – Encostado no Corinthians, foi para a Ponte e está na briga pela artilharia do Brasileiro, sempre aberto pelos lados do campo e com alto poder de definição. É a principal arma da Ponte, que luta pela permanência na Série A e deve conseguir mais do que isso. Está jogando tão bem que o Corinthians já recebeu ofertas do Exterior.

BRUNO HENRIQUE – Pagar 4 milhões de euros pelo jogador que saiu do Goiás e que não tem feito nada de memorável no Wolfsburg, time médio da Alemanha? Olha, ficou barato. Bruno Henrique é o grande destaque ofensivo do Santos em 2017, efetivo na Libertadores e no Brasileiro. E ainda ajuda na recomposição da equipe, fazendo um trabalho coordenado com Copete.

– Cadê o Jô, que fez muito sucesso no Galo (39 gols em 127 jogos), foi campeão da Libertadores e esteve na Copa do Mundo? Está por aí, nos Emirados Árabes e na China. Esquecido. Voltou ao Corinthians, que o revelou em 2003, voltou a dar importância ao futebol e é o grande nome do time que será campeão brasileiro em 2017. Canhota matadora, definindo sempre com precisão, capitão do time, Jô erro quase nada em 2017. Deu a volta por cima. Voltou a ser jogador de futebol. Dos bons.


7 motivos para o São Paulo não cair
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Menon

during the Serie A match between Juventus FC and Torino FC at Juventus Arena on October 31, 2015 in Turin, Italy.

Uma queda de time grande não é uma queda anunciada. Ela vai se construindo a cada dia. E começa antes do início do campeonato. Começa anos antes. Começa fora de campo, com falta de gestão, falta de transparência e de democracia. O São Paulo, o ameaçado da vez, mudou estatuto, prorrogou mandato, teve presidente ladrão e jogou a sujeira para debaixo do tapete.

Seguiu a cartilha da queda direitinho, mas algumas atitudes da diretoria e algumas características do elenco deixam aberta a possibilidade de reação. São a vacina contra o mal.

  1. O fator HPPrL – Hernane Petros e Pratto são profissionais comprometidos, de muita personalidade e com liderança. São atletas que cuidam do físico e respeitam a profissão. São comandantes que podem levar o restante da tripulação a remar para o mesmo lado e evitar a queda. Hernanes e Pratto, além disso, possuem bom nível técnico, mais do que Petros, que considero inferior a Thiago Mendes. Lugano é o quarto elemento da turma, apesar de não entrar em campo
  2. Cueva – O peruano deu sinais de reação  na derrota contra a Chapecoense e os confirmou contra o Vasco. Ele foi o melhor jogador do ano passado e sua queda de rendimento foi terrível para o time. No gol contra o Vasco, deu um passe espetacular para Pratto. E, na comemoração, ficou demonstrado a diferença entre os dois. O argentino vibrou muito e o levantou para que todos vissem. Estava jogando pelo grupo, estava dando moral a Cueva, que, praticamente não reagiu. Mostrou apenas timidez. De Cueva, pode-se esperar apenas bom futebol. De Pratto, bom futebol e comprometimento.
  3. Poucos gols sofridos – O São Paulo está em 18º lugar, antes de completar a 16ª rodada. Se vencer, ficará em 16º. E é a sétima melhor defesa, ao lado de Palmeiras (quinto lugar) e Avaí (17º). Tem saldo negativo de três gols, muito melhor que os seus concorrentes como Atlético-GO (16), Vitória (13), Avaí (8), Furacão (8), Coritiba (5), e Chape (6). É um time que não foi goleada nenhuma vez, embora tenha levado três gols de Corinthians e de Santos.
  4. Boa atuação na janela – O que ajuda um time grande a não cair é ter dinheiro (ou crédito) para se reforçar. O São Paulo, que perdeu muitos jogadores importantes, conseguiu reforços de bom nível. Arboleda e Petros estão jogando bem. Gómez, não, mas tem comprometimento. Hernanes e Marcos Guilherme são esperanças baseadas em bom futebol. Ainda há boas opções no elenco como Jucilei, o mais regular do time, Renan Ribeiro e reservas como Marcinho, Lucas Fernandes e Gilberto. Tem ovos para fazer uma omelete salvadora.
  5. Morumbi – O São Paulo realizou sete jogos em casa. Ganhou quatro – Palmeiras, Vasco, Vitória e Avaí – empatou com Fluminense e Dragão e perdeu para o Galo. Disputou 21 pontos e ganhou 14. É um aproveitamento de 66,6%, quatro pontos a cada dois jogos. Se mantiver essa média até o final do campeonato, terá conseguido 38 pontos. Faltará pouco para os 46 salvadores.
  6. Torcida – A torcida do São Paulo tem comparecido e ajudado o time. Um papel muito bonito por perceber que a razão de sua paixão está sofrendo. O time está na rabeira e tem a quarta melhor média de público como mandante. Na quinta-feira ,de frio, às 19h30, havia 23 mil contra o Vasco. Contra o Grêmio, já foram vendidos 25 mil ingressos.
  7. Dorival Jr. – Considero Rogério Ceni uma vítima e não o culpado pela situação. Mas há um novo treinador e ele acertou em algumas coisas. Optou por um jogo de posse de bola e pela manutenção de um time-base. A posse de bola faz com que o time tenha domínio tático do jogo e evite loucuras que eram comuns antes, com um time muito desequilibrado, algo que Ceni já tratava, sem muito sucesso, de corrigir. E a manutenção de uma base faz com que o time evolua. Além disso, Dorival detectou que Júnior Tavares estava muito mal na marcação e o trocou por Edimar. Dará certo?  Dorival conseguirá recuperar Wellington Nem? E o ataque, conseguirá ser mais efetivo? Até agora, foram apenas 15 gols. São desafios prontos para Dorival e suas primeiras atitudes dão esperança de solução.

Hernanes é um grande acerto de Leco e Pinotti. Mesmo que não dê certo
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Menon

Hernanes, desenhado aqui pelo genial Mario Alberto, está de volta ao São Paulo. É uma contratação importantíssima, principalmente pelo momento ruim que time passa. É um jogador de alta capacidade técnica, com bom desarme, ambidestro e boa chegada no ataque. Tem identidade com o clube e tem muita personalidade. Em seu currículo, constam 35 gols em 218 jogos pelo clube.

Impossível contestar uma contratação assim. Mesmo os opositores de Leco. Bem, em seu vídeo de apresentação, Hernanes não precisa dizer que veio graças aos esforços de Leco e Pinotti. Desnecessário, não é?

Hernanes foi um grande acerto do São Paulo.

E se não der certo?

Hernanes tem 32 anos e já há algum tempo não está jogando bem. Seus números na Itália eram declinantes. Na Lazio, onde foi ídolo, fez 41 gols em 156 jogos. Depois, na Inter foram sete gols em 52 jogos e na Juve, dois gols em 35 jogos.

Foi para a China. Não se adaptou onde também não jogou bem. Fez um gol em apenas seis jogos no Heibei.

Qual Hernanes volta? O mesmo que foi? Lógico que não, nunca é assim. Mas é alguém que pode ajudar muito o São Paulo. Pode formar uma linha de três com Jucilei e Petros, o que faria Dorival sair da zona de conforto e deixar de jogar com dois atacantes pelo lado. Eu jogaria com Jucilei, Petros, Hernanes, Cueva (até quando?), Marcinho e Pratto.

O time ganha esperança. Ganha respeito. Só isso justifica a vinda de Hernanes. Se jogar bem, será um grande acerto. Se fracassar, não terá sido um erro.


Torcedor do São Paulo não deve se iludir. Não há novos menudos
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Menon

Em 11 de abril de 1985, o São Paulo empatou por 2 a 2 com o Grêmio no Pacaembu. Apesar do resultado, o time saiu aplaudido de campo. Os torcedores se levantaram e aplaudiram…a esperança. Sim, aquele era o time dos Menudos, com jovens recém chegados ao time profissional. O time de Silas, Muller, Sidnei e Vizolli, que saiu perdendo por 2 a 0 já com 15 minutos de jogo e empatou aos 35 minutos do segundo tempo. O Grêmio tinha Renato Gaúcho, Caio Jr, Bonamigo e Alejandro Sabella, que se tornaram treinadores. Tinha ainda Tarciso, Valdo, Casemiro e Baideck, que foram brecados pelos garotos tricolores.

Garotos? Nem tanto. Os quatro – Bernardo chegaria no ano seguinte – tinham uma sólida base a lhes dar respaldo. O São Paulo dos Menudos era também o São Paulo de Oscar, Dario Pereira, Pita e Careca.

Por isso, acho arriscado vender-se a tese de que a atual geração da base tricolor – a turma de 96 – possa a ser o que os Menudos foram. Possam ter o mesmo sucesso.

Alem da base vencedora, de jogadores experientes, não se pode comparar o talento dos jovens de hoje com Muller. Apenas para comparar, Muller foi mais jogador que Kaká. Silas também era ótimo. Não é à toa que, no ano seguinte, estavam na Copa do Mundo.

Comparações são difíceis, há uma tendência a achar tudo o que passou melhor, mas ninguém há de duvidar que Muller teve um parceiro que David Neres não terá nem se for convocado por Tite para a seleção. Careca é excepcional, foi um dos maiores centroavantes da historia do futebol brasileiro. Técnico e letal.

Está o São Paulo errado, então, em contratar Junior Tavares, Shaylon e Gabriel Rodrigues? Em fazer novo vínculo com Foguete? Em dar respeito e moral a Tormena, Lucas Kal, Araruna, Pedro e Artur?

Não, absolutamente não. Está muito correto. Tem de usar todos, tem de testar muito. Basta ver o Santos. Basta ver o próprio São Paulo, de Jean e Hernanes. Se Neres não será um novo Muller, Araruna tem toda pinta de ser um novo Jean.

O erro é criar-se a falácia de que um time de garotos fará sucesso. Será como os Menudos. Não serão porque não há ninguém como Muller. Talvez Lucas Fernandes e Shaylon cheguem a ser um Silas. E estão chegando, sejamos claros, a um time muito ruim.

Os garotos são ótimos, mas acreditar que são a salvação serve apenas para atrapalhar a carreira deles. E a aliviar a diretoria de seus afazeres. Afinal, Leco não falou em reforços do nível Pratto e Fred?


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