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Felipão nocauteia a modernidade
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Menon

Alguns fatos sobre Felipão e Palmeiras:

O aproveitamento é espetacular, com sete jogos sem sofrer gols. É incontestável, não há o que discutir.

A vitória por 2 x 0 sobre o Cerro, fora de casa, foi ótima. E nem vi o jogo. Foi ótima por vencer um time aguerrido for de casa e por encaminhar a classificação na Libertadores.

Tirando esse jogo, os outros foram contra adversários fracos. Nenhum time de primeira linha, como o Palmeiras é.

Então, é bom ter o pé atrás, é bom se preparar para novos jogos mais difíceis. E também é bom não ficar procurando defeitos.

Em resumo, e qui lí brio, como diz o Tite. O trabalho até agora é perfeito, mas exceção ao Cerro, os rivais eram fracos.

O que eu gosto no Felipão é que, com ele, o futebol é apenas futebol. Um jogo. Você tem de ganhar. Fazer com que seus onze jogadores derrotem os outros onze. Absolutamente, em hipótese alguma, você precisa jogar bem. Evidentemente, se você ganha jogando mal, está mais perto de perder no jogo seguinte.

Mas, no futebol brasileiro, com jogadores que não se comparam aos das médias ligas da Europa, eu não acho aconselhável ficar analisando treinador para mais além do resultado. Afinal, ninguém é gênio, ninguém tem um trabalho autoral, ninguém vai fazer história.

Felipão quer ganhar. E trabalha para vencer, sem frescura.

Roger Machado, após deixar o Galo, ficou seis meses sem trabalhar. Ele argumenta que não gosta de pegar um time “em andamento”. Quer pegar desde o início e ir moldando o grupo às suas ideias. Ou ir moldando suas ideias ao grupo. Como um Michelângelo diante da alva Capela Sistina. Como Gabriel Garcia Márquez diante da folha em branco de sua máquina de escrever. Ou Chimamanda Ngozie Adichie diante da tela do computador.

Scolari chegou no meio de competição, sem tempo de treinar e já melhorou o time do Roger. A defesa parou de sofrer gols.

Eu acho irritante treinador jovem dizer que o time não tem tempo para treinar. Ora, é assim que a banda toca em Pindorama. Quer tempo para treinar, vai para a Europa. Ou peça que o presidente de seu clube enfrente a CBF. Ou faça, ele mesmo, uma tentativa de calendário decente. Dê sua contribuição ao futebol brasileiro. Pois, sim. Dizem que não têm tempo para treinar não para melhorar o futebol e sim para ter uma muleta que diminua a cobrança pelas derrotas.

A verdade é que não tem tempo para treinar mesmo. Mas também verdade que Osmar Loss e Roger Machado não apresentaram nada de novo após 40 dias de treinamento proporcionados pela parada da Copa. Barbieri também não. E reclama de gramado. Muletíssima.

Com Felipão, Deyverson e Borja estão fazendo gols. Ele tem dois centroavantes para escolher.

Para ele, isso é fundamental. Felipão não vive sem uma casquinha. Sem um cruzamento que termina em cabeçada. Sem um contra-ataque mortal, que termina no pé matador, após um passe bem feito.

É ultrapassado? Não tem posse de bola? Muito cruzamento? A verdade, amigos, é que não existe uma única maneira de vencer. E o que importa é vencer.

Outro ponto a favor de Scolari é ter uma linguagem acessível ao jogador. Ele sabe explicar o que deseja. Não precisa falar uma coisa em “tatiquês” e depois traduzir em “boleirês”.

E ele, que é grosseiro com muita gente, trata seus jogadores como um paizão. É a tal família Scolari, que se transformou em comédia após o grande vexame de 2014, mas que pode ajudar agora. Em 2014, o Brasil era um time muito ruim, mal treinador e ultrapassado. Scolari foi engolido por outros treinadores e a tal família Scolari não serviu para nada. Agora, por enquanto, está ajudando. Mas, se vier um time muito melhor, vira fiasco de novo.

Esperemos, mas por enquanto é notório que Scolari está rendendo muito mais que os treinadores universitários. A turma do bloco médio, da amplitude, da valência física e técnica, da biotipia, da vitória pessoal (drible)…

 

 


50 tons de Dudu
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Menon

Dudu fez o seu jogo 205 pelo Palmeiras. Marcou o seu 50° gol. E ainda cobrou um escanteio perfeito, com GPS na bola indicando a cabeça loira de Deyverson como destino final.

Um gol a cada quatro jogos. Não é para muitos. Gols como o último. Rápidamente se adiantou, tomou a bola diante de Aderllan, gigante de pés de barro e definiu com qualidade diante do goleiro.

Dudu é um ponta na ponta. É um ponta na meia. É um meia na ponta. Rápido e técnico. Oportunista, até gol de cabeça, o baixinho de 1,66m faz.

E é chato. Como é. Principalmente para os torcedores dos rivais.

É destaque do Palmeiras que não sofre gols há sete jogos.

Na briga pelo título. Não duvide.

 


Felipão, perfeito no Palmeiras
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Menon

Trinta e cinco minutos do segundo tempo. O time ganha por 1 x 0. O treinador tira o centroavante e coloca um defensor. A equipe recua, mas mantém o resultado. E a vaga.

Quer mais Felipão do que isso? Time forte na defesa e capaz de tudo para manter o que conquistou?

No caso, a definição acima é injusta com o Palmeiras, contra o Bahia. O time teve pelo menos três grandes chances para marcar, antes da cabeçada de Dudu.

São seis jogos sem sofrer gols. Uma classificação assegurada e outra muito bem encaminhada.

Felipão está fazendo tudo o que se esperava dele. 100%.

Esperar mais de Scolari é viver em desconexão com sua carreira.

Ele nunca vai criar algo de novo no futebol. Não será um treinador autoral.

Mas, quem é, mesmo?


Palmeiras de Felipão, ganha com ajuda de Jorginho
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Menon

O Palmeiras, com muitos reservas, venceu o Vasco, com ajuda do treinador rival.

O jogo esteve equilibrado no primeiro tempo. O Palmeiras com posse de bola. O Vasco, com marcação forte e apostando em contra-ataque com Pikachu.

No segundo tempo, Jorginho colocou o volante Andrey na lateral, com a saída de Galhardo. Raul ficou de volante. A marcação afrouxou e o Palmeiras passou a atacar por ali, com Hyoran.

O gol veio em seguida, com Deyverson. Foi a sua terceira tentativa no jogo.

Lucas Lima foi muito bem no segundo tempo. Hyoran foi superior a Scarpa. Gómez estreou bem.

OO Palmeira teve a cara de Felipão. Jean, jogador eternamente coadjuvante, tem lugar assegurado. Muita luta e cruzamento na área.

O Vasco teve a cara de Jorginho.


Felipão se compara a Mandela e alfineta Tite
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Menon

Felipão está de volta. Com a personalidade forte, respondeu a tudo que lhe foi perguntado. Sem nenhuma crítica aos colegas, entendam bem, senti falta de perguntas específicas sobre a arrumação do time.

Felipão tentou sepultar de vez o 7 x 1. E, novamente, falou que todo mundo tem um dia ruim e que é importante seguir a vida. Tudo bem, mas não foi apenas um dia ruim. Foi um trabalho péssimo, do início ao fim, com Família Scolari, apelo a jornalistas por unidade contra os estrangeiros, empates com Chile e México…

A meu ver, também supervalorizou seu trabalho no Grêmio, quando chegou a deixar o banco de reservas durante uma partida.

E ele foi muito correto ao lembrar que é o último campeão e que não é o último derrotado. Concordo totalmente. O trabalho de Tite foi ruim e não é questionado. O 7 x 1 de Scolari esconde o baile tático sofrido contra a Bélgica.

Por fim, Felipão se comparou a Mandela. Uma afronta, vindo de quem já externou simpatia por Pinochet.

Felipão não precisa se comparar a Mandela.

Mandela não merece ser comparado a Felipão.


Felipão é ultrapassado? E os outros?
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Menon

Uma seleção ganha a Copa do Mundo, com defesa forte, bem postada, contra-ataque e bom definidor.

Estamos falando da França, com linha de quatro, Mbappé e…sem definidor.

Mas, também, estamos falando de…

O Brasil de 2002, com linha de três, sem Mbappé, mas com Ronaldo e…

O Brasil de 94, com linha de quatro, pouco contra-ataque e com Romário e Bebeto.

Tem muita diferença? A tendência é essa?

Guardiola disse ontem que a tendência do futebol não deve ser analisada em Copa, torneio de quatro em quatro anos e que reúne time com grandes jogadores mas sem tempo de treino.

Sábias palavras, mas a pergunta é: Felipão é tão ultrapassado assim, se foi antecessor de Deschamps?

Não sei se é ultrapassado. Sei que sua carreira vem em declínio terrível. A seleção de 2014 foi um vexame, com empates contra México e Chile. Sem falar do 7 x 1. Foi mal no Grêmio, como já havia ido mal no Palmeiras.

O que não tenho dúvida é que Felipão não é um formulador de tática. Não cria nada de diferente. Acho exagero dizer que ele é um motivador apenas. Foi um ótimo técnico, mas não tem capacidade de criar algo novo.

Mas, quem é que tem?

O que os novos treinadores trouxeram de diferente para o futebol brasileiro? Zé Ricardo, Jair Ventura, Valentim? E Carille, o melhor de todos, dono de um trabalho marcante no Corinthians?

E Tite, o que criou?

Fernando Diniz é tratado como um revolucionário, mas o que ele fez? Um pastiche das ideias de Guardiola, que o próprio Guardiola já deixou de lado. Em parte ou no todo. Guardiola tinha a posse de bola para fazer gols, Diniz tinha a posse de bola para aborrecer quem foi ao jogo.

Esqueçamos então que Scolari não é um revolucionário.

Esqueçamos inclusive que sua carreira está muito mal.

Há alguma certeza de que os outros treinadores no mercado poderiam fazer um trabalho melhor do que o dele no Palmeiras? Será que o ‘vamos vamos’ de Felipão precedendo um contra-ataque é mesmo pior que a pressão intermitente no bloco baixo iniciando uma transição ofensiva rápida?

Tenho certeza que não.

E mesmo treinadores com boas ideias como Osorio e Sampaoli (esqueçamos a Copa) seriam uma opção melhor agora?

Felipão não é só motivador.

E, se fosse apenas isso, seria pior que os que estão por aí?

Vou esperar para ver.


Felipão merece respeito
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Menon

Eu não sou fã de Felipão. Acho que o tempo dele passou. E esse jogo de ligação direta para um pivô fazer casquinha não me agrada.

E a formação da família Scolari? Pelo amor de Deus!!! Grande bobagem!!

Mas não concordo com a certeza espalhada por aí…Ele vai fracassar. Vai afundar. Não merece trabalhar. Precisa aposentar. Pega, esfola…

Se comparar com as opções modernas, Felipão é incomparável. Fernando Diniz!? Zé Ricardo? Jair!? Deixa o homem trabalhar..


Timão mantém receita e terá sucesso em 2018
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Menon

Pequena viagem aos anos 70:

Segunda-feira – Virado à paulista

Terça-feira – Bife a rolê

Quarta-feira – Feijoada

Quinta-feira – Macarrão com frango

Sexta-feira – Peixe à dorê

Sábado – Feijoada.

O cardápio nos botecos do centro eram imutáveis. Bons restaurantes também o replicavam, com mais qualidade, é lógico. Na saída do banco, antes de ir para o cursinho, com amigos como Zé Roberto, Nelsinho Juncioni, Edinho (saudades do amigo), Jorginho Tequila ou quando me encontrava com outros casabranquenses como Irineu, Zimbres e Laércio, era sempre o mesmo cardápio.

Eu gostava. Gosto de comida assim, caseira. Feijão, farinha e pimenta me fascinam. Hoje (ou será que já existia naquele tempo) há restaurantes que servem espuma e feijoada desconstruída. Vi uma foto, uma vez. Eram bolinhas parecidas com as de gude da infância, mas recheadas de feijoada. Nada daquele prazer de misturar o feijão, a farinha, o caldo de feijão com pimenta, a costelinha….bem, a couve vocês podem levar…Banana e torresmo, não.

A falta de dinheiro fez com que o Corinthians tivesse um time pé no chão no ano passado. Aquela comida caseira muito bem temperada pelo Mestre Carille. O resultado, todos viram. Dois títulos importantes.

A situação financeira não melhorou, pelo menos que eu saiba. E três destaques se foram: Arana, Pablo e Jô. O que fazer, senão buscar a melhor reposição possível. O Corinthians foi ao mercado e, com parcimônia e sem loucuras está trazendo boa reposição. Juninho Capixaba é um lateral promissor, apesar de não ter sido um grande destaque no Brasileiro. Carille viu, gostou e pediu. Ele merece crédito, apesar de have pedido o Kazim. E aí está o Capixaba, com o Guilherme Romão na reserva.

Henrique está chegando para a zaga. Está bem, eu concordo que Scolari errou muito em levar Henrique à Copa. Miranda é muito mais. Também concordo que Henrique virou folclore no Barcelona, mas nada disso vale agora. É um bom zagueiro, mais que bom, na verdade. Não vai pesar a camisa e tem condições de suprir a saída de Pablo.

E, se o Corinthians perdeu um dos artilheiros do campeonato, está trazendo o outro. É uma falsa verdade. Ou melhor, uma verdade insuficiente para explicar a diferença técnica entre Jô, que sai, e Henrique Ceifador que deve vir. Jô é muito mais técnico, sabe jogar fora da área, é mortal caindo ali pela esquerda….mas o que não se pode negar é que Henrique sabe fazer gols. E é o melhor cobrador de pênaltis do mundo.

Ainda vieram Renê Jr, que eu considero um jogador muito bom. É versátil, pode fazer as três funções do meio (volante, volante de saída e até de chegada na área rival) e Júnior Dutra, que fez bom campeonato.

Vai dar tudo certo? Novos títulos virão? Não sei e ninguém sabe.

Mas a receita foi mantida. E ela fez muito sucesso. Se nada desandar….


Oswaldo, o penúltimo dinossauro, caiu. O que virá em 2017?
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dinosVanderlei Luxemburgo, Luis Felipe Scolari e Muricy Ramalho estão fora do mercado. Não começarão 2017 comandando um dos 12 clubes de maior tradição no Brasil. Juntos, eles venceram uma Copa do Mundo de seleções, 3 Libertadores, 12 Brasileiros e 5 Copas do Brasil. O primeiro desses títulos foi o Brasileiro de 1993, de Luxemburgo, com o Palmeiras. O último, foi a Copa do Brasil de 2012, de Scolari, também no Palmeiras. Abel Braga, de volta ao Flu, venceu um Mundial, uma Libertadores e um Brasileiro.

O “quinto dinossauro” foi demitido pelo Corinthians. Oswaldo de Oliveira sai após nove jogos e um aproveitamento de 37%, com duas vitórias, quatro empates e três derrotas. Algo não condizente com seu passado no futebol, com um título mundial e um brasileiro. Não está aqui o “título moral” de Oswaldo na Copa João Havelange, quando foi demitido por Eurico Miranda nas vésperas da decisão.

Depois destes cinco “dinossauros”, houve uma geração intermediária ainda na ativa.  Tite, com seu título mundial interclubes, uma Libertadores, dois Brasileiros e uma Copa do Brasil está na Seleção Brasileira. Mano Menezes, que também dirigiu a Seleção, tem uma Copa do Brasil e está no Cruzeiro. Renato Gaúcho, com duas Copas do Brasil, está no Grêmio.

Entre o sucesso de Tite, o ocaso dos três gigantes, a demissão de Oswaldo, a volta de Abel e a curiosidade sobre como Renato Gaúcho trabalhará a longo prazo, os 12 grandes estão cheios de novidades. A renovação é gritante e pode ser exemplificada com alguns dados curiosos.

Eduardo Batista é filho de Nelsinho Batista, o primeiro rival de Luxemburgo, lá em 1990, na disputa entre Braga e Novorizontino.

Dorival Jr foi auxiliar de Muricy.

Antônio Carlos Zago foi dirigido por Scolari e Luxemburgo.

Rogério Ceni foi capitão de Muricy e assume um clube pela primeira vez.

Zé Ricardo e Jair Ventura têm menos de 40 anos.

Roger Machado foi dirigido por Scolari.

O perfil dos novos treinadores aponta para pessoas menos empíricas e mais antenadas com o futebol que se pratica hoje. Zé Ricardo e Jair Ventura nem podem ser “boleiros”, afinal não são ex-jogadores. Dorival Jr e Mano Menezes fizeram uma “reciclagem” na Europa. Dorival visitou grandes clubes e Mano fez cursos em Portugal.

Antônio Carlos Zago fez todos os cursos da Uefa e foi auxiliar na Roma. Rogério Ceni fez cursos menores e trouxe o inglês Michael Beale, com grande experiência em clubes ingleses. Eduardo Batista e Roger Machado, que foram muito bem no início da carreira, terão a chance de recomeçar em um time grande, após o mau momento no Fluminense e na fase final do Grêmio. Cristóvão tem uma nova chance, após não conseguir montar defesas seguras por onde passou.

O ano de 2017 começará com muita expectativa sobre o trabalho dos novos treinadores. E com a esperança que algo de novo se materialize no Brasil. Porque, por enquanto, toda a modernidade que se instala aqui é uma imitação do que já se implantou na Europa. Nem se pensa no “pulo do gato”, na possibilidade de que uma grande novidade apareça por aqui. Se conseguirem chegar mais perto do que se faz por lá, com um “delay” menor já será um grande feito.

E sonhar com um grande clube jogando de forma diferente dos outros. Chega de 4-2-3-1, a novidade da Copa de 2006.


Neymar é um capitão desqualificado
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Menon

Todo mundo conhece alguém que está exercendo um cargo sem possuir a qualificação necessária. Todo mundo conhece Neymar.

O grande jogador brasileiro das últimas décadas, o craque que seria titular em todas as seleções brasileiras desde 1958, não tem perfil de capitão. Não tem qualidade para liderar nada.

Neymar é um produto desta sociedade exibicionista que vivemos. Coloca no instagram uma capinha de celular de ouro, que vale R$ 16 mil. Compra uma Ferrari e diz que dirigir um carro desses é seu sonho de infância. Mentira, né? Seu sonho de infância era jogar futebol dia e noite, na quadra, no campo, na praia ou numa casinha de sapé.

É um sujeito que, graças a seus méritos, conseguiu tudo o que tem. Nunca foi contrariado. Eu me lembro que tinha 14 anos e seu empresário conseguiu coloca-lo naquelas peladas que reuniam os pilotos de Fórmula-1 em São Paulo. Já era rico – ou R$ 60 mil por mês está ruim para vocês – já era badalado, já era protótipo de superstar.

Desde garoto foi tratado como uma mina de ouro. Para a família, para os amigos… Menos para o clube. Quando foi vendido para o Barcelona, fez de tudo – através ou de comum acordo com o pai? – para prejudicar o Santos. O time que o revelou ganhou uma merreca por sua venda. Ganhou a comissão e não o total. E na final do Mundial, Neymar já havia assinado com o Barcelona.

Esse tipo de projeto leva a pessoa a se tornar egoísta. A pensar apenas em si. Como pode liderar um grupo? Como pode abdicar de algo em função do grupo? Como pode ser espelho?

Na última Copa, quando foi covardemente atacado pelo lateral colombiano, deixou a seleção e viu a derrota por 7 a 1 pela televisão. Não viu toda, foi jogar pôquer. Na Copa América, quando os problemas com o fisco estavam aparecendo, teve um comportamento de prima dona contra a Colômbia e foi expulso.

Neymar só pensa em si. Há pouco, levou um cartão amarelo pelo Barcelona e voou para o Brasil para participar do aniversário da irmã, que tenta alçar voo como modelo. Não tem asas, mas tenta.

No velório de Cruyff, participou com roupas inadequadas, inclusive com boné. Parecia mais um funkeiro. Ou pagodeiro. Foi criticado pelos torcedores do Barcelona.

Mesmo em um país que pouco liga para a mística do capitão, falta muito a Neymar. Aqui, se diz que capitão só serve para o sorteio inicial. Ganhamos cinco copas e nossos capitães não são lembrados como Obdulio Varela, por exemplo.

Na Argentina, criou-se a figura do capitão como “dono do time”. O jogador é escolhido como indicativo de que é o responsável pelo sucesso. Foi assim com Maradona. Billardo construiu um time em torno dele e, para isso, tirou a faixa de capitão dos ombros de Passarella. E Passarella, incomodado, retirou-se da seleção. Maradona, então o melhor do mundo, mandou e mandou. Mandou na técnica e mandou no grito.

Agora, é com Messi. E Messi é diferente de Maradona. Tem o mesmo futebol, talvez até mais, mas não mostra ascendência sobre todos. Isso fica por conta de Javier Mascherano, que, desde garoto, tinha o apelido de “Jefecito”, o “chefinho”.

Neymar, como capitão, é um caso desses. Ele foi escolhido não por sua fibra ou comportamento. Foi escolhido por seu nível técnico totalmente fora da curva. Foi escolhido por Dunga para sinalizar um tempo de renovação, após a ignomínia de 2014. A seleção é dele. Mas, onde está o Mascherano do Brasil? Quem pode ter atitudes de liderança, de companheirismo, de enfrentamento?

Não frequento o vestiário da seleção. Mas posso imaginar Neymar comandando a roda de pagode ou uma sessão de selfies. Posso vê-lo falando de um novo carro, barco, avião ou da garota do filme A Quinta Onda. Não consigo vê-lo dando ânimo e amizade aos colegas. Não posso vê-lo no comando.

Ele não foi criado para liderar.

Ele foi criando para ser milionário.

Para ser o comandante do bloco do eu-sozinho.